Cadernos QRad 84 · Câncer do Colo e do Endométrio na RM
Ginecologia · oncologia

Câncer do Colo e do Endométrio na RM

Fontes: Salib et al: 2020 e Maheshwari et al: 2022, RadioGraphics

Dois cânceres, a mesma RM

O câncer do colo é o quarto mais comum na mulher no mundo, 85% nos países de poucos recursos (o Brasil entre eles), ligado ao HPV (papilomavírus humano). O do endométrio é da pós-menopausa, ligado ao estrogênio sem oposição e à obesidade. A RM é o exame de estadiamento local dos dois, com o mesmo princípio: cortes de alta resolução em T2 planejados pelo eixo do órgão, mais difusão.

ColoEndométrio
EstadiamentoFIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia) 2018: clínico e por imagem (a imagem muda o estádio)FIGO 2009: cirúrgico (a RM orienta o tratamento)
Plano-chaveAxial oblíquo perpendicular ao coloAxial oblíquo perpendicular à cavidade
Pergunta-chaveParamétrio, vagina, linfonodosProfundidade da invasão miometrial, estroma cervical
Tratamento divisorCirurgia (inicial) × quimiorradiação (localmente avançado)Histerectomia com ou sem linfadenectomia

Protocolo de RM

PassoComo
PreparoEsvaziar a bexiga 30 minutos antes (bexiga parcialmente cheia) · antiperistáltico (escopolamina ou glucagon) · jejum de 4 a 6 horas no endométrio
Gel vaginalOpcional · ajuda a ver a vagina superior (30 a 60 mL de gel de US)
T2 sagitalPrimeiro, pela pelve: tamanho, vagina, bexiga e reto
T2 axial oblíquo de campo pequenoPerpendicular ao colo (colo) ou à cavidade (endométrio) · sem ele, o paramétrio e a invasão miometrial são super ou subestimados
Difusãob 0/50 e pelo menos 750 a 1.000 · o tumor é claro no b alto e escuro no ADC (coeficiente de difusão aparente)
Campo grandeAxial T1 e T2 dos hilos renais à sínfise: linfonodos para-aórticos, hidronefrose, osso
ContrasteNo colo não é rotina (o tumor já contrasta com o estroma escuro) · no endométrio, dinâmico: precoce (30 a 60 s), equilíbrio (2 a 3 min), tardio (4 a 5 min)
Planejamento no endométrio
T2 sagital: coronal paralelo à cavidade (linha roxa) e axial oblíquo perpendicular a ela (linha amarela).
T2 sagital: coronal paralelo à cavidade (linha roxa) e axial oblíquo perpendicular a ela (linha amarela).
Fonte: Maheshwari E, Nougaret S, Stein EB, et al. RadioGraphics 2022;42(7):2112–2130, Fig. 2. Ver artigo
Anatomia zonal normal
T2 sagital: endométrio, zona juncional, estroma interno do colo e miométrio externo (setas coloridas); estroma externo do colo (*).
T2 sagital: endométrio, zona juncional, estroma interno do colo e miométrio externo (setas coloridas); estroma externo do colo (*).
T2 axial oblíquo.
T2 axial oblíquo.
Fonte: Maheshwari E, Nougaret S, Stein EB, et al. RadioGraphics 2022;42(7):2112–2130, Fig. 3. Ver artigo
As sequências-chave
T2 sagital: tumor no segmento inferior.
T2 sagital: tumor no segmento inferior.
T2 coronal: invasão do estroma cervical (seta branca).
T2 coronal: invasão do estroma cervical (seta branca).
Difusão coronal.
Difusão coronal.
Mapa de ADC.
Mapa de ADC.
Fase precoce (30 a 40 s): realce subendometrial pouco interrompido na frente, invasão superficial.
Fase precoce (30 a 40 s): realce subendometrial pouco interrompido na frente, invasão superficial.
Equilíbrio (2,5 min): miométrio comprimido, sem invasão profunda.
Equilíbrio (2,5 min): miométrio comprimido, sem invasão profunda.
Tardia axial (4 a 5 min): invasão do estroma cervical.
Tardia axial (4 a 5 min): invasão do estroma cervical.
Fonte: Maheshwari E, Nougaret S, Stein EB, et al. RadioGraphics 2022;42(7):2112–2130, Fig. 4. Ver artigo
duas armadilhas de técnica A biópsia recente inflama o colo e superestima o tumor e o paramétrio (a difusão ajuda; um serviço espera 10 dias). O volume parcial do axial verdadeiro de campo grande imita invasão do paramétrio e da bexiga: o que vale é o oblíquo de campo pequeno e o sagital.
Depois da biópsia, mulher de 61 anos (RM 4 dias depois)
T2 axial oblíquo: traves no paramétrio e colo mal definido, sem massa.
T2 axial oblíquo: traves no paramétrio e colo mal definido, sem massa.
T2 sagital: gás no canal.
T2 sagital: gás no canal.
Difusão: sem restrição.
Difusão: sem restrição.
ADC.
ADC.
Fonte: Salib MY, Russell JHB, Stewart VR, et al. RadioGraphics 2020;40(6):1807–1822, Fig. 12. Ver artigo
Volume parcial, mulher de 35 anos
T2 axial de campo grande: parece haver invasão da bexiga.
T2 axial de campo grande: parece haver invasão da bexiga.
T2 sagital de campo pequeno: plano de gordura preservado; língua de tumor até o terço inferior da vagina (ponta de seta).
T2 sagital de campo pequeno: plano de gordura preservado; língua de tumor até o terço inferior da vagina (ponta de seta).
T2 axial oblíquo: sem invasão da bexiga. Estádio IIIA.
T2 axial oblíquo: sem invasão da bexiga. Estádio IIIA.
Fonte: Salib MY, Russell JHB, Stewart VR, et al. RadioGraphics 2020;40(6):1807–1822, Fig. 13. Ver artigo

