Fontes: Lauar et al., Lim et al. e Fazeli et al: 2025, RadioGraphics
O exame que depende de quem faz
O US de mama é interativo e depende do operador: o mesmo cisto vira "massa sólida" com o ganho
alto, e o mesmo câncer vira "cisto" com o ganho baixo. Este caderno junta três peças: a
técnica, as quatro categorias de lesão cística do BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System) e o uso certo da categoria
3 (provavelmente benigno) na mamografia, no US e na RM.
Tudo do simples, mas não é anecoico (ecos, debris)
2 ou 3
Microcistos agrupados
Cachos de cistos de 2 a 3 mm com septos de menos de 0,5 mm
2 (3 se pequeno ou fundo)
Massa complexa cística e sólida
Parte anecoica e parte ecogênica (sólida)
4
Técnica do US mamário
Item
Como fazer
Transdutor
Linear de alta resolução, banda larga, frequência central de pelo menos 10 a 12 MHz (12 a 18 MHz é o comum)
Posição
Decúbito dorsal com o braço do lado acima da cabeça · oblíquo lateral para a parte lateral e a axila de mamas grandes: a área de interesse no alto do tórax, para o tecido escorrer e afinar
Varredura
Duas incidências ortogonais (radial e antirradial, ou transversal e longitudinal), os quatro quadrantes, a periferia e a drenagem linfática
Ganho
Gordura subcutânea em cinza médio em todas as profundidades · alto demais: o cisto parece sólido, a coleção parece abscesso · baixo demais: o sólido hipoecogênico parece anecoico
Frequência
Alta para quase todas · mama grande: frequência menor ou mais compressão · frequência alta em mama densa simula lesão não nodular
Profundidade
Até o peitoral, sem pleura e pulmão à toa · campo grande demais apaga as margens · panorâmica para lesão grande
Foco
No terço anterior na varredura; no centro da lesão ao analisá-la
Compressão
Localizada: desfaz "massas" e "lesões não nodulares" que eram tecido fibroglandular
Ganho, mulher de 43 anos com coleção 45 dias depois de cirurgia estética
Ganho adequado: o líquido é hipoecogênico.Ganho excessivo: o líquido fica isoecogênico e parece abscesso. A punção não teve crescimento bacteriano.
Fonte: Lauar MCV, Merigue G, Dias LF, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240161, apresentação, slide 11. Ver artigo
Frequência
Aparente lesão não nodular hipoecogênica.Com a frequência adequada, a mesma região é parênquima normal.
Fonte: Lauar MCV, Merigue G, Dias LF, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240161, apresentação, slide 13. Ver artigo
Ajuste de vários parâmetros, a mesma coleção pós-operatória
A coleção.Com 18 MHz, foco superficial e mais profundidade: um trajeto até a pele.
Fonte: Lauar MCV, Merigue G, Dias LF, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240161, apresentação, slide 17. Ver artigo
Recurso
Ganha
Perde
Harmônica
Tira a reverberação superficial e os ecos falsos dentro do cisto · margem e sombra mais nítidas · ajuda a provar microcistos
Penetração e resolução axial
Composição espacial
Menos artefato, margens laterais melhores, cistos pequenos mais claros
O reforço posterior fica menos aparente
Doppler colorido
Presença, velocidade média e direção do fluxo
Menos sensível a fluxo lento
Doppler de amplitude (power)
Mais sensível a fluxo lento e vasos pequenos
Sem direção nem velocidade
Elastografia
Câncer é mais duro · o artefato em "olho de boi" (borda rígida, dois pontos moles: central e posterior) de alguns aparelhos de compressão é de cisto benigno
O olho de boi não aparece no shear wave
Harmônica, mulher de 50 anos
Mamografia de rastreamento: massa irregular espiculada.US dirigido (à esquerda) e com harmônica (à direita), que melhora a margem e o tecido em volta. Carcinoma ductal invasivo grau 3.
Fonte: Lauar MCV, Merigue G, Dias LF, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240161, apresentação, slide 12. Ver artigo
Cisto simples, mulher de 39 anos
Reverberação na parte anterior do cisto.Com harmônica: menos ecos no campo próximo e reforço posterior mais evidente.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 3. Ver artigo
o Doppler no cisto
Cisto não tem fluxo dentro; pode haver fluxo em volta, e às vezes artefato na borda. Fluxo
dentro de uma massa "anecoica" quer dizer que ela é sólida: câncer de alto grau e linfonodo
metastático podem parecer anecoicos. Mas a falta de fluxo não prova cisto, e a sobreposição de
padrões de Doppler entre benigno e maligno é grande.
