Fontes: Lewis et al: 2021 e Talbot et al: 2017, RadioGraphics
O pulmão aguenta, até não aguentar
O trauma torácico aparece em cerca de 60% dos politraumatizados, com mortalidade em torno de
10%, e passa de 50% nos casos graves. Mais de dois terços do trauma fechado vem de acidente de
carro. O pulmão é elástico e complacente, e é justamente essa complacência que o deixa frágil à
onda de pressão: o volume da contusão acompanha a intensidade máxima da onda de pressão
intratorácica. A criança, de parede mais complacente, se machuca por dentro com menos fratura.
Exame
Papel
FAST (focused assessment with sonography for trauma: ultrassonografia direcionada para o trauma) (e US do tórax)
À beira do leito: líquido pericárdico e pleural, pneumotórax · positivo no instável pode levar direto à cirurgia
Radiografia
AP (anteroposterior) no leito, na maioria · fraturas, corpos estranhos, contusão, pneumotórax, hemotórax · inspiração e expiração ajudam no pneumotórax sutil do paciente estável
TC com contraste e reconstruções
O exame de referência · fase única portal (cerca de 70 s) do tórax à pelve, ou arterial do tórax ao abdome mais portal do abdome e pelve (pseudoaneurisma, dissecção, extravasamento) · fase tardia confirma sangramento ativo
RM e medicina nuclear
Não são rotina no trauma agudo
quem precisa de imagem do tórax (NEXUS chest: National Emergency X-Radiography Utilization Study)
No trauma fechado: idade acima de 60 anos, desaceleração rápida, dor torácica, intoxicação,
alteração do nível de consciência, lesão que distrai, dor à palpação da parede torácica.
Contusão, laceração e hematoma
Contusão
Laceração
Hematoma
O que é
Sangue e edema nos alvéolos e no interstício, parênquima íntegro
Parênquima rompido: cavidade redonda ou oval (a retração elástica puxa o pulmão em volta) com ar, sangue ou os dois
Laceração cheia de sangue: consolidação em massa
Quanto
A lesão mais comum (até 75% do trauma fechado)
Até 12%
Indica lesão mais grave que a contusão
Imagem
Opacidade não segmentar, no ponto do impacto, no contragolpe e nas bases · na TC, vidro fosco que poupa 1 a 3 mm sob a pleura
Pneumatocele (ar), hematocele (sangue), hematopneumatocele · única (mais comum) ou várias, em "queijo suíço"
Massa de bordas mal definidas que fica homogênea e circunscrita
Tempo
Pode não aparecer na radiografia nas primeiras 6 horas · pico em 48 a 72 horas · some em 1 a 2 semanas
Escondida pela contusão no início; aparece em 48 a 72 horas na radiografia · semanas a meses
A maioria some em 5 semanas, algumas em até 1 ano
Contusões, mulher de 27 anos, acidente de carro
Radiografia AP: opacidade difusa no pulmão direito, poupando relativamente o ápice (oval).TC no mesmo dia: vidro fosco nos lobos superior e inferior direitos, atravessando a cissura oblíqua (ponta de seta), com 2 mm poupados sob a pleura (seta).
Fonte: Lewis BT, Herr KD et al. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334, Fig. 1. Ver artigo
Laceração por projétil de arma de fogo, homem de 38 anos
Radiografia AP: opacidade tênue no lobo superior esquerdo (seta); a laceração está escondida pela contusão.TC no mesmo dia: cavidade com sangue e ar (setas) cercada de contusão (asterisco).Radiografia 8 dias depois: com a contusão desfeita, a laceração aparece como opacidade bem delimitada (seta); pneumotórax persistente (ponta de seta), talvez por fístula broncopleural.
Fonte: Lewis BT, Herr KD et al. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334, Fig. 2. Ver artigo
a contusão que não vai embora
Opacidade que cresce depois de 2 a 3 dias ou dura mais de 1 a 2 semanas não é mais só
contusão: pense em pneumonia, abscesso, SDRA (síndrome do desconforto respiratório agudo), aspiração ou coágulo numa laceração. E a contusão
que não respeita lobo nem segmento segue a energia do trauma, não o brônquio: é isso que a separa
da aspiração e da pneumonia.
