Cadernos QRad 49 · TEP na Angio-TC
Tórax · emergência

TEP na Angio-TC

Fontes: Wittram et al, RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238 · ESC 2019, Eur Heart J 2020;41(4):543–603
o que mudou desde esta referência · conferido em 2026-09-29
Diretriz americana de TEP agudo (AHA (American Heart Association)/ACC (American College of Cardiology), 2026): as categorias clínicas  nova classificação de gravidade
A diretriz de 2026 troca “maciço/submaciço” por categorias de A a E:
A: TEP (tromboembolia pulmonar) subclínico, incidental e assintomático.
B: sintomático com escore de gravidade baixo (PESI (Pulmonary Embolism Severity Index) I–II, sPESI (PESI simplificado) 0 ou Hestia 0).
C: sintomático com escore elevado (PESI III–V, sPESI ≥ 1 ou Hestia ≥ 1), subdividido pelo número de alterações do VD (ventrículo direito) na imagem e nos biomarcadores.
D: insuficiência cardiopulmonar incipiente (D1, hipotensão transitória; D2, choque normotenso).
E: insuficiência cardiopulmonar (E1, hipotensão persistente com choque cardiogênico; E2, choque refratário ou parada).
O sufixo R marca comprometimento respiratório (hipoxemia, taquipneia).

Para avaliar o VD, a diretriz prefere o ecocardiograma à TC; o laudo da angio-TC continua descrevendo a razão VD/VE (ventrículo direito/ventrículo esquerdo). A estratificação da ESC (European Society of Cardiology) 2019 ensinada neste caderno segue válida na Europa.
2026 AHA/ACC/ACCP/ACEP/CHEST/SCAI/SHM/SIR/SVM/SVN Guideline for the Evaluation and Management of Acute Pulmonary Embolism in Adults. Circulation. 2026. doi:10.1161/CIR.0000000000001415

O exame que decide o plantão

O TEP é a terceira doença cardiovascular aguda mais comum, atrás do infarto e do AVC, e mata justamente porque passa despercebido. A angio-TC de tórax virou o método de escolha: no Prospective Investigation of Pulmonary Embolism Diagnosis II (PIOPED II), sensibilidade de 83% e especificidade de 96%, com resultado inconclusivo em só 3–5% dos exames e, de quebra, a chance de mostrar o diagnóstico alternativo (pericardite, dissecção, pneumonia, pneumotórax) quando não há êmbolo.

o resultado vale conforme a probabilidade pré-teste O mesmo PIOPED II mostrou que o laudo não se interpreta no vácuo. Angio-TC negativa: valor preditivo negativo (VPN) de 96% na probabilidade clínica baixa, 89% na intermediária, mas só 60% na alta. Angio-TC positiva: valor preditivo positivo (VPP) de 92–96% quando a probabilidade é intermediária ou alta, mas só 58% quando é baixa.

Discordância entre a clínica e a TC pede mais investigação, nos dois sentidos.
indeterminado é laudo legítimo A conclusão de Wittram vale como regra de ouro do plantão. O radiologista precisa dizer duas coisas: se o exame tem qualidade e se há êmbolo. Se a qualidade é ruim, o laudo deve nomear quais artérias ficaram indeterminadas (e até que nível a árvore está normal), e se é necessário outro exame. Forçar um “sem TEP” num exame degradado é pior que assumir a indeterminação.

Antes da imagem

Suspeita de TEP Instabilidade hemodinâmica? SIM NÃO Eco à beira do leito ou angio-TC imediata, conforme disponível VD sobrecarregado / TEP confirmado reperfusão imediata, sem escores Probabilidade clínica Wells ou Genebra, original ou simplificado BAIXA / INTERMEDIÁRIA (TEP improvável) ALTA (provável) sem D-dímero D-dímero corte ajustado à idade: idade × 10 NEGATIVO POSITIVO TEP excluído sem imagem, sem anticoagular Angio-TC de tórax normal exclui · segmentar+ confirma
O caminho da suspeita ao exame, na diretriz de 2019 da European Society of Cardiology (ESC). A bifurcação inicial é a instabilidade hemodinâmica; no paciente estável, quem decide se o D-dímero entra é a probabilidade clínica.

A prevalência de TEP confirmado é de cerca de 10% na probabilidade baixa, 30% na intermediária e 65% na alta (Wells ou Genebra, tanto faz: desempenho semelhante, inclusive nas versões simplificadas). Na classificação em dois níveis: ~12% no “improvável” e 30% no “provável”.

FerramentaO que fazO detalhe que cai
PERC (Pulmonary Embolism Rule-out Criteria)Oito critérios clínicos que, se todos presentes, dispensam até o D-dímeroSó vale em probabilidade baixa: idade < 50, FC (frequência cardíaca) < 100, SaO₂ (saturação arterial de oxigênio) > 94%, sem edema unilateral, sem hemoptise, sem trauma/cirurgia recente, sem tromboembolismo venoso (TEV) prévio, sem hormônio oral
D-dímero (ELISA: ensaio imunoenzimático)Sensibilidade ≥ 95%: negativo exclui TEP em probabilidade baixa ou intermediáriaO valor preditivo positivo é baixo: D-dímero alto não confirma nada. Sobe com idade, câncer, internação, infecção e gestação
Corte ajustado à idadeAcima de 50 anos: idade × 10 µg/LNos ≥ 75 anos, quase quintuplica a fração de exclusões sem imagem (6,4% → 30%), sem falso-negativo adicional
YEARS (nome próprio da regra holandesa, não sigla)Três itens (sinais de trombose venosa profunda, ou TVP; hemoptise; TEP como hipótese mais provável) mudam o corte: 1.000 sem itens, 500 com itemEvitou a angio-TC em 48% dos pacientes, contra 34% da estratégia fixa
na probabilidade alta, o D-dímero não entra Recomendação III A da ESC: com probabilidade clínica alta, não se dosa D-dímero, porque um resultado normal não exclui TEP com segurança nem com ensaio de alta sensibilidade. O caminho é direto para a angio-TC. O D-dímero existe para poupar imagem nos outros dois estratos.
o que confirma e o que exclui, por recomendação Angio-TC normal exclui TEP em probabilidade baixa/intermediária (I A), e deve ser considerada suficiente até na alta (IIa B). Defeito segmentar ou mais proximal confirma (I B). Cintilografia de perfusão normal exclui (I A); V/Q (ventilação/perfusão) de alta probabilidade confirma (IIa B). TVP proximal na compressão venosa confirma TEV e autoriza tratar (I A). Angio-RM: não usar (III A). Venografia por TC como adendo à angio-TC: não (III B).
+ complemento · o eco no paciente instável No instável, a lógica inverte: eco à beira do leito ou angio-TC imediata, o que estiver disponível. A ausência de sobrecarga de VD ao eco praticamente exclui o TEP como causa do choque, e sinais inequívocos de sobrecarga (60/60, McConnell, trombo em câmara direita) autorizam reperfusão de emergência sem TC, se o paciente não puder ser transportado.

