o que mudou desde esta referência · conferido em 2026-09-29
Diretriz americana de TEP agudo (AHA (American Heart Association)/ACC (American College of Cardiology), 2026): as categorias clínicasnova classificação de gravidade
A diretriz de 2026 troca “maciço/submaciço” por categorias de A a E: A: TEP (tromboembolia pulmonar) subclínico, incidental e assintomático. B: sintomático com escore de gravidade baixo (PESI (Pulmonary Embolism Severity Index) I–II, sPESI (PESI simplificado) 0 ou Hestia 0). C: sintomático com escore elevado (PESI III–V, sPESI ≥ 1 ou Hestia ≥ 1), subdividido pelo número de alterações do VD (ventrículo direito) na imagem e nos biomarcadores. D: insuficiência cardiopulmonar incipiente (D1, hipotensão transitória; D2, choque normotenso). E: insuficiência cardiopulmonar (E1, hipotensão persistente com choque cardiogênico; E2, choque refratário ou parada). O sufixo R marca comprometimento respiratório (hipoxemia, taquipneia).
Para avaliar o VD, a diretriz prefere o ecocardiograma à TC; o laudo da angio-TC continua descrevendo a razão VD/VE (ventrículo direito/ventrículo esquerdo). A estratificação da ESC (European Society of Cardiology) 2019 ensinada neste caderno segue válida na Europa.
2026 AHA/ACC/ACCP/ACEP/CHEST/SCAI/SHM/SIR/SVM/SVN Guideline for the Evaluation and Management of Acute Pulmonary Embolism in Adults. Circulation. 2026. doi:10.1161/CIR.0000000000001415
O exame que decide o plantão
O TEP é a terceira doença cardiovascular aguda mais comum, atrás do infarto e do AVC, e mata
justamente porque passa despercebido. A angio-TC de tórax virou o método de escolha: no
Prospective Investigation of Pulmonary Embolism Diagnosis II (PIOPED II), sensibilidade
de 83% e especificidade de 96%, com resultado
inconclusivo em só 3–5% dos exames e, de quebra, a chance de mostrar o diagnóstico
alternativo (pericardite, dissecção, pneumonia, pneumotórax) quando não há êmbolo.
o resultado vale conforme a probabilidade pré-teste
O mesmo PIOPED II mostrou que o laudo não se interpreta no vácuo. Angio-TC negativa:
valor preditivo negativo (VPN) de 96% na probabilidade clínica baixa, 89% na
intermediária, mas só 60% na alta. Angio-TC positiva: valor preditivo positivo (VPP) de
92–96% quando a probabilidade é intermediária ou alta, mas só 58% quando é
baixa.
Discordância entre a clínica e a TC pede mais investigação, nos dois sentidos.
indeterminado é laudo legítimo
A conclusão de Wittram vale como regra de ouro do plantão. O radiologista precisa dizer
duas coisas: se o exame tem qualidade e se há êmbolo. Se a qualidade é
ruim, o laudo deve nomear quais artérias ficaram indeterminadas (e até que nível a árvore
está normal), e se é necessário outro exame. Forçar um “sem TEP” num exame degradado é pior que
assumir a indeterminação.
Antes da imagem
O caminho da suspeita ao exame, na diretriz de 2019 da European Society of Cardiology (ESC). A bifurcação inicial é a
instabilidade hemodinâmica; no paciente estável, quem decide se o D-dímero entra é a
probabilidade clínica.
A prevalência de TEP confirmado é de cerca de 10% na probabilidade baixa, 30%
na intermediária e 65% na alta (Wells ou Genebra, tanto faz: desempenho semelhante,
inclusive nas versões simplificadas). Na classificação em dois níveis: ~12% no “improvável” e
30% no “provável”.
Ferramenta
O que faz
O detalhe que cai
PERC (Pulmonary Embolism Rule-out Criteria)
Oito critérios clínicos que, se todos presentes, dispensam até o D-dímero
Só vale em probabilidade baixa: idade < 50, FC (frequência cardíaca) < 100, SaO₂ (saturação arterial de oxigênio) > 94%, sem edema unilateral, sem hemoptise, sem trauma/cirurgia recente, sem tromboembolismo venoso (TEV) prévio, sem hormônio oral
D-dímero (ELISA: ensaio imunoenzimático)
Sensibilidade ≥ 95%: negativo exclui TEP em probabilidade baixa ou intermediária
O valor preditivo positivo é baixo: D-dímero alto não confirma nada. Sobe com idade, câncer, internação, infecção e gestação
Corte ajustado à idade
Acima de 50 anos: idade × 10 µg/L
Nos ≥ 75 anos, quase quintuplica a fração de exclusões sem imagem (6,4% → 30%), sem falso-negativo adicional
YEARS (nome próprio da regra holandesa, não sigla)
Três itens (sinais de trombose venosa profunda, ou TVP; hemoptise; TEP como hipótese mais provável) mudam o corte: 1.000 sem itens, 500 com item
Evitou a angio-TC em 48% dos pacientes, contra 34% da estratégia fixa
na probabilidade alta, o D-dímero não entra
Recomendação III A da ESC: com probabilidade clínica alta, não se dosa D-dímero,
porque um resultado normal não exclui TEP com segurança nem com ensaio de alta sensibilidade.
