Cadernos QRad 58 · US de Mama, Cistos e BI-RADS 3
Mama · ultrassom

US de Mama, Cistos e BI-RADS 3

Fontes: Lauar et al., Lim et al. e Fazeli et al: 2025, RadioGraphics

O exame que depende de quem faz

O US de mama é interativo e depende do operador: o mesmo cisto vira "massa sólida" com o ganho alto, e o mesmo câncer vira "cisto" com o ganho baixo. Este caderno junta três peças: a técnica, as quatro categorias de lesão cística do BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System) e o uso certo da categoria 3 (provavelmente benigno) na mamografia, no US e na RM.

Categoria císticaComo éBI-RADS
Cisto simplesAnecoico, circunscrito, parede imperceptível, reforço posterior2
Cisto complicadoTudo do simples, mas não é anecoico (ecos, debris)2 ou 3
Microcistos agrupadosCachos de cistos de 2 a 3 mm com septos de menos de 0,5 mm2 (3 se pequeno ou fundo)
Massa complexa cística e sólidaParte anecoica e parte ecogênica (sólida)4

Técnica do US mamário

ItemComo fazer
TransdutorLinear de alta resolução, banda larga, frequência central de pelo menos 10 a 12 MHz (12 a 18 MHz é o comum)
PosiçãoDecúbito dorsal com o braço do lado acima da cabeça · oblíquo lateral para a parte lateral e a axila de mamas grandes: a área de interesse no alto do tórax, para o tecido escorrer e afinar
VarreduraDuas incidências ortogonais (radial e antirradial, ou transversal e longitudinal), os quatro quadrantes, a periferia e a drenagem linfática
GanhoGordura subcutânea em cinza médio em todas as profundidades · alto demais: o cisto parece sólido, a coleção parece abscesso · baixo demais: o sólido hipoecogênico parece anecoico
FrequênciaAlta para quase todas · mama grande: frequência menor ou mais compressão · frequência alta em mama densa simula lesão não nodular
ProfundidadeAté o peitoral, sem pleura e pulmão à toa · campo grande demais apaga as margens · panorâmica para lesão grande
FocoNo terço anterior na varredura; no centro da lesão ao analisá-la
CompressãoLocalizada: desfaz "massas" e "lesões não nodulares" que eram tecido fibroglandular
Ganho, mulher de 43 anos com coleção 45 dias depois de cirurgia estética
Ganho adequado: o líquido é hipoecogênico.
Ganho adequado: o líquido é hipoecogênico.
Ganho excessivo: o líquido fica isoecogênico e parece abscesso. A punção não teve crescimento bacteriano.
Ganho excessivo: o líquido fica isoecogênico e parece abscesso. A punção não teve crescimento bacteriano.
Fonte: Lauar MCV, Merigue G, Dias LF, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240161, apresentação, slide 11. Ver artigo
Frequência
Aparente lesão não nodular hipoecogênica.
Aparente lesão não nodular hipoecogênica.
Com a frequência adequada, a mesma região é parênquima normal.
Com a frequência adequada, a mesma região é parênquima normal.
Fonte: Lauar MCV, Merigue G, Dias LF, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240161, apresentação, slide 13. Ver artigo
Ajuste de vários parâmetros, a mesma coleção pós-operatória
A coleção.
A coleção.
Com 18 MHz, foco superficial e mais profundidade: um trajeto até a pele.
Com 18 MHz, foco superficial e mais profundidade: um trajeto até a pele.
Fonte: Lauar MCV, Merigue G, Dias LF, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240161, apresentação, slide 17. Ver artigo
RecursoGanhaPerde
HarmônicaTira a reverberação superficial e os ecos falsos dentro do cisto · margem e sombra mais nítidas · ajuda a provar microcistosPenetração e resolução axial
Composição espacialMenos artefato, margens laterais melhores, cistos pequenos mais clarosO reforço posterior fica menos aparente
Doppler coloridoPresença, velocidade média e direção do fluxoMenos sensível a fluxo lento
Doppler de amplitude (power)Mais sensível a fluxo lento e vasos pequenosSem direção nem velocidade
ElastografiaCâncer é mais duro · o artefato em "olho de boi" (borda rígida, dois pontos moles: central e posterior) de alguns aparelhos de compressão é de cisto benignoO olho de boi não aparece no shear wave
Harmônica, mulher de 50 anos
Mamografia de rastreamento: massa irregular espiculada.
Mamografia de rastreamento: massa irregular espiculada.
US dirigido (à esquerda) e com harmônica (à direita), que melhora a margem e o tecido em volta. Carcinoma ductal invasivo grau 3.
US dirigido (à esquerda) e com harmônica (à direita), que melhora a margem e o tecido em volta. Carcinoma ductal invasivo grau 3.
Fonte: Lauar MCV, Merigue G, Dias LF, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240161, apresentação, slide 12. Ver artigo
Cisto simples, mulher de 39 anos
Reverberação na parte anterior do cisto.
Reverberação na parte anterior do cisto.
Com harmônica: menos ecos no campo próximo e reforço posterior mais evidente.
Com harmônica: menos ecos no campo próximo e reforço posterior mais evidente.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 3. Ver artigo
o Doppler no cisto Cisto não tem fluxo dentro; pode haver fluxo em volta, e às vezes artefato na borda. Fluxo dentro de uma massa "anecoica" quer dizer que ela é sólida: câncer de alto grau e linfonodo metastático podem parecer anecoicos. Mas a falta de fluxo não prova cisto, e a sobreposição de padrões de Doppler entre benigno e maligno é grande.
Doppler de amplitude, mulher de 46 anos
Mamografia: massa oval densa, de margem obscurecida.
Mamografia: massa oval densa, de margem obscurecida.
US: massa redonda, circunscrita e homogênea.
US: massa redonda, circunscrita e homogênea.
Doppler de amplitude: fluxo aumentado. Carcinoma ductal invasivo triplo-negativo grau 3.
Doppler de amplitude: fluxo aumentado. Carcinoma ductal invasivo triplo-negativo grau 3.
Fonte: Lauar MCV, Merigue G, Dias LF, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240161, apresentação, slide 20. Ver artigo
Câncer que parece cisto, mulher de 44 anos com massa palpável
Massa redonda de aspecto anecoico com reforço posterior.
Massa redonda de aspecto anecoico com reforço posterior.
Doppler colorido: vascularização aumentada.
Doppler colorido: vascularização aumentada.
Elastografia (vermelho mole, azul duro): massa dura com margem em parte indistinta. Carcinoma medular triplo-negativo.
Elastografia (vermelho mole, azul duro): massa dura com margem em parte indistinta. Carcinoma medular triplo-negativo.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 4. Ver artigo