Doppler de amplitude, mulher de 46 anos
Mamografia: massa oval densa, de margem obscurecida.US: massa redonda, circunscrita e homogênea.Doppler de amplitude: fluxo aumentado. Carcinoma ductal invasivo triplo-negativo grau 3.
Fonte: Lauar MCV, Merigue G, Dias LF, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240161, apresentação, slide 20. Ver artigo
Câncer que parece cisto, mulher de 44 anos com massa palpável
Massa redonda de aspecto anecoico com reforço posterior.Doppler colorido: vascularização aumentada.Elastografia (vermelho mole, azul duro): massa dura com margem em parte indistinta. Carcinoma medular triplo-negativo.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 4. Ver artigo
Cisto simples
O cisto é a alteração não proliferativa mais comum da mama, com pico entre 35 e 50 anos
(hormonal: some depois da menopausa, a não ser com reposição). No estudo ACRIN (American College of Radiology Imaging Network) 6666 (mama densa, risco
aumentado), 47,1% das mulheres tiveram cisto simples em 3 anos, metade delas nas duas mamas. Varia com
o ciclo, e mais da metade dos cistos novos regride em 1 ano.
Critério do cisto simples
Detalhe
Circunscrito, redondo ou oval
Margem toda nítida
Anecoico
Ajuste o ganho antes de chamar de anecoico
Parede fina, imperceptível
Septo fino (cisto lobulado ou dois cistos encostados) de menos de 0,5 mm
Reforço acústico posterior
Pode ser sutil no cisto pequeno junto do peitoral
Sem fluxo dentro
Pode haver fluxo em volta
Cisto simples, mulher de 62 anos
US: lesão oval circunscrita anecoica com reforço posterior.RM T2 com supressão de gordura: hipersinal.T1 com contraste: sem realce.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 2. Ver artigo
Septo fino, mulher de 56 anos
Radial: cisto simples com septo de menos de 0,5 mm.Antirradial.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 5. Ver artigo
o câncer que imita cisto
Cisto de menos de 8 mm, sobretudo fundo, é difícil de caracterizar. Sólido muito hipoecogênico
parece anecoico, e sólido homogêneo, inclusive carcinoma de alto grau (triplo-negativo, medular),
também tem reforço posterior. Quase todo câncer que imita cisto tem ao menos um trecho de margem
indistinta, parede grossa ou fluxo dentro.
Carcinoma ductal invasivo triplo-negativo, mulher de 43 anos com massa palpável
Massa quase anecoica com reforço posterior, que imita cisto, mas com margem em parte indistinta.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 6. Ver artigo
Método
Cisto simples
Mamografia
Massa circunscrita · massas circunscritas múltiplas e bilaterais (pelo menos 3, uma em cada mama) no rastreamento são, em geral, cistos: benignas · cálcio em anel na parede, cálcio que sedimenta
RM
Hipersinal em T2, hipossinal em T1, sem realce · realce fino e uniforme da borda por inflamação em volta continua benigno
Laudo
Não precisa medir todos · com vários, a localização e o tamanho do maior de cada mama
Conduta
BI-RADS 2 e rastreamento de rotina · aspiração só se doer ou for muito grande
Cistos múltiplos, mulher de 44 anos
CC (craniocaudal) bilateral: várias massas de margem obscurecida.1 ano depois: os cistos mudaram em tamanho e número.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 7. Ver artigo
Cisto simples na RM de estadiamento, mulher de 43 anos
US: reverberação paralela à parede anterior.T2 com supressão de gordura: massa oval com hipersinal.Subtração com contraste: realce fino e uniforme da borda, ainda benigno.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 8. Ver artigo
Cisto complicado
Cumpre todos os critérios do cisto simples, menos um: não é anecoico. O conteúdo é debris
(proteína, leite, gordura, pus, sangue). Em 8 séries, só 4 de 1.526 cistos complicados (0,3%)
eram câncer.
