65 · Isquemia Mesentérica e Sangramento Digestivo na TC
Abdome · emergência
Isquemia Mesentérica e Sangramento Digestivo na TC
Fontes: Lee et al., RadioGraphics 2025 · Guglielmo et al., RadioGraphics 2021
Dois diagnósticos que dependem da TC
A isquemia mesentérica aguda é rara (menos de 1 em cada 1.000 internações) e mata
50 a 80%. Não há exame de laboratório que a diagnostique cedo, e a clínica engana: a dor é
desproporcional ao exame físico, porque a lesão começa na mucosa e só no fim chega à
serosa. Quem dá o diagnóstico, muitas vezes, é o radiologista, e às vezes numa TC pedida
sem essa suspeita.
O sangramento digestivo é comum. A TC acha o ponto que sangra, mostra a causa e
orienta para onde vai o paciente: endoscopia, arteriografia ou cirurgia.
o tempo é a doença
A mucosa sofre com 20 a 60 minutos de fluxo baixo; a necrose transmural vem em 8 a 12
horas. Tratada nas primeiras 24 horas, a isquemia mata 11%; depois disso, 73%. Um
lactato normal no início não afasta o diagnóstico, e é um fator independente de
atraso diagnóstico: o lactato sobe tarde, depois do infarto.
Isquemia mesentérica: os quatro mecanismos
Lee et al. defendem ler a isquemia pela fisiopatologia, não por uma lista de sinais:
o mesmo achado tem peso diferente conforme a causa.
Mecanismo
Causa
Frequência
Entrada insuficiente
Oclusão arterial: embolia ou trombose da mesentérica superior
55 a 70% (a mais comum das causas de fluxo)
Saída insuficiente
Trombose venosa mesentérica
5 a 20%
Hipoperfusão global
Isquemia não oclusiva (choque, vasopressor)
20 a 30% (provavelmente subdiagnosticada)
Obstrução estrangulada
Alça fechada por brida ou hérnia
Isquemia secundária: a causa mais comum de isquemia intestinal no geral
a ordem da leitura
Primeiro os vasos: há trombo na artéria ou na veia mesentérica superior? Com trombo e
sem obstrução estrangulada, a causa está dada. Sem trombo, pense em isquemia não oclusiva,
trombo oculto ou doença de pequenos vasos. Depois, o intestino e o que está fora dele,
para medir extensão e gravidade. O que muda a conduta é reconhecer a necrose
transmural, e os preditores dela mudam com a causa.
Necrose transmural
Mortalidade
Arterial
74%
Não oclusiva
69% (30 a 93% no total)
Venosa
42 a 44%
Território e colaterais
A mesentérica superior irriga o intestino médio e é para ele o que a carótida é para
o cérebro. As colaterais protegem quando a doença é lenta (aterosclerose), mas não dão
conta de uma oclusão aguda.
Segmento da mesentérica superior
Vai de
S1 proximal
Origem até a pancreaticoduodenal inferior (colateral com o tronco celíaco)
S2 médio
Pancreaticoduodenal inferior até a ileocólica (jejunais, cólica direita e cólica média)
S3 distal
Além da ileocólica
Colateral ou zona
Liga
Arcadas pancreaticoduodenais, arco de Bühler, arco de Barkow
Tronco celíaco e mesentérica superior
Artéria marginal de Drummond, arco de Riolan
Mesentérica superior e inferior
Zona de Griffith (flexura esplênica)
Cólica média com a cólica esquerda: zona de divisa
Zona de Sudeck (retossigmoide)
Retal superior com as retais média e inferior: zona de divisa
+ complemento · colite isquêmica não é isquemia mesentérica
A colite isquêmica vem de hipoperfusão local e transitória, segmentar, mais no cólon
esquerdo e nas zonas de divisa. É outra entidade. A exceção que preocupa: colite isquêmica
só do cólon direito tem pior evolução e se associa à isquemia mesentérica (o cólon
direito é território da mesentérica superior).
Protocolo e o que a TC acha
A angio-TC multifásica é o exame de escolha (ACR, American College of Radiology, e sociedades vasculares), com
sensibilidade e especificidade de 90 a 100%: fase arterial e portal, com ou sem
fase sem contraste. A técnica de bolo dividido (dois bolos e uma aquisição) junta
artéria e veia numa fase só, com menos radiação.
a TC portal também diagnostica
Muitos pacientes fazem só a fase portal. Realce reduzido, parede fina, dilatação e até a
oclusão arterial aparecem nela (a oclusão com mais falso-positivo). O diagnóstico é feito
com mais frequência quando a suspeita está escrita no pedido: a isquemia é
subdiagnosticada quando ninguém a pediu. Nada de contraste oral: atrasa e o paciente
pode não tolerar.
