Cadernos QRad 93 · RM das Fístulas Perianais
Abdome · canal anal

RM das Fístulas Perianais

Fontes: Lanier et al: 2026 e Sivrioglu 2026, RadioGraphics

Tudo passa pelo espaço interesfincteriano

A fístula perianal criptoglandular nasce de uma glândula anal obstruída: forma-se uma coleção no espaço entre os esfíncteres que, se não drena para o canal, vira fístula ou abscesso. Na doença de Crohn a fístula costuma nascer mais alto, junto da junção anorretal, empurrada pela proctite. A RM diz ao cirurgião por onde o trajeto passa, quanto esfíncter ele cruza e o que mais há para drenar.

Definição da AGA (American Gastroenterological Association)Critérios
SimplesOrigem baixa, um orifício externo, sem abscesso
ComplexaOrigem alta ou ramificada, vários orifícios externos, abscesso, fístula anovaginal, estenose anorretal, proctite
frequência pelo tipo Transesfincteriana 40 a 60%, interesfincteriana 30 a 45%, supraesfincteriana e extraesfincteriana juntas menos de 5 a 20%.

Anatomia do canal anal

EstruturaNa RM
Canal analDa junção anorretal à borda anal, 3 a 5 cm · a referência na RM é a junção anorretal, marcada pelo puborretal (a linha pectínea quase não aparece)
Linha pectíneaTransição histológica do epitélio · as glândulas anais chegam ao espaço interesfincteriano
Esfíncter internoContinuação da musculatura lisa do reto · anel iso a hipointenso em T2
Esfíncter externoMúsculo esquelético, isointenso aos músculos da pelve
Espaço interesfincterianoEspaço virtual ou faixa de gordura entre os dois · onde a fístula nasce · toda fístula do canal anal passa por ele
MulherO esfíncter externo anterior é mais curto e termina na vagina: trajeto interesfincteriano alto pode chegar à parede posterior da vagina sem cruzar esfíncter
HomemAnel contínuo: fístulas vão para trás, para a fossa isquioanal · as superficiais chegam ao escroto ou à base do pênis
Relógio12 h anterior, 3 h esquerda, 6 h posterior, 9 h direita · não há padrão universal: combinar com o cirurgião

