Prematuro de 27 semanas. O US transfontanela mostra hiperecogenicidade em leque na substância branca periventricular de um lado, do mesmo lado de uma hemorragia intraventricular. Pela classificação de Papile, é grau:
US de Rastreio no Recém-Nascido e US da Coluna
Rastrear quem tem risco
Cerca de 1 em cada 33 nascidos vivos tem algum defeito congênito, mas rastrear todos os recém-nascidos com imagem não é recomendado: em quem tem baixo risco, só aumenta achados falsos, controles, ansiedade e intervenções sem melhorar o desfecho. O rastreio que vale é o dirigido: uma população com risco definido (prematuro, apresentação pélvica, estigma cutâneo lombossacral, dilatação urinária pré-natal, síndrome genética), um protocolo padronizado e um limiar claro para escalar.
O US é o método do primeiro ano: sem radiação, à beira do leito, sem sedação, dinâmico. E tem janelas que fecham: a fontanela anterior por volta dos 6 meses, os arcos posteriores da coluna depois de 3 a 4 meses, o quadril depois de 4 meses.
US transfontanela no prematuro
O risco de hemorragia da matriz germinativa, hemorragia intraventricular e leucomalácia é inverso à idade gestacional e maior em quem nasce com 30 semanas ou menos. A maioria das hemorragias acontece nas primeiras 72 horas.
| Quem | Quando |
|---|---|
| 30 semanas ou menos | 7 a 10 dias de vida · 4 a 6 semanas (lesão da substância branca, leucomalácia cística) · idade a termo corrigida (ventrículos, perda tardia de substância branca) |
| Mais de 30 semanas com risco | Acidose grave, ventilação prolongada, instabilidade, descolamento de placenta, sepse: pelo menos um exame, de preferência em 7 a 14 dias |
| RM | Não é rotina · em casos de alto risco, na idade a termo |






| Grau (Papile) | US | Implicação |
|---|---|---|
| I | Matriz germinativa só: foco ecogênico no sulco caudotalâmico, sem sangue no ventrículo | Menor risco; a maioria some |
| II | Sangue no ventrículo (menos de 50%), sem dilatação | Baixo risco |
| III | Coágulo de 50% ou mais, com dilatação ventricular | Risco alto de hidrocefalia pós-hemorrágica · US a cada 3 a 7 dias |
| IV | Infarto hemorrágico periventricular (venoso, não extensão do sangue): hiperecogenicidade em leque, em geral de um lado, do mesmo lado da hemorragia; pode virar cisto porencefálico | Maior risco · alteração motora |






US da coluna
É o exame de escolha para rastrear disrafismo fechado no recém-nascido, enquanto os arcos posteriores não ossificaram: até 3 a 4 meses. A indicação depende do risco cutâneo.
| Risco | Achados | Conduta |
|---|---|---|
| Baixo | Fosseta sacral típica (linha média, a menos de 2,5 cm do ânus, menos de 5 mm, sem massa) · hipertricose leve · mancha mongólica · malformação capilar ou hemangioma pequenos · nevo | Sem US; seguimento clínico |
| Intermediário | Fosseta atípica (a mais de 2,5 cm do ânus, maior que 5 mm, profunda, fora da linha média) · prega glútea desviada · hipertricose intensa | US no primeiro mês; normal, para; alterado, RM |
| Alto | Seio dérmico · lipoma subcutâneo · apêndice cutâneo · duas ou mais lesões cutâneas · hemangioma lombossacral segmentar | US e RM; alterado, neurocirurgia |
| Outras indicações | VACTERL (associação de anomalias vertebrais, anorretais, cardíacas, traqueoesofágicas, renais e dos membros), extrofia, regressão caudal e anomalia anorretal · bexiga neurogênica no US renal · fraqueza dos membros inferiores | US (RM se alterado) |
| Normal | Referência |
|---|---|
| Contagem | T12 = última costela; ângulo lombossacral em L5-S1 (S1 arredondado); o saco dural termina em S2; cóccix ainda cartilaginoso · use os dois sentidos: a discordância é comum (11 ou 13 costelas) |
| Cone medular | Em L1-L2, aceitável até L2-L3 · afilado, no terço médio do canal · no axial, na altura do meio dos rins |
| Filamento terminal | Linha ecogênica de até 2 mm em L5-S1 |
| Movimento | Cone, filamento e raízes oscilam com o pulso e a respiração (modo B em dois planos; modo M opcional) · some na medula presa |
| Técnica | Linear de 10 a 18 MHz, decúbito ventral com travesseiro sob a pelve (ou lateral), gel morno; sagital de baixo para cima, depois axial · almofada de gel para a fosseta |