O caminho é direto para a angio-TC. O D-dímero existe para poupar imagem nos outros dois
estratos.
o que confirma e o que exclui, por recomendação
Angio-TC normal exclui TEP em probabilidade baixa/intermediária (I A), e deve ser
considerada suficiente até na alta (IIa B). Defeito segmentar ou mais proximal
confirma (I B). Cintilografia de perfusão normal exclui (I A); V/Q (ventilação/perfusão) de alta
probabilidade confirma (IIa B). TVP proximal na compressão venosa confirma TEV e
autoriza tratar (I A). Angio-RM: não usar (III A). Venografia por TC como adendo à angio-TC:
não (III B).
+ complemento · o eco no paciente instável
No instável, a lógica inverte: eco à beira do leito ou angio-TC imediata, o que
estiver disponível. A ausência de sobrecarga de VD ao eco praticamente exclui o TEP
como causa do choque, e sinais inequívocos de sobrecarga (60/60, McConnell, trombo em
câmara direita) autorizam reperfusão de emergência sem TC, se o paciente não puder ser
transportado.
Técnica e janelas
O êmbolo, agudo ou crônico, é um defeito de enchimento com interface nítida com o
contraste. Para cada pulmão, examinam-se as artérias principal, lobares, segmentares e
subsegmentares, e o laudo classifica cada território como normal, com TEP agudo, com TEP
crônico ou indeterminado, dizendo por quê.
Janela
Largura/nível (UH)
Para quê
Mediastino
400 / 40
Leitura geral, mas contraste muito denso esconde êmbolo pequeno
Específica de TEP
700 / 100
Separa o êmbolo de margem nítida do artefato mal definido; alternativa: largura = média da artéria pulmonar + 2 DP (desvios padrão), nível = metade disso
Pulmão
1500 / −600
Artefato de movimento (sinal da “gaivota”), mosaico, infarto
A janela muda o que se vê, homem de 59 anos com TEP agudo
Janela 400/40: trombo na artéria interlobar direita (seta).Janela 552/276 (largura = média da artéria pulmonar + 2 DP; nível = metade): êmbolo no ramo segmentar medial do lobo médio (seta), que passou despercebido na janela anterior.Janela 700/100: os trombos da interlobar direita e do ramo segmentar medial do lobo médio.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 25. Ver artigo
duas ferramentas que desfazem dúvidaReformatações multiplanares no eixo longo do vaso resolvem o vaso de curso axial e
separam êmbolo de artefato. E o número mágico do artefato de fluxo: atenuação acima de
78 UH dentro do vaso indica sangue mal misturado, e não trombo.
a interrupção transitória do contraste
A inspiração profunda no disparo puxa sangue não opacificado da cava inferior para as
câmaras direitas, e as bases ficam sem contraste no momento exato da aquisição. Reconhece-se
pelas margens mal definidas e pela atenuação alta; mas atenção: o vaso mal opacificado
pode tanto ser normal quanto esconder um trombo. Se a dúvida persistir, repete-se com
atraso maior.
TEP agudo
Os sinais do agudo e do crônico, lado a lado. A chave de leitura é dupla: o ângulo com a
parede (agudo × obtuso) e o calibre da artéria (aumentada × menor que as
vizinhas).
