Cadernos QRad 77 · Trauma Torácico: Pulmão, Pleura e Costelas
Tórax · trauma

Trauma Torácico: Pulmão, Pleura e Costelas

Fontes: Lewis et al: 2021 e Talbot et al: 2017, RadioGraphics

O pulmão aguenta, até não aguentar

O trauma torácico aparece em cerca de 60% dos politraumatizados, com mortalidade em torno de 10%, e passa de 50% nos casos graves. Mais de dois terços do trauma fechado vem de acidente de carro. O pulmão é elástico e complacente, e é justamente essa complacência que o deixa frágil à onda de pressão: o volume da contusão acompanha a intensidade máxima da onda de pressão intratorácica. A criança, de parede mais complacente, se machuca por dentro com menos fratura.

ExamePapel
FAST (focused assessment with sonography for trauma: ultrassonografia direcionada para o trauma) (e US do tórax)À beira do leito: líquido pericárdico e pleural, pneumotórax · positivo no instável pode levar direto à cirurgia
RadiografiaAP (anteroposterior) no leito, na maioria · fraturas, corpos estranhos, contusão, pneumotórax, hemotórax · inspiração e expiração ajudam no pneumotórax sutil do paciente estável
TC com contraste e reconstruçõesO exame de referência · fase única portal (cerca de 70 s) do tórax à pelve, ou arterial do tórax ao abdome mais portal do abdome e pelve (pseudoaneurisma, dissecção, extravasamento) · fase tardia confirma sangramento ativo
RM e medicina nuclearNão são rotina no trauma agudo
quem precisa de imagem do tórax (NEXUS chest: National Emergency X-Radiography Utilization Study) No trauma fechado: idade acima de 60 anos, desaceleração rápida, dor torácica, intoxicação, alteração do nível de consciência, lesão que distrai, dor à palpação da parede torácica.

