Fontes: Dreizin et al: 2024 e Nguyen et al: 2023, RadioGraphics
O que muda a cirurgia
Fraturas em volta do joelho (fêmur distal, platô tibial e patela) são 5 a 10% das lesões
musculoesqueléticas no trauma, com dois picos: jovem em alta energia e idoso osteoporótico. A TC com
reformatações e 3D muda o plano cirúrgico em 43 a 66% dos casos. No cotovelo, a radiografia resolve a
maioria, e o trabalho é não perder a fratura oculta e descrever o que decide a conduta.
Quando pedir TC do joelho
Por quê
Fratura periarticular na radiografia
Extensão articular, fragmentos coronais
Lipo-hemartrose no perfil com raio horizontal
Fratura intra-articular até prova em contrário
Não apoia o peso, radiografia normal
Fratura oculta
três números do joelho
Risco de artrose: qualquer colapso em varo, valgo acima de 11 a 15° e degrau articular acima de
1 a 2 mm. No platô, opera-se com depressão > 2 mm, alargamento > 5 mm ou instabilidade
> 10°. A RM não é rotina antes da fixação: ligamento se reconstrói depois.
Fêmur distal
Fêmur distal (AO/OTA 33)
Definição
Pontos
A
Extra-articular (supracondilar)
Placa lateral ou haste
B1 e B2
Um côndilo (lateral 3 vezes mais comum)
Placa de suporte do lado fraturado
B3 (Hoffa)
Fratura coronal posterior do côndilo
Fácil de perder: olhar o sagital · desvia sem fixação
Fonte: Dreizin D, Edmond T, Zhang T, et al. RadioGraphics 2024;44(9):e240014, Fig. 6. Ver artigo
Fêmur distal A2 com fragmento em borboleta
TC coronal (seta).3D (seta).
Fonte: Dreizin D, Edmond T, Zhang T, et al. RadioGraphics 2024;44(9):e240014, Fig. 7. Ver artigo
Hoffa medial, homem de 77 anos
3D: fragmento coronal do côndilo medial (seta).Fluoroscopia: parafusos.
Fonte: Dreizin D, Edmond T, Zhang T, et al. RadioGraphics 2024;44(9):e240014, Fig. 8. Ver artigo
impacção e fragmentos escondidos
Osso esponjoso mais denso na TC é impacção: precisa ser elevado e enxertado. Fragmento de
Hoffa e avulsão do côndilo medial (Stieda, ligamento colateral medial) passam despercebidos no
coronal.
Platô tibial
O platô medial carrega cerca de 60% do peso; as fraturas laterais são mais comuns (valgo, golpe
lateral). Cisalhamento é o traço que vai da superfície articular à metáfise; depressão é o
afundamento da superfície.
Schatzker
Definição
O que lembrar
I
Cisalhamento lateral
Baixa energia
II
Cisalhamento com depressão lateral
Elevar, enxertar, parafusos em jangada · variante com fragmento posterior é comum
III
Depressão lateral pura
A TC costuma achar cisalhamento oculto (vira II)
IV
Côndilo medial
É uma fratura-luxação: lesão interna em 97 a 100%, nervo fibular, artéria poplítea
V
Bicondilar em Y invertido
Alta energia
VI
Dissociação metadiafisária
A espícula metafisária guia a altura
Schatzker II, homem de 52 anos
TC sagital: depressão (seta).Coronal: cisalhamento e depressão (setas).Radiografia: placa lateral.
Fonte: Dreizin D, Edmond T, Zhang T, et al. RadioGraphics 2024;44(9):e240014, Fig. 11. Ver artigo
Schatzker IV, homem de 48 anos
Coronal: côndilo medial fraturado e eminência avulsionada (setas, asterisco).3D: colunas medial (MC) e posteromedial P(M).Fluoroscopia: placas posteromediais (setas).
Fonte: Dreizin D, Edmond T, Zhang T, et al. RadioGraphics 2024;44(9):e240014, Fig. 12. Ver artigo
Schatzker V de três colunas, homem de 25 anos
3D: o Y invertido (pontilhado).3D (setas).3D posterior (setas).Radiografia: três placas (setas).
Fonte: Dreizin D, Edmond T, Zhang T, et al. RadioGraphics 2024;44(9):e240014, Fig. 13. Ver artigo
Schatzker VI, 71 anos
3D com fixador (linha tracejada: dissociação).Fluoroscopia: fixador circular e placa (setas).
Fonte: Dreizin D, Edmond T, Zhang T, et al. RadioGraphics 2024;44(9):e240014, Fig. 14. Ver artigo
Schatzker VI, homem de 61 anos
3D com fixador de carbono (seta).Coronal: espícula medial encaixada (seta) e impacção densa (estrela).3D segmentado (setas).Fluoroscopia: placas lateral e medial e cimento (setas).
