Cadernos QRad 48 · Tireoide: ACR TI-RADS
Cabeça e pescoço · estratificação de risco

Tireoide: ACR TI-RADS

Fonte: Tessler et al, J Am Coll Radiol 2017;14(5):587–595

Um sistema que soma, não que reconhece padrões

Nódulos de tireoide aparecem em até 68% dos adultos no ultrassom de alta resolução. A esmagadora maioria é benigna, e o problema que o ACR (American College of Radiology) TI-RADS (Thyroid Imaging Reporting and Data System) quer resolver não é “diagnosticar todo câncer de tireoide”. O comitê escreve isso com todas as letras: diagnosticar toda malignidade tireoidiana não deve ser o nosso objetivo.

por que somar em vez de reconhecer padrões O comitê rejeitou a abordagem por padrões, usada pela ATA (American Thyroid Association), apoiado num estudo que mostrou que as diretrizes da ATA não conseguiam classificar 3,4% de 1.293 nódulos, e que 18,2% desses inclassificáveis eram malignos.

Um sistema de pontos sempre classifica. Não há nódulo que fique de fora, porque cada categoria tem uma opção de zero ponto.
a mecânica em uma frase São cinco categorias. Nas quatro primeiras: composição, ecogenicidade, forma e margem; escolhe-se uma opção. Na quinta (focos ecogênicos) marcam-se todas as que se aplicam. Somam-se os pontos, e o total define o nível de TR1 a TR5 (TR de TI-RADS, seguido do nível).
o TI-RADS do ACR não é o único Desde 2009 várias sociedades propuseram sistemas de estratificação por ultrassom, e a sigla TI-RADS é usada por mais de um. O comitê aponta que a profusão, a complexidade e a falta de congruência entre esses sistemas limitou a adoção. Ao ler artigo ou prova, confira de qual TI-RADS se está falando: o do ACR é o que soma pontos, e não tem subcategorias nem categoria TR0.

A tabela de pontos

COMPOSIÇÃO cístico0 espongiforme0 misto1 sólido2 ECOGENICIDADE anecoico0 hiper/isoecoico1 hipoecoico2 muito hipoecoico3 FORMA mais largo0 mais alto3 MARGEM lisa0 mal definida0 lobulada/irregular2 extratireoidiana3 FOCOS ECOGÊNICOS nenhum · cauda de0 cometa grande macrocalcificação1 periférica em anel2 focos puntiformes3 ESCOLHA UMA POR CATEGORIA (EM FOCOS ECOGÊNICOS, TODAS) E SOME TR1 · 0 ponto benigno TR2 · 2 pontos não suspeito TR3 · 3 pontos pouco suspeito TR4 · 4 a 6 moderadamente TR5 · 7 ou mais muito suspeito Punção e seguimento TR1 e TR2 não puncionam. TR3 punciona ≥ 2,5 cm e segue ≥ 1,5 cm. TR4 punciona ≥ 1,5 cm e segue ≥ 1 cm. TR5 punciona ≥ 1 cm e segue ≥ 0,5 cm.
As cinco categorias, os pontos de cada achado e as cinco faixas de total. Repare que os cortes de tamanho para punção e para seguimento são diferentes em cada nível.
Total de pontosNívelSignificadoPunçãoSeguimento
0TR1BenignoNão
2TR2Não suspeitoNão
3TR3Pouco suspeito≥ 2,5 cm≥ 1,5 cm
4 a 6TR4Moderadamente suspeito≥ 1,5 cm≥ 1 cm
7 ou maisTR5Muito suspeito≥ 1 cm≥ 0,5 cm
o risco de malignidade por nível Da análise parcial de uma base de mais de 3.000 nódulos comprovados, patrocinada pela Society of Radiologists in Ultrasound:

TR1 e TR2: no máximo 2%
TR3: cerca de 5%
TR4: de 5% a 20%
TR5: ao menos 20%
por que 2,5 cm e 1,5 cm, e não 2 cm e 1 cm Os cortes do ACR para nódulos pouco e moderadamente suspeitos são maiores que os da ATA e da sociedade coreana. A razão é uma discordância de medida: pesquisas mostram falta de concordância entre o tamanho ao ultrassom e o tamanho na patologia, com o ultrassom tendendo a superestimar.

