A biópsia está sendo substituída por medidas: a rigidez estima a fibrose, a fração de
gordura estima a esteatose e o R2* estima o ferro. A RM faz as três num exame só; o US faz
rigidez e gordura. O valor só serve se a aquisição tiver qualidade e se o laudo disser o número da
forma combinada.
Pergunta
RM
US
Fibrose
Elastografia por RM (kPa, módulo de cisalhamento)
Elastografia por onda de cisalhamento (kPa ou m/s, módulo de Young)
Gordura
Fração de gordura (PDFF) em %
Coeficiente de atenuação, retrodispersão, velocidade do som
Ferro
R2* convertido em concentração de ferro (LIC)
Não mede
kPa da RM não é kPa do US
O US mede o módulo de Young; a RM, o módulo de cisalhamento. No mesmo fígado o número do US fica em
torno de três vezes o da RM, mas os dois não se convertem: cada método tem seus próprios
pontos de corte.
Elastografia por RM
Técnica (MRE)
O que o artigo recomenda
Equipamento
Driver ativo fora da sala, tubo até o driver passivo sobre o lobo direito (linha hemiclavicular, altura do xifoide), bem justo
Frequência
60 Hz, padronizada em todos os aparelhos
Jejum
4 a 6 horas: a rigidez sobe depois de comer
Respiração
Apneia em expiração (mais reprodutível)
Sequência
GRE (eco de gradiente) 2D a 1,5 T ou spin eco EPI (imagem ecoplanar; mais robusto no ferro) · 4 cortes no meio do fígado
Saída
Magnitude e fase (dados brutos), mapas de onda e elastogramas com mapa de confiança de 95%
Elastografia por RM de boa qualidade
Magnitude no meio do fígado: vazio de sinal na parede abdominal sob o driver (seta).Mapa de ondas: ondas que atravessam o fígado com pouca distorção (setas).Elastograma colorido com mapa de confiança: grande área de fígado livre das áreas hachuradas.Elastograma em cinza: ROI (região de interesse) de 2,1 kPa; ponto quente sob o driver (seta), fora da medida.
Fonte: Guglielmo FF, Barr RG, Yokoo T, et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220181, Fig. 4. Ver artigo
Como medir com copiar e colar e mapa de confiança
A ROI é desenhada no elastograma colorido fora das áreas hachuradas, copiada para a magnitude (evitando vasos e borda), para o mapa de ondas (evitando distorção) e para o elastograma em cinza, onde se lê o valor.
Fonte: Guglielmo FF, Barr RG, Yokoo T, et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220181, Fig. 8. Ver artigo
Como medir com copiar e colar, sem mapa de confiança
A ROI começa na magnitude (fora da borda e dos vasos), passa ao mapa de ondas e termina no elastograma, onde se lê a rigidez.
Fonte: Guglielmo FF, Barr RG, Yokoo T, et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220181, Fig. 9. Ver artigo
Como medir sem copiar e colar: o modo localizador
O cursor no elastograma (seta) marca o ponto correspondente na magnitude (círculo), para desviar de borda, vasos e massas; áreas de onda distorcida (caixa) e ponto quente de uma metástase (seta, no detalhe em T2) ficam de fora.
Fonte: Guglielmo FF, Barr RG, Yokoo T, et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220181, Fig. 10. Ver artigo
Como medir
Regra
ROI
Desenhada à mão na maior área de fígado de cada corte
Evitar
1 cm da borda, vasos grandes, fissuras, massas, fossa da vesícula, áreas hachuradas do mapa de confiança, ondas distorcidas e pontos quentes (sob o driver, na cúpula, junto de vasos)
Valor final
Média ponderada pela área das ROIs dos cortes, com a faixa
Olhar antes
Fígado normal: ondas finas que somem no centro, azul ou violeta · fígado duro: ondas grossas, verde a vermelho
Rigidez (MRE)
Interpretação (modelo de laudo do artigo)
Menor que 2,5 kPa
Normal
2,5 a 3,0 kPa
Normal ou inflamação
3,0 a 3,5 kPa
Fibrose estádio 1 a 2
3,5 a 4,0 kPa
Estádio 2 a 3
4,0 a 5,0 kPa
Estádio 3 a 4
Maior que 5,0 kPa
Estádio 4 ou cirrose
Fígado normal contra fígado fibrótico
Normal, mapa de ondas: ondas finas que se apagam no centro (setas).Normal, elastograma: azul e violeta, 1,9 kPa.Outro paciente, fibrose: ondas grossas que atravessam o fígado (setas).Elastograma: vermelho e laranja, 9,5 kPa (estádio 4).
