Cadernos QRad 31 · Demências
Neuro · neurodegeneração

Demências

Fonte: Haller, Jäger, Vernooij & Barkhof, Radiology 2023;308(3):e230173
o que mudou desde esta referência · conferido em 2026-09-29
Critérios revisados da DA (Alzheimer’s Association, 2024)  muda a leitura do amiloide
O modelo ATN (amiloide, tau e neurodegeneração) deste caderno continua útil, mas os critérios de 2024 separam os biomarcadores em dois grupos. Core 1 (amiloide PET (tomografia por emissão de pósitrons), líquor aprovado, p-tau217 (proteína tau fosforilada na posição 217) plasmática acurada): um resultado anormal basta para o diagnóstico biológico de DA (doença de Alzheimer). Core 2 (tau PET e biomarcadores tardios): dá prognóstico e, quando anormal, aumenta a confiança de que a DA contribui para os sintomas.

Estadiamento biológico pelo PET: A (inicial) amiloide+ e tau−; B tau restrito ao lobo temporal medial; C tau neocortical moderado; D tau neocortical alto.

Estadiamento clínico de 0 a 6 (do assintomático à demência grave), independente do biológico: copatologia, reserva cognitiva e resistência podem descasar os dois.
Jack CR Jr, Andrews JS, Beach TG, et al. Revised criteria for diagnosis and staging of Alzheimer’s disease: Alzheimer’s Association Workgroup. Alzheimers Dement. 2024;20(8):5143–5169. doi:10.1002/alz.13859

Mais que a doença de Alzheimer típica

A era dos antiamiloides (lecanemabe, donanemabe) mudou o jogo do laudo: agora o diagnóstico precoce (idealmente pré-demência) e a separação entre variantes e imitadores têm consequência terapêutica. E dois banhos de realidade: na clínica de memória, ~60% é doença de Alzheimer (DA), ~15% é doença de corpos de Lewy e ~5% é demência frontotemporal (FTD); e, dentro da “DA”, menos da metade é DA isolada; o resto é doença mista, e a combinação mais comum é com a doença cerebrovascular.

o modelo ATN, e quem não cabe nele A teoria da cascata, formalizada no modelo amiloide–tau–neurodegeneração (ATN): amiloide (A+T−N−) → tau (A+T+N−) → neurodegeneração (A+T+N+). Aplicado à vida real, só ~53% dos pacientes de clínica de memória seguem essa trilha: 24% não cabem no modelo (ex.: A−T−N+, que sugere LATE (encefalopatia límbica relacionada à idade, por TDP-43: proteína que forma agregados nos neurônios)). Já no início do declínio, ~50% dos neurônios do hipocampo se foram: nenhuma droga repovoa neurônio, daí a corrida pela precocidade.
ARIA: o efeito colateral que o radiologista vigia Os antiamiloides causam as anormalidades de imagem relacionadas ao amiloide: ARIA-E (edema/efusão sulcal) e ARIA-H (hemossiderina, com micro-hemorragias e siderose). Mais frequentes em quem também tem angiopatia amiloide (microbleeds lobares): por isso a contagem de microbleeds virou pré-requisito de tratamento; nos ensaios, ≥ 5 micro-hemorragias de base excluíam o paciente.

Gravidade (classificação da FDA (Food and Drug Administration, agência reguladora dos Estados Unidos)): ARIA-E leve, um local < 5 cm; moderada, 5–10 cm ou mais de um local; grave, > 10 cm. ARIA-H, micro-hemorragias novas: ≤ 4, 5–9, ≥ 10; siderose superficial nova: 1, 2, > 2 áreas.
Conduta: suspender a droga na ARIA-E ou ARIA-H moderada, mesmo assintomática; descontinuar na ARIA-H grave.
Vigilância: RM sem contraste antes da 5ª, 7ª e 14ª infusão do lecanemabe (e antes da 2ª, 3ª, 4ª e 7ª do donanemabe), com T2* GRE (gradiente-eco; a sequência dos ensaios e da escala de gravidade), FLAIR (fluid-attenuated inversion recovery: T2 com o sinal do líquor suprimido) e difusão.
Cogswell PM, Andrews TJ, Barakos JA, et al. AJNR Am J Neuroradiol. 2025;46(1):24–32. doi:10.3174/ajnr.A8469

A DA típica e o arsenal de biomarcadores

A DA típica é a amnésica: atrofia predominante do hipocampo e mesiotemporal (escala visual de atrofia mesiotemporal ou volumetria no T1 3D). O limite honesto da volumetria: a variação normal do hipocampo no idoso é ~20%, e a diferença média DA × controle é ~12% (~7% no comprometimento cognitivo leve × controle); separa grupos, não indivíduos, sobretudo no início.

