119 · Trauma Cerebrovascular e da Junção Craniocervical
Neurorradiologia · trauma
Trauma Cerebrovascular e da Junção Craniocervical
Fontes: Rutman et al: 2018 e Riascos et al: 2015, RadioGraphics
O pescoço que fratura também lesa a artéria
A lesão cerebrovascular contusa (BCVI, das carótidas e vertebrais cervicais) aparece em 1 a 1,6% dos
traumatizados, e até 80% passam por um período latente (em média 72 horas) antes do AVC: é a janela
em que a angio-TC muda o desfecho. As fraturas da coluna cervical, sobretudo de C1 a C3, são o fator de
risco mais forte, e cerca de um terço das lesões cervicais está na junção craniocervical.
duas perguntas no trauma cervical altoO osso e os ligamentos estão estáveis? (TC com reconstruções de 1,25 mm ou menos; RM para ligamento
e medula). A artéria vertebral ou a carótida estão lesadas? (angio-TC). Fratura que atravessa o
forame transverso responde à primeira e levanta a segunda.
BCVI: quem rastrear e como
Quem rastrear
Achado
Sinais (urgência)
Sangramento arterial pelo pescoço, boca, nariz ou orelha · hematoma cervical em expansão · sopro cervical abaixo dos 50 anos · déficit focal (inclusive Horner) · AVC na imagem · déficit que a TC de crânio não explica
Fraturas
Coluna cervical: corpo vertebral, forame transverso, subluxação ou lesão ligamentar, qualquer fratura de C1 a C3 · base do crânio no canal carotídeo · Le Fort II ou III
Outros fatores
Lesão axonal difusa com Glasgow baixo · quase enforcamento com anóxia · lesão em "varal" com edema ou dor
Critérios ampliados
Fratura de mandíbula · fratura complexa do crânio · desenluvamento do couro cabeludo · lesão vascular torácica · TCE (traumatismo cranioencefálico) com lesão torácica
Dissecção vertebral após manipulação quiroprática, homem de 35 anos
Angio-TC axial: hematoma intramural na vertebral direita (pontas de seta) e trombo na esquerda (seta); AVC no território da cerebral posterior esquerda.
Fonte: Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. RadioGraphics 2018;38(2):542-563, Fig. 1. Ver artigo
Mecanismos
Hiperextensão e rotação estiram a carótida interna sobre C1 a C3.Carótida esmagada entre mandíbula e coluna.Vertebral estirada entre vértebras subluxadas.Vertebral lacerada por fragmento ósseo.
Fonte: Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. RadioGraphics 2018;38(2):542-563, Fig. 2. Ver artigo
o sinal do cinto
Abrasão do cinto de segurança estava nos critérios originais, mas depois se mostrou que, sozinha, não é
fator de risco. Até 30% das BCVI aparecem na angio-TC sem nenhum fator de risco.
Modalidade
Papel
Angio-TC (32 canais ou mais)
Primeira linha; sensibilidade 66 a 98% e especificidade 92 a 100% contra a DSA (angiografia por subtração digital) (o que escapa é quase sempre grau I)
DSA
Referência histórica; hoje para angio-TC duvidosa ou negativa com suspeita alta; não mostra a parede
RM e angio-RM
Não serve para rastrear; o T1 com saturação de gordura mostra o crescente de hematoma em volta do flow void
RM de parede (black-blood)
Complemento para resolver dúvida (hematoma × artefato × placa) e no controle
Venografia por TC
Fratura que atinge seio dural ou bulbo jugular: até ~41% com trombose
Lesão da carótida após estrangulamento
Angio-TC axial: irregularidade focal da carótida interna direita (seta).Sagital (setas).DSA: defeito de enchimento focal (seta), trombo ou hematoma intramural.
Fonte: Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. RadioGraphics 2018;38(2):542-563, Fig. 4. Ver artigo
Dissecção da carótida interna na RM
T1 axial com saturação de gordura: crescente claro (seta) em volta do flow void da carótida direita, o falso lúmen.DSA 3D: carótida cervical distal irregular e estreita (setas).