No estudo citado, carcinomas papilíferos mediam em média 2,65 cm ao ultrassom contra 1,97 cm na patologia. Adotar o corte de 2 cm dos estudos patológicos significaria, na prática, biopsiar nódulos bem menores do que se pretendia.
+ complemento · a lógica dos números 2,5 e 3 Além da discordância de medida, o comitê considerou análises do SEER (Surveillance, Epidemiology, and End Results) que mostraram leve aumento de metástases a distância a partir de 2,5 cm, e leves incrementos na mortalidade em 10 anos a partir de 3 cm.

Os cinco grupos de achados

ComposiçãoDefinição e pontos
Cístico ou quase totalmente cístico: 0Praticamente sempre benigno
Espongiforme: 0Composto predominantemente (> 50%) de pequenos espaços císticos. Altamente correlacionado com citologia benigna, independentemente da ecogenicidade ou de outros achados. Não se somam pontos das outras categorias
Misto cístico e sólido: 1Pontue a ecogenicidade pelo componente sólido predominante
Sólido ou quase totalmente sólido: 2
Composição: cístico ou quase totalmente cístico (0 ponto)
Inteiro ou quase inteiro cístico (seta).
Inteiro ou quase inteiro cístico (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Fonte: ACR. TI-RADS Lexicon Directory (atlas); imagens de Sharlene A. Teefey, p. 5. Ver documento
Composição: espongiforme (0 ponto)
Formado predominantemente por espaços císticos diminutos (seta). É benigno; se houver dúvida sobre margem irregular ou focos ecogênicos suspeitos, não chame de
Formado predominantemente por espaços císticos diminutos (seta). É benigno; se houver dúvida sobre margem irregular ou focos ecogênicos suspeitos, não chame de espongiforme.
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Fonte: ACR. TI-RADS Lexicon Directory (atlas); imagens de Sharlene A. Teefey, p. 6. Ver documento
Composição: misto cístico e sólido (1 ponto)
Partes moles e espaços císticos (seta); os outros critérios se aplicam ao componente sólido.
Partes moles e espaços císticos (seta); os outros critérios se aplicam ao componente sólido.
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Fonte: ACR. TI-RADS Lexicon Directory (atlas); imagens de Sharlene A. Teefey, p. 8. Ver documento
Composição: sólido ou quase totalmente sólido (2 pontos)
Inteiro ou quase inteiro de partes moles, com poucos espaços císticos diminutos (seta).
Inteiro ou quase inteiro de partes moles, com poucos espaços císticos diminutos (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Fonte: ACR. TI-RADS Lexicon Directory (atlas); imagens de Sharlene A. Teefey, p. 7. Ver documento
espongiforme não é “tem alguns cistos” O nódulo não deve ser chamado de espongiforme só porque tem alguns componentes císticos esparsos num nódulo por outro lado sólido. A exigência é mais de 50% de pequenos espaços císticos.

