Fontes: Flores et al: 2018 e Isern-Kebschull et al: 2024, RadioGraphics
Onde a corrente arrebenta
Músculo, junção miotendínea, tendão, êntese e osso funcionam como uma corrente, e o elo que cede muda
com a idade. A fibra é envolvida pelo endomísio, o fascículo pelo perimísio, o músculo pelo epimísio e o
compartimento pela fáscia; o tecido conjuntivo pode ser central (tendão intramuscular, septo) ou
periférico (aponeurose, fáscia). A contração excêntrica (o músculo alonga enquanto contrai) gera
as maiores tensões e é a que lesa.
Idade
Elo que cede
Criança e adolescente (fise aberta)
Osso: avulsão da apófise ou da fise
Adulto jovem
Junção miotendínea e músculo
Idoso com tendinopatia
Tendão degenerado (o tendão sadio é o elo mais forte)
A unidade músculo-tendão-osso
Músculo (*), junção miotendínea (setas), tendão e êntese (pontas de seta) no osso.
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 1. Ver artigo
Adulto: avulsão dos isquiotibiais, 46 anos
Coronal T2 com supressão: avulsão bilateral no ísquio com tendinose, retraída à direita (setas).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 3. Ver artigo
Adolescente: avulsão da espinha ilíaca anterossuperior
Radiografia: o fragmento ósseo (pontas de seta).Sagital T2 com supressão: avulsão do sartório e do tensor da fáscia lata com líquido no gap (*); o fragmento some no tendão escuro.
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 4. Ver artigo
quem estira mais
Músculos grandes, que cruzam duas articulações, com muita fibra tipo 2 (rápida) e
peniformes, do membro inferior. O mais estirado do corpo é a cabeça longa do bíceps femoral,
depois o reto femoral e o gastrocnêmio. O estiramento afasta mais de 1/3 dos jogadores de futebol numa
temporada.
Arquitetura e padrão da lesão
Arquitetura
Exemplo
Como lesa na RM
Paralelo fusiforme
Bíceps braquial
Lesão no tendão, com retração
Paralelo em fita
Sartório, pronador quadrado
Pouco estirado · o reto do abdome, com interseções tendíneas, estira mais
Unipeniforme
Tendão periférico contínuo com o epimísio
Líquido superficial ao epimísio mesmo na lesão leve
Bipeniforme
Supraespinal, tendão central
Edema em pena dentro do músculo, pouco líquido por fora salvo na lesão grave
Multipeniforme
Deltoide, subescapular, peitoral maior
Segmentar · no peitoral rompe sobretudo a porção esternal
As arquiteturas
Paralelo em fita.Paralelo fusiforme.Unipeniforme.Bipeniforme.Multipeniforme.
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 7. Ver artigo
Fusiforme: ruptura do tendão distal do bíceps, 54 anos
Sagital T2 com supressão: ruptura completa com retração proximal (seta).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 8. Ver artigo
Fita com interseções: reto do abdome, 31 anos (tênis)
Coronal T2 com supressão: estiramento do reto do abdome esquerdo (seta).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 9. Ver artigo
Unipeniforme: bíceps femoral, 27 anos
Axial T2 com supressão: lesão leve da junção distal com líquido no epimísio (seta).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 10. Ver artigo
Gastrocnêmio, 33 anos
Coronal DP (densidade de prótons) com supressão: estiramento moderado da junção do gastrocnêmio lateral, edema em pena (setas pretas), e leve no medial (seta branca).Axial: o mesmo (seta).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 5. Ver artigo
Ruptura da junção distal do reto femoral, 45 anos (futebol)
Sagital DP: gap com hemorragia (seta).Axial T1: o sangue subagudo com hipersinal (seta curva).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 6. Ver artigo
Gastrocnêmio medial no US
Lesão por distração da aponeurose (setas e pontas de seta), 33 anos.Coleção na junção com tendão ondulado, goleiro de 25 anos (linha pontilhada).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 11. Ver artigo
Perna do tenista, 49 anos
Coronal T2 com supressão: estiramento do gastrocnêmio medial (seta) e grande coleção entre gastrocnêmio e sóleo (*).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 12. Ver artigo
Bipeniforme: supraespinal, 30 anos
Axial T2 com supressão: estiramento leve da junção, edema em pena dentro do músculo (setas).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 13. Ver artigo
Multipeniforme: peitoral maior
Coronal oblíqua T2 com supressão: ruptura do tendão da cabeça esternal (seta) no supino.
