Cadernos QRad 80 · Fístula de Hemodiálise ao US
Vascular · acesso para diálise

Fístula de Hemodiálise ao US

Fontes: Sharbidre et al: 2024 e Sailer et al: 2025, RadioGraphics

A linha de vida do paciente em diálise

A hemodiálise responde por 80 a 90% das diálises, e o acesso ideal é uma ligação direta entre artéria e veia, com fluxo suficiente e que se punciona com facilidade várias vezes por semana. A fístula arteriovenosa (FAV) é a preferida: dura mais (3 a 7 anos, contra 12 a 18 meses do enxerto), infecta, trombosa e rouba menos, e custa menos. Em troca, demora para amadurecer e falha mais no começo (50% contra 15%). O enxerto (prótese) pode ser usado em dias, e o cateter venoso central é o último recurso.

Ordem de preferênciaDetalhe
1. Radiocefálica (punho)Preserva o braço para depois · fluxo menor
2. Braquiocefálica (cotovelo, braço)Amadurece mais, fluxo maior · mais roubo
3. Braquiobasílica com transposição da basílicaA basílica é funda e medial: precisa ser trazida para a superfície
4. EnxertosAlça no antebraço · reto ou em alça no braço até a axilar · coxa
Endovascular (percutânea)Anastomose em ângulo de quase 0° entre artéria e veia profundas do antebraço, por uma veia perfurante · mais reintervenções no 1º ano
a regra do braço Começa no braço não dominante e o mais distal possível, subindo no mesmo braço quando falha. A veia cefálica (superficial, lateral) vem antes da basílica. E o acesso venoso central (cateter) lesa e estenosa as veias centrais: nunca pela subclávia, que é a saída do braço.

Mapeamento antes da cirurgia

O KDOQI (Kidney Disease Outcomes Quality Initiative: diretriz da National Kidney Foundation) 2019 indica o mapeamento por US para quem tem mais risco de falha, veias puncionadas muitas vezes, estenose central conhecida ou provável, ou exame físico difícil.

ItemComo
PosiçãoSentado, com garrote para medir as veias do braço · sala e gel aquecidos (evita vasoconstrição)
MedidaDiâmetro interno anteroposterior no transversal, sem pressão do transdutor · profundidade da parede anterior da veia
ArtériaMais de 2 mm · calcificação (grave: sutura difícil, amadurece pior) · bifurcação alta da braquial (a variante mais comum; falha mais) · fluxo da braquial normal de 30 a 120 mL/min
Veia para FAVMais de 2,0 a 2,5 mm (com garrote) · sem trombo nem alteração pós-trombótica · para enxerto, pelo menos 4,0 mm
Veias centraisOnda monofásica na subclávia e na jugular interna sugere estenose ou oclusão do tronco braquiocefálico; dos dois lados, da veia cava superior · confirmar com venografia
Teste de Allen com DopplerTransdutor na eminência tenar, compressão da radial: o fluxo do arco palmar se inverte = arco completo · fluxo some = arco incompleto, risco de isquemia da mão
FAV endovascularRadial ou ulnar e perfurante de 2 mm ou mais perto do cotovelo
Como medir a veia no mapeamento
US transversal da cefálica no punho: diâmetro interno anteroposterior (linha azul) e profundidade da parede anterior a partir da pele (seta laranja). Rótulos da
US transversal da cefálica no punho: diâmetro interno anteroposterior (linha azul) e profundidade da parede anterior a partir da pele (seta laranja). Rótulos da imagem em inglês.
Fonte: Sharbidre KG, Alexander LF et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230053, Fig. 4. Ver artigo
Artéria calcificada
US longitudinal da radial com calcificação aterosclerótica grave (setas): sutura difícil, risco de êmbolo e menor chance de amadurecer.
US longitudinal da radial com calcificação aterosclerótica grave (setas): sutura difícil, risco de êmbolo e menor chance de amadurecer.
Fonte: Sharbidre KG, Alexander LF et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230053, Fig. 5. Ver artigo
Mapeamento para fístula endovascular
US transversal 2 cm abaixo do cotovelo: diâmetros internos da artéria e das veias radiais, a menos de 2 mm uma da outra.
US transversal 2 cm abaixo do cotovelo: diâmetros internos da artéria e das veias radiais, a menos de 2 mm uma da outra.
Fonte: Sharbidre KG, Alexander LF et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230053, Fig. 6. Ver artigo
Teste de Allen com Doppler
Transdutor na eminência tenar: o fluxo do arco palmar se inverte na compressão da radial (seta). Arco completo.
Transdutor na eminência tenar: o fluxo do arco palmar se inverte na compressão da radial (seta). Arco completo.
Outro paciente: sem inversão na compressão. Arco incompleto.
Outro paciente: sem inversão na compressão. Arco incompleto.
Fonte: Sharbidre KG, Alexander LF et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230053, Fig. 8. Ver artigo