Colo: o que mudou na FIGO 2018

EstádioFIGO 2018
IA1Invasão de até 3 mm de profundidade (só na histologia)
IA2Mais de 3 e até 5 mm (a largura saiu da definição)
IB1Mais de 5 mm de profundidade e até 2 cm
IB2Mais de 2 e até 4 cm
IB3Mais de 4 cm
IIA1 / IIA22/3 superiores da vagina, até 4 cm / mais de 4 cm
IIBParamétrio
IIIATerço inferior da vagina
IIIBParede pélvica ou hidronefrose
IIIC1 / IIIC2Linfonodos pélvicos / para-aórticos (por imagem ou patologia)
IVA / IVBMucosa da bexiga ou do reto / à distância
IB1, mulher de 23 anos com citologia alterada
T2 sagital: tumor de 1,4 cm no colo anterior.
T2 sagital: tumor de 1,4 cm no colo anterior.
Difusão: restrição (ponta de seta).
Difusão: restrição (ponta de seta).
ADC. Candidata a traquelectomia.
ADC. Candidata a traquelectomia.
Fonte: Salib MY, Russell JHB, Stewart VR, et al. RadioGraphics 2020;40(6):1807–1822, Fig. 1. Ver artigo
IB2 (era IB1 em 2009), mulher de 37 anos
T2 sagital: tumor de 3 cm no colo posterior, ocupando o fórnice; parede vaginal posterior escura preservada (seta).
T2 sagital: tumor de 3 cm no colo posterior, ocupando o fórnice; parede vaginal posterior escura preservada (seta).
Fonte: Salib MY, Russell JHB, Stewart VR, et al. RadioGraphics 2020;40(6):1807–1822, Fig. 2. Ver artigo
IB3 (era IB2 em 2009), mulher de 46 anos
T2 sagital: tumor de 4,3 cm abaulando a vagina superior, com faixa de líquido claro entre o tumor e a parede (setas).
T2 sagital: tumor de 4,3 cm abaulando a vagina superior, com faixa de líquido claro entre o tumor e a parede (setas).
Fonte: Salib MY, Russell JHB, Stewart VR, et al. RadioGraphics 2020;40(6):1807–1822, Fig. 3. Ver artigo
as três mudanças O IA virou só profundidade; o IB foi dividido em três tamanhos (2 e 4 cm: abaixo de 2 cm a sobrevida é muito melhor); e os linfonodos entraram como IIIC, porque são o fator prognóstico mais importante. Linfonodo suspeito na imagem já muda o estádio.
LinfonodosSensibilidadeEspecificidade
PET-TC (tomografia por emissão de pósitrons acoplada à TC) com FDG (fluordesoxiglicose)82%95%
TC50%92%
RM56%91%

Sobrevida em 5 anos pela FIGO 2018: IB1 91,6%, IB2 83,3%, IB3 76,1%, IIB 63,9%, IIIC1 60,8% (grupo heterogêneo), IIIC2 37,5%, IVB 14,7%.

