Cadernos QRad 107 · Encefalite Autoimune e NMOSD
Neurorradiologia · autoimune

Encefalite Autoimune e NMOSD

Fontes: Choque-Chávez et al: 2025 e Dutra et al: 2018, RadioGraphics

Anticorpos contra o próprio cérebro

Duas famílias de doença em que um anticorpo ataca o SNC. Na encefalite autoimune o alvo é o neurônio, e o quadro é subagudo (menos de 3 meses): memória, psiquiatria, crises. Na neuromielite óptica (NMOSD) o alvo é a aquaporina 4 dos astrócitos, e as lesões seguem os lugares onde ela abunda: nervo óptico, medula, área postrema, em volta dos ventrículos.

Grupo de anticorpoGrupo I: intracelularGrupo II: superfície
ExemplosHu, Ma/Ta, GAD (descarboxilase do ácido glutâmico), Yo, Ri, CV2 (proteína mediadora da resposta à colapsina 5, CRMP5), anfifisinaNMDA (receptor N-metil-D-aspartato), LGI1 (leucine-rich glioma-inactivated 1: proteína do complexo do canal de potássio dependente de voltagem), CASPR2 (contactin-associated protein-like 2: proteína do complexo do canal de potássio dependente de voltagem), GABA-A e B (receptores A e B do ácido gama-aminobutírico), AMPA (receptor do ácido α-amino-3-hidroxi-5-metil-4-isoxazolpropiônico), mGluR (receptor metabotrópico de glutamato), GlyR (receptor de glicina), D2 (receptor de dopamina D2)
MecanismoLinfócito T citotóxico; perda neuronal irreversívelO anticorpo age direto no receptor
TumorFrequente (paraneoplásica)Menos frequente, varia com o anticorpo
PrognósticoPior, resiste ao tratamentoMelhor, responde à imunoterapia
a RM pode ser normal Na encefalite anti-NMDA a RM é normal em até 89%; na anti-LGI1, na fase das crises faciobraquiais. RM normal não afasta encefalite autoimune, e nenhum achado isolado a confirma.

Critérios e padrões na RM

Encefalite límbica definitivaCritério (todos os quatro)
1Início subagudo (menos de 3 meses) de déficit de memória recente, alteração do estado mental ou sintomas psiquiátricos
2Hipersinal em T2/FLAIR (fluid-attenuated inversion recovery: T2 com o sinal do líquor suprimido) bilateral muito restrito aos lobos temporais mediais (o PET-FDG (tomografia por emissão de pósitrons com fluordesoxiglicose) pode cumprir)
3Pleocitose no líquor (mais de 5 células/mm³) ou EEG (eletroencefalograma) com atividade epiléptica ou lenta temporal
4Exclusão razoável de outras causas
Padrão na RMAnticorpos
Límbico (hipocampo e amígdala)Hu, Ma2, GAD, LGI1, CASPR2, GABA-B, AMPA, mGluR5 (receptor metabotrópico de glutamato tipo 5)
Cortical e subcorticalNMDA, GABA-A, VGCC (canais de cálcio dependentes de voltagem) · GluR3 (receptor de glutamato 3) (Rasmussen, atrofia de um hemisfério)
EstriatalCV2/CRMP5 (sem restrição, ao contrário do Creutzfeldt-Jakob), D2
Diencéfalo e troncoMa2 (rombencéfalo em 50%), Ri, Hu
CerebeloYo (degeneração cerebelar, ovário e mama), mGluR1 (receptor metabotrópico de glutamato tipo 1)
+ complemento · a investigação RM com T1, T2, FLAIR e difusão (contraste e perfusão conforme o caso); EEG e PET-FDG se a RM for negativa; líquor e anticorpos no soro e no líquor (um anticorpo inespecífico superinterpretado é causa comum de erro); depois, procurar o tumor: TC de tórax e abdome, mama, US de testículo ou pelve e, se nada aparecer, PET/CT de corpo inteiro.