Situação
BI-RADS
Ecos móveis, nível líquido-debris ou refletor ecogênico que cintila em tempo real
2
Vários cistos complicados nas duas mamas (pelo menos 3, um em cada), ou junto de vários cistos simples
2, seguimento de rotina
Cisto complicado isolado com ecos baixos e uniformes (sobretudo pequeno ou fundo)
3 (na aspiração, 12,4% dos "cistos complicados" eram sólidos)
Fluxo, parede grossa ou irregular, nódulo mural, mudança de tamanho
4
Cistos complicados, mulher de 49 anos com dor
MLO (mediolateral oblíqua): massas de margem obscurecida.Cisto oval com refletores ecogênicos móveis (setas).Nível líquido-debris (ponta de seta).O nível muda de lugar com o decúbito (ponta de seta).
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 9. Ver artigo
Cistos simples e complicados, mulher de 46 anos
CC bilateral: várias massas.US: cistos simples e um complicado ao lado, com ecos baixos homogêneos (seta).Mais cistos.Nível líquido-debris (pontas de seta).
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 10. Ver artigo
Cistos complicados na RM, mulher de 47 anos com câncer na outra mama
T2 com supressão de gordura: várias massas com hipersinal (seta).T1 com supressão de gordura: sinal diferente em dois cistos encostados (seta, ponta de seta).Subtração com contraste: sem realce.US: os dois cistos complicados encostados.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 11. Ver artigo
Cisto complicado isolado e fundo, mulher de 64 anos com mamas densas
BI-RADS 3; ficou estável no seguimento.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 11. Ver artigo
Na RM, o cisto hemorrágico ou proteico tem hipersinal em T1 e hipossinal em T2. Num estudo, 183
cistos complicados em mulheres na pós-menopausa foram todos benignos: a idade, sozinha, não muda a
conduta. Aspiração é opcional, para o sintomático ou na dúvida.
Microcistos agrupados
Dilatação dos ácinos de uma unidade ductolobular terminal (alteração fibrocística, metaplasia
apócrina). Aparecem em até 6% dos exames de US, mais na perimenopausa.
Microcistos agrupados
O que saber
Definição
Cacho de cistos anecoicos de 2 a 3 mm com septos finos de menos de 0,5 mm, sem componente sólido · margem circunscrita ou microlobulada, nunca indistinta · pode ter nível líquido-debris
Mamografia
Massa oval ou redonda, circunscrita ou microlobulada
Risco
1 câncer em 526 em 7 séries (0,2%)
Evolução
Cerca de 3/4 estáveis; o resto some ou diminui
BI-RADS 2
Aspecto típico (a harmônica ajuda a provar)
BI-RADS 3
Pequeno ou fundo (mais de 3 cm da pele), quando não dá para ter certeza: controle em 6 meses
BI-RADS 4
Margem indistinta ou angular, componente sólido, calcificação suspeita na mamografia, mudança suspeita no seguimento
Microcistos agrupados, mulher de 52 anos
Radial: cacho de microcistos sem parte sólida.Antirradial.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 12. Ver artigo
Microcistos agrupados, mulher de 24 anos com dor
Microcistos de 2 a 3 mm às 12 horas da mama esquerda.6 meses depois: menores.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 13. Ver artigo
Microcistos agrupados benignos no US de rastreamento, mulher de 57 anos
Cacho típico.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 12. Ver artigo
O falso microcisto, mulher de 38 anos de alto risco com implante
US 6 meses depois: a lesão chamada de microcistos cresceu e ganhou vascularização.Biópsia por agulha grossa: carcinoma in situ.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 13. Ver artigo
Massa complexa cística e sólida
Padrão
O que é
Parede grossa
0,5 mm ou mais
Septos grossos
0,5 mm ou mais
Massa intracística ou mural
Nódulo na parede
Misto
Partes sólida e cística (o tipo com mais câncer)
Carcinoma ductal invasivo, mulher de 58 anos com massa palpável
Massa irregular de espaços anecoicos e hipoecogênicos com septos grossos e provável parte sólida.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 14. Ver artigo
Parede e septos grossos, mulher de 56 anos com massa palpável
Massa complexa com parede e septos de 0,5 mm ou mais. A biópsia deu papiloma com atipia; a cirurgia, carcinoma papilífero encapsulado com invasão.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 16. Ver artigo
BI-RADS 4 e biópsia: 22 a 43% são malignas. Pior se a margem é angular, indistinta ou
microlobulada e a parede é grossa e irregular.
