Cadernos QRad 90 · Artefatos do US, Harmônica e Composição Espacial
Física · ultrassom

Artefatos do US, Harmônica e Composição Espacial

Fontes: Baad et al: 2017 e Fahrenholtz et al: 2026, RadioGraphics

O ultrassom é uma coleção de artefatos

O aparelho monta a imagem com três suposições. Quando o tecido as desobedece, aparece o artefato, e muitos deles ajudam no diagnóstico: o reforço do cisto, a sombra do cálculo, o ring-down do gás. Saber o mecanismo diz se o achado é real e qual botão o confirma.

Suposição do aparelhoQuando falha
O pulso anda em linha reta, e o eco vem do feixe principal, de uma reflexão só, do último pulsoLobos secundários, reverberação, espelho, refração, ambiguidade de profundidade
A velocidade do som é constante, 1540 m/s, então o tempo vira profundidadeErro de posição e de tamanho na gordura (1450 m/s), aberração de fase
A força do eco depende só da ecogenicidade (o TGC (time gain compensation: compensação do ganho conforme a profundidade) compensa a atenuação)Reforço posterior e sombra acústica
as três famílias Baad e colegas dividem os artefatos em três grupos: de feixe e resolução, de trajeto e velocidade (localização) e de atenuação. O artigo trata só do modo B, sem os artefatos do Doppler.

Feixe e resolução

ResoluçãoDo que dependeArtefato
LateralLargura do feixe: estreita na zona focal, larga nos campos próximo e distantePontos borrados para os lados · dois alvos mais próximos que o feixe viram um
Elevacional (espessura do corte)Em geral a pior das três · transdutor de uma fileira não foca em profundidadeEcos falsos dentro do líquido, por volume parcial: imitam debris na bexiga ou barro na vesícula
AxialComprimento do pulso (SPL): separa interfaces a mais da metade do SPLMelhora com frequência maior · não muda com a profundidade
Espessura do corte (resolução elevacional), menina de 14 anos
Bexiga em corte transversal: ecos de uma alça vizinha projetados dentro do líquido (seta); o lobo lateral pode contribuir.
Bexiga em corte transversal: ecos de uma alça vizinha projetados dentro do líquido (seta); o lobo lateral pode contribuir.
Fonte: Baad M, Lu ZF, Reiser I, Paushter D. RadioGraphics 2017;37(5):1408–1423, Fig. 3. Ver artigo
Resolução axial no fantoma
A 9 MHz: dois focos próximos mal separados (pontas de seta).
A 9 MHz: dois focos próximos mal separados (pontas de seta).
A 15 MHz: os mesmos focos separados (pontas de seta).
A 15 MHz: os mesmos focos separados (pontas de seta).
Fonte: Baad M, Lu ZF, Reiser I, Paushter D. RadioGraphics 2017;37(5):1408–1423, Fig. 4. Ver artigo
AjusteO que corrige
Zona focal na estrutura, várias zonas focaisResolução lateral
Frequência mais altaResolução lateral e axial (perde penetração)
Velocidade do som ajustada (mama, gordura)Aberração de fase: com o tecido fora de 1540 m/s, o foco eletrônico erra e o feixe alarga
Almofada de gel, transdutor 1,5D ou 2DResolução elevacional: põe o cisto superficial na zona focal e separa cisto de nódulo sólido
Largura do feixe e velocidade do som num fantoma de borracha (1450 m/s)
Aparelho em 1540 m/s: o foco erra e os pontos ficam borrados para os lados (setas).
Aparelho em 1540 m/s: o foco erra e os pontos ficam borrados para os lados (setas).
Velocidade ajustada à do fantoma: pontos mais nítidos (setas).
Velocidade ajustada à do fantoma: pontos mais nítidos (setas).
Fonte: Baad M, Lu ZF, Reiser I, Paushter D. RadioGraphics 2017;37(5):1408–1423, Fig. 2. Ver artigo
RuídoO que saber
SpeckleInterferência dos ecos de espalhadores do tamanho do comprimento de onda ou menores · dá a textura do tecido, mas baixa o contraste · diminui com redução de speckle por pós-processamento, composição espacial e harmônica
Lobos lateraisCerca de 1% da energia sai fora do eixo · o eco de um refletor forte ao lado é posto dentro do feixe · invisível no tecido, aparece no líquido: o pseudobarro da vesícula, vindo do gás da alça vizinha
Lobos de gradeÂngulos mais oblíquos (até 90°), mais fortes · nascem do arranjo de elementos espaçados · não existem se o espaçamento é menor que meio comprimento de onda · a harmônica os suprime
Speckle na bexiga normal, menina de 12 anos (no detalhe, o fígado)
Sem redução de speckle.
Sem redução de speckle.
Com redução de speckle por pós-processamento: textura mais lisa e bordas realçadas.
Com redução de speckle por pós-processamento: textura mais lisa e bordas realçadas.
Fonte: Baad M, Lu ZF, Reiser I, Paushter D. RadioGraphics 2017;37(5):1408–1423, Fig. 5. Ver artigo
Lobo lateral
Esquema: o eco de um refletor fora do eixo, captado por um lobo lateral (vermelho), é posto dentro do feixe principal (pontilhado).
Esquema: o eco de um refletor fora do eixo, captado por um lobo lateral (vermelho), é posto dentro do feixe principal (pontilhado).
Vesícula, mulher de 55 anos: eco falso vindo da parede (seta).
Vesícula, mulher de 55 anos: eco falso vindo da parede (seta).
Fonte: Baad M, Lu ZF, Reiser I, Paushter D. RadioGraphics 2017;37(5):1408–1423, Fig. 6. Ver artigo
barro de verdade ou pseudobarro O pseudobarro (lobo lateral) tem margem convexa, some ao reposicionar o paciente e diminui ao baixar o ganho. O barro verdadeiro tem margem plana, se acomoda com a posição e fica com o ganho baixo. Mudar o ângulo, a janela, o ganho e ligar a harmônica resolvem a maioria.