+ complemento · dupla energia
Imagens monoenergéticas de 40 keV e mapas de iodo destacam a parede que realça menos. Na
isquemia não oclusiva, o mapa de iodo na fase arterial tardia melhorou a acurácia. E a TC
acha o diagnóstico alternativo: numa série de 959 angio-TC por suspeita de isquemia,
19% eram isquemia e 61% outra coisa (obstrução, colite infecciosa, pneumonia, colecistite,
diverticulite).
Oclusão arterial: embolia e trombose
Embolia
Trombose
Frequência
A causa mais comum de isquemia primária
15 a 35% (em alta)
Paciente
Mais jovem, cardiopata (fibrilação atrial, infarto)
Mais velho, aterosclerótico, com colaterais
Onde
3 a 15 cm da origem, poupando a mesentérica proximal e a cólica média
Na origem, sobre placa calcificada e estenose
Intestino
Jejuno distal, íleo e cólon direito · jejuno proximal poupado
Mais extenso (até o transverso): o pior prognóstico
Outros órgãos
Êmbolos sincrônicos em 20 a 68% (rim, baço)
Êmbolos em vários órgãos, mulher de 66 anos
Angio-TC axial e coronal: rim direito sem realce, infartado (seta em A), trombo mural na aorta (ponta de seta em A), oclusão extensa no segmento médio da mesentérica superior (círculo em C) e alças hipocaptantes do jejuno distal e do íleo (setas em B e C), com o jejuno proximal preservado. O espessamento das alças sugere algum grau de reperfusão. (D) Reconstrução 3D: corte abrupto do segmento médio (seta).
Fonte: Lee MH et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250012, Fig. 8. Ver artigo
O êmbolo é um defeito de enchimento hipoatenuante, com corte abrupto do vaso. O
laudo precisa dizer onde está a oclusão: numa revisão, o local não foi citado em 62%
dos laudos e estava errado em 13%.
Embolia da mesentérica superior, dois pacientes
Mulher de 63 anos. Angio-TC sagital: êmbolo hipoatenuante (seta) além da origem da mesentérica superior, poupando a porção proximal, como é típico.Reconstrução 3D: corte abrupto no segmento médio (seta), no êmbolo oclusivo.Homem de 60 anos depois de retirar um enxerto aortobifemoral infectado. Angio-TC axial: êmbolo oclusivo no segmento médio (seta) e pequenos infartos no rim direito (círculo).Arteriografia: o mesmo corte abrupto no segmento médio (seta).
Fonte: Lee MH et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250012, Figs. 6, 7. Ver artigo
No intestino
O que significa
Realce reduzido ou ausente
A marca da isquemia arterial (especificidade de 97 a 99%) · isquemia "pálida" · com transição nítida para a alça normal
Alça contraída
Íleo espástico reflexo, no início
Mesentério limpo
Borramento em só 10% (contra 79 a 93% na não oclusiva e na estrangulada): ausência de inflamação não afasta isquemia arterial
Trombose da mesentérica superior, mulher de 55 anos transplantada renal
Sagital: trombo hipoatenuante na mesentérica superior (seta contínua), com aterosclerose calcificada.Axial: alças de jejuno sem realce no abdome esquerdo (círculo), com transição nítida para as alças que realçam (seta tracejada); realce peritoneal discreto ao lado (ponta de seta).
Fonte: Lee MH et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250012, Fig. 11. Ver artigo
Embolia com parede fina como papel, homem de 83 anos com fibrilação atrial
Angio-TC axial: trombo no segmento médio da mesentérica superior (seta).Alças de jejuno distal e íleo dilatadas, cheias de líquido, sem realce e com parede imperceptível (oval); transição nítida para as alças que realçam (seta).Outro nível: o mesmo achado (oval e setas). A parede fina como papel prediz necrose transmural.Reconstrução 3D: corte abrupto do segmento médio (ponta de seta).
Fonte: Lee MH et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250012, Fig. 12. Ver artigo
o que prediz necrose transmural na causa arterialEstenose acima de 70% ou oclusão completa, pneumatose, dilatação das alças
e parede fina como papel (sensibilidade de 38%, especificidade de 98%). O realce
reduzido sozinho não prediz: a parede pode ainda ser viável. Num estudo prospectivo,
falência de órgão, lactato acima de 2 mmol/L e alça acima de 2,5 cm foram preditores
independentes de ressecção.
dilatação não é íleo simples
Na oclusão arterial, alça dilatada prediz necrose e costuma vir antes da pneumatose (às
vezes com o estômago dilatado também). Diante de um "íleo" na TC de quem não foi operado,
pense em isquemia.