Cisto simples

O cisto é a alteração não proliferativa mais comum da mama, com pico entre 35 e 50 anos (hormonal: some depois da menopausa, a não ser com reposição). No estudo ACRIN (American College of Radiology Imaging Network) 6666 (mama densa, risco aumentado), 47,1% das mulheres tiveram cisto simples em 3 anos, metade delas nas duas mamas. Varia com o ciclo, e mais da metade dos cistos novos regride em 1 ano.

Critério do cisto simplesDetalhe
Circunscrito, redondo ou ovalMargem toda nítida
AnecoicoAjuste o ganho antes de chamar de anecoico
Parede fina, imperceptívelSepto fino (cisto lobulado ou dois cistos encostados) de menos de 0,5 mm
Reforço acústico posteriorPode ser sutil no cisto pequeno junto do peitoral
Sem fluxo dentroPode haver fluxo em volta
Cisto simples, mulher de 62 anos
US: lesão oval circunscrita anecoica com reforço posterior.
US: lesão oval circunscrita anecoica com reforço posterior.
RM T2 com supressão de gordura: hipersinal.
RM T2 com supressão de gordura: hipersinal.
T1 com contraste: sem realce.
T1 com contraste: sem realce.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 2. Ver artigo
Septo fino, mulher de 56 anos
Radial: cisto simples com septo de menos de 0,5 mm.
Radial: cisto simples com septo de menos de 0,5 mm.
Antirradial.
Antirradial.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 5. Ver artigo
o câncer que imita cisto Cisto de menos de 8 mm, sobretudo fundo, é difícil de caracterizar. Sólido muito hipoecogênico parece anecoico, e sólido homogêneo, inclusive carcinoma de alto grau (triplo-negativo, medular), também tem reforço posterior. Quase todo câncer que imita cisto tem ao menos um trecho de margem indistinta, parede grossa ou fluxo dentro.
Carcinoma ductal invasivo triplo-negativo, mulher de 43 anos com massa palpável
Massa quase anecoica com reforço posterior, que imita cisto, mas com margem em parte indistinta.
Massa quase anecoica com reforço posterior, que imita cisto, mas com margem em parte indistinta.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 6. Ver artigo
MétodoCisto simples
MamografiaMassa circunscrita · massas circunscritas múltiplas e bilaterais (pelo menos 3, uma em cada mama) no rastreamento são, em geral, cistos: benignas · cálcio em anel na parede, cálcio que sedimenta
RMHipersinal em T2, hipossinal em T1, sem realce · realce fino e uniforme da borda por inflamação em volta continua benigno
LaudoNão precisa medir todos · com vários, a localização e o tamanho do maior de cada mama
CondutaBI-RADS 2 e rastreamento de rotina · aspiração só se doer ou for muito grande
Cistos múltiplos, mulher de 44 anos
CC (craniocaudal) bilateral: várias massas de margem obscurecida.
CC (craniocaudal) bilateral: várias massas de margem obscurecida.
1 ano depois: os cistos mudaram em tamanho e número.
1 ano depois: os cistos mudaram em tamanho e número.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 7. Ver artigo
Cisto simples na RM de estadiamento, mulher de 43 anos
US: reverberação paralela à parede anterior.
US: reverberação paralela à parede anterior.
T2 com supressão de gordura: massa oval com hipersinal.
T2 com supressão de gordura: massa oval com hipersinal.
Subtração com contraste: realce fino e uniforme da borda, ainda benigno.
Subtração com contraste: realce fino e uniforme da borda, ainda benigno.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 8. Ver artigo