Fonte: Guglielmo FF, Barr RG, Yokoo T, et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220181, Fig. 7. Ver artigo
Falha
Causa e solução
Sem vazio de sinal na parede, sem ondas
Tubo solto ou driver desligado: reconectar, ligar
Ondas fracas, ROI pequena
Driver frouxo, amplitude baixa, cólon entre o driver e o fígado: reposicionar, aumentar a amplitude
Fígado escuro, sem ondas
Sobrecarga de ferro: TE (tempo de eco) menor, spin eco EPI, 1,5 T
Ondas caóticas
Ascite volumosa: 1,5 T, paracentese
Ponto quente sob o driver
Amplitude alta demais: diminuir
Qualidade do elastograma em quatro pacientes
Alta qualidade: muita área de fígado dentro da ROI.Baixa qualidade: pouca área medível (sobrecarga leve de ferro, GRE).Baixa qualidade em outro paciente, pela mesma causa.Não diagnóstico: sem área medível.
Fonte: Guglielmo FF, Barr RG, Yokoo T, et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220181, Fig. 5. Ver artigo
Fígado normal que parece exame ruim
Elastograma colorido: fígado quase todo azul (setas), rigidez baixa.Outro corte do mesmo paciente.Mapa de ondas: ondas finas que escurecem no centro, atenuadas pelo fígado mole (setas).Elastograma em cinza: ROIs de 1,9 e 2,0 kPa, fora do ponto quente (seta dourada).
Fonte: Guglielmo FF, Barr RG, Yokoo T, et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220181, Fig. 6. Ver artigo
o fígado mole parece exame ruim
No fígado normal (menos de cerca de 2,5 kPa) as ondas se apagam rápido e sobra pouca área para medir.
Parece exame de baixa qualidade, mas não precisa repetir.
Elastografia por US
As técnicas de força de radiação acústica (ARFI) empurram o tecido com um pulso focado e medem a
onda: a pSWE (elastografia pontual por onda de cisalhamento) mede um volume fixo de cerca de 1 cm³; a SWE 2D (elastografia bidimensional por onda de cisalhamento) mostra um mapa colorido.
Cada fabricante calcula de um jeito: o seguimento deve ser no mesmo aparelho.
Qualidade (SWE)
Regra
Imagem B
Otimizada, sem artefato e sem sombra
Transdutor
Perpendicular à cápsula: angulado, a refração enfraquece o pulso
Profundidade
Onde o pulso é mais forte, 4 a 4,5 cm do transdutor · mesma profundidade no controle
Número
pSWE: 10 medidas (5 se necessário) · SWE 2D: 5 medidas quando há critério de qualidade do fabricante
IQR (intervalo interquartil)/mediana
Até 30% em kPa ou 15% em m/s · garante precisão, não exatidão
Artefatos
Pulsação de vaso, vaso logo fora do plano (áreas azul-esverdeadas), reverberação da cápsula, campo fundo demais
Mapas de qualidade da SWE 2D em cinco aparelhos
Limiar de confiança ajustado em 60% (seta branca): sinais de qualidade baixa ficam fora do mapa; reverberação da cápsula no campo próximo (seta amarela).Verde ou amarelo no mapa de qualidade é aceitável (seta).Mapa de confiabilidade do roxo (ruim) ao verde (ótimo) e índice de estabilidade de movimento em estrelas (seta).Mapa de 0 (vermelho) a 100 (branco); a caixa fica branca quando o programa julga a medida boa.Índice de confiabilidade de cada medida (seta).
Fonte: Guglielmo FF, Barr RG, Yokoo T, et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220181, Fig. 23. Ver artigo
Mapa de propagação e índice de estabilidade
Mapa de propagação com linhas paralelas e equidistantes: aquisição boa (mapa de elasticidade à esquerda).Índice de estabilidade, que deve passar de 90%; reverberação junto à cápsula (seta branca) e área vazia junto a um vaso (seta amarela).