Fonte: Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. RadioGraphics 2018;38(2):542-563, Fig. 5. Ver artigo
+ complemento · mecanismos
Hiperextensão com rotação estira a carótida interna sobre os processos transversos de C1 a C3; fratura ou
subluxação estira a vertebral; fragmento ósseo lacera; flexão e fratura de mandíbula esmagam a carótida
contra a coluna. Manipulação quiroprática é o exemplo clássico de trauma trivial.
Escala de Denver (Biffl)
Grau
Definição
I
Irregularidade da parede, dissecção ou hematoma intramural com estenose < 25%
II
Estenose > 25%, qualquer flap intimal elevado ou qualquer trombo intraluminal
III
Pseudoaneurisma
IV
Oclusão
V
Transecção ou fístula arteriovenosa
Os graus em desenho
Grau I.Grau II: trombo.Grau II: flap.Grau II: hematoma intramural acima de 25%.Grau III: pseudoaneurisma.Grau IV: oclusão.Grau V: transecção com extravasamento.
Fonte: Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. RadioGraphics 2018;38(2):542-563, Fig. 6. Ver artigo
Grau I
Angio-TC MIP (projeção de intensidade máxima) oblíqua: irregularidade leve, abaixo de 25% (setas).
Fonte: Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. RadioGraphics 2018;38(2):542-563, Fig. 7. Ver artigo
Grau II por hematoma intramural
Angio-TC axial: carótida interna esquerda petrosa estreitada acima de 25% (setas).Outro paciente, axial no nível de C1: V3 esquerdo espessado e estreito (seta).Sagital: o mesmo V3, com trombo focal (setas).
Fonte: Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. RadioGraphics 2018;38(2):542-563, Figs. 9, 10. Ver artigo
Grau II por flap, homem de 30 anos com Le Fort II
Angio-TC axial: flap na carótida comum direita (seta).MIP coronal (seta).
Fonte: Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. RadioGraphics 2018;38(2):542-563, Fig. 11. Ver artigo
Flap e trombo na vertebral, com fratura do forame transverso
Axial: fratura do forame transverso (seta).Sagital: trombo mural com flap na vertebral esquerda (seta).
Fonte: Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. RadioGraphics 2018;38(2):542-563, Fig. 12. Ver artigo
Grau II por trombo
Axial: trombo mural (seta).Sagital: estreitamento focal acima de 25% (seta).
Fonte: Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. RadioGraphics 2018;38(2):542-563, Fig. 13. Ver artigo
Achado na imagem
Como aparece
Hematoma intramural
Espessamento longo da parede, excêntrico ou circular; na RM, crescente claro em T1 com saturação (isointenso nas primeiras 72 horas)
Flap e duplo lúmen
Defeito linear no lúmen; contraste no falso lúmen é patognomônico
Pseudoaneurisma
Evaginação focal, fusiforme ou sacular, que pode estreitar o lúmen
Oclusão
Carótida interna: afilamento antes de ocluir. Vertebral: corte abrupto
Transecção e fístula
Contraste fora do vaso, crescendo nas fases tardias; na DSA, veia cheia na fase arterial
Fonte: Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. RadioGraphics 2018;38(2):542-563, Fig. 14. Ver artigo
Pseudoaneurisma que cresce
MIP sagital oblíqua: pseudoaneurisma da carótida interna direita (seta) estreitando o lúmen (ponta de seta).Sete dias depois: um pouco maior (seta).
Fonte: Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. RadioGraphics 2018;38(2):542-563, Fig. 15. Ver artigo
Oclusão da carótida (grau IV)
Angio-TC coronal: afilamento e oclusão da carótida interna proximal (seta).DSA oblíqua (seta).
Fonte: Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. RadioGraphics 2018;38(2):542-563, Fig. 16. Ver artigo
Oclusão da vertebral (grau IV)
Sagital oblíqua: oclusão da vertebral direita proximal (seta).Sagital: reconstituição em C3-C4 (seta branca) e fratura da faceta de C5 (seta preta).Axial: o vaso ocluído (seta).RM axial T2: perda do flow void (ponta de seta).
Fonte: Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. RadioGraphics 2018;38(2):542-563, Fig. 17. Ver artigo
Transecção da vertebral com dissociação atlanto-occipital (grau V)
TC axial: extravasamento num grande hematoma na junção craniocervical (setas).MIP axial (setas).MIP coronal: vertebral esquerda transeccionada em V3-V4 (setas).