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 14. Ver artigo
Reto femoral: cabeça direta
Axial T2 com supressão: estiramento moderado com líquido ao longo da aponeurose (seta).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 15. Ver artigo
Reto femoral: tendão central, 16 anos (chute)
Coronal DP com supressão: ruptura do tendão central da cabeça indireta (ponta de seta).Axial (b).US transversal (c).Axial (d).US: o gap no tendão central (setas).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 16. Ver artigo
o gastrocnêmio e o reto femoral
Na perna do tenista (gastrocnêmio medial) há líquido entre gastrocnêmio e sóleo em até 50%, e
esse líquido desproporcional leva a supergraduar a lesão. O reto femoral é um músculo dentro do
outro: a cabeça direta (unipeniforme) envolve a indireta (bipeniforme); a lesão do tendão central dá o
olho de boi (edema central) ou o desenluvamento (ruptura com retração).
Mecanismos e lesões indiretas
Mecanismo
Agudo
Tardio ou crônico
Indireto
Estiramento da junção miotendínea
Dor muscular tardia (DOMS) · cicatriz desordenada com fibrose e atrofia
Direto
Contusão com hemorragia · laceração
Hematoma subagudo e crônico · miosite ossificante
Fáscia
Síndrome compartimental aguda
Síndrome compartimental crônica de esforço · hérnia muscular
DOMS, 15 anos
Axial T2 com supressão, 2 dias depois do exercício: hipersinal da cabeça curta do bíceps femoral com arquitetura preservada (seta).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 17. Ver artigo
Estiramento grau 1 do gastrocnêmio, 25 anos
US longitudinal: alteração discreta (pontas de seta).Coronal STIR (short tau inversion recovery: sequência com supressão de gordura por inversão): edema em pena.
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 36. Ver artigo
Estiramento com lesão intratendínea, 35 anos
Axial DP com supressão: cabeça longa do bíceps femoral com edema (seta) e lesão do tendão (seta curva).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 38. Ver artigo
Lesão indireta
RM
Estiramento
Na junção miotendínea · edema em pena, líquido, gap · clínica: 1 dor, 2 perda de força e amplitude, 3 ruptura completa
DOMS
Horas a dias depois de exercício excêntrico intenso · músculo inteiro ou grupo funcional com hipersinal em T2, arquitetura preservada, sem foco na junção · pico em 3 a 5 dias, resolve em 1 a 2 semanas (sinal sutil até 80 dias)
Avulsão
Criança: fragmento ósseo (que some no tendão escuro da RM: ver na radiografia)
Contusão, hematoma e laceração
A contusão é a segunda causa de afastamento no atleta (quadríceps: reto femoral e vasto
intermédio). Objeto pequeno lesa mais; músculo relaxado sofre junto ao osso. Parece maior que o
estiramento, mas cura em cerca de metade do tempo, e não se centra na junção miotendínea.
Fase do hematoma
Produto
T1
T2
Aguda
Desoxi-hemoglobina
Hipossinal
Hipossinal
Subaguda precoce
Meta-hemoglobina intracelular
Hipersinal
Hipossinal
Subaguda tardia
Meta-hemoglobina extracelular
Hipersinal
Hipersinal
Crônica
Hemossiderina
Hipossinal
Hipossinal
Contusão do vasto intermédio, 22 anos
Desenho: o golpe com o músculo relaxado lesa junto ao osso; à direita, sagital T2 com supressão 4 semanas depois (seta).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 18. Ver artigo
Contusão do vasto medial
Axial DP com supressão (seta).Sagital T2 com supressão: lesão fora da junção (seta).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 19. Ver artigo
Hematoma agudo, 6 h depois do golpe
Axial DP com supressão: hematoma escuro no vasto medial com halo de edema (setas).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 20. Ver artigo
Lesão de Morel-Lavallée, 48 anos
Coronal T1: coleção subaguda (seta) com anel escuro (pontas de seta), sangue entre as lâminas da fáscia.