Contusão, laceração e hematoma

ContusãoLaceraçãoHematoma
O que éSangue e edema nos alvéolos e no interstício, parênquima íntegroParênquima rompido: cavidade redonda ou oval (a retração elástica puxa o pulmão em volta) com ar, sangue ou os doisLaceração cheia de sangue: consolidação em massa
QuantoA lesão mais comum (até 75% do trauma fechado)Até 12%Indica lesão mais grave que a contusão
ImagemOpacidade não segmentar, no ponto do impacto, no contragolpe e nas bases · na TC, vidro fosco que poupa 1 a 3 mm sob a pleuraPneumatocele (ar), hematocele (sangue), hematopneumatocele · única (mais comum) ou várias, em "queijo suíço"Massa de bordas mal definidas que fica homogênea e circunscrita
TempoPode não aparecer na radiografia nas primeiras 6 horas · pico em 48 a 72 horas · some em 1 a 2 semanasEscondida pela contusão no início; aparece em 48 a 72 horas na radiografia · semanas a mesesA maioria some em 5 semanas, algumas em até 1 ano
Contusões, mulher de 27 anos, acidente de carro
Radiografia AP: opacidade difusa no pulmão direito, poupando relativamente o ápice (oval).
Radiografia AP: opacidade difusa no pulmão direito, poupando relativamente o ápice (oval).
TC no mesmo dia: vidro fosco nos lobos superior e inferior direitos, atravessando a cissura oblíqua (ponta de seta), com 2 mm poupados sob a pleura (seta).
TC no mesmo dia: vidro fosco nos lobos superior e inferior direitos, atravessando a cissura oblíqua (ponta de seta), com 2 mm poupados sob a pleura (seta).
Fonte: Lewis BT, Herr KD et al. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334, Fig. 1. Ver artigo
Laceração por projétil de arma de fogo, homem de 38 anos
Radiografia AP: opacidade tênue no lobo superior esquerdo (seta); a laceração está escondida pela contusão.
Radiografia AP: opacidade tênue no lobo superior esquerdo (seta); a laceração está escondida pela contusão.
TC no mesmo dia: cavidade com sangue e ar (setas) cercada de contusão (asterisco).
TC no mesmo dia: cavidade com sangue e ar (setas) cercada de contusão (asterisco).
Radiografia 8 dias depois: com a contusão desfeita, a laceração aparece como opacidade bem delimitada (seta); pneumotórax persistente (ponta de seta), talvez po
Radiografia 8 dias depois: com a contusão desfeita, a laceração aparece como opacidade bem delimitada (seta); pneumotórax persistente (ponta de seta), talvez por fístula broncopleural.
Fonte: Lewis BT, Herr KD et al. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334, Fig. 2. Ver artigo
a contusão que não vai embora Opacidade que cresce depois de 2 a 3 dias ou dura mais de 1 a 2 semanas não é mais só contusão: pense em pneumonia, abscesso, SDRA (síndrome do desconforto respiratório agudo), aspiração ou coágulo numa laceração. E a contusão que não respeita lobo nem segmento segue a energia do trauma, não o brônquio: é isso que a separa da aspiração e da pneumonia.
Laceração que virou abscesso, homem de 33 anos
Radiografia AP: dreno à esquerda e opacidade tênue no lobo inferior esquerdo (seta), contusão.
Radiografia AP: dreno à esquerda e opacidade tênue no lobo inferior esquerdo (seta), contusão.
TC: contusão difusa do lobo inferior (asterisco) com laceração e pneumatocele (seta).
TC: contusão difusa do lobo inferior (asterisco) com laceração e pneumatocele (seta).
TC com contraste 4 dias depois: derrame aumentando (asterisco) e área hipoatenuante no lobo colapsado (seta), abscesso no lugar da laceração.
TC com contraste 4 dias depois: derrame aumentando (asterisco) e área hipoatenuante no lobo colapsado (seta), abscesso no lugar da laceração.
Depois de antibiótico e toracoscopia: derrame e abscesso resolvidos, pneumotórax mínimo (ponta de seta), atelectasia ou cicatriz residual (seta).
Depois de antibiótico e toracoscopia: derrame e abscesso resolvidos, pneumotórax mínimo (ponta de seta), atelectasia ou cicatriz residual (seta).
Fonte: Lewis BT, Herr KD et al. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334, Fig. 4. Ver artigo
Hematoma pulmonar, homem de 56 anos
TC, janela de pulmão: contusão em vidro fosco (ponta de seta) junto de uma laceração cheia de sangue, o hematoma (seta).
TC, janela de pulmão: contusão em vidro fosco (ponta de seta) junto de uma laceração cheia de sangue, o hematoma (seta).
Janela de partes moles: hematoma bem definido, com atenuação de partes moles (seta).
Janela de partes moles: hematoma bem definido, com atenuação de partes moles (seta).
Radiografia AP: opacidade em massa no lobo inferior esquerdo (seta).
Radiografia AP: opacidade em massa no lobo inferior esquerdo (seta).
Fonte: Lewis BT, Herr KD et al. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334, Fig. 5. Ver artigo
LaceraçãoMecanismo e local
Tipo 1: ruptura por compressãoA mais comum · central, profunda
Tipo 2: cisalhamento por compressãoGolpe na base do tórax desloca o pulmão sobre a coluna · paravertebral
Tipo 3: perfuração pela costelaPeriférica, junto da fratura · pneumotórax
Tipo 4: ruptura em aderênciaPeriférica, em aderência prévia · rara na imagem
Tipos de laceração
Tipo 1, homem de 27 anos: três lacerações centrais (setas), pneumatocele e hematopneumatocele, com contusão (ponta de seta) e pneumotórax moderado (asterisco).
Tipo 1, homem de 27 anos: três lacerações centrais (setas), pneumatocele e hematopneumatocele, com contusão (ponta de seta) e pneumotórax moderado (asterisco).
Tipo 2, homem de 33 anos: pneumatocele paravertebral (seta).
Tipo 2, homem de 33 anos: pneumatocele paravertebral (seta).
Tipo 3, homem de 24 anos: pneumatocele periférica, sob as costelas (seta).
Tipo 3, homem de 24 anos: pneumatocele periférica, sob as costelas (seta).
Fonte: Lewis BT, Herr KD et al. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334, Fig. 3. Ver artigo
+ complemento · números e complicações Contusão em mais de 20% do volume pulmonar: SDRA em 82% (contra 22%) e pneumonia em 50% (contra 28%); num estudo, ventilação mecânica a partir de 28%. Contusão vista só na TC raramente muda a conduta. A laceração pode virar abscesso, crescer por válvula, fazer fístula broncopleural ou lesar vaso (pseudoaneurisma de artéria pulmonar, que realça com a artéria pulmonar, e fístula arteriovenosa, com veia pulmonar opacificada cedo). O hematoma pode imitar tumor: encolhe devagar (menos de 0,5 cm em 3 semanas); estável depois de 4 semanas, investigue.

