Cadernos QRad 69 · Mama na Gestação e na Lactação
Mama · gestação e lactação

Mama na Gestação e na Lactação

Fontes: Peterson et al., RadioGraphics 2023 · Fazeli et al., RadioGraphics 2026

Não adiar

As mulheres engravidam cada vez mais tarde e amamentam por mais tempo, e cada vez mais jovens são identificadas como de alto risco. O radiologista recebe, então, gestantes e lactantes com nódulo palpável, com rastreamento vencido ou em vigilância de alto risco.

O câncer de mama associado à gestação (na gestação ou até 1 ano depois do parto) ocorre em 1 a cada 3.000 a 10.000 gestações, é o câncer mais comum nesse período e chega mais avançado: maior, com mais linfonodo, mais receptor hormonal negativo e mais HER2 (receptor 2 do fator de crescimento epidérmico humano) positivo. Parte disso é atraso: a paciente atribui o sintoma à gestação e o médico adia o exame por medo.

a mensagem central Mamografia e US são seguros na gestação e na lactação. A RM com contraste é contraindicada na gestação, mas segura na lactação, sem suspender a amamentação. Sintoma que persiste mais de 2 semanas na gestação deve ser investigado.
Atraso no rastreamento durante a lactação, mulher de 44 anos
Mamografia craniocaudal: pele e trabéculas espessadas e várias massas irregulares (setas). Amamentou 3 anos sem rastrear; os sintomas foram tratados como ducto
Mamografia craniocaudal: pele e trabéculas espessadas e várias massas irregulares (setas). Amamentou 3 anos sem rastrear; os sintomas foram tratados como ducto entupido e mastite.
Mediolateral oblíqua: as massas (setas) e linfonodomegalia axilar (ponta de seta).
Mediolateral oblíqua: as massas (setas) e linfonodomegalia axilar (ponta de seta).
US da região subareolar: massa irregular hipoecogênica, de margens indistintas, muito vascularizada.
US da região subareolar: massa irregular hipoecogênica, de margens indistintas, muito vascularizada.
US da axila: linfonodo de morfologia anormal.
US da axila: linfonodo de morfologia anormal.
RM com contraste: várias massas, pele espessa e realçando e linfonodo da mamária interna (seta).
RM com contraste: várias massas, pele espessa e realçando e linfonodo da mamária interna (seta).
PET-TC (tomografia por emissão de pósitrons acoplada à TC): linfonodomegalia mediastinal (seta), doença metastática.
PET-TC (tomografia por emissão de pósitrons acoplada à TC): linfonodomegalia mediastinal (seta), doença metastática.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 1. Ver artigo

Segurança de cada método

MétodoGestaçãoLactação
Mamografia e tomossínteseSegura · dose fetal desprezível (menos de 0,03 mGy em 4 incidências; 0,16 mGy no útero mesmo com o aparelho na dose máxima) · proteção abdominal não é necessária: o pouco que chega é espalhamento internoSegura · amamentar ou ordenhar uns 30 minutos antes reduz a densidade e o desconforto
USSegura · método inicial do sintomaSegura
RM com gadolínioContraindicada (o gadolínio atravessa a placenta)Segura · menos de 0,04% da dose vai para o leite e menos de 1% disso é absorvido pelo bebê · não precisa descartar o leite (pode, se quiser, por 12 a 24 horas)
Mamografia cintilográfica (sestamibi)Não fazer (o radiofármaco atravessa a placenta)Pode, sem interromper; sem papel no rastreamento
como falar da radiação Os limiares de efeito determinístico no feto ficam acima de 50 mGy, e abaixo de 100 mGy o efeito é pequeno demais para ser medido. A mamografia fica milhares de vezes abaixo disso. Fazeli et al. aconselham não usar números técnicos com a paciente: dizer que a dose no feto é desprezível, cerca de um milionésimo do que poderia causar efeito, e que o benefício supera com folga um risco que talvez nem exista.

A mama da gestação e da lactação na imagem

Estrogênio e progesterona expandem ductos e lóbulos e reduzem a gordura; depois do parto, os ductos se enchem de leite. A mama volta ao estado anterior cerca de 3 meses depois de parar de amamentar.