Doença de Alzheimer típica e variante parietal
DA típica, homem de 83 anos. RM coronal T1: atrofia predominante dos hipocampos (setas).
DA típica, homem de 83 anos. RM coronal T1: atrofia predominante dos hipocampos (setas).
Mesmo paciente, perfusão por ASL (arterial spin labeling: marcação magnética do sangue arterial): hipoperfusão do cíngulo posterior (seta), o sinal da "lâm
Mesmo paciente, perfusão por ASL (arterial spin labeling: marcação magnética do sangue arterial): hipoperfusão do cíngulo posterior (seta), o sinal da "lâmpada apagada"; no normal, o cíngulo posterior em repouso é pelo menos tão perfundido quanto o resto do córtex e brilha como uma lâmpada.
Variante parietal atípica, homem de 65 anos. RM axial T1: atrofia parietal predominante (seta). A variante parietal pega pacientes mais jovens e pode ser assimé
Variante parietal atípica, homem de 65 anos. RM axial T1: atrofia parietal predominante (seta). A variante parietal pega pacientes mais jovens e pode ser assimétrica.
Mesmo paciente, ASL: hipoperfusão parietal associada (seta), provavelmente superestimada pela atrofia (efeito de volume parcial).
Mesmo paciente, ASL: hipoperfusão parietal associada (seta), provavelmente superestimada pela atrofia (efeito de volume parcial).
Fonte: Haller S et al. Radiology 2023;308(3):e230173, Fig. 1. Ver artigo
HIPOMETABOLISMO NO FDG (A PERFUSÃO ASL ESPELHA): CADA DEMÊNCIA APAGA UM CANTO DOENÇA DE ALZHEIMER cíngulo POSTERIOR + parietais bilaterais CORPOS DE LEWY parieto-OCCIPITAL, poupando o cíngulo = ILHA FRONTOTEMPORAL frontal (± temporal), poupando o occipital DAT-SCAN: DE VÍRGULA A PONTO normal: vírgulas bilaterais (caudado + putame) Lewy/Parkinson: putame some → pontos NIGROSSOMA 1 (“CAUDA DE ANDORINHA”) na SWI, a substância negra normal tem a cauda de andorinha; ela SOME em Parkinson e Lewy comporta-se como o DAT-scan: anormal em Lewy/Parkinson · normal em DA e FTD uso esperto: triagem p/ o DAT, não substituto amiloide PET: negativo EXCLUI; positivo (até 10 anos antes; 20–30% dos idosos saudáveis) não prova a causa · tau PET: acompanha o início → LIGA À CLÍNICA · na DA típica, o ASL mostra o “apagão” do cíngulo posterior (absent light bulb). Lewy também pode ter amiloide positivo (menos captação que a DA): a dopamina é quem decide.
Os padrões funcionais: o FDG (fluordesoxiglicose) de cada demência, o DAT-scan (cintilografia do transportador de dopamina) de vírgula a ponto e o nigrossoma 1.
a regra dos dois PET Amiloide PET negativo exclui: o amiloide fica positivo até 10 anos antes do início, e 20–30% dos idosos cognitivamente saudáveis são positivos; por isso o positivo mostra a patologia, mas não prova que ela causa os sintomas (pelos critérios de 2024, basta para o diagnóstico biológico).

Tau PET liga a DA à clínica: acompanha de perto o início dos sintomas e aumenta a confiança de que a DA os explica.

FDG (hipometabolismo do cíngulo posterior + parietais na DA) antecede a atrofia; a perfusão arterial spin labeling (ASL) espelha o FDG sem radiofármaco: na DA, o cíngulo posterior perde o brilho (“lâmpada apagada”).
+ complemento · a genética em três linhas Familiar precoce autossômica dominante: APP, PSEN1, PSEN2 (genes da proteína precursora do amiloide e das presenilinas 1 e 2; amiloide positivo no PET ~15 anos antes dos sintomas). Na DA esporádica, o grande fator de risco é o APOE (gene da apolipoproteína E): ε3 neutro, ε4 risco (pior em homozigose), ε2 protetor, e o ε4 também aumenta o risco de corpos de Lewy e de angiopatia amiloide.