Pneumotórax e hemotórax

PneumotóraxO que saber
Radiografia em péLinha pleural fina, sem vasos além dela · sensibilidade acima de 90%
Radiografia deitadaAté 50% passam despercebidos · sinais: sulco profundo, duplo diafragma, contorno mediastinal nítido com o coxim gorduroso pericárdico destacado
HipertensivoColapso do pulmão, desvio do mediastino para o outro lado, diafragma invertido · o diagnóstico é clínico (desvio pode existir sem hipertensão)
TamanhoNum estudo, até 35 mm (do pulmão à parede, no maior bolsão) só 9% falharam na observação · na radiografia em pé, mais de 2 cm no hilo é grande · mais de 25% do volume costuma pedir dreno
PersistenteApesar do dreno: fístula broncopleural, lesão de via aérea, pulmão que não reexpande
Enfisema subcutâneo isoladoRisco de pneumotórax tardio: observar
Pneumotórax pequeno, homem de 94 anos depois de queda
Radiografia PA (posteroanterior) em pé: linha pleural fina à esquerda (setas), sem trama periférica além dela; fraturas da 8ª e 9ª costelas esquerdas pouco desviadas, enfisema su
Radiografia PA (posteroanterior) em pé: linha pleural fina à esquerda (setas), sem trama periférica além dela; fraturas da 8ª e 9ª costelas esquerdas pouco desviadas, enfisema subcutâneo (oval) e placas pleurais de asbesto (asterisco).
Fonte: Lewis BT, Herr KD et al. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334, Fig. 6. Ver artigo
Pneumotórax na radiografia deitada, homem de 46 anos
AP deitado: sulco profundo (ponta de seta preta), duplo diafragma (pontas de seta brancas) e contorno cardíaco esquerdo nítido com o coxim gorduroso destacado (
AP deitado: sulco profundo (ponta de seta preta), duplo diafragma (pontas de seta brancas) e contorno cardíaco esquerdo nítido com o coxim gorduroso destacado (seta).
TC no mesmo dia: pneumotórax grande (asterisco), que a radiografia subestimou; pneumatocele (seta) e hematopneumatocele (ponta de seta) no lobo inferior esquerd
TC no mesmo dia: pneumotórax grande (asterisco), que a radiografia subestimou; pneumatocele (seta) e hematopneumatocele (ponta de seta) no lobo inferior esquerdo.
Fonte: Lewis BT, Herr KD et al. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334, Fig. 7. Ver artigo
Pneumotórax hipertensivo, homem de 29 anos com dispneia
Radiografia PA: pulmão colapsado (asterisco), mediastino desviado para o outro lado (pontas de seta) e diafragma invertido (seta).
Radiografia PA: pulmão colapsado (asterisco), mediastino desviado para o outro lado (pontas de seta) e diafragma invertido (seta).
Fonte: Lewis BT, Herr KD et al. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334, Fig. 8. Ver artigo
HemotóraxO que saber
FontesVeias, artérias da parede (intercostal, torácica interna), coração e grandes vasos, sangue do abdome pelo diafragma
RadiografiaSeio apagado, hemitórax opaco, capuz apical · deitado, não separa sangue de derrame e perde menos de cerca de 175 mL · acima de 500 mL é visível
TC30 a 70 UH (unidades Hounsfield) ou nível de hematócrito = sangue agudo · blush arterial que cresce na fase tardia = sangramento ativo · deitado, mais de 1,5 cm de espessura: dreno 4 vezes mais provável
TardioEm cerca de um terço · fraturas desviadas e posteriores
RetidoSangue 72 horas depois do dreno (4 a 20%) · fibrinolítico, toracoscopia · sem tratar: empiema, pulmão encarcerado, fibrotórax
Hemotórax por lesão da artéria intercostal, mulher de 86 anos
TC: coleção pleural direita (asterisco) de 32 UH, sangue agudo, com dreno e enfisema subcutâneo.
TC: coleção pleural direita (asterisco) de 32 UH, sangue agudo, com dreno e enfisema subcutâneo.
Fase arterial: fratura posterior desviada (ponta de seta) com foco de extravasamento ao lado (seta).
Fase arterial: fratura posterior desviada (ponta de seta) com foco de extravasamento ao lado (seta).
Fase venosa tardia, mesmo nível: o foco cresceu e surgiram outros (setas). Sangramento ativo.
Fase venosa tardia, mesmo nível: o foco cresceu e surgiram outros (setas). Sangramento ativo.
Fonte: Lewis BT, Herr KD et al. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334, Fig. 9. Ver artigo
hematoma extrapleural não é hemotórax O sinal é a gordura extrapleural empurrada para dentro, uma linha de gordura entre o sangue e o pulmão, visível até na radiografia. Cerca de 7% dos traumas torácicos; até 81% com fratura de costela. Não drena pelo dreno torácico; o biconvexo precisou de cirurgia em 80% numa série.
Hematoma extrapleural, homem de 61 anos, acidente de carro
TC sem contraste: coleção oval posterior à esquerda com nível de hematócrito (ponta de seta), cercada pela gordura extrapleural deslocada (setas), o sinal-chave
TC sem contraste: coleção oval posterior à esquerda com nível de hematócrito (ponta de seta), cercada pela gordura extrapleural deslocada (setas), o sinal-chave; o líquido denso medial e lateral à gordura é hemotórax (asterisco).
Fonte: Lewis BT, Herr KD et al. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334, Fig. 10. Ver artigo