MétodoO que é normal
MamografiaMama maior e mais densa, bilateral e simétrica (88% heterogênea ou extremamente densa) · sensibilidade ainda de 74 a 100% · calcificações de lactação em geral difusas e bilaterais, mas às vezes suspeitas
US na gestaçãoParênquima hipoecogênico e heterogêneo (proliferação fibroglandular)
US na lactaçãoParênquima ecogênico, ductos proeminentes, mais vascularização
RM na lactaçãoRealce de fundo acentuado, mais vasos, hipersinal em T2 · mesmo assim a sensibilidade para câncer é de 98 a 100%
Mama normal na lactação, mulher de 33 anos
Craniocaudais: densidade aumentada e simétrica (categoria D, extremamente densas).
Craniocaudais: densidade aumentada e simétrica (categoria D, extremamente densas).
Mediolaterais oblíquas: o mesmo. O nódulo palpável era tecido normal no US.
Mediolaterais oblíquas: o mesmo. O nódulo palpável era tecido normal no US.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 1. Ver artigo
A mesma mama dentro e fora da lactação, mulher de 40 anos
Oblíqua direita na lactação: mama maior e mais densa (heterogênea, categoria C).
Oblíqua direita na lactação: mama maior e mais densa (heterogênea, categoria C).
Oblíqua esquerda na lactação: o mesmo.
Oblíqua esquerda na lactação: o mesmo.
Oblíqua direita aos 38 anos, sem amamentar: também heterogênea, mas menor e menos densa.
Oblíqua direita aos 38 anos, sem amamentar: também heterogênea, mas menor e menos densa.
Oblíqua esquerda aos 38 anos: o mesmo.
Oblíqua esquerda aos 38 anos: o mesmo.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 3. Ver artigo
US normal na gestação e na lactação, duas pacientes
Gestante de 15 semanas: tecido fibroglandular hipoecogênico e heterogêneo.
Gestante de 15 semanas: tecido fibroglandular hipoecogênico e heterogêneo.
Lactante: tecido ecogênico, com ductos proeminentes.
Lactante: tecido ecogênico, com ductos proeminentes.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 3. Ver artigo
Ductos da lactação no US, mulher de 31 anos
Durante a amamentação: ductos proeminentes (seta), alteração fisiológica.
Durante a amamentação: ductos proeminentes (seta), alteração fisiológica.
Depois de parar de amamentar: os ductos voltaram ao normal.
Depois de parar de amamentar: os ductos voltaram ao normal.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 4. Ver artigo
Calcificações benignas da lactação, mulher de 47 anos
Magnificações craniocaudal e lateral: calcificações amorfas agrupadas às 7 horas (ovais), BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System) 4B.
Magnificações craniocaudal e lateral: calcificações amorfas agrupadas às 7 horas (ovais), BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System) 4B.
US: focos ecogênicos correspondentes (pontas de seta). A biópsia foi guiada por US, pelo risco de fístula na estereotaxia.
US: focos ecogênicos correspondentes (pontas de seta). A biópsia foi guiada por US, pelo risco de fístula na estereotaxia.
Radiografia dos fragmentos: calcificações presentes (ponta de seta). Tecido benigno com alterações da lactação.
Radiografia dos fragmentos: calcificações presentes (ponta de seta). Tecido benigno com alterações da lactação.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 2. Ver artigo
Alteração da lactação que forma nódulo, mulher de 33 anos
US: nódulo oval hipoecogênico de margens indistintas (setas), no ponto palpável, BI-RADS 4A. A biópsia mostrou só alterações da lactação.
US: nódulo oval hipoecogênico de margens indistintas (setas), no ponto palpável, BI-RADS 4A. A biópsia mostrou só alterações da lactação.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 4. Ver artigo
o câncer aparece apesar do realce de fundo Na RM da lactante, o tecido normal realça rápido e faz platô; o câncer costuma realçar rápido e lavar, e o realce não nodular maligno fica acima do fundo. Em T2, o câncer aparece escuro contra o fundo claro. O custo é mais BI-RADS 3.
RM normal na lactação, mulher de 36 anos de alto risco
MIP (projeção de intensidade máxima): realce de fundo acentuado e bilateral, com mais vasos.
MIP (projeção de intensidade máxima): realce de fundo acentuado e bilateral, com mais vasos.
T2 com saturação de gordura: hipersinal difuso.
T2 com saturação de gordura: hipersinal difuso.
Fase precoce com contraste: mais tecido fibroglandular.
Fase precoce com contraste: mais tecido fibroglandular.
MIP antes da gestação: realce de fundo só discreto.
MIP antes da gestação: realce de fundo só discreto.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 5. Ver artigo
RM da lactação, mulher de 30 anos
MIP: realce de fundo acentuado, bilateral e simétrico.
MIP: realce de fundo acentuado, bilateral e simétrico.
T2 axial: ductos dilatados cheios de líquido nas duas mamas (setas).
T2 axial: ductos dilatados cheios de líquido nas duas mamas (setas).
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 5. Ver artigo
Câncer visível apesar do realce de fundo, mulher de 41 anos BRCA2
RM axial na lactação: realce não nodular segmentar (setas) mais evidente que o fundo acentuado. Carcinoma triplo-negativo.
RM axial na lactação: realce não nodular segmentar (setas) mais evidente que o fundo acentuado. Carcinoma triplo-negativo.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 6. Ver artigo
Câncer com lavagem na lactação, mulher de 31 anos
MIP axial: nódulo redondo que realça (seta), visível contra o fundo acentuado.
MIP axial: nódulo redondo que realça (seta), visível contra o fundo acentuado.
Mapa de cinética em cores: realce rápido com lavagem no tumor; o tecido da lactação em volta faz platô. Triplo-negativo.
Mapa de cinética em cores: realce rápido com lavagem no tumor; o tecido da lactação em volta faz platô. Triplo-negativo.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 7. Ver artigo

