Mulher de 58 anos, ambulatorial, para TC de abdome com contraste iodado. Questionário: alergia a frutos do mar e a povidona-iodo (Betadine®), rinite sazonal e uso de propranolol. Nunca recebeu contraste iodado. Qual a conduta do ACR?
Contrastes Iodados e Paramagnéticos
Panorama: as três famílias de contraste
O manual do ACR (American College of Radiology) organiza o assunto por classe de contraste, e essa divisão é o esqueleto do raciocínio: o iodado (TC, angiografia, estudos GI (gastrointestinais)), o baseado em gadolínio (GBCA, os “paramagnéticos”) e o microbolha para ultrassom. Um princípio central atravessa tudo: não há reatividade cruzada entre classes. Reação prévia ao gadolínio não prediz reação ao iodado, e vice-versa, mais do que qualquer outra alergia não relacionada.
| Classe | Onde entra | Risco dominante | Ponto crítico |
|---|---|---|---|
| Iodado (ICM) | TC, angiografia, uro/GI | Reação alérgica-like e fisiológica; LRA (lesão renal aguda) pós-contraste | Osmolalidade e ionicidade determinam o perfil de eventos |
| Gadolínio (GBCA) | RM | Fibrose sistêmica nefrogênica (FSN); reações agudas raras | Estabilidade do quelato → grupos I, II e III do ACR |
| Microbolhas (CEUS, contrast-enhanced ultrasound) | Ecocardiograma, fígado, refluxo vesicoureteral | Reação grave em 0,01% | Contraindicado por via intra-arterial |
- Iônico × não iônico: o iônico se dissocia em solução, dobrando o número de partículas e a osmolalidade.
- Monômero × dímero: o dímero carrega dois anéis (mais iodo por partícula), reduzindo a osmolalidade mas aumentando a viscosidade.
Seleção do paciente: o que é e o que não é fator de risco
Boa parte das condutas defensivas do dia a dia não tem respaldo. O manual é explícito ao listar situações em que não se deve restringir contraste nem pré-medicar apenas por causa daquele achado.
| Situação | Conduta ACR |
|---|---|
| Alergia a frutos do mar | Não é fator de risco: Pacientes com alergia a frutos do mar ou a povidona-iodo (Betadine®) não têm risco maior que o de qualquer outro alérgico. Mito consagrado, e cobrado em prova. |
| Alergias não relacionadas | Aumentam o risco em 2–3×, mas o aumento é modesto: não justificam restrição nem pré-medicação isolada. |
| Asma | Aumenta a chance de reação alérgica-like, mas isoladamente não indica pré-medicação. |
| Betabloqueador | Não suspender, não pré-medicar apenas por isso. |
| Anemia/traço falciforme | Sem evidência de crise falcêmica com contraste moderno. |
| Feocromocitoma | Sem evidência de crise hipertensiva com contraste IV (intravenoso) moderno. Injeção direta em artéria adrenal/renal não foi estudada. |
| Miastenia gravis | Não pré-medicar. Um estudo retrospectivo associou o iodado IV a exacerbação aguda em ~6% (vs 1% sem contraste). Permanece controverso se é contraindicação relativa. |
| Hipertireoidismo | Tireotoxicose pós-contraste é rara; não pré-medicar. Duas exceções: (1) tempestade tireoidiana: evitar iodado; (2) programação de iodoterapia ou cintilografia com radioiodo: respeitar o washout. |
| Função tireoidiana normal | O iodado não altera provas de função tireoidiana. Dose única na gestante não afeta a tireoide neonatal. |
Teste cutâneo prévio
Teste intradérmico com contraste não é útil para prever reação e não deve ser usado como triagem.