Via aérea e pneumomediastino

A lesão traqueobrônquica é rara entre quem chega à imagem (mortalidade pré-hospitalar de até 80%). No trauma fechado, a traqueia rompe perto da carina e na parede membranosa posterior; o brônquio principal direito mais que o esquerdo. O sinal mais comum é o pneumomediastino.

PneumomediastinoPista
Efeito MacklinRuptura alveolar com ar dissecando pela bainha broncovascular até o mediastino · ar intersticial, sem lesão de via aérea
Lesão de via aéreaDefeito na parede (visível na TC na maioria, oculto em cerca de 29%) · balão do tubo herniado além da parede traqueal · pneumotórax que persiste
Lesão do esôfagoGás em volume menor, em volta do esôfago, com líquido · esofagografia por TC com contraste oral (sensibilidade de 59 a 100%, especificidade de 80 a 100%)
Lesão traqueal por projétil, homem de 32 anos
Radiografia AP: clipes marcam entrada e saída; o trajeto cruza a linha média; opacidade paramediastinal de contusão (setas).
Radiografia AP: clipes marcam entrada e saída; o trajeto cruza a linha média; opacidade paramediastinal de contusão (setas).
TC com contraste: pneumomediastino extenso e pequeno defeito na parede anterior da traqueia (seta).
TC com contraste: pneumomediastino extenso e pequeno defeito na parede anterior da traqueia (seta).
Reformatação parassagital: pneumomediastino do pescoço à raiz da aorta (setas) e o defeito (ponta de seta).
Reformatação parassagital: pneumomediastino do pescoço à raiz da aorta (setas) e o defeito (ponta de seta).
Fonte: Lewis BT, Herr KD et al. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334, Fig. 11. Ver artigo
Efeito Macklin, homem de 28 anos com dor torácica
Radiografia: pneumomediastino (seta) e ar supraclavicular esquerdo (ponta de seta).
Radiografia: pneumomediastino (seta) e ar supraclavicular esquerdo (ponta de seta).
TC: pneumomediastino (ponta de seta) e ar dissecando pela bainha broncovascular (seta).
TC: pneumomediastino (ponta de seta) e ar dissecando pela bainha broncovascular (seta).
Fonte: Lewis BT, Herr KD et al. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334, Fig. 12. Ver artigo
siga o trajeto No ferimento penetrante, ligue os marcadores de entrada e saída e examine cada estrutura no caminho. A lesão de via aérea não reconhecida volta como estenose, infecção, enfisema cervical profundo que não melhora, pneumotórax persistente ou pulmão que não reexpande.

Fraturas de costela

A fratura de costela é a lesão mais comum do trauma torácico fechado e um marcador de gravidade: com duas ou mais, 81% tinham hemo ou pneumotórax numa série. A radiografia perde mais de 50% das fraturas, e as incidências oblíquas de costela não resolvem nem costumam mudar a conduta. A TC é o método, e o mecanismo decide o exame: no trauma de alta energia, TC com contraste; no trauma menor, depois de RCP (reanimação cardiopulmonar), na fratura por estresse e na patológica, radiografia em PA.