Reverberação, cauda de cometa e ring-down

A interface músculo-gordura reflete cerca de 1% do pulso; a músculo-ar, quase 100%. Entre dois refletores fortes e paralelos o pulso vai e volta, e cada volta vira um eco mais fundo.

ArtefatoMecanismo e aspectoUso
ReverberaçãoVai e volta entre dois refletores (muitas vezes a face do transdutor e uma interface próxima) · linhas paralelas claras a intervalos iguais, mais fracas com a profundidadeGás anormal: pneumoperitônio, pneumatose, pneumobilia · atrapalha: imita debris no cisto
Cauda de cometaReverberação entre interfaces próximas demais para separar · triângulo ecogênico que afina com a profundidadeCristais de colesterol na adenomiomatose · coloide espesso no nódulo coloide benigno da tireoide · calcificação, clipe, DIU (dispositivo intrauterino)
Ring-downVibração de bolhas de ar presas em tetraedro · faixa contínua ou bandas paralelas atrás do gásPor definição, só gás: pneumoperitônio, gás portal, infecção enfisematosa, abscesso · gás no apêndice tranquiliza · linhas B no pulmão
Reverberação
Esquema: o pulso vai e volta entre o transdutor e uma interface, e cada volta vira um eco mais fundo e mais fraco (1 a 4).
Esquema: o pulso vai e volta entre o transdutor e uma interface, e cada volta vira um eco mais fundo e mais fraco (1 a 4).
Rim, menina de 9 anos: reverberação da parede abdominal (setas).
Rim, menina de 9 anos: reverberação da parede abdominal (setas).
Fonte: Baad M, Lu ZF, Reiser I, Paushter D. RadioGraphics 2017;37(5):1408–1423, Fig. 7. Ver artigo
Cauda de cometa
Esquema: reverberações entre duas interfaces muito próximas formam um triângulo que afina.
Esquema: reverberações entre duas interfaces muito próximas formam um triângulo que afina.
Tireoide, mulher de 57 anos: cauda de cometa num cisto coloide (seta).
Tireoide, mulher de 57 anos: cauda de cometa num cisto coloide (seta).
Fonte: Baad M, Lu ZF, Reiser I, Paushter D. RadioGraphics 2017;37(5):1408–1423, Fig. 8. Ver artigo
Ring-down
Esquema: bolhas de ar em tetraedro vibram e emitem um sinal contínuo.
Esquema: bolhas de ar em tetraedro vibram e emitem um sinal contínuo.
Fígado, homem de 61 anos: pneumobilia com ring-down (seta) e sombra.
Fígado, homem de 61 anos: pneumobilia com ring-down (seta) e sombra.
Fonte: Baad M, Lu ZF, Reiser I, Paushter D. RadioGraphics 2017;37(5):1408–1423, Fig. 9. Ver artigo
desligue a composição A composição espacial alarga e enfraquece a cauda de cometa e o ring-down, e a sutil pode sumir. Para procurá-los, desligue a composição. A harmônica deixa a cauda de cometa mais nítida e diminui a reverberação de perto.