Protocolo

Sequência (ESGAR)Detalhe
T2 em disparo único coronal e axialPelve inteira, para não perder nada fora do campo
T2 FSE (fast spin echo) de alta resoluçãoCortes de 3 mm, matriz 320 × 320, campo de cerca de 240 mm · axial e coronal oblíquos ao eixo do canal anal e sagital
OpcionaisT2 3D isotrópico (reformata no eixo certo) · T2 com supressão de gordura · difusão (b 50, 500, 1000) · T1 Dixon · T1 3D antes e depois do contraste (70 s)
Supressão de gorduraA espectral falha na região perianal (longe do isocentro, interface com ar): STIR (short tau inversion recovery: sequência com supressão de gordura por inversão) ou Dixon são mais confiáveis
Difusão e contrasteNão obrigatórios · ajudam a achar trajeto fino, abscesso e orifício interno
Outros métodosTC boa para abscesso perineal, ruim para o interesfincteriano e para a fístula · PET-CT (tomografia por emissão de pósitrons acoplada à TC) pode mostrar fístula incidental (captação linear)
Plano fora do eixo, transesfincteriana em mulher de 35 anos
T2 sagital: o plano oblíquo ideal (caixa amarela), perpendicular ao eixo do canal anal (linha vermelha), e o axial verdadeiro (linha azul).
T2 sagital: o plano oblíquo ideal (caixa amarela), perpendicular ao eixo do canal anal (linha vermelha), e o axial verdadeiro (linha azul).
Axial verdadeiro: a fístula (seta) aparece, mas o trajeto real fica deformado.
Axial verdadeiro: a fístula (seta) aparece, mas o trajeto real fica deformado.
Axial oblíquo reformatado do T2 3D: o trajeto inteiro (seta).
Axial oblíquo reformatado do T2 3D: o trajeto inteiro (seta).
Fonte: Lanier MH, Hoegger MJ, Itani M, et al. RadioGraphics 2026;46(3):e250033, Fig. 11. CC BY 4.0. Ver artigo
Supressão de gordura no períneo, homem de 36 anos com retocolite
(A) T2 com supressão espectral: falha na região perianal (contorno amarelo). (B) T2 Dixon, só água: supressão uniforme (*).
(A) T2 com supressão espectral: falha na região perianal (contorno amarelo). (B) T2 Dixon, só água: supressão uniforme (*).
Fonte: Lanier MH, Hoegger MJ, Itani M, et al. RadioGraphics 2026;46(3):e250033, Fig. 12. CC BY 4.0. Ver artigo
TC para localizar abscesso, homem de 26 anos com Crohn
(A) TC com contraste: abscessos no espaço interesfincteriano direito (ponta de seta), na fossa isquioanal direita (seta tracejada) e na gordura da fenda glútea
(A) TC com contraste: abscessos no espaço interesfincteriano direito (ponta de seta), na fossa isquioanal direita (seta tracejada) e na gordura da fenda glútea esquerda (seta). (B) Um pouco acima: o abscesso interesfincteriano (ponta de seta) e o da fenda glútea (seta); no detalhe, o provável trajeto pelo esfíncter interno.
Fonte: Lanier MH, Hoegger MJ, Itani M, et al. RadioGraphics 2026;46(3):e250033, Fig. 9. CC BY 4.0. Ver artigo
Fístula achada no controle de câncer de pulmão, homem de 65 anos
(A) PET-CT: captação linear ao longo do trajeto até a borda anal (seta). (B) TC com contraste: trajeto interesfincteriano fino com realce periférico (seta), que
(A) PET-CT: captação linear ao longo do trajeto até a borda anal (seta). (B) TC com contraste: trajeto interesfincteriano fino com realce periférico (seta), que segue fibrótico para a fenda glútea esquerda.
Fonte: Lanier MH, Hoegger MJ, Itani M, et al. RadioGraphics 2026;46(3):e250033, Fig. 10. CC BY 4.0. Ver artigo
o plano torto Plano axial verdadeiro em vez de oblíquo ao canal anal deforma o trajeto e o esfíncter. Usar o protocolo de câncer de reto, centrado no reto médio, também desalinha os planos.

Parks e St James

Do espaço interesfincteriano há quatro saídas: descer até a borda anal (interesfincteriana), furar o esfíncter externo para o lado (transesfincteriana), subir acima do puborretal (supraesfincteriana) ou contornar os esfíncteres a partir do reto (extraesfincteriana). O abscesso em ferradura é a falta de saída: líquido em volta do canal que não drena.