ZonaCostelasLesões associadas
Superior1 a 4 · exigem trauma de alta energiaVasos (subclávia) e plexo braquial · angio-TC na fratura da 1ª costela com mediastino alargado, pulso diminuído, fratura desviada para trás, fratura no sulco da subclávia, lesão do plexo, hematoma crescente
Média5 a 9Laceração, contusão, hematoma extrapleural, hemo e pneumotórax
Inferior10 a 12Fígado (direita) e baço (esquerda)
Fratura de costela baixa e lesão do fígado
Janela óssea: fratura sem desvio de costela inferior direita (seta).
Janela óssea: fratura sem desvio de costela inferior direita (seta).
Janela de partes moles: hematoma hepático logo abaixo da fratura (seta).
Janela de partes moles: hematoma hepático logo abaixo da fratura (seta).
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 15. Ver artigo
Disrupção condroesternal da 1ª costela
TC coronal: disrupção condroesternal da 1ª costela direita (seta) e luxação esternoclavicular (ponta de seta).
TC coronal: disrupção condroesternal da 1ª costela direita (seta) e luxação esternoclavicular (ponta de seta).
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 22. Ver artigo
TipoImagem
EstresseRadiografia normal no início · captação na cintilografia, edema na RM · 1ª costela no arremessador, 4ª a 8ª laterais no remador, tosse crônica
Em toro (buckle)Rompe uma cortical, a outra fica (em geral a externa) · muito perdida
Sem desvioLinha lucente pelas duas corticais · às vezes só aparece no controle, pelo calo
Com desvioA ponta afiada lesa pleura, pulmão e vasos
SegmentarDuas fraturas completas na mesma costela
PatológicaMargem irregular, massa, matriz alterada, periosteal · no osso osteopênico, às vezes só a consolidação no controle mostra a fratura
CartilagemSeparação costocondral, disrupção condroesternal · TC
Fraturas em toro, dois adultos
Grau baixo: a cortical só "enruga", sem romper (setas, detalhe ampliado).
Grau baixo: a cortical só "enruga", sem romper (setas, detalhe ampliado).
Grau intermediário: rompe a cortical externa e preserva a interna (seta).
Grau intermediário: rompe a cortical externa e preserva a interna (seta).
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 17. Ver artigo
Fratura com desvio
Reconstrução 3D: o fragmento anterior vai para as partes moles da parede (seta) e o posterior, para dentro do tórax.
Reconstrução 3D: o fragmento anterior vai para as partes moles da parede (seta) e o posterior, para dentro do tórax.
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 19. Ver artigo
Fratura segmentar e hematoma extrapleural
TC com contraste: duas fraturas na mesma costela (setas) e hematoma extrapleural (pontas de seta).
TC com contraste: duas fraturas na mesma costela (setas) e hematoma extrapleural (pontas de seta).
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 20. Ver artigo
Fratura pequena, lesão pulmonar grande, acidente de carro
Logo acima da carina: fratura em toro de grau baixo de costela direita, com pneumatocele embaixo (seta).
Logo acima da carina: fratura em toro de grau baixo de costela direita, com pneumatocele embaixo (seta).
Janela de pulmão: pneumatocele cercada de contusão (seta e ponta de seta).
Janela de pulmão: pneumatocele cercada de contusão (seta e ponta de seta).
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 26. Ver artigo
tórax instável Fraturas segmentares de três ou mais costelas contíguas aumentam o risco de tórax instável, mas o diagnóstico é clínico: movimento paradoxal (o segmento afunda na inspiração e sai na expiração). Quase metade precisa de intubação.
Número de costelasPor que importa
3 ou maisInternação (numa série de 1.417 pacientes)
Mais de 4 e 45 anos ou maisMortalidade sobe · sugere-se fixação cirúrgica (também no tórax instável)
6 ou maisPreditor independente de mortalidade · UTI no idoso
Mortalidade por número1 a 2: 5% · 3 a 5: 15% · 6 ou mais: 34%
o que imita fratura Variantes (costela bífida, fusões e pontes ósseas, costela hipoplásica, costela cervical, pectus escavado), calo exuberante, ossificação heterotópica, displasia fibrosa, Paget, osteocondroma, encondroma, metástases. Leia a cortical, a matriz, a massa e a periosteal antes de chamar de trauma ou de tumor.