Rastreamento: quem e como

Toda mulher deve ter o risco avaliado até os 25 anos. Alto risco: risco na vida ≥ 20% por modelo, mutação (BRCA (genes de suscetibilidade hereditária ao câncer de mama e de ovário), TP53 (gene supressor de tumor p53), PTEN (gene supressor de tumor da síndrome de Cowden), PALB2 (gene parceiro e localizador do BRCA2), CDH1 (gene da E-caderina), STK11 (gene da síndrome de Peutz-Jeghers)), radioterapia de tórax na juventude e parentes de 1º grau não testados de portadoras.

SituaçãoRastreamento
Gestante, risco habitual (≥ 40 anos)Mamografia ou tomossíntese quando vencer
Gestante, alto riscoMamografia ou tomossíntese (≥ 25 a 30 anos) · US pode ser apropriado · RM não
Gestante de alto risco < 25 anosUS pode ser apropriado
Lactante, risco habitualMamografia ou tomossíntese quando vencer · não adiar por amamentar
Lactante, alto riscoMamografia ou tomossíntese e RM com contraste
Mama densa ou risco intermediárioUS suplementar pode ser considerado (mais falso-positivo)
Rastreamento de alto risco na gestação, mulher de 39 anos BRCA1
MIP de RM 3 meses antes de engravidar: sem realce suspeito.
MIP de RM 3 meses antes de engravidar: sem realce suspeito.
Craniocaudal direita na gestação: sem achados.
Craniocaudal direita na gestação: sem achados.
Craniocaudal esquerda: sem achados.
Craniocaudal esquerda: sem achados.
Oblíqua direita: sem achados.
Oblíqua direita: sem achados.
Oblíqua esquerda: sem achados. RM antes da gestação e mamografia durante ela.
Oblíqua esquerda: sem achados. RM antes da gestação e mamografia durante ela.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 8. Ver artigo
voltar a rastrear depois do parto Cerca de dois terços dos cânceres associados à gestação aparecem depois do parto, a maioria nos primeiros 6 meses. A mamografia de rotina não deve ser adiada pela amamentação. Se a paciente vai parar logo de amamentar, pode-se esperar algumas semanas depois de parar. A RM de alto risco pode seguir durante a lactação, ou esperar 6 a 12 semanas depois de parar (ou 3 meses, se a amamentação não for longa), para o realce de fundo cair.
Carcinoma depois de adiar o rastreamento por gestação e amamentação, mulher de 41 anos
Magnificação: microcalcificações pleomórficas finas de distribuição segmentar, cerca de 8 cm (círculo). Carcinoma ductal in situ de alto grau na biópsia.
Magnificação: microcalcificações pleomórficas finas de distribuição segmentar, cerca de 8 cm (círculo). Carcinoma ductal in situ de alto grau na biópsia.
US dirigido: sem alteração.
US dirigido: sem alteração.
RM axial: realce não nodular multicêntrico (setas). Na mastectomia, carcinoma invasivo multifocal com 2 linfonodos positivos.
RM axial: realce não nodular multicêntrico (setas). Na mastectomia, carcinoma invasivo multifocal com 2 linfonodos positivos.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 10. Ver artigo
Rastreamento retomado 2 meses depois do parto, mulher de 41 anos
Oblíqua de rastreamento: grupo novo de calcificações de 6 mm (círculo).
Oblíqua de rastreamento: grupo novo de calcificações de 6 mm (círculo).
Magnificação: calcificações amorfas (círculo). Carcinoma ductal in situ na biópsia.
Magnificação: calcificações amorfas (círculo). Carcinoma ductal in situ na biópsia.
RM pré-operatória: realce de fundo acentuado da lactação, sem outro realce suspeito.
RM pré-operatória: realce de fundo acentuado da lactação, sem outro realce suspeito.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 11. Ver artigo