Espelho, refração e velocidade do som

Artefato de trajetoMecanismoExemplo e armadilha
Imagem em espelhoO pulso bate num refletor forte e liso, volta pelo mesmo caminho: a cópia é posta mais funda, à mesma distância do outro ladoLesão do fígado repetida acima do diafragma · também pleura, bexiga, alça (parede falsamente espessa, pulmão falsamente consolidado)
MulticaminhoReflexões fora do eixo no caminhoObjeto um pouco mais fundo, perda de qualidade
Refração (mau registro)O feixe desvia ao cruzar obliquamente tecidos de velocidades diferentes (lei de Snell)Objeto deslocado, como o lápis no copo d'água · erro de alvo na biópsia
DuplicaçãoO reto abdominal funciona como lenteAorta, saco gestacional ou medula duplicados, sobretudo na pelve através da parede
Sombra de bordaReflexão e refração na borda curva de um cisto ou massaLinhas hipoecogênicas paralelas atrás das bordas · não confundir com sombra de cálculo (vaso no seio renal)
Espelho e multicaminho
À esquerda, esquema do espelho: o pulso reflete no refletor curvo, bate no alvo e volta pelo mesmo caminho, e a cópia (pontilhada) aparece do outro lado. No mei
À esquerda, esquema do espelho: o pulso reflete no refletor curvo, bate no alvo e volta pelo mesmo caminho, e a cópia (pontilhada) aparece do outro lado. No meio, fígado de um homem de 44 anos: hemangioma repetido acima do diafragma, no pulmão (seta). À direita, multicaminho: o eco desvia num segundo refletor e o alvo aparece um pouco mais fundo.
Fonte: Baad M, Lu ZF, Reiser I, Paushter D. RadioGraphics 2017;37(5):1408–1423, Fig. 10. Ver artigo
Refração
Esquema: o feixe desvia ao cruzar a interface e o alvo aparece deslocado (pontilhado).
Esquema: o feixe desvia ao cruzar a interface e o alvo aparece deslocado (pontilhado).
Esquema da duplicação: nas posições paramedianas a refração mostra o mesmo objeto deslocado (pontilhados).
Esquema da duplicação: nas posições paramedianas a refração mostra o mesmo objeto deslocado (pontilhados).
Fígado, mulher de 29 anos: aorta duplicada (setas) sob os retos abdominais (*).
Fígado, mulher de 29 anos: aorta duplicada (setas) sob os retos abdominais (*).
Esquema da sombra de borda: a refração é maior nas bordas do cisto e tira energia do que fica atrás.
Esquema da sombra de borda: a refração é maior nas bordas do cisto e tira energia do que fica atrás.
Mama, mulher de 51 anos: cisto complicado com sombras de borda (setas).
Mama, mulher de 51 anos: cisto complicado com sombras de borda (setas).
Fonte: Baad M, Lu ZF, Reiser I, Paushter D. RadioGraphics 2017;37(5):1408–1423, Fig. 11. Ver artigo
Velocidade do somO que acontece
Meio mais lento (gordura, 1450 m/s)O eco chega tarde: o aparelho põe a estrutura mais funda
Distorção de contornoGordura focal no fígado faz o diafragma parecer afundado ali
BaionetaA agulha parece dobrada ou partida ao cruzar uma lesão de velocidade diferente
Camada uniforme de gorduraSem degrau, mas todas as profundidades superestimadas · a gordura é cerca de 5% mais lenta: um dermoide de 5 cm mede 5,25 cm
Distorção de contorno, homem de 54 anos com esteatose focal
Fígado: o contorno do diafragma desviado atrás da gordura (seta).
Fígado: o contorno do diafragma desviado atrás da gordura (seta).
Fonte: Baad M, Lu ZF, Reiser I, Paushter D. RadioGraphics 2017;37(5):1408–1423, Fig. 12. Ver artigo
Ambiguidade de profundidadeO que saber
MecanismoO eco de uma estrutura funda chega depois do pulso seguinte e é posto perto do transdutor
AspectoEcos falsos dentro de estrutura líquida grande (hidrocele, por exemplo)
CorreçãoBaixar a PRF (pulse repetition frequency: frequência de repetição de pulsos), aumentar a profundidade da imagem, menos zonas focais
Ambiguidade de profundidade, homem de 29 anos
Escroto: hidrocele com ecos falsos (seta) vindos da parede posterior.
Escroto: hidrocele com ecos falsos (seta) vindos da parede posterior.
Fonte: Baad M, Lu ZF, Reiser I, Paushter D. RadioGraphics 2017;37(5):1408–1423, Fig. 13. Ver artigo
o artefato que muda com o ângulo Espelho, refração, duplicação e sombra de borda mudam quando se troca o ângulo ou a janela. A lesão de verdade fica onde está.

