Fontes: Peterson et al., RadioGraphics 2023 · Fazeli et al., RadioGraphics 2026
Não adiar
As mulheres engravidam cada vez mais tarde e amamentam por mais tempo, e cada vez mais
jovens são identificadas como de alto risco. O radiologista recebe, então, gestantes e
lactantes com nódulo palpável, com rastreamento vencido ou em vigilância de alto risco.
O câncer de mama associado à gestação (na gestação ou até 1 ano depois do parto)
ocorre em 1 a cada 3.000 a 10.000 gestações, é o câncer mais comum nesse período e chega
mais avançado: maior, com mais linfonodo, mais receptor hormonal negativo e mais
HER2 (receptor 2 do fator de crescimento epidérmico humano) positivo. Parte disso é atraso: a paciente atribui o sintoma à gestação e o médico
adia o exame por medo.
a mensagem centralMamografia e US são seguros na gestação e na lactação. A RM com contraste é
contraindicada na gestação, mas segura na lactação, sem suspender a amamentação. Sintoma
que persiste mais de 2 semanas na gestação deve ser investigado.
Atraso no rastreamento durante a lactação, mulher de 44 anos
Mamografia craniocaudal: pele e trabéculas espessadas e várias massas irregulares (setas). Amamentou 3 anos sem rastrear; os sintomas foram tratados como ducto entupido e mastite.Mediolateral oblíqua: as massas (setas) e linfonodomegalia axilar (ponta de seta).US da região subareolar: massa irregular hipoecogênica, de margens indistintas, muito vascularizada.US da axila: linfonodo de morfologia anormal.RM com contraste: várias massas, pele espessa e realçando e linfonodo da mamária interna (seta).PET-TC (tomografia por emissão de pósitrons acoplada à TC): linfonodomegalia mediastinal (seta), doença metastática.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 1. Ver artigo
Segurança de cada método
Método
Gestação
Lactação
Mamografia e tomossíntese
Segura · dose fetal desprezível (menos de 0,03 mGy em 4 incidências; 0,16 mGy no útero mesmo com o aparelho na dose máxima) · proteção abdominal não é necessária: o pouco que chega é espalhamento interno
Segura · amamentar ou ordenhar uns 30 minutos antes reduz a densidade e o desconforto
US
Segura · método inicial do sintoma
Segura
RM com gadolínio
Contraindicada (o gadolínio atravessa a placenta)
Segura · menos de 0,04% da dose vai para o leite e menos de 1% disso é absorvido pelo bebê · não precisa descartar o leite (pode, se quiser, por 12 a 24 horas)
Mamografia cintilográfica (sestamibi)
Não fazer (o radiofármaco atravessa a placenta)
Pode, sem interromper; sem papel no rastreamento
como falar da radiação
Os limiares de efeito determinístico no feto ficam acima de 50 mGy, e abaixo de 100
mGy o efeito é pequeno demais para ser medido. A mamografia fica milhares de vezes abaixo
disso. Fazeli et al. aconselham não usar números técnicos com a paciente: dizer que a dose no
feto é desprezível, cerca de um milionésimo do que poderia causar efeito, e que o
benefício supera com folga um risco que talvez nem exista.
A mama da gestação e da lactação na imagem
Estrogênio e progesterona expandem ductos e lóbulos e reduzem a gordura; depois do parto,
os ductos se enchem de leite. A mama volta ao estado anterior cerca de 3 meses depois de
parar de amamentar.