As variantes da DA

VarianteA cara
Atrofia cortical posteriorPaciente mais jovem, queixa visuoespacial · atrofia parietal/occipital com hipocampo relativamente poupado · amiloide anormal · APOE ε4 menos frequente que na típica · diferenciais: corpos de Lewy (dopamina anormal) e degeneração corticobasal (cerebelo + assimetria + movimento)
Frontal/comportamentalAtrofia frontal + desinibição: imita a FTD comportamental; quem separa é o amiloide (anormal na DA frontal, normal na FTD)
Logopênica (linguagem)Falha em achar a palavra, repetição ruim, erros fonológicos · atrofia peri-insular esquerda estendendo ao parieto-occipital · é a variante de afasia progressiva primária que costuma ter patologia de DA
Parietal do jovemAtrofia parietal dominante (às vezes assimétrica) com hipocampo menos afetado: difícil de graduar visualmente (o parietal varia muito entre pessoas)
Atrofia cortical posterior, mulher de 61 anos com déficit de integração visuoespacial
RM axial T2: atrofia parietal com predomínio à direita.
RM axial T2: atrofia parietal com predomínio à direita.
RM coronal T1: a mesma atrofia parietal.
RM coronal T1: a mesma atrofia parietal.
ASL: hipoperfusão associada (seta).
ASL: hipoperfusão associada (seta).
Fonte: Haller S et al. Radiology 2023;308(3):e230173, Fig. 3. Ver artigo
As afasias progressivas primárias não fluente e logopênica
Variante não fluente/agramática, RM sagital T1 do hemisfério esquerdo: atrofia peri-insular com gradiente anteroposterior (setas). Clinicamente, fala esforçada
Variante não fluente/agramática, RM sagital T1 do hemisfério esquerdo: atrofia peri-insular com gradiente anteroposterior (setas). Clinicamente, fala esforçada e não fluente.
Mesma paciente, sagital T1 do hemisfério direito: atrofia menor, o predomínio é esquerdo.
Mesma paciente, sagital T1 do hemisfério direito: atrofia menor, o predomínio é esquerdo.
Variante logopênica, RM axial T1: atrofia peri-insular esquerda que se estende para trás, ao córtex parieto-occipital (setas). Dificuldade de achar palavras e f
Variante logopênica, RM axial T1: atrofia peri-insular esquerda que se estende para trás, ao córtex parieto-occipital (setas). Dificuldade de achar palavras e fala lenta, com compreensão preservada.
Variante logopênica, RM coronal T1: a mesma atrofia (setas).
Variante logopênica, RM coronal T1: a mesma atrofia (setas).
Fonte: Haller S et al. Radiology 2023;308(3):e230173, Fig. 4. Ver artigo
+ complemento · subtipos por imagem Análises de grandes bancos de amiloide PET separam subtipos frontal, parietal e occipital: mais distintos no INÍCIO (depois convergem, e a média dos subtipos reproduz o padrão clássico das autópsias). No tau PET, os quatro subtipos (límbico ou típico, poupador do mesiotemporal, posterior e temporal esquerdo) ecoam em parte as variantes amnésica, comportamental, visuoespacial e de linguagem.

Os imitadores: LATE, corpos de Lewy e a família FTD

DoençaAssinatura
LATE (encefalopatia TDP-43 límbica do idoso)O grande imitador: idoso muito velho (> 90 anos), amnésia + atrofia hipocampal IGUAL à DA, mas amiloide normal (A−T−N+) · sem PET/líquor de amiloide, é indistinguível · pode vir com esclerose hipocampal
Corpos de LewySinucleinopatia (espectro com Parkinson) · alucinações visuais, distúrbio do sono REM (sono dos movimentos oculares rápidos), parkinsonismo, flutuação · ponto cego da RM: atrofia discreta (hipocampo relativamente preservado) · quem fecha: dopamina (DAT-scan: vírgula → ponto) ou nigrossoma 1 sumido na SWI (imagem ponderada em suscetibilidade) · FDG: parieto-occipital poupando o cíngulo posterior (sinal da ilha do cíngulo) · amiloide pode ser positivo (menos que na DA)
FTD comportamentalA mais comum da família · atrofia fronto-têmporo-parietal com gradiente ântero-posterior · mesiotemporal junto, porém assimétrico e mais leve que na DA · amiloide normal · genética frequente: C9orf72, MAPT, GRN (genes de uma proteína do cromossomo 9, da proteína tau e da progranulina) · pode somar parkinsonismo ou doença do neurônio motor
Afasia não fluente/agramáticaFala com esforço, produção ruim, compreensão preservada · atrofia focal do giro frontal inferior e peri-insular à esquerda
Demência semânticaPerde o SIGNIFICADO das palavras · atrofia do polo temporal (e fusiforme), clássica à esquerda, com hipocampo assimétrico · variante à direita, com prosopagnosia (não reconhece rostos), provavelmente subdiagnosticada
