Cadernos QRad 74 · US de Rastreio no Recém-Nascido e US da Coluna
Pediatria · US do lactente

US de Rastreio no Recém-Nascido e US da Coluna

Fontes: El Omeiri et al: 2026 e Inarejos Clemente et al: 2023, RadioGraphics

Rastrear quem tem risco

Cerca de 1 em cada 33 nascidos vivos tem algum defeito congênito, mas rastrear todos os recém-nascidos com imagem não é recomendado: em quem tem baixo risco, só aumenta achados falsos, controles, ansiedade e intervenções sem melhorar o desfecho. O rastreio que vale é o dirigido: uma população com risco definido (prematuro, apresentação pélvica, estigma cutâneo lombossacral, dilatação urinária pré-natal, síndrome genética), um protocolo padronizado e um limiar claro para escalar.

O US é o método do primeiro ano: sem radiação, à beira do leito, sem sedação, dinâmico. E tem janelas que fecham: a fontanela anterior por volta dos 6 meses, os arcos posteriores da coluna depois de 3 a 4 meses, o quadril depois de 4 meses.

o que o rastreio precisa ter Doença com morbidade importante e fase pré-sintomática detectável, método com bom desempenho, tratamento precoce que muda o prognóstico, técnica e laudo padronizados, variantes normais reconhecidas e limiar definido para a próxima etapa. Sem isso, o rastreio só gera exames e encaminhamentos.

US transfontanela no prematuro

O risco de hemorragia da matriz germinativa, hemorragia intraventricular e leucomalácia é inverso à idade gestacional e maior em quem nasce com 30 semanas ou menos. A maioria das hemorragias acontece nas primeiras 72 horas.