Pré-medicação
Regimes
| Regime | Esquema | Observação |
|---|---|---|
| Eletivo oral: prednisona | Prednisona 50 mg VO (via oral) a 13 h, 7 h e 1 h antes + difenidramina 50 mg VO/IM (intramuscular)/IV 1 h antes | Regime clássico de 13 horas |
| Eletivo oral: metilprednisolona | Metilprednisolona 32 mg VO a 12 h e 2 h antes ± difenidramina 50 mg | Considerado equivalente; a difenidramina aqui é opcional (diferença histórica, não baseada em evidência) |
| Se não tolera VO | Hidrocortisona 200 mg IV substituindo cada dose de prednisona | |
| Acelerado IV: 1ª opção | Metilprednisolona 40 mg IV ou hidrocortisona 200 mg IV imediatamente e a cada 4 h até o contraste + difenidramina 50 mg IV 1 h antes | Duração habitual 4–5 h. Única opção acelerada com suporte na literatura |
| Acelerado IV: 2ª opção | Dexametasona 7,5 mg IV imediatamente e a cada 4 h até o contraste + difenidramina 50 mg IV 1 h antes | Útil se alergia à metilprednisolona |
| Acelerado IV: 3ª opção | Metilprednisolona 40 mg IV ou hidrocortisona 200 mg IV + difenidramina 50 mg IV, cada um 1 h antes | Sem evidência de eficácia: Só em situação emergencial sem alternativa |
Quando indicar
Oral 12–13 h: considerar em
- Ambulatorial com reação prévia alérgica-like ou de tipo desconhecido à mesma classe de contraste
- Paciente de PS (pronto-socorro) ou internado, na mesma situação, desde que a espera não atrase a decisão clínica
IV acelerado: considerar em
- Ambulatorial com reação prévia que chegou sem pré-medicação e cujo exame não pode ser remarcado
- Paciente de PS ou internado em que as 12–13 h atrasariam o cuidado
Riscos e limites da pré-medicação
- Diretos, pequenos: leucocitose transitória, hiperglicemia por 24–48 h (não diabéticos +20–80 mg/dL; diabéticos +100–150 mg/dL), sonolência pela difenidramina.
- Indireto, grande: o atraso. Em coorte de 2.829 pacientes, a pré-medicação oral de 13 h em internados de alto risco aumentou o tempo até a TC (mediana +25 h), o tempo de internação (+25 h), a taxa de infecção hospitalar e o custo.
- NNT (número necessário para tratar): 69 para evitar uma reação de qualquer gravidade; 569 para uma reação grave; estimativa de 50.000 para uma reação fatal.
Reação breakthrough
É a reação alérgica-like que ocorre apesar da pré-medicação. Reação fisiológica não conta como breakthrough.
- Taxa de breakthrough em pré-medicados por reação prévia: 2,1% (3–4× a taxa da população geral).
- Em pré-medicados por outra indicação: próxima de 0%.
- Em ~81% dos casos, a gravidade do breakthrough é semelhante à da reação índice.
- Reação índice leve → risco <1% de breakthrough grave.
- ~88% das injeções subsequentes em quem já teve breakthrough não repetem o evento.
Consequência prática: quem teve breakthrough moderado ou grave é o paciente de maior risco futuro. Reação grave prévia é contraindicação relativa ao mesmo tipo de contraste.
Reações agudas: classificar antes de tratar
A primeira decisão diante de uma reação não é qual droga usar: é de que tipo ela é. Alérgica-like e fisiológica têm mecanismos, tratamentos e consequências futuras diferentes: só a primeira gera indicação de pré-medicação em exames futuros.
| Alérgica-like (anafilactoide) | Fisiológica | |
|---|---|---|
| Mecanismo | Liberação direta de histamina por basófilos/mastócitos; complemento, cininas. IgE raramente envolvida | Quimiotoxicidade direta, osmotoxicidade, ligação de cálcio |
| Relação com a dose | Independente da dose acima de um limiar desconhecido | Frequentemente dose e concentração dependente |
| Quadro típico | Urticária, eritema difuso, broncoespasmo, edema laríngeo, hipotensão com taquicardia | Náusea/vômito, calor, gosto metálico, hipotensão com bradicardia (vasovagal), arritmia, convulsão, edema pulmonar |
| Pré-medicação futura | Sim, pode ser indicada | Não |
Manejo por síndrome: adulto
| Quadro | Gravidade | Conduta |
|---|---|---|