Critério de TEP agudo
Tradução
Oclusão total com falha de enchimento de toda a luz
A artéria pode estar aumentada em relação às vizinhas patentes
Polo mint (transversal) e railway track (longitudinal)
Defeito parcial central, rodeado de contraste por todos os lados
Defeito periférico com ângulos agudos com a parede
O trombo agudo excêntrico ainda “desencosta” da parede
TEP agudo: os sinais da falha de enchimento
Mulher de 32 anos com dor torácica: êmbolo no ramo basal posterior do lobo inferior direito (seta); a artéria ocluída está aumentada em relação às vizinhas pérvias.Mulher de 45 anos com dor torácica: falha de enchimento parcial central no ramo basal lateral do lobo inferior direito, cercada de contraste, o sinal do polo mint (seta).Mesma paciente: êmbolos agudos nos ramos subsegmentares do segmento basal lateral (setas).Homem de 66 anos com dor e dispneia: falha parcial cercada de contraste no eixo longo do vaso, o sinal do trilho (railway track; seta), e outro êmbolo na artéria pulmonar esquerda (ponta de seta).
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Figs. 4–6. Ver artigo
TEP agudo, mulher de 58 anos com dor torácica e dispneia
Angio-TC: falha de enchimento parcial excêntrica, cercada de contraste e formando ângulos agudos com a parede da artéria (setas).
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 7. Ver artigo
achados ancilares: associados, não específicos
Opacidade periférica em cunha (possível infarto) e bandas lineares têm
associação estatística com TEP agudo, mas não fecham diagnóstico sozinhas. Vasos indeterminados
com pulmões limpos: o caminho pode ser cintilografia V/Q, repetição da angio-TC ou
angiografia.
Achados ancilares do TEP agudo, mulher de 58 anos
TC: área periférica em cunha com hiperatenuação no pulmão (seta), que pode ser infarto, e banda linear (ponta de seta).
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 8. Ver artigo
o TEP que ninguém suspeitou
Êmbolos aparecem em 1,5% das TCs contrastadas feitas por outros motivos, e o
TEP central agudo pode aparecer até sem contraste, como hiperdensidade intravascular
central. Achado incidental é achado real: muda conduta na hora.
TEP central em paciente assintomática de 87 anos
TC sem contraste: regiões sutis de hiperatenuação dentro das artérias (seta).Angio-TC de confirmação: TEP agudo na artéria pulmonar direita e na interlobar esquerda.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 10. Ver artigo
+ complemento · sinais de sobrecarga do VD na própria TC
Além de confirmar o êmbolo, a mesma aquisição pode mostrar o coração à direita sofrendo:
VD mais largo que o VE no eixo curto, desvio do septo interventricular para a
esquerda, refluxo de contraste para as veias hepáticas, índice de obstrução vascular
> 60%. É a ponte para a seção de gravidade.
Sobrecarga do ventrículo direito, homem de 42 anos com dor e dispneia grave
Angio-TC: o eixo curto do ventrículo direito (linha tracejada) é maior que o do esquerdo (linha contínua).
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 9. Ver artigo
TEP crônico e CTEPH
Critério de TEP crônico
Tradução
Oclusão total em vaso menor que os vizinhos
O oposto do agudo, em que a artéria ocluída tende a aumentar
Defeito periférico em crescente, com ângulos obtusos
O trombo organizado “abraça” a parede
Recanalização
Contraste fluindo por artéria espessada e reduzida
Web ou flap intraluminal
Traves finas dentro do vaso contrastado
Sinais secundários
Colaterais brônquicas/sistêmicas, padrão em mosaico, calcificação no espessamento excêntrico
TEP crônico: oclusão, trombo excêntrico, recanalização e flap
Homem de 27 anos: oclusão completa de vasos do pulmão esquerdo, menores que os vizinhos pérvios (pontas de seta), e colateral de um ramo da artéria frênica direita (seta).Homem de 62 anos: trombo excêntrico formando ângulos obtusos com a parede (setas) e artéria brônquica colateral dilatada (ponta de seta).Mesmo paciente de 27 anos: artéria pulmonar pequena recanalizada, com contraste na luz central (seta).Homem de 56 anos: flap (seta) dentro de uma artéria interlobar direita pequena e artéria brônquica colateral dilatada (ponta de seta).
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Figs. 11–14. Ver artigo
TEP crônico: trombo central, calcificação e mosaico
Mesmo homem de 62 anos: grande trombo crônico no tronco e na artéria pulmonar esquerda (ponta de seta) e artérias brônquicas colaterais (setas).Homem de 62 anos: calcificação da parede arterial (setas), sinal secundário de TEP crônico.Mulher de 60 anos, janela de pulmão: padrão de perfusão em mosaico; as áreas escuras, hipoperfundidas, têm vasos menores (setas) que os do pulmão normalmente perfundido.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Figs. 15–17. Ver artigo
os ancilares da hipertensão pulmonar
Artéria pulmonar > 33 mm e derrame pericárdico acompanham a hipertensão
pulmonar do TEP crônico.