Cisto complicado

Cumpre todos os critérios do cisto simples, menos um: não é anecoico. O conteúdo é debris (proteína, leite, gordura, pus, sangue). Em 8 séries, só 4 de 1.526 cistos complicados (0,3%) eram câncer.

SituaçãoBI-RADS
Ecos móveis, nível líquido-debris ou refletor ecogênico que cintila em tempo real2
Vários cistos complicados nas duas mamas (pelo menos 3, um em cada), ou junto de vários cistos simples2, seguimento de rotina
Cisto complicado isolado com ecos baixos e uniformes (sobretudo pequeno ou fundo)3 (na aspiração, 12,4% dos "cistos complicados" eram sólidos)
Fluxo, parede grossa ou irregular, nódulo mural, mudança de tamanho4
Cistos complicados, mulher de 49 anos com dor
MLO (mediolateral oblíqua): massas de margem obscurecida.
MLO (mediolateral oblíqua): massas de margem obscurecida.
Cisto oval com refletores ecogênicos móveis (setas).
Cisto oval com refletores ecogênicos móveis (setas).
Nível líquido-debris (ponta de seta).
Nível líquido-debris (ponta de seta).
O nível muda de lugar com o decúbito (ponta de seta).
O nível muda de lugar com o decúbito (ponta de seta).
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 9. Ver artigo
Cistos simples e complicados, mulher de 46 anos
CC bilateral: várias massas.
CC bilateral: várias massas.
US: cistos simples e um complicado ao lado, com ecos baixos homogêneos (seta).
US: cistos simples e um complicado ao lado, com ecos baixos homogêneos (seta).
Mais cistos.
Mais cistos.
Nível líquido-debris (pontas de seta).
Nível líquido-debris (pontas de seta).
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 10. Ver artigo
Cistos complicados na RM, mulher de 47 anos com câncer na outra mama
T2 com supressão de gordura: várias massas com hipersinal (seta).
T2 com supressão de gordura: várias massas com hipersinal (seta).
T1 com supressão de gordura: sinal diferente em dois cistos encostados (seta, ponta de seta).
T1 com supressão de gordura: sinal diferente em dois cistos encostados (seta, ponta de seta).
Subtração com contraste: sem realce.
Subtração com contraste: sem realce.
US: os dois cistos complicados encostados.
US: os dois cistos complicados encostados.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 11. Ver artigo
Cisto complicado isolado e fundo, mulher de 64 anos com mamas densas
BI-RADS 3; ficou estável no seguimento.
BI-RADS 3; ficou estável no seguimento.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 11. Ver artigo

Na RM, o cisto hemorrágico ou proteico tem hipersinal em T1 e hipossinal em T2. Num estudo, 183 cistos complicados em mulheres na pós-menopausa foram todos benignos: a idade, sozinha, não muda a conduta. Aspiração é opcional, para o sintomático ou na dúvida.

Microcistos agrupados

Dilatação dos ácinos de uma unidade ductolobular terminal (alteração fibrocística, metaplasia apócrina). Aparecem em até 6% dos exames de US, mais na perimenopausa.