| Urticária | leve | Em geral sem tratamento. Se sintomática: difenidramina 25–50 mg VO ou fexofenadina 180 mg VO |
| moderada | Monitorizar, manter acesso. Difenidramina 25–50 mg VO/IM/IV (IV lenta, 1–2 min) ou fexofenadina 180 mg VO | |
| grave | Monitorizar, manter acesso, considerar difenidramina 25–50 mg IM/IV | |
| Eritema difuso | normotenso | O₂ 6–10 L/min por máscara; em geral nada além disso |
| hipotenso | SF (soro fisiológico) 0,9% ou Ringer lactato 1.000 mL rápido; se profundo ou refratário, adrenalina | |
| Broncoespasmo | leve | O₂ + β-agonista inalatório (salbutamol) 2 jatos de 90 mcg (180 mcg), até 3 vezes |
| moderado | Inalatório + considerar adrenalina IM 0,3 mg ou IV 0,1 mg | |
| grave | Adrenalina IV 0,1 mg (ou IM 0,3 mg) + β-agonista inalatório (sinergia). Acionar time de emergência | |
| Edema de laringe | sempre | O₂ + adrenalina IV 0,1 mg ou IM 0,3 mg, repetir conforme necessário. Acionar time de emergência |
| Hipotensão + bradicardia (vasovagal) | se grave | Pernas elevadas ≥60°, O₂, SF 1.000 mL rápido. Se persistir: atropina 0,6–1,0 mg IV, repetir até 3 mg total |
| Hipotensão + taquicardia (anafilactoide) | grave | Volume rápido + adrenalina. Preferir via IV: no hipotenso a perfusão periférica pode não absorver a dose IM |
| Edema pulmonar | grave | O₂, elevar cabeceira, furosemida IV. Acionar time de emergência |
| Convulsão | Proteger o paciente, decúbito lateral, aspirar via aérea, O₂, manter acesso | |
| Ansiedade / pânico | Diagnóstico de exclusão: oximetria e sinais vitais normais, sem manifestações objetivas. Tranquilizar |
Cartão de doses: adrenalina
| Via | Adulto | Criança |
|---|---|---|
| IV (1:10.000 · 0,1 mg/mL) | 1 mL = 0,1 mg, lento, em infusão corrente; repetir a cada poucos minutos até 1 mg total | 0,1 mL/kg = 0,01 mg/kg; máx. 0,1 mg por dose; repetir a cada 5–15 min até 1 mg |
| IM (1:1.000 · 1 mg/mL) | 0,3 mL = 0,3 mg; repetir a cada 5–15 min até 1 mg total | 0,01 mL/kg = 0,01 mg/kg; máx. 0,3 mg; repetir a cada 5–15 min até 1 mg |
| Autoinjetor | EpiPen® 0,3 mg; até 3 vezes | <30 kg: EpiPen Jr® 0,15 mg · ≥30 kg: EpiPen® 0,3 mg |
| Parada (PCR) | Seguir ACLS (suporte avançado de vida cardiovascular) | 0,01 mg/kg IV (1:10.000) entre ciclos de 2 min; máx. 1 mg |
Extravasação
Complicações graves, sobretudo síndrome compartimental, a mais comum delas, e ulceração/necrose cutânea: são muito raras (<<1% das extravasações). A maioria dos casos, mesmo de grande volume, evolui bem.
Sinais que exigem cirurgia
- Dor intensa ou progressiva
- Edema progressivo
- Perfusão alterada: enchimento capilar lentificado
- Alteração da sensibilidade no membro
- Piora da amplitude de movimento ativa ou passiva
- Ulceração ou bolhas na pele
Fatores de risco
- Pacientes que não comunicam bem: idosos, lactentes, rebaixamento de consciência
- Circulação alterada: DAOP (doença arterial obstrutiva periférica), vasculopatia diabética, Raynaud, trombose/insuficiência venosa, radioterapia ou esvaziamento axilar prévios
- Acessos em mão, punho, pé e tornozelo: evitar quando possível
- Cateter de fino calibre (22 G: 2,2% vs 1,0–1,1% em calibres maiores)
Alta do paciente
Liberar apenas após período de observação, com melhora dos sintomas iniciais e sem sintomas novos. Orientar por escrito a procurar atendimento em caso de dor intensa ou progressiva, dormência, formigamento, redução da amplitude de movimento ou ulceração: os sintomas iniciais de uma síndrome compartimental grave podem ser sutis, às vezes apenas parestesia focal.
Rim: LRA pós-contraste, metformina e diálise
O que o ACR conclui sobre risco
- Com eGFR (taxa de filtração glomerular estimada) estável ≥45 mL/min/1,73 m²: o iodado IV não é fator de risco nefrotóxico independente.
- Com eGFR 30–44: não nefrotóxico ou, no máximo, risco limítrofe e não significativo.
- Se algum limiar for adotado, 30 mL/min/1,73 m² é o que faz sentido.
