Prematuro de 27 semanas, rastreio no quinto dia. Há hemorragia da matriz germinativa com extensão ventricular bilateral e, à esquerda, área ecogênica no parênquima periventricular adjacente. Como classificar e o que o laudo precisa dizer?
US Transfontanela
O exame que se faz na incubadora
A neurossonografia é a primeira linha para o encéfalo do recém-nascido porque vai até o leito: é feita através da incubadora, na UTI neonatal, sem sedação e sem transporte. Isso muda o que se pede dela: não é um exame único e definitivo, é um exame seriado, que acompanha uma lesão se instalando.
Quando fazer e quando repetir
HPIV (hemorragia peri-intraventricular) grau 2 ou maior, ou lesão de substância branca: repetir a cada 7 a 10 dias.
Dilatação ventricular ou piora da dilatação pós-hemorrágica: intensificar, ao menos semanal no início.
Neurossonografia corrigida ao termo está recomendada para todo nascido antes de 26 semanas, e para os de 26s0d a 31s6d que tenham fatores de risco adicionais ou anormalidade prévia moderada a grave: HPIV grau 3 ou maior, dilatação pós-hemorrágica, ou leucomalácia periventricular cística.
O exame corrigido ao termo não é rotina nesse grupo.
Técnica e ajustes
O exame começa em escala de cinza pela fontanela anterior, nos planos coronal e sagital, com transdutores phased array, convexo e linear multifrequenciais, de 5 a 18 MHz. A escolha da frequência é sempre a mesma negociação: resolução no campo próximo × penetração.
C1 lobos frontais · C2 cornos frontais · C3 ventrículos laterais no nível dos forames de Monro · C4 ventrículos posteriores aos forames · C5 cisterna da placa quadrigeminal e cerebelo · C6 glomos ecogênicos do plexo coroide · C7 posterior aos cornos occipitais, com lobos parietais e occipitais.
Sete planos sagitais: S1 mediano; S2/S5 ventrículos laterais incluindo o sulco caudotalâmico; S3/S6 substância branca profunda e ínsula; S4/S7 fissuras silvianas e córtex periférico.
O foco é centrado nos ventrículos. Clipes de cine complementam.