O sintoma: por onde começar

Paciente com sintomaInvestigação
Gestante, qualquer idadeUS primeiro · mamografia se o US for suspeito ou não explicar o sintoma · sem imagem que explique e clínica suspeita: biópsia guiada pela palpação
Lactante < 30 anosUS primeiro, como fora da lactação
Lactante ≥ 30 anosMamografia e depois US, como fora da lactação
Câncer confirmado na gestaçãoMamografia bilateral (calcificações, multifocalidade, a outra mama) · US da axila · RM só depois do parto
Ductografia na gestação, mulher de 32 anos com 16 semanas
Ductografia: interrupção abrupta de um ducto (seta), em descarga papilar sanguinolenta com US negativo e RM contraindicada.
Ductografia: interrupção abrupta de um ducto (seta), em descarga papilar sanguinolenta com US negativo e RM contraindicada.
Foto clínica de pacienteFica fora da página pública por respeito ao paciente.Entre no QRad para ver
Foto clínica: descarga sanguinolenta na papila (seta).
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 2. Ver artigo
Galactocele atípica, mulher de 30 anos lactante
Craniocaudal: massa oval de margens obscurecidas (seta).
Craniocaudal: massa oval de margens obscurecidas (seta).
Mediolateral: a mesma massa (seta).
Mediolateral: a mesma massa (seta).
Doppler: massa heterogênea, de margens indistintas e sombra posterior (asteriscos), sem fluxo, BI-RADS 4A. A punção deu leite.
Doppler: massa heterogênea, de margens indistintas e sombra posterior (asteriscos), sem fluxo, BI-RADS 4A. A punção deu leite.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 9. Ver artigo
US sozinho não basta Na gestante com câncer, a mamografia mostra calcificações que estendem a doença além da massa vista no US, e em alguns casos a mamografia ou o US mostram o que a RM da lactante, com realce de fundo intenso, esconde. Mamografia e US juntos têm valor preditivo negativo perto de 100%; o US sozinho pode não bastar quando a queixa persiste.
A mamografia define a extensão na gestação, mulher de 39 anos com 24 semanas
US: massa irregular não paralela com halo ecogênico; carcinoma ductal invasivo na biópsia.
US: massa irregular não paralela com halo ecogênico; carcinoma ductal invasivo na biópsia.
Magnificação craniocaudal: microcalcificações pleomórficas finas segmentares (setas) à frente do tumor, com o clipe na massa. A paciente tinha ouvido que a mamo
Magnificação craniocaudal: microcalcificações pleomórficas finas segmentares (setas) à frente do tumor, com o clipe na massa. A paciente tinha ouvido que a mamografia era insegura.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 19. Ver artigo
Câncer visível na mamografia e no US, pouco na RM, mulher de 37 anos lactante
Oblíqua: microcalcificações segmentares de cerca de 11 cm, com marcador no ponto palpável. Carcinoma ductal in situ.
Oblíqua: microcalcificações segmentares de cerca de 11 cm, com marcador no ponto palpável. Carcinoma ductal in situ.
US: nódulo oval hipoecogênico de margens indistintas; carcinoma invasivo na biópsia.
US: nódulo oval hipoecogênico de margens indistintas; carcinoma invasivo na biópsia.
RM pós-contraste: limitada pelo realce de fundo da lactação.
RM pós-contraste: limitada pelo realce de fundo da lactação.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 14. Ver artigo
Câncer oculto na mamografia, gestante de 31 anos
Oblíqua com marcador no nódulo palpável (seta): só alterações difusas da gestação.
Oblíqua com marcador no nódulo palpável (seta): só alterações difusas da gestação.
US: nódulo irregular hipoecogênico de 1,2 cm (marcadores). Carcinoma lobular invasivo.
US: nódulo irregular hipoecogênico de 1,2 cm (marcadores). Carcinoma lobular invasivo.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 13. Ver artigo
+ complemento · estadiamento na gestação Para não irradiar o feto, o estadiamento pode trocar PET-TC e cintilografia óssea por US do fígado e RM da coluna sem contraste, quando indicado.

Lesões benignas da gestação e da lactação

Cerca de 80% das lesões nesse período são benignas, mas várias imitam câncer.