Técnica e janelas

O êmbolo, agudo ou crônico, é um defeito de enchimento com interface nítida com o contraste. Para cada pulmão, examinam-se as artérias principal, lobares, segmentares e subsegmentares, e o laudo classifica cada território como normal, com TEP agudo, com TEP crônico ou indeterminado, dizendo por quê.

JanelaLargura/nível (UH)Para quê
Mediastino400 / 40Leitura geral, mas contraste muito denso esconde êmbolo pequeno
Específica de TEP700 / 100Separa o êmbolo de margem nítida do artefato mal definido; alternativa: largura = média da artéria pulmonar + 2 DP (desvios padrão), nível = metade disso
Pulmão1500 / −600Artefato de movimento (sinal da “gaivota”), mosaico, infarto
A janela muda o que se vê, homem de 59 anos com TEP agudo
Janela 400/40: trombo na artéria interlobar direita (seta).
Janela 400/40: trombo na artéria interlobar direita (seta).
Janela 552/276 (largura = média da artéria pulmonar + 2 DP; nível = metade): êmbolo no ramo segmentar medial do lobo médio (seta), que passou despercebido na ja
Janela 552/276 (largura = média da artéria pulmonar + 2 DP; nível = metade): êmbolo no ramo segmentar medial do lobo médio (seta), que passou despercebido na janela anterior.
Janela 700/100: os trombos da interlobar direita e do ramo segmentar medial do lobo médio.
Janela 700/100: os trombos da interlobar direita e do ramo segmentar medial do lobo médio.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 25. Ver artigo
duas ferramentas que desfazem dúvida Reformatações multiplanares no eixo longo do vaso resolvem o vaso de curso axial e separam êmbolo de artefato. E o número mágico do artefato de fluxo: atenuação acima de 78 UH dentro do vaso indica sangue mal misturado, e não trombo.
a interrupção transitória do contraste A inspiração profunda no disparo puxa sangue não opacificado da cava inferior para as câmaras direitas, e as bases ficam sem contraste no momento exato da aquisição. Reconhece-se pelas margens mal definidas e pela atenuação alta; mas atenção: o vaso mal opacificado pode tanto ser normal quanto esconder um trombo. Se a dúvida persistir, repete-se com atraso maior.