QuemQuando
30 semanas ou menos7 a 10 dias de vida · 4 a 6 semanas (lesão da substância branca, leucomalácia cística) · idade a termo corrigida (ventrículos, perda tardia de substância branca)
Mais de 30 semanas com riscoAcidose grave, ventilação prolongada, instabilidade, descolamento de placenta, sepse: pelo menos um exame, de preferência em 7 a 14 dias
RMNão é rotina · em casos de alto risco, na idade a termo
Desenvolvimento do encéfalo no prematuro (nascido com 27 semanas)
Coronal aos 8 dias: encéfalo simplificado, homogêneo, quase sem sulcos e giros; cavo do septo pelúcido (asterisco).
Coronal aos 8 dias: encéfalo simplificado, homogêneo, quase sem sulcos e giros; cavo do septo pelúcido (asterisco).
Aos 2 meses: os giros aparecem junto da fissura inter-hemisférica (setas).
Aos 2 meses: os giros aparecem junto da fissura inter-hemisférica (setas).
Aos 4 meses: giração progressiva e cavo do septo fechado.
Aos 4 meses: giração progressiva e cavo do septo fechado.
Fonte: El Omeiri S, Escavy-Zamora EM et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260058, Fig. 1. Ver artigo
A janela que fecha, recém-nascido a termo
Coronal aos 3 dias: anatomia normal.
Coronal aos 3 dias: anatomia normal.
Aos 3 meses: a fontanela fechando já limita a periferia dos lobos parietais e temporais (setas).
Aos 3 meses: a fontanela fechando já limita a periferia dos lobos parietais e temporais (setas).
Aos 6 meses: a fossa posterior e as estruturas profundas quase não se veem (setas).
Aos 6 meses: a fossa posterior e as estruturas profundas quase não se veem (setas).
Fonte: El Omeiri S, Escavy-Zamora EM et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260058, Fig. 2. Ver artigo
Grau (Papile)USImplicação
IMatriz germinativa só: foco ecogênico no sulco caudotalâmico, sem sangue no ventrículoMenor risco; a maioria some
IISangue no ventrículo (menos de 50%), sem dilataçãoBaixo risco
IIICoágulo de 50% ou mais, com dilatação ventricularRisco alto de hidrocefalia pós-hemorrágica · US a cada 3 a 7 dias
IVInfarto hemorrágico periventricular (venoso, não extensão do sangue): hiperecogenicidade em leque, em geral de um lado, do mesmo lado da hemorragia; pode virar cisto porencefálicoMaior risco · alteração motora
Grau I, recém-nascido de 4 dias (35 semanas)
Parassagital direito: foco ecogênico no sulco caudotalâmico (seta).
Parassagital direito: foco ecogênico no sulco caudotalâmico (seta).
Parassagital esquerdo: sulco caudotalâmico normal (seta), para comparar.
Parassagital esquerdo: sulco caudotalâmico normal (seta), para comparar.
Coronal: a assimetria do foco (seta), hemorragia restrita à região subependimária.
Coronal: a assimetria do foco (seta), hemorragia restrita à região subependimária.
Fonte: El Omeiri S, Escavy-Zamora EM et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260058, Fig. 3. Ver artigo
Graus III e IV, menina de 1 dia (25 semanas)
Coronal: grande hemorragia do ventrículo lateral esquerdo para o lobo parietal (setas brancas); à direita, sangue no corno temporal (seta preta) com ventrículo
Coronal: grande hemorragia do ventrículo lateral esquerdo para o lobo parietal (setas brancas); à direita, sangue no corno temporal (seta preta) com ventrículo dilatado (asterisco).
Sagital direito: grau III (seta).
Sagital direito: grau III (seta).
Sagital esquerdo: grau IV, infarto hemorrágico periventricular (setas).
Sagital esquerdo: grau IV, infarto hemorrágico periventricular (setas).
Fonte: El Omeiri S, Escavy-Zamora EM et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260058, Fig. 4. Ver artigo
técnica do US transfontanela Pela fontanela anterior, com transdutor setorial ou microconvexo (5 a 12 MHz), angulando (não deslizando) do frontal ao occipital no coronal, e sagital e parassagitais. Repita com o linear de alta frequência para córtex e espaços extra-axiais (pressão leve: apertar apaga coleção subdural pequena). Mastoide e fontanela posterior mostram a fossa posterior e os seios. Corno anterior normal: menos de 3 mm; meça sempre igual para acompanhar a dilatação. Matriz germinativa e hemorragia intraventricular não são sinônimos: o grau I fica fora do ventrículo.

US da coluna

É o exame de escolha para rastrear disrafismo fechado no recém-nascido, enquanto os arcos posteriores não ossificaram: até 3 a 4 meses. A indicação depende do risco cutâneo.