- Curso habitual: creatinina sobe em 24 h, pico em até 4 dias, retorno ao basal em 7–10 dias. Dano permanente é incomum.
Quem precisa de função renal antes do exame
Rastrear com creatinina/eGFR os pacientes com:
Pacientes de exame de rotina sem nenhum desses fatores não precisam de creatinina basal.
Profilaxia
| Medida | Recomendação |
|---|---|
| Expansão volêmica IV | Única medida com respaldo: Preferir cristaloide isotônico (SF 0,9%). Regimes típicos: início 1 h antes e manutenção por 3–12 h após (regimes mais longos, ~12 h, com melhor resultado). Doses fixas (ex.: 500 mL antes e depois), 100 mL/h por 12 h antes e 12 h após, ou 1–3 mL/kg/h |
| Indicação | LRA ou DRC grave com eGFR <30. Considerar caso a caso em eGFR 30–44 de alto risco (múltiplos fatores, LRA recente) |
| Não indicada | eGFR estável ≥30 e pacientes em diálise crônica |
| Bicarbonato de sódio | Provavelmente equivalente ao SF; não preferido (exige manipulação farmacêutica) |
| N-acetilcisteína | Não recomendada, sem diferença em relação ao placebo |
| Manitol e furosemida | Não recomendados: A furosemida chegou a piorar a função renal quando somada ao SF |
Metformina
Categoria I: não suspender
Sem LRA e com eGFR ≥30: não há necessidade de suspender a metformina antes ou depois do iodado IV, nem obrigação de reavaliar a função renal depois do exame.
Categoria II: suspender 48 h
LRA conhecida, DRC estágio IV/V (eGFR <30) ou estudo arterial com risco de embolia para as artérias renais: suspender no momento do procedimento, manter suspensa por 48 h e reintroduzir somente após reavaliação da função renal.
Diálise
- Paciente anúrico em DRC terminal sem transplante funcionante pode receber iodado sem risco renal adicional.
- Paciente em diálise que ainda produz mais de 1–2 copos de urina/dia (236–473 mL) é considerado não anúrico e deve ser tratado como alto risco.
- Não iniciar diálise nem alterar o cronograma dialítico apenas por causa da administração de contraste: sem benefício, com risco e custo.
Gadolínio: FSN e classificação por grupos
A fibrose sistêmica nefrogênica é uma doença fibrosante grave, ligada à exposição ao gadolínio em pacientes com função renal muito comprometida. Toda a estratégia de segurança do ACR gira em torno de qual agente foi usado.
| Grupo | Definição | Agentes |
|---|---|---|
| Grupo I | Associados ao maior número de casos de FSN | Gadodiamida (Omniscan®) · Gadopentetato de dimeglumina (Magnevist®) · Gadoversetamida (OptiMARK®) : os três são quelatos lineares |
| Grupo II | Associados a poucos ou nenhum caso não confundido de FSN | Gadobenato de dimeglumina (MultiHance®) · Gadobutrol (Gadavist®/Gadovist) · Ácido gadotérico (Dotarem®, Clariscan) · Gadoteridol (ProHance®) · Gadoxetato dissódico (Eovist/Primovist) · Gadopiclenol* (Elucirem®, Vueway®) |
| Grupo III | Dados limitados sobre risco, mas poucos ou nenhum caso não confundido | Nenhum agente nesta categoria desde abril de 2024 |
* Gadopiclenol tem status provisório (Grupo II*): estabilidade cinética comparável à dos demais macrocíclicos, mas dados humanos de longo prazo em eGFR <30 ainda menos consolidados. Fica a critério de cada serviço tratá-lo como grupo II ou III.
Quando obter eGFR antes de agente do grupo I ou III
| Situação | eGFR |
|---|---|
| Em diálise (qualquer tipo) | Não é necessário: o eGFR não ajuda nesse cenário |
| LRA | Não é necessário: o eGFR não ajuda nesse cenário |
| Internado | Obter eGFR dentro de 2 dias do exame |
| Ambulatorial/PS sem eGFR prévio | Sem fatores de risco: dispensável. Com fatores de risco: obter |
| Ambulatorial/PS com eGFR prévio ≥45 | Sem fator de risco e eGFR ≥60: dispensável. Com fator de risco e/ou eGFR 45–59: aceitar exame das últimas 6 semanas; fora disso, repetir |
| Ambulatorial/PS com eGFR prévio ≤44 | Obter eGFR dentro de 2 dias do exame |
Gestação e amamentação
Iodado: gestante
Pode ser usado quando necessário. Dose única na mãe não altera a função tireoidiana neonatal. Múltiplos estudos sustentam essa conclusão.