LesãoImagemConduta
GalactoceleCisto de retenção de leite · nível gordura-líquido (patognomônico; melhor no perfil a 90°) · no US, gordura na parte não dependente · na RM em decúbito ventral a gordura sobe para o lado do tóraxTípica: BI-RADS 2 · atípica (sólida e cística, sombra): punção e biópsia
Adenoma da lactaçãoOval, circunscrito, hipoecogênico, paralelo, vascularizado, reforço posterior · igual ao fibroadenoma · 3º trimestreEm geral biópsia (o câncer pode ter a mesma cara) · regride depois da lactação
FibroadenomaPode crescer, ganhar cistos e vasos, ou infartar (doloroso, heterogêneo)Nódulo sólido novo ou que cresce: considerar biópsia
Mastite puerperalPele espessa, edema, mais vasos · abscesso em 3 a 11%: coleção complicadaAntibiótico · abscesso: punção ou dreno guiado, mantendo a ordenha
Mastite granulomatosaMassa hipoecogênica irregular com trajetos tubulares até a pele · 6 meses a 2 anos depois de parar de amamentarBiópsia para excluir câncer e infecção (diagnóstico de exclusão)
Linfonodo reativo, tecido mamário axilarLinfonodo com córtex uniforme e hilo · tecido acessório que muda com a lactaçãoBI-RADS 2 se típico
Galactocele típica, mulher de 30 anos lactante
Mediolateral: massa oval circunscrita com nível gordura-líquido (seta).
Mediolateral: massa oval circunscrita com nível gordura-líquido (seta).
US: o nível (seta), com a gordura ecogênica na parte não dependente. BI-RADS 2; a punção para alívio deu leite.
US: o nível (seta), com a gordura ecogênica na parte não dependente. BI-RADS 2; a punção para alívio deu leite.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 7. Ver artigo
Galactocele na RM, mulher de 34 anos BRCA2
T2 com saturação de gordura: cisto complicado com nível gordura-líquido (seta).
T2 com saturação de gordura: cisto complicado com nível gordura-líquido (seta).
T1 sem saturação: a gordura fica do lado do tórax (seta), porque a paciente está de bruços.
T1 sem saturação: a gordura fica do lado do tórax (seta), porque a paciente está de bruços.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 8. Ver artigo
Lesões benignas da lactação, três pacientes
US, 39 anos: nódulo oval circunscrito, fibroadenoma com alterações da lactação.
US, 39 anos: nódulo oval circunscrito, fibroadenoma com alterações da lactação.
Mamografia, 43 anos: massa redonda com gordura e nível gordura-líquido (seta), galactocele.
Mamografia, 43 anos: massa redonda com gordura e nível gordura-líquido (seta), galactocele.
US, 34 anos no pós-parto: massa sólida e cística, um abscesso na punção.
US, 34 anos no pós-parto: massa sólida e cística, um abscesso na punção.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 12. Ver artigo
Adenoma da lactação, gestante de 26 anos com 28 semanas
US: nódulo oval hipoecogênico, de margens microlobuladas (seta) e reforço posterior, BI-RADS 4A. Adenoma da lactação na biópsia.
US: nódulo oval hipoecogênico, de margens microlobuladas (seta) e reforço posterior, BI-RADS 4A. Adenoma da lactação na biópsia.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 10. Ver artigo
Fibroadenoma que cresce na lactação, mulher de 32 anos
US com 15 semanas: nódulo oval circunscrito (seta), BI-RADS 3.
US com 15 semanas: nódulo oval circunscrito (seta), BI-RADS 3.
US no pós-parto, amamentando: cresceu e ficou heterogêneo (setas), BI-RADS 4A. Fibroadenoma com alterações da lactação.
US no pós-parto, amamentando: cresceu e ficou heterogêneo (setas), BI-RADS 4A. Fibroadenoma com alterações da lactação.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 11. Ver artigo
Fibroadenoma conhecido que cresce na lactação, mulher de 34 anos
US 4 anos antes: nódulo oval circunscrito (asterisco), fibroadenoma na biópsia.
US 4 anos antes: nódulo oval circunscrito (asterisco), fibroadenoma na biópsia.
US amamentando: muito maior, com espaços císticos e margens indistintas. A exérese confirmou fibroadenoma com alterações da lactação.
US amamentando: muito maior, com espaços císticos e margens indistintas. A exérese confirmou fibroadenoma com alterações da lactação.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 12. Ver artigo
Mastite puerperal, mulher de 28 anos
US: pele espessa (seta dupla) e edema subcutâneo, sem coleção. Melhorou com antibiótico.
US: pele espessa (seta dupla) e edema subcutâneo, sem coleção. Melhorou com antibiótico.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 13. Ver artigo
Abscesso puerperal, mulher de 26 anos lactante
US: coleção complicada irregular (asterisco).
US: coleção complicada irregular (asterisco).
Doppler: hiperemia em volta (setas). A punção deu pus com MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina).
Doppler: hiperemia em volta (setas). A punção deu pus com MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina).
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 14. Ver artigo
Mastite granulomatosa recorrente na gestação, mulher de 32 anos
US: coleção ou flegmão (setas) com trajeto tubular até a pele (ponta de seta).
US: coleção ou flegmão (setas) com trajeto tubular até a pele (ponta de seta).
Doppler: vascularização aumentada (setas).
Doppler: vascularização aumentada (setas).
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 15. Ver artigo
Linfonodos reativos depois de vacina, mulher de 34 anos lactante
US da axila: córtex espessado de forma uniforme, até 6 mm (seta dupla), com hilo gorduroso preservado.
US da axila: córtex espessado de forma uniforme, até 6 mm (seta dupla), com hilo gorduroso preservado.
Doppler: fluxo hilar (seta). BI-RADS 2.
Doppler: fluxo hilar (seta). BI-RADS 2.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 16. Ver artigo
Tecido mamário axilar acessório, gestante de 36 anos
US da axila: tecido ecogênico heterogêneo igual ao fibroglandular (asterisco). BI-RADS 2.
US da axila: tecido ecogênico heterogêneo igual ao fibroglandular (asterisco). BI-RADS 2.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 17. Ver artigo
a mastite que não melhora Mastite que não responde ao antibiótico pede biópsia: pode ser carcinoma inflamatório. E o BI-RADS 3 foi validado fora da gestação: num nódulo oval e circunscrito da gestante ou da lactante, use-o com cautela, porque o câncer associado à gestação pode ter cara benigna.
Tecido axilar acessório atípico, mulher de 36 anos lactante
RM com contraste: massa irregular que realça na cauda axilar direita (seta), com lavagem.
RM com contraste: massa irregular que realça na cauda axilar direita (seta), com lavagem.
Oblíquas: massa irregular na cauda axilar (seta).
Oblíquas: massa irregular na cauda axilar (seta).
US: massa heterogênea irregular (setas), BI-RADS 4A. Tecido mamário benigno com alterações da lactação na biópsia.
US: massa heterogênea irregular (setas), BI-RADS 4A. Tecido mamário benigno com alterações da lactação na biópsia.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 18. Ver artigo
Benigno e maligno com a mesma cara, duas mulheres de 39 anos
US: nódulo oval, paralelo, sólido e cístico: adenoma da lactação.
US: nódulo oval, paralelo, sólido e cístico: adenoma da lactação.
US de outra paciente: nódulo parecido, menor: carcinoma triplo-negativo. Na dúvida, biópsia.
US de outra paciente: nódulo parecido, menor: carcinoma triplo-negativo. Na dúvida, biópsia.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 15. Ver artigo