RiscoAchadosConduta
BaixoFosseta sacral típica (linha média, a menos de 2,5 cm do ânus, menos de 5 mm, sem massa) · hipertricose leve · mancha mongólica · malformação capilar ou hemangioma pequenos · nevoSem US; seguimento clínico
IntermediárioFosseta atípica (a mais de 2,5 cm do ânus, maior que 5 mm, profunda, fora da linha média) · prega glútea desviada · hipertricose intensaUS no primeiro mês; normal, para; alterado, RM
AltoSeio dérmico · lipoma subcutâneo · apêndice cutâneo · duas ou mais lesões cutâneas · hemangioma lombossacral segmentarUS e RM; alterado, neurocirurgia
Outras indicaçõesVACTERL (associação de anomalias vertebrais, anorretais, cardíacas, traqueoesofágicas, renais e dos membros), extrofia, regressão caudal e anomalia anorretal · bexiga neurogênica no US renal · fraqueza dos membros inferioresUS (RM se alterado)
a fosseta típica não pede US Só 0,3% das fossetas típicas se associam a disrafismo; nas atípicas, 4 a 5%. Por isso o US não está indicado na fosseta típica.
NormalReferência
ContagemT12 = última costela; ângulo lombossacral em L5-S1 (S1 arredondado); o saco dural termina em S2; cóccix ainda cartilaginoso · use os dois sentidos: a discordância é comum (11 ou 13 costelas)
Cone medularEm L1-L2, aceitável até L2-L3 · afilado, no terço médio do canal · no axial, na altura do meio dos rins
Filamento terminalLinha ecogênica de até 2 mm em L5-S1
MovimentoCone, filamento e raízes oscilam com o pulso e a respiração (modo B em dois planos; modo M opcional) · some na medula presa
TécnicaLinear de 10 a 18 MHz, decúbito ventral com travesseiro sob a pelve (ou lateral), gel morno; sagital de baixo para cima, depois axial · almofada de gel para a fosseta
Coluna lombossacral normal, menino de 4 semanas com hemangioma lombar
Sagital panorâmico: vértebras de T12 a S5 identificadas pela curvatura lombossacral (L5) e pelo S1 arredondado; cone de forma normal terminando em L2. O hemangi
Sagital panorâmico: vértebras de T12 a S5 identificadas pela curvatura lombossacral (L5) e pelo S1 arredondado; cone de forma normal terminando em L2. O hemangioma não se estende em profundidade.
Fonte: El Omeiri S, Escavy-Zamora EM et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260058, Fig. 5. Ver artigo
Variante normalComo é
Dilatação transitória do canal centralSome nas primeiras semanas
Ventrículo terminalCisto ependimário oval na ponta do cone, 8 a 10 mm por 2 a 4 mm
Cisto do filamentoFora e abaixo do cone (não é o ventrículo terminal)
Pseudomassa da cauda equinaRaízes agrupadas em decúbito lateral; somem em decúbito ventral
PseudosseioTrato fibroso da fosseta até o cóccix, sem chegar ao saco dural · sem importância
Dilatação transitória do canal central
Sagital: canal central um pouco dilatado (seta) num recém-nascido saudável. Costuma sumir nas primeiras semanas.
Sagital: canal central um pouco dilatado (seta) num recém-nascido saudável. Costuma sumir nas primeiras semanas.
Fonte: Inarejos Clemente EJ et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220136, apresentação, slide 16. Ver artigo
Ventrículo terminal
Sagital: cisto ependimário oval na transição da ponta do cone para o filamento terminal (seta), de 8 a 10 mm por 2 a 4 mm.
Sagital: cisto ependimário oval na transição da ponta do cone para o filamento terminal (seta), de 8 a 10 mm por 2 a 4 mm.
Fonte: Inarejos Clemente EJ et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220136, apresentação, slide 17. Ver artigo
Cisto do filamento
Cisto fora e abaixo do cone (setas), em sagital, axial e com Doppler. Não confundir com o ventrículo terminal.
Cisto fora e abaixo do cone (setas), em sagital, axial e com Doppler. Não confundir com o ventrículo terminal.
Fonte: Inarejos Clemente EJ et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220136, apresentação, slide 18. Ver artigo
Disrafismo fechadoUS
Medula presaCone abaixo de L2-L3, sem afilamento, deslocado para trás, sem oscilação · causa mais comum: lipomas
Seio dérmicoTrajeto hipoecogênico da pele ao canal, em geral acima do cóccix, às vezes com tenda do saco dural · risco de meningite · pode ter lipoma, dermoide, cone baixo
Fibrolipoma do filamentoFilamento grosso (mais de 2 mm) e hiperecogênico · 1,5 a 5% dos assintomáticos: sem medula presa, é variante
Lipoma intraespinalMassa hiperecogênica no canal · 20 a 50% dos disrafismos ocultos, forte associação com medula presa