Demência com corpos de Lewy
RM axial T2: só alterações estruturais discretas, a mais comum é leve atrofia parietal.
RM axial T2: só alterações estruturais discretas, a mais comum é leve atrofia parietal.
RM sagital T1: alterações estruturais discretas.
RM sagital T1: alterações estruturais discretas.
ASL: perfusão preservada no cíngulo posterior, o sinal da ilha do cíngulo, e reduzida na região parieto-occipital (setas). No PET-FDG o padrão é o mesmo, com o
ASL: perfusão preservada no cíngulo posterior, o sinal da ilha do cíngulo, e reduzida na região parieto-occipital (setas). No PET-FDG o padrão é o mesmo, com o metabolismo.
Fonte: Haller S et al. Radiology 2023;308(3):e230173, Fig. 7. Ver artigo
Doença mista: demência frontotemporal e doença cerebrovascular, homem de 79 anos com declínio cognitivo progressivo
RM coronal FLAIR: atrofia frontal predominante (seta), sugestiva da variante comportamental da DFT (demência frontotemporal).
RM coronal FLAIR: atrofia frontal predominante (seta), sugestiva da variante comportamental da DFT (demência frontotemporal).
RM coronal FLAIR: atrofia mesiotemporal menor (seta), escore 1.
RM coronal FLAIR: atrofia mesiotemporal menor (seta), escore 1.
SWI: algumas micro-hemorragias (seta), com leve doença da substância branca (Fazekas 1).
SWI: algumas micro-hemorragias (seta), com leve doença da substância branca (Fazekas 1).
RM FLAIR: microinfarto cortical (seta), componente cerebrovascular.
RM FLAIR: microinfarto cortical (seta), componente cerebrovascular.
Fonte: Haller S et al. Radiology 2023;308(3):e230173, Fig. 8. Ver artigo
Afasia progressiva não fluente inicial, mulher de 76 anos
RM coronal T1: leve atrofia peri-insular assimétrica, com predomínio esquerdo (seta).
RM coronal T1: leve atrofia peri-insular assimétrica, com predomínio esquerdo (seta).
ASL: leve hipoperfusão peri-insular esquerda (setas) e, menos, frontoparietal.
ASL: leve hipoperfusão peri-insular esquerda (setas) e, menos, frontoparietal.
Fonte: Haller S et al. Radiology 2023;308(3):e230173, Fig. 9. Ver artigo
Demência semântica, à esquerda e à direita
Mulher de 73 anos com declínio cognitivo e dificuldade semântica. RM coronal FLAIR: atrofia predominante do polo temporal esquerdo (seta).
Mulher de 73 anos com declínio cognitivo e dificuldade semântica. RM coronal FLAIR: atrofia predominante do polo temporal esquerdo (seta).
Mesma paciente: atrofia hipocampal assimétrica, maior à esquerda (seta). Doença cerebrovascular mínima.
Mesma paciente: atrofia hipocampal assimétrica, maior à esquerda (seta). Doença cerebrovascular mínima.
Homem de 63 anos com declínio cognitivo e dificuldade de reconhecer rostos. RM coronal FLAIR: atrofia predominante do polo temporal direito (seta), a variante t
Homem de 63 anos com declínio cognitivo e dificuldade de reconhecer rostos. RM coronal FLAIR: atrofia predominante do polo temporal direito (seta), a variante temporal direita da DFT.
Mesmo paciente: atrofia hipocampal assimétrica, maior à direita (seta).
Mesmo paciente: atrofia hipocampal assimétrica, maior à direita (seta).
Fonte: Haller S et al. Radiology 2023;308(3):e230173, Fig. 10. Ver artigo
Encefalite límbica autoimune num paciente com germinoma testicular
RM coronal T1: alteração nos dois hipocampos.
RM coronal T1: alteração nos dois hipocampos.
RM coronal FLAIR: hipersinal nos dois hipocampos (setas), sugestivo de encefalite límbica.
RM coronal FLAIR: hipersinal nos dois hipocampos (setas), sugestivo de encefalite límbica.
RM coronal T1 um ano depois: redução de volume dos hipocampos (setas), sem componente vascular.
RM coronal T1 um ano depois: redução de volume dos hipocampos (setas), sem componente vascular.
RM coronal FLAIR um ano depois: a mesma redução (setas). Vendo só o controle, a atrofia poderia ser tomada por doença de Alzheimer.
RM coronal FLAIR um ano depois: a mesma redução (setas). Vendo só o controle, a atrofia poderia ser tomada por doença de Alzheimer.
Fonte: Haller S et al. Radiology 2023;308(3):e230173, Fig. 12. Ver artigo
o hipocampo não é monopólio da DA Atrofia hipocampal aparece em LATE, FTD (assimétrica), esclerose hipocampal, sequela de encefalite límbica autoimune (a história pregressa salva: o T2 alto bilateral de um ano atrás explica o volume perdido de hoje) e até em microinfartos hipocampais. Laudar “atrofia hipocampal = DA” é o erro de base do tema.