Maturação

FAV madura é a que se punciona com duas agulhas em 75% das sessões por 4 semanas seguidas. Falha de maturação é não servir 12 semanas depois da cirurgia: acontece em 24 a 65% (até 70% nas radiocefálicas).

CritérioValor
Regra dos 6 (6 semanas depois)Veia de 6 mm (recentemente aceito 4 a 5 mm), até 6 mm de profundidade, 6 cm retos para duas agulhas, fluxo de 500 a 600 mL/min
PráticoVeia de mais de 4 mm e fluxo de mais de 500 mL/min: 95% de chance de servir
Veia funda demaisMais de 6 mm da pele: superficialização
onde e como medir o fluxo Na veia de drenagem, cerca de 10 cm acima da anastomose (a zona de punção), num trecho reto, sem estenose nem turbulência · na fístula com enxerto, no meio dos ramos arterial e venoso. Amostra cobrindo toda a luz, ângulo de até 60° paralelo à parede, diâmetro perpendicular, média de 3 ciclos, repetido. Faça o exame mais de 24 horas depois de uma sessão de diálise e sem apertar a veia com o transdutor.
Fístula madura
Cefálica de mais de 6 mm, a menos de 6 mm da pele.
Cefálica de mais de 6 mm, a menos de 6 mm da pele.
Fluxo a 10 cm da anastomose acima de 600 mL/min.
Fluxo a 10 cm da anastomose acima de 600 mL/min.
Fonte: Sharbidre KG, Alexander LF et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230053, Fig. 12. Ver artigo
Por que não amadurecePista
Estenose justa-anastomóticaA causa mais comum na radiocefálica (25 a 64% das falhas)
Veias acessóriasRamos que desviam fluxo (mais de 25% do fluxo, ou um terço do calibre da veia principal) nos primeiros 10 cm · mola ou ligadura
Estenose na saídaVeia de drenagem, arco da cefálica, central
Artéria ruimPequena, calcificada, com estenose
Fístula que não amadureceu por veia acessória
Veia acessória grande (seta) saindo a 2 cm da anastomose.
Veia acessória grande (seta) saindo a 2 cm da anastomose.
Fluxo da veia de drenagem a 10 cm: 382 mL/min.
Fluxo da veia de drenagem a 10 cm: 382 mL/min.
Depois de fechar a acessória: sombra das molas.
Depois de fechar a acessória: sombra das molas.
Fonte: Sharbidre KG, Alexander LF et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230053, Fig. 13. Ver artigo
+ complemento · veia acessória e colateral A veia acessória é um ramo natural da veia de saída; a colateral nasce para contornar uma estenose a jusante. As duas transformam o circuito em série (uma saída) num circuito em paralelo (várias), e o fluxo em cada veia cai. Antes de fechar uma colateral, procure a estenose que a criou.

O exame da fístula pronta

SegmentoNormal
Artéria antes da anastomoseBaixa resistência, alta amplitude (o fluxo da braquial sobe cerca de 10 vezes depois da fístula)
Artéria depois da anastomoseAlta resistência, para a mão
AnastomoseVelocidade alta e aliasing; pode ser normal sem estreitamento no modo B
Veia de saída"Arterializada": fluxo pulsátil com alargamento espectral, que vai virando venoso ao subir
EnxertoParede em "trilho" (duas linhas ecogênicas)
Paredes no US
Enxerto: parede em "trilho", duas linhas ecogênicas (setas).
Enxerto: parede em "trilho", duas linhas ecogênicas (setas).
Stent na veia de uma fístula: parede ecogênica serrilhada (setas).
Stent na veia de uma fístula: parede ecogênica serrilhada (setas).
Fonte: Sharbidre KG, Alexander LF et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230053, Fig. 11. Ver artigo

Varredura: terço distal da artéria de entrada, anastomose arterial (e venosa no enxerto), toda a veia ou o enxerto até onde der nas veias centrais. Use o aliasing do Doppler colorido como mapa para pôr a amostra espectral, e meça a velocidade de pico em cada estreitamento e 2 cm antes dele.

