Cadernos QRad 50 · TCE e Hemorragia Intracraniana
Neurorradiologia · emergência

TCE e Hemorragia Intracraniana

Fontes: Schweitzer et al, RadioGraphics 2019 · Heit et al, J Stroke 2017

A TC do plantão, e o que ela precisa responder

O traumatismo cranioencefálico (TCE) é diagnóstico clínico (cerca de 69 milhões de casos por ano no mundo), classificado pela escala de coma de Glasgow (GCS): 13–15 leve, 9–12 moderado, 3–8 grave. A correlação da escala com morbimortalidade é forte no extremo grave e fraca no leve: um Glasgow 15 não afasta lesão (6,9% dos pacientes com escore 15 têm achado agudo na TC). O papel da imagem é outro: identificar a lesão intracraniana que muda a conduta.

quem manda em cada fase TC sem contraste é o pilar do agudo: rápida, disponível, sensível para o que exige neurocirurgia (hemorragia volumosa, hérnia, infarto) e muito superior à RM para fratura. É recomendação classe I no TCE moderado e grave. No TCE leve, quem decide se a TC entra são as regras de decisão clínica: New Orleans, Canadian Head CT Rule e NEXUS-II (National Emergency X-Radiography Utilization Study II), incorporadas aos ACR (American College of Radiology) Appropriateness Criteria.

RM: classe I quando a TC é normal e o déficit neurológico persiste sem explicação. É mais sensível (nível Ib) para HED (hematoma extradural), HSD (hematoma subdural), contusões não hemorrágicas, lesões do tronco e lesão axonal: com SWI (imagem ponderada em suscetibilidade magnética) superando o eco-gradiente para micro-hemorragias e a difusão flagrando a lesão axonal não hemorrágica.
quando chamar a angio-TC Fratura atravessando o canal carotídeo, trauma penetrante, suspeita de vasoespasmo, e todo padrão de hemorragia atípico para trauma: HSA (hemorragia subaracnoide) isolada nas cisternas basais, HSA volumosa isolada na fissura sylviana ou na fissura inter-hemisférica anterior pedem investigação de aneurisma, mesmo com história de queda. Fratura cruzando seio venoso dural ou forame jugular: veno-TC; dois terços têm lesão venosa, e 23–41% trombosam.
+ complemento · a técnica que muda a sensibilidade Reformatações coronais e sagitais maximizam a detecção de hemorragia fina, coleção extra-axial e hérnia: entram em todo protocolo de trauma. E a janela subdural (largura ~150–130, nível ~30 UH (unidades Hounsfield)) descola o HSD fino da tábua óssea que a janela de encéfalo padrão esconde.