E há um detalhe que a prova adora: pequenos focos ecogênicos podem aparecer em nódulos espongiformes, onde provavelmente representam a parede posterior de cistos mínimos. Não são suspeitos nesse contexto e não somam pontos.
EcogenicidadeDefinição e pontos
Anecoico: 0Aplica-se a nódulos císticos ou quase totalmente císticos. É um achado de zero ponto que não existia no léxico: foi criado para que esses nódulos não recebessem os 3 pontos de “muito hipoecoico”
Hiper ou isoecoico: 1Comparados ao parênquima adjacente
Hipoecoico: 2Comparado ao parênquima adjacente
Muito hipoecoico: 3Mais hipoecoico que os músculos infra-hióideos: a comparação aqui não é com o parênquima
Ecogenicidade: anecoico (0 ponto)
Sem componente de partes moles (setas); vale para os nódulos císticos ou quase totalmente císticos.
Sem componente de partes moles (setas); vale para os nódulos císticos ou quase totalmente císticos.
Fonte: ACR. TI-RADS Lexicon Directory (atlas); imagens de Sharlene A. Teefey, p. 9. Ver documento
Ecogenicidade: hiperecoico (1 ponto)
Mais ecogênico que a tireoide (seta).
Mais ecogênico que a tireoide (seta).
Fonte: ACR. TI-RADS Lexicon Directory (atlas); imagens de Sharlene A. Teefey, p. 10. Ver documento
Ecogenicidade: isoecoico (1 ponto)
Ecogenicidade parecida com a da tireoide (seta).
Ecogenicidade parecida com a da tireoide (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Fonte: ACR. TI-RADS Lexicon Directory (atlas); imagens de Sharlene A. Teefey, p. 11. Ver documento
Ecogenicidade: hipoecoico (2 pontos)
Menos ecogênico que a tireoide (seta).
Menos ecogênico que a tireoide (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Fonte: ACR. TI-RADS Lexicon Directory (atlas); imagens de Sharlene A. Teefey, p. 12. Ver documento
Ecogenicidade: muito hipoecoico (3 pontos)
Menos ecogênico que a musculatura do pescoço vizinha (seta).
Menos ecogênico que a musculatura do pescoço vizinha (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Fonte: ACR. TI-RADS Lexicon Directory (atlas); imagens de Sharlene A. Teefey, p. 13. Ver documento
FormaDefinição e pontos
Mais largo que alto: 0
Mais alto que largo: 3Indicador insensível, porém muito específico de malignidade. Avalia-se no plano axial, medindo a altura paralela ao feixe e a largura perpendicular a ele. Em geral é evidente à inspeção visual e raramente exige medida formal
Forma: mais largo que alto (0 ponto)
Razão entre o diâmetro anteroposterior e o horizontal de 1 ou menos, medida no corte transversal (seta).
Razão entre o diâmetro anteroposterior e o horizontal de 1 ou menos, medida no corte transversal (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Fonte: ACR. TI-RADS Lexicon Directory (atlas); imagens de Sharlene A. Teefey, p. 15. Ver documento
Forma: mais alto que largo (3 pontos)
Razão entre o diâmetro anteroposterior e o horizontal maior que 1, medida no corte transversal (seta).
Razão entre o diâmetro anteroposterior e o horizontal maior que 1, medida no corte transversal (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Fonte: ACR. TI-RADS Lexicon Directory (atlas); imagens de Sharlene A. Teefey, p. 14. Ver documento
MargemDefinição e pontos
Lisa: 0
Mal definida: 0Incluída no grupo apenas para que o campo “margem” de um laudo estruturado não fique vazio. Não é achado suspeito
Lobulada ou irregular: 2Lobulada: protrusões para o tecido adjacente. Irregular: borda serrilhada, espiculada ou com ângulos agudos. Pode ser difícil de reconhecer se o nódulo é mal definido, está num parênquima heterogêneo ou encosta em vários outros nódulos
Extensão extratireoidiana: 3Invasão evidente = malignidade: A extensão extensa (invasão franca de partes moles e/ou estruturas vasculares) é sinal muito confiável de malignidade e de mau prognóstico
Margem: lisa (0 ponto)
Borda contínua, bem definida e curva, em geral formando esfera ou elipse (seta).
Borda contínua, bem definida e curva, em geral formando esfera ou elipse (seta).
Fonte: ACR. TI-RADS Lexicon Directory (atlas); imagens de Sharlene A. Teefey, p. 16. Ver documento
Margem: mal definida (0 ponto)
Borda difícil de separar do parênquima da tireoide (seta).
Borda difícil de separar do parênquima da tireoide (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Fonte: ACR. TI-RADS Lexicon Directory (atlas); imagens de Sharlene A. Teefey, p. 17. Ver documento
Margem: lobulada (2 pontos)
Protrusões arredondadas focais de partes moles que avançam no parênquima vizinho (setas), uma ou várias.
Protrusões arredondadas focais de partes moles que avançam no parênquima vizinho (setas), uma ou várias.
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Fonte: ACR. TI-RADS Lexicon Directory (atlas); imagens de Sharlene A. Teefey, p. 19. Ver documento
Margem: irregular (2 pontos)
Borda espiculada, serrilhada ou com ângulos agudos (seta).
Borda espiculada, serrilhada ou com ângulos agudos (seta).
Fonte: ACR. TI-RADS Lexicon Directory (atlas); imagens de Sharlene A. Teefey, p. 18. Ver documento
Margem: extensão extratireoidiana (3 pontos)
O nódulo ultrapassa a margem da tireoide (seta).
O nódulo ultrapassa a margem da tireoide (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Fonte: ACR. TI-RADS Lexicon Directory (atlas); imagens de Sharlene A. Teefey, p. 20. Ver documento
cuidado ao relatar extensão extratireoidiana mínima A extensão mínima pode ser suspeitada por encostamento da borda, abaulamento do contorno ou perda da borda ecogênica da tireoide. Mas a concordância entre patologistas para identificá-la é ruim, e o significado clínico é controverso.

Por isso o texto recomenda cautela ao relatá-la: especialmente em nódulos de aspecto por outro lado benigno, onde 3 pontos mudariam o nível de forma drástica.