Diferencial
Pista
Papiloma intraductal
Massa oval hipoecogênica dentro do ducto ou do cisto, com pedículo vascular · pode ter atipia ou carcinoma in situ
Carcinoma papilífero
Componente sólido vascularizado · grande, irregular, com nódulos vasculares na parede: provavelmente invasivo
Carcinoma necrótico
Alto grau, medular · a parte cística pode ser necrose
Abscesso, mastite
Calor, rubor, edema · coleção de parede grossa · o crônico parece sólido
Necrose gordurosa, hematoma, seroma
Trauma, biópsia ou cirurgia no lugar · a mamografia (gordura, cisto oleoso) pode dispensar a biópsia
Cisto roto ou inflamado, alteração fibrocística
Benignos que imitam: seguir até sumir quando a clínica explica
Carcinoma in situ num papiloma, mulher de 50 anos
US: massa complexa.Doppler: parte sólida vascularizada; a biópsia do nódulo mural deu carcinoma in situ de baixo grau.RM T1 com supressão de gordura: parte cística hemorrágica (hipersinal).T2 com supressão de gordura.Subtração com contraste: a parte sólida realça.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 17. Ver artigo
Carcinoma ductal invasivo com necrose central, mulher de 45 anos
US: massa oval complexa cística e sólida.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 18. Ver artigo
Abscesso, mulher de 38 anos com massa palpável
US: massa complexa com parede grossa excêntrica.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 15. Ver artigo
Necrose gordurosa, 1 ano depois de cirurgia conservadora e radioterapia
US: massa complexa oval circunscrita com septos grossos.MLO: massa circunscrita com densidade de gordura. Sem intervenção.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 19. Ver artigo
Mastite infecciosa na lactação
Mudança difusa da ecogenicidade.Forma focal, que imita lesão não nodular.Abscessos: coleções de parede grossa; o da direita cresceu Staphylococcus aureus na punção.
Fonte: Lauar MCV, Merigue G, Dias LF, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240161, apresentação, slide 43. Ver artigo
a punção e a biópsiaAspiração: líquido típico (turvo amarelado, verde-escuro) que esvazia o cisto vai fora, sem
citologia (o laudo poderia dar falso positivo) · líquido com sangue vai para citologia · pus
para cultura · sem massa residual, deixe um clipe. Biópsia por agulha grossa: mire o
componente sólido, porque a parte cística pode ser só necrose; resultado discordante pede nova
biópsia ou cirurgia.
Biópsia de massa complexa, mulher de 52 anos
Massa complexa, BI-RADS 4.Durante a biópsia: a agulha no componente sólido. Carcinoma papilífero in situ.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 21. Ver artigo
BI-RADS 3: regras gerais
BI-RADS 3 é provavelmente benigno: chance de câncer de até 2%, maior que o quase 0% do achado
tipicamente benigno. Serve para poupar biópsia sem perder câncer, e foi validado para mamografia e
US. A frequência de uso vai de 1,2 a 9,8% (até 14%); vale auditar.
Seguimento
O que fazer
Intervalos
6, 12 e 24 meses (alguns até 36) · aos 12 e 24, bilateral, junto com o rastreamento
Estável
Vira BI-RADS 2
Diminuiu ou sumiu
2 ou 1 antes do fim
Cresceu
Mais de 20% no US, ou qualquer mudança suspeita de forma: BI-RADS 4 e biópsia
Adesão
Baixa (29% num estudo grande): muitos cânceres de BI-RADS 3 aparecem até o controle de 6 meses, e quem não volta perde o diagnóstico
O cisto que cresceu, mulher de 51 anos
CC: massa oval circunscrita subcentimétrica.US: chamada de cisto complicado, BI-RADS 3.Controle: maior.US do controle: maior; foi indicado outro controle de 6 meses, o erro.Depois: maior e palpável.US: carcinoma triplo-negativo.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 4. Ver artigo
quando não usar BI-RADS 3No rastreamento (primeiro a avaliação diagnóstica completa: ampliação para calcificações, US
para massa e assimetria). Para escolher entre 2 e 4: achado tipicamente benigno é 2, e achado com
qualquer traço suspeito é 4. Achado novo ou que cresce. Com cautela: alto risco (BRCA: mutação nos genes de suscetibilidade hereditária ao câncer de mama e de ovário), mais de
60 anos (sobretudo com câncer prévio), cisto que cresce (o triplo-negativo imita cisto), gestante e
lactante, pré-operatório, transplante, homem (na prática, não se usa 3 no homem). Paciente ansiosa:
o 3 pode vir com recomendação de biópsia, sem rebaixar a avaliação para 4.