Método
O que é normal
Mamografia
Mama maior e mais densa, bilateral e simétrica (88% heterogênea ou extremamente densa) · sensibilidade ainda de 74 a 100% · calcificações de lactação em geral difusas e bilaterais, mas às vezes suspeitas
US na gestação
Parênquima hipoecogênico e heterogêneo (proliferação fibroglandular)
US na lactação
Parênquima ecogênico, ductos proeminentes, mais vascularização
RM na lactação
Realce de fundo acentuado, mais vasos, hipersinal em T2 · mesmo assim a sensibilidade para câncer é de 98 a 100%
Mama normal na lactação, mulher de 33 anos
Craniocaudais: densidade aumentada e simétrica (categoria D, extremamente densas).Mediolaterais oblíquas: o mesmo. O nódulo palpável era tecido normal no US.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 1. Ver artigo
A mesma mama dentro e fora da lactação, mulher de 40 anos
Oblíqua direita na lactação: mama maior e mais densa (heterogênea, categoria C).Oblíqua esquerda na lactação: o mesmo.Oblíqua direita aos 38 anos, sem amamentar: também heterogênea, mas menor e menos densa.Oblíqua esquerda aos 38 anos: o mesmo.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 3. Ver artigo
US normal na gestação e na lactação, duas pacientes
Gestante de 15 semanas: tecido fibroglandular hipoecogênico e heterogêneo.Lactante: tecido ecogênico, com ductos proeminentes.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 3. Ver artigo
Ductos da lactação no US, mulher de 31 anos
Durante a amamentação: ductos proeminentes (seta), alteração fisiológica.Depois de parar de amamentar: os ductos voltaram ao normal.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 4. Ver artigo
Calcificações benignas da lactação, mulher de 47 anos
Magnificações craniocaudal e lateral: calcificações amorfas agrupadas às 7 horas (ovais), BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System) 4B.US: focos ecogênicos correspondentes (pontas de seta). A biópsia foi guiada por US, pelo risco de fístula na estereotaxia.Radiografia dos fragmentos: calcificações presentes (ponta de seta). Tecido benigno com alterações da lactação.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 2. Ver artigo
Alteração da lactação que forma nódulo, mulher de 33 anos
US: nódulo oval hipoecogênico de margens indistintas (setas), no ponto palpável, BI-RADS 4A. A biópsia mostrou só alterações da lactação.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 4. Ver artigo
o câncer aparece apesar do realce de fundo
Na RM da lactante, o tecido normal realça rápido e faz platô; o câncer costuma realçar
rápido e lavar, e o realce não nodular maligno fica acima do fundo. Em T2, o câncer
aparece escuro contra o fundo claro. O custo é mais BI-RADS 3.
RM normal na lactação, mulher de 36 anos de alto risco
MIP (projeção de intensidade máxima): realce de fundo acentuado e bilateral, com mais vasos.T2 com saturação de gordura: hipersinal difuso.Fase precoce com contraste: mais tecido fibroglandular.MIP antes da gestação: realce de fundo só discreto.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 5. Ver artigo
RM da lactação, mulher de 30 anos
MIP: realce de fundo acentuado, bilateral e simétrico.T2 axial: ductos dilatados cheios de líquido nas duas mamas (setas).
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 5. Ver artigo
Câncer visível apesar do realce de fundo, mulher de 41 anos BRCA2
RM axial na lactação: realce não nodular segmentar (setas) mais evidente que o fundo acentuado. Carcinoma triplo-negativo.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 6. Ver artigo
Câncer com lavagem na lactação, mulher de 31 anos
MIP axial: nódulo redondo que realça (seta), visível contra o fundo acentuado.Mapa de cinética em cores: realce rápido com lavagem no tumor; o tecido da lactação em volta faz platô. Triplo-negativo.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 7. Ver artigo
Rastreamento: quem e como
Toda mulher deve ter o risco avaliado até os 25 anos. Alto risco: risco na vida
≥ 20% por modelo, mutação (BRCA (genes de suscetibilidade hereditária ao câncer de mama e de ovário), TP53 (gene supressor de tumor p53), PTEN (gene supressor de tumor da síndrome de Cowden), PALB2 (gene parceiro e localizador do BRCA2), CDH1 (gene da E-caderina), STK11 (gene da síndrome de Peutz-Jeghers)), radioterapia de tórax
na juventude e parentes de 1º grau não testados de portadoras.