Microcistos agrupadosO que saber
DefiniçãoCacho de cistos anecoicos de 2 a 3 mm com septos finos de menos de 0,5 mm, sem componente sólido · margem circunscrita ou microlobulada, nunca indistinta · pode ter nível líquido-debris
MamografiaMassa oval ou redonda, circunscrita ou microlobulada
Risco1 câncer em 526 em 7 séries (0,2%)
EvoluçãoCerca de 3/4 estáveis; o resto some ou diminui
BI-RADS 2Aspecto típico (a harmônica ajuda a provar)
BI-RADS 3Pequeno ou fundo (mais de 3 cm da pele), quando não dá para ter certeza: controle em 6 meses
BI-RADS 4Margem indistinta ou angular, componente sólido, calcificação suspeita na mamografia, mudança suspeita no seguimento
Microcistos agrupados, mulher de 52 anos
Radial: cacho de microcistos sem parte sólida.
Radial: cacho de microcistos sem parte sólida.
Antirradial.
Antirradial.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 12. Ver artigo
Microcistos agrupados, mulher de 24 anos com dor
Microcistos de 2 a 3 mm às 12 horas da mama esquerda.
Microcistos de 2 a 3 mm às 12 horas da mama esquerda.
6 meses depois: menores.
6 meses depois: menores.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 13. Ver artigo
Microcistos agrupados benignos no US de rastreamento, mulher de 57 anos
Cacho típico.
Cacho típico.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 12. Ver artigo
O falso microcisto, mulher de 38 anos de alto risco com implante
US 6 meses depois: a lesão chamada de microcistos cresceu e ganhou vascularização.
US 6 meses depois: a lesão chamada de microcistos cresceu e ganhou vascularização.
Biópsia por agulha grossa: carcinoma in situ.
Biópsia por agulha grossa: carcinoma in situ.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 13. Ver artigo

Massa complexa cística e sólida

PadrãoO que é
Parede grossa0,5 mm ou mais
Septos grossos0,5 mm ou mais
Massa intracística ou muralNódulo na parede
MistoPartes sólida e cística (o tipo com mais câncer)
Carcinoma ductal invasivo, mulher de 58 anos com massa palpável
Massa irregular de espaços anecoicos e hipoecogênicos com septos grossos e provável parte sólida.
Massa irregular de espaços anecoicos e hipoecogênicos com septos grossos e provável parte sólida.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 14. Ver artigo
Parede e septos grossos, mulher de 56 anos com massa palpável
Massa complexa com parede e septos de 0,5 mm ou mais. A biópsia deu papiloma com atipia; a cirurgia, carcinoma papilífero encapsulado com invasão.
Massa complexa com parede e septos de 0,5 mm ou mais. A biópsia deu papiloma com atipia; a cirurgia, carcinoma papilífero encapsulado com invasão.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 16. Ver artigo

BI-RADS 4 e biópsia: 22 a 43% são malignas. Pior se a margem é angular, indistinta ou microlobulada e a parede é grossa e irregular.

DiferencialPista
Papiloma intraductalMassa oval hipoecogênica dentro do ducto ou do cisto, com pedículo vascular · pode ter atipia ou carcinoma in situ
Carcinoma papilíferoComponente sólido vascularizado · grande, irregular, com nódulos vasculares na parede: provavelmente invasivo
Carcinoma necróticoAlto grau, medular · a parte cística pode ser necrose
Abscesso, mastiteCalor, rubor, edema · coleção de parede grossa · o crônico parece sólido
Necrose gordurosa, hematoma, seromaTrauma, biópsia ou cirurgia no lugar · a mamografia (gordura, cisto oleoso) pode dispensar a biópsia
Cisto roto ou inflamado, alteração fibrocísticaBenignos que imitam: seguir até sumir quando a clínica explica
Carcinoma in situ num papiloma, mulher de 50 anos
US: massa complexa.
US: massa complexa.
Doppler: parte sólida vascularizada; a biópsia do nódulo mural deu carcinoma in situ de baixo grau.
Doppler: parte sólida vascularizada; a biópsia do nódulo mural deu carcinoma in situ de baixo grau.
RM T1 com supressão de gordura: parte cística hemorrágica (hipersinal).
RM T1 com supressão de gordura: parte cística hemorrágica (hipersinal).
T2 com supressão de gordura.
T2 com supressão de gordura.
Subtração com contraste: a parte sólida realça.
Subtração com contraste: a parte sólida realça.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 17. Ver artigo
Carcinoma ductal invasivo com necrose central, mulher de 45 anos
US: massa oval complexa cística e sólida.
US: massa oval complexa cística e sólida.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 18. Ver artigo
Abscesso, mulher de 38 anos com massa palpável
US: massa complexa com parede grossa excêntrica.
US: massa complexa com parede grossa excêntrica.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 15. Ver artigo
Necrose gordurosa, 1 ano depois de cirurgia conservadora e radioterapia
US: massa complexa oval circunscrita com septos grossos.
US: massa complexa oval circunscrita com septos grossos.
MLO: massa circunscrita com densidade de gordura. Sem intervenção.
MLO: massa circunscrita com densidade de gordura. Sem intervenção.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 19. Ver artigo
Mastite infecciosa na lactação
Mudança difusa da ecogenicidade.
Mudança difusa da ecogenicidade.
Forma focal, que imita lesão não nodular.
Forma focal, que imita lesão não nodular.
Abscessos: coleções de parede grossa; o da direita cresceu Staphylococcus aureus na punção.
Abscessos: coleções de parede grossa; o da direita cresceu Staphylococcus aureus na punção.
Fonte: Lauar MCV, Merigue G, Dias LF, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240161, apresentação, slide 43. Ver artigo
a punção e a biópsia Aspiração: líquido típico (turvo amarelado, verde-escuro) que esvazia o cisto vai fora, sem citologia (o laudo poderia dar falso positivo) · líquido com sangue vai para citologia · pus para cultura · sem massa residual, deixe um clipe. Biópsia por agulha grossa: mire o componente sólido, porque a parte cística pode ser só necrose; resultado discordante pede nova biópsia ou cirurgia.
Biópsia de massa complexa, mulher de 52 anos
Massa complexa, BI-RADS 4.
Massa complexa, BI-RADS 4.
Durante a biópsia: a agulha no componente sólido. Carcinoma papilífero in situ.
Durante a biópsia: a agulha no componente sólido. Carcinoma papilífero in situ.
Fonte: Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. RadioGraphics 2025;45(5):e240179, Fig. 21. Ver artigo