Hipertensão pulmonar por TEP crônico, o mesmo homem de 62 anos
Tronco da artéria pulmonar com 41 mm de diâmetro (linha preta), indicando hipertensão.Derrame pericárdico (setas), associado à hipertensão pulmonar.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Figs. 18, 19. Ver artigo
CTEPH: o que a prova cobra
A hipertensão pulmonar tromboembólica crônica (CTEPH, na sigla em inglês) é a sequela tardia potencialmente fatal do TEP.
O diagnóstico exige ≥ 3 meses de anticoagulação efetiva + cateterismo com pressão arterial pulmonar (PAP) média
≥ 25 mmHg (ESC 2019; a diretriz ESC/ERS (European Respiratory Society) de hipertensão pulmonar de 2022 baixou para > 20 mmHg, com resistência vascular pulmonar > 2 unidades Wood) e capilar ≤ 15 mmHg + defeitos de perfusão mismatched.
A cintilografia V/Q é a primeira linha (sensibilidade 96–97%): angio-TC normal não
exclui CTEPH sozinha. Na TC, os sinais específicos são estenoses em anel, webs/slits e
oclusões crônicas totais, e o exame de um “TEP agudo” não deve deixar passar uma CTEPH
que já estava lá.
Gravidade
Os quatro estratos da ESC 2019. O radiologista participa de dois deles diretamente: a
angio-TC confirma o TEP do paciente instável (alto risco) e fornece o VD/VE que
ajuda a separar os intermediários.
No paciente estável, a estratificação combina três eixos: clínica (o Pulmonary Embolism Severity Index, PESI, e sua forma simplificada, sPESI),
imagem do VD (eco ou a própria angio-TC) e biomarcador (troponina). sPESI 0
significa mortalidade em 30 dias de ~1%; sPESI ≥ 1, ~11%. VD disfuncional e troponina elevada fazem o intermediário-alto quando o
PESI é III–V ou o sPESI ≥ 1; com PESI I–II ou sPESI 0, VD alterado ou troponina elevada põem
o paciente no intermediário-baixo, e não no baixo.
o número que o laudo deve trazer: VD/VE
Na visão de quatro câmaras da angio-TC, a razão VD/VE ≥ 1,0 se associa a risco
2,5× maior de morte por qualquer causa e 5× maior de morte por TEP.
O corte de 0,9 existe na literatura, mas dilatação leve (pouco acima de 0,9) aparece em
> 50% dos estáveis e significa pouco: 1,0 é o corte com melhor especificidade
prognóstica. Refluxo de contraste para a cava inferior agrega informação.
o que o radiologista não deve concluir
Disfunção de VD na TC não indica trombólise por si só: no estável com PESI III–V ou sPESI ≥ 1, VD alterado
+ troponina elevada classificam como intermediário-alto, que se trata com
anticoagulação e monitorização, com reperfusão apenas de resgate. A reperfusão imediata
é do paciente instável.
As armadilhas, em quatro famílias
Família
Armadilha
Como desfazer
Paciente
Movimento respiratório: a causa mais comum de exame indeterminado
Janela de pulmão: sinal da “gaivota”, vasos que “pulam” entre cortes
Ruído (paciente grande)
Pixels sem margem definida; ajustar técnica
Cateter de artéria pulmonar
Endurecimento de feixe; conferir na janela óssea e no escanograma
Artefato de fluxo
Margens mal definidas, atenuação > 78 UH; repetir com atraso se necessário
Anel brilhante periarterial que some na reconstrução padrão
Volume parcial
Vaso de curso axial; os cortes contíguos resolvem
Stair-step
Linhas atravessando o vaso nas reformatações; não anatômicas
Anatomia
Linfonodos hilares
São extramurais: o contorno do vaso contrastado permanece liso; corte fino resolve
Bifurcações
Linha curva rodeada de contraste; seguir nos contíguos
Veias não opacificadas
Seguir o vaso até o nível atrial: a veia desemboca no átrio esquerdo; a artéria acompanha o brônquio
Patologia
Tampão mucoso
Está no brônquio; a artéria acompanhante normal entrega
Edema perivascular (insuficiência cardíaca)
Espessamento peribroncovascular + septos + derrames: imita TEP crônico
Resistência local aumentada
Consolidação/atelectasia atrasam o contraste do vaso regional; > 78 UH tranquiliza, mas pode esconder trombo
Trombose in situ de coto
Pós-ressecção pulmonar: trombo só no sítio cirúrgico, sem êmbolos à distância
Artefato de movimento respiratório, homem de 61 anos
Janela de pulmão: imagens compostas dos vasos, o sinal da gaivota (setas).Janela de mediastino: área de baixa atenuação por volume parcial entre o vaso e o pulmão (seta), que pode simular TEP.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 20. Ver artigo
Ruído de imagem, mulher de 39 anos
Angio-TC: pixels de ruído nas câmaras cardíacas contrastadas, cuja confluência pode parecer êmbolo (seta). Ao contrário do êmbolo verdadeiro, não formam falha de enchimento bem definida.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 21. Ver artigo
Endurecimento de feixe por cateter de artéria pulmonar, homem de 63 anos
Janela de mediastino: o cateter causa artefatos no tronco e na artéria pulmonar direita que imitam TEP (setas); há pequenos êmbolos verdadeiros na artéria pulmonar esquerda.Janela óssea: o cateter fica evidente, com o artefato em volta.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 22. Ver artigo
Artefato de fluxo, mulher de 60 anos com dor pleurítica
Reformatação coronal da interlobar direita e do ramo basal posterior: contraste denso acima e abaixo de uma região de sangue mal opacificado (seta).