Os anticorpos que caem na prova

AnticorpoQuem e tumorClínicaRM
Anti-NMDAJovem; minoria com teratoma de ovárioPródromo viral, psiquiatria, discinesias, disautonomia, comaNormal em até 89% · hipersinal cortical, límbico ou meníngeo · reversível
Anti-LGI1IdosoCrises distônicas faciobraquiais, hiponatremia, encefalite límbica (90%)Normal na fase das crises; depois temporal medial, às vezes com restrição e realce
Anti-CASPR2Homem idosoSíndrome de Morvan (cognição, hiperexcitabilidade de nervo, insônia)Temporal medial
Anti-HuCâncer em 75%, sobretudo pequenas células do pulmãoLímbica, tronco, cerebeloTemporal medial assíncrono, atrofia
Anti-Ma2/TaTumor de testículo (homem jovem)Límbica, diencefálica, troncoAlterada em 75%; realce nodular que imita tumor
Anti-GAD65Sem tumor; DM1 (diabetes melito tipo 1), tireoidePessoa rígida, epilepsia, ataxiaTemporal medial; às vezes tronco
Anti-GABA-BIdoso; tumor em 56% (pulmão)Encefalite límbica clássicaTemporal medial
Anti-GABA-ATimoma em 21%Crises refratáriasCortical extralímbica
Anti-CV2/CRMP5Pulmão, timoma, rimCoreiaEstriado sem restrição
Anti-Hu com câncer de pulmão de pequenas células
FLAIR axial e coronal: hipersinal sutil nos dois temporais mediais (setas).
FLAIR axial e coronal: hipersinal sutil nos dois temporais mediais (setas).
Fonte: Choque-Chávez FD, Jareno-Badenas A, Martín-Noguerol T, et al. RadioGraphics 2025;45(4):e240195, apresentação, slide 13. Ver artigo
Anti-Ma2, homem de 27 anos com tumor de testículo
FLAIR coronal: hipersinal nos dois temporais mediais (setas).
FLAIR coronal: hipersinal nos dois temporais mediais (setas).
Dez anos depois da orquiectomia: resolução.
Dez anos depois da orquiectomia: resolução.
Fonte: Choque-Chávez FD, Jareno-Badenas A, Martín-Noguerol T, et al. RadioGraphics 2025;45(4):e240195, apresentação, slide 15. Ver artigo
Anti-Ma1, 81 anos, carcinoma de bexiga
FLAIR: hipocampos, tálamos e mesencéfalo (setas); em cima, antes; embaixo, resolução 2 meses depois de ciclofosfamida e corticoide.
FLAIR: hipocampos, tálamos e mesencéfalo (setas); em cima, antes; embaixo, resolução 2 meses depois de ciclofosfamida e corticoide.
Fonte: Choque-Chávez FD, Jareno-Badenas A, Martín-Noguerol T, et al. RadioGraphics 2025;45(4):e240195, apresentação, slide 16. Ver artigo
Anti-GAD, dois pacientes
T2 coronal: hipersinal nos temporais mediais (setas).
T2 coronal: hipersinal nos temporais mediais (setas).
FLAIR coronal: o mesmo (setas).
FLAIR coronal: o mesmo (setas).
Outro paciente, FLAIR: alteração sutil (setas).
Outro paciente, FLAIR: alteração sutil (setas).
Fonte: Choque-Chávez FD, Jareno-Badenas A, Martín-Noguerol T, et al. RadioGraphics 2025;45(4):e240195, apresentação, slide 18. Ver artigo