BI-RADS 3: regras gerais

BI-RADS 3 é provavelmente benigno: chance de câncer de até 2%, maior que o quase 0% do achado tipicamente benigno. Serve para poupar biópsia sem perder câncer, e foi validado para mamografia e US. A frequência de uso vai de 1,2 a 9,8% (até 14%); vale auditar.

SeguimentoO que fazer
Intervalos6, 12 e 24 meses (alguns até 36) · aos 12 e 24, bilateral, junto com o rastreamento
EstávelVira BI-RADS 2
Diminuiu ou sumiu2 ou 1 antes do fim
CresceuMais de 20% no US, ou qualquer mudança suspeita de forma: BI-RADS 4 e biópsia
AdesãoBaixa (29% num estudo grande): muitos cânceres de BI-RADS 3 aparecem até o controle de 6 meses, e quem não volta perde o diagnóstico
O cisto que cresceu, mulher de 51 anos
CC: massa oval circunscrita subcentimétrica.
CC: massa oval circunscrita subcentimétrica.
US: chamada de cisto complicado, BI-RADS 3.
US: chamada de cisto complicado, BI-RADS 3.
Controle: maior.
Controle: maior.
US do controle: maior; foi indicado outro controle de 6 meses, o erro.
US do controle: maior; foi indicado outro controle de 6 meses, o erro.
Depois: maior e palpável.
Depois: maior e palpável.
US: carcinoma triplo-negativo.
US: carcinoma triplo-negativo.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 4. Ver artigo
quando não usar BI-RADS 3 No rastreamento (primeiro a avaliação diagnóstica completa: ampliação para calcificações, US para massa e assimetria). Para escolher entre 2 e 4: achado tipicamente benigno é 2, e achado com qualquer traço suspeito é 4. Achado novo ou que cresce. Com cautela: alto risco (BRCA: mutação nos genes de suscetibilidade hereditária ao câncer de mama e de ovário), mais de 60 anos (sobretudo com câncer prévio), cisto que cresce (o triplo-negativo imita cisto), gestante e lactante, pré-operatório, transplante, homem (na prática, não se usa 3 no homem). Paciente ansiosa: o 3 pode vir com recomendação de biópsia, sem rebaixar a avaliação para 4.
Hematoma, mulher de 73 anos em uso de anticoagulante, com massa palpável
CC: assimetria focal no local palpável.
CC: assimetria focal no local palpável.
US: massa com halo ecogênico, provável hematoma. Diminuiu em 3 semanas: BI-RADS 2.
US: massa com halo ecogênico, provável hematoma. Diminuiu em 3 semanas: BI-RADS 2.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 1. Ver artigo
O que o 3 mal usado custa, mulher de 43 anos com massa palpável
US: massa irregular chamada de tecido fibroso focal; indicado controle em 6 meses.
US: massa irregular chamada de tecido fibroso focal; indicado controle em 6 meses.
MLO: mama extremamente densa, sem correlato.
MLO: mama extremamente densa, sem correlato.
RM 2 anos depois: ulceração da pele, massa maior, realce não nodular extenso e metástase hepática.
RM 2 anos depois: ulceração da pele, massa maior, realce não nodular extenso e metástase hepática.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 2. Ver artigo
Calcificações segmentares chamadas de 3, mulher de 41 anos com BRCA1
Perfil: calcificações em distribuição segmentar.
Perfil: calcificações em distribuição segmentar.
RM: sem correlato.
RM: sem correlato.
Ampliação. Estereotaxia: carcinoma in situ de alto grau.
Ampliação. Estereotaxia: carcinoma in situ de alto grau.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 3. Ver artigo