HPN, os marcadores vasculares e a doença mista

a configuração de hidrocefalia de pressão normal (HPN) Ventrículos amplos + sulcos apertados na convexidade + transudação transependimária + corpo caloso em V no coronal + fissuras de Sylvius alargadas + sinal do sulco cingulado posterior (iNPH Radscale, a escala de imagem da hidrocefalia de pressão normal idiopática, resume). Nem todo mundo tem o quadro completo (demência + marcha + incontinência): a configuração isolada já marca fisiopatologia não amiloide (glinfático?) e maior risco de declínio, e os cornos temporais dilatados superestimam a atrofia hipocampal. Detalhe do caderno 07: essa é a parte “tratável” da lista.
Doença mista: neurodegeneração tipo Alzheimer, configuração de HPN e doença vascular, mulher de 73 anos
RM coronal FLAIR 14 anos antes, para comparação.
RM coronal FLAIR 14 anos antes, para comparação.
RM coronal FLAIR atual: atrofia hipocampal progressiva e configuração de HPN, com sistema ventricular dilatado, leve transudação transependimária, sulcos aperta
RM coronal FLAIR atual: atrofia hipocampal progressiva e configuração de HPN, com sistema ventricular dilatado, leve transudação transependimária, sulcos apertados no vértice, corpo caloso em V e fissuras sylvianas alargadas (setas). A dilatação dos cornos temporais pode superestimar a atrofia hipocampal.
RM axial T2 antiga.
RM axial T2 antiga.
RM axial T2 atual: hipersinais da substância branca em progressão (seta).
RM axial T2 atual: hipersinais da substância branca em progressão (seta).
RM axial T2 antiga do cerebelo: microinfartos cerebelares já existentes.
RM axial T2 antiga do cerebelo: microinfartos cerebelares já existentes.
RM axial T2 atual: microinfarto cerebelar novo (seta), perto dos anteriores.
RM axial T2 atual: microinfarto cerebelar novo (seta), perto dos anteriores.
Fonte: Haller S et al. Radiology 2023;308(3):e230173, Fig. 11. Ver artigo
Demência frontotemporal com configuração de HPN, mulher de 67 anos com declínio cognitivo progressivo
RM axial T2: atrofia frontal com predomínio esquerdo (seta).
RM axial T2: atrofia frontal com predomínio esquerdo (seta).
RM coronal T1: a atrofia frontal (seta).
RM coronal T1: a atrofia frontal (seta).
RM coronal T1: sinais de configuração de HPN (setas), com ventrículos amplos, ínsulas alargadas e sulcos da convexidade apertados; a atrofia hipocampal inicial
RM coronal T1: sinais de configuração de HPN (setas), com ventrículos amplos, ínsulas alargadas e sulcos da convexidade apertados; a atrofia hipocampal inicial da DFT fica confundida pela dilatação dos cornos temporais. Nem sempre dá para fechar o diagnóstico pela imagem.
Fonte: Haller S et al. Radiology 2023;308(3):e230173, Fig. 15. Ver artigo
OS MARCADORES VASCULARES QUE O LAUDO DE DEMÊNCIA PRECISA CONTAR: UM A UM HIPERINTENSIDADES (WMH) Fazekas 0–3 · > 90% têm alguma após os 40 anos: carga baixa não explica déficit; carga alta e localização estratégica pesam MICROBLEEDS (SWI) PROFUNDOS → hipertensão LOBARES (parieto-occipitais) → angiopatia amiloide (Boston 2.0); só 20–30% da DA os tem ESPAÇOS PERIVASCULARES Virchow-Robin dilatados: marcador emergente (glinfático?), mas há variação normal · état criblé (gânglios da base) quase sempre com WMH confluente LACUNA ESTRATÉGICA gânglios da base/tálamo pegadinha técnica: no tálamo o T2 vê MELHOR que o FLAIR; o FLAIR costuma perdê-la MICROINFARTO CORTICAL achado incidental na DIFUSÃO quando recente: some no controle crônico: mal detectado a 3 T (7 T enxerga bem) MICROINFARTO HIPOCAMPAL comum na autópsia do idoso e associado a declínio: imita DA acurácia da RM 3 T: ~2% = marcador altamente subestimado A ARITMÉTICA DA DOENÇA MISTA demência vascular pura é rara; o comum é neurodegeneração + vascular, com efeito SUPERADITIVO (uma catalisa a outra): fatores de risco compartilhados; o laudo que só diz “DA” rouba tratamento preventivo POR QUE IMPORTA AGORA antiamiloides causam ARIA (edema/ sulcal = ARIA-E; hemossiderina = ARIA-H): mais em quem tem CAA contar os marcadores um a um (e não rotular “leucoaraiose difusa”) é o que permite pesar o componente vascular no declínio e decidir quem pode receber (e quem precisa vigiar) o antiamiloide.
Os marcadores vasculares, um a um, e por que a contagem decide quem recebe antiamiloide.
doença mista é a regra, não a exceção Demência vascular pura (critérios NINDS-AIREN, do National Institute of Neurological Disorders and Stroke e da Association Internationale pour la Recherche et l’Enseignement en Neurosciences) é rara; comum é DA + doença cerebrovascular, com efeito superaditivo: uma catalisa a outra. E DA + angiopatia amiloide coexistem além do acaso (ε4 empurra as duas; Boston 2.0 define a angiopatia). O laudo que força um rótulo único rouba do paciente o tratamento preventivo do componente vascular: sinalizar doença dupla é papel do radiologista, e às vezes a resposta honesta é “não dá para fechar um único diagnóstico”.
Doença neurodegenerativa e cerebrovascular mista ao longo de 13 anos
Aos 81 anos, sem queixa cognitiva. RM coronal T1: sem atrofia hipocampal significativa.
Aos 81 anos, sem queixa cognitiva. RM coronal T1: sem atrofia hipocampal significativa.
RM coronal FLAIR: só hipersinais iniciais da substância branca.
RM coronal FLAIR: só hipersinais iniciais da substância branca.
RM axial T2: sem alterações significativas.
RM axial T2: sem alterações significativas.
Aos 94 anos. RM coronal T1: atrofia, maior no hipocampo direito (setas), componente de neurodegeneração tipo Alzheimer.
Aos 94 anos. RM coronal T1: atrofia, maior no hipocampo direito (setas), componente de neurodegeneração tipo Alzheimer.
RM coronal FLAIR: hipersinais da substância branca em progressão (seta).
RM coronal FLAIR: hipersinais da substância branca em progressão (seta).
RM axial T2: dois pequenos infartos nos núcleos da base esquerdos (setas), componente cerebrovascular.
RM axial T2: dois pequenos infartos nos núcleos da base esquerdos (setas), componente cerebrovascular.
Fonte: Haller S et al. Radiology 2023;308(3):e230173, Fig. 13. Ver artigo
Os marcadores de doença cerebrovascular na RM
FLAIR: hipersinais da substância branca (seta).
FLAIR: hipersinais da substância branca (seta).
SWI: micro-hemorragias (seta).
SWI: micro-hemorragias (seta).
T2: état criblé dos núcleos da base (seta).
T2: état criblé dos núcleos da base (seta).
T2 axial: espaços perivasculares dilatados (de Virchow-Robin) (seta).
T2 axial: espaços perivasculares dilatados (de Virchow-Robin) (seta).
T2: lacuna estratégica no tálamo esquerdo (seta).
T2: lacuna estratégica no tálamo esquerdo (seta).
Difusão (b = 1000): microinfarto cortical incidental (seta).
Difusão (b = 1000): microinfarto cortical incidental (seta).
T2 do mesmo microinfarto (seta).
T2 do mesmo microinfarto (seta).
T2 três meses depois: o microinfarto praticamente invisível (seta).
T2 três meses depois: o microinfarto praticamente invisível (seta).
T2: microinfarto hipocampal (seta).
T2: microinfarto hipocampal (seta).
Fonte: Haller S et al. Radiology 2023;308(3):e230173, Fig. 14. Ver artigo