Os quatro compartimentos

HED: extradural biconvexo · NÃO cruza suturas (traços) · pode cruzar a linha média se venoso HSD: subdural crescente · CRUZA suturas · para na foice e no tentório (linha tracejada) HSA traumática sulcal, na convexidade, coup/contrecoup · cisternas basais cheias = pensar em ANEURISMA hemorragia intraventricular veia subependimária, extensão parenquimatosa ou refluxo da HSA · correlaciona-se com LAD
Cada compartimento tem forma e regras próprias, e é o par sutura × foice/tentório que separa os dois hematomas extra-axiais na prova.
CompartimentoRegras e detalhes que caem
HED (hematoma extradural): entre a tábua interna e a duraBiconvexo. Não cruza suturas (a dura adere firme ali). Arterial clássico: artéria meníngea média, na região pterional, quase sempre com fratura. Venoso cruza foice e tentório: no vértex vem do seio sagital superior; o anterior temporal (seio esfenoparietal) tem curso benigno e em geral não se opera. Intervalo lúcido antes da deterioração. Tratamento: evacuação, ou embolização da meníngea média nos pequenos/médios estáveis
HSD (hematoma subdural): entre dura e aracnoideCrescente. Cruza suturas, mas não cruza foice nem tentório, e escorre ao longo deles. Fonte: veias-ponte; fratura frequentemente ausente. Cresce mais devagar que o HED e aparece no idoso com trauma banal
HSA traumática: entre aracnoide e piaSulcal, pequeno volume, na convexidade, no local do impacto (coup) ou oposto (contrecoup). HSA na linha média (inter-hemisférica/perimesencefálica) é marcador de lesão axonal na RM subsequente (sensibilidade 61%, especificidade 82% para lesão grave). Vasoespasmo tardio é raro, mas chega a 30–40% no TCE grave
Hemorragia intraventricularVeia subependimária rota, extensão de hematoma parenquimatoso ou refluxo da HSA. Na TC inicial, correlaciona-se com lesão axonal difusa na RM (razão de chances ~4)
Vários compartimentos num só trauma, homem de 19 anos agredido com taco de beisebol (Glasgow 15)
TC axial sem contraste: fraturas cominutivas maxilofaciais à esquerda (ponta de seta) e fratura afundada da escama do temporal esquerdo (seta).
TC axial sem contraste: fraturas cominutivas maxilofaciais à esquerda (ponta de seta) e fratura afundada da escama do temporal esquerdo (seta).
TC axial sem contraste: hematoma extradural venoso na fossa média, junto à fratura do esfenoide (seta).
TC axial sem contraste: hematoma extradural venoso na fossa média, junto à fratura do esfenoide (seta).
TC axial sem contraste: pequeno hematoma extradural arterial sob a fratura afundada do temporal (seta reta), hematoma subdural laminar na convexidade frontal (p
TC axial sem contraste: pequeno hematoma extradural arterial sob a fratura afundada do temporal (seta reta), hematoma subdural laminar na convexidade frontal (pontas de seta) e pequenas contusões hemorrágicas sob a fratura (seta curva).
TC sagital sem contraste: o extradural venoso da fossa média (seta) e o subdural laminar (ponta de seta).
TC sagital sem contraste: o extradural venoso da fossa média (seta) e o subdural laminar (ponta de seta).
Fonte: Schweitzer AD et al. RadioGraphics 2019;39(6):1571–1595, Fig. 1. Ver artigo
Fratura afundada focal, homem jovem atingido por um tijolo
Reconstrução 3D: fratura cominutiva afundada (seta).
Reconstrução 3D: fratura cominutiva afundada (seta).
TC coronal sem contraste: o afundamento (setas).
TC coronal sem contraste: o afundamento (setas).
TC sagital: pequeno hematoma extradural lentiforme sob a fratura (setas), sem contusão nem HSA.
TC sagital: pequeno hematoma extradural lentiforme sob a fratura (setas), sem contusão nem HSA.
Fonte: Schweitzer AD et al. RadioGraphics 2019;39(6):1571–1595, Fig. 3. Ver artigo
Hematoma extradural venoso da fossa posterior, homem de 34 anos atingido na nuca (Glasgow 7)
TC axial sem contraste: fratura occipital mediana sem desvio (ponta de seta) que atravessa o côndilo occipital esquerdo até o canal carotídeo petroso e o seio e
TC axial sem contraste: fratura occipital mediana sem desvio (ponta de seta) que atravessa o côndilo occipital esquerdo até o canal carotídeo petroso e o seio esfenoidal (seta).
TC axial sem contraste: hematoma extradural venoso lentiforme (seta reta) comprimindo o quarto ventrículo (ponta de seta), e sangue no seio esfenoidal pela frat
TC axial sem contraste: hematoma extradural venoso lentiforme (seta reta) comprimindo o quarto ventrículo (ponta de seta), e sangue no seio esfenoidal pela fratura (seta curva).
Venografia por TC: seio transverso direito elevado e comprimido, com provável laceração venosa (seta).
Venografia por TC: seio transverso direito elevado e comprimido, com provável laceração venosa (seta).
TC axial sem contraste: contusão hemorrágica de contragolpe no lobo frontal esquerdo (seta). Foi colocada derivação ventricular de urgência pela hidrocefalia nã
TC axial sem contraste: contusão hemorrágica de contragolpe no lobo frontal esquerdo (seta). Foi colocada derivação ventricular de urgência pela hidrocefalia não comunicante.
Fonte: Schweitzer AD et al. RadioGraphics 2019;39(6):1571–1595, Fig. 4. Ver artigo
Hematoma extradural hiperagudo com o sinal do redemoinho, mulher de meia-idade que caiu na escada (Glasgow 15)
TC axial sem contraste: extradural lentiforme frontoparietal esquerdo volumoso que não cruza as suturas coronal e lambdoide; a fratura sutil aparece na janela ó
TC axial sem contraste: extradural lentiforme frontoparietal esquerdo volumoso que não cruza as suturas coronal e lambdoide; a fratura sutil aparece na janela óssea do detalhe (seta curva). O sangue misto, com áreas hipodensas, é sangramento hiperagudo não coagulado, o sinal do redemoinho (seta reta).
TC coronal sem contraste: efeito de massa no lobo parietal esquerdo, compressão do ventrículo lateral e leve desvio subfalcino para a direita (seta), mais claro
TC coronal sem contraste: efeito de massa no lobo parietal esquerdo, compressão do ventrículo lateral e leve desvio subfalcino para a direita (seta), mais claros na reformatação coronal.
Fonte: Schweitzer AD et al. RadioGraphics 2019;39(6):1571–1595, Fig. 6. Ver artigo
Hematoma extradural hiperagudo e agudo com fratura e diástase da sutura coronal, homem de 24 anos agredido (Glasgow 15)
Reconstrução 3D: fratura parietotemporal direita sem desvio (seta reta) chegando à sutura coronal, que está diastática (seta curva).
Reconstrução 3D: fratura parietotemporal direita sem desvio (seta reta) chegando à sutura coronal, que está diastática (seta curva).
TC axial sem contraste: extradural bilobulado lentiforme nas convexidades frontal e temporal direitas (seta).
TC axial sem contraste: extradural bilobulado lentiforme nas convexidades frontal e temporal direitas (seta).
TC axial sem contraste: no componente temporal, sangue misto hipo e hiperdenso, que sugere sangramento ativo ou não coagulado (seta reta); HSA na fissura sylvia
TC axial sem contraste: no componente temporal, sangue misto hipo e hiperdenso, que sugere sangramento ativo ou não coagulado (seta reta); HSA na fissura sylviana direita (seta curva).
RM axial FLAIR (fluid-attenuated inversion recovery: T2 com o sinal do líquor suprimido) no controle: HSA residual (seta).
RM axial FLAIR (fluid-attenuated inversion recovery: T2 com o sinal do líquor suprimido) no controle: HSA residual (seta).
Difusão axial: produtos de degradação subagudos com restrição dentro do extradural (seta); efeito de massa um pouco menor.
Difusão axial: produtos de degradação subagudos com restrição dentro do extradural (seta); efeito de massa um pouco menor.
SWI axial: sem contusão nem lesão axonal associadas.
SWI axial: sem contusão nem lesão axonal associadas.
Fonte: Schweitzer AD et al. RadioGraphics 2019;39(6):1571–1595, Fig. 7. Ver artigo
Fratura zigomaticoesfenoidal com hematoma extradural venoso do seio esfenoparietal, mulher de 78 anos (Glasgow 15)
TC axial da face, janela óssea: fraturas cominutivas do zigomático e do esfenoide à direita (setas), com ar na fossa temporal, hematoma na bochecha e exoftalmia
TC axial da face, janela óssea: fraturas cominutivas do zigomático e do esfenoide à direita (setas), com ar na fossa temporal, hematoma na bochecha e exoftalmia direita.
TC axial da face, janela de partes moles: pequeno extradural venoso na parte anterior da fossa média (seta reta), por laceração do seio esfenoparietal, e hemato
TC axial da face, janela de partes moles: pequeno extradural venoso na parte anterior da fossa média (seta reta), por laceração do seio esfenoparietal, e hematoma subperiosteal extraconal na órbita (seta curva).
Fonte: Schweitzer AD et al. RadioGraphics 2019;39(6):1571–1595, Fig. 8. Ver artigo
HSA traumática em três pacientes com trauma leve (Glasgow 15)
TC axial sem contraste: pouca HSA no padrão de golpe (seta).
TC axial sem contraste: pouca HSA no padrão de golpe (seta).
TC axial sem contraste: HSA no padrão de contragolpe (seta).
TC axial sem contraste: HSA no padrão de contragolpe (seta).
TC axial sem contraste: HSA de contragolpe em outro paciente (seta).
TC axial sem contraste: HSA de contragolpe em outro paciente (seta).
Fonte: Schweitzer AD et al. RadioGraphics 2019;39(6):1571–1595, Fig. 13. Ver artigo
Hemorragia em vários compartimentos, mulher de 24 anos atropelada (Glasgow 8)
TC axial sem contraste: HSA interpeduncular (seta branca), hemorragia intraventricular (seta vermelha), pequena contusão hemorrágica na ponta do temporal direit
TC axial sem contraste: HSA interpeduncular (seta branca), hemorragia intraventricular (seta vermelha), pequena contusão hemorrágica na ponta do temporal direito (ponta de seta) e pequeno higroma subdural na convexidade temporal esquerda (seta curva).
Fonte: Schweitzer AD et al. RadioGraphics 2019;39(6):1571–1595, Fig. 14. Ver artigo
Hemorragia traumática do septo pelúcido, idosa que caiu da própria altura (Glasgow 13)
TC axial sem contraste: hemorragia focal ao longo do septo pelúcido (seta), provavelmente por laceração de uma veia septal.
TC axial sem contraste: hemorragia focal ao longo do septo pelúcido (seta), provavelmente por laceração de uma veia septal.
TC coronal sem contraste: a mesma hemorragia (seta).
TC coronal sem contraste: a mesma hemorragia (seta).
TC axial sem contraste: pequena hemorragia intraventricular associada (seta).
TC axial sem contraste: pequena hemorragia intraventricular associada (seta).
Fonte: Schweitzer AD et al. RadioGraphics 2019;39(6):1571–1595, Fig. 15. Ver artigo
ATENUAÇÃO DO HSD NA TC: MEDIANAS DA METANÁLISE (A REGRA…) hiperagudo mistura hiper + HIPO sangue ainda não coagulado agudo: HIPERdenso mediana 1–2 dias coágulo denso subagudo: ISOdenso mediana 11 dias some contra o córtex: janela subdural ajuda crônico: HIPOdenso mediana 14 dias membranas, hematócrito, calcificação tardia …E AS DUAS ARMADILHAS densidade MISTA ≠ agudo-sobre-crônico: pode ser hiperagudo ou coagulopatia e o HSD ISOdenso pode ser AGUDO: anemia grave, ou líquor misturado por rasgo de aracnoide
A evolução da atenuação do HSD, e por que ela é estimativa, não certidão de idade.
as três pegadinhas do HSD 1. Densidade mista não é sinônimo de agudo-sobre-crônico: componentes hipodensos podem ser sangue hiperagudo não coagulado, sobretudo no coagulopata (o swirl sign no HED tem a mesma lógica, de sangramento ativo).

2. HSD isodenso pode ser agudo no anêmico grave ou quando um rasgo de aracnoide mistura líquor ao sangue.

3. No subagudo formam-se membranas que realçam e ressangram (agudo-sobre-crônico com nível hematócrito); cronicamente, calcifica.

Tratamentos: trepanação, craniotomia, sistema de drenagem subdural ou embolização da meníngea média.
Hematoma subdural de sinal misto com herniação, idoso anticoagulado que caiu 2 semanas antes
RM axial T1: hematoma subdural hemisférico direito, crescente e volumoso, com produtos subagudos tardios com hipersinal (seta) e nível de hematócrito posterior
RM axial T1: hematoma subdural hemisférico direito, crescente e volumoso, com produtos subagudos tardios com hipersinal (seta) e nível de hematócrito posterior (ponta de seta), compatível com coagulação ruim.
RM axial T2: o mesmo hematoma, com hipersinal (seta) e o nível de hematócrito (ponta de seta).
RM axial T2: o mesmo hematoma, com hipersinal (seta) e o nível de hematócrito (ponta de seta).
SWI axial: septos internos impregnados de hemossiderina (seta), que sugerem sangramentos repetidos.
SWI axial: septos internos impregnados de hemossiderina (seta), que sugerem sangramentos repetidos.
RM coronal T1 pós-contraste: efeito de massa, leve herniação subfalcina para a esquerda (seta reta) e herniação uncal direita inicial (seta curva); realce dural
RM coronal T1 pós-contraste: efeito de massa, leve herniação subfalcina para a esquerda (seta reta) e herniação uncal direita inicial (seta curva); realce dural e linear nos sulcos (pontas de seta), por congestão venosa. Não confundir com infecção.
Fonte: Schweitzer AD et al. RadioGraphics 2019;39(6):1571–1595, Fig. 9. Ver artigo
higroma não é hematoma, e efusão não é higroma Higroma subdural = líquor no espaço subdural por rasgo da aracnoide: coleção isodensa/isointensa ao líquor, sem membranas, que afasta os vasos corticais da tábua interna. Pode aparecer no 1º dia, mas o tempo médio é 9 dias. Efusão subdural é reativa (ex.: meningite). E no politrauma que recebeu contraste antes, a coleção pode ser iodo, não sangue: a TC de dupla energia resolve.
Higromas subdurais tardios
TC axial sem contraste depois de trauma leve, num idoso: laudada como normal. Ele voltou 6 dias depois da alta com cefaleia persistente.
TC axial sem contraste depois de trauma leve, num idoso: laudada como normal. Ele voltou 6 dias depois da alta com cefaleia persistente.
TC axial sem contraste no retorno: higromas subdurais pequenos e novos (setas), com efeito de massa mínimo; sem herniação, pela atrofia prévia.
TC axial sem contraste no retorno: higromas subdurais pequenos e novos (setas), com efeito de massa mínimo; sem herniação, pela atrofia prévia.
Fonte: Schweitzer AD et al. RadioGraphics 2019;39(6):1571–1595, Fig. 12. Ver artigo