Colo: estádio por estádio na RM

O tumor tem sinal intermediário em T2, bem diferente do estroma fibroso, que é escuro.

EstruturaInvadidaPreservada
Vagina (IIA)Perda do sinal baixo da parede vaginal em continuidade com o tumor (ver em dois planos) · superestimada nos fórnicesFaixa de líquido com sinal alto entre tumor e parede
Paramétrio (IIB)Ruptura de espessura total do anel estromal escuro com tecido na gordura parametrialAnel estromal escuro de 3 mm preservado em volta: 96 a 99% de especificidade para excluir
Parede pélvica (IIIB)Tumor a menos de 3 mm da parede (obturador interno, piriforme, vasos) · ureter obstruído
Terço inferior da vagina (IIIA)Abaixo do nível da base da bexiga, melhor no sagital
Bexiga e reto (IVA)Tumor atravessando a parede até a mucosa e a luz (confirmar por cistoscopia)Perda do plano de gordura sozinha não é IVA · RM negativa tem VPN (valor preditivo negativo) de 100%
IIA2, mulher de 50 anos
T2 sagital: massa de 6,1 cm com perda do sinal baixo das paredes vaginais anterior e posterior, acima da base da bexiga (seta).
T2 sagital: massa de 6,1 cm com perda do sinal baixo das paredes vaginais anterior e posterior, acima da base da bexiga (seta).
Fonte: Salib MY, Russell JHB, Stewart VR, et al. RadioGraphics 2020;40(6):1807–1822, Fig. 4. Ver artigo
IIB com edema bolhoso, mulher de 54 anos
T2 sagital: invasão da vagina superior posterior; parede da bexiga em camadas, com hipersinal (seta), edema bolhoso.
T2 sagital: invasão da vagina superior posterior; parede da bexiga em camadas, com hipersinal (seta), edema bolhoso.
T2 axial oblíquo: anel estromal perdido das 1 às 6 horas e extensão aos dois paramétrios (pontas de seta); plano de gordura com a bexiga preservado (seta).
T2 axial oblíquo: anel estromal perdido das 1 às 6 horas e extensão aos dois paramétrios (pontas de seta); plano de gordura com a bexiga preservado (seta).
Fonte: Salib MY, Russell JHB, Stewart VR, et al. RadioGraphics 2020;40(6):1807–1822, Fig. 5. Ver artigo
IIIA, mulher de 58 anos
T2 sagital: massa que chega ao terço inferior da vagina, abaixo da base da bexiga (seta).
T2 sagital: massa que chega ao terço inferior da vagina, abaixo da base da bexiga (seta).
Fonte: Salib MY, Russell JHB, Stewart VR, et al. RadioGraphics 2020;40(6):1807–1822, Fig. 6. Ver artigo
IIIB, mulher de 50 anos com dor no flanco direito
T2 sagital: hematometra (*) por estenose do colo.
T2 sagital: hematometra (*) por estenose do colo.
T2 axial: invasão do paramétrio direito até a parede, obstruindo o ureter (seta).
T2 axial: invasão do paramétrio direito até a parede, obstruindo o ureter (seta).
Fonte: Salib MY, Russell JHB, Stewart VR, et al. RadioGraphics 2020;40(6):1807–1822, Fig. 7. Ver artigo
IVA, mulher de 43 anos
T2 sagital: massa (*) infiltrando o miométrio e os 2/3 superiores da vagina.
T2 sagital: massa (*) infiltrando o miométrio e os 2/3 superiores da vagina.
T2 axial oblíquo: invasão da serosa e da mucosa do reto (ponta de seta).
T2 axial oblíquo: invasão da serosa e da mucosa do reto (ponta de seta).
Fonte: Salib MY, Russell JHB, Stewart VR, et al. RadioGraphics 2020;40(6):1807–1822, Fig. 10. Ver artigo
IVB, mulher de 56 anos
T2 sagital: tumor (*) até o terço inferior da vagina e invadindo a parede posterior da bexiga (seta).
T2 sagital: tumor (*) até o terço inferior da vagina e invadindo a parede posterior da bexiga (seta).
T2 axial oblíquo: hidronefrose esquerda (seta) e linfonodo pélvico direito aumentado (ponta de seta).
T2 axial oblíquo: hidronefrose esquerda (seta) e linfonodo pélvico direito aumentado (ponta de seta).
PET-TC: linfonodo supraclavicular esquerdo de 11 mm, metástase na biópsia.
PET-TC: linfonodo supraclavicular esquerdo de 11 mm, metástase na biópsia.
Fonte: Salib MY, Russell JHB, Stewart VR, et al. RadioGraphics 2020;40(6):1807–1822, Fig. 11. Ver artigo
edema bolhoso não é invasão A parede posterior da bexiga espessa, lobulada e com hipersinal em T2, em camadas, é inflamação. Pode coexistir com a invasão verdadeira, que tem sinal intermediário e forma nodular.
Linfonodo suspeitoPista
TamanhoMenor eixo de mais de 10 mm, ou mais de 8 mm e redondo
Necrose centralVPP (valor preditivo positivo) de 100% na pelve · capta pouco no centro no PET
ContornoLobulado ou espiculado (ruptura da cápsula)
SinalIgual ao do tumor · ADC menor, mas com sobreposição
IIIC1 (era IB1 em 2009), mulher de 31 anos
T2 sagital: tumor de 2,6 cm no colo posterior.
T2 sagital: tumor de 2,6 cm no colo posterior.
T2 axial: linfonodo obturador direito de 1,7 cm com hipersinal (necrose) e linfonodo ilíaco externo esquerdo redondo de 1,1 cm.
T2 axial: linfonodo obturador direito de 1,7 cm com hipersinal (necrose) e linfonodo ilíaco externo esquerdo redondo de 1,1 cm.
PET-TC: captação periférica no linfonodo necrótico e captação no esquerdo.
PET-TC: captação periférica no linfonodo necrótico e captação no esquerdo.
Fonte: Salib MY, Russell JHB, Stewart VR, et al. RadioGraphics 2020;40(6):1807–1822, Fig. 8. Ver artigo
IIIC2, mulher de 29 anos
T2 sagital: obstrução do canal e hematometra (*).
T2 sagital: obstrução do canal e hematometra (*).
T2 axial oblíquo: extensão ao paramétrio (ponta de seta) e linfonodo pélvico direito (*).
T2 axial oblíquo: extensão ao paramétrio (ponta de seta) e linfonodo pélvico direito (*).
PET-TC: linfonodos para-aórticos confluentes.
PET-TC: linfonodos para-aórticos confluentes.
TC coronal: os mesmos linfonodos (setas).
TC coronal: os mesmos linfonodos (setas).
Fonte: Salib MY, Russell JHB, Stewart VR, et al. RadioGraphics 2020;40(6):1807–1822, Fig. 9. Ver artigo