O jogo dos padrões: a tabela que fecha o caderno

ONDE ATROFIA + O QUE O BIOMARCADOR DIZ = O NOME: SIMPLIFICADO DA TABELA DO ARTIGO ATROFIA HIPOCAMPAL amiloide ANORMAL (PET/líquor) → DA TÍPICA memória · mesiotemporal amiloide NORMAL + > 90 anos → LATE (TDP-43) imita DA; só o amiloide separa assimétrica + frontal/polo/insular → família FTD o hipocampo NÃO é só da DA + cornos temporais dilatados, ventrículos amplos, sulcos apertados → CONFIGURAÇÃO DE HPN superestima a atrofia hipocampal ATROFIA FRONTAL gradiente ântero-posterior + amiloide NORMAL → FTD COMPORTAMENTAL amiloide ANORMAL → DA VARIANTE FRONTAL imita FTD na clínica e na RM polo temporal (clássico à esquerda) → DEMÊNCIA SEMÂNTICA à direita: prosopagnosia (pouco diagnosticada) peri-insular/giro frontal inferior esquerdo, fala com esforço → AFASIA NÃO FLUENTE logopênica: estende ao parietal (DA) ATROFIA PARIETAL / POSTERIOR amiloide ANORMAL · jovem, queixa visuoespacial → ATROFIA CORTICAL POSTERIOR dopamina/nigrossoma 1 ANORMAL → DOENÇA DE CORPOS DE LEWY atrofia discreta: o ponto cego dopamina anormal + cerebelo + parietal ASSIMÉTRICO + movimento → DEGENERAÇÃO CORTICOBASAL hipocampo + WMH, microbleeds, lacunas, microinfartos → DOENÇA MISTA (DA + vascular) a combinação mais comum do idoso A REGRA DOS DOIS PET: AMILOIDE NEGATIVO EXCLUI · TAU LIGA À CLÍNICA amiloide fica positivo até 10 anos antes (e em 20–30% dos idosos saudáveis) → negativo descarta · tau acompanha o início → liga à clínica clínica de memória: ~60% DA · ~15% corpos de Lewy · ~5% FTD, e, dentro da “DA”, menos da metade é DA isolada (o resto é mista).
Onde atrofia + o que o biomarcador diz = o nome. A síntese das tabelas do artigo.
+ complemento · como usar na prática Primeiro o padrão de atrofia (hipocampo? frontal com gradiente? polo temporal? peri-insular? parietal?). Depois o desempate: amiloide (PET/líquor/sangue) para DA × FTD × LATE; dopamina/nigrossoma para Lewy × DA; e a varredura vascular (WMH (hiperintensidades da substância branca), microbleeds e sua distribuição, lacunas, microinfartos) em todos, porque a resposta final quase nunca é um nome só.