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 23. Ver artigo
Artefato de fluxo, mulher de 73 anos com dor torácica
Angio-TC: opacificação pobre das artérias interlobar e do lobo médio pelo artefato de fluxo; mais distalmente as artérias estavam bem contrastadas. Esôfago dilatado e com líquido.Angio-TC repetida: êmbolos segmentares nos ramos medial e lateral do lobo médio (setas).
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 24. Ver artigo
Estrias do contraste denso na cava superior, mulher de 35 anos
Angio-TC: estrias a partir do contraste denso na veia cava superior (setas), reconhecidas pelo aspecto radiado, que não segue anatomia.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 26. Ver artigo
Artefato do algoritmo de pulmão, mulher de 70 anos
Reconstrução com filtro de realce de bordas: anel brilhante em volta das artérias que imita TEP agudo (setas).Reconstrução com filtro padrão: o artefato desaparece. Não havia embolia.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 27. Ver artigo
Artefato de volume parcial, mulher de 52 anos
Corte de 3,75 mm: falsa falha, mal definida, no ramo anterior do lobo superior esquerdo (seta).Corte contíguo abaixo: pulmão normal junto à artéria.Corte contíguo logo acima: artéria cheia de contraste, o que confirma o volume parcial.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 28. Ver artigo
Artefato em degraus (stair-step), homem de 84 anos
Reformatação coronal: linhas de baixa atenuação atravessando o vaso (setas), sem padrão anatômico.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 29. Ver artigo
Linfonodos hilares normais
Nos dois lobos superiores (setas).No lobo médio e na língula (setas).Junto às artérias interlobares direita e esquerda (setas).Nos dois lobos inferiores (setas).
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 30. Ver artigo
Bifurcação vascular
Angio-TC: a bifurcação entre as artérias do lobo inferior esquerdo e da língula aparece como linha curva cercada de contraste (seta). Os cortes contíguos mostraram a natureza real.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 31. Ver artigo
Veias pulmonares não opacificadas
Angio-TC: veias pulmonares ainda sem contraste (setas), que podem imitar oclusão. Segui-las nos cortes contíguos até o átrio esquerdo resolve.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 32. Ver artigo
Tampões mucosos, mulher de 83 anos
Angio-TC: tampões mucosos (setas) que podem imitar TEP agudo; o brônquio basal posterior do lobo inferior direito está dilatado e cheio de muco. As artérias normais ao lado (pontas de seta) desfazem a dúvida.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 33. Ver artigo
Insuficiência cardíaca esquerda, mulher de 56 anos
Janela de mediastino: espessamento intersticial peribroncovascular por edema perivascular (seta), que pode imitar TEP crônico.Janela de pulmão: espessamento peribroncovascular difuso, vidro fosco, espessamento liso dos septos interlobulares (setas) e derrames pleurais bilaterais.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 34. Ver artigo
Aumento localizado da resistência vascular, homem de 65 anos
Angio-TC: artefato de fluxo (seta) que imita TEP agudo, com derrame pleural esquerdo médio e atelectasia.Corte logo acima: falsa falha mal definida (seta), de atenuação alta demais para êmbolo.Corte logo abaixo: o mesmo achado (seta).Angiografia: leve distorção do ramo basal posterior do lobo inferior esquerdo (seta), sem embolia.Angiografia mais oblíqua da artéria pulmonar esquerda: sem embolia (seta).