ParksTrajeto
InteresfincterianaEntre os esfíncteres, sai perto da borda anal
TransesfincterianaAtravessa o esfíncter externo para a fossa isquioanal
SupraesfincterianaSobe no plano interesfincteriano, passa entre o esfíncter externo e o puborretal e desce para a fossa isquioanal (“por cima”)
ExtraesfincterianaNasce no reto, desce através ou em volta do levantador e sai na pele
St James (RM)Definição
1Interesfincteriana linear simples
2Interesfincteriana com ramo secundário ou abscesso
3Transesfincteriana simples
4Transesfincteriana com ramo ou abscesso na fossa isquioanal
5Qualquer extensão acima do levantador do ânus · inclui toda supra e extraesfincteriana
St James 1, homem de 55 anos com Crohn
T2 axial: trajeto interesfincteriano fino e claro (seta), sem ramos no detalhe; T2 3D coronal mostra o trajeto até a borda anal.
T2 axial: trajeto interesfincteriano fino e claro (seta), sem ramos no detalhe; T2 3D coronal mostra o trajeto até a borda anal.
Fonte: Lanier MH, Hoegger MJ, Itani M, et al. RadioGraphics 2026;46(3):e250033, Fig. 15. CC BY 4.0. Ver artigo
St James 4, homem de 25 anos com Crohn
T2 axial na borda anal, axial mais alto e coronal: trajeto transesfincteriano para a fossa isquioanal esquerda, com ramos e componente interesfincteriano (setas
T2 axial na borda anal, axial mais alto e coronal: trajeto transesfincteriano para a fossa isquioanal esquerda, com ramos e componente interesfincteriano (setas).
Modelo impresso em 3D e reformatações do T2 3D com o trajeto segmentado.
Modelo impresso em 3D e reformatações do T2 3D com o trajeto segmentado.
Fonte: Lanier MH, Hoegger MJ, Itani M, et al. RadioGraphics 2026;46(3):e250033, Fig. 17. CC BY 4.0. Ver artigo
Supraesfincteriana na anastomose ileoanal, mulher de 30 anos com Crohn
T2 axial com supressão de gordura: trajeto posterior (seta).
T2 axial com supressão de gordura: trajeto posterior (seta).
T2 sagital: o trajeto sobe da anastomose (seta amarela) e passa entre o esfíncter externo e o puborretal (seta branca).
T2 sagital: o trajeto sobe da anastomose (seta amarela) e passa entre o esfíncter externo e o puborretal (seta branca).
Fonte: Lanier MH, Hoegger MJ, Itani M, et al. RadioGraphics 2026;46(3):e250033, Fig. 25. CC BY 4.0. Ver artigo
o que a ESGAR recomenda Classificar sempre por Parks, com St James como complemento, e dizer qual sistema foi usado. “Supralevantadora” é modificador, não categoria: uma transesfincteriana pode ter extensão acima do levantador. A regra de Goodsall foi superada pela RM.