TEP agudo

TEP AGUDO INTERFACE NÍTIDA · ÂNGULOS AGUDOS · A ARTÉRIA PODE AUMENTAR polo mint defeito central, anel de contraste (transversal) railway track contraste dos dois lados do trombo (longitudinal) oclusão total sem realce; a artéria fica MAIOR que as vizinhas excêntrico agudo periférico, ângulos AGUDOS com a parede TEP CRÔNICO VASO MENOR · ÂNGULOS OBTUSOS · COLATERAIS, MOSAICO, CALCIFICAÇÃO crescente obtuso defeito periférico com ângulos OBTUSOS webs e flaps traves finas dentro do vaso contrastado recanalização parede espessa, luz fina; vaso MENOR que o vizinho calcificação parietal no espessamento excêntrico (sinal secundário)
Os sinais do agudo e do crônico, lado a lado. A chave de leitura é dupla: o ângulo com a parede (agudo × obtuso) e o calibre da artéria (aumentada × menor que as vizinhas).
Critério de TEP agudoTradução
Oclusão total com falha de enchimento de toda a luzA artéria pode estar aumentada em relação às vizinhas patentes
Polo mint (transversal) e railway track (longitudinal)Defeito parcial central, rodeado de contraste por todos os lados
Defeito periférico com ângulos agudos com a paredeO trombo agudo excêntrico ainda “desencosta” da parede
TEP agudo: os sinais da falha de enchimento
Mulher de 32 anos com dor torácica: êmbolo no ramo basal posterior do lobo inferior direito (seta); a artéria ocluída está aumentada em relação às vizinhas pérv
Mulher de 32 anos com dor torácica: êmbolo no ramo basal posterior do lobo inferior direito (seta); a artéria ocluída está aumentada em relação às vizinhas pérvias.
Mulher de 45 anos com dor torácica: falha de enchimento parcial central no ramo basal lateral do lobo inferior direito, cercada de contraste, o sinal do polo mi
Mulher de 45 anos com dor torácica: falha de enchimento parcial central no ramo basal lateral do lobo inferior direito, cercada de contraste, o sinal do polo mint (seta).
Mesma paciente: êmbolos agudos nos ramos subsegmentares do segmento basal lateral (setas).
Mesma paciente: êmbolos agudos nos ramos subsegmentares do segmento basal lateral (setas).
Homem de 66 anos com dor e dispneia: falha parcial cercada de contraste no eixo longo do vaso, o sinal do trilho (railway track; seta), e outro êmbolo na artéri
Homem de 66 anos com dor e dispneia: falha parcial cercada de contraste no eixo longo do vaso, o sinal do trilho (railway track; seta), e outro êmbolo na artéria pulmonar esquerda (ponta de seta).
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Figs. 4–6. Ver artigo
TEP agudo, mulher de 58 anos com dor torácica e dispneia
Angio-TC: falha de enchimento parcial excêntrica, cercada de contraste e formando ângulos agudos com a parede da artéria (setas).
Angio-TC: falha de enchimento parcial excêntrica, cercada de contraste e formando ângulos agudos com a parede da artéria (setas).
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 7. Ver artigo
achados ancilares: associados, não específicos Opacidade periférica em cunha (possível infarto) e bandas lineares têm associação estatística com TEP agudo, mas não fecham diagnóstico sozinhas. Vasos indeterminados com pulmões limpos: o caminho pode ser cintilografia V/Q, repetição da angio-TC ou angiografia.
Achados ancilares do TEP agudo, mulher de 58 anos
TC: área periférica em cunha com hiperatenuação no pulmão (seta), que pode ser infarto, e banda linear (ponta de seta).
TC: área periférica em cunha com hiperatenuação no pulmão (seta), que pode ser infarto, e banda linear (ponta de seta).
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 8. Ver artigo
o TEP que ninguém suspeitou Êmbolos aparecem em 1,5% das TCs contrastadas feitas por outros motivos, e o TEP central agudo pode aparecer até sem contraste, como hiperdensidade intravascular central. Achado incidental é achado real: muda conduta na hora.
TEP central em paciente assintomática de 87 anos
TC sem contraste: regiões sutis de hiperatenuação dentro das artérias (seta).
TC sem contraste: regiões sutis de hiperatenuação dentro das artérias (seta).
Angio-TC de confirmação: TEP agudo na artéria pulmonar direita e na interlobar esquerda.
Angio-TC de confirmação: TEP agudo na artéria pulmonar direita e na interlobar esquerda.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 10. Ver artigo
+ complemento · sinais de sobrecarga do VD na própria TC Além de confirmar o êmbolo, a mesma aquisição pode mostrar o coração à direita sofrendo: VD mais largo que o VE no eixo curto, desvio do septo interventricular para a esquerda, refluxo de contraste para as veias hepáticas, índice de obstrução vascular > 60%. É a ponte para a seção de gravidade.
Sobrecarga do ventrículo direito, homem de 42 anos com dor e dispneia grave
Angio-TC: o eixo curto do ventrículo direito (linha tracejada) é maior que o do esquerdo (linha contínua).
Angio-TC: o eixo curto do ventrículo direito (linha tracejada) é maior que o do esquerdo (linha contínua).
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 9. Ver artigo

TEP crônico e CTEPH

Critério de TEP crônicoTradução
Oclusão total em vaso menor que os vizinhosO oposto do agudo, em que a artéria ocluída tende a aumentar
Defeito periférico em crescente, com ângulos obtusosO trombo organizado “abraça” a parede
RecanalizaçãoContraste fluindo por artéria espessada e reduzida
Web ou flap intraluminalTraves finas dentro do vaso contrastado
Sinais secundáriosColaterais brônquicas/sistêmicas, padrão em mosaico, calcificação no espessamento excêntrico
TEP crônico: oclusão, trombo excêntrico, recanalização e flap
Homem de 27 anos: oclusão completa de vasos do pulmão esquerdo, menores que os vizinhos pérvios (pontas de seta), e colateral de um ramo da artéria frênica dire
Homem de 27 anos: oclusão completa de vasos do pulmão esquerdo, menores que os vizinhos pérvios (pontas de seta), e colateral de um ramo da artéria frênica direita (seta).
Homem de 62 anos: trombo excêntrico formando ângulos obtusos com a parede (setas) e artéria brônquica colateral dilatada (ponta de seta).
Homem de 62 anos: trombo excêntrico formando ângulos obtusos com a parede (setas) e artéria brônquica colateral dilatada (ponta de seta).
Mesmo paciente de 27 anos: artéria pulmonar pequena recanalizada, com contraste na luz central (seta).
Mesmo paciente de 27 anos: artéria pulmonar pequena recanalizada, com contraste na luz central (seta).
Homem de 56 anos: flap (seta) dentro de uma artéria interlobar direita pequena e artéria brônquica colateral dilatada (ponta de seta).
Homem de 56 anos: flap (seta) dentro de uma artéria interlobar direita pequena e artéria brônquica colateral dilatada (ponta de seta).
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Figs. 11–14. Ver artigo
TEP crônico: trombo central, calcificação e mosaico
Mesmo homem de 62 anos: grande trombo crônico no tronco e na artéria pulmonar esquerda (ponta de seta) e artérias brônquicas colaterais (setas).
Mesmo homem de 62 anos: grande trombo crônico no tronco e na artéria pulmonar esquerda (ponta de seta) e artérias brônquicas colaterais (setas).
Homem de 62 anos: calcificação da parede arterial (setas), sinal secundário de TEP crônico.
Homem de 62 anos: calcificação da parede arterial (setas), sinal secundário de TEP crônico.
Mulher de 60 anos, janela de pulmão: padrão de perfusão em mosaico; as áreas escuras, hipoperfundidas, têm vasos menores (setas) que os do pulmão normalmente pe
Mulher de 60 anos, janela de pulmão: padrão de perfusão em mosaico; as áreas escuras, hipoperfundidas, têm vasos menores (setas) que os do pulmão normalmente perfundido.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Figs. 15–17. Ver artigo
os ancilares da hipertensão pulmonar Artéria pulmonar > 33 mm e derrame pericárdico acompanham a hipertensão pulmonar do TEP crônico.
Hipertensão pulmonar por TEP crônico, o mesmo homem de 62 anos
Tronco da artéria pulmonar com 41 mm de diâmetro (linha preta), indicando hipertensão.
Tronco da artéria pulmonar com 41 mm de diâmetro (linha preta), indicando hipertensão.
Derrame pericárdico (setas), associado à hipertensão pulmonar.
Derrame pericárdico (setas), associado à hipertensão pulmonar.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Figs. 18, 19. Ver artigo
CTEPH: o que a prova cobra A hipertensão pulmonar tromboembólica crônica (CTEPH, na sigla em inglês) é a sequela tardia potencialmente fatal do TEP. O diagnóstico exige ≥ 3 meses de anticoagulação efetiva + cateterismo com pressão arterial pulmonar (PAP) média ≥ 25 mmHg (ESC 2019; a diretriz ESC/ERS (European Respiratory Society) de hipertensão pulmonar de 2022 baixou para > 20 mmHg, com resistência vascular pulmonar > 2 unidades Wood) e capilar ≤ 15 mmHg + defeitos de perfusão mismatched.