Laceração que virou abscesso, homem de 33 anos
Radiografia AP: dreno à esquerda e opacidade tênue no lobo inferior esquerdo (seta), contusão.TC: contusão difusa do lobo inferior (asterisco) com laceração e pneumatocele (seta).TC com contraste 4 dias depois: derrame aumentando (asterisco) e área hipoatenuante no lobo colapsado (seta), abscesso no lugar da laceração.Depois de antibiótico e toracoscopia: derrame e abscesso resolvidos, pneumotórax mínimo (ponta de seta), atelectasia ou cicatriz residual (seta).
Fonte: Lewis BT, Herr KD et al. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334, Fig. 4. Ver artigo
Hematoma pulmonar, homem de 56 anos
TC, janela de pulmão: contusão em vidro fosco (ponta de seta) junto de uma laceração cheia de sangue, o hematoma (seta).Janela de partes moles: hematoma bem definido, com atenuação de partes moles (seta).Radiografia AP: opacidade em massa no lobo inferior esquerdo (seta).
Fonte: Lewis BT, Herr KD et al. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334, Fig. 5. Ver artigo
Laceração
Mecanismo e local
Tipo 1: ruptura por compressão
A mais comum · central, profunda
Tipo 2: cisalhamento por compressão
Golpe na base do tórax desloca o pulmão sobre a coluna · paravertebral
Tipo 3: perfuração pela costela
Periférica, junto da fratura · pneumotórax
Tipo 4: ruptura em aderência
Periférica, em aderência prévia · rara na imagem
Tipos de laceração
Tipo 1, homem de 27 anos: três lacerações centrais (setas), pneumatocele e hematopneumatocele, com contusão (ponta de seta) e pneumotórax moderado (asterisco).Tipo 2, homem de 33 anos: pneumatocele paravertebral (seta).Tipo 3, homem de 24 anos: pneumatocele periférica, sob as costelas (seta).
Fonte: Lewis BT, Herr KD et al. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334, Fig. 3. Ver artigo
+ complemento · números e complicações
Contusão em mais de 20% do volume pulmonar: SDRA em 82% (contra 22%) e pneumonia em 50% (contra 28%);
num estudo, ventilação mecânica a partir de 28%. Contusão vista só na TC raramente muda a conduta.
A laceração pode virar abscesso, crescer por válvula, fazer fístula broncopleural ou lesar vaso
(pseudoaneurisma de artéria pulmonar, que realça com a artéria pulmonar, e fístula arteriovenosa,
com veia pulmonar opacificada cedo). O hematoma pode imitar tumor: encolhe devagar (menos de 0,5 cm
em 3 semanas); estável depois de 4 semanas, investigue.
Pneumotórax e hemotórax
Pneumotórax
O que saber
Radiografia em pé
Linha pleural fina, sem vasos além dela · sensibilidade acima de 90%
Radiografia deitada
Até 50% passam despercebidos · sinais: sulco profundo, duplo diafragma, contorno mediastinal nítido com o coxim gorduroso pericárdico destacado
Hipertensivo
Colapso do pulmão, desvio do mediastino para o outro lado, diafragma invertido · o diagnóstico é clínico (desvio pode existir sem hipertensão)
Tamanho
Num estudo, até 35 mm (do pulmão à parede, no maior bolsão) só 9% falharam na observação · na radiografia em pé, mais de 2 cm no hilo é grande · mais de 25% do volume costuma pedir dreno
Persistente
Apesar do dreno: fístula broncopleural, lesão de via aérea, pulmão que não reexpande
Enfisema subcutâneo isolado
Risco de pneumotórax tardio: observar
Pneumotórax pequeno, homem de 94 anos depois de queda
Radiografia PA (posteroanterior) em pé: linha pleural fina à esquerda (setas), sem trama periférica além dela; fraturas da 8ª e 9ª costelas esquerdas pouco desviadas, enfisema subcutâneo (oval) e placas pleurais de asbesto (asterisco).
Fonte: Lewis BT, Herr KD et al. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334, Fig. 6. Ver artigo
Pneumotórax na radiografia deitada, homem de 46 anos
AP deitado: sulco profundo (ponta de seta preta), duplo diafragma (pontas de seta brancas) e contorno cardíaco esquerdo nítido com o coxim gorduroso destacado (seta).TC no mesmo dia: pneumotórax grande (asterisco), que a radiografia subestimou; pneumatocele (seta) e hematopneumatocele (ponta de seta) no lobo inferior esquerdo.