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 21. Ver artigo
Hematoma subagudo no US, 53 anos
Longitudinal: coleção anecoica no vasto lateral (setas).Doppler colorido: sem fluxo.
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 22. Ver artigo
Hematoma subagudo, 27 anos
Axial T2: coleção no vasto intermédio (setas) 2 a 3 semanas depois.
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 23. Ver artigo
Tumor que sangrou: sarcoma, 63 anos
Axial T1: meta-hemoglobina no centro, por necrose depois da radioterapia.
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 24. Ver artigo
Hematoma subagudo precoce, 31 anos
Axial T1: anel periférico de hipersinal no braquial (setas).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 25. Ver artigo
Laceração por faca, 30 anos
Axial T2: defeito nos paravertebrais direitos (*).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 26. Ver artigo
hematoma ou tumor
No hematoma subagudo precoce o hipersinal em T1 forma um anel periférico; no tumor que sangrou a
meta-hemoglobina fica no centro (necrose). Hematoma sem trauma claro ou que volta no mesmo lugar:
pensar em tumor, malformação vascular ou pseudoaneurisma, e seguir com US até sumir. Hemorragia
intersticial rica em meta-hemoglobina pode parecer gordura no T1.
Laceração é o corte por objeto cortante (ou fragmento de fratura): defeito linear com sangue,
pele rota e gás; projétil e injeção não entram. A sutura do músculo falha muito.
Fáscia: compartimento e hérnia
Fáscia
Clínica
Imagem
Síndrome compartimental aguda
Mais de 70% por fratura da tíbia ou da fíbula · perna anterior e lateral · dor desproporcional, parestesia, palidez, paralisia, ausência de pulso
Emergência cirúrgica (fasciotomia): a imagem atrasa · RM: músculo abaulado, realce periférico com centro sem realce (necrose)
Síndrome crônica de esforço
Dor no exercício que passa no repouso, perna anterior ou lateral, muitas vezes bilateral
Pressão medida 1 a 5 min após o exercício · RM logo depois mostra hipersinal que some em 30 min, igual ao de voluntários: especificidade não estabelecida
Hérnia muscular
Adulto jovem; massa que aparece na contração e em pé · tibial anterior
Músculo normal atravessando a fáscia · US dinâmico em pé e em contração é mais sensível · corrigir o defeito pode causar síndrome compartimental
Os compartimentos da perna
Desenho: anterior, lateral, posterior profundo e posterior superficial.Axial T1: as fáscias (pontas de seta).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 27. Ver artigo
Síndrome compartimental não reconhecida, 33 anos
Axial T1: compartimentos anterior e lateral abaulados.T1 com supressão pós-contraste: realce periférico e centro sem realce (setas, ponta de seta), necrose.
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 28. Ver artigo
Síndrome crônica de esforço, corredor de 30 anos
Axial T2 com supressão depois de 20 min de bicicleta: hipersinal do compartimento anterior (setas).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 29. Ver artigo
Hérnia do tibial anterior, 32 anos
Axial T1: músculo saindo pela fáscia (setas).T2 com supressão.
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 30. Ver artigo
Hérnia pós-traumática do vasto lateral
Axial T1 (pontas de seta).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 31. Ver artigo
Hérnia do gastrocnêmio medial no US, 27 anos
Em repouso.Na contração: a hérnia aparece.