Pontos de prova: alto rendimento

Clínica de memória~60% DA · ~15% corpos de Lewy · ~5% FTD · dentro da “DA”, menos da metade é isolada (mista é a regra)
Modelo ATNA+T−N− → A+T+N− → A+T+N+ · 24% não cabem (ex.: A−T−N+ = LATE)
Volumetria do hipocampoVariação normal ~20% · DA × controle ~12% · separa grupos, não indivíduos
FDG na DACíngulo posterior + parietais · ASL espelha (lâmpada apagada) · hipometabolismo antecede atrofia
Amiloide PETPositivo até 10 anos antes · 20–30% dos idosos saudáveis são positivos → negativo EXCLUI; positivo mostra a patologia, não a causa
Tau PETAcompanha o início clínico → liga a DA aos sintomas
GenéticaFamiliar: APP/PSEN1/PSEN2 · risco esporádico: APOE ε4 (ε2 protege)
Atrofia cortical posteriorJovem + visuoespacial + parietal · amiloide anormal · DDx (diagnóstico diferencial): Lewy e corticobasal
DA frontal × FTDMesma cara na RM: o amiloide separa (anormal na DA)
LogopênicaPeri-insular esquerda → parieto-occipital · a afasia progressiva com patologia de DA
LATE> 90 anos · hipocampo atrofiado + amiloide normal · imita DA: só o amiloide separa
Corpos de LewyAlucinações visuais + REM + parkinsonismo · RM quase normal (ponto cego) · DAT: vírgula → ponto · nigrossoma 1 some na SWI · FDG: ilha do cíngulo
Nigrossoma 1Anormal em Lewy/Parkinson · normal em DA/FTD · uso: triagem para a dopamina
FTD comportamentalFrontal com gradiente ântero-posterior · hipocampo assimétrico · C9orf72/MAPT/GRN
SemânticaPolo temporal esquerdo + fusiforme · à direita: prosopagnosia
Afasia não fluenteGiro frontal inferior + peri-insular esquerdos
Configuração de HPNVentrículos + sulcos apertados no vértex + V do caloso + Sylvius ampla · cornos temporais superestimam a atrofia hipocampal
WMHFazekas 0–3 · > 90% têm alguma após os 40 · carga baixa não explica déficit
MicrobleedsProfundos = hipertensão · lobares = angiopatia amiloide (Boston 2.0) · só 20–30% da DA os tem: ausência não exclui
Lacuna estratégicaTálamo/gânglios · no tálamo o T2 vê melhor que o FLAIR
MicroinfartosCortical: incidental na difusão, some depois · hipocampal: acurácia de ~2% a 3 T (subestimadíssimo)
MistaDA + vascular = combinação nº 1 · efeito superaditivo · sinalizar doença dupla é papel do laudo
ARIAARIA-E (edema/sulcal) e ARIA-H (hemossiderina) · mais em quem tem angiopatia amiloide: contar microbleeds antes do antiamiloide
Encefalite límbicaSequela = hipocampo atrofiado, sem a história, vira “DA” no laudo

Armadilhas e erros comuns

Erros de raciocínio

  • Atrofia hipocampal = DA (LATE, FTD, esclerose, encefalite límbica, HPN…)
  • Excluir Lewy porque “a RM está normal”: a RM estrutural é o ponto cego dele
  • Fechar FTD frontal sem amiloide (a DA frontal imita, e trata diferente)
  • Forçar UM diagnóstico quando os marcadores contam doença mista

Erros de técnica e leitura

  • Graduar a atrofia hipocampal sem descontar os cornos temporais dilatados da configuração de HPN
  • Procurar lacuna talâmica só no FLAIR (o T2 vê melhor)
  • Ignorar microinfarto cortical agudo na difusão (a melhor janela para vê-lo)
  • Não classificar a distribuição dos microbleeds (profunda × lobar muda o diagnóstico)

Erros da era antiamiloide

  • Laudar RM de candidato a antiamiloide sem contar microbleeds/siderose
  • Confundir ARIA-E com AVC ou encefalite no paciente em tratamento
  • Esquecer que trombólise + antiamiloide já causou hemorragias múltiplas

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Sobre os PET moleculares na investigação de demência, qual afirmativa está correta?

A divisão de trabalho: amiloide negativo exclui, tau liga à clínica. O amiloide antecede os sintomas em até 10 anos: sensível e precoce, mas 20 a 30% dos idosos cognitivamente normais depositam amiloide, o que impede de atribuir a ela os sintomas (pelos critérios de 2024, o amiloide positivo basta para o diagnóstico biológico, não para dizer que a DA explica o quadro); um amiloide negativo, por outro lado, praticamente descarta a DA como causa. O tau acompanha de perto o início clínico: é ele que liga a DA aos sintomas. Os dois positivos num indivíduo ainda assintomático marcam alto risco de declínio futuro.

O FDG é o inespecífico útil: o padrão da DA (cíngulo posterior + parietais) difere do da doença de corpos de Lewy (parieto-occipital poupando o cíngulo; ilha) e do da FTD (frontal poupando o occipital), e a perfusão por ASL espelha esses mesmos mapas sem radiofármaco.
↑revisar esta parte do caderno · A DA típica e o arsenal de biomarcadores
Questão 2

Mulher de 92 anos com demência amnésica lentamente progressiva. RM: atrofia hipocampal bilateral típica. Amiloide no líquor e PET amiloide: normais. Qual o diagnóstico mais provável?

Idoso muito velho + síndrome amnésica + atrofia hipocampal igual à da DA + amiloide normal é o retrato da LATE (proteinopatia TDP-43 límbica, com ou sem esclerose hipocampal): o exemplo clássico de caso A−T−N+ que não cabe no modelo ATN. Sem o status de amiloide (PET, líquor ou plasma), LATE e DA são indistinguíveis: é exatamente por isso que a checagem do amiloide é a única salvaguarda.

As outras: a DA exigiria amiloide anormal; corpos de Lewy pedem o trio alucinação/REM/parkinsonismo com RM quase normal; a semântica atrofia o polo temporal assimetricamente; e a vascular pura precisaria de carga vascular estratégica. Nenhuma explica este caso melhor que a LATE.
↑revisar esta parte do caderno · Os imitadores: LATE, corpos de Lewy e a família FTD
Questão 3

Homem de 74 anos com declínio cognitivo flutuante, alucinações visuais e distúrbio comportamental do sono REM. A RM estrutural é quase normal. Qual o próximo passo com maior rendimento diagnóstico?