Fonte: Guglielmo FF, Barr RG, Yokoo T, et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220181, Fig. 24. Ver artigo
Critérios de qualidade da SWE pontual em quatro aparelhos
VsN (índice de confiabilidade: porcentagem de sequências de pulso efetivas) de 50% ou mais (seta); desvio padrão até 30% da média; índice de confiabilidade; e um sistema que faz 15 medidas por pulso com transdutor que chega a 14 cm.
Fonte: Guglielmo FF, Barr RG, Yokoo T, et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220181, Fig. 25. Ver artigo
Artefato de pulsação de vaso
Mapa de elasticidade com o vaso no campo (seta branca) e rigidez falsa em volta (setas amarelas); no mapa de propagação as linhas se afastam e perdem o paralelismo (seta verde).
Fonte: Guglielmo FF, Barr RG, Yokoo T, et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220181, Fig. 27. Ver artigo
Artefato de vaso logo fora do plano
No mapa de elasticidade aparecem áreas azul-esverdeadas (setas) que a caixa de medida deve evitar, embora o mapa de qualidade (esquerda) pareça bom.
Fonte: Guglielmo FF, Barr RG, Yokoo T, et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220181, Fig. 28. Ver artigo
Perda de sinal por profundidade
Campo posicionado fundo demais (7 cm do transdutor): o pulso enfraquece e a parte profunda do mapa perde sinal; o ideal é 4 a 4,5 cm.
Fonte: Guglielmo FF, Barr RG, Yokoo T, et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220181, Fig. 29. Ver artigo
Regra dos quatro (SRU)
Hepatite viral e esteatose metabólica
Até 5 kPa (1,3 m/s)
Alta probabilidade de normal
Menor que 9 kPa (1,7 m/s)
Afasta doença hepática crônica avançada compensada, sem outros sinais clínicos
9 a 13 kPa (1,7 a 2,1 m/s)
Sugere doença avançada: investigar mais
Maior que 13 kPa (2,1 m/s)
Confirma doença hepática crônica avançada compensada (F3 e F4)
o que muda de um exame para outro
A medida varia cerca de 10%: só uma mudança de 10% ou mais tem significado. Na esteatose metabólica o
corte de doença avançada pode ser menor (7 a 9 kPa). Em outras causas os cortes não estão
estabelecidos.
O que aumenta a rigidez sem fibrose
Fator
Como reconhecer
Hepatite aguda, transaminases altas
AST (aspartato aminotransferase) ou ALT (alanina aminotransferase) até 5 vezes o normal superestimam a fibrose
A rigidez cai: a inflamação melhora em semanas, a fibrose em meses · usar o valor do fim do tratamento como base
não traduzir em escore histológico
Rigidez é rigidez: o laudo dá o número e a interpretação com os confundidores, sem converter para
estádio de biópsia, e lembra de correlacionar com a clínica e os exames.
Gordura: PDFF e US
As imagens em fase e fora de fase mostram gordura, mas a fração calculada delas sofre com T1, T2* e o
espectro complexo da gordura. A PDFF corrige isso: GRE com vários ecos, ângulo baixo (contra o
T1), correção de T2* em seis ecos e modelo de gordura com vários picos, numa apneia de 10 a 20 s.
PDFF
Grau (Tang et al.)
Menor que 6%
Normal
6 a 17%
Grau 1 (leve)
17 a 22%
Grau 2 (moderado)
Maior que 22%
Grau 3 (grave)
Sequência de gordura e ferro sem gordura nem ferro
Fora de fase e em fase sem queda de sinal; mapa de PDFF (0 a 100%) e mapa de R2* (0 a 250/s) normais.
Fonte: Guglielmo FF, Barr RG, Yokoo T, et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220181, Fig. 14. Ver artigo
Gordura e ferro no mesmo fígado
Queda de sinal fora de fase (esteatose), confirmada no mapa de PDFF, e R2* levemente aumentado.
Fonte: Guglielmo FF, Barr RG, Yokoo T, et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220181, Fig. 15. Ver artigo
ROIs no mapa de PDFF
Sem fator de escala: média de 21% (moderada).Com fator de escala 10: a gordura subcutânea marca 960 (96%) e o fígado 8,4% (leve).
Fonte: Guglielmo FF, Barr RG, Yokoo T, et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220181, Fig. 16. Ver artigo
Troca água-gordura local
Imagem de água: área trocada (setas).Imagem de gordura.PDFF de 91% no fígado: impossível.R2* da mesma área, também errado.