O câncer associado à gestação

Câncer associado à gestação
Incidência1 em 3.000 a 10.000 gestações · até 3 a 7% dos cânceres de mama
QuandoDois terços depois do parto, a maioria nos 6 primeiros meses
TipoCarcinoma ductal invasivo em 75 a 90%, em geral de alto grau · triplo-negativo em até 30 a 40% · lobular raro (3 a 7%)
ApresentaçãoMassa indolor, às vezes com axila acometida · aumento unilateral, pele espessa, descarga sanguinolenta, recusa do bebê em mamar daquela mama
ImagemA mesma de fora da gestação · no US, massa sólida que pode ter reforço posterior e partes císticas (imita galactocele e adenoma)
Câncer na gestação, mulher de 36 anos com 13 semanas
US: nódulo irregular hipoecogênico de margens angulares (seta).
US: nódulo irregular hipoecogênico de margens angulares (seta).
US da axila: linfonodo com córtex espesso e sem hilo gorduroso (seta).
US da axila: linfonodo com córtex espesso e sem hilo gorduroso (seta).
Mamografia: massa irregular com calcificações pleomórficas finas (seta). Carcinoma ductal invasivo grau 3 com metástase no linfonodo.
Mamografia: massa irregular com calcificações pleomórficas finas (seta). Carcinoma ductal invasivo grau 3 com metástase no linfonodo.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 19. Ver artigo
Câncer na lactação, mulher de 32 anos
Mamografia: assimetria focal com distorção e calcificações amorfas (seta).
Mamografia: assimetria focal com distorção e calcificações amorfas (seta).
MIP de RM: massa irregular que realça (seta), com realce de fundo acentuado.
MIP de RM: massa irregular que realça (seta), com realce de fundo acentuado.
US: nódulo irregular hipoecogênico de margens angulares (seta), BI-RADS 5. Carcinoma ductal invasivo.
US: nódulo irregular hipoecogênico de margens angulares (seta), BI-RADS 5. Carcinoma ductal invasivo.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 20. Ver artigo
Câncer com resposta à quimioterapia, mulher de 31 anos
Craniocaudal: massa irregular de margens indistintas (seta).
Craniocaudal: massa irregular de margens indistintas (seta).
Oblíqua: a mesma massa (seta).
Oblíqua: a mesma massa (seta).
US: nódulo irregular hipoecogênico de margens angulares (seta), BI-RADS 4C. Triplo-negativo.
US: nódulo irregular hipoecogênico de margens angulares (seta), BI-RADS 4C. Triplo-negativo.
RM depois da interrupção da gestação: a massa (seta), com artefato do clipe.
RM depois da interrupção da gestação: a massa (seta), com artefato do clipe.
RM depois da quimioterapia neoadjuvante: sem massa nem realce no local (seta). A peça não tinha tumor.
RM depois da quimioterapia neoadjuvante: sem massa nem realce no local (seta). A peça não tinha tumor.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 21. Ver artigo
Atraso de meses com a mama endurecendo, gestante de 38 anos
Oblíqua direita: densidade aumentada.
Oblíqua direita: densidade aumentada.
Oblíqua esquerda: pele espessa e calcificações pleomórficas extensas, cerca de 11 cm.
Oblíqua esquerda: pele espessa e calcificações pleomórficas extensas, cerca de 11 cm.
US: nódulo irregular hipoecogênico de 3,3 cm, não paralelo (marcadores). Carcinoma ductal invasivo com axila positiva.
US: nódulo irregular hipoecogênico de 3,3 cm, não paralelo (marcadores). Carcinoma ductal invasivo com axila positiva.
RM depois do parto: realce não nodular segmentar mais extenso, com retração da papila.
RM depois do parto: realce não nodular segmentar mais extenso, com retração da papila.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 16. Ver artigo
+ complemento · tratamento Cirurgia em qualquer trimestre (de preferência depois de 12 semanas); quimioterapia com antraciclina a partir do 2º trimestre; radioterapia, hormonioterapia e anti-HER2 só depois do parto. Não é preciso interromper a gestação: tratada, a doença tem prognóstico parecido. 10 a 20% das pacientes com menos de 40 anos têm mutação BRCA: o teste genético muda a cirurgia.