Lipomielocele × lipomielomeningoceleInterface placoide-lipoma dentro do canal × fora dele, com expansão do espaço subaracnóideo
MeningoceleMassa cística anecoica por herniação das meninges
Mielocistocele terminalDilatação cística do canal central herniando para trás · complexo OEIS (onfalocele, extrofia de cloaca, ânus imperfurado e anomalias da coluna)
Medula presa, recém-nascido de 1 dia com apêndice caudal
Sagital: cone baixo, em S1 (seta), e filamento grosso (setas duplas) em posição antidependente além de S4-S5; siringomielia (asterisco).
Sagital: cone baixo, em S1 (seta), e filamento grosso (setas duplas) em posição antidependente além de S4-S5; siringomielia (asterisco).
Detalhe da junção lombossacral: o filamento grosso (losangos) passa por um defeito posterior; siringomielia (asterisco).
Detalhe da junção lombossacral: o filamento grosso (losangos) passa por um defeito posterior; siringomielia (asterisco).
Fonte: El Omeiri S, Escavy-Zamora EM et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260058, Fig. 6. Ver artigo
Seio dérmico, menina de 2 dias
US: trajeto hipoecogênico da pele ao canal (setas), com tenda do saco dural. Na RM do mesmo caso, o trajeto entrava no canal por um defeito em L4 e o cone termi
US: trajeto hipoecogênico da pele ao canal (setas), com tenda do saco dural. Na RM do mesmo caso, o trajeto entrava no canal por um defeito em L4 e o cone terminava baixo, em L3.
Fonte: Inarejos Clemente EJ et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220136, apresentação, slide 36. Ver artigo
Fibrolipoma do filamento terminal, recém-nascido com fosseta típica
Axial e sagitais: filamento terminal grosso e hiperecogênico (setas vermelhas), preso posteriormente (setas brancas).
Axial e sagitais: filamento terminal grosso e hiperecogênico (setas vermelhas), preso posteriormente (setas brancas).
Fonte: Inarejos Clemente EJ et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220136, apresentação, slide 37. Ver artigo
Lipomielocele, menina de 1 mês com fosseta atípica
Sagital reconstruído: lipoma intradural (pontilhado); arcos posteriores das vértebras lombares altas presentes (setas brancas) e ausentes no sacro (setas vermel
Sagital reconstruído: lipoma intradural (pontilhado); arcos posteriores das vértebras lombares altas presentes (setas brancas) e ausentes no sacro (setas vermelhas).
Outro corte do mesmo exame, com o lipoma intradural.
Outro corte do mesmo exame, com o lipoma intradural.
Fonte: Inarejos Clemente EJ et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220136, apresentação, slide 40. Ver artigo
+ complemento · outros usos do US da coluna No lactente pequeno, o US também mostra hematoma epidural depois de punção lombar difícil (hiperecogênico no agudo, heterogêneo e hipoecogênico depois), abscesso epidural e tumores intraespinais, que são raros e quase sempre benignos. O disrafismo aberto (mielomeningocele) não é assunto do US pós-natal.
Hematoma epidural depois de punção lombar, menina de 27 dias
Sagital: material ecogênico no espaço epidural (setas) depois de quatro tentativas de punção. CM: cone medular; CE: cauda equina.
Sagital: material ecogênico no espaço epidural (setas) depois de quatro tentativas de punção. CM: cone medular; CE: cauda equina.
Fonte: Inarejos Clemente EJ et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220136, apresentação, slide 51. Ver artigo
Hematoma epidural subagudo, menina de 5 dias
Doppler colorido: material heterogêneo e avascular no espaço epidural, com áreas hipoecogênicas da fase subaguda (setas).
Doppler colorido: material heterogêneo e avascular no espaço epidural, com áreas hipoecogênicas da fase subaguda (setas).
Fonte: Inarejos Clemente EJ et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220136, apresentação, slide 52. Ver artigo
Lipoblastoma epidural, menina de 14 dias com mioclonias
US sagital do canal torácico: massa hiperecogênica no espaço epidural posterior (setas) comprimindo a medula (C) · RM sagital T2: massa hiperintensa cervical e
US sagital do canal torácico: massa hiperecogênica no espaço epidural posterior (setas) comprimindo a medula (C) · RM sagital T2: massa hiperintensa cervical e torácica comprimindo a medula. A biópsia confirmou lipoblastoma.
Fonte: Inarejos Clemente EJ et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220136, apresentação, slide 54. Ver artigo