Hematoma, mulher de 73 anos em uso de anticoagulante, com massa palpável
CC: assimetria focal no local palpável.US: massa com halo ecogênico, provável hematoma. Diminuiu em 3 semanas: BI-RADS 2.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 1. Ver artigo
O que o 3 mal usado custa, mulher de 43 anos com massa palpável
US: massa irregular chamada de tecido fibroso focal; indicado controle em 6 meses.MLO: mama extremamente densa, sem correlato.RM 2 anos depois: ulceração da pele, massa maior, realce não nodular extenso e metástase hepática.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 2. Ver artigo
Calcificações segmentares chamadas de 3, mulher de 41 anos com BRCA1
Perfil: calcificações em distribuição segmentar.RM: sem correlato.Ampliação. Estereotaxia: carcinoma in situ de alto grau.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 3. Ver artigo
BI-RADS 3 na mamografia
Achado validado (exame inicial)
Exigências
Massa sólida circunscrita sem cálcio
Vista em duas incidências, pelo menos 75% da margem visível, não palpável · compressão localizada ou ampliação, US e, se a margem estiver encoberta, tomossíntese
Grupo único de calcificações redondas
5 ou mais em 1 cm (ou grupo maior até 2 cm), de 1 mm a puntiformes · ampliação e perfil a 90° · nova, aumentando, linear ou segmentar: suspeita
Assimetria focal
Não palpável, mesma forma nas duas incidências, menos de um quadrante, sem distorção, cálcio ou massa depois da avaliação completa (0,5 a 1% de câncer) · com correlato no US: biópsia
Massa circunscrita no rastreamento, mulher de 60 anos
MLO: massa oval circunscrita não palpável.CC.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 5. Ver artigo
Grupo único de calcificações redondas
Ampliação.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 6. Ver artigo
Assimetria focal, mulher de 44 anos
CC: assimetria focal no quadrante superolateral (círculo).MLO (círculo).US: sem massa nem sombra.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 7. Ver artigo
Calcificações depois de lumpectomia, mulher de 79 anos
Ampliação: calcificações novas.6 meses: distribuição em anel.12 meses: necrose gordurosa.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 8. Ver artigo
Por opinião de especialistas também: calcificações vasculares em formação, necrose gordurosa,
hematoma (controle em 4 a 6 semanas), linfonodos intramamários e axilares baixos. A tomossíntese
reduziu o uso de BI-RADS 3 em 14 a 30%.
BI-RADS 3 no US
Achado
Detalhe
Massa sólida oval, paralela, circunscrita
Em geral fibroadenoma · câncer em até 2%, e quem é achado no controle não tem estádio pior · acima de 60 anos o risco passa de 2% (2,1% aos 60, 3,4% aos 70, 5,1% aos 80) · junto de um câncer de mama conhecido, 9,6% eram malignos
Massas circunscritas nas duas mamas (ao menos uma em cada)
BI-RADS 2, conferindo cada uma em tempo real
Massa palpável de aspecto benigno em mulher jovem
Aceita 3 (0,3% de câncer numa série; 81% fibroadenomas)
Cisto complicado isolado
Ecos baixos uniformes, sem parte sólida · o Doppler de amplitude pode mostrar o debris se mexendo
Microcistos agrupados pequenos ou fundos
Típicos são 2
Outros
Hematoma, necrose gordurosa (controle em 4 a 12 semanas), distorção de cicatriz cirúrgica com história, linfonodo depois de vacina
Massa sólida oval, paralela e circunscrita
O aspecto típico do fibroadenoma no US.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 9. Ver artigo
Fibroadenoma que dobrou de tamanho, mulher de 21 anos
Massa oval circunscrita de 1,1 cm.6 meses depois: 2,1 cm. Fibroadenoma.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 14. Ver artigo
O falso cisto complicado, mulher de 74 anos com câncer na outra mama
Tomossíntese: massa oval circunscrita.US: massa oval com ecos baixos uniformes, chamada de cisto complicado.8 meses depois: massa irregular, indistinta.US: massa irregular angular. Carcinoma ductal invasivo triplo-negativo.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 10. Ver artigo
Hematoma e necrose gordurosa, mulher de 58 anos com trauma recente
US: massa hiperecogênica com centro hipoecogênico no quadrante superomedial, fora do campo da mamografia. Controle em 4 a 6 semanas.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 15. Ver artigo
Cresceu no controle
Câncer
Crescimento sem mudança de forma
Cerca de 2 a 4%
Crescimento com mudança de forma ou traço suspeito
17 a 38%
+ complemento · linfonodo depois da vacina
Num estudo, 44% das vacinadas contra a covid-19 tiveram linfonodo axilar aumentado. Pelo consenso
das sociedades: risco habitual, achado no rastreamento sem mais nada, BI-RADS 2; se for seguir, US
12 semanas depois (antes disso o linfonodo ainda está lá em muitas); risco alto, US em 12 semanas;
risco mais alto, biópsia. Fora desse contexto, linfonodo axilar unilateral isolado sem infecção é
BI-RADS 4.