A cintilografia V/Q é a primeira linha (sensibilidade 96–97%): angio-TC normal não exclui CTEPH sozinha. Na TC, os sinais específicos são estenoses em anel, webs/slits e oclusões crônicas totais, e o exame de um “TEP agudo” não deve deixar passar uma CTEPH que já estava lá.

Gravidade

RISCO DE MORTE PRECOCE (ESC 2019) CONDUTA ALTO instabilidade hemodinâmica: parada, choque obstrutivo ou PAS < 90 mmHg sustentada reperfusão imediata sem PESI nem biomarcador INTERMEDIÁRIO-ALTO estável, PESI III–V/sPESI ≥ 1, VD disfuncional (VD/VE ≥ 1,0) E troponina elevada internar e MONITORAR reperfusão só de resgate INTERMEDIÁRIO-BAIXO PESI III–V ou sPESI ≥ 1; VD disfuncional OU troponina: um só, ou nenhum internar anticoagulação BAIXO PESI I–II ou sPESI 0, sem disfunção de VD nem biomarcador alterado considerar alta precoce tratamento domiciliar
Os quatro estratos da ESC 2019. O radiologista participa de dois deles diretamente: a angio-TC confirma o TEP do paciente instável (alto risco) e fornece o VD/VE que ajuda a separar os intermediários.

No paciente estável, a estratificação combina três eixos: clínica (o Pulmonary Embolism Severity Index, PESI, e sua forma simplificada, sPESI), imagem do VD (eco ou a própria angio-TC) e biomarcador (troponina). sPESI 0 significa mortalidade em 30 dias de ~1%; sPESI ≥ 1, ~11%. VD disfuncional e troponina elevada fazem o intermediário-alto quando o PESI é III–V ou o sPESI ≥ 1; com PESI I–II ou sPESI 0, VD alterado ou troponina elevada põem o paciente no intermediário-baixo, e não no baixo.

o número que o laudo deve trazer: VD/VE Na visão de quatro câmaras da angio-TC, a razão VD/VE ≥ 1,0 se associa a risco 2,5× maior de morte por qualquer causa e 5× maior de morte por TEP.

O corte de 0,9 existe na literatura, mas dilatação leve (pouco acima de 0,9) aparece em > 50% dos estáveis e significa pouco: 1,0 é o corte com melhor especificidade prognóstica. Refluxo de contraste para a cava inferior agrega informação.
o que o radiologista não deve concluir Disfunção de VD na TC não indica trombólise por si só: no estável com PESI III–V ou sPESI ≥ 1, VD alterado + troponina elevada classificam como intermediário-alto, que se trata com anticoagulação e monitorização, com reperfusão apenas de resgate. A reperfusão imediata é do paciente instável.