Fígado: hemangiomas cutâneos múltiplos

O lactente com três ou mais hemangiomas cutâneos tem mais hemangioma hepático infantil. O US vai na fase proliferativa, entre 1 e 3 meses.

PadrãoUSRisco e conduta
FocalNódulo únicoMinoria · controle por US
MultifocalVários nódulos hipoecogênicos bem definidos · o padrão mais comum com hemangiomas cutâneosLimitado e sem repercussão: US seriado
DifusoFígado substituído, heterogêneo, hepatomegaliaInsuficiência cardíaca de alto débito, hipertensão pulmonar, hipotireoidismo de consumo (deiodinase tipo 3) · tratamento sistêmico, em geral propranolol
Hemangiomas hepáticos, menino de 11 semanas com hemangiomas cutâneos múltiplos
US transversal: duas lesões hipoecogênicas (setas).
US transversal: duas lesões hipoecogênicas (setas).
US com contraste, fase arterial: realce periférico de uma delas (seta).
US com contraste, fase arterial: realce periférico de uma delas (seta).
Fase portal: preenchimento centrípeto completo.
Fase portal: preenchimento centrípeto completo.
Fase tardia: continua mais ecogênica que o fígado.
Fase tardia: continua mais ecogênica que o fígado.
Fase parenquimatosa tardia: outras lesões (setas) que retêm o contraste.
Fase parenquimatosa tardia: outras lesões (setas) que retêm o contraste.
Outras lesões (seta).
Outras lesões (seta).
Outras lesões (setas).
Outras lesões (setas).
Outras lesões (setas). O conjunto confirma hemangiomas.
Outras lesões (setas). O conjunto confirma hemangiomas.
Fonte: El Omeiri S, Escavy-Zamora EM et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260058, Fig. 7. Ver artigo
o Doppler mostra o que importa Artérias hepáticas calibrosas e ondas de baixa resistência indicam shunt arteriovenoso, que é o que leva à insuficiência cardíaca. O US com contraste ajuda a caracterizar (realce periférico com preenchimento centrípeto), e a RM fica para os casos duvidosos. Em tratamento, US a cada 4 a 6 semanas; a maioria involui até 12 a 18 meses.

Rins: dilatação urinária pré-natal e síndromes

A dilatação do trato urinário (DTU) aparece em 1 a 5% das gestações. O primeiro US pós-natal deve ser feito depois de 48 horas: no 1º dia, a oligúria fisiológica subestima a dilatação.

Risco pós-natalAchadosConduta
P1 (baixo)Diâmetro anteroposterior da pelve pouco aumentado, cálices centraisRepetir o US em 4 a 6 semanas
P2 (intermediário)Pelve maior, cálices periféricos, ou ureter dilatadoReavaliar antes e considerar outros exames
P3 (alto)Além disso, parênquima fino ou ecogênico, ou bexiga alteradaUretrocistografia miccional (ou US miccional com contraste), cintilografia ou urorressonância
o que muda a conduta Meça o diâmetro anteroposterior da pelve e descreva cálices, ureteres, parênquima e bexiga: é com eles que a classificação estratifica. Examine também em decúbito ventral, que reclassifica para cima cerca de 10% dos pacientes. Ureter de 7 mm ou mais aumenta o risco de infecção urinária febril.
SíndromeRim
VACTERLDilatação, agenesia, ectopia, displasia, refluxo
Anomalia anorretalRefluxo e dilatação alta
Brânquio-oto-renalHipodisplasia, assimetria
CHARGE (coloboma, cardiopatia, atresia de coanas, atraso de crescimento e desenvolvimento, anomalias genitais e da orelha)Agenesia, hipoplasia, duplicidade
Townes-BrocksAgenesia, hipoplasia, cistos, evolução para doença renal crônica
HNF1B (gene do fator nuclear 1-beta do hepatócito)Hipodisplasia bilateral, cistos
GoldenharAnomalias renais e genitais em cerca de 11%
Complexo OEIS, menino de 1 dia
US sagital da coluna: disrafismo fechado lombossacral, com medula baixa e presa (seta) saindo pelo defeito e espaço cístico dilatado (asterisco): mielocistocele
US sagital da coluna: disrafismo fechado lombossacral, com medula baixa e presa (seta) saindo pelo defeito e espaço cístico dilatado (asterisco): mielocistocele terminal complexa.
US da loja renal direita: rim ausente, com a adrenal "deitada" (seta).
US da loja renal direita: rim ausente, com a adrenal "deitada" (seta).
Fonte: El Omeiri S, Escavy-Zamora EM et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260058, Fig. 9. Ver artigo