A TC estadia mal o colo (50% dos tumores IB têm a mesma densidade do estroma), mas acerta 92% da doença avançada (IIIB a IVB). O PET-TC entra do IB1 cirúrgico em diante e na doença localmente avançada, e muda o tratamento em cerca de um terço.

Colo: tratamento e traquelectomia

EstádioTratamento
IA1Conização (margem livre pode curar) ou histerectomia · com invasão linfovascular, linfadenectomia
IA2, IB1Traquelectomia radical (preserva fertilidade) ou histerectomia, com linfadenectomia
IB2, IIA1Histerectomia radical e linfadenectomia (ou radioterapia e braquiterapia)
IB3, IIA2Quimiorradiação (histerectomia depois não melhora a sobrevida)
IIB a IVAQuimiorradiação · cirurgia só para amostrar linfonodos
quem pode fazer traquelectomia Estádio IA1, IA2 ou IB1, pré-menopausa e desejo de gestar, tumor a pelo menos 1 cm do orifício interno na RM, sem paramétrio e sem linfonodo. Não serve para tipos agressivos (neuroendócrino de pequenas células, células claras, adenoma maligno, tipo gástrico). Por via vaginal até 2 cm; abdominal até 4 cm.

Endométrio: tipos e estadiamento

Tipo I (85%)Tipo II (15%)
HistologiaEndometrioide graus 1 e 2Endometrioide grau 3, seroso, células claras, indiferenciado
PrecursorHiperplasiaCarcinoma intraepitelial (endométrio atrófico)
ComportamentoPrecoce, lento, bom prognósticoAvançado, rápido, peritônio e linfonodos

A classificação molecular (TCGA, The Cancer Genome Atlas) separa quatro grupos: POLE (mutação do gene da DNA polimerase épsilon; melhor prognóstico), instabilidade de microssatélites, baixo número de cópias e alto número de cópias com TP53 (mutação do gene supressor de tumor p53; o pior). A biópsia classifica tão bem quanto a peça.