O traçado espectral com velocidade de pico sistólico, velocidade diastólica final e índice de resistividade é essencial para avaliar hipoperfusão, isquemia e edema cerebral. Power Doppler e B-flow ajudam a mapear áreas hiper e hipoperfundidas.
Ao final, o transdutor linear de alta resolução avalia os espaços subaracnóideos da convexidade, o córtex periférico, o escalpo, as suturas e as estruturas vasculares.
As janelas acústicas
| Janela | Planos | O que ela resolve |
|---|---|---|
| Fontanela anterior | 7 coronais + 7 sagitais | Diferenciação córtico-subcortical, padrão giral e sulcos. Hiperecogenicidade da substância branca periventricular maior que a do plexo coroide é anormal: hemorragia ou leucomalácia. Ecogenicidade intraventricular no corno frontal anterior ao forame de Monro e no corno occipital posterior ao sulco calcarino levanta hemorragia, porque essas áreas não têm plexo coroide. É onde se medem a largura do corno anterior e o índice ventricular, no plano coronal médio. |
| Fontanela posterior | Coronal e sagital | Melhor avaliação dos átrios e cornos occipitais. Hemorragia intraventricular sutil no corno occipital; suspeita de holoprosencefalia. |
| Fontanela mastóidea | Axial ± coronal | Fossa posterior: seio transverso, sigmoide, tórcula e cisterna magna. Obstrução do aqueduto, sangramentos de tronco e cerebelo. Dandy-Walker e hipoplasia cerebelar. |
| Janela temporal | Axial bilateral | Tronco encefálico e cerebelo. Doppler do polígono de Willis e da artéria cerebral média. |
Hidrocefalia supratentorial obriga a olhar a fossa posterior pela mastóidea, para não perder a causa.
Variantes normais
| Variante | Como reconhecer, e o limite |
|---|---|
| Sulcação prematura | A falta de sulcos no extremo prematuro não é malformação cortical. O inverso é que preocupa: cérebro liso em recém-nascido a termo levanta malformação do desenvolvimento cortical. |
| Ecogenicidade peritrigonal | Halo simétrico e quase homogêneo da substância branca periventricular posterior no prematuro; desaparece no início do período neonatal. Confirmar em planos ortogonais para separar de hemorragia e leucomalácia. |
| Vasculopatia lenticuloestriada | Uma ou duas estrias curvilíneas hiperecogênicas ramificadas nos núcleos da base é variante normal. Três ou mais (alto grau) associa-se a hipóxia, infecção congênita e anormalidade genética. |
| Aumento benigno do espaço subaracnóideo (BESS) | Alargamento simétrico frontal e parietal com largura inter-hemisférica acima de 6 mm em lactente macrocefálico. Resolve espontaneamente até os 2 anos. O líquido segue o contorno giral, há veias corticais subaracnóideas atravessando, e não há achatamento dos giros. |
| Ventrículos assimétricos | Assimetria leve é comum no prematuro e tende a normalizar no primeiro mês. Pode persistir sem perda de volume nem ecogenicidade anormal da substância branca periventricular. |
| Cistos conatais | Pequenos cistos junto à margem superolateral dos cornos frontais, no ângulo externo do ventrículo. Desaparecem no primeiro ano. |
| Cavum do septo pelúcido, cavum vergae e cavum do velum interpositum | Cavidade mediana entre os ventrículos: a porção anterior ao forame de Monro é o cavum do septo; a posterior, o cavum vergae. O velum interpositum é cístico, unilocular, na região pineal, entre as colunas do fórnice e acima das veias cerebrais internas. Não visualizar o cavum do septo no pré-natal associa-se a agenesia de corpo caloso, displasia septo-óptica, esquizencefalia e holoprosencefalia. |
| Mega cisterna magna | Líquido retrocerebelar acima de 10 mm, com vérmis, tenda e fossa posterior de morfologia preservada e sem efeito de massa. |
| Cistos de plexo coroide | Pequenos e unilaterais são incidentais e sem significado. Grandes e bilaterais, no contexto clínico adequado, levantam trissomias. |

Escalpo, crânio e suturas
| Coleção | Plano anatômico | Cruza suturas? |
|---|---|---|
| Cefaloematoma | Subperiosteal | Não: contido pelo periósteo. Exceção: na craniossinostose. |
| Hematoma subgaleal | Entre a gálea aponeurótica e o pericrânio, por ruptura de veia emissária | Sim: cruza suturas e a linha média |
| Caput succedaneum | Tecido subcutâneo, coleção serossanguínea | Sim: cruza suturas e linha média. Ligado a trabalho de parto prolongado e parto a vácuo (o chignon) |

Outras lesões do escalpo
Hemangioma: tumor vascular benigno, presente ao nascimento ou logo depois, com vascularização interna e involução gradual. Malformações vasculares fazem o oposto: são pequenas ao nascer e continuam crescendo.
Cistos de inclusão ectodérmica: dermoide e epidermoide, medianos ou paramedianos, frequentes na região frontotemporal, bem definidos, avasculares e hipoecogênicos, às vezes com calcificação, gordura ou material mucinoso. O epidermoide costuma ser subperiosteal; o dermoide, superficial ao periósteo.
Histiocitose de células de Langerhans: lesão sólida originada do díploe, com destruição assimétrica das tábuas interna e externa.
Suturas e forma do crânio
As suturas aparecem como linhas hipoecogênicas entre placas ósseas hiperecogênicas. A deformidade posterior do crânio no lactente costuma ser postural: plagiocefalia posicional ou deformacional.

