A pleura tem 0,2 a 0,4 mm: a visceral, que reveste o pulmão, a parietal, que forra a
parede, e entre elas 8 a 10 mL de líquido por lado, que lubrificam a respiração. Quase tudo que a
acomete se mostra de três jeitos: ar no espaço pleural (pneumotórax), líquido (derrame) ou
espessamento (com ou sem massa). O caderno segue essa ordem e depois passa doença a doença.
Camada na TC
O que há nela
Externa
Músculos intercostais externo e interno
Média
Gordura intercostal e vasos intercostais
Linha fina mais interna
Intercostal íntimo, fáscia endotorácica, gordura extrapleural, pleuras parietal e visceral · na TC normal tudo isso é uma linha só; as duas pleuras só se separam quando há líquido entre elas
A pleura normal
TC com contraste: a linha fina (1) reúne pleuras visceral e parietal, gordura extrapleural, fáscia endotorácica e intercostal íntimo; artéria intercostal (2), gordura intercostal (3), intercostais interno (4) e externo (5).US: interface ecogênica entre a pleura parietal (1) e a visceral (2), com pouco líquido anecoico entre elas (3).
Fonte: Yamada A, Taiji R et al. RadioGraphics 2024;44(4):e230079, Fig. 1. Ver artigo
o deslizamento
No US a interface entre as pleuras é uma linha ecogênica, e a pleura visceral desliza com a
respiração (lung sliding). Faltar o deslizamento não é só pneumotórax: enfisema e aderências
pleurais também o apagam.
Variantes das fissuras
Variante
Frequência e importância
Fissura incompleta
A pleura visceral não cobre todo o lobo e os lobos se fundem em parte · oblíqua direita incompleta em 35%, esquerda em 24% (falha mais perto do hilo) · é via de ventilação colateral: a redução de volume por broncoscopia no enfisema funciona pouco
Fissura acessória
Fissura dentro de um lobo, em 16% · a mais comum é a horizontal esquerda (8%), que separa a língula
Fissura da ázigo
1% · a veia ázigo deslocada para fora afunda a pleura no segmento apical do lobo superior direito
Pneumotórax
Tipo
Causas
Espontâneo primário
Sem doença pulmonar conhecida (a fonte lista Marfan, Ehlers-Danlos e deficiência de alfa-1 antitripsina)
Cateter venoso central, biópsia pulmonar, ablação de tumor, trauma
Método
O que procurar
Radiografia em pé
O ar sobe para o ápice: a linha pleural visceral afastada da parede, sem trama pulmonar além dela · com derrame junto, nível hidroaéreo no seio costofrênico
Radiografia deitado
O ar vai para a frente e para baixo (anteromedial, base, seio costofrênico): seio fundo e transparente, o sinal do sulco profundo
US
Sem deslizamento · o ponto pulmonar (onde o pulmão volta a deslizar) é muito específico · modo M: praia (seashore) no normal, código de barras (estratosfera) no pneumotórax
TC
Não é obrigatória para diagnosticar · serve para a causa: antes de bulectomia, relatar bolhas subpleurais, mediastinais, interlobares e diafragmáticas · bolhas do ápice nas reconstruções coronal e sagital (o volume parcial as esconde no axial)
Modo M
Pulmão normal: linhas paralelas acima da pleura e granulado abaixo, o sinal da praia (rótulo da imagem em inglês).Pneumotórax: só linhas paralelas, o código de barras (estratosfera).
Fonte: Yamada A, Taiji R et al. RadioGraphics 2024;44(4):e230079, Fig. 3. Ver artigo
pneumotórax de repetição: pense na causaCistos (Birt-Hogg-Dubé, linfangioleiomiomatose): a TC define pelo tamanho, número, forma e
distribuição, e mostra as lesões renais e ósseas que acompanham essas doenças. Metástase cavitada
(sarcoma), sobretudo durante terapia com inibidor de tirosina-quinase. E endometriose torácica:
cerca de 20% das mulheres em idade reprodutiva (média de 35 anos) com pneumotórax recorrente; o
pneumotórax catamenial começa até 24 horas antes da menstruação e vai até 72 horas depois, e
mais de 90% são à direita. O diagnóstico é sobretudo clínico.