Alucinações visuais + REM + flutuação com RM banal é a doença de corpos de Lewy até prova em contrário, e ela é o ponto cego da imagem estrutural: atrofia discreta, hipocampo relativamente preservado. Quem decide é a via dopaminérgica. No DAT-scan o putame se apaga (a vírgula estriatal vira ponto, muitas vezes assimétrico no início), e o exame é anormal em Lewy/Parkinson e normal em DA/FTD. O nigrossoma 1 (“cauda de andorinha”) na SWI se comporta igual e serve de triagem inteligente para o exame de medicina nuclear.

O FDG ajudaria com o padrão parieto-occipital poupando o cíngulo posterior (sinal da ilha). O amiloide não desempata: pode ser positivo na própria Lewy (captação menor que na DA). Esperar atrofia aparecer é exatamente o erro que mantém a doença subdiagnosticada.
↑revisar esta parte do caderno · Os imitadores: LATE, corpos de Lewy e a família FTD
Questão 4

Homem de 62 anos com mudança de personalidade e desinibição. RM: atrofia frontal com gradiente ântero-posterior, incluindo mesiotemporal assimétrica. O que separa, na prática, a FTD comportamental da variante frontal da DA?

As duas doenças dividem a mesma cena (desinibição + atrofia frontal com gradiente ântero-posterior) e o hipocampo não desempata (a FTD também o atrofia, tipicamente de forma assimétrica). O árbitro é o amiloide: normal na FTD comportamental, anormal na DA variante frontal. A distinção importa porque só uma delas é candidata a antiamiloide.

O DAT-scan é normal em ambas (ele separa a família Lewy/Parkinson). E a FTD puxa mais genética (C9orf72, MAPT, GRN), idade de início menor e associações com parkinsonismo e doença do neurônio motor. O mesmo raciocínio vale para a afasia logopênica (peri-insular → parietal), cuja patologia de base costuma ser DA, não FTD.
↑revisar esta parte do caderno · As variantes da DA
Questão 5

RM de mulher de 79 anos com declínio cognitivo: atrofia hipocampal, ventrículos amplos com sulcos apertados na convexidade, corpo caloso em V no coronal, fissuras de Sylvius alargadas e cornos temporais dilatados. Qual a leitura mais correta?

Ventrículos amplos + sulcos apertados no vértex (o par desproporcional) + caloso em V + Sylvius alargada compõem a configuração de HPN (iNPH Radscale): mesmo sem a tríade clínica completa, ela marca fisiopatologia liquórica/glinfática não amiloide e risco de declínio. E a pegadinha do caso: os cornos temporais dilatados fazem o hipocampo parecer mais atrofiado do que é; não gradue a atrofia hipocampal sem descontá-los.

Ex-vácuo puro não aperta sulcos na convexidade (dilata tudo junto); obstrutiva aguda teria outro contexto. O caso ilustra a mensagem-mãe do caderno: achados mistos (neurodegeneração + configuração de HPN ± vascular) às vezes não permitem um rótulo único, e o laudo honesto diz isso.
↑revisar esta parte do caderno · HPN, os marcadores vasculares e a doença mista
Questão 6

Candidato a terapia antiamiloide realiza RM com T2* GRE: múltiplos microbleeds de distribuição lobar parieto-occipital e siderose superficial focal. Qual a implicação?

Microbleeds lobares (com predileção parieto-occipital) + siderose superficial são o padrão da angiopatia amiloide cerebral (critérios de Boston 2.0), o depósito de amiloide na parede vascular. Nos candidatos a antiamiloide, isso muda tudo: as ARIA (ARIA-E, edema/efusão sulcal; ARIA-H, hemossiderina) ocorrem mais em quem carrega amiloide vascular, e a RM com T2* GRE (a sequência dos ensaios) contando micro-hemorragias virou porta de entrada e vigilância do tratamento; houve até hemorragias múltiplas em paciente sob antiamiloide trombolisado.

O contraponto topográfico: microbleeds profundos (gânglios/tronco) apontam hipertensão. E dois lembretes: só 20–30% da DA tem microbleeds lobares (ausência não exclui nada), e angiopatia + DA coexistem além do acaso; o ε4 empurra as duas.
↑revisar esta parte do caderno · HPN, os marcadores vasculares e a doença mista
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Fontes.
[A] Haller S, Jäger HR, Vernooij MW, Barkhof F. Neuroimaging in Dementia: More than Typical Alzheimer Disease. Radiology 2023;308(3):e230173. doi:10.1148/radiol.230173

Atualização (quadro do topo e ARIA): Jack CR Jr et al. Alzheimers Dement 2024;20(8):5143–5169, doi:10.1002/alz.13859 · Cogswell PM et al. AJNR Am J Neuroradiol 2025;46(1):24–32, doi:10.3174/ajnr.A8469

Fora esses dois quadros, o conteúdo vem de [A], incluindo as duas tabelas de diagnóstico diferencial que fecham o caderno. Conferido em 01/09/2026.

Os diagramas são próprios. Blocos marcados com + complemento são acréscimos do autor, além do texto das fontes.