Anti-GAD no tronco, homem de 58 anos
FLAIR com hipersinal na ponte e no bulbo (contorno), sem restrição na difusão e sem realce.
FLAIR com hipersinal na ponte e no bulbo (contorno), sem restrição na difusão e sem realce.
Fonte: Choque-Chávez FD, Jareno-Badenas A, Martín-Noguerol T, et al. RadioGraphics 2025;45(4):e240195, apresentação, slide 19. Ver artigo
Anti-NMDA, dois casos
T2 coronal: edema dos hipocampos e amígdalas (setas).
T2 coronal: edema dos hipocampos e amígdalas (setas).
FLAIR coronal: o mesmo (setas).
FLAIR coronal: o mesmo (setas).
Fonte: Choque-Chávez FD, Jareno-Badenas A, Martín-Noguerol T, et al. RadioGraphics 2025;45(4):e240195, apresentação, slide 22. Ver artigo
Anti-NMDA, homem de 38 anos
FLAIR com hipersinal nos núcleos da base e no hipocampo direitos (contornos), realce disperso (setas); na fileira de baixo, melhora depois do tratamento.
FLAIR com hipersinal nos núcleos da base e no hipocampo direitos (contornos), realce disperso (setas); na fileira de baixo, melhora depois do tratamento.
Fonte: Choque-Chávez FD, Jareno-Badenas A, Martín-Noguerol T, et al. RadioGraphics 2025;45(4):e240195, apresentação, slide 23. Ver artigo
Anti-LGI1, homem de 68 anos
FLAIR axial e coronal: hipersinal sutil e espessamento da amígdala e da cabeça do hipocampo direitos (contorno).
FLAIR axial e coronal: hipersinal sutil e espessamento da amígdala e da cabeça do hipocampo direitos (contorno).
Fonte: Choque-Chávez FD, Jareno-Badenas A, Martín-Noguerol T, et al. RadioGraphics 2025;45(4):e240195, apresentação, slide 25. Ver artigo
Anti-LGI1, homem de 68 anos, seguimento
FLAIR com 1 mês: hipersinal bitemporal medial (setas); 6 meses depois de corticoide e rituximabe, normalizou.
FLAIR com 1 mês: hipersinal bitemporal medial (setas); 6 meses depois de corticoide e rituximabe, normalizou.
Fonte: Choque-Chávez FD, Jareno-Badenas A, Martín-Noguerol T, et al. RadioGraphics 2025;45(4):e240195, apresentação, slide 26. Ver artigo
Anti-LGI1, mulher de 46 anos
FLAIR: lesão no hipocampo esquerdo (setas), que não mudou em 1, 2 e 4 anos apesar da melhora clínica.
FLAIR: lesão no hipocampo esquerdo (setas), que não mudou em 1, 2 e 4 anos apesar da melhora clínica.
Fonte: Choque-Chávez FD, Jareno-Badenas A, Martín-Noguerol T, et al. RadioGraphics 2025;45(4):e240195, apresentação, slide 27. Ver artigo
Anti-CASPR2, homem de 68 anos
FLAIR: hipersinal nos dois hipocampos (setas), igual um ano depois.
FLAIR: hipersinal nos dois hipocampos (setas), igual um ano depois.
Fonte: Choque-Chávez FD, Jareno-Badenas A, Martín-Noguerol T, et al. RadioGraphics 2025;45(4):e240195, apresentação, slide 28. Ver artigo