Fonte: Lewis BT, Herr KD et al. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334, Fig. 7. Ver artigo
Pneumotórax hipertensivo, homem de 29 anos com dispneia
Radiografia PA: pulmão colapsado (asterisco), mediastino desviado para o outro lado (pontas de seta) e diafragma invertido (seta).
Fonte: Lewis BT, Herr KD et al. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334, Fig. 8. Ver artigo
Hemotórax
O que saber
Fontes
Veias, artérias da parede (intercostal, torácica interna), coração e grandes vasos, sangue do abdome pelo diafragma
Radiografia
Seio apagado, hemitórax opaco, capuz apical · deitado, não separa sangue de derrame e perde menos de cerca de 175 mL · acima de 500 mL é visível
TC
30 a 70 UH (unidades Hounsfield) ou nível de hematócrito = sangue agudo · blush arterial que cresce na fase tardia = sangramento ativo · deitado, mais de 1,5 cm de espessura: dreno 4 vezes mais provável
Tardio
Em cerca de um terço · fraturas desviadas e posteriores
Retido
Sangue 72 horas depois do dreno (4 a 20%) · fibrinolítico, toracoscopia · sem tratar: empiema, pulmão encarcerado, fibrotórax
Hemotórax por lesão da artéria intercostal, mulher de 86 anos
TC: coleção pleural direita (asterisco) de 32 UH, sangue agudo, com dreno e enfisema subcutâneo.Fase arterial: fratura posterior desviada (ponta de seta) com foco de extravasamento ao lado (seta).Fase venosa tardia, mesmo nível: o foco cresceu e surgiram outros (setas). Sangramento ativo.
Fonte: Lewis BT, Herr KD et al. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334, Fig. 9. Ver artigo
hematoma extrapleural não é hemotórax
O sinal é a gordura extrapleural empurrada para dentro, uma linha de gordura entre o sangue e o
pulmão, visível até na radiografia. Cerca de 7% dos traumas torácicos; até 81% com fratura de costela.
Não drena pelo dreno torácico; o biconvexo precisou de cirurgia em 80% numa série.
Hematoma extrapleural, homem de 61 anos, acidente de carro
TC sem contraste: coleção oval posterior à esquerda com nível de hematócrito (ponta de seta), cercada pela gordura extrapleural deslocada (setas), o sinal-chave; o líquido denso medial e lateral à gordura é hemotórax (asterisco).
Fonte: Lewis BT, Herr KD et al. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334, Fig. 10. Ver artigo
Via aérea e pneumomediastino
A lesão traqueobrônquica é rara entre quem chega à imagem (mortalidade pré-hospitalar de até 80%).
No trauma fechado, a traqueia rompe perto da carina e na parede membranosa posterior;
o brônquio principal direito mais que o esquerdo. O sinal mais comum é o
pneumomediastino.
Pneumomediastino
Pista
Efeito Macklin
Ruptura alveolar com ar dissecando pela bainha broncovascular até o mediastino · ar intersticial, sem lesão de via aérea
Lesão de via aérea
Defeito na parede (visível na TC na maioria, oculto em cerca de 29%) · balão do tubo herniado além da parede traqueal · pneumotórax que persiste
Lesão do esôfago
Gás em volume menor, em volta do esôfago, com líquido · esofagografia por TC com contraste oral (sensibilidade de 59 a 100%, especificidade de 80 a 100%)
Lesão traqueal por projétil, homem de 32 anos
Radiografia AP: clipes marcam entrada e saída; o trajeto cruza a linha média; opacidade paramediastinal de contusão (setas).TC com contraste: pneumomediastino extenso e pequeno defeito na parede anterior da traqueia (seta).Reformatação parassagital: pneumomediastino do pescoço à raiz da aorta (setas) e o defeito (ponta de seta).
Fonte: Lewis BT, Herr KD et al. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334, Fig. 11. Ver artigo
Efeito Macklin, homem de 28 anos com dor torácica
Radiografia: pneumomediastino (seta) e ar supraclavicular esquerdo (ponta de seta).TC: pneumomediastino (ponta de seta) e ar dissecando pela bainha broncovascular (seta).