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 32. Ver artigo
Graduação e prognóstico
Sistema
Graus
Local
US por área de secção
1 menos de 20% · 2 de 20 a 50% (qualquer gap) · 3 mais de 50%
Munique (2012)
Funcional × estrutural · 3a menos de 5 mm · 3b mais de 5 mm · 4 mais de 50% ou avulsão
Não
British Athletics
0 RM negativa · 1 menos de 10% da área e menos de 5 cm · 2 de 10 a 50% e 5 a 15 cm · 3 mais de 50% e mais de 15 cm · 4 ruptura completa
a miofascial (melhor) · b miotendínea · c intratendínea (pior)
MLG-R (mechanism, location, grade, re-injury: mecanismo, local, grau e relesão)
0 negativa · 1 até 10% · 2 de 11 a 25% · 3 de 26 a 49% · 4 50% ou mais
Tendão, junção ou periférico, proximal ou distal · R = número da relesão (recupera cerca de 30% mais devagar)
Relesão por volta precoce
Axial DP com supressão: estiramento leve do semimembranoso.Depois da volta em 12 dias: relesão moderada (setas).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 33. Ver artigo
Tríceps distal, 29 anos
Axial DP: lesão miotendínea distal das cabeças medial e longa (seta curva e seta).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 37. Ver artigo
Relesão sobre fibrose (sufixo R do MLG-R)
Axial DP com supressão: semimembranoso e semitendíneo (seta e seta curva).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 39. Ver artigo
o que alonga o afastamento
Lesão do tecido conjuntivo (tendão intramuscular, aponeurose), sobretudo com gap transverso e
tendão ondulado; tendão livre proximal dos isquiotibiais; tendão central do sóleo e do reto femoral;
bíceps femoral (cura mais devagar e relesiona mais). RM normal prediz volta rápida; a relesão é de até
15% (quase 30% no atleta profissional).
Cicatrização anormal e miosite ossificante
A cicatriz em excesso deixa o tendão espessado; no músculo, fibrose e gordura (comparar com o outro
lado). A miosite ossificante vem sobretudo do trauma direto (quadríceps, adutores, braquial) e
amadurece em zonas.
Miosite ossificante
Achado
Imatura
Massa mal definida com muito edema (simula sarcoma) ou anel que realça (simula abscesso)
Intermediária
Calcificação tênue na margem em 2 a 4 semanas, melhor vista na TC
Madura (6 semanas ou mais)
Padrão zonal: anel de osso maduro na periferia, centro celular que depois vira medula gordurosa
Cicatrização anormal, 76 anos
Axial T1: fibrose da aponeurose posterior e gordura no reto femoral (setas).
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 34. Ver artigo
Miosite ossificante, 6 semanas depois de um chute
Axial T2: massa no vasto medial (seta).TC 2 semanas depois: anel de ossificação na periferia.
Fonte: Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. RadioGraphics 2018;38(1):124-148, Fig. 35. Ver artigo
As fases da cicatrização na RM
Classificação proposta a partir de 310 RMs de 128 atletas de um clube de futebol profissional.
A cicatriz amadurece da periferia para o centro (fibronectina, depois colágeno III, depois colágeno
I) e passa de hipersinal para hipossinal em T1 e em T2.
Fase de cicatrização
Quando
RM
1 Destruição
Primeiras 48 h
Gap no conjuntivo, edema em pena e intermuscular · conjuntivo mais espesso que o normal = relesão sobre cicatriz
2A Reparo precoce
Por volta do dia 8
Cicatriz imatura: lesão em alvo, halo de sinal intermediário com centro mais claro
2B Reparo tardio
3 a 4 semanas
Halo de maturação contínuo e escuro, centro heterogêneo · maior diâmetro da cicatriz
3A Reparo e remodelação
7 a 8 semanas
Centro escuro heterogêneo · olhar o T1: área clara = cicatriz ainda imatura
3B Remodelação
10 semanas
Cicatriz madura alongada, homogeneamente escura em T1 e T2
Cicatrizado
Meses
Cicatriz adaptada ao conjuntivo vizinho, leve espessamento fusiforme, sem edema
As fases ao longo do tempo
Fase 1, 24 h: gap e edema (tendão central dos isquiotibiais, 18 anos).Desenho da fase 1.Fase 2A, dia 10: cicatriz imatura em alvo (sóleo, 35 anos).Desenho da fase 2A.Fase 2B, dia 20: halo de maturação (bíceps femoral, 24 anos).Desenho da fase 2B.Fase 3A, 5 semanas (a mesma lesão do primeiro painel).Desenho da fase 3A.Fase 3B, 8 semanas: cicatriz escura homogênea.Desenho da fase 3B.Cicatrizado, 16 semanas.Desenho do estágio final.