Biópsia na gestante e na lactante

Lesão suspeita ou nódulo que não some em pouco tempo: biópsia por agulha grossa, sem demora. A punção aspirativa por agulha fina não serve: as alterações normais da gestação imitam neoplasia na citologia e dão falso-positivo.

PontoRecomendação
GuiaUS de preferência (agulha mais fina) · estereotaxia pode · RM só na lactação
AmamentaçãoNão suspender · amamentar ou ordenhar logo antes · pode amamentar depois, mesmo com traço de sangue ou anestésico no leite
RiscosSangramento (mais vasos), infecção, fístula láctea (1,4 a 2,8%)
ReduzirAgulha mais fina, menos passagens, longe da aréola, compressão prolongada, gelo, curativo compressivo
Biópsia por agulha grossa guiada por US, mulher de 36 anos lactante
US: agulha de 14 G com a janela de corte dentro da massa; três fragmentos, para reduzir o risco de fístula. Adenoma da lactação.
US: agulha de 14 G com a janela de corte dentro da massa; três fragmentos, para reduzir o risco de fístula. Adenoma da lactação.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 17. Ver artigo
a fístula não impede a biópsia O medo da fístula láctea não deve adiar a biópsia de lesão suspeita. A maioria fecha sozinha com a amamentação ou ordenha mantidas e curativo; suprimir a lactação ou operar é raro.
BI-RADS 3 mal usado na lactação, mulher de 43 anos
Magnificação 6 meses depois: muito mais calcificações. Elas eram novas e não redondas, e tinham sido atribuídas à lactação.
Magnificação 6 meses depois: muito mais calcificações. Elas eram novas e não redondas, e tinham sido atribuídas à lactação.
Estereotaxia: agulha em posição. Carcinoma ductal in situ de alto grau.
Estereotaxia: agulha em posição. Carcinoma ductal in situ de alto grau.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 18. Ver artigo

Pontos de prova: alto rendimento

Câncer associado à gestaçãoNa gestação ou até 1 ano depois · 1/3.000–10.000
ApresentaçãoMais avançado: maior, mais axila, receptor negativo, HER2+
MamografiaSegura na gestação e na lactação · sem proteção abdominal
Dose fetalDesprezível · efeito determinístico só acima de 50 mGy
RM com gadolínioContraindicada na gestação · segura na lactação
Leite e gadolínio< 0,04% ao leite · sem descartar
Antes do exameAmamentar ou ordenhar 30 min antes
SensibilidadeMamografia 74–100% · RM na lactação 98–100%
US na gestaçãoHipoecogênico heterogêneo · lactação: ecogênico
RM na lactaçãoFundo realça em platô · câncer lava
RiscoAvaliar até 25 anos · alto risco ≥ 20%
Lactante alto riscoMamografia e RM
Depois do parto2/3 dos cânceres · não adiar rastreamento
RM depois da lactação6–12 semanas depois de parar
Sintoma na gestanteUS primeiro, qualquer idade
Lactante ≥ 30 anosMamografia e depois US
Câncer na gestanteMamografia bilateral para extensão
Sintoma> 2 semanas na gestação: investigar
GalactoceleNível gordura-líquido: BI-RADS 2
Adenoma da lactaçãoIgual ao fibroadenoma · biópsia
MastiteAbscesso 3–11% · punção ou dreno · não melhorou: biópsia
GranulomatosaTrajetos até a pele · biópsia
Triplo-negativoAté 30–40%
BiópsiaAgulha grossa · não punção aspirativa
Fístula láctea1,4–2,8% · não adiar biópsia