Situação
Rastreamento
Gestante, risco habitual (≥ 40 anos)
Mamografia ou tomossíntese quando vencer
Gestante, alto risco
Mamografia ou tomossíntese (≥ 25 a 30 anos) · US pode ser apropriado · RM não
Gestante de alto risco < 25 anos
US pode ser apropriado
Lactante, risco habitual
Mamografia ou tomossíntese quando vencer · não adiar por amamentar
Lactante, alto risco
Mamografia ou tomossíntese e RM com contraste
Mama densa ou risco intermediário
US suplementar pode ser considerado (mais falso-positivo)
Rastreamento de alto risco na gestação, mulher de 39 anos BRCA1
MIP de RM 3 meses antes de engravidar: sem realce suspeito.Craniocaudal direita na gestação: sem achados.Craniocaudal esquerda: sem achados.Oblíqua direita: sem achados.Oblíqua esquerda: sem achados. RM antes da gestação e mamografia durante ela.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 8. Ver artigo
voltar a rastrear depois do parto
Cerca de dois terços dos cânceres associados à gestação aparecem depois do parto,
a maioria nos primeiros 6 meses. A mamografia de rotina não deve ser adiada pela
amamentação. Se a paciente vai parar logo de amamentar, pode-se esperar algumas semanas depois
de parar. A RM de alto risco pode seguir durante a lactação, ou esperar 6 a 12 semanas
depois de parar (ou 3 meses, se a amamentação não for longa), para o realce de fundo cair.
Carcinoma depois de adiar o rastreamento por gestação e amamentação, mulher de 41 anos
Magnificação: microcalcificações pleomórficas finas de distribuição segmentar, cerca de 8 cm (círculo). Carcinoma ductal in situ de alto grau na biópsia.US dirigido: sem alteração.RM axial: realce não nodular multicêntrico (setas). Na mastectomia, carcinoma invasivo multifocal com 2 linfonodos positivos.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 10. Ver artigo
Rastreamento retomado 2 meses depois do parto, mulher de 41 anos
Oblíqua de rastreamento: grupo novo de calcificações de 6 mm (círculo).Magnificação: calcificações amorfas (círculo). Carcinoma ductal in situ na biópsia.RM pré-operatória: realce de fundo acentuado da lactação, sem outro realce suspeito.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 11. Ver artigo
O sintoma: por onde começar
Paciente com sintoma
Investigação
Gestante, qualquer idade
US primeiro · mamografia se o US for suspeito ou não explicar o sintoma · sem imagem que explique e clínica suspeita: biópsia guiada pela palpação
Lactante < 30 anos
US primeiro, como fora da lactação
Lactante ≥ 30 anos
Mamografia e depois US, como fora da lactação
Câncer confirmado na gestação
Mamografia bilateral (calcificações, multifocalidade, a outra mama) · US da axila · RM só depois do parto
Ductografia na gestação, mulher de 32 anos com 16 semanas
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 2. Ver artigo
Galactocele atípica, mulher de 30 anos lactante
Craniocaudal: massa oval de margens obscurecidas (seta).Mediolateral: a mesma massa (seta).Doppler: massa heterogênea, de margens indistintas e sombra posterior (asteriscos), sem fluxo, BI-RADS 4A. A punção deu leite.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 9. Ver artigo
US sozinho não basta
Na gestante com câncer, a mamografia mostra calcificações que estendem a doença além da
massa vista no US, e em alguns casos a mamografia ou o US mostram o que a RM da lactante, com
realce de fundo intenso, esconde. Mamografia e US juntos têm valor preditivo negativo perto de
100%; o US sozinho pode não bastar quando a queixa persiste.
A mamografia define a extensão na gestação, mulher de 39 anos com 24 semanas
US: massa irregular não paralela com halo ecogênico; carcinoma ductal invasivo na biópsia.Magnificação craniocaudal: microcalcificações pleomórficas finas segmentares (setas) à frente do tumor, com o clipe na massa. A paciente tinha ouvido que a mamografia era insegura.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 19. Ver artigo
Câncer visível na mamografia e no US, pouco na RM, mulher de 37 anos lactante
Oblíqua: microcalcificações segmentares de cerca de 11 cm, com marcador no ponto palpável. Carcinoma ductal in situ.US: nódulo oval hipoecogênico de margens indistintas; carcinoma invasivo na biópsia.RM pós-contraste: limitada pelo realce de fundo da lactação.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 14. Ver artigo
Câncer oculto na mamografia, gestante de 31 anos
Oblíqua com marcador no nódulo palpável (seta): só alterações difusas da gestação.US: nódulo irregular hipoecogênico de 1,2 cm (marcadores). Carcinoma lobular invasivo.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 13. Ver artigo
+ complemento · estadiamento na gestação
Para não irradiar o feto, o estadiamento pode trocar PET-TC e cintilografia óssea por US do
fígado e RM da coluna sem contraste, quando indicado.