Fonte: Guglielmo FF, Barr RG, Yokoo T, et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220181, Fig. 17. Ver artigo
Troca água-gordura global
Imagem de água.Imagem de gordura.PDFF de 104% no fígado.R2*, também sem valor.
Fonte: Guglielmo FF, Barr RG, Yokoo T, et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220181, Fig. 18. Ver artigo
Como medir
Regra
ROIs
Pelo menos 4, de 2 cm ou mais: 2 a 3 no lobo direito, 1 a 2 no esquerdo · evitar vasos, lesões, borda e artefatos
Campo
A PDFF não depende de 1,5 ou 3 T
Escala
Alguns aparelhos multiplicam por 10: a gordura subcutânea deve dar 80 a 100% (960 = 96%)
Troca água-gordura
Valores impossíveis no fígado (91%, 104%): não medir ali; o R2* também está errado
Ferro grave
A PDFF não pode ser interpretada
Gordura ao US
O que o artigo diz
Modo B
Sensibilidade de 100% e especificidade de 90% para esteatose em 20% ou mais dos hepatócitos, menos nos graus leves · muita variação entre observadores
Índice hepatorrenal
Corte ótimo varia de 1,24 a 2,2 na literatura
Coeficiente de atenuação
Boa concordância com a PDFF · dB/cm/MHz com 2 casas
Retrodispersão e velocidade do som
Gordura dispersa mais e deixa o som mais lento · há fração de gordura derivada do US que combina atenuação e retrodispersão
Cortes
O artigo não dá números: usar os do fabricante
Fração de gordura derivada do US
O aparelho combina atenuação e retrodispersão e dá a gordura em porcentagem (seta amarela); a linha acima da caixa (seta branca) fica na altura da cápsula para padronizar a profundidade.
Fonte: Guglielmo FF, Barr RG, Yokoo T, et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220181, Fig. 30. Ver artigo
Ferro: R2* e concentração hepática
O R2* sai da mesma sequência da PDFF e é linear com a concentração de ferro (LIC); foi validado em
vários fabricantes a 1,5 e 3 T. O R2 por spin eco (FerriScan) é a alternativa mais lenta, com análise
fora do serviço.
Ferro
R2* a 1,5 T
R2* a 3,0 T
LIC (mg Fe/g)
Ausente
Menor que 75/s
Menor que 136/s
Menor que 1,8
Leve
75 a 128/s
136 a 238/s
1,8 a 3,2
Moderado
129 a 274/s
239 a 520/s
3,2 a 7,0
Grave
275 a 581/s
521 a 1113/s
7,0 a 15,0
Extremo
582/s ou mais
1114/s ou mais
15,0 ou mais
Falha por sobrecarga grave de ferro
Imagem de água.Imagem de gordura.PDFF sem valor.R2* pontilhado em tempestade de neve: não usar.
Fonte: Guglielmo FF, Barr RG, Yokoo T, et al. RadioGraphics 2023;43(6):e220181, Fig. 20. Ver artigo
Calibração
Fórmula
1,5 T (todos os fabricantes)
LIC = 0,02603 × R2* − 0,16
3,0 T (GE, Philips)
LIC = 0,01349 × R2* − 0,03
2,89 T (Siemens)
LIC = 0,01400 × R2* − 0,03
o mapa em tempestade de neve
No ferro grave ou extremo o sinal cai rápido demais: o mapa de R2* fica pontilhado, e nem o R2* nem
a PDFF valem. A saída é primeiro eco e intervalo entre ecos abaixo de 1 ms; se não der, FerriScan ou
biópsia.
O laudo
Arredondar
Como
Rigidez na RM
Uma casa (2,3 kPa), média ponderada e faixa
Rigidez no US
kPa com uma casa (5,3) · m/s com duas (1,41) · número de medidas e IQR/mediana
PDFF
Inteiro (10%), média e faixa
R2* e LIC
R2* inteiro (76/s) · LIC com uma casa (18,2 mg Fe/g) · campo magnético
Atenuação
Duas casas (0,62 dB/cm/MHz)
a impressão em três partes
Rigidez (com a provável faixa de fibrose), grau de esteatose e grau de ferro, cada um com o número,
e um lembrete de correlacionar com a clínica e com os confundidores presentes.