Estenose e trombose

A estenose é a causa mais comum de disfunção e quase sempre está por trás da trombose (mais de 90%). Vem de hiperplasia neointimal nos pontos em que o fluxo faz curva.

AcessoOnde estreita maisRelação de velocidade de pico
RadiocefálicaJusta-anastomótica (até 2 cm da anastomose)3:1
BraquiocefálicaArco da cefálica (30 a 77%) ou veia de saída2:1
Braquiobasílica transpostaPonto de giro (onde a basílica transposta volta a ser profunda; 70 a 75%)2:1
EnxertoAnastomose venosa (70%)2:1
Estenose justa-anastomótica, homem de 48 anos com fístula braquiobasílica
Doppler colorido: aliasing na estenose perto da anastomose.
Doppler colorido: aliasing na estenose perto da anastomose.
Velocidade de pico de 286 cm/s, contra 54 cm/s na braquial: relação de cerca de 5.
Velocidade de pico de 286 cm/s, contra 54 cm/s na braquial: relação de cerca de 5.
Fluxo da basílica: só 52 mL/min.
Fluxo da basílica: só 52 mL/min.
Fonte: Sharbidre KG, Alexander LF et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230053, Fig. 15. Ver artigo
Enxerto disfuncionante, mulher de 44 anos
Braquial 2 cm antes: velocidade de pico de 164 cm/s.
Braquial 2 cm antes: velocidade de pico de 164 cm/s.
Anastomose arterial: 718 cm/s, relação de cerca de 4,4.
Anastomose arterial: 718 cm/s, relação de cerca de 4,4.
Fluxo na extremidade venosa: 465 mL/min.
Fluxo na extremidade venosa: 465 mL/min.
Fonte: Sharbidre KG, Alexander LF et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230053, Fig. 16. Ver artigo
Estenose central, mulher de 55 anos com fístula no braço direito
Subclávia direita: onda monofásica, fluxo lento.
Subclávia direita: onda monofásica, fluxo lento.
Jugular interna do outro lado: fasicidade normal.
Jugular interna do outro lado: fasicidade normal.
Fluxo da veia de saída: 189 mL/min.
Fluxo da veia de saída: 189 mL/min.
Angiografia: estenose moderada a grave do tronco braquiocefálico direito (seta).
Angiografia: estenose moderada a grave do tronco braquiocefálico direito (seta).
Depois da angioplastia: sem estenose residual, fluxo melhor.
Depois da angioplastia: sem estenose residual, fluxo melhor.
Fonte: Sharbidre KG, Alexander LF et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230053, Fig. 17. Ver artigo
CritérioValor
EstreitamentoMais de 50% no modo B (difícil de medir: estenoses excêntricas)
VelocidadeMais de 400 a 500 cm/s no ponto estreito
RelaçãoVelocidade no estreitamento ÷ 2 cm antes · os valores variam entre as fontes (de 2:1 a 4:1 conforme o local)
FluxoMenos de 600 mL/min, ou queda de 25% em relação ao anterior
estenose sem sintoma não se trata O KDOQI não recomenda vigilância por imagem de quem está bem. Estenose só pede intervenção com sinal clínico: edema, pulso ou frêmito alterados, punção difícil, coágulo na aspiração, diálise ruim, sangramento prolongado. Frêmito pulsátil aponta estenose a jusante; veias do tórax e do pescoço dilatadas, estenose central (cateteres e marca-passos antigos).
TromboseO que saber
USTrombo ecogênico sem cor nem onda na veia ou no enxerto
Sinal indiretoA artéria antes da anastomose perde a baixa resistência: onda de alta resistência, às vezes com diástole invertida ("onda de batida")
Fluxo e riscoEnxerto abaixo de 600 mL/min trombosa mais · a FAV pode ficar pérvia com 300
TratamentoTrombectomia endovascular e tratamento da estenose por trás · salvar em 24 horas melhora a patência da fístula · não em acesso infectado ou recém-criado
Trombose da fístula, mulher de 52 anos com dor e perda do frêmito
Braquial: onda de alta resistência com diástole invertida ("onda de batida").
Braquial: onda de alta resistência com diástole invertida ("onda de batida").
Cefálica com trombo ecogênico oclusivo, sem fluxo (setas).
Cefálica com trombo ecogênico oclusivo, sem fluxo (setas).
Fonte: Sharbidre KG, Alexander LF et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230053, Fig. 18. Ver artigo