Fonte: Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. RadioGraphics 2018;38(2):542-563, Fig. 18. Ver artigo
Transecção e fístula da vertebral (grau V)
MIP coronal: extravasamento no forame transverso direito de C4 (seta).Angiografia da vertebral direita: extravasamento ativo (seta).Angiografia da vertebral esquerda: enchimento retrógrado da direita até a transecção (seta).DSA da vertebral direita, fase arterial.Fase seguinte.Drenagem venosa precoce: fístula arteriovenosa.
Fonte: Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. RadioGraphics 2018;38(2):542-563, Fig. 19. Ver artigo
onde a lesão se esconde
Carótida interna na base do crânio e no canal carotídeo, e o segmento V3 tortuoso da vertebral. Use as
imagens axiais de origem, reconstruções fora do eixo e MIP.
Simuladores e armadilhas
Simulador
Pistas
Aterosclerose
Idoso, calcificação, origem da carótida comum, bulbo ou origem da vertebral; placa não é clara no T1 com saturação
Vasoespasmo
Igual ao grau I na primeira imagem; some em horas, a lesão persiste
Displasia fibromuscular
"Colar de contas", multifocal e bilateral
Alça ou redundância da carótida
Mascara ou imita pequena evaginação
Vertebral hipoplásica
Fina por inteiro, com forame transverso pequeno (comum)
Artefatos
Amálgama dentária (quase 5% das TCs) e material de coluna criam falsos flaps atrás da mandíbula e na base do crânio; bolo mal cronometrado e veias em volta da vertebral
Artefato, não lesão
Angio-TC coronal: irregularidade mínima aparente (setas).RM T1 axial com saturação: parede normal (setas).RM T1 coronal com saturação (setas).
Fonte: Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. RadioGraphics 2018;38(2):542-563, Fig. 8. Ver artigo
Aterosclerose imitando BCVI
MIP coronal: placa calcificada na origem da vertebral esquerda (seta).Axial em C1: placa calcificada no V3 direito, imitando hematoma (seta).
Fonte: Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. RadioGraphics 2018;38(2):542-563, Fig. 20. Ver artigo
Alça da carótida
MIP axial: pequeno pseudoaneurisma no segmento enovelado (seta).MIP coronal (seta).
Fonte: Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. RadioGraphics 2018;38(2):542-563, Fig. 21. Ver artigo
Artefato de amálgama dentária
Angio-TC axial: lesão grau II da vertebral direita difícil de ver (seta); as estrias imitam flaps nas carótidas normais (pontas de seta).
Fonte: Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. RadioGraphics 2018;38(2):542-563, Fig. 22. Ver artigo
Tratamento e controle
Conduta
Por grau
Antitrombótico
Graus I a IV, salvo contraindicação; aspirina é pelo menos tão eficaz quanto heparina e sangra menos
Intervenção
Grau III sintomático ou que cresce a 1,0 a 1,5 cm; grau V é de intervenção (cirurgia ou endovascular); grau IV sem benefício provado
Duração
Grau I: 3 a 6 meses · II e III: indefinida se estável, suspende se cicatrizar · IV: por toda a vida
Controle
Angio-TC em 7 a 10 dias nos graus I a III; persistiu, mais 3 meses e nova imagem; graus IV e V assintomáticos não precisam de controle de rotina
Pseudoaneurisma grande tratado com cirurgia
Angiografia lateral: grande dilatação da carótida interna esquerda (seta).Depois da cirurgia: ponte da carótida interna para a cerebral média, pérvia (seta).
Fonte: Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. RadioGraphics 2018;38(2):542-563, Fig. 23. Ver artigo
Evolução
No controle
Grau I
Até 75% cicatrizam; 8% pioram
Grau II
8% resolvem, 30% viram grau I, 40 a 43% progridem
Grau III
Só 11% melhoram; cerca de 25% pioram
Grau IV
Até 40% recanalizam
Cicatrização
MIP sagital oblíqua: hematoma intramural de 25 a 50% na carótida interna direita (seta).Três meses de antiplaquetário: quase cicatrizado.