Lesões benignas da gestação e da lactação
Cerca de 80% das lesões nesse período são benignas, mas várias imitam câncer.
Lesão
Imagem
Conduta
Galactocele
Cisto de retenção de leite · nível gordura-líquido (patognomônico; melhor no perfil a 90°) · no US, gordura na parte não dependente · na RM em decúbito ventral a gordura sobe para o lado do tórax
Típica: BI-RADS 2 · atípica (sólida e cística, sombra): punção e biópsia
Adenoma da lactação
Oval, circunscrito, hipoecogênico, paralelo, vascularizado, reforço posterior · igual ao fibroadenoma · 3º trimestre
Em geral biópsia (o câncer pode ter a mesma cara) · regride depois da lactação
Fibroadenoma
Pode crescer, ganhar cistos e vasos, ou infartar (doloroso, heterogêneo)
Nódulo sólido novo ou que cresce: considerar biópsia
Mastite puerperal
Pele espessa, edema, mais vasos · abscesso em 3 a 11%: coleção complicada
Antibiótico · abscesso: punção ou dreno guiado, mantendo a ordenha
Mastite granulomatosa
Massa hipoecogênica irregular com trajetos tubulares até a pele · 6 meses a 2 anos depois de parar de amamentar
Biópsia para excluir câncer e infecção (diagnóstico de exclusão)
Linfonodo reativo, tecido mamário axilar
Linfonodo com córtex uniforme e hilo · tecido acessório que muda com a lactação
BI-RADS 2 se típico
Galactocele típica, mulher de 30 anos lactante
Mediolateral: massa oval circunscrita com nível gordura-líquido (seta).US: o nível (seta), com a gordura ecogênica na parte não dependente. BI-RADS 2; a punção para alívio deu leite.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 7. Ver artigo
Galactocele na RM, mulher de 34 anos BRCA2
T2 com saturação de gordura: cisto complicado com nível gordura-líquido (seta).T1 sem saturação: a gordura fica do lado do tórax (seta), porque a paciente está de bruços.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 8. Ver artigo
Lesões benignas da lactação, três pacientes
US, 39 anos: nódulo oval circunscrito, fibroadenoma com alterações da lactação.Mamografia, 43 anos: massa redonda com gordura e nível gordura-líquido (seta), galactocele.US, 34 anos no pós-parto: massa sólida e cística, um abscesso na punção.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 12. Ver artigo
Adenoma da lactação, gestante de 26 anos com 28 semanas
US: nódulo oval hipoecogênico, de margens microlobuladas (seta) e reforço posterior, BI-RADS 4A. Adenoma da lactação na biópsia.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 10. Ver artigo
Fibroadenoma que cresce na lactação, mulher de 32 anos
US com 15 semanas: nódulo oval circunscrito (seta), BI-RADS 3.US no pós-parto, amamentando: cresceu e ficou heterogêneo (setas), BI-RADS 4A. Fibroadenoma com alterações da lactação.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 11. Ver artigo
Fibroadenoma conhecido que cresce na lactação, mulher de 34 anos
US 4 anos antes: nódulo oval circunscrito (asterisco), fibroadenoma na biópsia.US amamentando: muito maior, com espaços císticos e margens indistintas. A exérese confirmou fibroadenoma com alterações da lactação.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 12. Ver artigo
Mastite puerperal, mulher de 28 anos
US: pele espessa (seta dupla) e edema subcutâneo, sem coleção. Melhorou com antibiótico.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 13. Ver artigo
Abscesso puerperal, mulher de 26 anos lactante
US: coleção complicada irregular (asterisco).Doppler: hiperemia em volta (setas). A punção deu pus com MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina).