Trombose da mesentérica superior, dois pacientes
Homem de 77 anos. Sagital: trombose e oclusão na origem da mesentérica superior, com aterosclerose grave (seta).Mesmo paciente, axial em janela de partes moles: alças sem realce no centro e à esquerda (pontas de seta) e alças normais à direita (setas).Mesmo paciente, janela de pulmão: pneumatose extensa no delgado (setas).Homem de 49 anos. Sagital: oclusão na origem (ponta de seta), com alças dilatadas, de parede fina, sem realce e cheias de líquido (setas). A dilatação aqui prediz necrose, não é íleo simples.Segundo paciente, axial: as alças dilatadas e sem realce (setas).
Fonte: Lee MH et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250012, Figs. 9, 10. Ver artigo
Trombose venosa mesentérica
Paciente mais jovem, com estado de hipercoagulabilidade ou inflamação local, e sintomas
que crescem em dias a semanas. O trombo começa nas veias pequenas e sobe.
Achado
Detalhe
Trombo
Defeito hipoatenuante na veia, com realce da parede em volta · agudo: expansivo e hiperatenuante sem contraste · mesentérica superior em 95%
Segmento
Íleo (64 a 83%), jejuno (50 a 81%) · trombose periférica, com menos colaterais, tem mais risco de necrose
Parede espessa
Até 1,5 cm (normal 0,3 a 0,5 cm), com estratificação em alvo: mucosa e muscular realçando, submucosa edemaciada
Mesentério
Borramento, edema e líquido muito mais evidentes que na arterial
Trombose venosa mesentérica, mulher de 37 anos
TC portal axial: trombo hipoatenuante expansivo na veia mesentérica superior (seta contínua), com realce da parede da veia em volta (seta tracejada).Coronal: o mesmo trombo (setas).Axial: alças do delgado com parede espessa, estratificação, edema do mesentério e pouco líquido entre as alças (oval).Coronal: o mesmo achado (círculo), bem visível na fase portal.TC 12 meses depois, com anticoagulação: colaterais (pontas de seta).
Fonte: Lee MH et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250012, Fig. 13. Ver artigo
o que prediz necrose na causa venosaRealce reduzido ou ausente (razão de chances diagnóstica 8,2) e dilatação (3,1).
O grau de espessamento e o que se vê fora do intestino não se correlacionam com a
gravidade. Estratificação na causa arterial, por outro lado, sugere reperfusão.
Isquemia não oclusiva
É a isquemia do doente crítico: choque (hemorrágico, cardiogênico, séptico),
vasopressores, que sobem a pressão sem melhorar o fluxo mesentérico, cocaína, hipotensão na
hemodiálise. Não há oclusão.
Achado
Na TC
Vasos
Mesentérica superior pérvia, mas fina e irregular · ramos com estreitamento e dilatação alternados: "salsichas em fila" · comparar o calibre com TC anterior
Intestino
Isquemia descontínua, em vários territórios, com áreas isquêmicas, reperfundidas e necróticas lado a lado
Fora do intestino
Vários órgãos: infartos renais, fígado, complexo de hipoperfusão (intestino de choque) · borramento e ascite comuns
Isquemia não oclusiva no choque hemorrágico, homem de 79 anos
Coronal: isquemia descontínua e disseminada, em delgado e cólon.Axial: alças com realce baixo ou ausente (seta contínua), de parede fina e cheias de líquido, comparadas ao duodeno que realça (seta tracejada). Infartos renais (círculos), sinal de comprometimento de vários órgãos, e hiper-realce renal do choque. Morreu no dia seguinte.
Fonte: Lee MH et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250012, Fig. 14. Ver artigo
Isquemia não oclusiva no choque hemorrágico, mulher de 83 anos
Angio-TC coronal: mesentérica superior pérvia, mas fina e irregular (seta).Coronal: isquemia disseminada, segmentar, em vários territórios (oval), com realce menor que o delgado à direita.Axial: alça isquêmica de parede fina e cheia de líquido (círculo) e infartos renais (setas).Coronal 3 dias antes: alças normais. Comparar com exames anteriores ajuda. Morreu 3 dias depois.
Fonte: Lee MH et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250012, Fig. 15. Ver artigo
preditores e o escore de Calame
Associados à necrose transmural: realce ausente, parede fina, dilatação, pneumatose, gás no
mesentério e gás portal. O escore de Calame soma quatro fatores: realce ausente,
parede fina, bicarbonato ≤ 15 mmol/L e atividade de protrombina < 40%. Com três, 88% tinham
necrose irreversível; com os quatro, 100%. Isquemia mais proximal (até o estômago) é
pior sinal.
a dilatação engana no doente crítico
Na não oclusiva, alça dilatada pesa menos: o paciente de UTI tem muitos motivos para
íleo. O achado mais consistente de necrose aqui é a ausência de realce.
Obstrução estrangulada e alça fechada
Cerca de 10% das obstruções de delgado se complicam com isquemia, quase sempre por
alça fechada (obstruída em dois pontos), por brida ou hérnia. A alça sofre por
compressão do pedículo, distensão e pressão na parede: primeiro a veia, depois a
artéria.