Fonte: Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. RadioGraphics 2018;38(2):542-563, Fig. 24. Ver artigo
Piora, com fratura do côndilo occipital
Angio-TC oblíqua: hematoma intramural na vertebral direita (seta).Sete dias depois: pequeno pseudoaneurisma (seta), progressão para grau III.Reconstrução 3D (seta).
Fonte: Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. RadioGraphics 2018;38(2):542-563, Fig. 25. Ver artigo
Dissecção da carótida e RM de parede
Angio-TC axial: estenose com fio de contraste (seta).Cinco semanas depois, TOF (time-of-flight: angiografia por RM sem contraste em que o próprio fluxo gera o sinal): estreitamento residual mínimo (seta).Angio-TC oblíqua inicial (seta).T1 black-blood axial: parede espessa e clara, hematoma subagudo (ponta de seta).T1 black-blood coronal (pontas de seta).
Fonte: Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. RadioGraphics 2018;38(2):542-563, Fig. 26. Ver artigo
o AVC cai com o tratamento
Sem tratamento, o AVC chegava a 64% nas lesões carotídeas e 54% nas vertebrais; com antitrombótico, 6,8% e
2,6%. A lesão carotídea infarta mais que a vertebral.
Junção craniocervical: anatomia e imagem
Ligamento
Onde
Função
Transverso
Atrás do dente, preso às massas laterais do atlas
O mais forte; segura o dente contra o arco anterior
Alares
Do dente aos côndilos occipitais
Limitam a rotação e a flexão lateral
Apical
Da ponta do dente ao básio
Estabilizador menor
Membrana tectória
Continua o ligamento longitudinal posterior até o forame magno
Limita a extensão
Cruciforme
Transverso mais as cruzes superior e inferior
Fixa o dente
Ligamentos na RM
Sagital T2: atlanto-occipital anterior (seta branca), apical (ponta de seta branca), membrana tectória (setas pretas) e transverso (pontas de seta pretas).Coronal: ligamentos alares (setas).
Fonte: Riascos R, Bonfante E, Cotes C, et al. RadioGraphics 2015;35(7):2121-2134, Figs. 4, 5. Ver artigo
Ligamento transverso
RM axial T2: o transverso (seta) entre as massas laterais do atlas.
Fonte: Riascos R, Bonfante E, Cotes C, et al. RadioGraphics 2015;35(7):2121-2134, Fig. 6. Ver artigo
Lesões ligamentares em T2
Coronal: C1-C2 alargadas com líquido (pontas de seta).Sagital: rupturas do apical, cruciforme e membrana tectória (seta), com lesão medular.Axial: lesão do ramo direito do transverso (seta).
Fonte: Riascos R, Bonfante E, Cotes C, et al. RadioGraphics 2015;35(7):2121-2134, Fig. 7. Ver artigo
O atlas é um anel sem corpo e sem disco; a atlantoaxial é a porção mais móvel da coluna e depende dos
ligamentos. A TC em cortes finos é o exame de escolha (reconstruções de 1,25 mm ou menos); a RM entra
para ligamento e medula, e o ACR (American College of Radiology) a indica quando o exame neurológico não é possível por mais de
48 horas, mesmo com TC normal.
+ complemento · cápsulas
Lesão capsular tipo I é só atlantoaxial; tipo II junta atlantoaxial e atlanto-occipital e tem mais lesão
medular. Ligamento normal é escuro em T2; lesado fica heterogêneo ou descontínuo.
Dissociação atlanto-occipital
Tipo de AOD
Deslocamento do crânio
Nota
I
Anterior
O mais comum
II
Vertical (distração)
O mais instável
III
Posterior
AOD tipos I e II
Tipo I, TC sagital: crânio deslocado para a frente (seta).Tipo I, parassagital: côndilo à frente da massa lateral de C1 (seta).Tipo II, TC coronal: avulsão dos côndilos (setas).Tipo II, RM sagital T2: ruptura da membrana tectória (seta).
Fonte: Riascos R, Bonfante E, Cotes C, et al. RadioGraphics 2015;35(7):2121-2134, Figs. 9, 10. Ver artigo
AOD tipo III
TC sagital: crânio deslocado para trás, com fragmento junto ao básio (seta).Parassagital: côndilo atrás da massa lateral de C1 (seta).
