Radiografia do tornozelo com fratura transversa do maléolo medial e espaço claro medial alargado, sem fratura distal da fíbula. O próximo passo é:
Tornozelo e Pé no Pronto-Socorro
Ler com roteiro para não perder o sutil
Trauma de tornozelo e pé está entre os atendimentos mais comuns do pronto-socorro, e a radiografia é o primeiro exame. As fraturas que se perdem são pequenas: avulsões, Lisfranc, Chopart, o processo lateral do tálus, a base do 5º metatarso. O antídoto é um roteiro fixo e saber o mecanismo, que prevê o que mais procurar. Limiar baixo para TC quando a radiografia é normal ou duvidosa e a suspeita é alta.
| Série | Incidências | O que conferir na técnica |
|---|---|---|
| Tornozelo | AP (anteroposterior), mortise, perfil | Mortise: espaço articular limpo, sem sobrepor os maléolos · perfil: cúpulas do tálus sobrepostas, subtalar aberta, com a base do 5º metatarso |
| Pé | Dorsoplantar, oblíqua, perfil | Oblíqua: bases do 3º ao 5º sem sobreposição, seio do tarso visível · perfil: com o calcâneo e os arcos |
| Calcâneo | Axial (Harris) e perfil | |
| Lisfranc | AP, oblíqua de 30° e perfil, dos dois lados | Com carga quando a sem carga é normal |
O roteiro do tornozelo
| Perfil | AP e mortise |
|---|---|
| Tibiotársica, subtalar, Chopart | Espaço da mortise: medial, superior e lateral |
| Maléolo posterior, maléolo lateral e fíbula | Sindesmose: sobreposição e distância |
| Processo lateral do tálus | Maléolo medial (fratura, edema, fragmento) |
| Calcâneo posterior, triângulo de Ward, processo anterior | Cúpula do tálus |
| Base do 5º metatarso | Fíbula: abaixo, na altura ou acima da sindesmose |
| Gordura de Kager, derrame ("lágrima") | Partes moles perimaleolares |

| Medida | Normal |
|---|---|
| Espaço claro medial, superior e lateral | 4 mm · medial abaixo de 4 mm indica estabilidade |
| Distância tibiofibular (1 cm acima da mortise) | Até 6 mm |
| Sobreposição tibiofibular | Cerca de 6 mm no AP e 1 mm na mortise (valores mínimos) |
Weber e Lauge-Hansen
Weber olha a fíbula em relação à sindesmose; Lauge-Hansen olha o mecanismo (posição do pé + direção da força), que dá uma sequência previsível de lesões. A supinação começa do lado lateral; a pronação, do medial.
| Weber | Lauge-Hansen | Fíbula | Sequência |
|---|---|---|---|
| A | Supinação-adução | Abaixo da sindesmose, transversa (avulsão) | Lateral primeiro; o maléolo medial vertical vem por último (estádio 2, instável) |
| B | Supinação-rotação externa | Na altura da sindesmose, oblíqua | Sindesmose anterior → fíbula → maléolo posterior (3) → medial transverso ou espaço medial alargado (4) |
| C | Pronação-rotação externa | Acima da sindesmose | Medial transverso ou espaço alargado primeiro → sindesmose → fíbula → maléolo posterior |




| Estabilidade | Conduta |
|---|---|
| Supinação-adução 1, supinação-rotação externa 1 e 2 | Estáveis · Weber B isolado que alarga o espaço medial sem carga e normaliza com carga é estável |
| Pronação-rotação externa 1 | Estável só com desvio de menos de 2 mm |
| Os demais | Instáveis: TC e cirurgia |
Ossículos que imitam fratura
| Ossículo | Imita |
|---|---|
| Os trigonum | Fratura do processo posterior do tálus (de Stieda) |
| Os peroneum | Avulsão da base do 5º metatarso |
| Navicular acessório | Avulsão do tibial posterior na tuberosidade do navicular |
| Apófise da base do 5º metatarso | Avulsão do fibular curto (a apófise é longitudinal) |
| Apófise do calcâneo | Pode ser esclerótica e fragmentada normalmente |
| Os calcaneus secundarius | Avulsão do processo anterior do calcâneo |
| Os intermetatarseum | O fragmento do sinal de Lisfranc |