Sinal
O que é
Bico duplo
Os dois pontos de afilamento da alça fechada
Alça em C ou U
Alça presa e dilatada
Balões num barbante
Alças dilatadas em disposição radial, convergindo
Redemoinho
Vasos do mesentério torcidos: volvo
Alça fechada, homem de 77 anos
Axial: alça em U, cheia de líquido, presa na pelve, com conteúdo denso (setas contínuas) e borramento e edema do mesentério (seta tracejada).Coronal: o mesmo achado. Na cirurgia, a alça estava torcida em volta de uma brida e com aspecto hemorrágico; 75 cm de intestino infartado foram ressecados.
Fonte: Lee MH et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250012, Fig. 16. Ver artigo
três achados decidem a cirurgia
Na obstrução por brida: realce da parede reduzido em relação à alça normal, borramento
difuso do mesentério e alça fechada. Dois ou três sugerem cirurgia; nenhum tem valor
preditivo negativo de 97% para estrangulamento. Sozinho, o realce reduzido é o achado mais
específico (95%), e o líquido no mesentério da alça tem sensibilidade de 89%.
+ complemento · conteúdo denso na alça fechada
Comparado à alça dilatada a montante, conteúdo da alça fechada mais denso (diferença
acima de 8 UH, unidades Hounsfield) teve especificidade de 99% para necrose, e parede mais densa (acima de 5,8
UH), 92%: é sangue saindo da parede que necrosa.
Alça fechada com necrose, mulher de 85 anos
TC sem contraste: alças dilatadas na pelve; conteúdo denso (40 UH) na alça fechada contra 8 UH na alça a montante.TC com contraste: a densidade do conteúdo não muda (40 e 9 UH): é sangue, não contraste. Na cirurgia, alça fechada com necrose do delgado.
Fonte: Lee MH et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250012, Fig. 17. Ver artigo
Reperfusão e pneumatose
Parede espessa é resposta sensível e pouco específica. Na isquemia arterial,
sobretudo depois da revascularização endovascular (até 44%), costuma ser lesão de
reperfusão: parede de cerca de 0,9 cm, edema da submucosa, hiper-realce da mucosa e
borramento. Imita isquemia nova, mas não piorou a sobrevida em curto prazo: reconhecê-la
evita cirurgia.
Reperfusão depois de embolia, homem de 68 anos
Angio-TC axial: alças da pelve finas e sem realce (setas).TC 3 semanas depois: as mesmas alças com parede espessa (oval), pela lesão de reperfusão.
Fonte: Lee MH et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250012, Fig. 18. Ver artigo
pneumatose não se lê sozinha
Pneumatose, gás portomesentérico e pneumoperitônio são os sinais clássicos de necrose, mas a
TC acha pneumatose pequena também em parede viável e em causas benignas. Numa série de
isquemia não oclusiva, ninguém com pneumatose e realce normal tinha necrose, contra 77%
com realce ausente. Pneumatose em faixa e pneumatose com gás portal se associam
fortemente ao infarto; distensão, peritonite e acidose lática pesam a favor de operar.
Necrose com pneumatose, homem de 72 anos com fibrilação atrial
Axial em partes moles: pneumatose extensa (seta).Axial em janela de pulmão: a pneumatose (oval).Coronal: gás na veia porta (seta preta), líquido livre e pequenos focos de pneumoperitônio (seta branca). Na cirurgia, 260 cm de intestino necrótico.
Fonte: Lee MH et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250012, Fig. 19. Ver artigo
Sangramento digestivo: os termos
Termo
Definição
Alto
Acima do ligamento de Treitz · o mais comum (100 a 200 por 100 mil por ano)
Baixo
Abaixo do ligamento de Treitz (20,5 a 27 por 100 mil)
Do delgado (médio)
Da papila de Vater à valva ileocecal · 5 a 10% dos casos
Suspeito do delgado
Sem fonte depois de endoscopia alta e colonoscopia
Obscuro
Sem fonte depois de investigar todo o tubo (endoscopia avançada e imagem) · o delgado responde por cerca de 75%
Visível (overt)
Hematêmese, hematoquezia, melena · termo preferido a "agudo"
Oculto
Sangue oculto nas fezes ou anemia ferropriva
Maciço
Instabilidade (PAS, pressão arterial sistólica, < 90 mmHg, taquicardia, choque) ou mais de 4 unidades de hemácias em 24 h
Na suspeita de sangramento baixo, a fonte está no tubo alto em 11 a 15% e no
delgado em 2 a 15%: sangramento alto volumoso pode sair como hematoquezia.