Fonte: Isern-Kebschull J, Mechó S, Pedret C, et al. RadioGraphics 2024;44(8):e230147, Fig. 1. Ver artigo
Fase 1, 24 h: tendão intramuscular do bíceps, 30 anos
Axial: edema em pena e intermuscular (seta).Sagital: perda de tensão do tendão (ponta de seta).
Fonte: Isern-Kebschull J, Mechó S, Pedret C, et al. RadioGraphics 2024;44(8):e230147, Fig. 2. Ver artigo
Relesão sobre tendão espessado, 22 anos
Coronal: tendão livre dos isquiotibiais espesso e rompido (seta), 9 semanas depois da lesão do tendão central.
Fonte: Isern-Kebschull J, Mechó S, Pedret C, et al. RadioGraphics 2024;44(8):e230147, Fig. 3. Ver artigo
Fase 1, 48 h: aponeurose distal do semimembranoso, 32 anos
Axial: líquido intermuscular (seta).
Fonte: Isern-Kebschull J, Mechó S, Pedret C, et al. RadioGraphics 2024;44(8):e230147, Fig. 4. Ver artigo
Fase 2A, dia 15: septo central do reto femoral, 24 anos
Axial: cicatriz imatura com halo ainda incompleto (seta).
Fonte: Isern-Kebschull J, Mechó S, Pedret C, et al. RadioGraphics 2024;44(8):e230147, Fig. 5. Ver artigo
Fase 2A, dia 17: tendão livre dos isquiotibiais, 27 anos
Axial: cicatriz imatura sem anel completo (seta).
Fonte: Isern-Kebschull J, Mechó S, Pedret C, et al. RadioGraphics 2024;44(8):e230147, Fig. 6. Ver artigo
Fase 2B, semana 3: septo central do reto femoral, 18 anos
Axial: halo contínuo e escuro (seta).
Fonte: Isern-Kebschull J, Mechó S, Pedret C, et al. RadioGraphics 2024;44(8):e230147, Fig. 7. Ver artigo
Semana 8, o mesmo septo: cicatriz ainda imatura
Axial (seta).
Fonte: Isern-Kebschull J, Mechó S, Pedret C, et al. RadioGraphics 2024;44(8):e230147, Fig. 8. Ver artigo
Fase 3A, semana 8: tendão central dos isquiotibiais, 19 anos
T1: cicatriz heterogênea, ainda com áreas claras (seta).T2: homogênea (seta). Quem decide é o T1.
Fonte: Isern-Kebschull J, Mechó S, Pedret C, et al. RadioGraphics 2024;44(8):e230147, Fig. 9. Ver artigo
Fase 3B, semana 11: septo central do reto femoral, 18 anos
T1: cicatriz madura (seta).T2 (seta).
Fonte: Isern-Kebschull J, Mechó S, Pedret C, et al. RadioGraphics 2024;44(8):e230147, Fig. 10. Ver artigo
Cicatrizado, semana 14: aponeurose posterior do reto femoral, 20 anos
Axial: cicatriz adaptada à aponeurose (seta).
Fonte: Isern-Kebschull J, Mechó S, Pedret C, et al. RadioGraphics 2024;44(8):e230147, Fig. 11. Ver artigo
Fases diferentes na mesma lesão, semana 5
Coronal: tendão central dos isquiotibiais e os níveis dos cortes.Axial no nível B.Axial no nível D.Axial no nível C.Axial no nível E: de 2A a 3B ao longo da lesão.