BI-RADS 3 na mamografia

Achado validado (exame inicial)Exigências
Massa sólida circunscrita sem cálcioVista em duas incidências, pelo menos 75% da margem visível, não palpável · compressão localizada ou ampliação, US e, se a margem estiver encoberta, tomossíntese
Grupo único de calcificações redondas5 ou mais em 1 cm (ou grupo maior até 2 cm), de 1 mm a puntiformes · ampliação e perfil a 90° · nova, aumentando, linear ou segmentar: suspeita
Assimetria focalNão palpável, mesma forma nas duas incidências, menos de um quadrante, sem distorção, cálcio ou massa depois da avaliação completa (0,5 a 1% de câncer) · com correlato no US: biópsia
Massa circunscrita no rastreamento, mulher de 60 anos
MLO: massa oval circunscrita não palpável.
MLO: massa oval circunscrita não palpável.
CC.
CC.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 5. Ver artigo
Grupo único de calcificações redondas
Ampliação.
Ampliação.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 6. Ver artigo
Assimetria focal, mulher de 44 anos
CC: assimetria focal no quadrante superolateral (círculo).
CC: assimetria focal no quadrante superolateral (círculo).
MLO (círculo).
MLO (círculo).
US: sem massa nem sombra.
US: sem massa nem sombra.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 7. Ver artigo
Calcificações depois de lumpectomia, mulher de 79 anos
Ampliação: calcificações novas.
Ampliação: calcificações novas.
6 meses: distribuição em anel.
6 meses: distribuição em anel.
12 meses: necrose gordurosa.
12 meses: necrose gordurosa.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 8. Ver artigo

Por opinião de especialistas também: calcificações vasculares em formação, necrose gordurosa, hematoma (controle em 4 a 6 semanas), linfonodos intramamários e axilares baixos. A tomossíntese reduziu o uso de BI-RADS 3 em 14 a 30%.

BI-RADS 3 no US

AchadoDetalhe
Massa sólida oval, paralela, circunscritaEm geral fibroadenoma · câncer em até 2%, e quem é achado no controle não tem estádio pior · acima de 60 anos o risco passa de 2% (2,1% aos 60, 3,4% aos 70, 5,1% aos 80) · junto de um câncer de mama conhecido, 9,6% eram malignos
Massas circunscritas nas duas mamas (ao menos uma em cada)BI-RADS 2, conferindo cada uma em tempo real
Massa palpável de aspecto benigno em mulher jovemAceita 3 (0,3% de câncer numa série; 81% fibroadenomas)
Cisto complicado isoladoEcos baixos uniformes, sem parte sólida · o Doppler de amplitude pode mostrar o debris se mexendo
Microcistos agrupados pequenos ou fundosTípicos são 2
OutrosHematoma, necrose gordurosa (controle em 4 a 12 semanas), distorção de cicatriz cirúrgica com história, linfonodo depois de vacina
Massa sólida oval, paralela e circunscrita
O aspecto típico do fibroadenoma no US.
O aspecto típico do fibroadenoma no US.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 9. Ver artigo
Fibroadenoma que dobrou de tamanho, mulher de 21 anos
Massa oval circunscrita de 1,1 cm.
Massa oval circunscrita de 1,1 cm.
6 meses depois: 2,1 cm. Fibroadenoma.
6 meses depois: 2,1 cm. Fibroadenoma.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 14. Ver artigo
O falso cisto complicado, mulher de 74 anos com câncer na outra mama
Tomossíntese: massa oval circunscrita.
Tomossíntese: massa oval circunscrita.
US: massa oval com ecos baixos uniformes, chamada de cisto complicado.
US: massa oval com ecos baixos uniformes, chamada de cisto complicado.
8 meses depois: massa irregular, indistinta.
8 meses depois: massa irregular, indistinta.
US: massa irregular angular. Carcinoma ductal invasivo triplo-negativo.
US: massa irregular angular. Carcinoma ductal invasivo triplo-negativo.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 10. Ver artigo
Hematoma e necrose gordurosa, mulher de 58 anos com trauma recente
US: massa hiperecogênica com centro hipoecogênico no quadrante superomedial, fora do campo da mamografia. Controle em 4 a 6 semanas.
US: massa hiperecogênica com centro hipoecogênico no quadrante superomedial, fora do campo da mamografia. Controle em 4 a 6 semanas.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 15. Ver artigo
Cresceu no controleCâncer
Crescimento sem mudança de formaCerca de 2 a 4%
Crescimento com mudança de forma ou traço suspeito17 a 38%
+ complemento · linfonodo depois da vacina Num estudo, 44% das vacinadas contra a covid-19 tiveram linfonodo axilar aumentado. Pelo consenso das sociedades: risco habitual, achado no rastreamento sem mais nada, BI-RADS 2; se for seguir, US 12 semanas depois (antes disso o linfonodo ainda está lá em muitas); risco alto, US em 12 semanas; risco mais alto, biópsia. Fora desse contexto, linfonodo axilar unilateral isolado sem infecção é BI-RADS 4.
Linfonodo depois da vacina contra a covid-19
Espessamento cortical concêntrico leve, hilo gorduroso preservado.
Espessamento cortical concêntrico leve, hilo gorduroso preservado.
Controle: normalizou.
Controle: normalizou.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 16. Ver artigo