Fonte: Riascos R, Bonfante E, Cotes C, et al. RadioGraphics 2015;35(7):2121-2134, Fig. 11. Ver artigo
Lesão ligamentar com TC quase normal, menino de 17 anos
TC sagital: básio-dente normal (linha) e espaço espinolaminar C1-C2 alargado para 11 mm (seta dupla).RM sagital T2 no dia seguinte: cápsula C1-C2 distendida com nível líquido (seta).RM coronal T2: alares rotos (setas grossas) e cápsulas distendidas (setas finas).
Fonte: Riascos R, Bonfante E, Cotes C, et al. RadioGraphics 2015;35(7):2121-2134, Fig. 20. Ver artigo
a medida
Distância básio-dente > 10 mm é altamente sugestiva de dissociação. Alargamento das articulações
atlanto-occipitais (ou da soma dos dois lados) também leva ao diagnóstico. Alar e membrana tectória são os
estabilizadores que importam aqui.
a criança
A AOD (atlanto-occipital dissociation: dissociação atlanto-occipital) é muito mais comum em crianças, sobretudo abaixo de 8 a 10 anos: cabeça grande para o corpo,
articulações rasas e ligamentos frouxos. Avulsão dos côndilos acompanha ruptura dos alares.
Fraturas dos côndilos occipitais
Côndilo
Anderson e Montesano
Tuli
Cominutiva, sem fragmento no forame magno (compressão)
I
1 (não desviada)
Linear do crânio que chega ao côndilo (golpe direto)
II
1
Avulsão do côndilo pelo ligamento alar
III
2A ou 2B
Anderson-Montesano tipo I
TC sagital: fratura cominutiva do côndilo direito (seta).Coronal (seta).
Fonte: Riascos R, Bonfante E, Cotes C, et al. RadioGraphics 2015;35(7):2121-2134, Fig. 13. Ver artigo
Anderson-Montesano tipo II
TC axial: fratura linear do côndilo direito (seta).Coronal: o traço vem do occipital (seta).
Fonte: Riascos R, Bonfante E, Cotes C, et al. RadioGraphics 2015;35(7):2121-2134, Fig. 14. Ver artigo
Anderson-Montesano tipo III
TC coronal: fragmento de avulsão do côndilo esquerdo (seta).RM coronal T2: alar esquerdo avulsionado (seta) e hipersinal no direito (ponta de seta).RM axial T2: ruptura do lado esquerdo do transverso (seta).
Fonte: Riascos R, Bonfante E, Cotes C, et al. RadioGraphics 2015;35(7):2121-2134, Fig. 15. Ver artigo
Tuli
Definição
Conduta
1
Não desviada
Mesmo tratamento para I e II de Anderson-Montesano
2A
Desviada, sem instabilidade ligamentar
Pode pedir colar rígido
2B
Desviada, com instabilidade ligamentar
Cirurgia
Atlas, ligamento transverso e rotação
Atlas
Mecanismo e pontos
Arco posterior
Hiperextensão; tende a ser estável
Explosão (burst)
Carga axial; o anel quebra em mais de um ponto
Massa lateral
Flexão lateral, um lado
Frequência
2 a 13% das fraturas cervicais agudas
Sinal no coronal
Massas laterais de C1 para fora das bordas do corpo de C2 (antes, na radiografia de boca aberta)
Transverso
Ruptura com explosão ou massa lateral = instável: o dente vai para trás e pode comprimir o saco dural; pode romper sem fratura
Massas laterais para fora
Esquema coronal: as massas laterais de C1 passam das bordas de C2 (linhas tracejadas), sinal de fratura do atlas.
Fonte: Riascos R, Bonfante E, Cotes C, et al. RadioGraphics 2015;35(7):2121-2134, Fig. 17. Ver artigo
Explosão do atlas
TC axial: fratura do arco anterior de C1 (seta).RM axial T2: ruptura do transverso (seta).RM coronal T2: massas laterais afastadas (pontas de seta).