Repare também no vocabulário: o comitê usa “borda” e não “cápsula”, porque a tireoide não tem cápsula fibrosa verdadeira.
Focos ecogênicos: marque todosDefinição e pontos
Nenhum, ou artefatos em cauda de cometa grandes: 0Cauda de cometa grande: ecos em V de > 1 mm de profundidade, em componentes císticos. Associados a coloide e fortemente indicativos de benignidade
Macrocalcificações: 1Focos ecogênicos grosseiros que causam sombra acústica. A evidência sobre risco é mista; recebem 1 ponto por relação fracamente positiva com malignidade
Calcificação periférica, em anel: 2Ao longo de toda ou parte da margem. Recebem 2 pontos porque algumas publicações as associam mais fortemente à malignidade que as macrocalcificações
Focos ecogênicos puntiformes: 3Menores que as macrocalcificações e sem sombra. Nos componentes sólidos, podem corresponder às calcificações psamomatosas do carcinoma papilífero. Inclui focos com pequenos artefatos em cauda de cometa
Focos ecogênicos: cauda de cometa grande (0 ponto)
Artefato de reverberação: os ecos mais profundos se atenuam e ficam mais estreitos, em triângulo (seta).
Artefato de reverberação: os ecos mais profundos se atenuam e ficam mais estreitos, em triângulo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Fonte: ACR. TI-RADS Lexicon Directory (atlas); imagens de Sharlene A. Teefey, p. 21. Ver documento
Focos ecogênicos: macrocalcificações (1 ponto)
Calcificações grandes o bastante para fazer sombra acústica posterior (setas).
Calcificações grandes o bastante para fazer sombra acústica posterior (setas).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Fonte: ACR. TI-RADS Lexicon Directory (atlas); imagens de Sharlene A. Teefey, p. 22. Ver documento
Focos ecogênicos: calcificações periféricas, em anel (2 pontos)
Calcificações na periferia do nódulo, nem sempre contínuas, mas em geral na maior parte da margem (seta).
Calcificações na periferia do nódulo, nem sempre contínuas, mas em geral na maior parte da margem (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Fonte: ACR. TI-RADS Lexicon Directory (atlas); imagens de Sharlene A. Teefey, p. 23. Ver documento
Focos ecogênicos: puntiformes (3 pontos)
Focos em ponto, com menos de 1 mm (seta); às vezes com pequena cauda de cometa.
Focos em ponto, com menos de 1 mm (seta); às vezes com pequena cauda de cometa.
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Outro exemplo (seta).
Fonte: ACR. TI-RADS Lexicon Directory (atlas); imagens de Sharlene A. Teefey, p. 24. Ver documento
as duas caudas de cometa não são a mesma coisa Grande: ecos em V > 1 mm, em componente cístico → 0 ponto, sinal de benignidade.
Pequena: em componente sólido → conta como foco puntiforme, 3 pontos.

E a calcificação periférica interrompida com partes moles protruindo, descrita por alguns autores como suspeita, no ACR TI-RADS se qualifica como margem lobulada: o que acrescenta outros 2 pontos ao total.

Os zeros e as exceções

OS QUATRO ZEROS QUE SE ESQUECE 0 margem mal definida não é achado suspeito 0 margem indeterminada na dúvida, zero ponto 0 cauda de cometa grande > 1 mm, em parte cística 0 espongiforme e cístico não somam nada AS TRÊS REGRAS DE EXCEÇÃO 1 Espongiforme não recebe ponto de nenhuma outra categoria. O total para nele: 0 ponto, TR1. 2 Ecogenicidade indeterminada vale 1 ponto. Composição indeterminada por calcificação vale 2 pontos. 3 Nenhum nódulo fica com 1 ponto: quem é misto ou sólido também pontua a ecogenicidade do sólido.
Os quatro achados de zero ponto que se confunde com achado suspeito, e as três regras que quebram a soma simples.
as regras de indeterminação Ecogenicidade indeterminada → atribua 1 ponto.
Margem indeterminada, por qualquer razão → atribua 0 ponto.
Composição indeterminada por calcificação → atribua 2 pontos.

E há o caso combinado: em nódulos com calcificações que causam sombra acústica forte, impedindo ou limitando a avaliação do interior, o melhor é presumir que o nódulo é sólido e atribuir 2 pontos de composição e 1 de ecogenicidade.
por que nenhum nódulo fica com 1 ponto O comitê explica a estrutura da escala: além do nódulo que recebe zero em tudo, e por isso é TR1, todos os demais recebem ao menos 2 pontos.