Reforço e sombra acústica

A atenuação cresce quase linearmente com a frequência: água 0,02, fígado 0,4 e osso 20 dB/cm/MHz. O TGC supõe que todo tecido atenua igual; o que foge disso aparece como reforço ou sombra.

AtenuaçãoMecanismoNa prática
Reforço posteriorAtrás de algo que atenua pouco, o TGC compensa demaisSepara cisto de sólido · armadilha: lesão sólida homogênea de baixa atenuação também reforça
Sombra limpaCálculo grande, osso: a energia é absorvidaFaixa anecoica escura
Sombra parcialTecido que atenua muito (gordura) ou cálculo menor que o feixeFaixa hipoecogênica · zona focal na altura do cálculo
Sombra sujaGás: reflexões secundárias dentro da sombraEcos de baixa intensidade, como no ring-down
Reforço e sombra
Esquema: atrás do que atenua pouco (azul), o feixe chega forte e o tecido fica claro; atrás do que atenua muito (vermelho), fica escuro.
Esquema: atrás do que atenua pouco (azul), o feixe chega forte e o tecido fica claro; atrás do que atenua muito (vermelho), fica escuro.
Vesícula normal, mulher de 24 anos: reforço posterior (seta).
Vesícula normal, mulher de 24 anos: reforço posterior (seta).
Mulher de 41 anos: sombra limpa atrás de um cálculo grande (seta).
Mulher de 41 anos: sombra limpa atrás de um cálculo grande (seta).
Homem de 64 anos: vesícula cheia de cálculos pequenos, cujas sombras não se separam (seta).
Homem de 64 anos: vesícula cheia de cálculos pequenos, cujas sombras não se separam (seta).
Mulher de 47 anos: sombra suja de uma alça com gás (ponta de seta) ao lado da sombra limpa da vesícula cheia de cálculos (seta).
Mulher de 47 anos: sombra suja de uma alça com gás (ponta de seta) ao lado da sombra limpa da vesícula cheia de cálculos (seta).
Fonte: Baad M, Lu ZF, Reiser I, Paushter D. RadioGraphics 2017;37(5):1408–1423, Fig. 14. Ver artigo
A sombraAumenta comDiminui com
Do cálculoFrequência alta, harmônica, zona focal no cálculoZona focal mal posta, feixe largo, composição espacial
Cálculo renal num fantoma
Modo fundamental: sombra (seta).
Modo fundamental: sombra (seta).
Com composição espacial: a sombra fica mais larga e mais fraca (seta).
Com composição espacial: a sombra fica mais larga e mais fraca (seta).
Fonte: Baad M, Lu ZF, Reiser I, Paushter D. RadioGraphics 2017;37(5):1408–1423, Fig. 15. Ver artigo
o cálculo sem sombra A sombra é o que separa cálculo móvel de pólipo fixo e de bola de barro móvel, e o que mostra o cálculo no colédoco distal e no rim, junto de estruturas ecogênicas. Se a sombra não aparece, ponha a zona focal no foco, aumente a frequência e desligue a composição antes de dizer que não há.

Imagem harmônica

O tecido não é linear: a onda anda mais rápido na compressão que na rarefação e se deforma, passando energia da frequência fundamental para as harmônicas (2 MHz gera 4 MHz, 6 MHz...). O aparelho transmite na fundamental e recebe só a 2ª harmônica.