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 14. Ver artigo
Mastite granulomatosa recorrente na gestação, mulher de 32 anos
US: coleção ou flegmão (setas) com trajeto tubular até a pele (ponta de seta).Doppler: vascularização aumentada (setas).
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 15. Ver artigo
Linfonodos reativos depois de vacina, mulher de 34 anos lactante
US da axila: córtex espessado de forma uniforme, até 6 mm (seta dupla), com hilo gorduroso preservado.Doppler: fluxo hilar (seta). BI-RADS 2.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 16. Ver artigo
Tecido mamário axilar acessório, gestante de 36 anos
US da axila: tecido ecogênico heterogêneo igual ao fibroglandular (asterisco). BI-RADS 2.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 17. Ver artigo
a mastite que não melhora
Mastite que não responde ao antibiótico pede biópsia: pode ser carcinoma inflamatório.
E o BI-RADS 3 foi validado fora da gestação: num nódulo oval e circunscrito da gestante ou da
lactante, use-o com cautela, porque o câncer associado à gestação pode ter cara benigna.
Tecido axilar acessório atípico, mulher de 36 anos lactante
RM com contraste: massa irregular que realça na cauda axilar direita (seta), com lavagem.Oblíquas: massa irregular na cauda axilar (seta).US: massa heterogênea irregular (setas), BI-RADS 4A. Tecido mamário benigno com alterações da lactação na biópsia.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 18. Ver artigo
Benigno e maligno com a mesma cara, duas mulheres de 39 anos
US: nódulo oval, paralelo, sólido e cístico: adenoma da lactação.US de outra paciente: nódulo parecido, menor: carcinoma triplo-negativo. Na dúvida, biópsia.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 15. Ver artigo
O câncer associado à gestação
Câncer associado à gestação
Incidência
1 em 3.000 a 10.000 gestações · até 3 a 7% dos cânceres de mama
Quando
Dois terços depois do parto, a maioria nos 6 primeiros meses
Tipo
Carcinoma ductal invasivo em 75 a 90%, em geral de alto grau · triplo-negativo em até 30 a 40% · lobular raro (3 a 7%)
Apresentação
Massa indolor, às vezes com axila acometida · aumento unilateral, pele espessa, descarga sanguinolenta, recusa do bebê em mamar daquela mama
Imagem
A mesma de fora da gestação · no US, massa sólida que pode ter reforço posterior e partes císticas (imita galactocele e adenoma)
Câncer na gestação, mulher de 36 anos com 13 semanas
US: nódulo irregular hipoecogênico de margens angulares (seta).US da axila: linfonodo com córtex espesso e sem hilo gorduroso (seta).Mamografia: massa irregular com calcificações pleomórficas finas (seta). Carcinoma ductal invasivo grau 3 com metástase no linfonodo.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 19. Ver artigo
Câncer na lactação, mulher de 32 anos
Mamografia: assimetria focal com distorção e calcificações amorfas (seta).MIP de RM: massa irregular que realça (seta), com realce de fundo acentuado.US: nódulo irregular hipoecogênico de margens angulares (seta), BI-RADS 5. Carcinoma ductal invasivo.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 20. Ver artigo
Câncer com resposta à quimioterapia, mulher de 31 anos
Craniocaudal: massa irregular de margens indistintas (seta).Oblíqua: a mesma massa (seta).US: nódulo irregular hipoecogênico de margens angulares (seta), BI-RADS 4C. Triplo-negativo.RM depois da interrupção da gestação: a massa (seta), com artefato do clipe.RM depois da quimioterapia neoadjuvante: sem massa nem realce no local (seta). A peça não tinha tumor.