Roubo, alto débito, aneurismas e coleções

ComplicaçãoImagemConduta
Síndrome do rouboFluxo invertido na artéria depois da anastomose (para dentro da fístula) mais sintomas distais (mão fria, dormência na diálise, dor, perda de tecido) · comprimir a fístula devolve o fluxo para a mãoLeve: aquecer, ajustar anti-hipertensivo · estenose de entrada: angioplastia · alto fluxo: bandagem · fechar a fístula em último caso
Roubo fisiológicoFluxo invertido sem sintoma · comumNada
Alto débitoFluxo do acesso acima de 2.000 mL/min ou mais de 30 a 35% do débito cardíacoInsuficiência cardíaca de alto débito · bandagem
Aneurisma verdadeiroAs três camadas, mais de 18 mm ou 3 vezes a veia, fluxo circular lentoDecide a clínica, não o tamanho
PseudoaneurismaColeção com colo, sinal do yin-yang (vai e vem) · mais no enxerto, nos pontos de punçãoRompe mais · pele fina e brilhante, sangramento prolongado: tratar
SeromaAnecoico, sem fluxo, perto da anastomose arterial do enxerto (2 a 4% no 1º mês)Aspirar se comprimir
Hematoma × abscessoAmbos hipoecogênicos e sem fluxo · ar sugere infecçãoA clínica decide
Roubo fisiológico, homem de 54 anos sem sintoma
Braquial acima da fístula: baixa resistência, monofásica.
Braquial acima da fístula: baixa resistência, monofásica.
Abaixo da fístula: fluxo invertido.
Abaixo da fístula: fluxo invertido.
Fonte: Sharbidre KG, Alexander LF et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230053, Fig. 19. Ver artigo
Síndrome do roubo, mulher de 62 anos com dor e dormência na mão
Radial acima da fístula radiocefálica: fluxo para a frente.
Radial acima da fístula radiocefálica: fluxo para a frente.
Abaixo da anastomose: fluxo invertido, que volta para a mão com a compressão manual da fístula.
Abaixo da anastomose: fluxo invertido, que volta para a mão com a compressão manual da fístula.
Fonte: Sharbidre KG, Alexander LF et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230053, Fig. 20. Ver artigo
Síndrome do roubo, homem de 64 anos
Braquial abaixo da anastomose: fluxo invertido.
Braquial abaixo da anastomose: fluxo invertido.
Fistulografia: veia de saída dilatada e tortuosa (seta branca) e nenhum fluxo distal (seta tracejada no trajeto esperado da radial).
Fistulografia: veia de saída dilatada e tortuosa (seta branca) e nenhum fluxo distal (seta tracejada no trajeto esperado da radial).
Com a saída comprimida: fluxo braquial distal para a frente (seta). Tratado com bandagem.
Com a saída comprimida: fluxo braquial distal para a frente (seta). Tratado com bandagem.
Fonte: Sharbidre KG, Alexander LF et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230053, Fig. 21. Ver artigo
o roubo depende da altura Quanto mais proximal a anastomose, mais roubo: braquial muito mais que radiocefálica (5 a 10% contra 1 a 2%; os slides dão 5 a 20% contra 1%). Outros riscos: mulher, mais de 60 anos, diabetes, aterosclerose, arco palmar incompleto. Fluxo invertido ou bidirecional sozinho é sinal de acesso de alto fluxo, não de síndrome.
Aneurisma verdadeiro na anastomose, homem de 75 anos
Aneurisma com as três camadas e trombo mural não oclusivo (seta).
Aneurisma com as três camadas e trombo mural não oclusivo (seta).
Doppler: fluxo dentro. 20 mm contra veia de 6 mm.
Doppler: fluxo dentro. 20 mm contra veia de 6 mm.
Fonte: Sharbidre KG, Alexander LF et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230053, Fig. 22. Ver artigo
Pseudoaneurisma de enxerto, mulher de 35 anos
B-flow: comunicação com o enxerto (setas).
B-flow: comunicação com o enxerto (setas).
Fonte: Sharbidre KG, Alexander LF et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230053, Fig. 23. Ver artigo
Pseudoaneurisma de fístula, homem de 64 anos
Pseudoaneurisma grande (asterisco) saindo da parede posterior (seta); a linha tracejada marca o defeito.
Pseudoaneurisma grande (asterisco) saindo da parede posterior (seta); a linha tracejada marca o defeito.
Doppler colorido: fluxo em redemoinho (asterisco).
Doppler colorido: fluxo em redemoinho (asterisco).
Espectral: vai e vem, o sinal do yin-yang.
Espectral: vai e vem, o sinal do yin-yang.
Fonte: Sharbidre KG, Alexander LF et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230053, Fig. 24. Ver artigo
Abscesso
Coleção complexa com ar (seta), com infecção clínica.
Coleção complexa com ar (seta), com infecção clínica.
Sem fluxo dentro.
Sem fluxo dentro.
Fonte: Sharbidre KG, Alexander LF et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230053, Fig. 25. Ver artigo
Seroma
Coleção anecoica com septos finos, sem fluxo, perto da anastomose arterial de um enxerto.
Coleção anecoica com septos finos, sem fluxo, perto da anastomose arterial de um enxerto.
Fonte: Sharbidre KG, Alexander LF et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230053, Fig. 26. Ver artigo
Hematoma em volta do enxerto
Coleção lobulada com ecos, envolvendo parte do enxerto (seta).
Coleção lobulada com ecos, envolvendo parte do enxerto (seta).
Sem fluxo. Parece abscesso, mas não havia infecção.
Sem fluxo. Parece abscesso, mas não havia infecção.
Fonte: Sharbidre KG, Alexander LF et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230053, Fig. 27. Ver artigo