Contusões e micro-hemorragias

Contusões são machucados do parênquima nos pontos em que o cérebro colide com o crânio: frontal inferior e temporal anterior-inferior, sobre as cristas dos giros, em padrão coup/contrecoup, porque a tábua interna é rugosa exatamente ali. A RM vê mais que a TC, sobretudo as não hemorrágicas e as pequenas.

a contusão floresce Contusões crescem nas primeiras 48 horas (“blossoming”): daí o controle tomográfico. Progressão significativa (contusão nova ou volume dobrado) associa-se a pior desfecho, e contusão temporal carrega pior recuperação funcional aos 6 meses que a frontal. Alta precoce do pronto-socorro com contusão pequena é o erro que o seguimento existe para evitar.
Contusão frontal que cresce e higromas subdurais, idosa que caiu na escada (Glasgow 13)
TC axial sem contraste inicial: pequena contusão frontal direita não hemorrágica (seta).
TC axial sem contraste inicial: pequena contusão frontal direita não hemorrágica (seta).
TC axial sem contraste 12 horas depois: a contusão maior e mais evidente (seta).
TC axial sem contraste 12 horas depois: a contusão maior e mais evidente (seta).
TC coronal sem contraste: higromas subdurais mínimo à direita e pequeno à esquerda (setas).
TC coronal sem contraste: higromas subdurais mínimo à direita e pequeno à esquerda (setas).
TC coronal sem contraste no controle: os higromas aumentaram (setas).
TC coronal sem contraste no controle: os higromas aumentaram (setas).
RM axial FLAIR no dia seguinte: a contusão frontal direita (seta).
RM axial FLAIR no dia seguinte: a contusão frontal direita (seta).
SWI axial: micro-hemorragia dentro da contusão (seta), que não se via na TC.
SWI axial: micro-hemorragia dentro da contusão (seta), que não se via na TC.
RM axial FLAIR: higromas subdurais bilaterais crescendo (setas).
RM axial FLAIR: higromas subdurais bilaterais crescendo (setas).
Difusão axial: foco de restrição na substância branca occipital esquerda (seta), lesão axonal de contragolpe.
Difusão axial: foco de restrição na substância branca occipital esquerda (seta), lesão axonal de contragolpe.
Fonte: Schweitzer AD et al. RadioGraphics 2019;39(6):1571–1595, Fig. 11. Ver artigo
Evolução clássica de contusões hemorrágicas bifrontais, ciclista de 58 anos atropelado (Glasgow 13)
TC axial sem contraste: contusões hemorrágicas bifrontais (setas).
TC axial sem contraste: contusões hemorrágicas bifrontais (setas).
TC axial sem contraste: pequenos subdurais bifrontais (pontas de seta) e hemorragia intraventricular no corno occipital direito (seta curva).
TC axial sem contraste: pequenos subdurais bifrontais (pontas de seta) e hemorragia intraventricular no corno occipital direito (seta curva).
TC axial sem contraste: HSA multifocal (setas).
TC axial sem contraste: HSA multifocal (setas).
TC coronal sem contraste: as contusões bifrontais (setas).
TC coronal sem contraste: as contusões bifrontais (setas).
TC axial sem contraste dias depois: menos sangue nas contusões, mas o edema persiste (setas).
TC axial sem contraste dias depois: menos sangue nas contusões, mas o edema persiste (setas).
TC axial sem contraste: os subdurais bifrontais aumentaram (pontas de seta), e a hemorragia intraventricular também (seta curva).
TC axial sem contraste: os subdurais bifrontais aumentaram (pontas de seta), e a hemorragia intraventricular também (seta curva).
TC axial sem contraste: a HSA desapareceu por redistribuição; os ventrículos aumentaram com a melhora do edema difuso.
TC axial sem contraste: a HSA desapareceu por redistribuição; os ventrículos aumentaram com a melhora do edema difuso.
TC coronal sem contraste: mais edema e menos sangue nas contusões (setas) e subdurais um pouco maiores (pontas de seta).
TC coronal sem contraste: mais edema e menos sangue nas contusões (setas) e subdurais um pouco maiores (pontas de seta).
Fonte: Schweitzer AD et al. RadioGraphics 2019;39(6):1571–1595, Fig. 16. Ver artigo
Contusões frontais e temporais que crescem, mulher de 62 anos que caiu do cavalo (Glasgow 6)
TC axial sem contraste inicial: pequenas contusões hemorrágicas superficiais nos polos temporais (setas), o padrão típico do TCE moderado a grave.
TC axial sem contraste inicial: pequenas contusões hemorrágicas superficiais nos polos temporais (setas), o padrão típico do TCE moderado a grave.
TC axial sem contraste 24 horas depois: as contusões temporais muito maiores (setas).
TC axial sem contraste 24 horas depois: as contusões temporais muito maiores (setas).
RM axial T1 no controle: produtos de degradação agudos a subagudos precoces, com sinal intermediário a hipersinal (setas); sem lesão axonal.
RM axial T1 no controle: produtos de degradação agudos a subagudos precoces, com sinal intermediário a hipersinal (setas); sem lesão axonal.
TC axial sem contraste inicial: pequena contusão anteroinferior frontal esquerda (seta).
TC axial sem contraste inicial: pequena contusão anteroinferior frontal esquerda (seta).
TC axial sem contraste 24 horas depois: aumento acentuado das contusões frontais e temporais (setas), com efeito de massa, sem herniação.
TC axial sem contraste 24 horas depois: aumento acentuado das contusões frontais e temporais (setas), com efeito de massa, sem herniação.
RM axial FLAIR: as contusões, predominantemente com hipossinal (setas).
RM axial FLAIR: as contusões, predominantemente com hipossinal (setas).
TC coronal sem contraste inicial: as contusões temporais (setas).
TC coronal sem contraste inicial: as contusões temporais (setas).
TC coronal sem contraste 24 horas depois: as contusões maiores (setas) e pequeno subdural parafalcino anterior que cresceu (seta curva).
TC coronal sem contraste 24 horas depois: as contusões maiores (setas) e pequeno subdural parafalcino anterior que cresceu (seta curva).
SWI axial: as contusões com hipossinal (setas).
SWI axial: as contusões com hipossinal (setas).
Fonte: Schweitzer AD et al. RadioGraphics 2019;39(6):1571–1595, Fig. 17. Ver artigo
micro-hemorragias São a forma miúda da lesão parenquimatosa traumática: tipicamente na substância branca e na junção córtico-subcortical, ocultas na TC e evidentes no eco-gradiente/SWI como focos de blooming. Associam-se à lesão axonal, e sua carga e distribuição correlacionam-se com o desfecho.
Lesão axonal leve aguda, mulher de 34 anos passageira sem cinto num acidente de carro (Glasgow 14)
TC axial sem contraste: normal. A RM foi feita pela confusão persistente.
TC axial sem contraste: normal. A RM foi feita pela confusão persistente.
SWI axial: dois focos na substância branca frontal direita anterior (setas).
SWI axial: dois focos na substância branca frontal direita anterior (setas).
Mapa quantitativo de suscetibilidade: desvio de fase positivo nos focos (setas), indicando ferro, isto é, sangue.
Mapa quantitativo de suscetibilidade: desvio de fase positivo nos focos (setas), indicando ferro, isto é, sangue.
Difusão axial: sem alteração.
Difusão axial: sem alteração.
RM axial FLAIR: focos com hipersinal (setas), gliose, nos mesmos pontos das micro-hemorragias.
RM axial FLAIR: focos com hipersinal (setas), gliose, nos mesmos pontos das micro-hemorragias.
Fonte: Schweitzer AD et al. RadioGraphics 2019;39(6):1571–1595, Fig. 19. Ver artigo
+ complemento · contusão de tronco por golpe tentorial Aceleração/desaceleração grave pode contundir o mesencéfalo e o pedúnculo cerebelar superior contra a incisura do tentório: midríase persistente com TC normal merece RM também por isso (a lesão do III nervo aparece).
Contusão do pedúnculo cerebelar superior e lesão do oculomotor, homem de 48 anos com midríase direita (Glasgow 15)
TC axial sem contraste, com detalhe em janela óssea: fratura frontal direita sem desvio (seta no detalhe), sem hemorragia nem contusão intracraniana.
TC axial sem contraste, com detalhe em janela óssea: fratura frontal direita sem desvio (seta no detalhe), sem hemorragia nem contusão intracraniana.
RM sagital FLAIR no controle: contusão hemorrágica focal do pedúnculo cerebelar superior direito (seta reta) e leve hipersinal no nervo oculomotor direito (seta
RM sagital FLAIR no controle: contusão hemorrágica focal do pedúnculo cerebelar superior direito (seta reta) e leve hipersinal no nervo oculomotor direito (seta curva), lesão traumática do nervo que explica a midríase.
Difusão axial: restrição focal no pedúnculo (seta).
Difusão axial: restrição focal no pedúnculo (seta).
SWI axial: micro-hemorragia no pedúnculo (seta).
SWI axial: micro-hemorragia no pedúnculo (seta).
Fonte: Schweitzer AD et al. RadioGraphics 2019;39(6):1571–1595, Fig. 18. Ver artigo