O que relatar

Item do laudoComo
1. Junção anorretalAchar o puborretal e dizer se cada trajeto está acima ou abaixo dela
2. Orifício internoFalha do esfíncter interno, em horas do relógio
3. TrajetoCurso e esfíncter cruzado · classificar a fístula mais grave · cada trajeto à parte
4. Orifício externoOnde sai na pele
5. Ramos e abscessosCom o tamanho · abscesso maior prevê pior evolução
6. Extensão altaSupralevantadora dita de forma explícita
SedenhosVazios de sinal · drenagem adequada? abscesso? trajeto sem drenagem?
MulherSeparar fístula anovaginal verdadeira de trajeto que só encosta na vagina
CrohnComparar com o anterior · composição do trajeto · ramos novos · proctite
Exemplo de laudo: interesfincteriana com ramos, homem de 43 anos
T2 axial, T1 axial e coronal com contraste: orifício interno numa falha do esfíncter interno (seta), ramos no espaço interesfincteriano (pontas de seta brancas)
T2 axial, T1 axial e coronal com contraste: orifício interno numa falha do esfíncter interno (seta), ramos no espaço interesfincteriano (pontas de seta brancas) e saída na fenda glútea direita (ponta de seta preta). O artigo traz, ao lado, o modelo de laudo estruturado.
Fonte: Lanier MH, Hoegger MJ, Itani M, et al. RadioGraphics 2026;46(3):e250033, Fig. 19. CC BY 4.0. Ver artigo
Exemplo de laudo: extraesfincteriana complexa, homem de 24 anos com Crohn grave
T2 axial e coronal: a fístula nasce numa falha do reto às 5 h (ponta de seta), cruza a fáscia mesorretal e o compartimento supralevantador (setas brancas) e man
T2 axial e coronal: a fístula nasce numa falha do reto às 5 h (ponta de seta), cruza a fáscia mesorretal e o compartimento supralevantador (setas brancas) e manda trajetos às duas fossas isquioanais e à fenda glútea (setas pretas).
Fonte: Lanier MH, Hoegger MJ, Itani M, et al. RadioGraphics 2026;46(3):e250033, Fig. 20. CC BY 4.0. Ver artigo
Sedenhos numa interesfincteriana simples, homem de 47 anos
(A) TC com contraste: sedenhos densos no espaço interesfincteriano e no esfíncter interno (setas). (B) T2: os mesmos sedenhos como vazios de sinal finos (setas)
(A) TC com contraste: sedenhos densos no espaço interesfincteriano e no esfíncter interno (setas). (B) T2: os mesmos sedenhos como vazios de sinal finos (setas).
Fonte: Lanier MH, Hoegger MJ, Itani M, et al. RadioGraphics 2026;46(3):e250033, Fig. 22. CC BY 4.0. Ver artigo
Vários sedenhos, homem de 24 anos com Crohn
(A) TC com contraste: sedenhos densos agrupados em volta da junção anorretal (círculo). (B) T2: os sedenhos como vazios de sinal lineares (setas tracejadas).
(A) TC com contraste: sedenhos densos agrupados em volta da junção anorretal (círculo). (B) T2: os sedenhos como vazios de sinal lineares (setas tracejadas).
Fonte: Lanier MH, Hoegger MJ, Itani M, et al. RadioGraphics 2026;46(3):e250033, Fig. 23. CC BY 4.0. Ver artigo
AbscessoNa RM
AspectoHipersinal em T2, restrição à difusão, realce periférico
ArmadilhaTrajeto largo cheio de líquido também tem hipersinal, restrição e realce em anel
Por que importaDrenar antes de começar imunossupressor ou biológico
Abscesso interesfincteriano, mulher de 21 anos com Crohn
T2 axial: coleção clara no espaço interesfincteriano esquerdo, na altura da junção anorretal (seta).
T2 axial: coleção clara no espaço interesfincteriano esquerdo, na altura da junção anorretal (seta).
Difusão (b 800): sinal alto, mais fácil de ver (seta).
Difusão (b 800): sinal alto, mais fácil de ver (seta).
T1 com contraste: realce periférico, abscesso (seta).
T1 com contraste: realce periférico, abscesso (seta).
Fonte: Lanier MH, Hoegger MJ, Itani M, et al. RadioGraphics 2026;46(3):e250033, Fig. 13. CC BY 4.0. Ver artigo
+ complemento · o espaço esfincteriano externo (carta de Sivrioglu) No T2 axial de alta resolução, se há esfíncter externo do lado de fora do trajeto, ele está no espaço interesfincteriano clássico. Se não há, e o trajeto encosta na gordura isquiorretal, está no espaço esfincteriano externo, entre o esfíncter externo e sua fáscia. Muda a cirurgia: o abscesso interesfincteriano drena pelo ânus cortando só o interno; o do espaço externo deve ser drenado por fora, pela fossa isquiorretal, para não lesar o esfíncter externo. A carta propõe incluir esse espaço no laudo; a resposta dos autores não está na fonte.

Crohn perianal e resposta ao tratamento

Doença perianal aparece em 15 a 30% dos pacientes com Crohn; fístula em até 92% de quem tem Crohn retal, cerca de 12% no ileal isolado e 5% sem doença luminal. Pode vir antes da doença intestinal. A RM sozinha não separa com segurança a fístula de Crohn da criptoglandular.