O que imita encefalite autoimune

ImitadorO que separa
Encefalite herpéticaAssimétrica ou unilateral, temporal, orbitofrontal e insular; restrição precoce; hemorragia no SWI (imagem ponderada em suscetibilidade magnética); hemácias no líquor
Creutzfeldt-JakobRestrição no córtex e no estriado · a encefalite autoimune límbica não restringe
GliomaUnilateral, infiltra além do límbico, piora progressiva · a encefalite tende a ser bilateral
ADEM (encefalomielite disseminada aguda)Monofásica, após infecção ou vacina, lesões grandes (mais de 2 cm) na mesma fase
MOGAD (doença associada ao anticorpo contra a glicoproteína da mielina do oligodendrócito, MOG)Crianças e jovens; neurite óptica, mielite, encefalite cortical
PRES (síndrome de encefalopatia posterior reversível)Hipertensão, eclâmpsia, quimioterapia; parieto-occipital, reversível na maioria
Tóxico-metabólicaBilateral e simétrica, restrição, sem realce · uremia: garfo lentiforme
SusacBolas de neve no centro do corpo caloso; hipoacusia e oclusões retinianas
Vasculite primária do SNCInfartos e hemorragias em territórios diferentes
ADEM, 28 anos
FLAIR: várias lesões grandes na substância branca (setas).
FLAIR: várias lesões grandes na substância branca (setas).
Fonte: Choque-Chávez FD, Jareno-Badenas A, Martín-Noguerol T, et al. RadioGraphics 2025;45(4):e240195, apresentação, slide 35. Ver artigo
MOGAD
FLAIR: lesão central no mesencéfalo (seta).
FLAIR: lesão central no mesencéfalo (seta).
T1 pós-contraste: realce irregular (seta).
T1 pós-contraste: realce irregular (seta).
Fonte: Choque-Chávez FD, Jareno-Badenas A, Martín-Noguerol T, et al. RadioGraphics 2025;45(4):e240195, apresentação, slide 36. Ver artigo
Encefalite herpética
T2 e FLAIR: edema frontotemporal e insular direito (setas); SWI com sangue (seta); o lado oposto normal.
T2 e FLAIR: edema frontotemporal e insular direito (setas); SWI com sangue (seta); o lado oposto normal.
Fonte: Choque-Chávez FD, Jareno-Badenas A, Martín-Noguerol T, et al. RadioGraphics 2025;45(4):e240195, apresentação, slide 37. Ver artigo
PRES, dois pacientes
FLAIR: hipersinal cortical e subcortical frontal, parietal e temporal (setas).
FLAIR: hipersinal cortical e subcortical frontal, parietal e temporal (setas).
Fonte: Choque-Chávez FD, Jareno-Badenas A, Martín-Noguerol T, et al. RadioGraphics 2025;45(4):e240195, apresentação, slide 38. Ver artigo
Encefalopatia urêmica
FLAIR: núcleos da base, cápsulas e temporais, o garfo lentiforme (setas).
FLAIR: núcleos da base, cápsulas e temporais, o garfo lentiforme (setas).
Fonte: Choque-Chávez FD, Jareno-Badenas A, Martín-Noguerol T, et al. RadioGraphics 2025;45(4):e240195, apresentação, slide 39. Ver artigo
Glioma temporal medial
FLAIR: lesão expansiva unilateral com edema (pontas de seta e setas).
FLAIR: lesão expansiva unilateral com edema (pontas de seta e setas).
T1 pós-contraste: realce e disseminação leptomeníngea (pontas de seta).
T1 pós-contraste: realce e disseminação leptomeníngea (pontas de seta).
Fonte: Choque-Chávez FD, Jareno-Badenas A, Martín-Noguerol T, et al. RadioGraphics 2025;45(4):e240195, apresentação, slide 40. Ver artigo
Susac
FLAIR: focos no corpo caloso (setas).
FLAIR: focos no corpo caloso (setas).
FLAIR: esplênio e cápsulas internas (setas, contornos).
FLAIR: esplênio e cápsulas internas (setas, contornos).
T1 sagital pós-contraste: realce leptomeníngeo cerebelar (contorno).
T1 sagital pós-contraste: realce leptomeníngeo cerebelar (contorno).
Fonte: Choque-Chávez FD, Jareno-Badenas A, Martín-Noguerol T, et al. RadioGraphics 2025;45(4):e240195, apresentação, slide 41. Ver artigo
Creutzfeldt-Jakob
Difusão: hipersinal nos caudados, no estriado e nos giros do cíngulo (setas).
Difusão: hipersinal nos caudados, no estriado e nos giros do cíngulo (setas).
Fonte: Choque-Chávez FD, Jareno-Badenas A, Martín-Noguerol T, et al. RadioGraphics 2025;45(4):e240195, apresentação, slide 42. Ver artigo
Vasculite primária do SNC
FLAIR: focos bilaterais na substância branca subcortical (setas).
FLAIR: focos bilaterais na substância branca subcortical (setas).
Fonte: Choque-Chávez FD, Jareno-Badenas A, Martín-Noguerol T, et al. RadioGraphics 2025;45(4):e240195, apresentação, slide 43. Ver artigo

NMOSD: critérios e onde lesa

Critério IPND (International Panel for NMO Diagnosis) 2015AQP4-IgG positivoAQP4-IgG negativo ou desconhecido
Clínica1 característica nuclear2 características (uma delas neurite óptica, mielite com lesão longa ou área postrema), em lugares diferentes
RMRequisitos de RM obrigatórios
SempreExcluir outros diagnósticosExcluir outros diagnósticos

As seis características nucleares: neurite óptica, mielite aguda, síndrome da área postrema (soluços, náusea e vômitos incoercíveis), síndrome aguda do tronco, síndrome diencefálica (narcolepsia) e síndrome cerebral com lesões típicas. O teste de escolha é o ensaio celular (especificidade de 99,8%).