FIGO 2009Definição
IANo corpo, invasão de menos de 50% do miométrio
IBInvasão de 50% ou mais
IIEstroma cervical
IIIASerosa e/ou anexos
IIIBVagina e/ou paramétrio
IIIC1 / IIIC2Linfonodos pélvicos / para-aórticos
IVA / IVBMucosa da bexiga ou do intestino / à distância (inclusive linfonodo inguinal)
+ complemento · baixo risco Invasão de menos de 50%, tumor de menos de 2 cm e grau 1 ou 2: com mapeamento do linfonodo sentinela negativo e sem achado de alto risco na imagem, a linfadenectomia pode ser evitada. O artigo é anterior à FIGO 2023, que incorpora a classificação molecular.

Endométrio: invasão miometrial e cervical

No T2 normal: endométrio claro, zona juncional escura (miométrio interno, contínuo com o estroma interno do colo), miométrio externo intermediário. O tumor tem sinal intermediário (mais escuro que o endométrio, um pouco mais claro que o miométrio), restringe e realça menos que o miométrio.

SequênciaO que mostra
T2 axial oblíquoZona juncional escura contínua: sem invasão · rompida: invasão
Contraste precoceFaixa de realce subendometrial lisa e contínua praticamente exclui invasão superficial
Contraste de equilíbrioMelhor contraste tumor-miométrio: a fase para a invasão profunda
Contraste tardioEstroma cervical
DifusãoAjuda quando o tumor tem o mesmo sinal do miométrio, com adenomiose ou leiomioma, sem contraste
IA, mulher de 55 anos, endometrioide grau 1
T2 axial oblíquo: invasão de menos de 50%, margem externa da zona juncional preservada.
T2 axial oblíquo: invasão de menos de 50%, margem externa da zona juncional preservada.
Difusão com b alto.
Difusão com b alto.
Fonte: Maheshwari E, Nougaret S, Stein EB, et al. RadioGraphics 2022;42(7):2112–2130, Fig. 6. Ver artigo
IB, mulher de 68 anos, endometrioide grau 2
T2 axial oblíquo: zona juncional rompida, invasão de mais de 50%.
T2 axial oblíquo: zona juncional rompida, invasão de mais de 50%.
Pós-contraste: o tumor realça menos que o miométrio.
Pós-contraste: o tumor realça menos que o miométrio.
Fonte: Maheshwari E, Nougaret S, Stein EB, et al. RadioGraphics 2022;42(7):2112–2130, Fig. 7. Ver artigo
como medir a invasão Trace a linha onde estaria a interface endométrio-miométrio, meça a maior profundidade do tumor no miométrio e divida pela espessura total do miométrio: mais ou menos de 50%. Meça no sagital e confirme no axial oblíquo; use T2, difusão e contraste juntos.
Como medir a porcentagem de invasão
T2 axial oblíquo: a linha da interface esperada, a profundidade do tumor e a espessura total do miométrio (linhas coloridas).
T2 axial oblíquo: a linha da interface esperada, a profundidade do tumor e a espessura total do miométrio (linhas coloridas).
Fonte: Maheshwari E, Nougaret S, Stein EB, et al. RadioGraphics 2022;42(7):2112–2130, Fig. 5. Ver artigo
ArmadilhaPor quê
Tumor com o mesmo sinal do miométrioA interface some no T2
Tumor no cornoO miométrio é fino ali
Tumor grandeDistende e afina o miométrio
Útero atróficoZona juncional indistinta
Adenomiose e leiomiomaTambém são escuros no T2 (sub ou superestimação) · o tumor restringe, eles não
Tumor prolapsado no canalAlarga o canal sem invadir: a mucosa endocervical fica intacta
Câncer com leiomiomas, mulher de 48 anos
T2 sagital: massa endometrial junto de leiomiomas intramurais.
T2 sagital: massa endometrial junto de leiomiomas intramurais.
Difusão: o tumor restringe; os leiomiomas, não.
Difusão: o tumor restringe; os leiomiomas, não.
Fonte: Maheshwari E, Nougaret S, Stein EB, et al. RadioGraphics 2022;42(7):2112–2130, Fig. 8. Ver artigo
Carcinoma seroso com adenomiose, mulher de 58 anos
T2 axial oblíquo: limite entre tumor e zona juncional indistinto.
T2 axial oblíquo: limite entre tumor e zona juncional indistinto.
Difusão: o tumor restringe; a adenomiose, não.
Difusão: o tumor restringe; a adenomiose, não.
Pós-contraste sagital: o tumor realça menos; a adenomiose realça como o miométrio.
Pós-contraste sagital: o tumor realça menos; a adenomiose realça como o miométrio.