Espaço extra-axial e hemorragias
A hemorragia subpial alarga o sulco, e, quando pequena, isso é difícil de separar de um córtex ecogênico.
| Hemorragia | Achados |
|---|---|
| Extradural (EDH) | Rara. Costuma vir de parto a fórceps, com efeito de massa, com ou sem fratura craniana. |
| Subdural (SDH) | Tipicamente de parto traumático. Coleção extra-axial focal que desloca a aracnoide hiperecogênica. Não tem vasos atravessando e pode ter efeito de massa. |
| Subaracnóidea (SAH) | Difícil de ver ao ultrassom porque em geral não faz efeito de massa. Suspeita-se por sulcos ecogênicos espessados e espaço liquórico extra-axial proeminente com ecos internos. |
| Subpial (SPH) | Cerca de 15% das hemorragias perinatais. Ecogenicidade giriforme com alargamento sulcal característico. As maiores mostram aspecto em yin-yang. |


Hemorragia da matriz germinativa
A matriz germinativa tem vasos frágeis, sensíveis a oscilações de pressão arterial sistêmica e de oxigenação. O rastreio é essencial nos nascidos antes de 30 semanas e nos de extremo baixo peso.
Grau 2: estende-se ao ventrículo lateral sem dilatação.
Grau 3: grau 2 com dilatação ventricular, com largura do corno anterior maior que 6 mm no exame inicial.
Tem alto risco de sequela neurológica, e o laudo precisa dizer três coisas: se é unilateral ou bilateral, qual a extensão, e se há desvio de linha média.




Encefalopatia hipóxico-isquêmica
| Tipo | Regiões acometidas | Achados de imagem |
|---|---|---|
| HMG-HPIV (hemorragia da matriz germinativa e peri-intraventricular) | Matriz germinativa e ventrículos | Hemorragia ± aumento ventricular; infarto hemorrágico periventricular |
| Leucomalácia periventricular | Substância branca periventricular | Hiperecogenicidade periventricular e formação de cistos (após 2 semanas) |
| EHI (encefalopatia hipóxico-isquêmica) grave do prematuro | Tálamo, globo pálido, hipocampo, tronco dorsal, cerebelo | Ecogenicidade talâmica aumentada, com relativa preservação dos núcleos da base |
| EHI leve a moderada do termo | Substância branca córtico-subcortical | Ecogenicidade córtico-subcortical em território de fronteira e apagamento sulcal |
| EHI grave do termo | Putame, corpo geniculado lateral, caudado e córtex perirrolândico | Apagamento sulcal, perda da diferenciação córtico-subcortical, ventrículos em fenda |



A forma cística é mais grave e costuma ser perceptível após 2 a 3 semanas. Associa-se a comprometimento do desenvolvimento a longo prazo, incluindo paralisia cerebral.
A leucomalácia deve ser avaliada por ressonância na idade corrigida ao termo, que é o que prediz desfecho neurológico.
AVC neonatal e trombose venosa
Ao ultrassom: ecogenicidade focal aumentada, perda da diferenciação córtico-subcortical, apagamento sulcal e hiperemia periférica (perfusão de luxo). Com a evolução, vira encefalomalácia com perda volumétrica.
A sensibilidade é limitada e o quadro costuma ser assintomático: o exame pode ser normal na fase aguda.

A topografia denuncia o seio: acometimento talâmico associa-se a trombose do seio reto e da veia de Galeno; a trombose do seio sagital superior costuma envolver o córtex parassagital bilateral e a substância branca subcortical.
Infecções
As infecções congênitas do grupo TORCH (toxoplasmose, outras infecções, rubéola, citomegalovírus e herpes) produzem um espectro reconhecível: calcificações intracranianas, malformações corticais, disgenesia cerebral e cerebelar, agenesia calosa, cistos germinolíticos, alterações císticas da substância branca, ventriculomegalia, microcefalia e vasculopatia lenticuloestriada.
| Agente | Marca própria |
|---|---|
| Citomegalovírus | A mais comum. Exposição precoce, antes de 20 a 24 semanas, leva a alterações graves e microcefalia; mais tarde, quadro mais brando: calcificações periventriculares, alterações da substância branca, malformações corticais e cistos. |
| Toxoplasmose | A segunda mais comum. Ventriculomegalia e calcificações de distribuição aleatória. |
| Zika | Microcefalia grave e malformações corticais profundas. |

Ao ultrassom: meninges espessadas e ecogênicas, ecos flutuantes ou coleções no espaço extra-axial, edema cerebral e ventriculomegalia.
As virais (sobretudo o herpes neonatal) acometem substância cinzenta e branca e podem levar a necrose extensa e multifocal, evoluindo para encefalomalácia multicística.