Pontos de prova: alto rendimento
MRE (elastografia por RM)
60 Hz, jejum de 4–6 h, expiração
MRE normal
Menor que 2,5 kPa
MRE cirrose
Maior que 5 kPa
Valor da MRE
Média ponderada pela área
MRE sem ondas, fígado escuro
Ferro
SWE: IQR/M
≤30% kPa, ≤15% m/s
SWE: profundidade
4–4,5 cm
Regra dos quatro
5, 9, 13, 17 kPa
Maior que 17 kPa
Hipertensão portal significativa
Mudança relevante
10% ou mais
US × RM
Não converter
Confundidores
Hepatite, congestão, comida, obstrução
PDFF normal
Menor que 6%
PDFF grave
Maior que 22%
Gordura subcutânea
80–100% (checar escala)
PDFF 104%
Troca água-gordura
R2* ferro ausente 1,5 T
Menor que 75/s
R2* pontilhado
Ferro grave, não vale
Armadilhas e erros comuns
Erros
Fazer elastografia sem jejum e chamar de fibrose
Ler rigidez alta na congestão ou na hepatite aguda como fibrose
Converter kPa do US em kPa da RM
Medir ponto quente sob o driver
Aceitar SWE com IQR/mediana acima do limite
Esquecer o fator de escala da PDFF
Medir PDFF ou R2* em área de troca água-gordura
Usar o mapa de R2* pontilhado do ferro grave
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1
Na elastografia por RM, o fígado aparece escuro na imagem de magnitude e não há ondas no parênquima. A causa mais provável e a solução são:
A sobrecarga de ferro derruba o sinal do fígado e as ondas desaparecem. Encurtar o TE, usar spin eco EPI e, se possível, 1,5 T resolvem. Driver desligado tira também o vazio de sinal da parede; o fígado normal tem ondas finas que se apagam no centro.
Na elastografia por onda de cisalhamento com resultado em kPa, até qual valor de IQR/mediana o conjunto de medidas é aceitável?
IQR/mediana até 30% em kPa ou 15% em m/s (a conversão entre as unidades não é linear). Um valor baixo garante precisão, não exatidão: a imagem B e a técnica continuam importando.
Paciente com esteatose metabólica tem rigidez de 14 kPa na elastografia por US, sem outros sinais clínicos. Pela regra dos quatro da SRU (Society of Radiologists in Ultrasound):
Regra dos quatro: até 5 kPa provável normal; menos de 9 afasta doença avançada; 9 a 13 sugere; mais de 13 kPa confirma doença hepática crônica avançada compensada (F3 e F4); mais de 17 sugere hipertensão portal clinicamente significativa.
Rigidez de 3,8 kPa na elastografia por RM em paciente com cava e veias hepáticas dilatadas por insuficiência tricúspide. A interpretação correta é:
A congestão (insuficiência cardíaca, tricúspide, Fontan) aumenta a rigidez sem fibrose e não se sabe quanto: os pontos de corte não podem ser aplicados. Hepatite aguda, comida e obstrução biliar também superestimam.
A fração de gordura (PDFF) do fígado mede 19%. O grau de esteatose é:
Pelos cortes usados no artigo: menos de 6% normal, 6 a 17% grau 1, 17 a 22% grau 2, mais de 22% grau 3. Antes de graduar, confira a escala com a gordura subcutânea (80 a 100%).
O mapa de R2* tem aspecto pontilhado, em tempestade de neve, num paciente politransfundido. O que fazer?
No ferro grave ou extremo o sinal cai rápido demais e o R2* (e a PDFF) não valem. A solução é primeiro eco e intervalo entre ecos abaixo de 1 ms; se não der, FerriScan ou biópsia. TE maior pioraria.
Fonte.
Guglielmo FF, Barr RG, Yokoo T, et al. Liver Fibrosis, Fat, and Iron Evaluation with MRI and Fibrosis
and Fat Evaluation with US: A Practical Guide for Radiologists. RadioGraphics 2023;43(6):e220181.
doi:10.1148/rg.220181
Os cortes da elastografia por RM vêm do modelo de laudo do artigo, sem tabela de validação própria, e
as faixas se encostam (3,0, 3,5, 4,0 e 5,0 kPa aparecem em duas). O artigo não traz cortes numéricos de
atenuação nem de FibroScan, nem a distribuição do ferro por órgão (hemocromatose × transfusão). Os
esquemas e quadros com texto em inglês foram tirados; as telas dos aparelhos de US trazem os textos
do próprio equipamento. Conferido em 07/10/2026.
Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados da mesma fonte.