Fonte: Lewis BT, Herr KD et al. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334, Fig. 12. Ver artigo
siga o trajeto
No ferimento penetrante, ligue os marcadores de entrada e saída e examine cada estrutura no
caminho. A lesão de via aérea não reconhecida volta como estenose, infecção, enfisema cervical
profundo que não melhora, pneumotórax persistente ou pulmão que não reexpande.
Fraturas de costela
A fratura de costela é a lesão mais comum do trauma torácico fechado e um marcador de
gravidade: com duas ou mais, 81% tinham hemo ou pneumotórax numa série. A radiografia perde
mais de 50% das fraturas, e as incidências oblíquas de costela não resolvem nem costumam
mudar a conduta. A TC é o método, e o mecanismo decide o exame: no trauma de alta energia, TC
com contraste; no trauma menor, depois de RCP (reanimação cardiopulmonar), na fratura por estresse e na patológica, radiografia
em PA.
Zona
Costelas
Lesões associadas
Superior
1 a 4 · exigem trauma de alta energia
Vasos (subclávia) e plexo braquial · angio-TC na fratura da 1ª costela com mediastino alargado, pulso diminuído, fratura desviada para trás, fratura no sulco da subclávia, lesão do plexo, hematoma crescente
Média
5 a 9
Laceração, contusão, hematoma extrapleural, hemo e pneumotórax
Inferior
10 a 12
Fígado (direita) e baço (esquerda)
Fratura de costela baixa e lesão do fígado
Janela óssea: fratura sem desvio de costela inferior direita (seta).Janela de partes moles: hematoma hepático logo abaixo da fratura (seta).
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 15. Ver artigo
Disrupção condroesternal da 1ª costela
TC coronal: disrupção condroesternal da 1ª costela direita (seta) e luxação esternoclavicular (ponta de seta).
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 22. Ver artigo
Tipo
Imagem
Estresse
Radiografia normal no início · captação na cintilografia, edema na RM · 1ª costela no arremessador, 4ª a 8ª laterais no remador, tosse crônica
Em toro (buckle)
Rompe uma cortical, a outra fica (em geral a externa) · muito perdida
Sem desvio
Linha lucente pelas duas corticais · às vezes só aparece no controle, pelo calo
Com desvio
A ponta afiada lesa pleura, pulmão e vasos
Segmentar
Duas fraturas completas na mesma costela
Patológica
Margem irregular, massa, matriz alterada, periosteal · no osso osteopênico, às vezes só a consolidação no controle mostra a fratura
Grau baixo: a cortical só "enruga", sem romper (setas, detalhe ampliado).Grau intermediário: rompe a cortical externa e preserva a interna (seta).
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 17. Ver artigo
Fratura com desvio
Reconstrução 3D: o fragmento anterior vai para as partes moles da parede (seta) e o posterior, para dentro do tórax.
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 19. Ver artigo
Fratura segmentar e hematoma extrapleural
TC com contraste: duas fraturas na mesma costela (setas) e hematoma extrapleural (pontas de seta).
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 20. Ver artigo
Fratura pequena, lesão pulmonar grande, acidente de carro
Logo acima da carina: fratura em toro de grau baixo de costela direita, com pneumatocele embaixo (seta).Janela de pulmão: pneumatocele cercada de contusão (seta e ponta de seta).
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 26. Ver artigo
tórax instável
Fraturas segmentares de três ou mais costelas contíguas aumentam o risco de tórax instável,
mas o diagnóstico é clínico: movimento paradoxal (o segmento afunda na inspiração e sai na
expiração). Quase metade precisa de intubação.
Número de costelas
Por que importa
3 ou mais
Internação (numa série de 1.417 pacientes)
Mais de 4 e 45 anos ou mais
Mortalidade sobe · sugere-se fixação cirúrgica (também no tórax instável)
6 ou mais
Preditor independente de mortalidade · UTI no idoso
Mortalidade por número
1 a 2: 5% · 3 a 5: 15% · 6 ou mais: 34%
o que imita fratura
Variantes (costela bífida, fusões e pontes ósseas, costela hipoplásica, costela cervical, pectus
escavado), calo exuberante, ossificação heterotópica, displasia fibrosa, Paget, osteocondroma,
encondroma, metástases. Leia a cortical, a matriz, a massa e a periosteal antes de chamar de trauma
ou de tumor.