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 35. Ver artigo
Trombose in situ do coto, homem de 69 anos depois de pneumectomia direita
Angio-TC: trombose in situ do coto da artéria pulmonar direita (seta).
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 36. Ver artigo
os dois mimetizadores que são doença graveSarcoma de artéria pulmonar: massa unilateral, lobulada, heterogênea e que
realça, com ângulos agudos e distensão do vaso. O crônico também realça, mas faz
ângulos obtusos.
Êmbolos tumorais: os grandes (invasão de cava por hepatocarcinoma, rim, coriocarcinoma)
imitam TEP maciço; os pequenos fazem dilatação e “beading” de artérias subsegmentares e
padrão tree-in-bud vascular. Próstata e mama são as fontes clássicas dos
microscópicos.
Sarcoma de artéria pulmonar, mulher de 65 anos
TC com contraste: massa lobulada com realce heterogêneo no tronco da artéria pulmonar (seta) e depósito metastático na artéria pulmonar direita (ponta de seta).
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 37. Ver artigo
Êmbolos tumorais
Sarcoma do estroma endometrial invadindo a veia cava inferior, mulher de 78 anos: grande êmbolo tumoral na artéria do lobo inferior direito (seta).Carcinoma de células renais, homem de 60 anos, janela de pulmão: dilatação e aspecto em contas das artérias subsegmentares do segmento basal posterior direito (seta).Mesmo paciente: êmbolos tumorais em arteríolas do lóbulo secundário, com aspecto de árvore em brotamento (seta), raro na TC.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Figs. 38–40. Ver artigo
Gestação e situações especiais
O TEP segue entre as principais causas de morte materna direta em países de alta
renda, e o diagnóstico é duplamente traiçoeiro: os sintomas se confundem com a gestação normal,
e o D-dímero sobe fisiologicamente (no 3º trimestre, ~¼ das gestantes está acima do corte).
Ainda assim, probabilidade + D-dímero + compressão venosa + angio-TC excluem TEP com
segurança, inclusive com o YEARS adaptado à gestação, validado prospectivamente.
Passo na gestante
Racional
1 · RX (radiografia) de tórax
Barato, dose desprezível, e decide o próximo passo
2 · Compressão venosa se houver sintomas de perna
TVP proximal confirma TEV e dispensa irradiar
3 · RX normal → angio-TC ou cintilografia de perfusão
Igualmente seguras para excluir; decide a expertise local
3 · RX anormal → angio-TC
A cintilografia perde valor com parênquima anormal
as doses que caem em prova
Feto: angio-TC 0,05–0,5 mGy; cintilografia de perfusão em dose baixa
0,02–0,2 mGy, ambas ordens de grandeza abaixo do limiar de dano fetal
(50–100 mGy). Mama materna: angio-TC 3–10 mGy (técnicas modernas, 3–4); o
aumento do risco de câncer materno é desprezível e não justifica evitar o exame.
Angiografia convencional: evitar (2,2–3,7 mGy fetais).
superdiagnosticar a gestante também é dano
Um rótulo de TEP na gestação carrega consequências para a vida inteira: anticoagulação com
risco de sangramento no parto, contraindicação a estrogênio, profilaxia em toda gestação
futura. Evitar o superdiagnóstico importa tanto quanto não perder o diagnóstico: o
defeito duvidoso merece revisão por radiologista experiente, não benefício da dúvida.
+ complemento · subsegmentar isolado e incidental no câncerSubsegmentar isolado: a relevância clínica é incerta e a concordância entre leitores
é baixa, e a ESC sugere considerar exames adicionais antes de rotular (IIb C).
Incidental no oncológico: manejar como sintomático se acometer ramo segmentar ou mais
proximal, múltiplos subsegmentares, ou um único subsegmentar com TVP
demonstrada (IIa B).