Displasia fibrosa, dois pacientes
Radiografia PA: lesão expansiva, geográfica, em vidro fosco e septada numa costela direita (seta).
Radiografia PA: lesão expansiva, geográfica, em vidro fosco e septada numa costela direita (seta).
TC: lesões nas duas primeiras costelas e no manúbrio.
TC: lesões nas duas primeiras costelas e no manúbrio.
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 9. Ver artigo
Condrossarcoma achado em colonografia por TC
Janela óssea: lesão expansiva com matriz condroide (seta) e periosteal agressiva (ponta de seta).
Janela óssea: lesão expansiva com matriz condroide (seta) e periosteal agressiva (ponta de seta).
Janela de partes moles: a massa se estende para o abdome superior.
Janela de partes moles: a massa se estende para o abdome superior.
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 13. Ver artigo
Fratura patológica por metástase de osteossarcoma do fêmur
Fratura patológica aguda no ponto de dor (seta), matriz anormal, sem periosteal importante.
Fratura patológica aguda no ponto de dor (seta), matriz anormal, sem periosteal importante.
Seis meses depois: grandes massas de partes moles (pontas de seta), algumas com matriz osteoide; a fratura (seta reta) e periosteal (seta curva).
Seis meses depois: grandes massas de partes moles (pontas de seta), algumas com matriz osteoide; a fratura (seta reta) e periosteal (seta curva).
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 14. Ver artigo
Calo em consolidação, dois pacientes
Fragmentos quase alinhados com calo exuberante; a linha hipoatenuante sinuosa é a fratura.
Fragmentos quase alinhados com calo exuberante; a linha hipoatenuante sinuosa é a fratura.
Calo liso, sem lucência residual (seta).
Calo liso, sem lucência residual (seta).
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 30. Ver artigo
ComplicaçãoImagem
Artéria intercostalBlush junto da fratura · pseudoaneurisma (difícil sem contraste) · embolização com molas e partículas
Não consolidaçãoPonte incompleta depois de 2 meses · pseudoartrose dolorosa
Hérnia pulmonarImediata ou meses a anos depois · 70% intercostais
Maus-tratosFraturas posteromediais e múltiplas sem explicação, em fases diferentes · a RCP fratura na frente
Hematomas da parede
TC com contraste: hematoma subcutâneo da parede (pontas de seta), fratura pouco desviada (seta preta) e hematoma extrapleural sutil (seta branca); o líquido pos
TC com contraste: hematoma subcutâneo da parede (pontas de seta), fratura pouco desviada (seta preta) e hematoma extrapleural sutil (seta branca); o líquido posterior é derrame.
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 25. Ver artigo
Lesão da artéria intercostal, queda de altura
TC com contraste nas bases: fratura desviada à esquerda e blush no parênquima (seta) com trajeto até a cortical fraturada.
TC com contraste nas bases: fratura desviada à esquerda e blush no parênquima (seta) com trajeto até a cortical fraturada.
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 27. Ver artigo
Pseudoaneurisma da artéria intercostal
TC axial: estrutura redonda opacificada (seta) junto de costela com a cortical rompida.
TC axial: estrutura redonda opacificada (seta) junto de costela com a cortical rompida.
Coronal: o mesmo, com hemotórax esquerdo grande (ponta de seta) e colapso do lobo inferior (seta curva).
Coronal: o mesmo, com hemotórax esquerdo grande (ponta de seta) e colapso do lobo inferior (seta curva).
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 28. Ver artigo
Criança com suspeita de maus-tratos
Radiografia: várias fraturas na parede lateral direita (seta em uma delas) e uma fratura posteromedial (ponta de seta), muito específicas de maus-tratos.
Radiografia: várias fraturas na parede lateral direita (seta em uma delas) e uma fratura posteromedial (ponta de seta), muito específicas de maus-tratos.
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 32. Ver artigo