As armadilhas, em quatro famílias

FamíliaArmadilhaComo desfazer
PacienteMovimento respiratório: a causa mais comum de exame indeterminadoJanela de pulmão: sinal da “gaivota”, vasos que “pulam” entre cortes
Ruído (paciente grande)Pixels sem margem definida; ajustar técnica
Cateter de artéria pulmonarEndurecimento de feixe; conferir na janela óssea e no escanograma
Artefato de fluxoMargens mal definidas, atenuação > 78 UH; repetir com atraso se necessário
TécnicaJanela inadequadaContraste brilhante esconde êmbolo pequeno: usar 700/100
Streak da cava superiorRadiado, não anatômico; flush de salina reduz
Algoritmo de pulmãoAnel brilhante periarterial que some na reconstrução padrão
Volume parcialVaso de curso axial; os cortes contíguos resolvem
Stair-stepLinhas atravessando o vaso nas reformatações; não anatômicas
AnatomiaLinfonodos hilaresSão extramurais: o contorno do vaso contrastado permanece liso; corte fino resolve
BifurcaçõesLinha curva rodeada de contraste; seguir nos contíguos
Veias não opacificadasSeguir o vaso até o nível atrial: a veia desemboca no átrio esquerdo; a artéria acompanha o brônquio
PatologiaTampão mucosoEstá no brônquio; a artéria acompanhante normal entrega
Edema perivascular (insuficiência cardíaca)Espessamento peribroncovascular + septos + derrames: imita TEP crônico
Resistência local aumentadaConsolidação/atelectasia atrasam o contraste do vaso regional; > 78 UH tranquiliza, mas pode esconder trombo
Trombose in situ de cotoPós-ressecção pulmonar: trombo só no sítio cirúrgico, sem êmbolos à distância
Artefato de movimento respiratório, homem de 61 anos
Janela de pulmão: imagens compostas dos vasos, o sinal da gaivota (setas).
Janela de pulmão: imagens compostas dos vasos, o sinal da gaivota (setas).
Janela de mediastino: área de baixa atenuação por volume parcial entre o vaso e o pulmão (seta), que pode simular TEP.
Janela de mediastino: área de baixa atenuação por volume parcial entre o vaso e o pulmão (seta), que pode simular TEP.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 20. Ver artigo
Ruído de imagem, mulher de 39 anos
Angio-TC: pixels de ruído nas câmaras cardíacas contrastadas, cuja confluência pode parecer êmbolo (seta). Ao contrário do êmbolo verdadeiro, não formam falha d
Angio-TC: pixels de ruído nas câmaras cardíacas contrastadas, cuja confluência pode parecer êmbolo (seta). Ao contrário do êmbolo verdadeiro, não formam falha de enchimento bem definida.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 21. Ver artigo
Endurecimento de feixe por cateter de artéria pulmonar, homem de 63 anos
Janela de mediastino: o cateter causa artefatos no tronco e na artéria pulmonar direita que imitam TEP (setas); há pequenos êmbolos verdadeiros na artéria pulmo
Janela de mediastino: o cateter causa artefatos no tronco e na artéria pulmonar direita que imitam TEP (setas); há pequenos êmbolos verdadeiros na artéria pulmonar esquerda.
Janela óssea: o cateter fica evidente, com o artefato em volta.
Janela óssea: o cateter fica evidente, com o artefato em volta.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 22. Ver artigo
Artefato de fluxo, mulher de 60 anos com dor pleurítica
Reformatação coronal da interlobar direita e do ramo basal posterior: contraste denso acima e abaixo de uma região de sangue mal opacificado (seta).
Reformatação coronal da interlobar direita e do ramo basal posterior: contraste denso acima e abaixo de uma região de sangue mal opacificado (seta).
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 23. Ver artigo
Artefato de fluxo, mulher de 73 anos com dor torácica
Angio-TC: opacificação pobre das artérias interlobar e do lobo médio pelo artefato de fluxo; mais distalmente as artérias estavam bem contrastadas. Esôfago dila
Angio-TC: opacificação pobre das artérias interlobar e do lobo médio pelo artefato de fluxo; mais distalmente as artérias estavam bem contrastadas. Esôfago dilatado e com líquido.
Angio-TC repetida: êmbolos segmentares nos ramos medial e lateral do lobo médio (setas).
Angio-TC repetida: êmbolos segmentares nos ramos medial e lateral do lobo médio (setas).
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 24. Ver artigo
Estrias do contraste denso na cava superior, mulher de 35 anos
Angio-TC: estrias a partir do contraste denso na veia cava superior (setas), reconhecidas pelo aspecto radiado, que não segue anatomia.
Angio-TC: estrias a partir do contraste denso na veia cava superior (setas), reconhecidas pelo aspecto radiado, que não segue anatomia.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 26. Ver artigo
Artefato do algoritmo de pulmão, mulher de 70 anos
Reconstrução com filtro de realce de bordas: anel brilhante em volta das artérias que imita TEP agudo (setas).
Reconstrução com filtro de realce de bordas: anel brilhante em volta das artérias que imita TEP agudo (setas).
Reconstrução com filtro padrão: o artefato desaparece. Não havia embolia.
Reconstrução com filtro padrão: o artefato desaparece. Não havia embolia.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 27. Ver artigo
Artefato de volume parcial, mulher de 52 anos
Corte de 3,75 mm: falsa falha, mal definida, no ramo anterior do lobo superior esquerdo (seta).
Corte de 3,75 mm: falsa falha, mal definida, no ramo anterior do lobo superior esquerdo (seta).
Corte contíguo abaixo: pulmão normal junto à artéria.
Corte contíguo abaixo: pulmão normal junto à artéria.
Corte contíguo logo acima: artéria cheia de contraste, o que confirma o volume parcial.
Corte contíguo logo acima: artéria cheia de contraste, o que confirma o volume parcial.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 28. Ver artigo
Artefato em degraus (stair-step), homem de 84 anos
Reformatação coronal: linhas de baixa atenuação atravessando o vaso (setas), sem padrão anatômico.
Reformatação coronal: linhas de baixa atenuação atravessando o vaso (setas), sem padrão anatômico.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 29. Ver artigo
Linfonodos hilares normais
Nos dois lobos superiores (setas).
Nos dois lobos superiores (setas).
No lobo médio e na língula (setas).
No lobo médio e na língula (setas).
Junto às artérias interlobares direita e esquerda (setas).
Junto às artérias interlobares direita e esquerda (setas).
Nos dois lobos inferiores (setas).
Nos dois lobos inferiores (setas).
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 30. Ver artigo
Bifurcação vascular
Angio-TC: a bifurcação entre as artérias do lobo inferior esquerdo e da língula aparece como linha curva cercada de contraste (seta). Os cortes contíguos mostra
Angio-TC: a bifurcação entre as artérias do lobo inferior esquerdo e da língula aparece como linha curva cercada de contraste (seta). Os cortes contíguos mostraram a natureza real.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 31. Ver artigo
Veias pulmonares não opacificadas
Angio-TC: veias pulmonares ainda sem contraste (setas), que podem imitar oclusão. Segui-las nos cortes contíguos até o átrio esquerdo resolve.
Angio-TC: veias pulmonares ainda sem contraste (setas), que podem imitar oclusão. Segui-las nos cortes contíguos até o átrio esquerdo resolve.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 32. Ver artigo
Tampões mucosos, mulher de 83 anos
Angio-TC: tampões mucosos (setas) que podem imitar TEP agudo; o brônquio basal posterior do lobo inferior direito está dilatado e cheio de muco. As artérias nor
Angio-TC: tampões mucosos (setas) que podem imitar TEP agudo; o brônquio basal posterior do lobo inferior direito está dilatado e cheio de muco. As artérias normais ao lado (pontas de seta) desfazem a dúvida.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 33. Ver artigo
Insuficiência cardíaca esquerda, mulher de 56 anos
Janela de mediastino: espessamento intersticial peribroncovascular por edema perivascular (seta), que pode imitar TEP crônico.
Janela de mediastino: espessamento intersticial peribroncovascular por edema perivascular (seta), que pode imitar TEP crônico.
Janela de pulmão: espessamento peribroncovascular difuso, vidro fosco, espessamento liso dos septos interlobulares (setas) e derrames pleurais bilaterais.
Janela de pulmão: espessamento peribroncovascular difuso, vidro fosco, espessamento liso dos septos interlobulares (setas) e derrames pleurais bilaterais.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 34. Ver artigo
Aumento localizado da resistência vascular, homem de 65 anos
Angio-TC: artefato de fluxo (seta) que imita TEP agudo, com derrame pleural esquerdo médio e atelectasia.
Angio-TC: artefato de fluxo (seta) que imita TEP agudo, com derrame pleural esquerdo médio e atelectasia.
Corte logo acima: falsa falha mal definida (seta), de atenuação alta demais para êmbolo.
Corte logo acima: falsa falha mal definida (seta), de atenuação alta demais para êmbolo.
Corte logo abaixo: o mesmo achado (seta).
Corte logo abaixo: o mesmo achado (seta).
Angiografia: leve distorção do ramo basal posterior do lobo inferior esquerdo (seta), sem embolia.
Angiografia: leve distorção do ramo basal posterior do lobo inferior esquerdo (seta), sem embolia.
Angiografia mais oblíqua da artéria pulmonar esquerda: sem embolia (seta).
Angiografia mais oblíqua da artéria pulmonar esquerda: sem embolia (seta).
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 35. Ver artigo
Trombose in situ do coto, homem de 69 anos depois de pneumectomia direita
Angio-TC: trombose in situ do coto da artéria pulmonar direita (seta).
Angio-TC: trombose in situ do coto da artéria pulmonar direita (seta).
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 36. Ver artigo
os dois mimetizadores que são doença grave Sarcoma de artéria pulmonar: massa unilateral, lobulada, heterogênea e que realça, com ângulos agudos e distensão do vaso. O crônico também realça, mas faz ângulos obtusos.