A razão é aritmética: um nódulo que ganha 1 ponto por composição (misto) vai ganhar ao menos mais 1 pela ecogenicidade do componente sólido. Por isso a escala pula de 0 (TR1) direto para 2 (TR2).
o espongiforme trava a soma Espongiforme: não some pontos de nenhuma outra categoria. É a única regra do sistema que interrompe a aritmética. Um nódulo espongiforme fica com 0 ponto e é TR1, mesmo que seja hipoecoico, mal definido ou tenha focos ecogênicos.
+ complemento · dois padrões benignos que ficaram de fora Duas aparências descritas na literatura como muito confiavelmente benignas não foram incorporadas ao gráfico, por serem raras:

“Cavaleiro branco”: nódulo uniformemente hiperecoico.
“Pele de girafa”: padrão variegado de áreas hiperecoicas separadas por faixas hipoecoicas.

Ambas descritas no contexto da tireoidite de Hashimoto.

Medir, contar e seguir

QuestãoRecomendação
Como medirEm três eixos: maior dimensão numa imagem axial · maior dimensão perpendicular a essa, na mesma imagem · maior dimensão longitudinal numa imagem sagital. As medidas devem incluir o halo, se houver
Quantos nódulos seguirNo máximo quatro: os de maior pontuação que ficam abaixo do corte de punção. Relatar mais que quatro complicaria e alongaria o laudo sem necessidade
Quantos nódulos puncionarNo máximo dois: os de maior pontuação que atingem critério. Puncionar três ou mais é mal tolerado, custa mais e agrega pouco ou nada
Como escolher qual puncionarPela pontuação, não pelo tamanho. Havendo três ou mais elegíveis, puncionam-se os dois de aspecto mais suspeito, mesmo que não sejam os maiores
O que é crescimento significativoAumento de 20% em ao menos duas dimensões, com incremento mínimo de 2 mm · ou aumento de 50% ou mais no volume
Intervalo de seguimentoTR5: anual por até 5 anos · TR4: aos 1, 2, 3 e 5 anos · TR3: aos 1, 3 e 5 anos. Intervalos menores que 1 ano não se justificam, exceto em câncer comprovado sob vigilância ativa
o termo que o comitê pede para abandonar “Nódulo dominante” (em geral aplicado ao maior da glândula) é desencorajado, porque minimiza o papel primário da arquitetura na decisão.

E a recíproca: numa glândula com vários nódulos distintos que não atingem critério, há pouca razão para puncionar o maior só por ser o maior. Numa glândula substituída por múltiplos nódulos confluentes de aspecto semelhante, a punção em geral não está indicada.
quando o seguimento pode parar Aos 5 anos, se não houve mudança de tamanho: a estabilidade nesse período indica de forma confiável comportamento benigno.

Duas exceções de conduta: para nódulos que crescem significativamente mas seguem abaixo do corte de punção aos 5 anos, não há evidência publicada, e o texto diz que continuar o seguimento é provavelmente prudente. E se o nível TI-RADS sobe no seguimento, o próximo ultrassom deve ser em 1 ano, qualquer que fosse o nível inicial.
+ complemento · a comparação certa O aumento pode não ser aparente se o exame atual for comparado só com o imediatamente anterior. É importante revisar também as medidas de exames mais antigos, quando disponíveis.

Sobre a documentação: cada nódulo sob vigilância deve ser numerado sequencialmente e rotulado pela localização (direito, esquerdo, istmo, superior, médio, inferior e, se necessário, lateral, medial, anterior ou posterior).

Microcarcinoma e linfonodos

a regra dos 5 a 9 mm O ACR TI-RADS é concordante com as demais diretrizes ao recomendar contra a biópsia de rotina de nódulos menores que 1 cm, mesmo que sejam muito suspeitos.

Mas, como alguns especialistas defendem vigilância ativa, ablação ou lobectomia para microcarcinomas papilíferos, a biópsia de nódulos TR5 de 5 a 9 mm pode ser apropriada em certas circunstâncias, e a decisão envolve decisão compartilhada entre o médico assistente e o paciente.
o que o laudo do TR5 pequeno precisa dizer 1. Se o nódulo pode ser medido de forma reprodutível em exames de seguimento.
2. Se o nódulo encosta na traqueia.
3. Se está adjacente ao sulco traqueoesofágico: a localização do nervo laríngeo recorrente.