Termo do laudo
Significado
Extravasamento
Foco hiperatenuante na luz numa fase com contraste, ausente na fase sem contraste ou anterior · patognomônico de sangramento ativo (na impressão, "sangramento ativo")
Arterial × venoso
O arterial aparece na fase arterial (o lento, só na venosa) · o venoso, só na venosa ou depois
Coágulo sentinela
O sangue mais denso na luz, em geral o mais perto do ponto que sangra
Pseudoaneurisma
Foco lobulado junto a uma artéria que acompanha o sangue em todas as fases sem mudar de forma
Coágulo sentinela e extravasamento, mulher de 65 anos 12 dias depois de Whipple
Sem contraste: coágulo sentinela no estômago (setas brancas); sonda nasoenteral (ponta de seta).Fase arterial: extravasamento na pancreaticojejunostomia (seta azul).Fase portal: o extravasamento muda de tamanho, densidade e forma (seta azul).
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 1. Ver artigo
Os dois protocolos
O objetivo muda com o tipo de sangramento: no visível, achar o sangue e o
extravasamento; no oculto ou suspeito do delgado, sangramento lento, achar a
causa. Por isso há dois protocolos.
Angio-TC (sangramento visível)
Enterotomografia (oculto ou do delgado)
Contraste venoso
125 mL de 350 a 375 mgI/mL, 4 a 5 mL/s, com soro
O mesmo
Contraste oral
Nenhum
Neutro, 1.350 a 2.000 mL em uma hora
Fases
Sem contraste (ou virtual) · arterial tardia (10 s depois de 150 UH na aorta) · venosa (70 a 90 s)
Arterial tardia, entérica (50 s) e venosa tardia (90 s), ou uma ou duas fases
Cobertura
Cúpula hepática ao trocânter menor
O mesmo
por que nada pela boca na angio-TC
O contraste oral atrasa o exame (e o sangramento intermitente pode parar), aumenta o
risco de aspiração na sedação para arteriografia ou cirurgia, o positivo esconde o
extravasamento, que tem densidade parecida, e o neutro dilui o sangue.
+ complemento · como ler
Ligue as três fases e os três planos e role em sincronia. Ache o sangue denso na fase sem
contraste, procure o extravasamento na arterial e confirme na venosa; reveja a venosa atrás do
sangramento venoso. MIP (projeção de intensidade máxima) ajuda nos vasos. Na dupla energia, a imagem virtual sem contraste
substitui a fase sem contraste, e 40 a 60 keV e o mapa de iodo destacam o extravasamento.
Dupla energia em fase única, homem de 83 anos com sangue nas fezes
Imagem mista (axial): focos densos no sigmoide (seta), presentes no mapa de iodo (detalhe superior) e ausentes na imagem virtual sem contraste (detalhe inferior): é extravasamento. Doença diverticular do sigmoide.
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 7. Ver artigo
Sangramento diverticular na dupla energia, homem de 72 anos
Fase portal, imagem mista: vários focos de extravasamento no sigmoide (pontas de seta), alguns dentro de divertículos. Nos detalhes: conteúdo denso na fase sem contraste e extravasamento mais evidente a 50 keV e no mapa de iodo.
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 8. Ver artigo
Os sinais e as armadilhas
Conteúdo na luz
Densidade
Conteúdo habitual
0 a 15 UH
Sangue não coagulado
30 a 45 UH
Sangue coagulado
45 a 70 UH
Sangramento recente provável
> 60 UH
O extravasamento aparece como foco, jato, nuvem ou borrão, em geral na fase arterial,
e na fase seguinte muda de tamanho, densidade, forma e posição, andando a jusante. Um
foco que muda de densidade mas não de forma é lesão vascular (aneurisma, pseudoaneurisma,
angiectasia). E a angio-TC só é negativa depois de olhar a fase venosa.
Sangramento ativo no duodeno, homem de 71 anos em choque
Sem contraste.Fase arterial: extravasamento no duodeno proximal (seta).Fase portal: o extravasamento muda de tamanho, densidade e forma (seta). As úlceras vistas na endoscopia não apareciam na TC.
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 2. Ver artigo
Falso-positivo
Falso-negativo
Material denso na luz (fezes, contraste oral antigo, comprimidos): a armadilha mais comum · confira se já estava na fase sem contraste
Alça cheia de líquido dilui o sangue
Corpos estranhos: sondas, drenos, stents, clipes, material de embolização
Sangramento lento abaixo do limiar
Artefato de feixe cônico na interface ar e líquido (bem mais denso que a aorta)
Sangramento intermitente, parado na hora do exame
Mucosa normal colabada que realça, parede doente, massa hipervascular
Material denso imitando extravasamento, homem de 90 anos
Fase arterial: material denso no ceco posterior, até a base do apêndice (pontas de seta brancas). No detalhe sem contraste, o material já estava lá: são resíduos, não extravasamento. O líquido denso no ceco (ponta de seta azul) é provavelmente sangue; o extravasamento verdadeiro estava no íleo distal (não mostrado).