Malformações congênitas
Supratentoriais
Ausência do septo pelúcido: isolada, ou por segmentação prosencefálica anormal, e aí, holoprosencefalia. Associa-se a síndromes como Aicardi, Apert e Kallmann.

Distúrbios de migração neuronal: polimicrogiria, esquizencefalia de lábio aberto, heterotopia de substância cinzenta e displasia cortical focal. São difíceis pelo ultrassom, por serem periféricos e pela maturação cerebral em curso, mas devem ser suspeitados diante de padrão assimétrico de giração e sulcação.
Infratentoriais
Cisto da bolsa de Blake: falha de fenestração do forame de Magendie, com vérmis normal, porém rodado, o que o separa do Dandy-Walker.
Chiari II: fossa posterior pequena, espaço retrocerebelar apagado e herniação tonsilar. Costuma vir com mielomeningocele, hoje tratada no pré-natal; nos casos não tratados, o sinal da banana, do cerebelo envolvendo o tronco.
Tumores
Raros no período perinatal e de mau prognóstico. A maioria é supratentorial: teratomas, astrocitomas, papilomas de plexo coroide e ependimomas. Ao ultrassom, massas heterogêneas que desorganizam a anatomia. O teratoma é o mais comum, geralmente grande, mediano e heterogêneo, podendo substituir parte significativa do encéfalo. Hamartoma hipotalâmico e malformações vasculares podem imitar tumor: a diferenciação exige mais de um método.
Ventrículos, hidrocefalia e dilatação pós-hemorrágica
| Grau | Largura do corno anterior | Índice ventricular |
|---|---|---|
| Leve | 3 a 5 mm | |
| Moderada | 6 a 10 mm | Acima do percentil 97 |
| Grave | Acima de 10 mm | Acima do percentil 97 mais 4 mm |
A dilatação pós-hemorrágica vem de obstrução do sistema ventricular ou de resposta inflamatória (ventriculite, aracnoidite) secundária à hemorragia. É vista sobretudo em prematuros com hemorragia de alto grau. A hidrocefalia pode ser obstrutiva, não obstrutiva, ou ex vacuo, por perda de volume parenquimatoso; estágios avançados podem mostrar fenestração do septo pelúcido.
Doppler: os números
No termo, pode chegar a 0,65, refletindo a melhora do fluxo diastólico na transição fisiológica.
Ou seja: o mesmo número significa coisas diferentes em idades diferentes.
| Achado ao Doppler da ACA | O que sugere |
|---|---|
| IR elevado, com ou sem reversão do fluxo diastólico | Shunt esquerda-direita significativo: PCA (persistência do canal arterial) grande, ou hipertensão intracraniana (hidrocefalia, edema cerebral) |
| IR reduzido com velocidades diastólicas elevadas | Encefalopatia hipóxico-isquêmica |
| IR abaixo de 0,55 | Correlaciona-se com mau desfecho neurológico |
Excesso de pressão do transdutor sobre a fontanela anterior falseia o Doppler: a aquisição exige pressão mínima.