Linfonodo depois da vacina contra a covid-19
Espessamento cortical concêntrico leve, hilo gorduroso preservado.Controle: normalizou.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 16. Ver artigo
BI-RADS 3 na RM
Na RM o uso ainda é intuitivo: o BI-RADS 5ª edição não definiu critérios, e metade dos estudos
passa de 2% de câncer na categoria 3. Pese a indicação (rastreamento de alto risco é diferente de
extensão de câncer conhecido) e procure correlato no US: se houver e ele preencher critério de 3,
siga pelo US.
Achado na RM
Conduta
Massa oval, circunscrita, com hipersinal em T2 e septos internos sem realce, incidental no primeiro exame
BI-RADS 3 aceitável (fibroadenoma)
Massa redonda
Mais câncer que a oval: cautela
Massa nova ou que cresce
Biópsia
Hipersinal em T2 sozinho
Não basta: mucinoso, triplo-negativo, papilífero, medular também brilham
Realce não nodular focal ou regional, homogêneo, cinética persistente
Proposto como 3, mas os dados ainda não sustentam · heterogêneo, agrupado ou com lavagem: nunca 3
Foco com hipossinal em T2, novo ou crescendo
VPP (valor preditivo positivo) de 20 a 30%: biópsia
Realce hormonal suspeito
Repetir em 2 a 3 meses, entre o 7º e o 14º dia do ciclo
RM para tirar dúvida de achado 4
Não rebaixa para 3
Realce de fundo moderado no rastreamento de alto risco, mulher de 48 anos
T1 com contraste e supressão de gordura.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 17. Ver artigo
Realce não nodular focal chamado de 3
Projeção de intensidade máxima: realce não nodular focal.Em outra fase do ciclo: sumiu.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 18. Ver artigo
Massa junto do implante
Subtração: massa oval circunscrita que realça.T2 com supressão de gordura: hipersinal.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 19. Ver artigo
Hipersinal em T2 que era câncer, mulher de 30 anos com fibroadenomas prévios
T2 com supressão de gordura: massa com hipersinal homogêneo.T1 com contraste: realce heterogêneo. Carcinoma mucinoso invasivo.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 20. Ver artigo
Rastreamento de alto risco, mulher de 60 anos
T2: hipersinal (seta).T1 com contraste: achado chamado de 3 (seta).Projeção de intensidade máxima. Cresceu: BI-RADS 4, papiloma sem atipia.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 21. Ver artigo
Foco chamado de 3, mulher de 56 anos com dor focal
Projeção de intensidade máxima: foco (seta).Com mapa de cor: cinética em platô. Reclassificado; carcinoma in situ de grau intermediário.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 22. Ver artigo
Pontos de prova: alto rendimento
Ganho
Gordura em cinza médio
Frequência alta em mama densa
Simula lesão não nodular
Foco
No centro da lesão
Harmônica
Tira ecos falsos do cisto
Composição espacial
Reduz o reforço posterior
Fluxo dentro
É sólido
Sem fluxo
Não prova cisto
Cisto simples
Anecoico, parede imperceptível, reforço · 2
Septo fino
< 0,5 mm
Imitador
Carcinoma de alto grau, triplo-negativo
Cisto < 8 mm fundo
Difícil de caracterizar
Cisto complicado
Não anecoico · 0,3% câncer
Ecos móveis, nível
BI-RADS 2
Bilaterais (≥ 3)
BI-RADS 2
Complicado isolado
BI-RADS 3
Microcistos
2–3 mm · 0,2% · BI-RADS 2
Microcisto fundo (> 3 cm)
BI-RADS 3
Complexo cístico-sólido
4 · 22–43%
Biópsia
Mire a parte sólida
Líquido com sangue
Citologia
BI-RADS 3
≤ 2% · 6, 12, 24 meses
Cresceu > 20%
BI-RADS 4
Rastreamento
Nunca 3
Mamografia: massa
≥ 75% da margem visível
Mamografia: cálcio
Grupo único, redondas, ≥ 5 em 1 cm