Êmbolos tumorais: os grandes (invasão de cava por hepatocarcinoma, rim, coriocarcinoma) imitam TEP maciço; os pequenos fazem dilatação e “beading” de artérias subsegmentares e padrão tree-in-bud vascular. Próstata e mama são as fontes clássicas dos microscópicos.
Sarcoma de artéria pulmonar, mulher de 65 anos
TC com contraste: massa lobulada com realce heterogêneo no tronco da artéria pulmonar (seta) e depósito metastático na artéria pulmonar direita (ponta de seta).
TC com contraste: massa lobulada com realce heterogêneo no tronco da artéria pulmonar (seta) e depósito metastático na artéria pulmonar direita (ponta de seta).
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Fig. 37. Ver artigo
Êmbolos tumorais
Sarcoma do estroma endometrial invadindo a veia cava inferior, mulher de 78 anos: grande êmbolo tumoral na artéria do lobo inferior direito (seta).
Sarcoma do estroma endometrial invadindo a veia cava inferior, mulher de 78 anos: grande êmbolo tumoral na artéria do lobo inferior direito (seta).
Carcinoma de células renais, homem de 60 anos, janela de pulmão: dilatação e aspecto em contas das artérias subsegmentares do segmento basal posterior direito (
Carcinoma de células renais, homem de 60 anos, janela de pulmão: dilatação e aspecto em contas das artérias subsegmentares do segmento basal posterior direito (seta).
Mesmo paciente: êmbolos tumorais em arteríolas do lóbulo secundário, com aspecto de árvore em brotamento (seta), raro na TC.
Mesmo paciente: êmbolos tumorais em arteríolas do lóbulo secundário, com aspecto de árvore em brotamento (seta), raro na TC.
Fonte: Wittram C et al. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238, Figs. 38–40. Ver artigo

Gestação e situações especiais

O TEP segue entre as principais causas de morte materna direta em países de alta renda, e o diagnóstico é duplamente traiçoeiro: os sintomas se confundem com a gestação normal, e o D-dímero sobe fisiologicamente (no 3º trimestre, ~¼ das gestantes está acima do corte). Ainda assim, probabilidade + D-dímero + compressão venosa + angio-TC excluem TEP com segurança, inclusive com o YEARS adaptado à gestação, validado prospectivamente.

Passo na gestanteRacional
1 · RX (radiografia) de tóraxBarato, dose desprezível, e decide o próximo passo
2 · Compressão venosa se houver sintomas de pernaTVP proximal confirma TEV e dispensa irradiar
3 · RX normal → angio-TC ou cintilografia de perfusãoIgualmente seguras para excluir; decide a expertise local
3 · RX anormal → angio-TCA cintilografia perde valor com parênquima anormal
as doses que caem em prova Feto: angio-TC 0,05–0,5 mGy; cintilografia de perfusão em dose baixa 0,02–0,2 mGy, ambas ordens de grandeza abaixo do limiar de dano fetal (50–100 mGy). Mama materna: angio-TC 3–10 mGy (técnicas modernas, 3–4); o aumento do risco de câncer materno é desprezível e não justifica evitar o exame. Angiografia convencional: evitar (2,2–3,7 mGy fetais).
superdiagnosticar a gestante também é dano Um rótulo de TEP na gestação carrega consequências para a vida inteira: anticoagulação com risco de sangramento no parto, contraindicação a estrogênio, profilaxia em toda gestação futura. Evitar o superdiagnóstico importa tanto quanto não perder o diagnóstico: o defeito duvidoso merece revisão por radiologista experiente, não benefício da dúvida.
+ complemento · subsegmentar isolado e incidental no câncer Subsegmentar isolado: a relevância clínica é incerta e a concordância entre leitores é baixa, e a ESC sugere considerar exames adicionais antes de rotular (IIb C).

Incidental no oncológico: manejar como sintomático se acometer ramo segmentar ou mais proximal, múltiplos subsegmentares, ou um único subsegmentar com TVP demonstrada (IIa B).