Fonte: Isern-Kebschull J, Mechó S, Pedret C, et al. RadioGraphics 2024;44(8):e230147, Fig. 12. Ver artigo
Semana 4: cicatriz madura com foco imaturo, 22 anos
Coronal (seta).
Fonte: Isern-Kebschull J, Mechó S, Pedret C, et al. RadioGraphics 2024;44(8):e230147, Fig. 13. Ver artigo
a área mais imatura manda
Uma lesão grande pode ter pedaços em fases diferentes: a reabilitação e o retorno seguem a parte
mais imatura. A cicatriz madura resiste; a relesão acontece no tecido ao lado dela.
+ complemento · o protocolo
3 T ou 1,5 T otimizado, bobina flexível, cortes de menos de 4 mm, campo unilateral de menos de 30 cm.
Protocolo curto: duas sequências intermediárias com supressão de gordura (TE (tempo de eco) de 40 a 65 ms; coronal na
lesão medial ou lateral, sagital na anterior ou posterior, mais axial) e um axial T1. No seguimento,
repetir a mesma cobertura, a cada 15 dias. Na fase 1: repouso, gelo e compressão; depois do 7º dia,
isometria e carga crescente.
Sinais de alerta de relesão
Sinal de alerta
Risco
Gap transverso ou misto do conjuntivo
Desfavorável
Perda de tensão do tendão (ondulado)
Desfavorável
Gap na cicatriz
Desfavorável
Edema em pena ou intermuscular que persiste ou volta
Desfavorável: reduzir a carga
Cicatriz imatura que persiste
Desfavorável
Divisão longitudinal do conjuntivo (cicatriz bifasciculada)
Favorável, se a tensão foi preservada
Edema algodonoso (recrutamento compensatório) ou leve em volta da cicatriz
Favorável
Divisão longitudinal, sem risco, semana 8
Axial: separação entre o conjuntivo do semitendíneo e o da cabeça longa do bíceps (seta).
Fonte: Isern-Kebschull J, Mechó S, Pedret C, et al. RadioGraphics 2024;44(8):e230147, Fig. 14. Ver artigo
Edemas favoráveis
Edema algodonoso no reto femoral, 16 semanas (seta).Edema reparativo em volta da cicatriz do bíceps femoral, 11 semanas (seta).
Fonte: Isern-Kebschull J, Mechó S, Pedret C, et al. RadioGraphics 2024;44(8):e230147, Fig. 15. Ver artigo
Edemas desfavoráveis
Edema intermuscular em 10 semanas, isquiotibiais (pontas de seta).Edema em pena em 4 semanas, reto femoral (seta).
Fonte: Isern-Kebschull J, Mechó S, Pedret C, et al. RadioGraphics 2024;44(8):e230147, Fig. 16. Ver artigo
Os sinais de alerta
Gap transverso, 8 semanas.Perda de tensão, 6 semanas.Edema intermuscular, 21 dias.Gap na cicatriz, 6 semanas.Edema em pena, 6 semanas. Houve relesão nos casos do 1º, do 4º e do 5º painéis.
Fonte: Isern-Kebschull J, Mechó S, Pedret C, et al. RadioGraphics 2024;44(8):e230147, Fig. 17. Ver artigo
Relesão ao lado da cicatriz, sóleo, semana 7
Axial: cicatriz madura (seta) e nova ruptura adjacente (ponta de seta).
Fonte: Isern-Kebschull J, Mechó S, Pedret C, et al. RadioGraphics 2024;44(8):e230147, Fig. 18. Ver artigo
Relesão ao lado da cicatriz, tendão livre, semana 15
Axial: cicatriz madura (seta) e ruptura adjacente (ponta de seta).