HarmônicaO que saber
ForçaA 2ª harmônica tem 1/10 a 1/100 da potência da fundamental · cresce com o quadrado da pressão
Onde nasceAlguns centímetros abaixo da pele, mais forte no centro: um feixe mais estreito
Como separa a fundamentalFiltro de frequência (perde resolução axial) ou inversão de pulso (pulso e pulso invertido; melhor resolução, menos quadros por segundo)
GanhosMenos lobos laterais e de grade · resolução lateral e elevacional melhores · menos ruído de aberração e de reverberação nas camadas superficiais (melhor com muita gordura) · agulha mais visível
CustosTaxa de quadros até pela metade (48 para 37 quadros/s a 3,5 cm no fantoma) · menos penetração: campo distante escuro
ArtefatosSombra e reforço aumentam · sombra de borda do cisto também
DopplerMuda só a parte em modo B
Fígado sem e com harmônica e composição
As duas desligadas: camadas superficiais (chave e detalhe) contaminadas por ruído cinza; reverberação dentro das estruturas anecoicas (setas).
As duas desligadas: camadas superficiais (chave e detalhe) contaminadas por ruído cinza; reverberação dentro das estruturas anecoicas (setas).
As duas ligadas: camadas separadas, menos reverberação (setas) e parênquima mais liso.
As duas ligadas: camadas separadas, menos reverberação (setas) e parênquima mais liso.
Doppler colorido: o fluxo não usa os dois modos, mas o fundo em modo B usa.
Doppler colorido: o fluxo não usa os dois modos, mas o fundo em modo B usa.
Fonte: Fahrenholtz SJ, Hamdani K, Ausmus J, et al. RadioGraphics 2026;46(9):e250157, Fig. 3. Ver artigo
Cisto superficial simulado, sem e com harmônica (o título em inglês está gravado na imagem)
Sem harmônica: reverberação forte entre o cisto e a superfície (seta).
Sem harmônica: reverberação forte entre o cisto e a superfície (seta).
Com harmônica: menos reverberação (seta), sombras de borda maiores e fundo escuro pela perda de penetração.
Com harmônica: menos reverberação (seta), sombras de borda maiores e fundo escuro pela perda de penetração.
Fonte: Fahrenholtz SJ, Hamdani K, Ausmus J, et al. RadioGraphics 2026;46(9):e250157, Fig. 5. Ver artigo
quando desligar a harmônica Quando falta profundidade, quando a sombra ou o reforço escondem o que se quer ver, e para movimento rápido ou sutil. Para ir mais fundo, baixar a frequência fundamental pode bastar.

Composição espacial e as duas juntas

A composição espacial soma numa imagem só os quadros feitos com o feixe inclinado em vários ângulos (em geral 3 a 9). O ganho é maior onde todos os feixes se cruzam, no centro; as bordas ficam mais ruidosas.