Gadolínio: gestante
Usar somente se crítico e se o benefício justificar o risco desconhecido. Preferir agente de baixo risco para FSN (grupo II), na menor dose possível. O gadolínio atravessa a placenta, é excretado pela urina fetal e pode se acumular no líquido amniótico, com potencial dissociação do íon livre.
- Que a informação não pode ser obtida sem contraste ou por outro método.
- Que a informação afeta o cuidado da paciente e/ou do feto durante a gestação.
- Que, na opinião do médico assistente, não é prudente aguardar o fim da gestação.
Amamentação: atualização baseada em evidência (2024)
| Iodado | Gadolínio | |
|---|---|---|
| Excretado no leite em 24 h | <1% da dose materna | <0,04% da dose materna |
| Absorvido pelo TGI (trato gastrointestinal) do lactente | <1% do que é ingerido | |
| Dose sistêmica no lactente | <0,01% da dose IV materna | <0,0004% da dose IV materna |
| Recomendação | Seguro manter a amamentação: Se a mãe, informada, ainda preferir interromper, orientar a ordenhar e descartar o leite de ambas as mamas por 12 a 24 h. Não há valor em suspender além de 24 h | |
O manual acrescenta que não se recomenda monitorização tireoidiana de rotina em lactentes (prematuros ou a termo) expostos por meio do leite materno.
Contraste ultrassonográfico (CEUS)
Microbolhas com parede de fosfolípide ou proteína e núcleo de gás inerte, que amplificam o sinal acústico do sangue. Podem ser injetadas por acesso periférico ou central, ou instiladas em estruturas ocas como a bexiga.
| Agente | Composição | Aprovações (FDA) |
|---|---|---|
| Definity® | Microesferas lipídicas de perflutren | Ecocardiograma: realce da cavidade e das bordas endocárdicas do VE (ventrículo esquerdo) |
| Lumason® / SonoVue® | Hexafluoreto de enxofre, microesferas lipídicas tipo A | Ecocardiograma · fígado (adultos e crianças) · ultrassonografia miccional pediátrica para refluxo vesicoureteral |
| Optison® | Perflutren, microesferas proteicas tipo A | Ecocardiograma |
Segurança
- Perfil igual ou melhor que o dos contrastes de TC e RM modernos
- >78.000 doses de Definity/Optison: reação grave em 0,01% (8 casos, metade anafilactoide, nenhum óbito)
- Maioria dos eventos é leve e fisiológica: cefaleia, calor, rubor, náusea, alteração do paladar
- Reações graves ocorrem em geral nos primeiros 30 minutos
Contraindicações
- Injeção intra-arterial
- Hipersensibilidade prévia às microesferas
- Shunt direita–esquerda não é mais contraindicação: a advertência foi retirada da bula pelo FDA
Pontos de prova: alto rendimento
| Alergia a frutos do mar | Não é fator de risco, nem ela nem alergia a povidona-iodo. Não indica pré-medicação. |
| Reatividade cruzada | Não existe entre classes. Reação ao gadolínio não prediz reação ao iodado. |
| Único preditor forte | Reação alérgica-like prévia à mesma classe de contraste. |
| Pré-medicação oral | Prednisona 50 mg a 13 h, 7 h e 1 h + difenidramina 50 mg 1 h antes. Ou metilprednisolona 32 mg a 12 h e 2 h. |
| Duração mínima | Nenhum regime <4–5 h tem eficácia demonstrada. |
| Breakthrough | 2,1% nos pré-medicados por reação prévia; ~81% com gravidade igual à da reação índice. |
| Janela das reações | Maioria nos primeiros 20 minutos. |
| Hipotensão + bradicardia | Vasovagal → volume, pernas elevadas, atropina 0,6–1,0 mg IV (até 3 mg). |
| Hipotensão + taquicardia | Anafilactoide → volume + adrenalina (preferir IV no hipotenso). |
| Adrenalina adulto | IV 0,1 mg (1 mL de 1:10.000) ou IM 0,3 mg (0,3 mL de 1:1.000); até 1 mg total. |
| Corticoide na reação aguda | Não trata a reação. Serve só para tentar prevenir recorrência tardia. |
| Extravasação | Cirurgia por sinais e sintomas, nunca por limiar de volume. |
| Limiar renal | Se algum limiar for usado, eGFR 30. Acima de 45, o iodado IV não é nefrotóxico independente. |