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 5. Ver artigo
Artefato de feixe cônico
Fase portal (axial e detalhes coronal e sagital): foco denso na interface entre o ar e o líquido da alça (ponta de seta). Pistas: 271 UH, bem acima da aorta (107 UH), artefato em faixa ao lado e degrau na parede abdominal pelo movimento (setas nos detalhes).
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 6. Ver artigo
Úlcera duodenal sangrando, homem de 54 anos com melena
Fase arterial: falha do realce da mucosa do duodeno proximal (seta), a cratera da úlcera, com parede espessa e borramento; focos de realce (ponta de seta) ausentes na fase sem contraste (detalhe superior) e que mudam na fase venosa (detalhe inferior): sangramento ativo. A arteriografia mostrou sangramento de ramo da gastroduodenal, embolizado.
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 10. Ver artigo
Mallory-Weiss sangrando, mulher de 30 anos com vômitos e hematêmese
Fase arterial: esôfago distal espessado (setas), com borramento, líquido na luz e foco linear de extravasamento na parede posterior (ponta de seta), ausente na fase sem contraste (detalhe superior) e que muda na fase portal (detalhe inferior).
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 13. Ver artigo
Varizes esofágicas, homem de 63 anos com cirrose descompensada
Fase portal: varizes na submucosa do esôfago (seta branca) e paraesofágicas (setas azuis), ascite volumosa (asterisco) e pequenos derrames pleurais (pontas de seta).
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 12. Ver artigo
Baixo
Frequência
Doença diverticular
30 a 65%
Colite isquêmica
5 a 20%
Hemorroidas
5 a 20%
Neoplasia colorretal
2 a 15%
Angiectasia
5 a 10%
Pós-polipectomia
2 a 7%
Divertículo do ceco sangrando, mulher de 46 anos
Fase arterial: extravasamento dentro de um divertículo do ceco (seta). Detalhe superior, sem contraste: coágulo sentinela no ceco e no divertículo. Detalhe inferior, fase portal: mais contraste acumulado na luz (pontas de seta).
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 19. Ver artigo
Colite isquêmica, mulher de 48 anos com fator V de Leiden
MIP coronal na fase arterial e detalhes: espessamento circunferencial do cólon transverso com borramento da gordura em volta (pontas de seta). A colonoscopia confirmou lesão isquêmica.
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 20. Ver artigo
Angiectasia do ceco sangrando e GIST do jejuno, homem de 73 anos
Enterotomografia coronal e axial na fase portal e axial na arterial: extravasamento no ceco que aparece na fase arterial e muda na portal (seta), por angiectasia confirmada na colonoscopia. Massa exofítica hipervascular no jejuno (pontas de seta), um GIST (tumor estromal gastrointestinal).
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 25. Ver artigo
Delgado
Mais comum
Até 40 anos
Doença inflamatória intestinal, divertículo de Meckel
40 anos ou mais
Angiectasia, enteropatia por anti-inflamatório
Qualquer idade
Neoplasias, lesão de Dieulafoy
Crohn do delgado sangrando, homem de 29 anos instável
Coronal na fase portal (e sem contraste no detalhe): parede espessa e hiper-realçante na borda mesentérica de um segmento do jejuno distal (ponta de seta branca), com extravasamento (seta). Outros segmentos inflamados no jejuno e no íleo (pontas de seta azuis).
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 27. Ver artigo
Lesão
O que lembrar na TC
Dieulafoy
Artéria submucosa que rompe por um defeito de 2 a 5 mm · em geral na pequena curvatura, até 6 cm da junção esofagogástrica · realça só na fase arterial: sem ela, passa
Divertículo
Mais no sigmoide, mas sangra mais no cólon direito · hematoquezia indolor · extravasamento dentro do divertículo
Colite isquêmica
Segmentar, nas zonas de divisa · reto poupado (dupla irrigação) · a do cólon direito evolui pior
Varizes
Melhor na fase portal · retais (acima da linha denteada) × hemorroidas (abaixo)
Fístula aortoentérica
Aneurisma ou enxerto aórtico encostado no duodeno, sangramento maciço
Meckel
Fundo cego no íleo médio ou distal · mucosa gástrica ectópica · siga o delgado de trás para a frente desde a valva
Enteropatia por anti-inflamatório
Várias estenoses curtas em diafragma, agrupadas, no íleo
Lesão de Dieulafoy sangrando, homem de 62 anos com hematêmese maciça
Coronal na fase arterial: pequena lesão hiper-realçante no estômago proximal (ponta de seta) com extravasamento junto (seta), que muda na fase portal (detalhe direito) e não existe na fase sem contraste (detalhe esquerdo).
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 17. Ver artigo
Fístula aortoduodenal, homem de 77 anos com melena
Fase arterial: extravasamento no duodeno distal (seta) junto de um aneurisma da aorta com trombo excêntrico (ponta de seta).Fase venosa tardia: o extravasamento muda de tamanho, densidade e forma (setas).