LocalNMOSD (AQP4)
Nervo ópticoBilateral, longo (mais da metade), posterior, chegando ao quiasma
MedulaLesão longa: 3 ou mais segmentos contíguos, central, mais de metade da secção; sobe até a área postrema · bright spotty lesions (focos mais claros que o líquor em T2) · realce em lente · 14,5% das primeiras mielites são curtas
Área postremaBulbo dorsal: um dos achados mais específicos (7 a 46%)
Em volta dos ventrículosPeriependimário, diencéfalo, periaqueduto · corpo caloso marmóreo ou em "ponte em arco"
Trato corticoespinal23 a 44%; na cápsula interna com edema: aspecto em tridente
RealceEm nuvem (o mais comum) e ependimário em lápis · anel completo ou aberto favorece EM (esclerose múltipla)
Os órgãos circunventriculares
T1 sagital: lâmina terminal (OVLT), órgão subfornicial (SFO), eminência mediana (ME), neuro-hipófise (PP), pineal (PG) e área postrema (AP), onde a barreira dei
T1 sagital: lâmina terminal (OVLT), órgão subfornicial (SFO), eminência mediana (ME), neuro-hipófise (PP), pineal (PG) e área postrema (AP), onde a barreira deixa o anticorpo entrar.
Fonte: Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, et al. RadioGraphics 2018;38(1):169-193, Fig. 3. Ver artigo
Nervo óptico
T1 pós-contraste com supressão: realce dos dois nervos ópticos posteriores (setas).
T1 pós-contraste com supressão: realce dos dois nervos ópticos posteriores (setas).
Sagital: quiasma (contorno), periaqueduto e área postrema (pontas de seta).
Sagital: quiasma (contorno), periaqueduto e área postrema (pontas de seta).
T2 axial: quiasma (contorno).
T2 axial: quiasma (contorno).
Fonte: Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, et al. RadioGraphics 2018;38(1):169-193, Fig. 5. Ver artigo
Medula
T2 sagital: lesão longa que sobe até a área postrema (ponta de seta).
T2 sagital: lesão longa que sobe até a área postrema (ponta de seta).
T2 axial: substância cinzenta central (seta).
T2 axial: substância cinzenta central (seta).
T2 axial: bright spotty lesion, mais clara que o líquor (seta).
T2 axial: bright spotty lesion, mais clara que o líquor (seta).
T1 axial: o mesmo foco, escuro (seta).
T1 axial: o mesmo foco, escuro (seta).
T1 pós-contraste sagital: realce em placas.
T1 pós-contraste sagital: realce em placas.
T1 pós-contraste: realce em lente.
T1 pós-contraste: realce em lente.
Fonte: Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, et al. RadioGraphics 2018;38(1):169-193, Fig. 6. Ver artigo
Encéfalo
FLAIR sagital: corpo caloso marmóreo.
FLAIR sagital: corpo caloso marmóreo.
FLAIR axial: ponte em arco no corpo caloso.
FLAIR axial: ponte em arco no corpo caloso.
FLAIR: periependimário e tridente no trato corticoespinal direito (setas, contorno).
FLAIR: periependimário e tridente no trato corticoespinal direito (setas, contorno).
FLAIR: periaqueduto (setas).
FLAIR: periaqueduto (setas).
FLAIR: quiasma e hipotálamo (contorno, seta).
FLAIR: quiasma e hipotálamo (contorno, seta).
T2 axial: área postrema (seta).
T2 axial: área postrema (seta).
Fonte: Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, et al. RadioGraphics 2018;38(1):169-193, Fig. 7. Ver artigo
Realce
Pós-contraste: realce em nuvem (setas).
Pós-contraste: realce em nuvem (setas).
Pós-contraste: realce ependimário fino, em lápis (pontas de seta).
Pós-contraste: realce ependimário fino, em lápis (pontas de seta).
Fonte: Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, et al. RadioGraphics 2018;38(1):169-193, Fig. 8. Ver artigo
mielite curta não afasta Lesão medular curta não exclui NMOSD: teste AQP4-IgG (anticorpo IgG contra a aquaporina 4) em toda mielite. Lesões cerebrais aparecem em 24 a 89% dos pacientes, e 16% chegam a preencher critérios de EM.