Assimetria focal
0,5–1% · sem correlato no US
US: massa oval paralela
Fibroadenoma · > 60 anos, cautela
Vacina
US em 12 semanas
RM
Sem critérios formais · fibroadenoma típico
Foco T2 escuro novo
Biópsia
Homem
Sem BI-RADS 3
Armadilhas e erros comuns
Erros
Ganho alto que transforma cisto em sólido (ou coleção em abscesso)
Ganho baixo que transforma câncer em cisto
Chamar de cisto a massa anecoica com fluxo dentro
Medir todos os cistos de uma mama cheia deles
Biopsiar a parte cística de uma massa complexa
Dar BI-RADS 3 no rastreamento
Usar o 3 para fugir da escolha entre 2 e 4
Seguir como 3 uma massa que cresceu
Usar a RM para rebaixar um achado suspeito
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1
Ao US, uma coleção pós-operatória aparece isoecogênica e é chamada de abscesso. A aspiração não mostra infecção. Qual ajuste técnico provavelmente estava errado?
O ganho deve deixar a gordura subcutânea em cinza médio. Com ganho excessivo, o líquido ganha ecos e parece conteúdo denso, simulando abscesso (ou fazendo um cisto parecer sólido). Com ganho baixo, o erro é o oposto: o sólido hipoecogênico parece anecoico.
Massa redonda, quase anecoica, com reforço posterior, numa mulher de 44 anos. Qual achado obriga a pensar em câncer?
Cisto não tem fluxo dentro: fluxo numa massa que parece anecoica quer dizer que ela é sólida. Carcinomas de alto grau (triplo-negativo, medular) podem parecer anecoicos e ter reforço posterior. Septo de menos de 0,5 mm, cistos bilaterais e variação com o ciclo são de cisto benigno.
Cisto com nível líquido-debris que se move com a mudança de decúbito, sem parte sólida. A categoria é:
Cisto complicado com ecos móveis, nível líquido-debris ou refletor que cintila é BI-RADS 2 (nas séries, 0,3% de câncer). BI-RADS 3 fica para o cisto complicado isolado com ecos baixos e uniformes, sobretudo pequeno ou fundo, que pode ser sólido.
Na biópsia por agulha grossa de uma massa complexa cística e sólida, deve-se:
A parte cística pode ser só necrose; o diagnóstico está no componente sólido. A massa complexa é BI-RADS 4 (22 a 43% malignas). Resultado discordante pede nova biópsia ou cirurgia.
O grupo único de calcificações redondas confirmado com ampliação e perfil é um dos achados validados na mamografia. Não se dá 3 no rastreamento (antes vem a avaliação completa), nem a achado que cresceu ou tem traço suspeito, e distribuição linear ou segmentar é suspeita.
Massa sólida oval, paralela e circunscrita no US. Em qual paciente o BI-RADS 3 merece mais cautela?
O risco da massa oval circunscrita passa de 2% acima dos 60 anos (3,4% aos 70) e sobe com achado mamográfico novo: aí a biópsia é a opção mais segura. Em jovens a massa palpável de aspecto benigno aceita 3, massas parecidas nas duas mamas são 2, e estável há 2 anos já é 2.
Fontes.
Lauar MCV, Merigue G, Dias LF, et al. Breast US: Guide for Beginners. RadioGraphics
2025;45(1):e240161. doi:10.1148/rg.240161 (artigo e apresentação de slides)
Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. Cystic Breast Lesions: Diagnostic Approach and US Assessment.
RadioGraphics 2025;45(5):e240179. doi:10.1148/rg.240179
Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. Understanding BI-RADS Category 3. RadioGraphics
2025;45(1):e240169. doi:10.1148/rg.240169
Onde as fontes dão números diferentes (frequência do transdutor, risco dos microcistos), o caderno
fica com o mais conservador ou dá a faixa. Conferido em 07/10/2026.
Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das mesmas
fontes.