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 3. Ver artigo
Varizes retais, mulher de 80 anos com cirrose
Fase portal: veias distendidas que realçam no reto e em volta dele (setas) e pouca ascite à frente (ponta de seta).
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 21. Ver artigo
Divertículo de Meckel, homem de 40 anos com sangramento oculto
Enterotomografia coronal e axial na fase portal: estrutura tubular de fundo cego, hiper-realçante, com parede discretamente espessa, saindo do íleo distal (pontas de seta). Na cirurgia, Meckel inflamado.
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 41. Ver artigo
Enteropatia por anti-inflamatório, homem de 63 anos
Enterotomografia coronal: três das várias estenoses curtas em diafragma no delgado médio (seta e pontas de seta).
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 29. Ver artigo
Lesão vascular do delgado
Arterial
Entérica
Tardia
Angiectasia (tipo 1, comum)
Igual à parede
Mais realce
Realce menor
Dieulafoy e malformação arteriovenosa (tipos 2 e 3)
Angiectasias do delgado, mulher de 76 anos com melena e endoscopias negativas
MIP coronal na fase entérica: focos nodulares e discoides de realce no jejuno, mais evidentes nesta fase (setas); nos detalhes, as fases arterial e venosa de 90 s (pontas de seta).
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 31. Ver artigo
Malformação arteriovenosa do íleo, mulher de 40 anos
Enterotomografia coronal na fase arterial: ramo ileal aumentado, a artéria nutridora (seta branca), vasos tortuosos na parede (pontas de seta) e drenagem venosa precoce (seta azul).
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 30. Ver artigo
Hemangioma do delgado com flebólitos, homem de 48 anos
Enterotomografia (fases tardia, arterial e entérica): massa do delgado com realce progressivo (seta branca) e flebólitos calcificados (setas azuis), melhor vistos na fase mais precoce.
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 33. Ver artigo
tumores do delgadoMetástase é o tumor maligno mais comum do delgado (cerca de 50%). Entre os primários, o
neuroendócrino (íleo distal; placa hiper-realçante, depois massa mesentérica espiculada
com cálcio e retração), o adenocarcinoma (duodeno e jejuno; anel que estreita a luz), o
GIST (exofítico, hipervascular, pode sangrar) e o linfoma (espessamento com
dilatação aneurismática da luz, linfonodos volumosos).
Tumores neuroendócrinos em placa, mulher de 60 anos
Enterotomografia na fase entérica: duas das várias lesões em placa hiper-realçantes no delgado médio (seta e ponta de seta).
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 34. Ver artigo
Neuroendócrinos múltiplos com metástase mesentérica, mulher de 52 anos
Axial na fase portal: massas hiper-realçantes no íleo (seta branca), metástase mesentérica espiculada com calcificações grosseiras (seta azul) puxando as alças, e parede espessa por congestão venosa (ponta de seta).Coronal: as massas no íleo (seta).
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 36. Ver artigo
Adenocarcinoma do jejuno, mulher de 46 anos com sangue oculto
Fase arterial (e detalhes sem contraste e portal): massa de 3,2 cm que envolve a luz do jejuno proximal, com bordas elevadas (pontas de seta).
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 37. Ver artigo
GIST exofítico sangrando, homem de 50 anos
Coronal na fase arterial: massa exofítica hipervascular na junção jejunoileal (seta) com extravasamento para a luz (pontas de seta), ausente na fase sem contraste (detalhe esquerdo) e que muda na fase portal (detalhe direito).
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 38. Ver artigo
Linfoma do delgado, homem de 55 anos com anemia
Fase arterial axial e coronal: espessamento difuso de um segmento do íleo distal com dilatação aneurismática da luz (seta). Linfoma difuso de grandes células B na peça.
Fonte: Guglielmo FF et al. RadioGraphics 2021;41(6):1632–1656, Fig. 39. Ver artigo
+ complemento · o que a TC não vê
Úlcera péptica pequena, lesão de Cameron (hérnia hiatal grande), Mallory-Weiss e úlceras do
delgado costumam não aparecer. Aí, o extravasamento ou o sangue denso mostram onde
procurar. O painel da SAR (Society of Abdominal Radiology) tem um modelo de laudo estruturado (radreport.org, modelo
50829).