Sem rim na loja, procure na pelve e na linha média (ectopia, ectopia cruzada fundida); com rim único, veja se há hipertrofia compensadora.

Quadril: displasia do desenvolvimento

O US é o método antes dos 4 meses; depois, a radiografia. Rastreio seletivo para apresentação pélvica, parente de 1º grau com displasia e exame alterado (Ortolani, Barlow, abdução limitada, pregas assimétricas); alguns países europeus fazem rastreio universal, ainda debatido.

PontoO que saber
Quando4 a 6 semanas com fator de risco e exame normal (antes disso, imaturidade fisiológica e hormônios maternos) · na hora se houver instabilidade no exame
GrafCoronal neutro, ílio reto: ângulo α (teto ósseo) de 60° ou mais e β (lábio cartilaginoso) abaixo de 55°; cobertura da cabeça acima de 50%
EstabilidadeTransversal em flexão com estresse, em tempo real · morfologia e estabilidade são independentes: só a morfologia perde instabilidade
CondutaImaturo estável: US de controle curto · displásico ou instável: órtese de abdução, US a cada 6 a 8 semanas, ortopedia
PélvicoRadiografia aos 6 meses mesmo com US normal · índice acetabular abaixo de 30° é normal
Quadril normal
Coronal neutro: boa cobertura da cabeça do fêmur (asterisco); trocânter maior (#).
Coronal neutro: boa cobertura da cabeça do fêmur (asterisco); trocânter maior (#).
As linhas dos ângulos: α, entre o teto acetabular e o ílio, maior que 60°; β, entre o ílio e o lábio, menor que 55°. A cobertura passa de 50% da altura da cabeç
As linhas dos ângulos: α, entre o teto acetabular e o ílio, maior que 60°; β, entre o ílio e o lábio, menor que 55°. A cobertura passa de 50% da altura da cabeça.
Fonte: El Omeiri S, Escavy-Zamora EM et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260058, Fig. 10. Ver artigo
Displasia do quadril, menino de 2 semanas nascido em apresentação pélvica
Coronal neutro: cobertura da cabeça (asterisco) diminuída e acetábulo arredondado (seta); α de 50°.
Coronal neutro: cobertura da cabeça (asterisco) diminuída e acetábulo arredondado (seta); α de 50°.
Coronal em flexão: ílio arredondado (seta) e pulvinar proeminente (#).
Coronal em flexão: ílio arredondado (seta) e pulvinar proeminente (#).
Fonte: El Omeiri S, Escavy-Zamora EM et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260058, Fig. 11. Ver artigo