Composição espacialO que saber
GanhosMenos speckle e ruído · bordas mais nítidas (mais reflexões especulares voltam) · menos anisotropia no sentido lateral · agulha íngreme mais visível
CustosMenos sombra e menos reforço (o feixe inclinado passa por baixo do objeto) e sombra mais larga · cauda de cometa e ring-down mais largos e fracos · borrão de movimento
ParâmetrosNúmero de ângulos, ângulo máximo, média ou máximo, foco: efeito pequeno no fantoma do artigo
Como a composição espacial monta a imagem
O transdutor faz um quadro em cada ângulo e soma ao anterior. A soma deixa visíveis estruturas de baixo contraste (setas) ao tirar ruído e speckle; o ganho é ma
O transdutor faz um quadro em cada ângulo e soma ao anterior. A soma deixa visíveis estruturas de baixo contraste (setas) ao tirar ruído e speckle; o ganho é maior onde todos os feixes se cruzam, e as bordas laterais ficam mais ruidosas.
Fonte: Fahrenholtz SJ, Hamdani K, Ausmus J, et al. RadioGraphics 2026;46(9):e250157, Fig. 7. Ver artigo
Efeito no artefatoHarmônicaComposiçãoAs duas
Sombra e reforçoAumentamDiminuemDepende: a composição vence em objeto pequeno e superficial
Speckle e ruídoPouco efeito (o artigo conta como contraste)DiminuemDiminuem mais
Ruído de aberração e reverberaçãoDiminuiPode aumentarDiminui
Resolução lateral e elevacionalMelhoraNeutraMelhora
Taxa de quadros e movimentoCaiBorrão de persistênciaSoma as duas perdas
Cálculo superficial simulado (títulos em inglês gravados na imagem)
Sem harmônica nem composição: sombra evidente.
Sem harmônica nem composição: sombra evidente.
Com composição: a sombra quase some e se espalha para os lados.
Com composição: a sombra quase some e se espalha para os lados.
Com as duas: um pouco mais escura que só com a composição.
Com as duas: um pouco mais escura que só com a composição.
Fonte: Fahrenholtz SJ, Hamdani K, Ausmus J, et al. RadioGraphics 2026;46(9):e250157, Fig. 9. Ver artigo
Biópsia de lesão lipomatosa da coxa
Sem harmônica nem composição: a agulha quase não se vê.
Sem harmônica nem composição: a agulha quase não se vê.
Com harmônica: agulha mais visível e sombra sob ela mais forte.
Com harmônica: agulha mais visível e sombra sob ela mais forte.
Com composição: o feixe inclinado devolve a reflexão especular da agulha.
Com composição: o feixe inclinado devolve a reflexão especular da agulha.
Com as duas: a melhor, com as duas superfícies da agulha visíveis.
Com as duas: a melhor, com as duas superfícies da agulha visíveis.
Fonte: Fahrenholtz SJ, Hamdani K, Ausmus J, et al. RadioGraphics 2026;46(9):e250157, Fig. 6. Ver artigo
Biópsia de rim transplantado (títulos em inglês gravados na imagem)
As duas desligadas: agulha difícil de ver (seta) e superfície do rim mal definida (*) pela reverberação superficial.
As duas desligadas: agulha difícil de ver (seta) e superfície do rim mal definida (*) pela reverberação superficial.
Só harmônica: menos reverberação e superfície anterior melhor (*); a agulha não aparece.
Só harmônica: menos reverberação e superfície anterior melhor (*); a agulha não aparece.
Só composição: superfícies e agulha melhores, mas parênquima menos hipoecogênico pela reverberação.
Só composição: superfícies e agulha melhores, mas parênquima menos hipoecogênico pela reverberação.
As duas: quase toda a superfície do rim definida e a agulha bem visível.
As duas: quase toda a superfície do rim definida e a agulha bem visível.
Fonte: Fahrenholtz SJ, Hamdani K, Ausmus J, et al. RadioGraphics 2026;46(9):e250157, Fig. 10. Ver artigo
a regra prática Deixe as duas ligadas por padrão. Desligue para procurar ou confirmar um artefato que faz o diagnóstico (sombra, reforço, cauda de cometa, ring-down) e para avaliar movimento rápido e fundo. O aparelho pode mudar sozinho o mapa de cinza, a faixa dinâmica e o filtro de speckle ao ligar ou desligar os modos.
+ complemento · os nomes nos aparelhos Cada fabricante dá um nome. Harmônica: Harmonics (Philips), Coded Harmonic Imaging (GE), Tissue Harmonic Imaging (Siemens, Canon, Samsung, Mindray e outros), TEI (Esaote). Composição: SonoCT (Philips), CrossXBeam (GE), SieClear (Siemens), ApliPure (Canon), iBeam (Mindray).

Pontos de prova: alto rendimento

Velocidade suposta1540 m/s
Gordura1450 m/s, estrutura posta mais funda
Dermoide de 5 cm na gorduraMede 5,25 cm
Resolução axialMetade do SPL, não muda com a profundidade
Pior resoluçãoElevacional (espessura do corte)
Lobo lateralPseudobarro na vesícula
PseudobarroMargem convexa, cai com o ganho
Lobos de gradeSomem se espaçamento < λ/2
ReverberaçãoLinhas paralelas a intervalos iguais
Cauda de cometaAdenomiomatose, coloide
Ring-downSó gás
EspelhoLesão hepática acima do diafragma
DuplicaçãoReto abdominal como lente
Ambiguidade de profundidadeBaixar a PRF
Atenuação do osso20 dB/cm/MHz
Sombra parcialZona focal no cálculo
Sombra sujaGás
HarmônicaMais sombra e reforço, menos penetração
ComposiçãoMenos sombra, menos speckle
Procurar sombra ou cometaDesligar a composição

