Para a RM de bexiga com VI-RADS, quanto tempo esperar depois de uma RTU ou de BCG intravesical?
VI-RADS: RM da Bexiga
Invade o músculo ou não?
O carcinoma urotelial é cerca de 90% dos tumores de bexiga, 3 a 4 vezes mais comum no homem, quase sempre depois dos 70 anos, e metade dos casos vem do tabagismo. A pergunta que muda tudo é se o tumor invade a muscular própria (detrusor): o não invasivo (cerca de 80%) se trata com ressecção transuretral (RTU) e, às vezes, BCG (bacilo de Calmette-Guérin, instilado na bexiga); o invasivo, com cistectomia radical ou protocolo de preservação. A primeira RTU subestadia cerca de 50% dos tumores, e é aí que a RM com o VI-RADS (Vesical Imaging Reporting and Data System) entra.
| T (AJCC 8, American Joint Committee on Cancer) | Profundidade |
|---|---|
| Ta, Tis | Papilar não invasivo, carcinoma in situ |
| T1 | Tecido conjuntivo subepitelial (lâmina própria) |
| T2 | Muscular própria: T2a metade interna, T2b metade externa |
| T3 | Gordura perivesical: T3a microscópica, T3b macroscópica |
| T4 | T4a próstata, vesículas seminais, útero ou vagina · T4b parede pélvica ou abdominal |

Preparo e protocolo
| Preparo | Como |
|---|---|
| Quando | Antes da RTU, da biópsia ou do BCG, ou pelo menos 2 semanas depois · 2 a 3 dias depois de cistoscopia ou retirada de sonda |
| Bexiga | Cerca de 300 mL: a parede superior deve ficar convexa no localizador sagital |
| Antiespasmódico | Endovenoso logo antes, contra o peristaltismo |
| Sequência | Detalhe |
|---|---|
| T2 (categoria estrutural, SC) | FSE/TSE (fast spin echo/turbo spin echo: spin eco rápido) 2D sem supressão de gordura, pelo menos dois planos, cortes de 3 a 4 mm · 3D opcional para reformatar na base do tumor |
| Difusão (DW) | EPI (echo planar imaging: aquisição ecoplanar) em respiração livre com supressão de gordura, dois planos · b 50, 500 e 1000 (b alto de 800 a 1000) · mapa de ADC (coeficiente de difusão aparente) |
| Contraste dinâmico (CE) | T1 3D com supressão · gadolínio 0,1 mmol/kg a 1,5 a 2,0 mL/s · 4 a 6 fases de 30 s · subtração |
| Extra | T1 com supressão sem contraste da pelve (sangue, metástase óssea) · 1,5 ou 3 T, bobina de pelo menos 16 canais |


A parede e o tumor em cada sequência
| Sequência | Camada interna (urotélio e lâmina própria) | Muscular própria |
|---|---|---|
| T2 | Não aparece | Linha escura |
| Difusão e ADC | Não aparece | Linha de sinal intermediário |
| Contraste | Realce precoce e mantido, mais forte que o músculo no início | Realce progressivo · as duas se igualam em cerca de 90 s |


| Achado | O que significa |
|---|---|
| Tumor | T2 intermediário entre urina e músculo · difusão alta e ADC baixo · realce precoce |
| Pedículo | Ligação linear entre o tumor e a parede, escura na difusão · sinal favorável |
| Camada interna espessa | Prediz músculo preservado |
| Tamanho | Menor ou maior que 1 cm, no maior eixo |
| Interrupção da linha escura | Invasão muscular · tumor na gordura: parede toda invadida |
| Crescimento | Exofítico (séssil ou pediculado), endofítico, plano ou misto |