| Profilaxia de CI-AKI | Só expansão volêmica com SF 0,9%. NAC (N-acetilcisteína), manitol e furosemida não. |
| Metformina | eGFR ≥30 sem LRA: não suspender. LRA ou eGFR <30 ou estudo arterial: suspender 48 h e reavaliar. |
| Diálise | Não iniciar nem antecipar diálise por causa do contraste. Diurese >236–473 mL/dia = tratar como alto risco. |
| FSN: grupo I | Gadodiamida · gadopentetato · gadoversetamida (lineares). Contraindicados em risco de FSN. |
| FSN: grupo III | Vazio desde abril de 2024. |
| Gadolínio na gestante | Só se crítico; agente do grupo II, menor dose, documentar os 3 pontos e consentir. |
| Amamentação | Segura manter. Se a mãe preferir, ordenhar e descartar por 12–24 h: sem valor além disso. |
| CEUS | Contraindicado por via intra-arterial. Shunt D→E não é mais contraindicação. |
| Aquecimento (2026) | Sem evidência para rotina em agentes de baixa viscosidade. |
Armadilhas e erros comuns
Erros de conduta
- Pré-medicar por alergia a frutos do mar, asma ou “muitas alergias”, sem respaldo.
- Pré-medicar em regime curto (1–2 h) achando que protege: não protege.
- Pré-medicar internado grave e atrasar a TC: o dano indireto pode superar o benefício.
- Suspender metformina de rotina em paciente com eGFR ≥30.
- Pedir creatinina para todo mundo antes de TC com contraste.
- Programar diálise por causa do contraste.
- Dar corticoide achando que está tratando a reação aguda em curso.
Erros de raciocínio
- Confundir CA-AKI (associação temporal) com CI-AKI (causalidade) e superestimar o risco.
- Tratar hipotensão vagal com adrenalina, ou anafilaxia com atropina: olhe a frequência cardíaca.
- Classificar náusea/vômito e calor como “alergia ao contraste”: são reações fisiológicas e não geram pré-medicação futura.
- Achar que só reage quem já foi exposto: 90% das reações não são IgE-mediadas e podem ocorrer na primeira exposição.
- Usar volume extravasado como critério de gravidade.
- Assumir que todo GBCA tem o mesmo risco de FSN: o grupo do agente é o que define a conduta.
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6Homem de 66 anos com reação alérgica-like moderada prévia ao iodado foi pré-medicado com o regime de 13 horas (prednisona 50 mg a 13 h, 7 h e 1 h + difenidramina) e, ainda assim, desenvolveu urticária difusa após a nova injeção. Sobre as reações breakthrough, qual afirmativa está correta?
Cinco minutos após injeção de contraste iodado não iônico, paciente fica pálido, sudorético, com PA (pressão arterial) 78/48 mmHg e FC (frequência cardíaca) 38 bpm, consciente e sem urticária, broncoespasmo ou edema. Qual a conduta imediata?
Durante TC com injeção automática, extravasam ~120 mL de iohexol 300 no antebraço de paciente idosa. Duas horas depois: discreto edema local, dor leve e estável, enchimento capilar normal, sensibilidade preservada, sem bolhas ou ulceração, amplitude de movimento mantida. Qual a conduta correta?
Homem de 62 anos com DRC terminal em hemodiálise crônica há 2 anos precisa de TC com contraste iodado para investigação urgente. Refere ainda produzir cerca de 3 copos de urina por dia (~700 mL). Qual a conduta correta quanto ao risco renal?
Serviço discute qual agente usar em paciente com eGFR 22 mL/min/1,73 m² que realmente necessita de RM com contraste. Sobre a classificação dos GBCA pelo ACR, qual afirmativa está correta?
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Aviso: Doses e condutas foram transcritas fielmente, mas este é um material de estudo: a referência para uso assistencial é o manual original e o protocolo institucional do seu serviço. O manual é atualizado continuamente na página do ACR, e o próprio documento registra que as recomendações sobre metformina são menos restritivas que a bula do FDA.