Doppler transcraniano na anemia falciforme
Normal (abaixo de 170 cm/s).
Condicional (170 a 199 cm/s): risco moderado; repetir a cada 3 a 6 meses.
Anormal (200 cm/s ou mais): risco significativo de AVC isquêmico, indicação de transfusão crônica profilática.
Criança com declínio cognitivo e Doppler normal deve ir para ressonância.
ECMO e hipotermia terapêutica
Em ECMO, o risco de hemorragia intracraniana é alto pela anticoagulação, agravado por prematuridade e congestão venosa cerebral. A monitorização é diária, sobretudo nos primeiros 7 dias, procurando sangramento, infartos embólicos e trombose de seio venoso.
Na hipotermia terapêutica, o ultrassom tem dois papéis: antes de iniciar, excluir hemorragia intracraniana, que contraindica o resfriamento; e, durante, monitorar a hemodinâmica cerebral pelos índices de resistividade, acompanhando a evolução da lesão.
Pontos de prova: alto rendimento
| Rastreio do prematuro ≤ 31s6d | Neurossonografia de rotina aos 4 a 7 dias. |
| HPIV grau ≥ 2 | Repetir a cada 7 a 10 dias; se houver dilatação pós-hemorrágica, ao menos semanal. |
| Exame corrigido ao termo | Todo nascido < 26 semanas; e de 26s0d a 31s6d com fator de risco ou anormalidade prévia moderada-grave. |
| Prematuro 32s0d–36s6d | Com fator de risco: 4–7 dias, repetir em 4–6 semanas se alterado. Exame ao termo não é rotina. |
| Janela crítica da hemorragia | Primeiros 3 a 4 dias de vida. |
| Planos padronizados | 7 coronais (C1–C7) e 7 sagitais (S1–S7) pela fontanela anterior. |
| Transdutores | 5 a 18 MHz: phased array, convexo e linear. |
| HMG-HPIV grau 1 | Confinada à matriz germinativa. |
| HMG-HPIV grau 2 | Extensão ao ventrículo sem dilatação. |
| HMG-HPIV grau 3 | Extensão ventricular com dilatação: corno anterior > 6 mm. |
| Infarto hemorrágico periventricular | Entidade à parte, não “grau 4”. ~5% dos casos, por dano às veias subependimárias terminais. |
| Hemorragia cerebelar | Peso < 750 g, parto traumático, ECMO. Exige janela mastóidea. |
| Leucomalácia periventricular | Hiperecogenicidade aos 7–10 dias, maior que a do plexo coroide; forma cística após 2–3 semanas. |
| Confirmação em dois planos | Obrigatória para leucomalácia: a ecogenicidade periatrial pode ser anisotropia. |
| EHI grave do prematuro | Tálamo, globo pálido, hipocampo, tronco dorsal e cerebelo, com relativa preservação dos núcleos da base. |
| EHI grave do termo | Putame, geniculado lateral, caudado e córtex perirrolândico; ventrículos em fenda. |
| IR da ACA: prematuro × termo | Prematuro até 0,90; termo pode chegar a 0,65. |
| IR < 0,55 | Correlaciona-se com mau desfecho neurológico. |
| IR alto ± reversão diastólica | PCA grande (shunt E-D, da esquerda para a direita) ou hipertensão intracraniana. |
| PHVD (dilatação ventricular pós-hemorrágica): largura do corno anterior | Leve 3–5 mm · moderada 6–10 mm · grave > 10 mm. |
| PHVD: índice ventricular | Moderada: > p97. Grave: > p97 + 4 mm. |
| Qual ventrículo medir | Após a 1ª semana, o maior. |
| BESS | Inter-hemisférico > 6 mm, macrocefalia, vasos atravessando, sem achatamento giral. Resolve até os 2 anos. |
| Mega cisterna magna | Líquido retrocerebelar > 10 mm, sem efeito de massa. |
| Vasculopatia lenticuloestriada | 1–2 estrias = variante. ≥ 3 estrias = hipóxia, infecção congênita, genético. |
| Coleções do escalpo | Cefaloematoma não cruza sutura; subgaleal e caput cruzam. |
| Hemorragia subgaleal | Pode estender-se ao pescoço e associar-se a fratura: procurar em perda sanguínea inexplicada. |
| Apaga × alarga o sulco | EDH e SDH apagam; a subpial alarga o sulco. Subpial ≈ 15% das hemorragias perinatais, aspecto em yin-yang. |
| BESS × subdural | No BESS há veias corticais atravessando; na subdural, não. |