Displasia fibrosa, dois pacientes
Radiografia PA: lesão expansiva, geográfica, em vidro fosco e septada numa costela direita (seta).TC: lesões nas duas primeiras costelas e no manúbrio.
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 9. Ver artigo
Condrossarcoma achado em colonografia por TC
Janela óssea: lesão expansiva com matriz condroide (seta) e periosteal agressiva (ponta de seta).Janela de partes moles: a massa se estende para o abdome superior.
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 13. Ver artigo
Fratura patológica por metástase de osteossarcoma do fêmur
Fratura patológica aguda no ponto de dor (seta), matriz anormal, sem periosteal importante.Seis meses depois: grandes massas de partes moles (pontas de seta), algumas com matriz osteoide; a fratura (seta reta) e periosteal (seta curva).
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 14. Ver artigo
Calo em consolidação, dois pacientes
Fragmentos quase alinhados com calo exuberante; a linha hipoatenuante sinuosa é a fratura.Calo liso, sem lucência residual (seta).
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 30. Ver artigo
Complicação
Imagem
Artéria intercostal
Blush junto da fratura · pseudoaneurisma (difícil sem contraste) · embolização com molas e partículas
Não consolidação
Ponte incompleta depois de 2 meses · pseudoartrose dolorosa
Hérnia pulmonar
Imediata ou meses a anos depois · 70% intercostais
Maus-tratos
Fraturas posteromediais e múltiplas sem explicação, em fases diferentes · a RCP fratura na frente
Hematomas da parede
TC com contraste: hematoma subcutâneo da parede (pontas de seta), fratura pouco desviada (seta preta) e hematoma extrapleural sutil (seta branca); o líquido posterior é derrame.
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 25. Ver artigo
Lesão da artéria intercostal, queda de altura
TC com contraste nas bases: fratura desviada à esquerda e blush no parênquima (seta) com trajeto até a cortical fraturada.
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 27. Ver artigo
Pseudoaneurisma da artéria intercostal
TC axial: estrutura redonda opacificada (seta) junto de costela com a cortical rompida.Coronal: o mesmo, com hemotórax esquerdo grande (ponta de seta) e colapso do lobo inferior (seta curva).
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 28. Ver artigo
Criança com suspeita de maus-tratos
Radiografia: várias fraturas na parede lateral direita (seta em uma delas) e uma fratura posteromedial (ponta de seta), muito específicas de maus-tratos.
Fonte: Talbot BS, Gange CP Jr et al. RadioGraphics 2017;37(2):628–651, Fig. 32. Ver artigo
Pontos de prova: alto rendimento
Contusão
A mais comum · 1–3 mm subpleural poupado · não segmentar
Contusão no tempo
Até 6 h invisível · pico 48–72 h · some em 1–2 semanas
Cresce depois de 2–3 dias
Pneumonia, SDRA, aspiração
Laceração
Cavidade redonda · pneumatocele, hematocele
Laceração tipo 2
Paravertebral
Laceração tipo 3
Junto da costela, pneumotórax
Hematoma
Encolhe < 0,5 cm em 3 semanas · imita tumor
Pneumotórax deitado
Até 50% perdidos · sulco profundo, duplo diafragma
Hipertensivo
Diafragma invertido · diagnóstico clínico
35 mm
Observar (9% de falha)
Hemotórax deitado
Perde < 175 mL
Sangue agudo
30–70 UH · nível de hematócrito
Sangramento ativo
Blush que cresce na fase tardia
Hemotórax retido
72 h depois do dreno
Hematoma extrapleural
Gordura extrapleural empurrada para dentro
Pneumomediastino
Macklin, via aérea ou esôfago
Via aérea
Carina, membranosa posterior, brônquio direito
Balão do tubo além da traqueia
Lesão traqueal
Radiografia de costela
Perde > 50%
Costelas 1–4
Vasos e plexo
Costelas 10–12
Fígado e baço
Em toro
Uma cortical só · muito perdida
Tórax instável
Segmentar em ≥ 3 contíguas · diagnóstico clínico