Fonte: Maheshwari E, Nougaret S, Stein EB, et al. RadioGraphics 2022;42(7):2112–2130, Fig. 9. Ver artigo
Tumor que prolapsa × invasão do estroma cervical
Mulher de 61 anos, T2 sagital: tumor polipoide prolapsado no canal, estroma preservado.
Mulher de 61 anos, T2 sagital: tumor polipoide prolapsado no canal, estroma preservado.
T2 axial: o mesmo.
T2 axial: o mesmo.
Mulher de 60 anos, T2 sagital: invasão miometrial profunda com o estroma cervical apagado e interrompido.
Mulher de 60 anos, T2 sagital: invasão miometrial profunda com o estroma cervical apagado e interrompido.
T2 axial: o mesmo.
T2 axial: o mesmo.
Fonte: Maheshwari E, Nougaret S, Stein EB, et al. RadioGraphics 2022;42(7):2112–2130, Fig. 11. Ver artigo
Fora do úteroSinal
Estroma cervical (II)Tumor rompendo o estroma escuro, realce do estroma interrompido no tardio · pior prognóstico
Serosa (IIIA)Serosa escura rompida, contorno irregular, perda do realce em anel do miométrio externo
OvárioPrimário sincrônico em 5 a 8% (massa sólido-cística, invasão mínima) × metástase (bilateral, invasão profunda)
LinfonodosPélvicos de mais de 8 mm, abdominais de mais de 10 mm, ou redondos, irregulares, necróticos · o útero superior drena para ilíacos comuns e para-aórticos
Bexiga e reto (IVA)Plano de gordura preservado exclui · mucosa exige extensão até a luz
Invasão profunda com linfonodos, mulher de 65 anos (células claras e seroso)
T2 coronal oblíquo: zona juncional atrófica, invasão de mais de 50% no fundo esquerdo e linfonodos obturadores (pontas de seta).
T2 coronal oblíquo: zona juncional atrófica, invasão de mais de 50% no fundo esquerdo e linfonodos obturadores (pontas de seta).
Fonte: Maheshwari E, Nougaret S, Stein EB, et al. RadioGraphics 2022;42(7):2112–2130, Fig. 10. Ver artigo
Extensão à serosa, mulher de 71 anos
T2 sagital: tumor do fundo ao canal cervical.
T2 sagital: tumor do fundo ao canal cervical.
T2 axial: zona juncional apagada, invasão profunda.
T2 axial: zona juncional apagada, invasão profunda.
Difusão: extensão à serosa (seta).
Difusão: extensão à serosa (seta).
Pós-contraste: contorno irregular e perda do realce em anel.
Pós-contraste: contorno irregular e perda do realce em anel.
Fonte: Maheshwari E, Nougaret S, Stein EB, et al. RadioGraphics 2022;42(7):2112–2130, Fig. 12. Ver artigo
Doença localmente avançada, mulher de 90 anos
Pós-contraste: extensão direta ao anexo esquerdo e à parede anterior do reto.
Pós-contraste: extensão direta ao anexo esquerdo e à parede anterior do reto.
Fonte: Maheshwari E, Nougaret S, Stein EB, et al. RadioGraphics 2022;42(7):2112–2130, Fig. 13. Ver artigo
IVA com fístula vesicouterina, mulher de 55 anos
T2 sagital: massa sólido-cística com invasão profunda.
T2 sagital: massa sólido-cística com invasão profunda.
T2 axial: invasão da parede posterior da bexiga.
T2 axial: invasão da parede posterior da bexiga.
Pós-contraste sagital: fístula vesicouterina.
Pós-contraste sagital: fístula vesicouterina.
Fonte: Maheshwari E, Nougaret S, Stein EB, et al. RadioGraphics 2022;42(7):2112–2130, Fig. 14. Ver artigo
Linfonodo pequeno metastático
T2 axial: invasão profunda do estroma cervical e linfonodo ilíaco externo direito subcentimétrico.
T2 axial: invasão profunda do estroma cervical e linfonodo ilíaco externo direito subcentimétrico.
PET-RM: o linfonodo capta.
PET-RM: o linfonodo capta.
Fonte: Maheshwari E, Nougaret S, Stein EB, et al. RadioGraphics 2022;42(7):2112–2130, Fig. 17. Ver artigo
Carcinossarcoma, mulher de 54 anos
T2 sagital.
T2 sagital.
T2 axial.
T2 axial.
Pós-contraste: massa que realça pouco.
Pós-contraste: massa que realça pouco.
PET-RM com PSMA (antígeno de membrana específico da próstata): captação difusa no tumor.
PET-RM com PSMA (antígeno de membrana específico da próstata): captação difusa no tumor.
Fonte: Maheshwari E, Nougaret S, Stein EB, et al. RadioGraphics 2022;42(7):2112–2130, Fig. 18. Ver artigo