A razão do segundo e do terceiro: nódulos em localizações submarginais críticas podem complicar a cirurgia.
linfonodos cervicais A avaliação dos linfonodos cervicais é parte vital de todo exame ultrassonográfico da tireoide.

Achados sugestivos de metástase: forma globosa · perda do hilo ecogênico normal · fluxo periférico em vez de hilar · heterogeneidade.
o histórico que muda a leitura Deve-se sempre procurar história de punção ou de ablação com etanol prévias: esses procedimentos podem levar a aparência suspeita no ultrassom de seguimento.

O comitê não tratou do seguimento de nódulos já puncionados: essa decisão cabe ao médico assistente e é guiada pelas recomendações do sistema Bethesda de citopatologia tireoidiana.

Pontos de prova: alto rendimento

ComposiçãoCístico 0 · espongiforme 0 · misto 1 · sólido 2
EcogenicidadeAnecoico 0 · hiper/isoecoico 1 · hipoecoico 2 · muito hipoecoico 3
FormaMais largo 0 · mais alto que largo 3
MargemLisa 0 · mal definida 0 · lobulada ou irregular 2 · extensão extratireoidiana 3
Focos ecogênicosNenhum ou cauda grande 0 · macrocalcificação 1 · periférica 2 · puntiformes 3
Quantas escolhasUma por categoria: exceto focos ecogênicos, em que se marcam todos
TR10 ponto · benigno · sem punção
TR22 pontos · não suspeito · sem punção
TR33 pontos · punção ≥ 2,5 cm · seguimento ≥ 1,5 cm
TR44 a 6 pontos · punção ≥ 1,5 cm · seguimento ≥ 1 cm
TR57 ou mais · punção ≥ 1 cm · seguimento ≥ 0,5 cm
Risco por nívelTR1 e TR2 ≤ 2% · TR3 5% · TR4 5 a 20% · TR5 ≥ 20%
Espongiforme> 50% de pequenos espaços císticos · não soma outras categorias
Muito hipoecoicoComparado aos músculos infra-hióideos, não ao parênquima
Cauda de cometa grandeEcos em V > 1 mm, em parte cística · 0 ponto
Cauda de cometa pequenaEm componente sólido · conta como foco puntiforme, 3 pontos
Ecogenicidade indeterminada1 ponto
Margem indeterminada0 ponto
Composição indeterminada por calcificação2 pontos
Sombra acústica fortePresuma sólido: 2 de composição + 1 de ecogenicidade
Por que ninguém tem 1 pontoMisto (1) sempre ganha ao menos mais 1 pela ecogenicidade
MedidaTrês eixos, incluindo o halo
Crescimento significativo20% em duas dimensões com ≥ 2 mm, ou 50% de volume
Quantos puncionarNo máximo dois, os de maior pontuação
Quantos seguirNo máximo quatro
SeguimentoTR5 anual até 5 anos · TR4 aos 1, 2, 3, 5 · TR3 aos 1, 3, 5
Se o nível sobe no seguimentoPróximo ultrassom em 1 ano
TR5 de 5 a 9 mmPunção pode ser apropriada, por decisão compartilhada
Linfonodo suspeitoForma globosa · perda do hilo · fluxo periférico · heterogeneidade

Armadilhas e erros comuns

Erros de pontuação

  • Somar pontos de outras categorias num nódulo espongiforme
  • Chamar de espongiforme o nódulo sólido com alguns cistos esparsos
  • Pontuar focos ecogênicos num espongiforme: são paredes de cistos mínimos
  • Dar pontos a margem mal definida: vale 0
  • Comparar “muito hipoecoico” ao parênquima em vez dos músculos infra-hióideos
  • Confundir cauda de cometa grande (0, cística) com a pequena (3, sólida)
  • Marcar só um achado em focos ecogênicos: nessa categoria marcam-se todos

Erros de decisão

  • Puncionar o maior nódulo em vez do de maior pontuação
  • Puncionar três ou mais nódulos
  • Usar o corte de 1 cm para TR3 ou TR4: são 2,5 e 1,5 cm
  • Confundir o corte de punção com o de seguimento dentro do mesmo nível
  • Puncionar de rotina nódulo < 1 cm, ainda que TR5
  • Repetir o ultrassom em menos de 1 ano sem câncer comprovado em vigilância

Erros de laudo

  • Relatar extensão extratireoidiana mínima sem cautela num nódulo benigno
  • Escrever “nódulo dominante”
  • Deixar de numerar e localizar os nódulos seguidos
  • Comparar só com o exame anterior, e não com os mais antigos
  • Omitir, num TR5 pequeno, se ele é reprodutivelmente mensurável e se encosta na traqueia ou no sulco traqueoesofágico
  • Não avaliar os linfonodos cervicais

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Nódulo tireoidiano de 2,0 cm: sólido, hipoecoico, mais largo que alto, de margem lobulada e com uma macrocalcificação. Qual o total de pontos, o nível ACR TI-RADS e a conduta?