O tratamento endovascular

FerramentaQuando e como
AngioplastiaPrimeira linha para estenose (inclusive central) · balão cerca de 1 mm maior que a veia normal vizinha, alta pressão até sumir a "cintura" · na justa-anastomótica, trate a saída antes
Balão de corteSegunda linha quando sobra mais de 30%
Balão farmacológicoMais tempo até a próxima intervenção em vários estudos (pré-dilatar com balão comum)
Stent revestidoEstenose da anastomose venosa do enxerto e reestenose · cruzar o cotovelo e zonas de punção · stent metálico não revestido não deve ser usado · não fechar outras saídas nem estender para a axilar
TrombectomiaSaída, entrada, retoques: trombolítico e maceração, cateter de Fogarty na anastomose, depois tratar as estenoses · pela jugular interna, com sucesso acima de 95%
ColateraisMolas ou ligadura percutânea com fio da veia que compete
+ complemento · quando pedir imagem Pressão venosa alta, recirculação de 15% ou mais, taxa de redução da ureia abaixo de 60%, punção difícil, coágulo na aspiração, abaulamento em volta do enxerto, sangramento depois da diálise, mão isquêmica, fístula que não amadurece. Complicações da intervenção: maiores em 1%, menores em 10% (sangramento, ruptura, dissecção, embolia arterial).

Pontos de prova: alto rendimento

FAV × enxertoDura mais, infecta e trombosa menos · demora a amadurecer
OrdemRadiocefálica, braquiocefálica, basílica transposta, enxerto
BraçoNão dominante, distal primeiro
Artéria> 2 mm
Veia para FAV> 2,0–2,5 mm com garrote
Veia para enxerto≥ 4 mm
MedidaDiâmetro interno, sem pressão
Allen com DopplerFluxo palmar inverte = arco completo
Regra dos 66 mm, ≤ 6 mm de fundura, 6 cm, 500–600 mL/min
FluxoVeia a ~10 cm da anastomose
Falha de maturação12 semanas · justa-anastomótica, acessórias
Acessória> 25% do fluxo ou 1/3 do calibre
RadiocefálicaEstenose justa-anastomótica · 3:1
BraquiocefálicaArco da cefálica · 2:1
Basílica transpostaPonto de giro
EnxertoAnastomose venosa
Estenose> 50%, > 400–500 cm/s, fluxo < 600
Sem sintomaNão tratar
Trombose indiretaArtéria de entrada vira alta resistência
RouboFluxo invertido + sintoma · compressão reverte
Alto débito> 2.000 mL/min ou > 30–35% do débito
Aneurisma> 18 mm ou 3× a veia
PseudoaneurismaColo, yin-yang
StentRevestido; nunca metálico nu
TromboseSalvar em 24 h