Pontos de prova: alto rendimento

ContusãoA mais comum · 1–3 mm subpleural poupado · não segmentar
Contusão no tempoAté 6 h invisível · pico 48–72 h · some em 1–2 semanas
Cresce depois de 2–3 diasPneumonia, SDRA, aspiração
LaceraçãoCavidade redonda · pneumatocele, hematocele
Laceração tipo 2Paravertebral
Laceração tipo 3Junto da costela, pneumotórax
HematomaEncolhe < 0,5 cm em 3 semanas · imita tumor
Pneumotórax deitadoAté 50% perdidos · sulco profundo, duplo diafragma
HipertensivoDiafragma invertido · diagnóstico clínico
35 mmObservar (9% de falha)
Hemotórax deitadoPerde < 175 mL
Sangue agudo30–70 UH · nível de hematócrito
Sangramento ativoBlush que cresce na fase tardia
Hemotórax retido72 h depois do dreno
Hematoma extrapleuralGordura extrapleural empurrada para dentro
PneumomediastinoMacklin, via aérea ou esôfago
Via aéreaCarina, membranosa posterior, brônquio direito
Balão do tubo além da traqueiaLesão traqueal
Radiografia de costelaPerde > 50%
Costelas 1–4Vasos e plexo
Costelas 10–12Fígado e baço
Em toroUma cortical só · muito perdida
Tórax instávelSegmentar em ≥ 3 contíguas · diagnóstico clínico
≥ 6 costelasPreditor de mortalidade
Enfisema subcutâneo isoladoPneumotórax tardio
Maus-tratosPosteromediais, múltiplas