Lesão axonal difusa

A lesão axonal difusa (LAD) vem do estiramento e cisalhamento dos axônios nas interfaces entre tecidos de densidades diferentes, em traumas rotacionais e de aceleração/desaceleração. Os sítios característicos: junção córtico-subcortical (sobretudo frontal, porque o eixo de rotação da cabeça é posterior), corpo caloso (especialmente o esplênio), cápsulas internas e mesencéfalo dorsal/ponte.

Grau (Adams)OndeNota
1Substância branca subcorticalO mais leve
2+ corpo calosoEsplênio é o alvo clássico
3+ tronco encefálicoO mais grave
TálamoFora da graduação, mas associado a mau prognóstico
Lesão axonal hemorrágica isolada do corpo caloso, mulher de 24 anos que caiu ao ser atingida por uma bicicleta (Glasgow 14)
TC axial sem contraste: hematoma subgaleal frontal esquerdo volumoso (ponta de seta), sem fratura, e hemorragia linear na margem direita do corpo anterior do co
TC axial sem contraste: hematoma subgaleal frontal esquerdo volumoso (ponta de seta), sem fratura, e hemorragia linear na margem direita do corpo anterior do corpo caloso (seta).
TC sagital sem contraste: a hemorragia calosa (seta).
TC sagital sem contraste: a hemorragia calosa (seta).
RM sagital FLAIR: edema em volta (seta).
RM sagital FLAIR: edema em volta (seta).
RM axial FLAIR: edema em volta (seta).
RM axial FLAIR: edema em volta (seta).
SWI axial: hemorragia linear (seta).
SWI axial: hemorragia linear (seta).
Difusão axial: restrição na margem da lesão (seta). Lesão axonal aguda focal, sem outras lesões.
Difusão axial: restrição na margem da lesão (seta). Lesão axonal aguda focal, sem outras lesões.
Fonte: Schweitzer AD et al. RadioGraphics 2019;39(6):1571–1595, Fig. 20. Ver artigo
Lesão axonal difusa grave, sequela meses depois, homem de 25 anos após acidente de quadriciclo (Glasgow 3)
SWI axial: inúmeras micro-hemorragias crônicas na substância branca cerebelar direita.
SWI axial: inúmeras micro-hemorragias crônicas na substância branca cerebelar direita.
SWI axial: micro-hemorragias na ponte dorsal e nos pedúnculos cerebelares superiores.
SWI axial: micro-hemorragias na ponte dorsal e nos pedúnculos cerebelares superiores.
SWI axial: micro-hemorragias no corpo caloso.
SWI axial: micro-hemorragias no corpo caloso.
SWI axial: micro-hemorragias na substância branca frontal.
SWI axial: micro-hemorragias na substância branca frontal.
RM sagital FLAIR: atrofia focal acentuada do corpo posterior do corpo caloso e do mesencéfalo (setas).
RM sagital FLAIR: atrofia focal acentuada do corpo posterior do corpo caloso e do mesencéfalo (setas).
RM axial T2: degeneração olivar hipertrófica bilateral (setas), secundária à lesão axonal grave do tronco.
RM axial T2: degeneração olivar hipertrófica bilateral (setas), secundária à lesão axonal grave do tronco.
Fonte: Schweitzer AD et al. RadioGraphics 2019;39(6):1571–1595, Fig. 21. Ver artigo
a ponta do iceberg O que a TC mostra (e mesmo a RM) é fração da lesão axonal real: a clínica costuma ser pior que a imagem. LAD pode ser hemorrágica ou não: a não hemorrágica aparece na difusão; a hemorrágica, no SWI. Pela convenção dos Common Data Elements, ≤ 3 focos = lesão axonal traumática focal; ≥ 4 focos = LAD. Trata-se com manejo de pressão intracraniana: a morbimortalidade supera a das lesões extra-axiais.
hipersinal T2 na substância branca não é carimbo de trauma Num estudo multicêntrico de TCE leve em jovens, 27% tinham lesões de substância branca, mas menos de 2% eram atribuíveis ao trauma agudo (28% dos controles também tinham). Sem restrição à difusão ou micro-hemorragia associada, a lesão T2 é inespecífica. E a tractografia (DTI) segue investigacional (sensível, nada específica, sem normatização) e não serve para laudo individual.

Hérnias e lesões secundárias

A lesão secundária é o dano que o efeito de massa produz: infartos por compressão arterial, hidrocefalia por aprisionamento ventricular e as hemorragias de tronco. É a tabela que o plantão precisa saber de cor:

HérniaInfarto associadoVentrículos e outros achados
Subfalcina (desvio de linha média)Cerebral anterior, do lado do efeito de massa (comprimida contra a foice)Ventriculomegalia do lado para onde a linha média desvia (forame de Monro ocluído)
Transtentorial descendente uni/assimétricaCerebral posterior ipsilateralIII nervo ipsilateral (midríase: pupila “estourada”); hemiparesia ipsilateral se houver fenômeno de Kernohan
Transtentorial descendente grave/bilateralPerfurantes do polígono de Willis: hipotálamo e gânglios da baseHemorragias de Duret no mesencéfalo/ponte
Transtentorial ascendenteCerebelar superior (se grave)Hidrocefalia não comunicante no aqueduto (cisterna quadrigeminal apagada)
TonsilarCerebelar posteroinferior: PICA (se grave)Hidrocefalia por obstrução da saída do IV ventrículo
Fratura de base, contusões frontais, edema difuso, herniação e hemorragias de Duret, mulher de 40 anos atropelada (Glasgow 3)
TC axial sem contraste: fratura occipital e de base do crânio à esquerda, sem desvio (setas), atravessando o canal carotídeo até o seio esfenoidal. A angio-TC n
TC axial sem contraste: fratura occipital e de base do crânio à esquerda, sem desvio (setas), atravessando o canal carotídeo até o seio esfenoidal. A angio-TC não mostrou lesão da carótida.
TC axial sem contraste inicial: contusões hemorrágicas frontais volumosas (pontas de seta), que cresceram, e herniação central descendente, com apagamento da ci
TC axial sem contraste inicial: contusões hemorrágicas frontais volumosas (pontas de seta), que cresceram, e herniação central descendente, com apagamento da cisterna suprasselar e compressão do tronco (seta).
TC axial sem contraste: edema cerebral global, com perda difusa dos sulcos.
TC axial sem contraste: edema cerebral global, com perda difusa dos sulcos.
TC axial sem contraste: cateter de ventriculostomia frontal esquerdo; em seguida foram feitas craniectomias descompressivas bilaterais.
TC axial sem contraste: cateter de ventriculostomia frontal esquerdo; em seguida foram feitas craniectomias descompressivas bilaterais.
RM axial T2: involução das contusões temporais (seta).
RM axial T2: involução das contusões temporais (seta).
RM axial T2: involução das contusões frontais (setas) e hidrocefalia em formação pela HSA.
RM axial T2: involução das contusões frontais (setas) e hidrocefalia em formação pela HSA.
SWI axial: as contusões frontais (setas).
SWI axial: as contusões frontais (setas).
SWI axial: hemorragias de Duret volumosas na ponte média e dorsal (seta), sequela da herniação.
SWI axial: hemorragias de Duret volumosas na ponte média e dorsal (seta), sequela da herniação.
Fonte: Schweitzer AD et al. RadioGraphics 2019;39(6):1571–1595, Fig. 5. Ver artigo
Infartos secundários à herniação, homem de 34 anos que caiu de andaime (Glasgow 4)
TC axial sem contraste: fratura frontal esquerda sem desvio (seta).
TC axial sem contraste: fratura frontal esquerda sem desvio (seta).
TC axial sem contraste: hematoma volumoso de densidade mista, hiperagudo e agudo, na convexidade esquerda (seta branca), com herniação subfalcina para a direita
TC axial sem contraste: hematoma volumoso de densidade mista, hiperagudo e agudo, na convexidade esquerda (seta branca), com herniação subfalcina para a direita (pontas de seta).
TC coronal sem contraste: o mesmo hematoma, a herniação subfalcina (pontas de seta) e a herniação central descendente, com apagamento da cisterna suprasselar e
TC coronal sem contraste: o mesmo hematoma, a herniação subfalcina (pontas de seta) e a herniação central descendente, com apagamento da cisterna suprasselar e compressão do tronco (seta vermelha).
TC coronal sem contraste depois da craniectomia descompressiva: melhora das herniações (setas).
TC coronal sem contraste depois da craniectomia descompressiva: melhora das herniações (setas).
Difusão axial: infarto no centro do mesencéfalo (seta) e no território da cerebral anterior esquerda (pontas de seta).
Difusão axial: infarto no centro do mesencéfalo (seta) e no território da cerebral anterior esquerda (pontas de seta).
SWI axial: hemorragia no infarto do mesencéfalo (seta).
SWI axial: hemorragia no infarto do mesencéfalo (seta).
RM axial FLAIR: infarto extenso da cerebral anterior esquerda (pontas de seta).
RM axial FLAIR: infarto extenso da cerebral anterior esquerda (pontas de seta).
Difusão axial: o território distal da cerebral anterior esquerda (pontas de seta), comprimida pela herniação, e focos de restrição de lesão axonal (seta curva).
Difusão axial: o território distal da cerebral anterior esquerda (pontas de seta), comprimida pela herniação, e focos de restrição de lesão axonal (seta curva).
RM axial FLAIR: os mesmos achados (pontas de seta e seta curva).
RM axial FLAIR: os mesmos achados (pontas de seta e seta curva).
Fonte: Schweitzer AD et al. RadioGraphics 2019;39(6):1571–1595, Fig. 24. Ver artigo
edema cerebral difuso Perda de sulcos, apagamento de cisternas, perda da diferenciação córtico-subcortical: autorregulação e barreira hematoencefálica falham, com edema vasogênico e citotóxico combinados. É o cenário da craniectomia descompressiva.

Lesões vasculares

LesãoPista e conduta
Dissecção / oclusãoFratura pelo canal carotídeo ou pelo forame transverso cervical: fratura de coluna cervical é o maior fator de risco de lesão cerebrovascular contusa. Angio-TC
PseudoaneurismaMais comum na vertebral, depois na cerebral anterior
Fístula carótido-cavernosaProptose, quemose, veia oftálmica dilatada, seio cavernoso “arterializado”: pode ser oculta na TC inicial
Trombose venosaFratura cruzando seio dural/jugular: veno-TC (23–41% trombosam)
Extravasamento ativoHematoma com foco de contraste: cirurgia/embolização
Oclusão traumática da artéria vertebral, paciente após acidente de carro
Angio-TC axial do pescoço: fratura horizontal do corpo de C2 que atravessa o forame transverso direito (setas curvas).
Angio-TC axial do pescoço: fratura horizontal do corpo de C2 que atravessa o forame transverso direito (setas curvas).
Angio-TC coronal: oclusão do segmento V2 distal da vertebral direita (seta).
Angio-TC coronal: oclusão do segmento V2 distal da vertebral direita (seta).
RM axial T2 no controle: sinal anormal na luz da vertebral direita (seta), fluxo lento ou trombo, e edema pré-vertebral, medular e muscular (pontas de seta) pel
RM axial T2 no controle: sinal anormal na luz da vertebral direita (seta), fluxo lento ou trombo, e edema pré-vertebral, medular e muscular (pontas de seta) pela fratura.
RM coronal T2: o mesmo sinal anormal na vertebral (seta) e o edema (pontas de seta).
RM coronal T2: o mesmo sinal anormal na vertebral (seta) e o edema (pontas de seta).
Angiografia digital: oclusão do V2 distal da vertebral direita (seta).
Angiografia digital: oclusão do V2 distal da vertebral direita (seta).
Reconstrução 3D da angio-TC em perfil: a fratura pelo forame transverso (setas curvas) e a oclusão da vertebral (seta reta).
Reconstrução 3D da angio-TC em perfil: a fratura pelo forame transverso (setas curvas) e a oclusão da vertebral (seta reta).
Fonte: Schweitzer AD et al. RadioGraphics 2019;39(6):1571–1595, Fig. 22. Ver artigo
Fístula carótido-cavernosa direta traumática, homem de 50 anos encontrado inconsciente na calçada
TC coronal sem contraste: fraturas maxilofaciais, inclusive da órbita direita (seta reta) e do teto da órbita esquerda e do esfenoide (setas curvas).
TC coronal sem contraste: fraturas maxilofaciais, inclusive da órbita direita (seta reta) e do teto da órbita esquerda e do esfenoide (setas curvas).
Angio-RM axial no controle: realce arterializado acentuado nos seios cavernosos (pontas de seta), na veia oftálmica esquerda e no seio esfenoparietal (setas).
Angio-RM axial no controle: realce arterializado acentuado nos seios cavernosos (pontas de seta), na veia oftálmica esquerda e no seio esfenoparietal (setas).
RM coronal T2: edema intraorbitário difuso (pontas de seta) e pequenos higromas subdurais bilaterais (setas).
RM coronal T2: edema intraorbitário difuso (pontas de seta) e pequenos higromas subdurais bilaterais (setas).
RM axial T1: veias oftálmicas muito dilatadas (setas) e pequena contusão hemorrágica subaguda (ponta de seta).
RM axial T1: veias oftálmicas muito dilatadas (setas) e pequena contusão hemorrágica subaguda (ponta de seta).
RM axial T1 pós-gadolínio: proptose esquerda assimétrica (setas). O conjunto indica fístula carótido-cavernosa direta de alto fluxo.
RM axial T1 pós-gadolínio: proptose esquerda assimétrica (setas). O conjunto indica fístula carótido-cavernosa direta de alto fluxo.
Angiografia digital: fluxo direto da carótida cavernosa esquerda para o seio cavernoso esquerdo (seta reta), enchendo o direito pelas comunicações intersselares
Angiografia digital: fluxo direto da carótida cavernosa esquerda para o seio cavernoso esquerdo (seta reta), enchendo o direito pelas comunicações intersselares; fluxo arterializado na veia oftálmica esquerda (ponta de seta) e no seio esfenoparietal (seta curva).
Angiografia digital em outra incidência: os mesmos achados.
Angiografia digital em outra incidência: os mesmos achados.
Fonte: Schweitzer AD et al. RadioGraphics 2019;39(6):1571–1595, Fig. 23. Ver artigo
+ complemento · trauma penetrante de pescoço No penetrante cervical, a angio-TC é obrigatória em vários pontos do algoritmo da Western Trauma Association: em especial na zona III, acima do ângulo da mandíbula.