NMOSD × MOG × esclerose múltipla

DoençaNervo ópticoMedulaEncéfalo
NMOSD AQP4Bilateral, posterior, quiasmaLonga, central, cervicotorácicaPeriependimário, área postrema, diencéfalo
MOGBilateral, anterior, longa, realce perineuralCone e toracolombarCinzenta profunda e infratentorial · mais jovens, monofásica muitas vezes
EMUnilateral, curtaCurta (1 a 2 corpos), periférica, menos de metade da secçãoDedos de Dawson, interface calososseptal, justacortical, ponte e pedúnculo · veia central
Esclerose múltipla
Pós-contraste: nervo óptico direito com lesão curta (seta).
Pós-contraste: nervo óptico direito com lesão curta (seta).
T2 sagital: lesão medular curta e ovoide.
T2 sagital: lesão medular curta e ovoide.
T2 axial: periférica (seta).
T2 axial: periférica (seta).
FLAIR sagital: interface calososseptal e justacortical (setas, ponta de seta).
FLAIR sagital: interface calososseptal e justacortical (setas, ponta de seta).
FLAIR axial: dedos de Dawson.
FLAIR axial: dedos de Dawson.
FLAIR: ponte e pedúnculos com o trigêmeo dentro do tronco (seta).
FLAIR: ponte e pedúnculos com o trigêmeo dentro do tronco (seta).
FLAIR: cápsula interna sem edema (setas).
FLAIR: cápsula interna sem edema (setas).
Fonte: Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, et al. RadioGraphics 2018;38(1):169-193, Fig. 9. Ver artigo
Neurite óptica por MOG
T1 pós-contraste: realce dos dois nervos ópticos anteriores (setas) e em volta deles, o realce perineural (pontas de seta).
T1 pós-contraste: realce dos dois nervos ópticos anteriores (setas) e em volta deles, o realce perineural (pontas de seta).
Fonte: Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, et al. RadioGraphics 2018;38(1):169-193, Fig. 27. Ver artigo
ADEM
T2 sagital: lesão longa até a área postrema (setas), igual à da NMOSD.
T2 sagital: lesão longa até a área postrema (setas), igual à da NMOSD.
Fonte: Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, et al. RadioGraphics 2018;38(1):169-193, Fig. 10. Ver artigo
Neuro-Behçet
FLAIR: junção mesencéfalo-tálamo, assimétrica.
FLAIR: junção mesencéfalo-tálamo, assimétrica.
Fonte: Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, et al. RadioGraphics 2018;38(1):169-193, Fig. 11. Ver artigo
Vasculite primária do SNC
FLAIR coronal: diencéfalo e paredes do III ventrículo.
FLAIR coronal: diencéfalo e paredes do III ventrículo.
Fonte: Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, et al. RadioGraphics 2018;38(1):169-193, Fig. 12. Ver artigo
Susac
FLAIR sagital: bolas de neve no centro do corpo caloso.
FLAIR sagital: bolas de neve no centro do corpo caloso.
Fonte: Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, et al. RadioGraphics 2018;38(1):169-193, Fig. 13. Ver artigo
CLIPPERS
Pós-contraste: realce salpicado na ponte, pedúnculos e cerebelo.
Pós-contraste: realce salpicado na ponte, pedúnculos e cerebelo.
Fonte: Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, et al. RadioGraphics 2018;38(1):169-193, Fig. 14. Ver artigo
Sarcoidose
Pós-contraste coronal: realce nodular dos nervos ópticos intracranianos (contorno).
Pós-contraste coronal: realce nodular dos nervos ópticos intracranianos (contorno).
Fonte: Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, et al. RadioGraphics 2018;38(1):169-193, Fig. 15. Ver artigo
Ventriculites
Bacteriana: realce ependimário e abscesso temporal (seta, ponta de seta).
Bacteriana: realce ependimário e abscesso temporal (seta, ponta de seta).
Por CMV (citomegalovírus): realce ependimário fino em lápis, igual ao da NMOSD (pontas de seta).
Por CMV (citomegalovírus): realce ependimário fino em lápis, igual ao da NMOSD (pontas de seta).
Fonte: Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, et al. RadioGraphics 2018;38(1):169-193, Fig. 16. Ver artigo
Romboencefalite por Listeria
FLAIR sagital: lesão no tronco com efeito de massa no bulbo (seta).
FLAIR sagital: lesão no tronco com efeito de massa no bulbo (seta).