Pontos de prova: alto rendimento

PIOPED IISensibilidade 83% · especificidade 96%
VPN da TC negativaProbabilidade baixa 96% · intermediária 89% · alta 60%
VPP da TC positivaIntermediária/alta 92–96% · baixa 58%
Prevalência por probabilidadeBaixa 10% · intermediária 30% · alta 65%
D-dímeroExclui em probabilidade baixa/intermediária · não se dosa na alta (III A)
Corte ajustado à idadeIdade × 10 µg/L acima dos 50 anos
YEARSSem itens < 1.000 · com item < 500
TC normalExclui em baixa/intermediária (I A)
Defeito segmentar+Confirma em intermediária/alta (I B)
Subsegmentar isoladoConsiderar exames adicionais (IIb C)
Agudo: oclusão totalArtéria aumentada em relação às vizinhas
Agudo: sinaisPolo mint (transversal) · railway track (longitudinal) · ângulos agudos
Crônico: sinaisVaso menor · ângulos obtusos · recanalização · web/flap · calcificação
Crônico: secundáriosColaterais sistêmicas · mosaico · AP (artéria pulmonar) > 33 mm · derrame pericárdico
Artefato de fluxoMargens mal definidas · > 78 UH
Janela de TEP700/100 UH
Movimento respiratórioCausa mais comum de exame indeterminado · sinal da gaivota
Sarcoma de artéria pulmonarUnilateral · lobulado · realça · ângulos agudos · distende o vaso
Êmbolos tumoraisDilatação + beading subsegmentar · tree-in-bud vascular
VD/VE na TC≥ 1,0 na quatro câmaras: risco 2,5× (geral) e 5× (por TEP)
sPESI0 = mortalidade ~1% · ≥ 1 = ~11% em 30 dias
Intermediário-altoPESI III–V/sPESI ≥ 1 com VD disfuncional E troponina elevada · monitorar; reperfusão só de resgate
Alto riscoInstabilidade hemodinâmica · reperfusão imediata, sem PESI nem biomarcador
Gestante: algoritmoRX primeiro · normal → TC ou perfusão · anormal → TC
Gestante: doses fetaisTC 0,05–0,5 mGy · perfusão 0,02–0,2 · limiar de dano 50–100 mGy
Gestante: mamaTC 3–10 mGy (modernas 3–4) · risco materno desprezível
TEP incidental1,5% das TCs contrastadas por outros motivos
CTEPH: diagnóstico≥ 3 meses de anticoagulação · PAPm (pressão arterial pulmonar média) ≥ 25 · capilar ≤ 15 · mismatch V/Q
CTEPH: imagemV/Q é a 1ª linha (sens 96–97%) · TC não exclui sozinha · anéis, webs, oclusões

Armadilhas e erros comuns

Erros de leitura

  • Chamar de êmbolo o artefato de fluxo (mal definido, > 78 UH)
  • Perder êmbolo pequeno por janela com contraste muito brilhante
  • Chamar de êmbolo linfonodo hilar: é extramural, o contorno do vaso segue liso
  • Ler veia não opacificada como artéria ocluída
  • Confundir tampão mucoso com TEP: a artéria acompanhante normal entrega
  • Assumir agudo em defeito excêntrico de ângulos obtusos: isso é crônico
  • Rotular de crônico o sarcoma de AP que realça e faz ângulos agudos

Erros de estratégia

  • Dosar D-dímero em probabilidade alta
  • Ignorar a probabilidade pré-teste ao interpretar TC negativa (VPN de 60% na alta)
  • Não considerar V/Q, repetição ou angiografia quando o exame fica indeterminado
  • Excluir CTEPH com angio-TC normal: a triagem é V/Q
  • Adiar imagem na gestante por medo de dose: as doses fetais são ordens de grandeza abaixo do limiar

Erros de laudo

  • Não nomear quais artérias ficaram indeterminadas e até onde a árvore está normal
  • Omitir o VD/VE e o refluxo cavo no TEP confirmado
  • Não descrever sinais de cronicidade num “agudo” que já é CTEPH
  • Rotular subsegmentar isolado sem sugerir confirmação
  • Esquecer o diagnóstico alternativo quando não há êmbolo

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Homem de 62 anos, dispneia progressiva há meses. Angio-TC: defeito excêntrico em crescente na artéria interlobar direita, formando ângulos obtusos com a parede, em vaso menor que os vizinhos; artérias brônquicas dilatadas e padrão em mosaico. Qual a interpretação?

Cada elemento aponta para cronicidade: defeito excêntrico com ângulos obtusos (o trombo organizado “abraça” a parede), vaso menor que os vizinhos (no agudo, a artéria ocluída tende a aumentar), colaterais brônquicas e mosaico, sinais secundários clássicos.

O polo mint é defeito central rodeado de contraste, do agudo. O sarcoma realça, é lobulado e faz ângulos agudos. O artefato de fluxo tem margens mal definidas e atenuação > 78 UH.

Levantar CTEPH importa porque a conduta muda: cintilografia V/Q como triagem (sensibilidade 96–97%; a TC normal não exclui), cateterismo direito (PAP média ≥ 25 mmHg pela ESC 2019, > 20 mmHg pela diretriz de hipertensão pulmonar de 2022, com capilar ≤ 15) e o critério temporal de ≥ 3 meses de anticoagulação efetiva para separar do agudo.
↑revisar esta parte do caderno · TEP crônico e CTEPH
Questão 2

Mulher de 78 anos, dispneia leve. Probabilidade clínica baixa pelo escore de Genebra. D-dímero (ELISA): 620 µg/L (corte convencional 500). Qual a conduta pela diretriz ESC?

Acima dos 50 anos, o corte do D-dímero pode ser ajustado à idade: idade × 10 µg/L; aqui, 780. Com 620, o teste é negativo para essa paciente, e D-dímero negativo em probabilidade baixa ou intermediária exclui TEP sem imagem (o estudo de validação elevou as exclusões nos ≥ 75 anos de 6,4% para 30%, sem falso-negativo adicional).