Pontos de prova: alto rendimento
PIOPED II
Sensibilidade 83% · especificidade 96%
VPN da TC negativa
Probabilidade baixa 96% · intermediária 89% · alta 60%
VPP da TC positiva
Intermediária/alta 92–96% · baixa 58%
Prevalência por probabilidade
Baixa 10% · intermediária 30% · alta 65%
D-dímero
Exclui em probabilidade baixa/intermediária · não se dosa na alta (III A)
Corte ajustado à idade
Idade × 10 µg/L acima dos 50 anos
YEARS
Sem itens < 1.000 · com item < 500
TC normal
Exclui em baixa/intermediária (I A)
Defeito segmentar+
Confirma em intermediária/alta (I B)
Subsegmentar isolado
Considerar exames adicionais (IIb C)
Agudo: oclusão total
Artéria aumentada em relação às vizinhas
Agudo: sinais
Polo mint (transversal) · railway track (longitudinal) · ângulos agudos
≥ 3 meses de anticoagulação · PAPm (pressão arterial pulmonar média) ≥ 25 · capilar ≤ 15 · mismatch V/Q
CTEPH: imagem
V/Q é a 1ª linha (sens 96–97%) · TC não exclui sozinha · anéis, webs, oclusões
Armadilhas e erros comuns
Erros de leitura
Chamar de êmbolo o artefato de fluxo (mal definido, > 78 UH)
Perder êmbolo pequeno por janela com contraste muito brilhante
Chamar de êmbolo linfonodo hilar: é extramural, o contorno do vaso segue liso
Ler veia não opacificada como artéria ocluída
Confundir tampão mucoso com TEP: a artéria acompanhante normal entrega
Assumir agudo em defeito excêntrico de ângulos obtusos: isso é crônico
Rotular de crônico o sarcoma de AP que realça e faz ângulos agudos
Erros de estratégia
Dosar D-dímero em probabilidade alta
Ignorar a probabilidade pré-teste ao interpretar TC negativa (VPN de 60% na alta)
Não considerar V/Q, repetição ou angiografia quando o exame fica indeterminado
Excluir CTEPH com angio-TC normal: a triagem é V/Q
Adiar imagem na gestante por medo de dose: as doses fetais são ordens de grandeza abaixo do limiar
Erros de laudo
Não nomear quais artérias ficaram indeterminadas e até onde a árvore está normal
Omitir o VD/VE e o refluxo cavo no TEP confirmado
Não descrever sinais de cronicidade num “agudo” que já é CTEPH
Rotular subsegmentar isolado sem sugerir confirmação
Esquecer o diagnóstico alternativo quando não há êmbolo
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1
Homem de 62 anos, dispneia progressiva há meses. Angio-TC: defeito excêntrico em crescente na artéria interlobar direita, formando ângulos obtusos com a parede, em vaso menor que os vizinhos; artérias brônquicas dilatadas e padrão em mosaico. Qual a interpretação?
Cada elemento aponta para cronicidade: defeito excêntrico com ângulos obtusos (o trombo organizado “abraça” a parede), vaso menor que os vizinhos (no agudo, a artéria ocluída tende a aumentar), colaterais brônquicas e mosaico, sinais secundários clássicos.
O polo mint é defeito central rodeado de contraste, do agudo. O sarcoma realça, é lobulado e faz ângulos agudos. O artefato de fluxo tem margens mal definidas e atenuação > 78 UH.
Levantar CTEPH importa porque a conduta muda: cintilografia V/Q como triagem (sensibilidade 96–97%; a TC normal não exclui), cateterismo direito (PAP média ≥ 25 mmHg pela ESC 2019, > 20 mmHg pela diretriz de hipertensão pulmonar de 2022, com capilar ≤ 15) e o critério temporal de ≥ 3 meses de anticoagulação efetiva para separar do agudo.
Mulher de 78 anos, dispneia leve. Probabilidade clínica baixa pelo escore de Genebra. D-dímero (ELISA): 620 µg/L (corte convencional 500). Qual a conduta pela diretriz ESC?
Acima dos 50 anos, o corte do D-dímero pode ser ajustado à idade: idade × 10 µg/L; aqui, 780. Com 620, o teste é negativo para essa paciente, e D-dímero negativo em probabilidade baixa ou intermediária exclui TEP sem imagem (o estudo de validação elevou as exclusões nos ≥ 75 anos de 6,4% para 30%, sem falso-negativo adicional).
O detalhe de prova na contramão: se a probabilidade fosse alta, o D-dímero nem deveria ser dosado (recomendação III A), porque negativo não excluiria, e o caminho seria direto para a angio-TC. O eco não participa do algoritmo do paciente estável.
Angio-TC com opacificação pobre das artérias basais bilaterais: área central de baixa atenuação de margens borradas, medindo 92 UH, com contraste denso acima e abaixo. O restante da árvore está bem opacificado. Qual a leitura?
O quadro é o do artefato de fluxo: a inspiração profunda no disparo puxa sangue não opacificado da cava inferior, que chega às artérias pulmonares no momento exato da aquisição. É tipicamente bilateral e basal.