BI-RADS 3 na RM

Na RM o uso ainda é intuitivo: o BI-RADS 5ª edição não definiu critérios, e metade dos estudos passa de 2% de câncer na categoria 3. Pese a indicação (rastreamento de alto risco é diferente de extensão de câncer conhecido) e procure correlato no US: se houver e ele preencher critério de 3, siga pelo US.

Achado na RMConduta
Massa oval, circunscrita, com hipersinal em T2 e septos internos sem realce, incidental no primeiro exameBI-RADS 3 aceitável (fibroadenoma)
Massa redondaMais câncer que a oval: cautela
Massa nova ou que cresceBiópsia
Hipersinal em T2 sozinhoNão basta: mucinoso, triplo-negativo, papilífero, medular também brilham
Realce não nodular focal ou regional, homogêneo, cinética persistenteProposto como 3, mas os dados ainda não sustentam · heterogêneo, agrupado ou com lavagem: nunca 3
Foco com hipossinal em T2, novo ou crescendoVPP (valor preditivo positivo) de 20 a 30%: biópsia
Realce hormonal suspeitoRepetir em 2 a 3 meses, entre o 7º e o 14º dia do ciclo
RM para tirar dúvida de achado 4Não rebaixa para 3
Realce de fundo moderado no rastreamento de alto risco, mulher de 48 anos
T1 com contraste e supressão de gordura.
T1 com contraste e supressão de gordura.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 17. Ver artigo
Realce não nodular focal chamado de 3
Projeção de intensidade máxima: realce não nodular focal.
Projeção de intensidade máxima: realce não nodular focal.
Em outra fase do ciclo: sumiu.
Em outra fase do ciclo: sumiu.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 18. Ver artigo
Massa junto do implante
Subtração: massa oval circunscrita que realça.
Subtração: massa oval circunscrita que realça.
T2 com supressão de gordura: hipersinal.
T2 com supressão de gordura: hipersinal.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 19. Ver artigo
Hipersinal em T2 que era câncer, mulher de 30 anos com fibroadenomas prévios
T2 com supressão de gordura: massa com hipersinal homogêneo.
T2 com supressão de gordura: massa com hipersinal homogêneo.
T1 com contraste: realce heterogêneo. Carcinoma mucinoso invasivo.
T1 com contraste: realce heterogêneo. Carcinoma mucinoso invasivo.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 20. Ver artigo
Rastreamento de alto risco, mulher de 60 anos
T2: hipersinal (seta).
T2: hipersinal (seta).
T1 com contraste: achado chamado de 3 (seta).
T1 com contraste: achado chamado de 3 (seta).
Projeção de intensidade máxima. Cresceu: BI-RADS 4, papiloma sem atipia.
Projeção de intensidade máxima. Cresceu: BI-RADS 4, papiloma sem atipia.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 21. Ver artigo
Foco chamado de 3, mulher de 56 anos com dor focal
Projeção de intensidade máxima: foco (seta).
Projeção de intensidade máxima: foco (seta).
Com mapa de cor: cinética em platô. Reclassificado; carcinoma in situ de grau intermediário.
Com mapa de cor: cinética em platô. Reclassificado; carcinoma in situ de grau intermediário.
Fonte: Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. RadioGraphics 2025;45(1):e240169, Fig. 22. Ver artigo

Pontos de prova: alto rendimento

GanhoGordura em cinza médio
Frequência alta em mama densaSimula lesão não nodular
FocoNo centro da lesão
HarmônicaTira ecos falsos do cisto
Composição espacialReduz o reforço posterior
Fluxo dentroÉ sólido
Sem fluxoNão prova cisto
Cisto simplesAnecoico, parede imperceptível, reforço · 2
Septo fino< 0,5 mm
ImitadorCarcinoma de alto grau, triplo-negativo
Cisto < 8 mm fundoDifícil de caracterizar
Cisto complicadoNão anecoico · 0,3% câncer
Ecos móveis, nívelBI-RADS 2
Bilaterais (≥ 3)BI-RADS 2
Complicado isoladoBI-RADS 3
Microcistos2–3 mm · 0,2% · BI-RADS 2
Microcisto fundo (> 3 cm)BI-RADS 3
Complexo cístico-sólido4 · 22–43%
BiópsiaMire a parte sólida
Líquido com sangueCitologia
BI-RADS 3≤ 2% · 6, 12, 24 meses
Cresceu > 20%BI-RADS 4
RastreamentoNunca 3
Mamografia: massa≥ 75% da margem visível
Mamografia: cálcioGrupo único, redondas, ≥ 5 em 1 cm
Assimetria focal0,5–1% · sem correlato no US
US: massa oval paralelaFibroadenoma · > 60 anos, cautela
VacinaUS em 12 semanas
RMSem critérios formais · fibroadenoma típico
Foco T2 escuro novoBiópsia
HomemSem BI-RADS 3