Fonte: Dreizin D, Edmond T, Zhang T, et al. RadioGraphics 2024;44(9):e240014, Fig. 1. Ver artigo
Três colunas (TC)
Ângulo
Significado
Lateral, medial e posterior (vista axial)
Coluna dissociada = traço que sai pela metáfise
Ângulo do platô medial
≥ 95°
Colapso em valgo
Ângulo do platô medial
< 80 a 85°
Colapso em varo
Inclinação posterior
> 15°
Flexão: colapso posterior
As três colunas
Vista axial do platô: colunas lateral (LC), medial (MC) e posterior, dividida em P(M) e P(L).
Fonte: Dreizin D, Edmond T, Zhang T, et al. RadioGraphics 2024;44(9):e240014, Fig. 9. Ver artigo
+ complemento · fragmento posterior
Até 29% das fraturas do platô têm fragmento de cisalhamento coronal posterior, que a radiografia
perde e que pede acesso próprio (posteromedial). A placa principal vai do lado do colapso; as colunas
que falharam por tração levam placas menores.
Patela e avulsões
Patela
Dados
Bipartida
2 a 3%
Traço
Transversal dominante em até 93%; traços secundários na TC em 80%
AO/OTA (Arbeitsgemeinschaft für Osteosynthesefragen e Orthopaedic Trauma Association)
A extra-articular · B vertical (uma faceta, estável) · C articular completa: transversal (banda de tensão) ou cominutiva estrelada (a maioria)
Coronal: espaço lateral alargado (seta grossa), avulsão da cabeça da fíbula e côndilo medial fraturado (estrela).Fluoroscopia: âncoras (setas).
Fonte: Dreizin D, Edmond T, Zhang T, et al. RadioGraphics 2024;44(9):e240014, Fig. 20. Ver artigo
Segond com Schatzker IV atípico, homem de 21 anos
Coronal: lasca lateral do platô (contorno) e fratura medial (seta).RM T2: ligamento popliteofibular (seta amarela).RM: LCA parcialmente roto (setas).
Fonte: Dreizin D, Edmond T, Zhang T, et al. RadioGraphics 2024;44(9):e240014, Fig. 21. Ver artigo
Cotovelo: radiografia e coxins
Cotovelo
O que olhar
Incidências
Frente, perfil a 90° (capítulo e tróclea em círculos concêntricos), oblíqua externa e Coyle (cabeça do rádio)
Áreas de erro
Coronoide, cabeça e colo do rádio, epicôndilos
Sinal da vela
Coxim anterior levantado (e posterior visível) = derrame: sem fratura visível, pensar em fratura oculta da cabeça do rádio e considerar TC
Perfil oblíquo
Não permite excluir derrame
Linha radiocapitelar
Alinhamento do rádio com o capítulo em todas as incidências
Anatomia na RM
Sagital DP (densidade de prótons) com supressão: tendão do tríceps no olécrano e do bíceps na tuberosidade do rádio.Coronal: feixe anterior do ligamento colateral ulnar, tendões flexor e extensor comuns e ligamento colateral lateral.
Fonte: Nguyen ML, Wong PK, Gangasani NR, et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220131, apresentação, slide 13. Ver artigo
Anatomia na RM, mais estruturas
Coronal anterior: ligamento anular em volta da cabeça do rádio.Coronal posterior: ligamento colateral ulnar lateral.Axial: o ligamento anular (seta).
Fonte: Nguyen ML, Wong PK, Gangasani NR, et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220131, apresentação, slide 14. Ver artigo
Mecanismos
Valgo (arremesso): lesão do lado medial.Varo.Queda com a mão espalmada: a cabeça do rádio bate no capítulo.
Fonte: Nguyen ML, Wong PK, Gangasani NR, et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220131, apresentação, slide 15. Ver artigo
Fraturas e luxações do cotovelo
Fratura do cotovelo
Classificação
Conduta
Cabeça do rádio (30 a 50% das fraturas do cotovelo; queda com a mão espalmada)
Mason: 1 sem desvio (< 2 mm) · 2 desviada (> 2 mm) · 3 cominutiva · 4 com luxação
1 e 2 conservador se a rotação estiver boa · 3 e 4 cirurgia (fixação ou prótese)
Essex-Lopresti
Cabeça do rádio + luxação da radioulnar distal + membrana interóssea rota
Rastrear antebraço e punho
Olécrano
Sem classificação dominante
Cirurgia se desvio > 2 mm ou cominuição · laudo: traço, cominuição, articular, afastamento, outras fraturas
TC em toda fratura do coronoide · faceta anteromedial (tubérculo sublime) = instabilidade posteromedial, cirurgia
Sinal da vela, homem de 38 anos
Perfil: coxim gorduroso anterior levantado (pontilhado), como a vela de um barco: derrame; procurar fratura oculta da cabeça do rádio.
Fonte: Nguyen ML, Wong PK, Gangasani NR, et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220131, apresentação, slide 22. Ver artigo
Fratura oculta da cabeça do rádio, mulher de 31 anos
TC: fratura sem desvio da cabeça do rádio (seta).Perfil: só o coxim anterior elevado.