| Variante normal | Como é |
|---|---|
| Dilatação transitória do canal central | Some nas primeiras semanas |
| Ventrículo terminal | Cisto ependimário oval na ponta do cone, 8 a 10 mm por 2 a 4 mm |
| Cisto do filamento | Fora e abaixo do cone (não é o ventrículo terminal) |
| Pseudomassa da cauda equina | Raízes agrupadas em decúbito lateral; somem em decúbito ventral |
| Pseudosseio | Trato fibroso da fosseta até o cóccix, sem chegar ao saco dural · sem importância |



| Disrafismo fechado | US |
|---|---|
| Medula presa | Cone abaixo de L2-L3, sem afilamento, deslocado para trás, sem oscilação · causa mais comum: lipomas |
| Seio dérmico | Trajeto hipoecogênico da pele ao canal, em geral acima do cóccix, às vezes com tenda do saco dural · risco de meningite · pode ter lipoma, dermoide, cone baixo |
| Fibrolipoma do filamento | Filamento grosso (mais de 2 mm) e hiperecogênico · 1,5 a 5% dos assintomáticos: sem medula presa, é variante |
| Lipoma intraespinal | Massa hiperecogênica no canal · 20 a 50% dos disrafismos ocultos, forte associação com medula presa |
| Lipomielocele × lipomielomeningocele | Interface placoide-lipoma dentro do canal × fora dele, com expansão do espaço subaracnóideo |
| Meningocele | Massa cística anecoica por herniação das meninges |
| Mielocistocele terminal | Dilatação cística do canal central herniando para trás · complexo OEIS (onfalocele, extrofia de cloaca, ânus imperfurado e anomalias da coluna) |









Fígado: hemangiomas cutâneos múltiplos
O lactente com três ou mais hemangiomas cutâneos tem mais hemangioma hepático infantil. O US vai na fase proliferativa, entre 1 e 3 meses.
| Padrão | US | Risco e conduta |
|---|---|---|
| Focal | Nódulo único | Minoria · controle por US |
| Multifocal | Vários nódulos hipoecogênicos bem definidos · o padrão mais comum com hemangiomas cutâneos | Limitado e sem repercussão: US seriado |
| Difuso | Fígado substituído, heterogêneo, hepatomegalia | Insuficiência cardíaca de alto débito, hipertensão pulmonar, hipotireoidismo de consumo (deiodinase tipo 3) · tratamento sistêmico, em geral propranolol |








Rins: dilatação urinária pré-natal e síndromes
A dilatação do trato urinário (DTU) aparece em 1 a 5% das gestações. O primeiro US pós-natal deve ser feito depois de 48 horas: no 1º dia, a oligúria fisiológica subestima a dilatação.
| Risco pós-natal | Achados | Conduta |
|---|---|---|
| P1 (baixo) | Diâmetro anteroposterior da pelve pouco aumentado, cálices centrais | Repetir o US em 4 a 6 semanas |
| P2 (intermediário) | Pelve maior, cálices periféricos, ou ureter dilatado | Reavaliar antes e considerar outros exames |
| P3 (alto) | Além disso, parênquima fino ou ecogênico, ou bexiga alterada | Uretrocistografia miccional (ou US miccional com contraste), cintilografia ou urorressonância |
| Síndrome | Rim |
|---|---|
| VACTERL | Dilatação, agenesia, ectopia, displasia, refluxo |
| Anomalia anorretal | Refluxo e dilatação alta |
| Brânquio-oto-renal | Hipodisplasia, assimetria |
| CHARGE (coloboma, cardiopatia, atresia de coanas, atraso de crescimento e desenvolvimento, anomalias genitais e da orelha) | Agenesia, hipoplasia, duplicidade |
| Townes-Brocks | Agenesia, hipoplasia, cistos, evolução para doença renal crônica |
| HNF1B (gene do fator nuclear 1-beta do hepatócito) | Hipodisplasia bilateral, cistos |
| Goldenhar | Anomalias renais e genitais em cerca de 11% |


Sem rim na loja, procure na pelve e na linha média (ectopia, ectopia cruzada fundida); com rim único, veja se há hipertrofia compensadora.
Quadril: displasia do desenvolvimento
O US é o método antes dos 4 meses; depois, a radiografia. Rastreio seletivo para apresentação pélvica, parente de 1º grau com displasia e exame alterado (Ortolani, Barlow, abdução limitada, pregas assimétricas); alguns países europeus fazem rastreio universal, ainda debatido.
| Ponto | O que saber |
|---|---|
| Quando | 4 a 6 semanas com fator de risco e exame normal (antes disso, imaturidade fisiológica e hormônios maternos) · na hora se houver instabilidade no exame |
| Graf | Coronal neutro, ílio reto: ângulo α (teto ósseo) de 60° ou mais e β (lábio cartilaginoso) abaixo de 55°; cobertura da cabeça acima de 50% |
| Estabilidade | Transversal em flexão com estresse, em tempo real · morfologia e estabilidade são independentes: só a morfologia perde instabilidade |
| Conduta | Imaturo estável: US de controle curto · displásico ou instável: órtese de abdução, US a cada 6 a 8 semanas, ortopedia |
| Pélvico | Radiografia aos 6 meses mesmo com US normal · índice acetabular abaixo de 30° é normal |