Lisfranc
A articulação tarsometatársica é um arco romano com a pedra-chave no 2º metatarso encaixado entre os cuneiformes. O ligamento de Lisfranc vai do cuneiforme medial à base do 2º metatarso.
| Incidência | Alinhamento normal |
|---|---|
| AP | Borda lateral do 1º metatarso com a do 1º cuneiforme · borda medial do 2º metatarso com a do 2º cuneiforme · distância C1-M2 (do 1º cuneiforme ao 2º metatarso) e M1-M2 (do 1º ao 2º metatarso) de menos de 2 mm |
| Oblíqua | Borda medial do 3º metatarso com a do 3º cuneiforme · borda medial do 4º metatarso com a do cuboide · 5º metatarso ultrapassando menos de 3 mm |
| Perfil | Sem degrau dorsal · ângulo tarsometatársico de menos de 15° |

| Próximo passo | Quando |
|---|---|
| TC | Desalinhamento, fragmento, fraturas das bases ou do cuboide (mapa cirúrgico) · radiografia normal com suspeita alta |
| RM | Lesão só ligamentar, trauma de baixa energia |
| Radiografia com carga | Instabilidade sutil: aumenta a diástase · instável se C1-M2 ou M1-M2 passa de 5 mm, ou diferença de mais de 1 mm para o outro lado |
Calcâneo
| Ângulo no perfil | Normal | Fratura com afundamento da faceta posterior |
|---|---|---|
| Böhler | 24 a 40° | Diminui (menos de 20°) |
| Gissane (crítico) | 95 a 145° | Aumenta (mais de 145°) |


Os dois ângulos ficam normais na fratura extra-articular. A primeira pergunta é se a faceta posterior está acometida: se não, é extra-articular (processo anterior, sustentáculo, tuberosidade, avulsão do Aquiles); se sim, intra-articular, e a TC conta as linhas pela faceta (classificação de Sanders) e diz se é em língua ou de afundamento articular. Fratura por estresse ou insuficiência: RM.
Chopart
A articulação de Chopart é a talonavicular (medial) mais a calcaneocuboide (lateral), ligadas pelo ligamento bifurcado. Vem de trauma de alta energia, e as avulsões costumam não aparecer na radiografia: TC. No AP e no perfil, as duas articulações formam uma linha em "S" suave (linha cima).
| Mecanismo | Lado medial | Lado lateral |
|---|---|---|
| Inversão | Impacção: corpo do navicular, cabeça do tálus | Avulsão: processo anterior do calcâneo (bifurcado), cuboide dorsolateral, extensor curto dos dedos |
| Eversão | Avulsão: tuberosidade do navicular (tibial posterior) | Impacção: fratura em quebra-nozes do cuboide |





Pontos de prova: alto rendimento
| Tornozelo | AP, mortise, perfil |
| Espaço claro medial | 4 mm |
| Distância tibiofibular | Até 6 mm |
| Instável | Duas zonas lesadas |
| Weber A | Abaixo, transversa · supinação-adução |
| Weber B | Na altura, oblíqua · supinação-rotação externa |
| Weber C | Acima · pronação-rotação externa |
| Medial vertical | Procure o lateral |
| Medial transverso sem fíbula distal | Maisonneuve |
| Tillaux-Chaput | Avulsão do tibiofibular anterior |
| Ossículo | Redondo, cortical, não encaixa |
| Os trigonum | Imita Stieda |
| Lisfranc AP | M2 medial com C2 |
| Lisfranc oblíqua | M4 medial com cuboide |
| C1-M2 | < 2 mm |
| Fleck | Lisfranc |
| Bases 2–4 fraturadas | TC |
| Böhler | 24–40° · diminui |
| Gissane | 95–145° · aumenta |
| Calcâneo | Faceta posterior acometida? |
| Chopart | Linha cima |
| Inversão | Processo anterior do calcâneo |
| Eversão | Navicular e quebra-nozes |
Armadilhas e erros comuns
Erros
- Ler o tornozelo sem roteiro e perder a base do 5º metatarso
- Não procurar a fíbula proximal no medial isolado
- Chamar de estável o Weber B com espaço medial alargado na carga
- Desprezar a avulsão pequena
- Chamar de fratura o os trigonum ou o os peroneum
- Dar alta com radiografia normal e suspeita de Lisfranc
- Medir Böhler sem procurar a faceta posterior na TC
- Ver o Chopart e esquecer o Lisfranc
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6Fratura oblíqua da fíbula na altura da sindesmose (Weber B) e fratura do maléolo medial. O que mais deve estar lesado?
Qual característica favorece ossículo acessório em vez de fragmento de fratura?
No AP do pé, qual alinhamento normal confere a articulação de Lisfranc?
Na fratura intra-articular do calcâneo com afundamento da faceta posterior, os ângulos ficam:
Trauma em eversão do pé com avulsão da tuberosidade do navicular. Qual outra fratura é típica desse mecanismo?
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Pal D, Raniga SB, Mittal AK, Ahuja A, Panwar J, Kumaravel M. Ankle and Foot Injuries in the Emergency Department: Checklist-based Approach to Radiographs. RadioGraphics 2024;44(12):e240104. doi:10.1148/rg.240104 (artigo e apresentação de slides)
A maioria dos slides é esquema com texto em inglês (roteiros, mecanismos, estágios); ficaram os casos. Alguns cortes de TC trazem o nome dos ossos em inglês (Calcaneum, Cuboid, Talus). As regras de Ottawa e as fraturas do adolescente (Tillaux juvenil, triplanar) não estão na fonte. Conferido em 07/10/2026.
Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados da mesma fonte.