Pontos de prova: alto rendimento
Isquemia mesentérica
Mortalidade 50–80% · dor desproporcional ao exame
Lactato
Normal no início: sobe tarde e atrasa o diagnóstico
Tempo
Mucosa 20–60 min · transmural 8–12 h · < 24 h: 11% × > 24 h: 73%
Parede ~0,9 cm, hiper-realce mucoso · até 44% após endovascular
Pneumatose
Com realce normal, sem necrose · em faixa + gás portal: infarto
Alto × baixo
Ligamento de Treitz
Delgado
Papila de Vater à valva ileocecal · 75% do obscuro
Maciço
PAS < 90 ou > 4 unidades em 24 h
Angio-TC
Sem oral · sem contraste, arterial tardia, venosa
Sangue na luz
> 60 UH: sangramento recente
Extravasamento
Muda de forma e posição na fase seguinte
Lesão vascular
Muda a densidade, não a forma
Falso-positivo
Material denso já presente na fase sem contraste
Dieulafoy
Pequena curvatura · só fase arterial
Divertículo
Sangra mais à direita
Angiectasia
Fase entérica · tipo 1 de Yano
Malformação arteriovenosa
Veia de drenagem precoce
Delgado maligno
Metástase ~50% · linfoma: dilatação aneurismática
Armadilhas e erros comuns
Erros na isquemia
Afastar isquemia pelo lactato normal
Esperar borramento do mesentério na oclusão arterial
Não dizer onde está a oclusão
Chamar de íleo a dilatação da isquemia arterial
Ler a pneumatose sem olhar o realce
Chamar de isquemia nova a reperfusão depois do tratamento
Dar contraste oral na suspeita de isquemia
Erros no sangramento
Dar contraste oral na angio-TC
Chamar de extravasamento o material que já estava na fase sem contraste
Encerrar o exame sem a fase venosa
Fazer a TC sem fase arterial e perder a Dieulafoy
Chamar de extravasamento o pseudoaneurisma que não muda de forma
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1
Mulher de 74 anos com fibrilação atrial e dor abdominal intensa há 4 horas, com abdome pouco doloroso à palpação. A angio-TC mostra falha de enchimento na mesentérica superior a 6 cm da origem, com a porção proximal e a cólica média preservadas. O mais provável é:
O êmbolo para 3 a 15 cm da origem e poupa a mesentérica proximal e a cólica média; o paciente costuma ser cardiopata (fibrilação atrial). A trombose arterial começa na origem, sobre placa. Lembre de procurar êmbolos em outros órgãos (20 a 68%).
Na isquemia por oclusão arterial, qual achado na TC é o mais forte preditor de necrose transmural?
Parede fina como papel (especificidade de 98%), dilatação, pneumatose e oclusão completa ou estenose acima de 70% predizem necrose. O realce reduzido é a marca da isquemia arterial, mas sozinho não prediz necrose: a parede ainda pode ser viável. Alça contraída é o íleo espástico do início; estratificação sugere reperfusão.
Na trombose venosa mesentérica, qual destes achados se correlaciona com necrose transmural?
Na causa venosa, os preditores são realce reduzido ou ausente (razão de chances diagnóstica 8,2) e dilatação. O grau de espessamento e os achados fora do intestino, que costumam ser exuberantes, não se correlacionam com a gravidade.
Obstrução de delgado por brida. Qual combinação de achados na TC mais indica estrangulamento e cirurgia?
Realce reduzido em relação à alça normal, borramento difuso do mesentério e alça fechada: dois ou três sugerem cirurgia, e nenhum tem valor preditivo negativo de 97%. Os outros achados descrevem a obstrução, não o sofrimento da alça.
Angio-TC por hematoquezia: foco hiperatenuante no cólon direito na fase arterial, com a mesma forma e tamanho na fase venosa, só acompanhando a densidade do sangue. Esse foco sugere:
O extravasamento muda de tamanho, forma e posição na fase seguinte, andando a jusante. O foco que muda só de densidade e mantém a forma é lesão vascular (pseudoaneurisma, aneurisma, angiectasia). O coágulo e as fezes já estariam na fase sem contraste.
Hematêmese maciça. A angio-TC mostra um pequeno foco de realce na pequena curvatura do estômago proximal, visível só na fase arterial, com extravasamento junto. O diagnóstico mais provável é:
A Dieulafoy é uma artéria submucosa calibrosa que rompe por um defeito pequeno, em geral na pequena curvatura até 6 cm da junção esofagogástrica, e realça só na fase arterial: TC sem essa fase pode perdê-la. Varizes e angiectasias realçam melhor nas fases venosa e entérica.
Fontes. [A] Lee MH, Pickhardt PJ, Sorensen AM, et al. Acute Mesenteric Ischemia:
Pathophysiology-based Approach to Imaging Findings and Diagnosis. RadioGraphics
2025;45(10):e250012. doi:10.1148/rg.250012 [B] Guglielmo FF, Wells ML, Bruining DH, et al. Gastrointestinal Bleeding at CT
Angiography and CT Enterography: Imaging Atlas and Glossary of Terms. RadioGraphics
2021;41(6):1632–1656. doi:10.1148/rg.2021210043
A isquemia mesentérica vem de [A]; o sangramento digestivo, de [B] (painel de sangramento
digestivo da Society of Abdominal Radiology). Conferido em 06/10/2026.
Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das
mesmas fontes.