Composição do trajetoNa RMSignificado
Líquido (pus)Trajeto linear com hipersinal em T2, pouca fibrose em volta, realce periférico intensoPérvio, alto risco de recidiva
MistoT2 heterogêneo, realce uniformeResposta parcial
FibroseHipossinal uniforme em T2, realce mínimo ou ausenteCicatrização avançada, menos recaída
Cicatrização por fibrose em 48 meses, mulher de 19 anos com Crohn
T2 axial no início, com 14 e com 48 meses de biológico: o trajeto perineal (St James 2) passa de claro (inflamação, amarelo no detalhe) a escuro (fibrose, azul)
T2 axial no início, com 14 e com 48 meses de biológico: o trajeto perineal (St James 2) passa de claro (inflamação, amarelo no detalhe) a escuro (fibrose, azul).
Fonte: Lanier MH, Hoegger MJ, Itani M, et al. RadioGraphics 2026;46(3):e250033, Fig. 7. CC BY 4.0. Ver artigo
Cicatrização parcial de St James 5, mulher de 54 anos com Crohn
T2 oblíquo no início (em cima) e no controle (embaixo): o trajeto isquioanal e a coleção supralevantadora diminuem e ficam mais escuros, com fibrose em volta.
T2 oblíquo no início (em cima) e no controle (embaixo): o trajeto isquioanal e a coleção supralevantadora diminuem e ficam mais escuros, com fibrose em volta.
Fonte: Lanier MH, Hoegger MJ, Itani M, et al. RadioGraphics 2026;46(3):e250033, Fig. 21. CC BY 4.0. Ver artigo
Doze anos e 22 cirurgias, homem de 26 anos com Crohn grave
TC inicial com abscesso perianal; RM aos 4 anos com fístula transesfincteriana; TC aos 7 e aos 9 anos com sedenhos; RM aos 10 anos com St James 4 e abscesso isq
TC inicial com abscesso perianal; RM aos 4 anos com fístula transesfincteriana; TC aos 7 e aos 9 anos com sedenhos; RM aos 10 anos com St James 4 e abscesso isquioanal esquerdo; TC aos 12 anos com sedenho.
Fonte: Lanier MH, Hoegger MJ, Itani M, et al. RadioGraphics 2026;46(3):e250033, Fig. 6. CC BY 4.0. Ver artigo
TOPCLASS (consenso Delphi de 2025 sobre a doença de Crohn perianal fistulizante)Definição
Cicatrização radiológicaAs três: sem hipersinal em T2, sem realce, trajeto todo fibrótico
Melhora radiológicaQualquer uma: mais fibrose, menos T2, trajeto menor, abscesso menor ou resolvido
EscoresMAGNIFI-CD (índice de atividade da fístula perianal de Crohn na RM) e Van Assche modificado: para pesquisa, não para o laudo do dia a dia
Proctite grave e proctectomia, homem de 29 anos com Crohn
T2 axial 8 meses antes (em cima): proctite grave, fístula transesfincteriana até a base do pênis e sedenhos nos dois lados; 1 mês depois da proctectomia (embaix
T2 axial 8 meses antes (em cima): proctite grave, fístula transesfincteriana até a base do pênis e sedenhos nos dois lados; 1 mês depois da proctectomia (embaixo): sem reto, com cicatrizes.
Fonte: Lanier MH, Hoegger MJ, Itani M, et al. RadioGraphics 2026;46(3):e250033, Fig. 8. CC BY 4.0. Ver artigo
a imagem cura depois da clínica Numa metanálise, só 25% chegaram à cicatrização radiológica, embora quase metade estivesse em remissão clínica. Líquido persistente no trajeto com a pele fechada prevê recaída e cirurgia.