Quando não é trauma

ONDE O SANGUE ESTÁ… …EM QUEM PENSAR PRIMEIRO Gânglios da base · cerebelo · occipital 6ª–7ª décadas; procurar o spot sign na angio-TC hipertensão Lobar, córtico-subcortical > 60 anos + micro-hemorragias no SWI = critérios de Boston · no JOVEM, pensar em MAV ou tumor angiopatia amiloide Cisternas basais, difusa pior cefaleia da vida; TC ~100% sensível em 6–24 h; Fisher modificada gradua o risco de vasoespasmo aneurisma roto Sulcal, na convexidade, SEM trauma angiografia se a angio-TC vier negativa; micótico = endocardite, vasos distais vasculite · aneurisma micótico · amiloide Fora de território arterial, junção branco-cinzenta seio hiperdenso na TC; confirmar com veno-TC ou veno-RM trombose venosa
O primeiro triage da hemorragia não traumática é topográfico: onde o sangue está aponta a causa mais provável, e o que investigar em seguida.
hipertensiva × amiloide Hipertensiva: gânglios da base, cerebelo, occipital; 6ª–7ª décadas; mortalidade 30–50%. O spot sign (foco de extravasamento de contraste dentro do hematoma na angio-TC) prediz expansão e pior desfecho. Pior prognóstico também com volume inicial, extensão intraventricular e crescimento em exames seriados.

Angiopatia amiloide cerebral: hemorragia lobar córtico-subcortical que poupa gânglios, fossa posterior e tronco; paciente > 60 anos; múltiplas micro-hemorragias no SWI. O diagnóstico provável usa os critérios de Boston (número e distribuição das hemorragias). Hemorragia cortical em jovem: pensar em malformação vascular ou tumor, não em hipertensão.
Spot sign num hematoma hipertensivo volumoso
TC sem contraste: hematoma hiperdenso volumoso centrado nos núcleos da base direitos (seta).
TC sem contraste: hematoma hiperdenso volumoso centrado nos núcleos da base direitos (seta).
Angio-TC em fase arterial: foco arredondado de extravasamento de contraste dentro do hematoma, separado dos vasos vizinhos, o spot sign (seta).
Angio-TC em fase arterial: foco arredondado de extravasamento de contraste dentro do hematoma, separado dos vasos vizinhos, o spot sign (seta).
Angio-TC em fase tardia: o contraste se acumula no mesmo ponto (seta), sangramento ativo.
Angio-TC em fase tardia: o contraste se acumula no mesmo ponto (seta), sangramento ativo.
Fonte: Heit JJ et al. J Stroke 2017;19(1):11–27, Fig. 7. CC BY-NC 3.0. Ver artigo
Hemorragia lobar por angiopatia amiloide cerebral
TC sem contraste: hemorragia intraparenquimatosa temporal e occipital direita (seta), em padrão lobar que não segue território arterial.
TC sem contraste: hemorragia intraparenquimatosa temporal e occipital direita (seta), em padrão lobar que não segue território arterial.
RM GRE (eco-gradiente): a mesma hemorragia (seta).
RM GRE (eco-gradiente): a mesma hemorragia (seta).
SWI: a mesma hemorragia (seta).
SWI: a mesma hemorragia (seta).
Fonte: Heit JJ et al. J Stroke 2017;19(1):11–27, Fig. 8. CC BY-NC 3.0. Ver artigo
O espectro da angiopatia amiloide na RM, em dois pacientes
FLAIR, paciente 1: hipersinal difuso da substância branca (seta), microangiopatia pelo depósito de beta-amiloide nas paredes arteriais.
FLAIR, paciente 1: hipersinal difuso da substância branca (seta), microangiopatia pelo depósito de beta-amiloide nas paredes arteriais.
GRE, paciente 1: micro-hemorragias antigas (pontas de seta) e hemorragia cortical (seta), com hipossinal.
GRE, paciente 1: micro-hemorragias antigas (pontas de seta) e hemorragia cortical (seta), com hipossinal.
FLAIR, paciente 2: hipersinal periventricular menos intenso (seta).
FLAIR, paciente 2: hipersinal periventricular menos intenso (seta).
GRE, paciente 2: várias micro-hemorragias antigas (pontas de seta).
GRE, paciente 2: várias micro-hemorragias antigas (pontas de seta).
Fonte: Heit JJ et al. J Stroke 2017;19(1):11–27, Fig. 9. CC BY-NC 3.0. Ver artigo
Transformação hemorrágica do AVC isquêmicoDefinição
HI1 (infarto hemorrágico 1)Petéquias na margem do infarto
HI2 (infarto hemorrágico 2)Petéquias confluentes dentro do infarto
PH1 (hematoma parenquimatoso 1)Hematoma ≤ 30% do infarto, discreto efeito de massa
PH2 (hematoma parenquimatoso 2)Hematoma > 30% com efeito de massa significativo: o único em geral clinicamente relevante
Transformação hemorrágica depois de trombectomia, em quatro pacientes (um por coluna)
Paciente 1, TC sem contraste: infarto agudo da cerebral média com hipoatenuação no núcleo lentiforme direito (seta).
Paciente 1, TC sem contraste: infarto agudo da cerebral média com hipoatenuação no núcleo lentiforme direito (seta).
Paciente 2, difusão: restrição no corpo do caudado direito (seta).
Paciente 2, difusão: restrição no corpo do caudado direito (seta).
Paciente 3, difusão: restrição no corpo do caudado direito (seta).
Paciente 3, difusão: restrição no corpo do caudado direito (seta).
Paciente 4, difusão: restrição no corpo do caudado esquerdo (seta).
Paciente 4, difusão: restrição no corpo do caudado esquerdo (seta).
Paciente 1, GRE no controle: HI1, foco puntiforme de hipossinal no lentiforme direito (seta).
Paciente 1, GRE no controle: HI1, foco puntiforme de hipossinal no lentiforme direito (seta).
Paciente 2, GRE no controle: HI2, hipossinal confluente no lentiforme direito (seta).
Paciente 2, GRE no controle: HI2, hipossinal confluente no lentiforme direito (seta).
Paciente 3, TC: PH1, hiperdensidade com nível líquido no lentiforme direito (seta).
Paciente 3, TC: PH1, hiperdensidade com nível líquido no lentiforme direito (seta).
Paciente 4, TC: PH2, hiperdensidade volumosa nos núcleos da base esquerdos, com efeito de massa no parênquima e no ventrículo lateral esquerdo (seta).
Paciente 4, TC: PH2, hiperdensidade volumosa nos núcleos da base esquerdos, com efeito de massa no parênquima e no ventrículo lateral esquerdo (seta).
Fonte: Heit JJ et al. J Stroke 2017;19(1):11–27, Fig. 10. CC BY-NC 3.0. Ver artigo
Transformação hemorrágica de infarto da PICA esquerda que exigiu descompressão da fossa posterior
Difusão na admissão: infarto agudo no território da PICA esquerda (seta).
Difusão na admissão: infarto agudo no território da PICA esquerda (seta).
TC 3 dias depois: transformação HI2 no infarto e edema que apaga o quarto ventrículo (ponta de seta).
TC 3 dias depois: transformação HI2 no infarto e edema que apaga o quarto ventrículo (ponta de seta).
TC depois da craniectomia suboccipital (seta): o quarto ventrículo descomprimido (ponta de seta).
TC depois da craniectomia suboccipital (seta): o quarto ventrículo descomprimido (ponta de seta).
Fonte: Heit JJ et al. J Stroke 2017;19(1):11–27, Fig. 11. CC BY-NC 3.0. Ver artigo
aneurisma, MAV e fístula dural Aneurisma roto: HSA de cisternas basais; a TC é ~100% sensível nas primeiras 6–24 h; a escala de Fisher modificada (espessura + extensão intraventricular) gradua o risco de vasoespasmo.

MAV (malformação arteriovenosa): causa clássica de hemorragia parenquimatosa no jovem, com risco anual de sangramento de 2–4%; toda MAV rota vai à angiografia por subtração digital (DSA) à procura de aneurisma nidal.

Fístula arteriovenosa dural (FAVD): shunt sem nido; o risco de sangrar é o refluxo venoso cortical (classificações de Cognard e Borden); SWI e arterial spin labeling ajudam a flagrar o shunt.
HSA difusa por aneurisma roto da comunicante anterior
TC sem contraste: HSA difusa, hiperdensidade nas cisternas da base (seta).
TC sem contraste: HSA difusa, hiperdensidade nas cisternas da base (seta).
Angio-TC: aneurisma sacular no complexo da comunicante anterior (seta).
Angio-TC: aneurisma sacular no complexo da comunicante anterior (seta).
Angiografia 3D: o mesmo aneurisma (seta).
Angiografia 3D: o mesmo aneurisma (seta).
Fonte: Heit JJ et al. J Stroke 2017;19(1):11–27, Fig. 12. CC BY-NC 3.0. Ver artigo
Hemorragia por MAV pequena rota, paciente pediátrico
TC sem contraste: hematoma intraparenquimatoso hiperdenso frontal direito (seta).
TC sem contraste: hematoma intraparenquimatoso hiperdenso frontal direito (seta).
Angio-TC em projeção de intensidade máxima: emaranhado de vasos na margem anterior do hematoma (seta).
Angio-TC em projeção de intensidade máxima: emaranhado de vasos na margem anterior do hematoma (seta).
Angiografia digital: MAV pequena (seta) com veia cortical de drenagem precoce sutil (ponta de seta).
Angiografia digital: MAV pequena (seta) com veia cortical de drenagem precoce sutil (ponta de seta).
Fonte: Heit JJ et al. J Stroke 2017;19(1):11–27, Fig. 13. CC BY-NC 3.0. Ver artigo
as duas que enganam o plantão Trombose venosa: hemorragia que não respeita território arterial, centrada na junção branco-cinzenta, com seio hiperdenso; confirmar com veno-TC/veno-RM.