Dois discriminadores contra trombo: margens mal definidas (êmbolo tem interface nítida com o contraste) e atenuação > 78 UH. Mas a resposta certa carrega a ressalva do artigo: vaso mal opacificado pode esconder trombo; não é “exame normal”, é dúvida a resolver, repetindo com atraso maior se necessário.
O sarcoma é unilateral e realça; “normal fisiológico” não explica contraste denso acima e abaixo do defeito.
Homem de 55 anos, TEP confirmado, PA (pressão arterial) 128 × 84, FC 96, SaO₂ 88% em ar ambiente. Na angio-TC, VD/VE = 1,2 na visão de quatro câmaras, com refluxo de contraste para a cava inferior. Troponina elevada. Qual a classificação de risco e a conduta?
Alto risco é definido por instabilidade hemodinâmica, que este paciente não tem. No estável, a estratificação combina clínica (PESI/sPESI), imagem do VD e biomarcador. Aqui a SaO₂ < 90% já dá sPESI ≥ 1, e com VD disfuncional e troponina elevada o paciente é intermediário-alto → internar e monitorar, com reperfusão apenas de resgate.
A angio-TC vale como imagem do VD: VD/VE ≥ 1,0 na quatro câmaras associa-se a risco 2,5× maior de morte geral e 5× maior de morte por TEP, e 1,0 discrimina melhor que 0,9, porque dilatação leve aparece em mais da metade dos estáveis. O refluxo cavo agrega. PA normal não define risco baixo: baixo risco exige PESI I–II/sPESI 0 e ausência de disfunção de VD e de biomarcador alterado. E, com PESI I–II ou sPESI 0, o mesmo VD e a mesma troponina deixariam o paciente no intermediário-baixo.
Gestante de 28 semanas com dispneia súbita e dor pleurítica, sem sintomas nos membros inferiores. D-dímero acima do corte. RX de tórax normal. A equipe hesita em prosseguir “pela dose no feto”. Qual a conduta correta?
Com RX normal, angio-TC e cintilografia de perfusão são igualmente seguras para excluir TEP na gestação: a escolha é pela expertise local. As doses fetais (TC 0,05–0,5 mGy; perfusão 0,02–0,2) ficam ordens de grandeza abaixo do limiar de dano fetal (50–100 mGy), e o risco materno adicional da TC moderna é desprezível: medo de dose não justifica não diagnosticar uma das principais causas de morte materna.
A compressão venosa entra antes quando há sintomas de perna (TVP proximal confirmaria sem irradiar), mas negativa não exclui TEP. Gadolínio na gestação tem efeitos fetais de longo prazo desconhecidos, e a angio-RM nem em não gestantes é recomendada (III A). Anticoagular às cegas e “esperar” são exatamente os dois erros que o algoritmo existe para evitar, inclusive porque o superdiagnóstico também cobra caro (parto anticoagulado, contracepção, profilaxia futura).
Mulher de 65 anos, dispneia arrastada. Angio-TC: massa unilateral ocupando e distendendo o tronco e a artéria pulmonar esquerda, lobulada, com realce heterogêneo e ângulos agudos com a parede. Qual o diagnóstico mais provável?
A combinação é a assinatura do sarcoma de artéria pulmonar: massa unilateral, lobulada, com realce heterogêneo, que distende o vaso e pode se estender para fora dele.
Os discriminadores, um a um: o TEP agudo não realça. O crônico até realça (tecido organizado vascularizado), mas forma ângulos obtusos: o sarcoma faz ângulos agudos. O tampão mucoso mora no brônquio, com a artéria acompanhante normal. E os êmbolos tumorais microscópicos são o extremo oposto: doença subsegmentar, com dilatação, “beading” e tree-in-bud vascular, e não uma massa central.
Fontes. [A] Wittram C, Maher MM, Yoo AJ, et al. CT Angiography of Pulmonary Embolism:
Diagnostic Criteria and Causes of Misdiagnosis. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238.
doi:10.1148/rg.245045008 [B] Konstantinides SV, Meyer G, Becattini C, et al. 2019 ESC Guidelines for the
diagnosis and management of acute pulmonary embolism. Eur Heart J 2020;41(4):543–603.
doi:10.1093/eurheartj/ehz405
Os critérios de imagem do agudo, do crônico e a taxonomia de armadilhas vêm de [A]; a
estratégia diagnóstica, a estratificação de risco, a gestação e a CTEPH vêm de [B]. A diretriz
ESC de 2019 segue vigente na Europa; em 2026 saiu a diretriz americana (quadro do topo). Conferido em 29/09/2026.
Os diagramas são próprios. Blocos marcados com + complemento são acréscimos do
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