Fonte: Nguyen ML, Wong PK, Gangasani NR, et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220131, apresentação, slide 24. Ver artigo
Essex-Lopresti, homem de 34 anos
Punho de frente: luxação da radioulnar distal (seta).Punho em perfil: ulna desviada para o dorso; no cotovelo havia fratura cominutiva da cabeça do rádio.
Fonte: Nguyen ML, Wong PK, Gangasani NR, et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220131, apresentação, slide 29. Ver artigo
Fratura do olécrano
Perfil: traço oblíquo intra-articular sem cominuição, com 5 mm de afastamento (pontilhado).
Fonte: Nguyen ML, Wong PK, Gangasani NR, et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220131, apresentação, slide 33. Ver artigo
Coronoide tipo I (ponta)
TC sagital e 3D: fratura da ponta do processo coronoide (setas), com a faceta anteromedial poupada.Radiografia inicial: luxação posterior.
Fonte: Nguyen ML, Wong PK, Gangasani NR, et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220131, apresentação, slide 37. Ver artigo
Coronoide da faceta anteromedial (O'Driscoll II)
Radiografias, TC axial e 3D: luxação posterior com fragmento medial (setas) da faceta anteromedial e do tubérculo sublime: instabilidade rotatória posteromedial.Perfil.
Fonte: Nguyen ML, Wong PK, Gangasani NR, et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220131, apresentação, slide 38. Ver artigo
Coronoide da base (O'Driscoll III)
TC sagital oblíqua: fratura cominutiva da ulna proximal envolvendo a base do coronoide.Radiografia: fraturas da ulna e do úmero com luxação, depois de acidente de moto.3D e radiografia pós-operatória.
Fonte: Nguyen ML, Wong PK, Gangasani NR, et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220131, apresentação, slide 39. Ver artigo
Luxação
Dados
Posterior
A mais comum · simples (sem fratura) reduz e mobiliza · complexa vai à cirurgia
Tríade terrível
Luxação posterior + cabeça do rádio + coronoide (e colateral lateral)
Monteggia
Fratura da ulna + luxação radiocapitelar · Bado 1 anterior (ápice anterior) · 2 posterior · 3 lateral · 4 rádio e ulna fraturados
quando RM
Instabilidade grave depois da redução (pode precisar reparo ligamentar urgente), suspeita de lesão de
vaso ou nervo, tendões (ruptura do tríceps) e dor com déficit sem fratura.
Pontos de prova: alto rendimento
Lipo-hemartrose
TC: fratura intra-articular
Platô: operar
Depressão > 2 mm, alargamento > 5 mm
Hoffa
Coronal posterior, ver no sagital
Schatzker IV
Medial, fratura-luxação, poplítea
Schatzker II
Cisalhamento com depressão lateral
Ângulo medial ≥ 95°
Colapso em valgo
Segond
LCA em 75 a 100%
Cabeça da fíbula
Canto posterolateral
Insall-Salvati > 1,2
Patela alta, tendão patelar
Sinal da vela
Derrame, fratura oculta
Cabeça do rádio
Fratura mais comum do cotovelo
Mason 4
Com luxação
Tríade terrível
Luxação, cabeça do rádio, coronoide
Essex-Lopresti
Radioulnar distal
Monteggia
Ulna + luxação radiocapitelar
Armadilhas e erros comuns
Erros
Chamar de III a depressão com cisalhamento oculto
Não procurar o fragmento coronal no sagital
Tratar Schatzker IV como fratura simples
Ignorar a avulsão da cabeça da fíbula
Liberar cotovelo com derrame sem fratura vista
Não olhar o punho na fratura da cabeça do rádio
Ler o perfil oblíquo como perfil
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1
Fratura do platô tibial: indicação operatória pela TC, segundo a fonte:
Opera-se com depressão > 2 mm, alargamento condilar > 5 mm ou instabilidade > 10°.
Tríade terrível: luxação posterior + cabeça do rádio + coronoide. Ulna com luxação radiocapitelar é Monteggia; cabeça do rádio com radioulnar distal é Essex-Lopresti.
Fontes.
1. Dreizin D, Edmond T, Zhang T, et al. CT of Periarticular Adult Knee Fractures: Classification and
Management Implications. RadioGraphics 2024;44(9):e240014. doi:10.1148/rg.240014
2. Nguyen ML, Wong PK, Gangasani NR, et al. Imaging Review of Adult Elbow Fractures and Dislocations in the
Emergency Department. RadioGraphics 2023;43(7):e220131 (apresentação em slides). doi:10.1148/rg.220131
A fonte 2 define o tipo 2 de Mason com envolvimento articular "menor que 30%" (as descrições usuais falam em
fragmento maior); o caderno usa só o desvio. A fonte 1 escreve o ângulo do platô de dois jeitos (mPTA e
mTPA). Nenhuma trata de luxação do joelho (Schenck), Segond reverso, avulsão do LCP, fraturas do úmero
distal nem instabilidade posterolateral. Tirei as fotos cirúrgicas e os diagramas com texto em inglês; os
slides do cotovelo entraram só onde a imagem não está coberta por texto. Conferido em 07/10/2026.
Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das mesmas fontes.