Fonte: Riascos R, Bonfante E, Cotes C, et al. RadioGraphics 2015;35(7):2121-2134, Fig. 18. Ver artigo
Rotação C1-C2
Pontos
Subluxação rotatória traumática
Flexão e rotação com lesão do alar; mais em crianças; rara
Predisposição
Frouxidão ligamentar (artrite reumatoide, Down, Morquio, Marfan) e anomalias do dente ou do transverso
Grisel
Subluxação sem trauma, em criança com infecção de faringe, amígdala, pescoço ou ouvido
Armadilha
Na TC, a rotação fisiológica chega a 79° e as facetas perdem até 74 a 85% do contato: aparência sozinha não faz o diagnóstico
Lesão do alar com trauma menor (Ehlers-Danlos)
TC coronal: dente fora do centro (seta).RM coronal T2: alar esquerdo roto, com o espaço alargado (seta).RM axial T2: transverso íntegro (seta).
Fonte: Riascos R, Bonfante E, Cotes C, et al. RadioGraphics 2015;35(7):2121-2134, Fig. 19. Ver artigo
Subluxação rotatória
TC sagital: atlas deslocado para a frente à esquerda (seta).TC axial: atlas rodado (seta) sobre o áxis (ponta de seta).3D vista de baixo: faceta descoberta (seta).
Fonte: Riascos R, Bonfante E, Cotes C, et al. RadioGraphics 2015;35(7):2121-2134, Fig. 21. Ver artigo
Pontos de prova: alto rendimento
BCVI: fator de risco mais forte
Fratura cervical (C1 a C3)
Período latente
Até 80%, média 72 h
Rastreamento
Angio-TC de 32 canais ou mais
Grau II
Flap, trombo ou > 25%
Grau III
Pseudoaneurisma
Oclusão da vertebral
Corte abrupto
Tratamento graus I a IV
Antitrombótico
Controle
Angio-TC em 7 a 10 dias
Básio-dente
> 10 mm: AOD
AOD mais instável
Tipo II, vertical
Tuli 2B
Cirurgia
Explosão de C1 com transverso roto
Instável
Armadilhas e erros comuns
Erros
Não pedir angio-TC na fratura do forame transverso
Rastrear BCVI com RM ou Doppler
Chamar de grau I um flap ou trombo
Ler artefato de amálgama como flap
Deixar passar o V3 tortuoso e o canal carotídeo
Chamar de subluxação a rotação fisiológica de C1-C2
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1
Angio-TC após colisão: evaginação sacular focal da carótida interna cervical, sem oclusão. Grau na escala de Denver:
Pseudoaneurisma é grau III. Grau II é flap, trombo ou estenose acima de 25%; IV é oclusão; V é transecção ou fístula.
Lesão carotídea grau II em politraumatizado sem contraindicação. Conduta padrão e controle:
Graus I a IV recebem antitrombótico (aspirina é tão eficaz quanto heparina). Graus I a III repetem a angio-TC em 7 a 10 dias: 40 a 43% dos grau II progridem.
Fratura de C2 que atravessa o forame transverso, paciente sem déficit. Próximo exame:
Fratura do forame transverso e qualquer fratura de C1 a C3 pedem rastreamento com angio-TC, ainda no período latente. Doppler e angio-RM não servem para rastrear.
Fontes.
1. Rutman AM, Vranic JE, Mossa-Basha M. Imaging and Management of Blunt Cerebrovascular Injury.
RadioGraphics 2018;38(2):542-563. doi:10.1148/rg.2018170140
2. Riascos R, Bonfante E, Cotes C, et al. Imaging of Atlanto-Occipital and Atlantoaxial Traumatic Injuries:
What the Radiologist Needs to Know. RadioGraphics 2015;35(7):2121-2134. doi:10.1148/rg.2015150035
A escala de Denver deixa sem grau a estenose de exatamente 25%, e as legendas da fonte 1 usam "25 a 50%" ora
como grau II, ora como "I a II". A fonte 2 traz como medida com corte só a distância básio-dente; não
apresenta intervalo básio-axial, razão de Powers, intervalo atlantodental nem as classificações de Dickman,
Fielding e Anderson-D'Alonzo, e o caderno também não. Onde a fonte 2 escreve "atlanto-occipital" ao falar da
rotação, o assunto é C1-C2. Tirei os diagramas com texto em inglês. Conferido em 07/10/2026.
Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das mesmas fontes.