Armadilhas e erros comuns

Erros

  • Chamar de barro os ecos do lobo lateral ou da espessura do corte
  • Chamar de debris a reverberação dentro do cisto
  • Ler a lesão em espelho como lesão do pulmão
  • Dizer que o cálculo não faz sombra com a composição ligada
  • Chamar de cisto toda lesão com reforço posterior
  • Medir lesão sob gordura espessa sem lembrar do erro de velocidade
  • Confundir sombra de borda com sombra de cálculo
  • Esperar ring-down de metal ou de cálcio

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Na vesícula, ecos em faixa com margem convexa que somem ao reposicionar o paciente e diminuem ao baixar o ganho. O mecanismo mais provável é:

É o pseudobarro: o eco do gás da alça vizinha, fora do eixo, chega por um lobo lateral (cerca de 1% da energia) e é posto dentro do feixe; só aparece no líquido. O barro verdadeiro tem margem plana, se acomoda com a posição e fica com o ganho baixo.
↑revisar esta parte do caderno · Feixe e resolução
Questão 2

Sobre a resolução axial no ultrassom, é correto afirmar que:

Duas interfaces se separam se estão a mais da metade do comprimento do pulso (SPL); frequência maior encurta o pulso. A resolução axial não muda com a profundidade. A largura do feixe governa a lateral, e a pior das três costuma ser a elevacional.
↑revisar esta parte do caderno · Feixe e resolução
Questão 3

Atrás de um foco ecogênico no hilo hepático há uma faixa contínua de bandas paralelas. O que esse artefato indica?

É o ring-down: vibração de bolhas de ar presas em tetraedro, que por definição vem de gás (pneumobilia, gás portal, pneumoperitônio). Cristais de colesterol, calcificação e metal dão cauda de cometa, por reverberação entre interfaces próximas.
↑revisar esta parte do caderno · Reverberação, cauda de cometa e ring-down
Questão 4

Paciente com subcutâneo muito espesso. Uma lesão abaixo dessa gordura tende a aparecer:

A gordura (1450 m/s) é cerca de 5% mais lenta que os 1540 m/s supostos: o eco chega tarde e o aparelho superestima a profundidade e a medida (um dermoide de 5 cm mede 5,25 cm). Ajustar a velocidade do som também melhora o foco.
↑revisar esta parte do caderno · Espelho, refração e velocidade do som
Questão 5

Cálculo renal pequeno sem sombra acústica com a composição espacial ligada. O ajuste que mais ajuda a mostrar a sombra é:

Na composição, os feixes inclinados passam por baixo do cálculo e preenchem a sombra. Desligar a composição, pôr a zona focal na altura do cálculo e subir a frequência (ou ligar a harmônica) deixam a sombra mais evidente.
↑revisar esta parte do caderno · Reforço e sombra acústica
Questão 6

Ao ligar a imagem harmônica de tecido, o que se espera?

A 2ª harmônica cai muito quando a fundamental cai um pouco: sombra e reforço aumentam. Em troca, perde-se penetração e taxa de quadros; os lobos de grade são suprimidos e a resolução lateral melhora.
↑revisar esta parte do caderno · Imagem harmônica
0/6acertos
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Fontes.
Baad M, Lu ZF, Reiser I, Paushter D. Clinical Significance of US Artifacts. RadioGraphics 2017;37(5):1408–1423. doi:10.1148/rg.2017160175
Fahrenholtz SJ, Hamdani K, Ausmus J, et al. US Tissue Harmonic and Spatial Compound Imaging: What Are They and How Do They Change the Image? RadioGraphics 2026;46(9):e250157

Os dois artigos divergem no efeito da harmônica sobre o speckle: Baad diz que diminui; Fahrenholtz conta a melhora como contraste, não como menos speckle. Os artefatos do Doppler (twinkling, aliasing) não estão nas fontes. Os esquemas com texto em inglês foram tirados; algumas imagens de comparação do segundo artigo trazem o título em inglês gravado na imagem (sem harmônica, composição). Conferido em 07/10/2026.

Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das mesmas fontes.