Preservação da fertilidade, radioterapia e recidiva

TemaO que saber
Preservar fertilidadeProgestagênio contínuo ou DIU (dispositivo intrauterino) de levonorgestrel · só endometrioide grau 1, sem invasão miometrial nem do estroma cervical, sem doença fora do útero e sem linfonodo na RM · RM de controle em 6 a 9 meses
RadioterapiaA RM guia o planejamento e a braquiterapia (posição do aplicador, contorno do tumor, complicações)
RecidivaMais na cúpula vaginal e nos linfonodos, a maioria nos 2 primeiros anos · massa de sinal intermediário que restringe e realça
Resposta completaCúpula vaginal lisa, sem nodularidade excêntrica, sem restrição
Depois da radiaçãoFibrose: T2 escuro, sem restrição, realce tardio crescente · edema: T2 e difusão claros, realce variável · na dúvida, biópsia
Braquiterapia de resgate na recidiva da cúpula, mulher de 65 anos
T2 sagital: massa junto de alças de delgado.
T2 sagital: massa junto de alças de delgado.
T2 axial.
T2 axial.
Difusão: restrição.
Difusão: restrição.
Pós-contraste: realce.
Pós-contraste: realce.
T2 sagital depois do implante: cilindro vaginal e agulhas intersticiais.
T2 sagital depois do implante: cilindro vaginal e agulhas intersticiais.
T2 axial depois do implante.
T2 axial depois do implante.
Fonte: Maheshwari E, Nougaret S, Stein EB, et al. RadioGraphics 2022;42(7):2112–2130, Fig. 15. Ver artigo
Resposta completa, mulher de 62 anos (cirurgia e radioterapia)
T2 sagital: cúpula vaginal lisa.
T2 sagital: cúpula vaginal lisa.
Difusão: sem restrição.
Difusão: sem restrição.
Fonte: Maheshwari E, Nougaret S, Stein EB, et al. RadioGraphics 2022;42(7):2112–2130, Fig. 16. Ver artigo

Pontos de prova: alto rendimento

Colo FIGO 2018Clínico e por imagem
IASó profundidade: 3 e 5 mm
IB1 / IB2 / IB3≤ 2 / 2–4 / > 4 cm
IIIC1 / IIIC2Linfonodos pélvicos / para-aórticos
Plano-chaveAxial oblíquo perpendicular ao colo
Paramétrio preservadoAnel escuro de 3 mm
Paramétrio invadidoRuptura de espessura total
Parede pélvica< 3 mm ou hidronefrose
IVAAté a mucosa
Edema bolhosoT2 claro, não é invasão
Linfonodo necróticoVPP 100%
PET-TCLinfonodo: 82% / 95%
IB3, IIA2Quimiorradiação
Traquelectomia≥ 1 cm do orifício interno, até IB1
EndométrioEstadiamento cirúrgico
IA × IB< 50% × ≥ 50%
IIEstroma cervical
Zona juncional contínuaSem invasão
Realce subendometrial lisoSem invasão
Invasão profundaFase de equilíbrio
Estroma cervicalFase tardia
AdenomioseNão restringe
CornoMiométrio fino, armadilha
POLEMelhor prognóstico
TP53Pior
FertilidadeGrau 1, sem invasão
RecidivaCúpula vaginal
Fibrose × recidivaFibrose não restringe