Fonte: Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, et al. RadioGraphics 2018;38(1):169-193, Fig. 17. Ver artigo
LEMP
T2: lesões puntiformes nos tratos corticoespinais, a Via Láctea (setas, ampliação).
T2: lesões puntiformes nos tratos corticoespinais, a Via Láctea (setas, ampliação).
FLAIR sagital: o trato até a cápsula interna.
FLAIR sagital: o trato até a cápsula interna.
Fonte: Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, et al. RadioGraphics 2018;38(1):169-193, Fig. 18. Ver artigo
Degeneração combinada subaguda
T2 axial: colunas dorsais e laterais (seta, ponta de seta).
T2 axial: colunas dorsais e laterais (seta, ponta de seta).
Fonte: Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, et al. RadioGraphics 2018;38(1):169-193, Fig. 19. Ver artigo
Infarto medular
T2 axial: olhos de coruja (seta).
T2 axial: olhos de coruja (seta).
Fonte: Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, et al. RadioGraphics 2018;38(1):169-193, Fig. 20. Ver artigo
Fístula arteriovenosa dural
T2 sagital: edema congestivo toracolombar.
T2 sagital: edema congestivo toracolombar.
Angiografia: a fístula.
Angiografia: a fístula.
Fonte: Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, et al. RadioGraphics 2018;38(1):169-193, Fig. 21. Ver artigo
Doença de Alexander do adulto
Pós-contraste: realce periventricular fino com orla clara (setas, ampliação).
Pós-contraste: realce periventricular fino com orla clara (setas, ampliação).
T1 sagital: sinal do girino (seta).
T1 sagital: sinal do girino (seta).
FLAIR: hipersinal pial e em volta do IV ventrículo (setas, pontas de seta).
FLAIR: hipersinal pial e em volta do IV ventrículo (setas, pontas de seta).
Fonte: Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, et al. RadioGraphics 2018;38(1):169-193, Fig. 22. Ver artigo
Xantomatose cerebrotendínea
T2 coronal: tratos corticoespinais (setas).
T2 coronal: tratos corticoespinais (setas).
T2 axial: denteados escuros (setas).
T2 axial: denteados escuros (setas).
Fonte: Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, et al. RadioGraphics 2018;38(1):169-193, Fig. 23. Ver artigo
Adrenoleucodistrofia unilateral
FLAIR: parieto-occipital e cápsulas direitas.
FLAIR: parieto-occipital e cápsulas direitas.
Pós-contraste: realce da zona intermediária.
Pós-contraste: realce da zona intermediária.
Fonte: Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, et al. RadioGraphics 2018;38(1):169-193, Fig. 24. Ver artigo
Glioblastoma da ponte
FLAIR: lesão infiltrativa (seta).
FLAIR: lesão infiltrativa (seta).
Pós-contraste coronal: realce heterogêneo com necrose.
Pós-contraste coronal: realce heterogêneo com necrose.
Fonte: Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, et al. RadioGraphics 2018;38(1):169-193, Fig. 25. Ver artigo
Metástase ependimária
Pós-contraste: realce ependimário espesso e nodular nos átrios (setas).
Pós-contraste: realce ependimário espesso e nodular nos átrios (setas).
Fonte: Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, et al. RadioGraphics 2018;38(1):169-193, Fig. 26. Ver artigo
+ complemento · diferencial da NMOSD Na medula: ADEM (pode ser idêntica), degeneração combinada (colunas dorsais), infarto (olhos de coruja), fístula dural. No tronco e cerebelo: Listeria (bifásica), CLIPPERS (chronic lymphocytic inflammation with pontine perivascular enhancement responsive to steroids: inflamação linfocítica crônica com realce perivascular na ponte que responde a corticoide) (realce salpicado na ponte), Bickerstaff (anti-GQ1b). Em volta dos ventrículos: ventriculite por CMV (realce ependimário em lápis igual), Behçet, Wernicke (corpos mamilares). No corpo caloso: Susac (centro) e Marchiafava-Bignami (camada média). No trato corticoespinal: LEMP (leucoencefalopatia multifocal progressiva) (sem efeito de massa), ELA (esclerose lateral amiotrófica). Tumor: realce sólido e necrose.