As categorias do VI-RADS
| Escore | T2 (SC) | Contraste (CE) | Difusão (DW) |
|---|---|---|---|
| 1 | Linha escura contínua · menor que 1 cm · exofítico, com ou sem pedículo | Músculo sem realce precoce | Músculo contínuo · tumor menor que 1 cm, com ou sem pedículo escuro |
| 2 | Linha contínua · maior que 1 cm · exofítico com pedículo ou camada interna espessa, ou séssil com camada interna espessa | Realce precoce só da camada interna | Maior que 1 cm com pedículo ou camada interna espessa escuros |
| 3 | Sem os achados do 2 (exofítico sem pedículo, séssil sem camada interna), sem ruptura clara | Idem | Idem |
| 4 | Tumor interrompe a linha escura e entra no músculo | Realce precoce que entra no músculo | Difusão alta e ADC baixo entrando no músculo |
| 5 | Tumor atravessa a parede até a gordura | Idem até a gordura | Idem até a gordura |
















| Escore final | Combinação |
|---|---|
| 1 | Os três em 1 |
| 2 | SC 2 ou 3, CE e DW em 2 |
| 3 | Os três em 3, ou SC 3 com CE ou DW 3 e o outro 2 |
| 4 | SC 3 a 5, CE e/ou DW 4 |
| 5 | SC 4 ou 5, DW e/ou CE 5 |


Armadilhas
| Armadilha | Como lidar |
|---|---|
| Parede curva | Pseudo-interrupção no T2: reformatar o 3D e conferir na difusão e no contraste |
| Orifício ureteral | Ponto mais fundo mal visto, muita variação entre leitores · pode dilatar o ureter |
| Divertículo | Sem camada muscular: não usar o VI-RADS |
| Coágulo e debris | Amorfos ou lineares, podem brilhar na difusão, mas não realçam (subtração) |
| Depois de RTU ou BCG | Edema e inflamação realçam: decidir tumor residual pela difusão e ADC |
| Espessamento difuso | Provavelmente benigno |
| Ligamento umbilical mediano, ureter intramural | Nodularidade na inserção · abaulamento bilateral na junção ureterovesical sem massa |
| Tumor não urotelial | O VI-RADS é para carcinoma urotelial: cistoscopia |











Pontos de prova: alto rendimento
| Bexiga cheia | Cerca de 300 mL |
| Depois de RTU ou BCG | Pelo menos 2 semanas |
| T2 | Sem supressão de gordura, 3–4 mm |
| Difusão | b 50, 500, 1000 |
| Contraste | 4–6 fases de 30 s |
| Músculo no T2 | Linha escura |
| Camada interna | Realce precoce |
| Pedículo | Escuro na difusão, favorável |
| Corte de tamanho | 1 cm |
| VI-RADS 1 | Menor que 1 cm, linha contínua |
| VI-RADS 4 | Tumor entra no músculo |
| VI-RADS 5 | Até a gordura |
| Categoria dominante | Difusão; contraste se a difusão for ruim |
| Divertículo | Não usar VI-RADS |
| Coágulo | Não realça |
| Depois da RTU | Julgar pela difusão |
Armadilhas e erros comuns
Erros
- Fazer a RM logo depois da RTU ou do BCG
- Usar supressão de gordura no T2
- Decidir invasão só pelo T2
- Chamar de invasão a pseudo-interrupção da parede curva
- Aplicar VI-RADS em tumor de divertículo
- Chamar coágulo de tumor sem olhar o realce
- Chamar de tumor o realce da inflamação depois da RTU
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6No T2, como aparece a muscular própria normal da bexiga?
Tumor exofítico de 1,5 cm com pedículo, linha muscular contínua no T2, na difusão e no contraste. O escore VI-RADS é:
Qual sequência é a categoria dominante do VI-RADS quando tem boa qualidade?
Tumor dentro de um divertículo vesical. Como aplicar o VI-RADS?
Três semanas depois de uma RTU, a parede tem realce precoce difuso no local. Para decidir se há tumor residual, o mais útil é:
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Fávero Prietto dos Santos J, Ghezzi CLA, Pedrollo IM, et al. Practical Guide to VI-RADS: MRI Protocols, Lesion Characterization, and Pitfalls. RadioGraphics 2024;44(3):e230149. doi:10.1148/rg.230149
O artigo não dá a probabilidade de invasão em porcentagem por categoria (só de “muito improvável” a “muito provável”) nem o nome e a dose do antiespasmódico. Os esquemas com texto em inglês (anatomia, camadas, mapa, quadro das categorias e fluxograma) foram tirados; ficou o esquema dos estágios T, que só tem as siglas. Conferido em 07/10/2026.
Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados da mesma fonte.