Armadilhas e erros comuns

Erros

  • Ganho alto que transforma cisto em sólido (ou coleção em abscesso)
  • Ganho baixo que transforma câncer em cisto
  • Chamar de cisto a massa anecoica com fluxo dentro
  • Medir todos os cistos de uma mama cheia deles
  • Biopsiar a parte cística de uma massa complexa
  • Dar BI-RADS 3 no rastreamento
  • Usar o 3 para fugir da escolha entre 2 e 4
  • Seguir como 3 uma massa que cresceu
  • Usar a RM para rebaixar um achado suspeito

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Ao US, uma coleção pós-operatória aparece isoecogênica e é chamada de abscesso. A aspiração não mostra infecção. Qual ajuste técnico provavelmente estava errado?

O ganho deve deixar a gordura subcutânea em cinza médio. Com ganho excessivo, o líquido ganha ecos e parece conteúdo denso, simulando abscesso (ou fazendo um cisto parecer sólido). Com ganho baixo, o erro é o oposto: o sólido hipoecogênico parece anecoico.
↑revisar esta parte do caderno · Técnica do US mamário
Questão 2

Massa redonda, quase anecoica, com reforço posterior, numa mulher de 44 anos. Qual achado obriga a pensar em câncer?

Cisto não tem fluxo dentro: fluxo numa massa que parece anecoica quer dizer que ela é sólida. Carcinomas de alto grau (triplo-negativo, medular) podem parecer anecoicos e ter reforço posterior. Septo de menos de 0,5 mm, cistos bilaterais e variação com o ciclo são de cisto benigno.
↑revisar esta parte do caderno · Cisto simples
Questão 3

Cisto com nível líquido-debris que se move com a mudança de decúbito, sem parte sólida. A categoria é:

Cisto complicado com ecos móveis, nível líquido-debris ou refletor que cintila é BI-RADS 2 (nas séries, 0,3% de câncer). BI-RADS 3 fica para o cisto complicado isolado com ecos baixos e uniformes, sobretudo pequeno ou fundo, que pode ser sólido.
↑revisar esta parte do caderno · Cisto complicado
Questão 4

Na biópsia por agulha grossa de uma massa complexa cística e sólida, deve-se:

A parte cística pode ser só necrose; o diagnóstico está no componente sólido. A massa complexa é BI-RADS 4 (22 a 43% malignas). Resultado discordante pede nova biópsia ou cirurgia.
↑revisar esta parte do caderno · Massa complexa cística e sólida
Questão 5

Em qual situação o BI-RADS 3 é apropriado?

O grupo único de calcificações redondas confirmado com ampliação e perfil é um dos achados validados na mamografia. Não se dá 3 no rastreamento (antes vem a avaliação completa), nem a achado que cresceu ou tem traço suspeito, e distribuição linear ou segmentar é suspeita.
↑revisar esta parte do caderno · BI-RADS 3: regras gerais
Questão 6

Massa sólida oval, paralela e circunscrita no US. Em qual paciente o BI-RADS 3 merece mais cautela?

O risco da massa oval circunscrita passa de 2% acima dos 60 anos (3,4% aos 70) e sobe com achado mamográfico novo: aí a biópsia é a opção mais segura. Em jovens a massa palpável de aspecto benigno aceita 3, massas parecidas nas duas mamas são 2, e estável há 2 anos já é 2.
↑revisar esta parte do caderno · BI-RADS 3 no US
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Fontes.
Lauar MCV, Merigue G, Dias LF, et al. Breast US: Guide for Beginners. RadioGraphics 2025;45(1):e240161. doi:10.1148/rg.240161 (artigo e apresentação de slides)
Lim HS, Lee HJ, Lee JS, et al. Cystic Breast Lesions: Diagnostic Approach and US Assessment. RadioGraphics 2025;45(5):e240179. doi:10.1148/rg.240179
Fazeli S, Stepenosky J, Guirguis MS, et al. Understanding BI-RADS Category 3. RadioGraphics 2025;45(1):e240169. doi:10.1148/rg.240169

Onde as fontes dão números diferentes (frequência do transdutor, risco dos microcistos), o caderno fica com o mais conservador ou dá a faixa. Conferido em 07/10/2026.

Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das mesmas fontes.