Síndromes de predisposição a tumor

SíndromeRastreioProcurar
Li-Fraumeni (TP53)US de abdome e pelve a cada 3 a 4 meses + RM de corpo inteiro anual (protocolo de Toronto) · sem radiação ionizanteCarcinoma adrenocortical: adrenal assimétrica ou massa heterogênea vascularizada
Beckwith-Wiedemann (11p15.5)US a cada 3 meses até 7 a 8 anos + alfafetoproteína a cada 3 meses até 3 a 4 anos · risco de tumor de 5 a 10%Hepatoblastoma (massa hepática heterogênea, vascularizada) · tumor de Wilms (massa, deformidade do contorno, assimetria que aumenta)
a comparação é o exame O paciente é assintomático: o que denuncia o tumor é a mudança em relação ao exame anterior. Compare sempre. Alfafetoproteína subindo sem lesão visível, ou achado duvidoso, vai para RM.
Hepatoblastoma achado no rastreio, menino de 4 meses com Beckwith-Wiedemann
US sagital e transversal: lesão pequena de ecogenicidade mista no lobo esquerdo (setas).
US sagital e transversal: lesão pequena de ecogenicidade mista no lobo esquerdo (setas).
Doppler colorido: vascularização interna (seta).
Doppler colorido: vascularização interna (seta).
US com contraste, fase arterial tardia: realce precoce (seta).
US com contraste, fase arterial tardia: realce precoce (seta).
Fase tardia: lavagem relativa (seta).
Fase tardia: lavagem relativa (seta).
RM T2: margens irregulares (seta).
RM T2: margens irregulares (seta).
RM T1 com contraste, fase venosa: lavagem (seta).
RM T1 com contraste, fase venosa: lavagem (seta).
Fase hepatobiliar: sem captação (seta).
Fase hepatobiliar: sem captação (seta).
Fonte: El Omeiri S, Escavy-Zamora EM et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260058, Fig. 12. Ver artigo

Pontos de prova: alto rendimento

RastreioDirigido ao risco, não universal
Fontanela anteriorFecha por volta de 6 meses
Prematuro ≤ 30 semanas7–10 dias · 4–6 semanas · termo corrigido
Grau ISulco caudotalâmico, sem sangue no ventrículo
Grau IIICoágulo ≥ 50% com dilatação
Grau IVInfarto hemorrágico periventricular (venoso)
Corno anterior< 3 mm
US da colunaAté 3–4 meses
Fosseta típicaSem US (0,3%)
Fosseta atípica> 2,5 cm do ânus, > 5 mm · 4–5%
ConeAté L2-L3
Filamento≤ 2 mm em L5-S1
Medula presaCone baixo, sem afilamento, sem oscilação
Ventrículo terminalCisto na ponta do cone, variante
PseudosseioAté o cóccix, sem importância
Seio dérmicoTrajeto até o canal · RM
Hemangiomas cutâneos≥ 3: US do fígado em 1–3 meses
Hemangioma hepático difusoAlto débito, hipotireoidismo
DTU pré-natalUS depois de 48 horas
DTU P1Repetir em 4–6 semanas
Ureter ≥ 7 mmMais infecção febril
Decúbito ventralReclassifica 10% para cima
QuadrilUS até 4 meses · 4–6 semanas
Grafα ≥ 60° · β < 55°
PélvicoRadiografia aos 6 meses
Li-FraumeniUS a cada 3–4 meses + RM anual
Beckwith-WiedemannUS a cada 3 meses + alfafetoproteína

Armadilhas e erros comuns

Erros

  • Rastrear todo recém-nascido com imagem
  • Fazer o US renal no 1º dia de vida
  • Pedir US para fosseta sacral típica
  • Deixar o US da coluna para depois dos 4 meses
  • Contar as vértebras por um só sentido
  • Chamar de seio dérmico o pseudosseio que acaba no cóccix
  • Chamar ventrículo terminal de siringomielia
  • Fazer o US do quadril antes de 4 semanas e chamar imaturidade de displasia
  • Avaliar só a morfologia do quadril, sem estresse
  • Dispensar a radiografia aos 6 meses no pélvico com US normal
  • Não comparar com o exame anterior no rastreio de tumor

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Prematuro de 27 semanas. O US transfontanela mostra hiperecogenicidade em leque na substância branca periventricular de um lado, do mesmo lado de uma hemorragia intraventricular. Pela classificação de Papile, é grau:

O grau IV é o infarto hemorrágico periventricular, venoso, e não extensão direta do sangue: hiperecogenicidade em leque, em geral de um lado, do mesmo lado da hemorragia, que pode virar cisto porencefálico. O grau I fica no sulco caudotalâmico, o II tem sangue no ventrículo sem dilatação e o III, coágulo com dilatação.
↑revisar esta parte do caderno · US transfontanela no prematuro
Questão 2

Recém-nascido com fosseta sacral na linha média, a 1 cm do ânus, de 3 mm, sem massa nem outros achados na pele. A conduta é:

É uma fosseta típica: linha média, a menos de 2,5 cm do ânus, menos de 5 mm e sem massa. Só 0,3% se associam a disrafismo, e o US não está indicado. A fosseta atípica (longe do ânus, grande, fora da linha média) vai para US no primeiro mês; aos 6 meses os arcos já ossificaram e a janela fechou.
↑revisar esta parte do caderno · US da coluna
Questão 3

No US da coluna de um lactente de 1 mês, qual achado sugere medula presa?

Cone abaixo de L2-L3, sem afilamento e sem a oscilação normal com o pulso e a respiração é medula presa. Cone em L1-L2 é normal; o cisto na ponta do cone é o ventrículo terminal, variante; filamento até 2 mm é normal; o trato até o cóccix é pseudosseio, sem importância.
↑revisar esta parte do caderno · US da coluna
Questão 4

Recém-nascido com dilatação da pelve renal no pré-natal. Quando fazer o primeiro US pós-natal?

Nas primeiras 48 horas a oligúria fisiológica e a filtração baixa subestimam a dilatação e dão falso negativo. O US vai depois de 48 horas; na dilatação leve (P1), repete em 4 a 6 semanas, e nas moderadas e graves a reavaliação é mais precoce.
↑revisar esta parte do caderno · Rins: dilatação urinária pré-natal e síndromes
Questão 5

Menina nascida em apresentação pélvica, exame do quadril normal. Qual é o seguimento recomendado?

Apresentação pélvica é fator de risco: US com 4 a 6 semanas (antes disso a imaturidade fisiológica confunde) e, no pélvico, radiografia aos 6 meses mesmo com US normal, porque pode haver displasia residual. Na 1ª semana o US superestima a imaturidade; ao nascer, a cabeça do fêmur não está ossificada para a radiografia.
↑revisar esta parte do caderno · Quadril: displasia do desenvolvimento
Questão 6

Lactente com síndrome de Beckwith-Wiedemann. O rastreio recomendado é:

Na Beckwith-Wiedemann (risco de tumor de 5 a 10%), US do abdome a cada 3 meses até 7 a 8 anos e alfafetoproteína a cada 3 meses até 3 a 4 anos, atrás de hepatoblastoma e tumor de Wilms. RM de corpo inteiro anual com US a cada 3 a 4 meses é o protocolo da Li-Fraumeni.
↑revisar esta parte do caderno · Síndromes de predisposição a tumor
0/6acertos
Responda as questões acima para ver o desempenho.
Praticar no QRad →
Teclas 1–5 respondem a questão visível · → ou Enter avança · ← volta · Shift+número ou botão direito risca uma alternativa.

Cadernos relacionados

Fontes.
El Omeiri S, Escavy-Zamora EM, Miranda-Schaeubinger M, et al. Targeted US Screening in High-Risk Newborns and Infants: Indications, Techniques, and Disease Findings. RadioGraphics 2026;46(10):e260058. doi:10.1148/rg.260058
Inarejos Clemente EJ, Navallas Irujo M, Navarro OM, et al. US of the Spine in Neonates and Infants: A Practical Guide. RadioGraphics 2023;43(6):e220136. doi:10.1148/rg.220136 (artigo e apresentação de slides)

Os intervalos de rastreio são os das diretrizes citadas nos artigos (norte-americanas e europeias). Conferido em 06/10/2026.

Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das mesmas fontes.