| Áreas sem plexo coroide | Corno frontal anterior ao forame de Monro e corno occipital posterior ao sulco calcarino: ecogenicidade ali é hemorragia. |
| Cisto caudotalâmico no termo | Levanta cisto germinolítico: infecção congênita, metabólica, genética. |
| Infecção congênita mais comum | CMV; antes de 20–24 semanas, quadro grave com microcefalia. |
| Toxoplasmose | Ventriculomegalia e calcificações de distribuição aleatória. |
| Dandy-Walker × Blake | Dandy-Walker: vérmis hipoplásico e tórcula elevada. Blake: vérmis normal, porém rodado. |
| Agenesia de corpo caloso | Cornos frontais separados, colpocefalia, terceiro ventrículo elevado, trajeto anômalo da ACA. |
| Doppler transcraniano na falciforme | Normal < 170 · condicional 170–199 · anormal ≥ 200 cm/s → transfusão crônica. Rastreio anual a partir dos 2 anos. |
| Hipotermia terapêutica | Ultrassom antes de resfriar: hemorragia intracraniana contraindica. |
| Seio sagital superior | A porção anterior pode ser hipoplásica: não confundir com trombo. |
Armadilhas e erros comuns
De técnica
- Não usar a janela mastóidea: perde hemorragia cerebelar e a causa de hidrocefalia.
- Fazer o exame sem Doppler colorido: ele é parte obrigatória do rastreio.
- Pressionar a fontanela com o transdutor e falsear o Doppler.
- Deixar de confirmar hiperecogenicidade periventricular em plano ortogonal.
- Não ajustar profundidade e ganho: a parte posterior do encéfalo fica subavaliada.
De interpretação
- Chamar de “grau 4” o infarto hemorrágico periventricular: ele é entidade à parte.
- Ler ecogenicidade peritrigonal do prematuro como leucomalácia.
- Ler falta de sulcos no extremo prematuro como malformação cortical, e deixar passar o cérebro liso no termo, que é o achado que importa.
- Aplicar o IR do termo ao prematuro, ou vice-versa.
- Confundir BESS com coleção subdural sem olhar as veias atravessando.
- Interpretar fluxo reduzido no seio sagital superior como trombose em bebê em hipotermia ou ECMO.
- Concluir AVC afastado por exame agudo normal: a sensibilidade é limitada.
- Tratar cisto do sulco caudotalâmico no bebê a termo como sequela de hemorragia.
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6Recém-nascido a termo com encefalopatia. O índice de resistividade da artéria cerebral anterior, medido no joelho do corpo caloso, é de 0,50. Como interpretar?
Lactente de 7 meses com macrocefalia. Há alargamento simétrico dos espaços extra-axiais frontais e parietais, com largura inter-hemisférica de 7 mm. O líquido acompanha o contorno dos giros e o Doppler mostra veias corticais atravessando o espaço alargado. Qual a conduta?
Prematuro nascido com 29 semanas, sem intercorrências, rastreio inicial normal. Está indicada neurossonografia corrigida à idade do termo?
Recém-nascido de 2 dias. Há ecogenicidade giriforme extra-axial temporal inferior, com alargamento dos sulcos na região acometida, e a maior das lesões mostra aspecto em duas camadas de ecogenicidade diferente. Qual a hipótese?
Prematuro com hipóxia perinatal grave. O ultrassom mostra ecogenicidade aumentada da região talâmica com preservação relativa dos núcleos da base. Esse padrão é típico de qual situação?
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Gupta N, Hiremath SB, Gauthier I, Wilson N, Miller E. Pediatric Neurosonography: Comprehensive Review and Systematic Approach. Canadian Association of Radiologists Journal. 2025;76(3):519–533. DOI: 10.1177/08465371241308849.
Os intervalos de rastreio reproduzem a declaração de posição da Canadian Paediatric Society sobre imagem de rotina do encéfalo do prematuro, e as indicações seguem os parâmetros de prática do American Institute of Ultrasound in Medicine, ambos citados na fonte. Blocos marcados com + complemento são acréscimos do autor, além do texto da fonte.