Pontos de prova: alto rendimento

Grupo IIntracelular, tumor, pior prognóstico
Grupo IISuperfície, melhor prognóstico
NMDAJovem, teratoma, RM normal até 89%
LGI1Faciobraquial, hiponatremia
Ma2Testículo
HuPulmão pequenas células
Encefalite límbicaBilateral temporal medial
HerpesAssimétrico, restrição, sangue
Creutzfeldt-JakobRestrição cortical e estriatal
NMOSD medula≥ 3 segmentos, central
NMOSD nervoPosterior, quiasma
Área postremaSoluços e vômitos
MOGNervo anterior, cone
EMDawson, medula curta e periférica
Realce NMOSDNuvem, lápis

Armadilhas e erros comuns

Erros

  • Afastar encefalite autoimune por RM normal
  • Esquecer de procurar o tumor
  • Confundir herpes com encefalite límbica bilateral
  • Laudar EM numa mielite longa e central
  • Dispensar AQP4 numa mielite curta
  • Ignorar a área postrema num paciente com vômitos
  • Chamar de NMOSD a neurite anterior com realce perineural (MOG)

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Comparado ao grupo II (anticorpos de superfície), o grupo I de encefalite autoimune (antígenos intracelulares):

No grupo I (Hu, Ma2, Yo, Ri...) o dano é por linfócito T, com perda neuronal: tumor frequente e pior prognóstico. O grupo II (NMDA, LGI1...) age no receptor e responde melhor.
↑revisar esta parte do caderno · Anticorpos contra o próprio cérebro
Questão 2

Homem de 68 anos com crises distônicas breves de face e braço, hiponatremia e déficit de memória. O anticorpo mais provável:

Anti-LGI1: idoso, crises distônicas faciobraquiais, hiponatremia, encefalite límbica. A RM pode ser normal na fase das crises.
↑revisar esta parte do caderno · Os anticorpos que caem na prova
Questão 3

Mulher jovem com quadro psiquiátrico, discinesias e disautonomia após pródromo viral; RM normal. A conduta de imagem que mais importa:

Encefalite anti-NMDA: RM normal em até 89%; a minoria com tumor tem teratoma de ovário, que deve ser procurado.
↑revisar esta parte do caderno · Os anticorpos que caem na prova
Questão 4

Hipersinal temporal medial assimétrico com restrição precoce e focos de sangue no SWI, febre e hemácias no líquor. O diagnóstico:

Herpes: assimétrico, temporal, orbitofrontal e insular, com restrição precoce e hemorragia. A encefalite autoimune límbica tende a ser bilateral e não restringe.
↑revisar esta parte do caderno · O que imita encefalite autoimune
Questão 5

Mielite com lesão de C2 a C7, central, ocupando mais da metade da secção, subindo até o bulbo dorsal. O mais provável:

Lesão longa (3 ou mais segmentos), central, mais de metade da secção, chegando à área postrema: NMOSD. Na EM a lesão é curta e periférica.
↑revisar esta parte do caderno · NMOSD: critérios e onde lesa
Questão 6

Neurite óptica bilateral anterior, longa, com realce da bainha e da gordura em volta do nervo. Pensar primeiro em:

MOG: neurite bilateral anterior com realce perineural. A NMOSD com AQP4 é posterior, com quiasma; a EM é unilateral e curta.
↑revisar esta parte do caderno · NMOSD × MOG × esclerose múltipla
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Fontes.
1. Choque-Chávez FD, Jareno-Badenas A, Martín-Noguerol T, et al. MRI in Diagnosis of Autoimmune Encephalitis. RadioGraphics 2025;45(4):e240195 (apresentação em slides). doi:10.1148/rg.240195
2. Dutra BG, da Rocha AJ, Nunes RH, Maia Júnior ACM. Neuromyelitis Optica Spectrum Disorders: Spectrum of MR Imaging Findings and Their Differential Diagnosis. RadioGraphics 2018;38(1):169-193 (Santa Casa de São Paulo). doi:10.1148/rg.2018170141

A apresentação chama a anti-Hu de forma mais comum de encefalite autoimune e a anti-NMDA de segunda; a literatura costuma pôr a anti-NMDA em primeiro, e o caderno não repete a ordem. Os critérios de encefalite provável e os anticorpos IgLON5, GFAP e DPPX não estão nas fontes. A fonte 2 é de 2018 e ainda trata o MOG como subgrupo do NMOSD; hoje a MOGAD é doença à parte. Os desenhos dos slides e os diagramas com texto em inglês ficaram de fora. Conferido em 07/10/2026.

Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das mesmas fontes.