Armadilhas e erros comuns

Erros

  • Dar pneumotórax como ausente numa radiografia deitada sem procurar o sulco profundo
  • Chamar de contusão a opacidade que cresce depois de 3 dias
  • Confundir laceração com abscesso ou cavidade antiga
  • Chamar hematoma extrapleural de hemotórax e esperar que o dreno resolva
  • Não procurar o blush arterial junto da fratura desviada
  • Pedir incidências de costela no trauma de alta energia
  • Deixar passar a fratura em toro da cortical externa
  • Não contar as costelas fraturadas
  • Esquecer fígado e baço nas fraturas baixas e os vasos na 1ª costela

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Vítima de acidente de carro. A radiografia de 3 dias depois mostra opacidade no lobo inferior direito que aumentou em relação à da admissão. A interpretação mais adequada é:

A contusão aparece em até 6 horas, tem pico em 48 a 72 horas e some em 1 a 2 semanas. Opacidade que cresce depois de 2 a 3 dias ou dura mais que isso sugere pneumonia, abscesso, SDRA ou aspiração. A laceração que aparece com a melhora da contusão é uma cavidade bem delimitada, não uma opacidade crescente.
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Questão 2

Na TC de um jovem depois de trauma fechado, há uma cavidade com ar junto à coluna, no pulmão paravertebral do lobo inferior. Pela classificação das lacerações, é do tipo:

O tipo 2 (cisalhamento por compressão) nasce quando um golpe na base do tórax desloca o pulmão paravertebral sobre a coluna: cavidade paravertebral. O tipo 1 é central e profundo (o mais comum); o 3 é periférico, junto da fratura; o 4, numa aderência.
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Questão 3

Radiografia em decúbito dorsal de um politraumatizado: seio costofrênico lateral esquerdo profundo e mais transparente, e duplo contorno do diafragma. O achado sugere:

No paciente deitado, o ar vai para a frente e para baixo: sinal do sulco profundo, duplo diafragma e contorno mediastinal nítido. Até 50% dos pneumotórax passam despercebidos na radiografia deitada; a TC confirma e mede.
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Questão 4

Na TC de um trauma, há coleção periférica de sangue com uma linha de gordura entre ela e o pulmão, deslocada para dentro. O diagnóstico e a implicação são:

A gordura extrapleural empurrada para dentro é o sinal do hematoma extrapleural: o sangue está fora da pleura parietal e não sai pelo dreno torácico; o grande pode precisar de cirurgia. Até 81% têm fratura de costela.
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Questão 5

Fratura da 1ª costela isolada, desviada para trás, com hematoma crescente na base do pescoço. O próximo exame é:

As costelas 1 a 4 exigem trauma de alta energia e se associam a lesão dos vasos subclávios e do plexo braquial. Fratura da 1ª costela com desvio posterior, no sulco da subclávia, hematoma crescente, pulso diminuído ou mediastino alargado pede angio-TC. Fígado e baço são das costelas baixas.
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Questão 6

Sobre fraturas de costela no trauma, é correto afirmar que:

Seis ou mais costelas fraturadas são preditor independente de mortalidade (34% contra 5% com uma ou duas). A radiografia perde mais de 50%; o tórax instável é diagnóstico clínico (movimento paradoxal); as costelas baixas se associam a fígado e baço; a fratura em toro rompe uma cortical só.
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Fontes.
Lewis BT, Herr KD, Hamlin SA, Henry T, Little BP, Naeger DM, Hanna TN. Imaging Manifestations of Chest Trauma. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334. doi:10.1148/rg.2021210042
Talbot BS, Gange CP Jr, Chaturvedi A, Klionsky N, Hobbs SK, Chaturvedi A. Traumatic Rib Injury: Patterns, Imaging Pitfalls, Complications, and Treatment. RadioGraphics 2017;37(2):628–651. doi:10.1148/rg.2017160100

Lesões da aorta, do coração e do diafragma não fazem parte destas fontes. Conferido em 06/10/2026.

Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das mesmas fontes.