Armadilhas e erros comuns

Erros

  • Medir a veia sem garrote ou apertando com o transdutor
  • Medir o fluxo num trecho com estenose ou turbulência
  • Fazer o exame logo depois da diálise
  • Chamar de estenose o aliasing normal da anastomose
  • Esquecer as veias acessórias nos primeiros 10 cm
  • Chamar de síndrome do roubo o fluxo invertido sem sintoma
  • Não olhar o arco da cefálica na braquiocefálica
  • Indicar tratamento de estenose em quem está sem sintoma
  • Colocar stent metálico nu em zona de punção

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

No mapeamento antes de uma fístula arteriovenosa, a veia cefálica deve ser medida:

Mede-se o diâmetro interno anteroposterior no transversal, sem pressão do transdutor, com o paciente sentado e garrote, em sala e gel aquecidos. Para fístula, a veia deve ter mais de 2,0 a 2,5 mm; para enxerto, pelo menos 4 mm. O longitudinal serve para calcificação e Doppler.
↑revisar esta parte do caderno · Mapeamento antes da cirurgia
Questão 2

Seis semanas depois de uma fístula radiocefálica, qual conjunto indica que ela amadureceu?

Pela regra dos 6: veia de cerca de 6 mm, no máximo 6 mm de profundidade, 6 cm retos e fluxo de 500 a 600 mL/min ou mais, medido a cerca de 10 cm da anastomose. Veia funda demais precisa de superficialização, e fluxo acima de 2.000 mL/min é acesso de alto débito.
↑revisar esta parte do caderno · Maturação
Questão 3

Em qual local a estenose é mais típica de uma fístula braquiocefálica?

Na braquiocefálica, o ponto típico é o arco da cefálica (30 a 77%), onde ela entra na axilar ou na subclávia. A radiocefálica estreita perto da anastomose; a basílica transposta, no ponto de giro; o enxerto, na anastomose venosa.
↑revisar esta parte do caderno · Estenose e trombose
Questão 4

Paciente com fístula braquiocefálica perdeu o frêmito. No US, a artéria braquial antes da anastomose tem onda de alta resistência com diástole invertida. Isso indica:

Com a fístula aberta, a artéria de entrada tem baixa resistência. Quando o acesso trombosa, ela volta a ter alta resistência, às vezes com diástole invertida ("onda de batida"), sinal indireto que se confirma pelo trombo sem fluxo na veia. O tratamento deve vir em até 24 horas.
↑revisar esta parte do caderno · Estenose e trombose
Questão 5

Mulher com fístula braquiocefálica tem dor e dormência na mão durante a diálise. A artéria depois da anastomose tem fluxo invertido, que volta para a mão quando se comprime a fístula. O diagnóstico é:

Fluxo invertido na artéria distal à anastomose com sintomas isquêmicos é síndrome do roubo; a compressão da fístula devolver o fluxo para a mão confirma. Sem sintomas, o fluxo invertido é roubo fisiológico, comum. Anastomose proximal (braquial) rouba mais que a radiocefálica.
↑revisar esta parte do caderno · Roubo, alto débito, aneurismas e coleções
Questão 6

Paciente em diálise sem queixa, com fístula funcionando bem, tem no US de rotina uma estenose de 55% na veia de saída. A conduta recomendada é:

O KDOQI não recomenda vigilância por imagem do acesso sem sintoma, e estenose sem sinal clínico (edema, frêmito alterado, punção difícil, coágulo, diálise ruim) não pede intervenção. Com sinal clínico, a primeira linha é a angioplastia.
↑revisar esta parte do caderno · Estenose e trombose
0/6acertos
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Fontes.
Sharbidre KG, Alexander LF, Varma RK, et al. Hemodialysis Access: US for Preprocedural Mapping and Evaluation of Maturity and Access Dysfunction. RadioGraphics 2024;44(1):e230053. doi:10.1148/rg.230053
Sailer A, et al. Imaging of Arteriovenous Fistulas: Maturation, Maintenance, and Declotting. RadioGraphics 2025;45(7):e230082. doi:10.1148/rg.230082 (artigo e apresentação de slides)

As recomendações são as do KDOQI 2019 citadas pelas fontes. Onde as duas fontes dão números diferentes (relação de velocidade, roubo, estenose justa-anastomótica), o caderno diz. Conferido em 06/10/2026.

Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das mesmas fontes.