≥ 6 costelas
Preditor de mortalidade
Enfisema subcutâneo isolado
Pneumotórax tardio
Maus-tratos
Posteromediais, múltiplas
Armadilhas e erros comuns
Erros
Dar pneumotórax como ausente numa radiografia deitada sem procurar o sulco profundo
Chamar de contusão a opacidade que cresce depois de 3 dias
Confundir laceração com abscesso ou cavidade antiga
Chamar hematoma extrapleural de hemotórax e esperar que o dreno resolva
Não procurar o blush arterial junto da fratura desviada
Pedir incidências de costela no trauma de alta energia
Deixar passar a fratura em toro da cortical externa
Não contar as costelas fraturadas
Esquecer fígado e baço nas fraturas baixas e os vasos na 1ª costela
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1
Vítima de acidente de carro. A radiografia de 3 dias depois mostra opacidade no lobo inferior direito que aumentou em relação à da admissão. A interpretação mais adequada é:
A contusão aparece em até 6 horas, tem pico em 48 a 72 horas e some em 1 a 2 semanas. Opacidade que cresce depois de 2 a 3 dias ou dura mais que isso sugere pneumonia, abscesso, SDRA ou aspiração. A laceração que aparece com a melhora da contusão é uma cavidade bem delimitada, não uma opacidade crescente.
Na TC de um jovem depois de trauma fechado, há uma cavidade com ar junto à coluna, no pulmão paravertebral do lobo inferior. Pela classificação das lacerações, é do tipo:
O tipo 2 (cisalhamento por compressão) nasce quando um golpe na base do tórax desloca o pulmão paravertebral sobre a coluna: cavidade paravertebral. O tipo 1 é central e profundo (o mais comum); o 3 é periférico, junto da fratura; o 4, numa aderência.
Radiografia em decúbito dorsal de um politraumatizado: seio costofrênico lateral esquerdo profundo e mais transparente, e duplo contorno do diafragma. O achado sugere:
No paciente deitado, o ar vai para a frente e para baixo: sinal do sulco profundo, duplo diafragma e contorno mediastinal nítido. Até 50% dos pneumotórax passam despercebidos na radiografia deitada; a TC confirma e mede.
Na TC de um trauma, há coleção periférica de sangue com uma linha de gordura entre ela e o pulmão, deslocada para dentro. O diagnóstico e a implicação são:
A gordura extrapleural empurrada para dentro é o sinal do hematoma extrapleural: o sangue está fora da pleura parietal e não sai pelo dreno torácico; o grande pode precisar de cirurgia. Até 81% têm fratura de costela.
Fratura da 1ª costela isolada, desviada para trás, com hematoma crescente na base do pescoço. O próximo exame é:
As costelas 1 a 4 exigem trauma de alta energia e se associam a lesão dos vasos subclávios e do plexo braquial. Fratura da 1ª costela com desvio posterior, no sulco da subclávia, hematoma crescente, pulso diminuído ou mediastino alargado pede angio-TC. Fígado e baço são das costelas baixas.
Sobre fraturas de costela no trauma, é correto afirmar que:
Seis ou mais costelas fraturadas são preditor independente de mortalidade (34% contra 5% com uma ou duas). A radiografia perde mais de 50%; o tórax instável é diagnóstico clínico (movimento paradoxal); as costelas baixas se associam a fígado e baço; a fratura em toro rompe uma cortical só.
Fontes.
Lewis BT, Herr KD, Hamlin SA, Henry T, Little BP, Naeger DM, Hanna TN. Imaging Manifestations of
Chest Trauma. RadioGraphics 2021;41(5):1321–1334. doi:10.1148/rg.2021210042
Talbot BS, Gange CP Jr, Chaturvedi A, Klionsky N, Hobbs SK, Chaturvedi A. Traumatic Rib Injury:
Patterns, Imaging Pitfalls, Complications, and Treatment. RadioGraphics 2017;37(2):628–651.
doi:10.1148/rg.2017160100
Lesões da aorta, do coração e do diafragma não fazem parte destas fontes. Conferido em
06/10/2026.
Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das mesmas
fontes.