A soma, achado a achado:

Composição: sólido: 2
Ecogenicidade: hipoecoico: 2
Forma: mais largo que alto: 0
Margem: lobulada ou irregular: 2
Focos ecogênicos: macrocalcificação: 1

Total: 7 pontos → TR5, muito suspeito, porque a faixa do TR5 é 7 ou mais. E o corte de punção do TR5 é ≥ 1 cm: com 2,0 cm, punciona.

Duas armadilhas embutidas. A primeira: macrocalcificação vale 1 ponto, não zero. A evidência da literatura sobre ela é mista, e o comitê a pontuou por uma relação fracamente positiva com malignidade: reconhecendo que o risco aumenta quando o nódulo também tem achados que somam mais pontos, exatamente como aqui. O foco de zero ponto é a cauda de cometa grande, em componente cístico.

A segunda: lobulada ou irregular vale 2, não 3. Os 3 pontos da margem são da extensão extratireoidiana.

Repare como a diferença entre 6 e 7 pontos (entre TR4 e TR5) muda o corte de punção de 1,5 cm para 1 cm. Um ponto a mais ou a menos altera a conduta.
↑revisar esta parte do caderno · A tabela de pontos
Questão 2

Nódulo de 2,8 cm composto predominantemente por pequenos espaços císticos, globalmente hipoecoico, com alguns pequenos focos ecogênicos. Qual o nível e a conduta?

Espongiforme é a única entrada do sistema que trava a aritmética. A nota do gráfico é literal: não acrescente pontos de nenhuma outra categoria. O nódulo fica com 0 ponto → TR1, benigno, sem punção.

A razão é empírica: a arquitetura espongiforme é altamente correlacionada com citologia benigna independentemente da ecogenicidade ou de outros achados.

E os pequenos focos ecogênicos têm explicação específica no texto: em nódulos espongiformes eles provavelmente representam as paredes posteriores de cistos mínimos. Não são suspeitos nesse contexto e não devem somar ao total.

O cuidado que sobra é não chamar de espongiforme o que não é. A definição exige composição predominante (mais de 50%) de pequenos espaços císticos. Um nódulo por outro lado sólido, com alguns componentes císticos esparsos, não é espongiforme: é misto ou sólido, e aí toda a soma vale normalmente.
↑revisar esta parte do caderno · Os cinco grupos de achados
Questão 3

Nódulo sólido cuja margem não pode ser determinada, porque ele está encravado num parênquima muito heterogêneo e encosta em vários outros nódulos. Quantos pontos atribuir à margem?

A regra é explícita: se a margem não puder ser determinada por qualquer razão, devem ser atribuídos zero pontos. E o texto ainda antecipa esta situação exata: a margem lobulada ou irregular pode ser difícil de reconhecer quando o nódulo é mal definido, está embebido numa glândula heterogênea ou encosta em vários outros nódulos.

As três regras de indeterminação não são iguais entre si, e a prova gosta disso:

Margem indeterminada → 0 ponto.
Ecogenicidade indeterminada → 1 ponto.
Composição indeterminada por calcificação → 2 pontos.

Há ainda o caso combinado: quando calcificações causam sombra acústica forte que impede avaliar o interior, presume-se que o nódulo é sólido e atribuem-se 2 pontos de composição e 1 de ecogenicidade.

Note também o vizinho conceitual: margem mal definida (que é uma escolha positiva, não uma indeterminação) também vale 0. Ela existe no gráfico apenas para que o campo “margem” de um laudo estruturado não fique vazio, e não é achado suspeito.

Um dos méritos que o comitê reivindica para o sistema de pontos é justamente este: sempre há uma opção, e nenhum nódulo fica sem classificação.
↑revisar esta parte do caderno · Os zeros e as exceções
Questão 4

Uma glândula tem quatro nódulos que atingem critério de punção: 3,4 cm com 3 pontos; 2,0 cm com 4 pontos; 1,6 cm com 6 pontos; e 1,2 cm com 8 pontos. Quais puncionar?

Duas recomendações se combinam.