Armadilhas e imitadores

ImitadorComo separar
Hemorroida interna prolapsadaVertical e serpiginosa · sinal intermediário no T2 sem supressão (como o esfíncter interno) · realce vivo · pode brilhar no T2 com supressão
Cisto pilonidal, Bartholin infectadoSem ligação com o ânus (a fístula pode infectar a glândula de Bartholin)
Úlcera de pressão, hidradeniteFalha da pele; pele espessa
SedenhoPode ser sutil · melhor no T1 3D com supressão e contraste · denso na TC
Hemorroida que imita fístula, mulher de 30 anos com Crohn
T2 com supressão de gordura: protuberância clara na borda anal (setas), parecida com trajeto com líquido.
T2 com supressão de gordura: protuberância clara na borda anal (setas), parecida com trajeto com líquido.
T2 oblíquo sem supressão: sinal intermediário, como o do esfíncter interno (setas): hemorroida prolapsada.
T2 oblíquo sem supressão: sinal intermediário, como o do esfíncter interno (setas): hemorroida prolapsada.
T1 com contraste: realce vivo, como o do esfíncter (setas).
T1 com contraste: realce vivo, como o do esfíncter (setas).
Fonte: Lanier MH, Hoegger MJ, Itani M, et al. RadioGraphics 2026;46(3):e250033, Fig. 26. CC BY 4.0. Ver artigo
Câncer na fístulaO que saber
QuandoRaro (menos de 1%), mais em Crohn perianal com mais de 10 anos e trajeto persistente
Adenocarcinoma mucinosoO mais comum · tecido microcístico com hipersinal em T2 e pouca restrição, que imita trajeto com líquido · fístula antiga merece biópsia
Carcinoma espinocelularSinal intermediário em T2 · fator de risco HIV e HPV (papilomavírus humano)
Adenocarcinoma mucinoso, homem de 72 anos com Crohn perianal antigo
T2 axial: lesão heterogênea e clara no espaço interesfincteriano, microcística (seta).
T2 axial: lesão heterogênea e clara no espaço interesfincteriano, microcística (seta).
Fonte: Lanier MH, Hoegger MJ, Itani M, et al. RadioGraphics 2026;46(3):e250033, Fig. 27. CC BY 4.0. Ver artigo
Adenocarcinoma mucinoso, mulher de 56 anos com Crohn perianal antigo
T2 axial: lesão microcística junto ao puborretal esquerdo (seta), confirmada na biópsia; fístula transesfincteriana até um abscesso glúteo direito (setas tracej
T2 axial: lesão microcística junto ao puborretal esquerdo (seta), confirmada na biópsia; fístula transesfincteriana até um abscesso glúteo direito (setas tracejadas) com sedenho (ponta de seta).
Fonte: Lanier MH, Hoegger MJ, Itani M, et al. RadioGraphics 2026;46(3):e250033, Fig. 28. CC BY 4.0. Ver artigo
Carcinoma espinocelular com fístula, homem de 62 anos com HIV e Crohn
T2 axial: falha do esfíncter interno às 3 h alimenta uma fístula com líquido e gás para a fossa isquioanal esquerda (seta); o tumor tem sinal intermediário (*)
T2 axial: falha do esfíncter interno às 3 h alimenta uma fístula com líquido e gás para a fossa isquioanal esquerda (seta); o tumor tem sinal intermediário (*) e alarga o espaço interesfincteriano.
Fonte: Lanier MH, Hoegger MJ, Itani M, et al. RadioGraphics 2026;46(3):e250033, Fig. 29. CC BY 4.0. Ver artigo

Pontos de prova: alto rendimento

Referência na RMJunção anorretal (puborretal)
Onde nasceEspaço interesfincteriano
Mais comumTransesfincteriana 40–60%
PlanoOblíquo ao eixo do canal anal
Supressão de gorduraSTIR ou Dixon
Parks supraPor cima do puborretal
Parks extraNasce no reto
St James 2Interesfincteriana com ramo ou abscesso
St James 4Transesfincteriana com ramo ou abscesso
St James 5Acima do levantador
ESGAR (European Society of Gastrointestinal and Abdominal Radiology)Parks sempre, St James como complemento
AbscessoRealce periférico, drenar antes do biológico
MulherEsfíncter externo anterior curto
FibroseT2 escuro, sem realce
CicatrizaçãoSem T2 claro, sem realce, fibrose total
HemorroidaIntermediária no T2 sem supressão
MucinosoMicrocístico, imita trajeto