Fonte: Peterson MS et al. RadioGraphics 2023;43(10):e230014, Fig. 21. Ver artigo
Atraso de meses com a mama endurecendo, gestante de 38 anos
Oblíqua direita: densidade aumentada.Oblíqua esquerda: pele espessa e calcificações pleomórficas extensas, cerca de 11 cm.US: nódulo irregular hipoecogênico de 3,3 cm, não paralelo (marcadores). Carcinoma ductal invasivo com axila positiva.RM depois do parto: realce não nodular segmentar mais extenso, com retração da papila.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 16. Ver artigo
+ complemento · tratamento
Cirurgia em qualquer trimestre (de preferência depois de 12 semanas); quimioterapia com
antraciclina a partir do 2º trimestre; radioterapia, hormonioterapia e anti-HER2 só depois
do parto. Não é preciso interromper a gestação: tratada, a doença tem prognóstico parecido. 10 a 20% das pacientes com menos
de 40 anos têm mutação BRCA: o teste genético muda a cirurgia.
Biópsia na gestante e na lactante
Lesão suspeita ou nódulo que não some em pouco tempo: biópsia por agulha grossa, sem
demora. A punção aspirativa por agulha fina não serve: as alterações normais da gestação
imitam neoplasia na citologia e dão falso-positivo.
Ponto
Recomendação
Guia
US de preferência (agulha mais fina) · estereotaxia pode · RM só na lactação
Amamentação
Não suspender · amamentar ou ordenhar logo antes · pode amamentar depois, mesmo com traço de sangue ou anestésico no leite
Riscos
Sangramento (mais vasos), infecção, fístula láctea (1,4 a 2,8%)
Reduzir
Agulha mais fina, menos passagens, longe da aréola, compressão prolongada, gelo, curativo compressivo
Biópsia por agulha grossa guiada por US, mulher de 36 anos lactante
US: agulha de 14 G com a janela de corte dentro da massa; três fragmentos, para reduzir o risco de fístula. Adenoma da lactação.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 17. Ver artigo
a fístula não impede a biópsia
O medo da fístula láctea não deve adiar a biópsia de lesão suspeita. A maioria fecha sozinha
com a amamentação ou ordenha mantidas e curativo; suprimir a lactação ou operar é raro.
BI-RADS 3 mal usado na lactação, mulher de 43 anos
Magnificação 6 meses depois: muito mais calcificações. Elas eram novas e não redondas, e tinham sido atribuídas à lactação.Estereotaxia: agulha em posição. Carcinoma ductal in situ de alto grau.
Fonte: Fazeli S et al. RadioGraphics 2026;46(10):e260005, Fig. 18. Ver artigo
Pontos de prova: alto rendimento
Câncer associado à gestação
Na gestação ou até 1 ano depois · 1/3.000–10.000
Apresentação
Mais avançado: maior, mais axila, receptor negativo, HER2+
Mamografia
Segura na gestação e na lactação · sem proteção abdominal
Dose fetal
Desprezível · efeito determinístico só acima de 50 mGy
RM com gadolínio
Contraindicada na gestação · segura na lactação
Leite e gadolínio
< 0,04% ao leite · sem descartar
Antes do exame
Amamentar ou ordenhar 30 min antes
Sensibilidade
Mamografia 74–100% · RM na lactação 98–100%
US na gestação
Hipoecogênico heterogêneo · lactação: ecogênico
RM na lactação
Fundo realça em platô · câncer lava
Risco
Avaliar até 25 anos · alto risco ≥ 20%
Lactante alto risco
Mamografia e RM
Depois do parto
2/3 dos cânceres · não adiar rastreamento
RM depois da lactação
6–12 semanas depois de parar
Sintoma na gestante
US primeiro, qualquer idade
Lactante ≥ 30 anos
Mamografia e depois US
Câncer na gestante
Mamografia bilateral para extensão
Sintoma
> 2 semanas na gestação: investigar
Galactocele
Nível gordura-líquido: BI-RADS 2
Adenoma da lactação
Igual ao fibroadenoma · biópsia
Mastite
Abscesso 3–11% · punção ou dreno · não melhorou: biópsia
Granulomatosa
Trajetos até a pele · biópsia
Triplo-negativo
Até 30–40%
Biópsia
Agulha grossa · não punção aspirativa
Fístula láctea
1,4–2,8% · não adiar biópsia
Armadilhas e erros comuns
Erros de conduta
Adiar mamografia por medo da radiação na gestante
Pedir proteção abdominal como se fosse necessária
Mandar descartar o leite depois do gadolínio
Adiar o rastreamento por causa da amamentação
Pedir RM com contraste na gestante
Fazer punção aspirativa por agulha fina
Erros de leitura
Atribuir à lactação calcificações novas sem avaliar
Dar BI-RADS 3 a nódulo sólido novo da gestante sem cautela
Tratar como mastite por semanas a lesão que não melhora
Investigar a gestante com câncer só pelo US, sem mamografia
Chamar de galactocele a massa sólida e cística sem nível gordura-líquido
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1
Lactante de 36 anos, portadora de mutação BRCA2, chega para a RM anual com contraste e pergunta se precisa parar de amamentar depois do exame. A orientação correta é:
Menos de 0,04% da dose de gadolínio passa para o leite, e menos de 1% disso é absorvido pelo bebê: não é preciso suspender nem descartar (a mãe pode, se preferir). Na lactante de alto risco, a RM está indicada e pode ser mantida; adiar é opção só para quem vai parar de amamentar em breve.