Síndromes de predisposição a tumor
| Síndrome | Rastreio | Procurar |
|---|---|---|
| Li-Fraumeni (TP53) | US de abdome e pelve a cada 3 a 4 meses + RM de corpo inteiro anual (protocolo de Toronto) · sem radiação ionizante | Carcinoma adrenocortical: adrenal assimétrica ou massa heterogênea vascularizada |
| Beckwith-Wiedemann (11p15.5) | US a cada 3 meses até 7 a 8 anos + alfafetoproteína a cada 3 meses até 3 a 4 anos · risco de tumor de 5 a 10% | Hepatoblastoma (massa hepática heterogênea, vascularizada) · tumor de Wilms (massa, deformidade do contorno, assimetria que aumenta) |







Pontos de prova: alto rendimento
| Rastreio | Dirigido ao risco, não universal |
| Fontanela anterior | Fecha por volta de 6 meses |
| Prematuro ≤ 30 semanas | 7–10 dias · 4–6 semanas · termo corrigido |
| Grau I | Sulco caudotalâmico, sem sangue no ventrículo |
| Grau III | Coágulo ≥ 50% com dilatação |
| Grau IV | Infarto hemorrágico periventricular (venoso) |
| Corno anterior | < 3 mm |
| US da coluna | Até 3–4 meses |
| Fosseta típica | Sem US (0,3%) |
| Fosseta atípica | > 2,5 cm do ânus, > 5 mm · 4–5% |
| Cone | Até L2-L3 |
| Filamento | ≤ 2 mm em L5-S1 |
| Medula presa | Cone baixo, sem afilamento, sem oscilação |
| Ventrículo terminal | Cisto na ponta do cone, variante |
| Pseudosseio | Até o cóccix, sem importância |
| Seio dérmico | Trajeto até o canal · RM |
| Hemangiomas cutâneos | ≥ 3: US do fígado em 1–3 meses |
| Hemangioma hepático difuso | Alto débito, hipotireoidismo |
| DTU pré-natal | US depois de 48 horas |
| DTU P1 | Repetir em 4–6 semanas |
| Ureter ≥ 7 mm | Mais infecção febril |
| Decúbito ventral | Reclassifica 10% para cima |
| Quadril | US até 4 meses · 4–6 semanas |
| Graf | α ≥ 60° · β < 55° |
| Pélvico | Radiografia aos 6 meses |
| Li-Fraumeni | US a cada 3–4 meses + RM anual |
| Beckwith-Wiedemann | US a cada 3 meses + alfafetoproteína |
Armadilhas e erros comuns
Erros
- Rastrear todo recém-nascido com imagem
- Fazer o US renal no 1º dia de vida
- Pedir US para fosseta sacral típica
- Deixar o US da coluna para depois dos 4 meses
- Contar as vértebras por um só sentido
- Chamar de seio dérmico o pseudosseio que acaba no cóccix
- Chamar ventrículo terminal de siringomielia
- Fazer o US do quadril antes de 4 semanas e chamar imaturidade de displasia
- Avaliar só a morfologia do quadril, sem estresse
- Dispensar a radiografia aos 6 meses no pélvico com US normal
- Não comparar com o exame anterior no rastreio de tumor
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6Recém-nascido com fosseta sacral na linha média, a 1 cm do ânus, de 3 mm, sem massa nem outros achados na pele. A conduta é:
No US da coluna de um lactente de 1 mês, qual achado sugere medula presa?
Recém-nascido com dilatação da pelve renal no pré-natal. Quando fazer o primeiro US pós-natal?
Menina nascida em apresentação pélvica, exame do quadril normal. Qual é o seguimento recomendado?
Lactente com síndrome de Beckwith-Wiedemann. O rastreio recomendado é:
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El Omeiri S, Escavy-Zamora EM, Miranda-Schaeubinger M, et al. Targeted US Screening in High-Risk Newborns and Infants: Indications, Techniques, and Disease Findings. RadioGraphics 2026;46(10):e260058. doi:10.1148/rg.260058
Inarejos Clemente EJ, Navallas Irujo M, Navarro OM, et al. US of the Spine in Neonates and Infants: A Practical Guide. RadioGraphics 2023;43(6):e220136. doi:10.1148/rg.220136 (artigo e apresentação de slides)
Os intervalos de rastreio são os das diretrizes citadas nos artigos (norte-americanas e europeias). Conferido em 06/10/2026.
Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das mesmas fontes.