Fonte: Isern-Kebschull J, Mechó S, Pedret C, et al. RadioGraphics 2024;44(8):e230147, Fig. 19. Ver artigo
a contaDois ou mais sinais de alerta no T2 de seguimento = risco alto de relesão.
Pontos de prova: alto rendimento
Criança
Avulsão óssea
Adulto jovem
Junção miotendínea
Mais estirado
Cabeça longa do bíceps femoral
Unipeniforme
Líquido superficial já na leve
Tennis leg
Líquido entre gastrocnêmio e sóleo
DOMS
Músculo inteiro, sem foco, pico 3 a 5 dias
Contusão
Fora da junção, cura mais rápido
Hematoma × tumor
Anel periférico × centro
SC (síndrome compartimental) aguda
Fratura de tíbia, emergência
Hérnia
Tibial anterior, US dinâmico
British Athletics c
Intratendínea, pior
Miosite ossificante
Zonal, TC na 2ª a 4ª semana
Fase 2A
Lesão em alvo
Fase 3B
Cicatriz escura homogênea
Relesão
2 ou mais sinais de alerta
Armadilhas e erros comuns
Erros
Supergraduar a perna do tenista pelo líquido
Chamar DOMS de estiramento
Laudar sarcoma numa miosite ossificante imatura
Ler meta-hemoglobina como gordura
Confiar na RM para hérnia pequena
Liberar pelo T2 com T1 ainda claro na cicatriz
Tomar a divisão longitudinal da cicatriz por relesão
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1
Adolescente de 14 anos sente estalo no quadril ao chutar. Na unidade músculo-tendão-osso, o local mais provável da falha é:
Com a fise aberta, o elo fraco é o osso: avulsão da apófise (espinha ilíaca anteroinferior no reto femoral, anterossuperior no sartório). No adulto jovem falha a junção miotendínea; no idoso, o tendão degenerado.
Na RM de estiramento leve de um músculo unipeniforme, é esperado:
No unipeniforme a junção miotendínea é superficial, contínua com o epimísio: há líquido superficial mesmo na lesão leve. No bipeniforme (tendão central), o edema em pena fica dentro e quase não há líquido por fora.
Dois dias depois de um treino excêntrico novo, dor nas coxas. RM: hipersinal difuso em T2 de todo o grupo, arquitetura preservada, sem foco na junção. O diagnóstico:
DOMS: músculo inteiro ou grupo funcional, arquitetura preservada, sem foco na junção, pico em 3 a 5 dias e resolução em 1 a 2 semanas. O estiramento se centra na junção miotendínea.
Coleção intramuscular com anel periférico de hipersinal em T1. Isso favorece:
No hematoma subagudo precoce a meta-hemoglobina forma anel periférico de hipersinal em T1; no tumor que sangrou ela fica no centro. Na dúvida, seguir com US até a resolução.
Fontes.
1. Flores DV, Mejía Gómez C, Estrada-Castrillón M, et al. MR Imaging of Muscle Trauma: Anatomy, Biomechanics,
Pathophysiology, and Imaging Appearance. RadioGraphics 2018;38(1):124-148. doi:10.1148/rg.2018170072
2. Isern-Kebschull J, Mechó S, Pedret C, et al. Muscle Healing in Sports Injuries: MRI Findings and Proposed
Classification Based on a Single Institutional Experience and Clinical Observation. RadioGraphics
2024;44(8):e230147. doi:10.1148/rg.230147
As fontes discordam nos prazos da cicatrização (a 1 fala em reparo de 3 a 60 dias; a 2, em remodelação até
12 meses) e na relesão (até 15% × quase 30% no profissional). Na fonte 2, o início das fases 3A e 3B varia
entre o texto (7 a 8 e 10 semanas), as médias da tabela (41 e 58 dias) e a figura 1 (5 e 8 semanas); o
caderno usa o texto. As legendas da fonte 2 dizem T2, mas o protocolo é de sequências intermediárias. Tirei
o corte anatômico e a histologia da fonte 1. Conferido em 07/10/2026.
Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das mesmas fontes.