Armadilhas e erros comuns

Erros

  • Estadiar o paramétrio no axial verdadeiro de campo grande
  • Fazer a RM logo depois da biópsia do colo
  • Chamar de IVA a perda do plano de gordura
  • Chamar de invasão o edema bolhoso
  • Esquecer os linfonodos no estadiamento do colo
  • Medir a invasão miometrial no corno ou no útero atrófico sem difusão e contraste
  • Confundir adenomiose com invasão profunda
  • Chamar de invasão cervical o tumor que só prolapsou no canal
  • Chamar de recidiva a fibrose pós-radiação

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Carcinoma do colo de 3 cm, restrito ao colo, com linfonodo ilíaco externo necrótico na RM. O estádio FIGO 2018 é:

Na FIGO 2018, linfonodo suspeito por imagem muda o estádio: pélvico = IIIC1, para-aórtico = IIIC2. Sem o linfonodo, o tumor de 3 cm restrito ao colo seria IB2 (mais de 2 e até 4 cm). Necrose central tem VPP de 100% na pelve.
↑revisar esta parte do caderno · Colo: o que mudou na FIGO 2018
Questão 2

No T2 axial oblíquo perpendicular ao colo, qual achado praticamente exclui invasão do paramétrio?

O anel estromal com hipossinal de 3 mm preservado em toda a volta tem 96 a 99% de especificidade para excluir invasão do paramétrio. A invasão é a ruptura de espessura total do anel com tecido na gordura. Traves na gordura sozinhas não são específicas, sobretudo depois de biópsia.
↑revisar esta parte do caderno · Colo: estádio por estádio na RM
Questão 3

Mulher de 32 anos com carcinoma escamoso do colo de 1,5 cm, a 1,5 cm do orifício interno, sem paramétrio nem linfonodos, que deseja engravidar. A opção cirúrgica é:

IB1 (até 2 cm), pré-menopausa, desejo de gestar, tumor a pelo menos 1 cm do orifício interno, sem paramétrio nem linfonodo: candidata a traquelectomia radical com linfadenectomia. Quimiorradiação é para IB3, IIA2 e doença localmente avançada.
↑revisar esta parte do caderno · Colo: tratamento e traquelectomia
Questão 4

Carcinoma endometrioide com invasão de 60% do miométrio, sem invasão do estroma cervical nem doença fora do útero. O estádio FIGO 2009 é:

Restrito ao corpo, a invasão de 50% ou mais do miométrio é IB; menos de 50% é IA. Estroma cervical é II, serosa e anexos IIIA, vagina e paramétrio IIIB.
↑revisar esta parte do caderno · Endométrio: tipos e estadiamento
Questão 5

Na RM de câncer de endométrio, qual achado praticamente exclui invasão miometrial superficial?

A faixa de realce subendometrial lisa e contínua na fase precoce, assim como a zona juncional escura contínua no T2, praticamente exclui invasão. No útero atrófico a zona juncional some e não serve para isso; a invasão profunda se avalia na fase de equilíbrio.
↑revisar esta parte do caderno · Endométrio: invasão miometrial e cervical
Questão 6

Qual situação tende a causar erro na estimativa da invasão miometrial?

No corno o miométrio é fisiologicamente fino, e a invasão é superestimada. Também atrapalham o tumor com o mesmo sinal do miométrio, o tumor grande que distende o útero, o útero atrófico e a adenomiose ou o leiomioma. Difusão e o plano oblíquo correto ajudam.
↑revisar esta parte do caderno · Endométrio: invasão miometrial e cervical
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Fontes.
Salib MY, Russell JHB, Stewart VR, et al. 2018 FIGO Staging Classification for Cervical Cancer: Added Benefits of Imaging. RadioGraphics 2020;40(6):1807–1822. doi:10.1148/rg.2020200013
Maheshwari E, Nougaret S, Stein EB, et al. Update on MRI in Evaluation and Treatment of Endometrial Cancer. RadioGraphics 2022;42(7):2112–2130. doi:10.1148/rg.220070

O artigo do endométrio é anterior à FIGO 2023: o caderno dá a FIGO 2009 e a classificação molecular como o artigo as apresenta. O esquema dos tipos I e II (em inglês) e a imagem de planejamento da braquiterapia ficaram de fora. Conferido em 07/10/2026.

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