HSA sulcal sem trauma: vasculite, aneurisma micótico (endocardite, vasos distais) ou amiloide; se a angio-TC vier negativa, o caminho é a DSA.

E no pós-trombectomia, hiperdensidade pode ser impregnação de contraste, não sangue, e a dupla energia separa.
Hemorragia por trombose do seio sagital superior, mulher com trombofilia
TC sem contraste: hematoma hiperdenso nos giros frontais superior e médio esquerdos (seta) e lesão isquêmica hipoatenuante no giro frontal médio direito (ponta
TC sem contraste: hematoma hiperdenso nos giros frontais superior e médio esquerdos (seta) e lesão isquêmica hipoatenuante no giro frontal médio direito (ponta de seta).
RM T2: o hematoma esquerdo, heterogêneo e com hipossinal, com edema em volta; outro hematoma no giro frontal médio direito, atrás da área isquêmica.
RM T2: o hematoma esquerdo, heterogêneo e com hipossinal, com edema em volta; outro hematoma no giro frontal médio direito, atrás da área isquêmica.
GRE: hipossinal dos hematomas e do seio sagital superior trombosado (ponta de seta).
GRE: hipossinal dos hematomas e do seio sagital superior trombosado (ponta de seta).
RM pós-contraste volumétrica: falha de enchimento no seio sagital superior (ponta de seta), a causa, e trombo numa veia cortical anterior direita (seta).
RM pós-contraste volumétrica: falha de enchimento no seio sagital superior (ponta de seta), a causa, e trombo numa veia cortical anterior direita (seta).
Fonte: Heit JJ et al. J Stroke 2017;19(1):11–27, Fig. 15. CC BY-NC 3.0. Ver artigo
HSA sulcal por vasculite, mulher de meia-idade com cefaleia
FLAIR: hipersinal no sulco marginal direito (seta).
FLAIR: hipersinal no sulco marginal direito (seta).
GRE: hipossinal no mesmo sulco, mais abaixo (seta).
GRE: hipossinal no mesmo sulco, mais abaixo (seta).
Angiografia digital: irregularidades em rosário nos ramos M4 da cerebral média direita (setas), compatíveis com vasculite.
Angiografia digital: irregularidades em rosário nos ramos M4 da cerebral média direita (setas), compatíveis com vasculite.
Angiografia digital ampliada: as mesmas irregularidades (seta).
Angiografia digital ampliada: as mesmas irregularidades (seta).
Fonte: Heit JJ et al. J Stroke 2017;19(1):11–27, Fig. 16. CC BY-NC 3.0. Ver artigo
HSA sulcal por aneurisma micótico roto
FLAIR: hipersinal no sulco pré-central esquerdo (seta).
FLAIR: hipersinal no sulco pré-central esquerdo (seta).
GRE: hipossinal no mesmo sulco (seta).
GRE: hipossinal no mesmo sulco (seta).
RM pós-contraste volumétrica: foco arredondado de realce ao longo dos vasos do sulco (seta), o aneurisma micótico.
RM pós-contraste volumétrica: foco arredondado de realce ao longo dos vasos do sulco (seta), o aneurisma micótico.
Angiografia digital em AP (anteroposterior): aneurisma lobulado na artéria pré-central esquerda (seta).
Angiografia digital em AP (anteroposterior): aneurisma lobulado na artéria pré-central esquerda (seta).
Angiografia digital em perfil: o aneurisma (seta).
Angiografia digital em perfil: o aneurisma (seta).
Perfil ampliado: o aneurisma, mais bem visto (seta).
Perfil ampliado: o aneurisma, mais bem visto (seta).
Fonte: Heit JJ et al. J Stroke 2017;19(1):11–27, Fig. 17. CC BY-NC 3.0. Ver artigo

Prognóstico e o laudo

A TC de admissão carrega prognóstico: os escores Marshall, Rotterdam, Estocolmo e Helsinki predizem mortalidade em 6 meses, e o NIRIS (NeuroImaging Radiological Interpretation System) gradua a gravidade do TCE agudo. No TCE leve complicado (Glasgow 13–15 com achado na TC), os números que justificam a vigilância: deterioração clínica em 11,7%, neurocirurgia em 3,5%, morte em 1,4%.

o que a RM acrescenta No estudo TRACK-TBI (Transforming Research and Clinical Knowledge in Traumatic Brain Injury: estudo multicêntrico americano de TCE), contusão à RM ou ≥ 4 focos de lesão axonal hemorrágica pioraram o desfecho aos 3 meses mesmo controlando para a TC e fatores clínicos. No TCE grave, a RM precoce também agrega prognóstico: tálamo e tronco pesam mais.
+ complemento · rumo ao laudo estruturado O TBI-RADS (TBI Reporting and Data System), iniciativa do ACR Head Injury Institute, combina achados da TC, demografia e história dirigida para padronizar laudo e destino do paciente (alta vigiada, enfermaria, UTI ou cirurgia). Ainda em construção, mas é a direção: menos variabilidade, dados agregáveis e comunicação melhor com quem decide.

Pontos de prova: alto rendimento

GlasgowLeve 13–15 · moderado 9–12 · grave 3–8 · correlação boa só no grave
Glasgow 156,9% têm achado agudo na TC
TC sem contrasteClasse I no TCE moderado/grave · fratura é com TC, não RM
RM: quandoTC normal + déficit persistente inexplicado (classe I)
RM: melhor paraHED/HSD, contusão não hemorrágica, tronco, lesão axonal (Ib)
HEDBiconvexo · não cruza sutura · meníngea média + fratura · intervalo lúcido
HED venosoCruza foice/tentório · vértex (seio sagital) · anterior temporal é benigno
Swirl signComponente hipodenso no HED agudo = sangramento ativo
HSDCrescente · cruza sutura · não cruza foice/tentório · veias-ponte
HSD: atenuação (medianas)Hiper 1–2 d · iso 11 d · hipo 14 d
HSD mistoNão é obrigatoriamente agudo-sobre-crônico: hiperagudo/coagulopatia
HSD isodenso agudoAnemia grave ou rasgo de aracnoide com líquor
Janela subduralLargura ~150, nível ~30 UH + reformatações coronais
HSA traumáticaSulcal na convexidade, coup/contrecoup
HSA de linha médiaMarcador de LAD (S 61% / E 82%)
HSA de cisternas basaisInvestigar aneurisma, mesmo com trauma
Vasoespasmo pós-TCEAté 30–40% no grave
Hemorragia intraventricularCorrelaciona com LAD (OR (razão de chances) ~4)
Contusão: ondeFrontal inferior e temporal anterior, cristas dos giros
Contusão: evoluçãoFloresce em 48 h · temporal tem pior desfecho que frontal
Higroma subduralLíquor por rasgo de aracnoide · média de 9 dias · sem membranas
LAD: locaisJunção córtico-subcortical frontal · esplênio · cápsulas · tronco dorsal
LAD: graus1 subcortical · 2 caloso · 3 tronco · tálamo = mau prognóstico
LAD: corte≥ 4 focos = difusa (Common Data Elements)
SubfalcinaInfarto de cerebral anterior · ventrículo contralateral dilata
Descendente unilateralInfarto de cerebral posterior · III nervo · Kernohan
Descendente gravePerfurantes de Willis · hemorragias de Duret
TonsilarPICA + hidrocefalia do IV ventrículo
Fratura × vasoCanal carotídeo → angio-TC · seio dural → veno-TC (23–41% trombosam)
HipertensivaGânglios/cerebelo/occipital · spot sign prediz expansão
AmiloideLobar, poupa gânglios · > 60 anos · micro-hemorragias no SWI · Boston
Transformação hemorrágicaHI1/HI2/PH1/PH2: só a PH2 costuma ter relevância
Trombose venosaFora de território arterial · junção branco-cinzenta · seio hiperdenso
HSA sulcal sem traumaVasculite · micótico · amiloide: DSA se angio-TC negativa
TCE leve complicadoDeterioração 11,7% · cirurgia 3,5% · morte 1,4%