Armadilhas e erros comuns

Erros

  • Planejar no plano axial verdadeiro
  • Confiar na supressão espectral no períneo
  • Não dizer se há extensão supralevantadora
  • Chamar de abscesso o trajeto largo com líquido sem medir
  • Chamar de fístula anovaginal o trajeto que só encosta
  • Chamar de fístula a hemorroida prolapsada
  • Ler como trajeto o tumor mucinoso microcístico
  • Dar alta pela clínica com líquido no trajeto

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Na RM, qual estrutura marca a junção anorretal, referência para dizer se um trajeto está alto ou baixo?

A linha pectínea é histológica e quase não aparece na RM; por isso a referência radiológica é a junção anorretal, marcada pela alça do puborretal. O laudo diz se cada trajeto está acima ou abaixo dela.
↑revisar esta parte do caderno · Anatomia do canal anal
Questão 2

Trajeto que atravessa o esfíncter externo e forma abscesso na fossa isquioanal, sem extensão acima do levantador. Pelo St James, o grau é:

Transesfincteriana simples é grau 3; com ramo ou abscesso na fossa isquioanal, grau 4. Grau 5 é qualquer extensão acima do levantador. A ESGAR pede Parks sempre (aqui, transesfincteriana) e St James como complemento.
↑revisar esta parte do caderno · Parks e St James
Questão 3

Por que a supressão de gordura espectral costuma falhar na RM perianal?

A supressão espectral depende de campo homogêneo; o períneo fica longe do isocentro e junto de interfaces com ar. STIR ou Dixon (imagem só de água) suprimem a gordura de forma mais uniforme.
↑revisar esta parte do caderno · Protocolo
Questão 4

Paciente com Crohn tem fístula transesfincteriana com abscesso isquioanal de 3 cm. O achado importa porque:

Abscesso pode exigir antibiótico e drenagem antes de imunossupressor ou biológico, e sua presença e tamanho preveem pior evolução. Por isso o laudo dá o tamanho e a posição de cada coleção.
↑revisar esta parte do caderno · O que relatar
Questão 5

No controle de uma fístula de Crohn tratada, qual achado define cicatrização radiológica pelo consenso TOPCLASS?

Cicatrização radiológica exige as três coisas: sem hipersinal em T2, sem realce e trajeto completamente fibrótico. Trajeto menor ou abscesso menor é só melhora. A pele fecha antes: líquido persistente com a pele fechada prevê recaída.
↑revisar esta parte do caderno · Crohn perianal e resposta ao tratamento
Questão 6

Lesão microcística com hipersinal em T2 e pouca restrição junto a uma fístula de Crohn de 15 anos. Deve-se pensar em:

O câncer na fístula é raro, mais em Crohn perianal com mais de 10 anos. O tipo mais comum é o adenocarcinoma mucinoso: tecido microcístico, claro em T2, com pouca restrição, que imita trajeto com líquido. Fístula antiga com esse aspecto merece biópsia.
↑revisar esta parte do caderno · Armadilhas e imitadores
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Fontes.
Lanier MH, Hoegger MJ, Itani M, et al. MRI of Perianal Fistulas: Anatomy, Diagnosis, and Perianal Crohn Disease Treatment Monitoring. RadioGraphics 2026;46(3):e250033. doi:10.1148/rg.250033 (CC BY 4.0)
Sivrioglu AK. The Outer Sphincteric Space: A Critical Anatomic Landmark in MRI Evaluation of Perianal Fistulas (carta). RadioGraphics 2026;46(6):e260036

As figuras do artigo têm rótulos em inglês nos esquemas; ficaram de fora os esquemas e os modelos de laudo, e entraram as imagens (algumas trazem rótulos curtos como “Axial T2” e “Baseline”). O artigo não traz pontos de corte do MAGNIFI-CD nem do Van Assche. Conferido em 07/10/2026.

Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das mesmas fontes.