Armadilhas e erros comuns

Erros de conduta

  • Adiar mamografia por medo da radiação na gestante
  • Pedir proteção abdominal como se fosse necessária
  • Mandar descartar o leite depois do gadolínio
  • Adiar o rastreamento por causa da amamentação
  • Pedir RM com contraste na gestante
  • Fazer punção aspirativa por agulha fina

Erros de leitura

  • Atribuir à lactação calcificações novas sem avaliar
  • Dar BI-RADS 3 a nódulo sólido novo da gestante sem cautela
  • Tratar como mastite por semanas a lesão que não melhora
  • Investigar a gestante com câncer só pelo US, sem mamografia
  • Chamar de galactocele a massa sólida e cística sem nível gordura-líquido

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Lactante de 36 anos, portadora de mutação BRCA2, chega para a RM anual com contraste e pergunta se precisa parar de amamentar depois do exame. A orientação correta é:

Menos de 0,04% da dose de gadolínio passa para o leite, e menos de 1% disso é absorvido pelo bebê: não é preciso suspender nem descartar (a mãe pode, se preferir). Na lactante de alto risco, a RM está indicada e pode ser mantida; adiar é opção só para quem vai parar de amamentar em breve.
↑revisar esta parte do caderno · Segurança de cada método
Questão 2

Gestante de 34 anos com nódulo palpável na mama há 3 semanas. O primeiro exame recomendado é:

Na gestante, de qualquer idade, o sintoma começa pelo US; a mamografia vem se o US for suspeito ou não explicar a queixa. A RM com contraste é contraindicada na gestação, e adiar a investigação é o que faz o câncer associado à gestação chegar avançado.
↑revisar esta parte do caderno · O sintoma: por onde começar
Questão 3

Lactante de 30 anos com nódulo palpável. A mamografia mostra massa oval circunscrita com nível gordura-líquido no perfil a 90°, e o US mostra cisto complicado com camada ecogênica na parte não dependente, sem fluxo. A categoria adequada é:

O nível gordura-líquido é patognomônico de galactocele, o cisto de retenção de leite: BI-RADS 2. A punção fica para alívio dos sintomas ou para galactocele atípica (sólida e cística, com sombra), quando entra a biópsia.
↑revisar esta parte do caderno · Lesões benignas da gestação e da lactação
Questão 4

Sobre a biópsia de nódulo suspeito em lactante, é correto afirmar:

A biópsia por agulha grossa, de preferência guiada por US (agulha mais fina), é o padrão. A citologia por agulha fina dá falso-positivo pelas alterações da lactação. Não é preciso suspender a amamentação, e a fístula (1,4 a 2,8%) não deve adiar a biópsia de lesão suspeita.
↑revisar esta parte do caderno · Biópsia na gestante e na lactação
Questão 5

Mulher de 42 anos, risco habitual, amamentando há 10 meses e sem previsão de parar, com a mamografia anual vencida. A conduta é:

A mamografia de rotina não deve ser adiada pela amamentação: dois terços dos cânceres associados à gestação aparecem depois do parto, a maioria nos 6 primeiros meses. Amamentar ou ordenhar antes reduz a densidade. Só faz sentido esperar se a paciente vai parar em breve.
↑revisar esta parte do caderno · Rastreamento: quem e como
Questão 6

Na RM de uma lactante de alto risco há realce de fundo acentuado e bilateral. Qual achado favorece câncer sobre o realce da lactação?

O tecido da lactação realça rápido e faz platô, é simétrico e tem hipersinal em T2 com ductos cheios de leite. O câncer realça rápido e lava, e o realce não nodular maligno fica acima do fundo. A sensibilidade da RM na lactação continua de 98 a 100%.
↑revisar esta parte do caderno · A mama da gestação e da lactação na imagem
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Fontes.
[A] Peterson MS, Gegios AR, Elezaby MA, et al. Breast Imaging and Intervention during Pregnancy and Lactation. RadioGraphics 2023;43(10):e230014. doi:10.1148/rg.230014
[B] Fazeli S, Stepenosky JE, Naamo S, et al. Breast Cancer Screening in Pregnant and Lactating Patients: A Practical Approach. RadioGraphics 2026;46(10):e260005. doi:10.1148/rg.260005

A fisiologia, a investigação do sintoma, as lesões benignas e a biópsia vêm sobretudo de [A]; os critérios ACR de 2025 para a gestante, o retorno ao rastreamento, a comunicação com a paciente e os dados de dose e de leite, de [B]. As recomendações são as norte-americanas (ACR, NCCN) citadas nos artigos. Conferido em 06/10/2026.

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