Gestante de 34 anos com nódulo palpável na mama há 3 semanas. O primeiro exame recomendado é:
Na gestante, de qualquer idade, o sintoma começa pelo US; a mamografia vem se o US for suspeito ou não explicar a queixa. A RM com contraste é contraindicada na gestação, e adiar a investigação é o que faz o câncer associado à gestação chegar avançado.
Lactante de 30 anos com nódulo palpável. A mamografia mostra massa oval circunscrita com nível gordura-líquido no perfil a 90°, e o US mostra cisto complicado com camada ecogênica na parte não dependente, sem fluxo. A categoria adequada é:
O nível gordura-líquido é patognomônico de galactocele, o cisto de retenção de leite: BI-RADS 2. A punção fica para alívio dos sintomas ou para galactocele atípica (sólida e cística, com sombra), quando entra a biópsia.
Sobre a biópsia de nódulo suspeito em lactante, é correto afirmar:
A biópsia por agulha grossa, de preferência guiada por US (agulha mais fina), é o padrão. A citologia por agulha fina dá falso-positivo pelas alterações da lactação. Não é preciso suspender a amamentação, e a fístula (1,4 a 2,8%) não deve adiar a biópsia de lesão suspeita.
Mulher de 42 anos, risco habitual, amamentando há 10 meses e sem previsão de parar, com a mamografia anual vencida. A conduta é:
A mamografia de rotina não deve ser adiada pela amamentação: dois terços dos cânceres associados à gestação aparecem depois do parto, a maioria nos 6 primeiros meses. Amamentar ou ordenhar antes reduz a densidade. Só faz sentido esperar se a paciente vai parar em breve.
Na RM de uma lactante de alto risco há realce de fundo acentuado e bilateral. Qual achado favorece câncer sobre o realce da lactação?
O tecido da lactação realça rápido e faz platô, é simétrico e tem hipersinal em T2 com ductos cheios de leite. O câncer realça rápido e lava, e o realce não nodular maligno fica acima do fundo. A sensibilidade da RM na lactação continua de 98 a 100%.
Fontes. [A] Peterson MS, Gegios AR, Elezaby MA, et al. Breast Imaging and Intervention during
Pregnancy and Lactation. RadioGraphics 2023;43(10):e230014. doi:10.1148/rg.230014 [B] Fazeli S, Stepenosky JE, Naamo S, et al. Breast Cancer Screening in Pregnant and
Lactating Patients: A Practical Approach. RadioGraphics 2026;46(10):e260005.
doi:10.1148/rg.260005
A fisiologia, a investigação do sintoma, as lesões benignas e a biópsia vêm sobretudo de [A];
os critérios ACR de 2025 para a gestante, o retorno ao rastreamento, a comunicação com a
paciente e os dados de dose e de leite, de [B]. As recomendações são as norte-americanas (ACR,
NCCN) citadas nos artigos. Conferido em 06/10/2026.
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