Quantos: no máximo dois. Puncionar três ou mais nódulos é mal tolerado pelos pacientes, aumenta custo com pouco ou nenhum benefício e acrescenta risco.

Quais: os de maior pontuação. O texto é direto: o tamanho não deve ser o critério principal, e havendo três ou mais elegíveis, puncionam-se os dois de aspecto mais suspeito pelo total de pontos, mesmo que não sejam os maiores. Aqui, os de 8 e 6 pontos.

O comitê ainda desencoraja o termo “nódulo dominante”, em geral aplicado ao maior da glândula, porque ele minimiza o papel primário da arquitetura na decisão.

A recíproca também cai em prova: numa glândula com vários nódulos que não atingem critério, há pouca razão para puncionar o maior só por ser o maior, e numa glândula substituída por múltiplos nódulos confluentes semelhantes, a punção em geral não está indicada.

Para o seguimento, o limite é outro: no máximo quatro nódulos, também os de maior pontuação entre os que ficam abaixo do corte de punção.
↑revisar esta parte do caderno · Medir, contar e seguir
Questão 5

Nódulo TR3 de 1,8 cm, sem alterações prévias. Qual a conduta pelo ACR TI-RADS?

Cada nível tem dois cortes diferentes, e confundi-los é o erro mais comum da matéria:

TR3: punção ≥ 2,5 cm · seguimento ≥ 1,5 cm
TR4: punção ≥ 1,5 cm · seguimento ≥ 1 cm
TR5: punção ≥ 1 cm · seguimento ≥ 0,5 cm

Com 1,8 cm, o TR3 fica abaixo do corte de punção e acima do de seguimento: segue.

O 1,5 cm da alternativa errada é o corte de punção do TR4, e também o de seguimento do TR3. É o mesmo número em dois papéis, e é por isso que ele confunde.

Sobre o intervalo: o comitê recomenda ultrassons aos 1, 3 e 5 anos para o TR3. Intervalos menores que 1 ano não se justificam, exceto em câncer comprovado sob vigilância ativa. Aos 5 anos sem mudança de tamanho, o seguimento pode parar: a estabilidade nesse período indica de forma confiável comportamento benigno.

E os cortes do ACR são maiores que os da ATA e da sociedade coreana de propósito: o ultrassom tende a superestimar o tamanho em relação à patologia.
↑revisar esta parte do caderno · A tabela de pontos
Questão 6

Nódulo TR5 de 8 mm, incidental. O que o ACR TI-RADS recomenda?

O ACR TI-RADS é concordante com as demais diretrizes ao recomendar contra a biópsia de rotina de nódulos menores que 1 cm, mesmo que muito suspeitos. Mas ele abre uma exceção explícita: como alguns especialistas defendem vigilância ativa, ablação ou lobectomia para microcarcinomas papilíferos, a biópsia de nódulos TR5 de 5 a 9 mm pode ser apropriada em certas circunstâncias, por decisão compartilhada entre o médico assistente e o paciente. É por isso que a tabela traz um asterisco no seguimento do TR5.

E o laudo tem três obrigações nesse cenário:

1. Dizer se o nódulo pode ser medido de forma reprodutível em exames de seguimento.
2. Dizer se ele encosta na traqueia.
3. Dizer se está adjacente ao sulco traqueoesofágico: onde corre o nervo laríngeo recorrente.

Os dois últimos porque nódulos em localizações submarginais críticas podem complicar a cirurgia.

Quanto ao seguimento: o corte do TR5 é ≥ 0,5 cm, então este nódulo de 8 mm entra em vigilância, com ultrassom anual por até 5 anos. E não se esqueça dos linfonodos cervicais: avaliá-los é parte vital de todo exame ultrassonográfico da tireoide.
↑revisar esta parte do caderno · Microcarcinoma e linfonodos
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Fonte: Tessler FN, Middleton WD, Grant EG, et al. ACR Thyroid Imaging, Reporting and Data System (TI-RADS): White Paper of the ACR TI-RADS Committee. J Am Coll Radiol. 2017;14(5):587–595. doi:10.1016/j.jacr.2017.01.046

Complementado pelo ACR TI-RADS Lexicon Directory, o atlas ilustrado dos termos.

Todos os pontos, níveis, cortes de tamanho e definições foram transcritos do white paper. O white paper de 2017 segue sendo a versão vigente: o ACR não publicou atualização posterior; conferido em 24/08/2026.

Os diagramas são próprios. Blocos marcados com + complemento são acréscimos do autor, além do texto do white paper.