Armadilhas e erros comuns

Erros de leitura

  • Datar HSD só pela atenuação: misto ≠ agudo-sobre-crônico; iso pode ser agudo
  • Perder HSD fino por não usar janela subdural e coronais
  • Chamar higroma de hematoma crônico (higroma é líquor, sem membranas)
  • Aceitar “HSA traumática” nas cisternas basais sem angio-TC
  • Esquecer que a TC subestima a lesão axonal: clínica pior que imagem pede RM
  • Confundir impregnação de contraste pós-trombectomia com sangue

Erros de conduta

  • Alta precoce com contusão pequena: ela floresce em 48 h
  • Não pedir veno-TC quando a fratura cruza seio dural
  • Não pedir angio-TC no penetrante e na fratura do canal carotídeo
  • Tratar hemorragia lobar do idoso como hipertensiva sem SWI (amiloide muda a conversa sobre anticoagulação)
  • Laudar DTI individual como prova de lesão axonal: segue investigacional

Erros de raciocínio

  • Glasgow 15 como sinônimo de TC normal (6,9% têm achado)
  • Hemorragia cortical no jovem rotulada de hipertensiva: procurar MAV/tumor
  • Ignorar o ventrículo contralateral dilatado na subfalcina (Monro ocluído)
  • Hipersinal T2 de substância branca como carimbo de trauma: inespecífico sem difusão/SWI

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Homem de 28 anos, agressão com barra de ferro. Chegou falando (Glasgow 15), rebaixou 2 horas depois. TC: coleção biconvexa temporal direita, hiperdensa com áreas hipodensas de permeio, que não cruza a sutura coronal, com fratura escamosa adjacente. Qual o diagnóstico e o que o componente hipodenso significa?

A tríade da questão: forma biconvexa + respeito à sutura + fratura = hematoma extradural; no território pterional, a fonte clássica é a artéria meníngea média. O intervalo lúcido (falou, depois rebaixou) completa o quadro clássico.

O componente hipodenso dentro de um hematoma hiperagudo é o swirl sign: sangue ainda não coagulado, ou seja, sangramento ativo, achado que acelera a decisão cirúrgica.

O subdural é crescente, cruza suturas (e não cruza foice/tentório): o oposto do extradural. E densidade mista em coleção extra-axial não é sinônimo de cronicidade: hiperagudo e coagulopatia produzem o mesmo aspecto.
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Questão 2

Mulher de 52 anos encontrada caída ao pé da escada, Glasgow 13. TC: HSA preenchendo as cisternas basais e a fissura sylviana bilateralmente, pequena quantidade sulcal na convexidade, sem fratura. Qual a conduta correta?

A HSA traumática típica é sulcal, de pequeno volume, na convexidade (coup/contrecoup) e tende a poupar as cisternas basais. O padrão inverso (cisternas basais e fissuras cheias) é a distribuição do aneurisma roto, e a armadilha clínica é exatamente esta: o aneurisma rompe, o paciente desmaia e cai; a história vira “trauma” e a causa real fica para trás.

Por isso a regra do caderno: HSA isolada nas cisternas basais, volumosa na fissura sylviana ou na inter-hemisférica anterior = angio-TC, mesmo com trauma na história. HSA interpeduncular/perimesencefálica levanta ainda lesão de tronco. Esperar 6 horas é perder a janela de um ressangramento potencialmente fatal.
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Questão 3

Motociclista de 19 anos, colisão em alta velocidade, Glasgow 5 desde a cena. TC de crânio: apenas discreta HSA inter-hemisférica e uma petéquia na junção córtico-subcortical frontal. A equipe estranha o coma “desproporcional à TC”. Qual a explicação mais provável e o próximo exame?

Coma grave com TC quase normal após trauma rotacional de alta energia é a assinatura da lesão axonal difusa: o cisalhamento rompe axônios na junção córtico-subcortical (frontal, porque o eixo de rotação da cabeça é posterior), no corpo caloso (esplênio), nas cápsulas e no tronco dorsal. A TC (e mesmo a RM) mostra fração da lesão real: clínica pior que imagem é o padrão, não a exceção.

Dois reforços do caderno: a HSA de linha média na TC inicial é marcador de LAD grave na RM (S 61%/E 82%), e a graduação de Adams sobe de subcortical (1) para caloso (2) e tronco (3), com tálamo fora da escala mas de mau prognóstico. O exame que quantifica é a RM com SWI (focos hemorrágicos) e difusão (não hemorrágicos): ≥ 4 focos define a forma difusa.
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Questão 4

TC de controle de um HSD agudo esquerdo volumoso: desvio de linha média de 11 mm para a direita, e o ventrículo lateral direito (contralateral ao hematoma) está dilatado. Surgiu hipodensia parassagital esquerda. O que explica os dois achados novos?

É a fisiologia da hérnia subfalcina em dois tempos. O giro do cíngulo desliza sob a foice; o forame de Monro do lado para onde a linha média desvia oclui, e o ventrículo contralateral ao hematoma dilata: o clássico aprisionamento que engana quem espera ventrículos comprimidos dos dois lados. E a artéria cerebral anterior, comprimida contra a foice do lado do efeito de massa, infarta o território parassagital ipsilateral ao hematoma.

As outras hérnias têm outras assinaturas: descendente unilateral → cerebral posterior + III nervo (± Kernohan); descendente grave → perfurantes de Willis + hemorragias de Duret; ascendente → cerebelar superior + aqueduto; tonsilar → PICA + IV ventrículo.
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Questão 5

Homem de 76 anos, normotenso de longa data, com hemorragia lobar parieto-occipital direita córtico-subcortical. SWI: dezenas de micro-hemorragias córtico-subcorticais bilaterais, nenhuma nos gânglios da base ou no tronco. Qual a causa mais provável?

O padrão é o da angiopatia amiloide cerebral: paciente > 60 anos, hemorragia lobar córtico-subcortical e micro-hemorragias com a mesma distribuição periférica, poupando gânglios da base, fossa posterior e tronco, exatamente o negativo da doença hipertensiva, que mora nos gânglios/cerebelo/occipital profundo. Os critérios de Boston usam o número e a distribuição dessas hemorragias para firmar o diagnóstico provável (o definitivo é histológico).

MAV seria hipótese forte num jovem; a trombose venosa produz hemorragia fora de território arterial com seio hiperdenso; metástases pedem massa com edema desproporcional e contexto oncológico. A distinção importa na prática: amiloide provável muda a conversa sobre anticoagulação.
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Questão 6

Mulher de 66 anos, queda da própria altura, Glasgow 15, assintomática além de cefaleia leve. TC: contusão hemorrágica de 1 cm no polo temporal esquerdo, sem outras lesões. O plantão propõe alta com orientações. Qual o problema dessa conduta?

Contusão é lesão evolutiva: o “blossoming” das primeiras 48 horas pode transformar um foco de 1 cm em hematoma com efeito de massa, e progressão significativa (lesão nova ou volume dobrado) associa-se a pior desfecho clínico. O caderno registra ainda que contusão temporal carrega pior recuperação funcional aos 6 meses que a frontal, e o TCE leve complicado (Glasgow 13–15 com achado na TC) tem deterioração em 11,7% e morte em 1,4%: baixo, mas não desprezível.

Alta precoce do pronto-socorro é exatamente o erro que o seguimento por imagem existe para evitar. Cirurgia de saída não se indica por uma contusão pequena, e nenhuma RM avançada substitui a simples TC de controle aqui.
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Fontes.
[A] Schweitzer AD, Niogi SN, Whitlow CJ, Tsiouris AJ. Traumatic Brain Injury: Imaging Patterns and Complications. RadioGraphics 2019;39(6):1571–1595. doi:10.1148/rg.2019190076
[B] Heit JJ, Iv M, Wintermark M. Imaging of Intracranial Hemorrhage. J Stroke 2017;19(1):11–27. doi:10.5853/jos.2016.00563

A parte traumática (compartimentos, contusões, lesão axonal, hérnias, vascular, prognóstico) vem de [A], com [B] complementando os compartimentos; o mapa das causas não traumáticas vem de [B]. Conferido em 31/08/2026.

Os diagramas são próprios. Blocos marcados com + complemento são acréscimos do autor, além do texto das fontes.