O detalhe de prova na contramão: se a probabilidade fosse alta, o D-dímero nem deveria ser dosado (recomendação III A), porque negativo não excluiria, e o caminho seria direto para a angio-TC. O eco não participa do algoritmo do paciente estável.
↑revisar esta parte do caderno · Antes da imagem: probabilidade e D-dímero
Questão 3

Angio-TC com opacificação pobre das artérias basais bilaterais: área central de baixa atenuação de margens borradas, medindo 92 UH, com contraste denso acima e abaixo. O restante da árvore está bem opacificado. Qual a leitura?

O quadro é o do artefato de fluxo: a inspiração profunda no disparo puxa sangue não opacificado da cava inferior, que chega às artérias pulmonares no momento exato da aquisição. É tipicamente bilateral e basal.

Dois discriminadores contra trombo: margens mal definidas (êmbolo tem interface nítida com o contraste) e atenuação > 78 UH. Mas a resposta certa carrega a ressalva do artigo: vaso mal opacificado pode esconder trombo; não é “exame normal”, é dúvida a resolver, repetindo com atraso maior se necessário.

O sarcoma é unilateral e realça; “normal fisiológico” não explica contraste denso acima e abaixo do defeito.
↑revisar esta parte do caderno · Técnica e janelas
Questão 4

Homem de 55 anos, TEP confirmado, PA (pressão arterial) 128 × 84, FC 96, SaO₂ 88% em ar ambiente. Na angio-TC, VD/VE = 1,2 na visão de quatro câmaras, com refluxo de contraste para a cava inferior. Troponina elevada. Qual a classificação de risco e a conduta?

Alto risco é definido por instabilidade hemodinâmica, que este paciente não tem. No estável, a estratificação combina clínica (PESI/sPESI), imagem do VD e biomarcador. Aqui a SaO₂ < 90% já dá sPESI ≥ 1, e com VD disfuncional e troponina elevada o paciente é intermediário-alto → internar e monitorar, com reperfusão apenas de resgate.

A angio-TC vale como imagem do VD: VD/VE ≥ 1,0 na quatro câmaras associa-se a risco 2,5× maior de morte geral e 5× maior de morte por TEP, e 1,0 discrimina melhor que 0,9, porque dilatação leve aparece em mais da metade dos estáveis. O refluxo cavo agrega. PA normal não define risco baixo: baixo risco exige PESI I–II/sPESI 0 e ausência de disfunção de VD e de biomarcador alterado. E, com PESI I–II ou sPESI 0, o mesmo VD e a mesma troponina deixariam o paciente no intermediário-baixo.
↑revisar esta parte do caderno · Gravidade: o laudo além do sim/não
Questão 5

Gestante de 28 semanas com dispneia súbita e dor pleurítica, sem sintomas nos membros inferiores. D-dímero acima do corte. RX de tórax normal. A equipe hesita em prosseguir “pela dose no feto”. Qual a conduta correta?

Com RX normal, angio-TC e cintilografia de perfusão são igualmente seguras para excluir TEP na gestação: a escolha é pela expertise local. As doses fetais (TC 0,05–0,5 mGy; perfusão 0,02–0,2) ficam ordens de grandeza abaixo do limiar de dano fetal (50–100 mGy), e o risco materno adicional da TC moderna é desprezível: medo de dose não justifica não diagnosticar uma das principais causas de morte materna.

A compressão venosa entra antes quando há sintomas de perna (TVP proximal confirmaria sem irradiar), mas negativa não exclui TEP. Gadolínio na gestação tem efeitos fetais de longo prazo desconhecidos, e a angio-RM nem em não gestantes é recomendada (III A). Anticoagular às cegas e “esperar” são exatamente os dois erros que o algoritmo existe para evitar, inclusive porque o superdiagnóstico também cobra caro (parto anticoagulado, contracepção, profilaxia futura).
↑revisar esta parte do caderno · Gestação e situações especiais
Questão 6

Mulher de 65 anos, dispneia arrastada. Angio-TC: massa unilateral ocupando e distendendo o tronco e a artéria pulmonar esquerda, lobulada, com realce heterogêneo e ângulos agudos com a parede. Qual o diagnóstico mais provável?

A combinação é a assinatura do sarcoma de artéria pulmonar: massa unilateral, lobulada, com realce heterogêneo, que distende o vaso e pode se estender para fora dele.

Os discriminadores, um a um: o TEP agudo não realça. O crônico até realça (tecido organizado vascularizado), mas forma ângulos obtusos: o sarcoma faz ângulos agudos. O tampão mucoso mora no brônquio, com a artéria acompanhante normal. E os êmbolos tumorais microscópicos são o extremo oposto: doença subsegmentar, com dilatação, “beading” e tree-in-bud vascular, e não uma massa central.
↑revisar esta parte do caderno · As armadilhas, em quatro famílias
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Fontes.
[A] Wittram C, Maher MM, Yoo AJ, et al. CT Angiography of Pulmonary Embolism: Diagnostic Criteria and Causes of Misdiagnosis. RadioGraphics 2004;24(5):1219–1238. doi:10.1148/rg.245045008
[B] Konstantinides SV, Meyer G, Becattini C, et al. 2019 ESC Guidelines for the diagnosis and management of acute pulmonary embolism. Eur Heart J 2020;41(4):543–603. doi:10.1093/eurheartj/ehz405

Os critérios de imagem do agudo, do crônico e a taxonomia de armadilhas vêm de [A]; a estratégia diagnóstica, a estratificação de risco, a gestação e a CTEPH vêm de [B]. A diretriz ESC de 2019 segue vigente na Europa; em 2026 saiu a diretriz americana (quadro do topo). Conferido em 29/09/2026.

Os diagramas são próprios. Blocos marcados com + complemento são acréscimos do autor, além do texto das fontes.