Endometriose torácica, mulher de 49 anos com pneumotórax catamenial
Radiografia: linha pleural visceral à direita (setas) e nível hidroaéreo no seio costofrênico (ponta de seta).TC coronal: pneumotórax direito em parte loculado por aderências (setas).
Fonte: Yamada A, Taiji R et al. RadioGraphics 2024;44(4):e230079, Fig. 2. Ver artigo
+ complemento · trauma
O pneumotórax traumático, o oculto da TC e o hipertensivo estão no caderno 77.
Derrame pleural
Transudato
Exsudato
Desequilíbrio entre filtração e drenagem linfática · pouca proteína
Inflamação ou permeabilidade aumentada · muita proteína
Bilateral também em metástase, linfoma, tromboembolia e colagenose (o lúpus traz derrame pericárdico junto)
critérios de Light
É exsudato se houver um destes: proteína do líquido ÷ sérica maior que 0,5; DHL (desidrogenase lática) do
líquido ÷ sérica maior que 0,6; DHL do líquido maior que 2/3 do limite superior do DHL
sérico. É laboratório: a imagem não substitui.
Método
Achado
Radiografia em pé
Apaga o seio costofrênico e depois forma o menisco · aparece com cerca de 200 mL no PA (posteroanterior) e 75 mL no perfil · líquido na fissura imita massa que some quando o derrame regride (tumor fantasma)
US
Vê derrame mínimo · anecoico homogêneo pode ser transudato ou exsudato · heterogêneo: 90% são exsudatos · septos: infecção, mas também hemotórax e carcinomatose
TC
A densidade não separa bem transudato de exsudato · quilotórax (trauma, linfoma) é exsudato com densidade baixa, pelo colesterol · hemotórax tem densidade alta
Empiema depois de perfuração iatrogênica do esôfago, mulher de 73 anos
TC sem contraste: derrame encapsulado à direita (setas) e gordura extrapleural infiltrada (pontas de seta).US: derrame heterogêneo (setas) com septos grossos (pontas de seta).
Fonte: Yamada A, Taiji R et al. RadioGraphics 2024;44(4):e230079, Fig. 4. Ver artigo
Quilotórax traumático, mulher de 84 anos
TC sagital: fratura explosiva de T11 (seta).TC axial depois da artrodese: derrame volumoso à direita.Linfocintilografia com SPECT-TC (tomografia por emissão de fóton único associada à TC): foco de extravasamento de quilo à frente de T11 (ponta de seta).
Fonte: Yamada A, Taiji R et al. RadioGraphics 2024;44(4):e230079, Fig. 5. Ver artigo
o sinal da pleura dividida
Líquido separando a pleura visceral e a parietal, as duas espessadas e realçando (split pleura).
Foi descrito para separar empiema de abscesso pulmonar, mas aparece em qualquer exsudato com
espessamento pleural: não é exclusivo do empiema.
Empiema, mulher de 66 anos com febre e tosse
TC com contraste: pleuras visceral e parietal espessadas (setas) separadas pelo derrame (*), a pleura dividida, e gordura extrapleural infiltrada (pontas de seta).
Fonte: Yamada A, Taiji R et al. RadioGraphics 2024;44(4):e230079, Fig. 6. Ver artigo
Espessamento pleural: benigno ou maligno
Unilateral ou bilateral, focal ou difuso, com ou sem cálcio: tudo ajuda, e a história de
exposição ao asbesto é a primeira pergunta. O lugar também fala: cúpula diafragmática e
pleura junto das costelas são o território das placas.
Sinal na radiografia
O que é
Sinal extrapleural
Opacidade que faz ângulos obtusos com a parede e tem bordas que se afilam
Sinal da borda incompleta
Parte da margem nítida e parte apagada: lesão fora do pulmão
Na TC
Benigno
Maligno
Espessura
Fino
Mais de 10 mm
Contorno
Liso, uniforme, difuso
Irregular, nodular, circunferencial
Pleura mediastinal
Poupada
Acometida
Método
Para quê
RM
Sinal das massas (tumor fibroso solitário), degeneração cística, hemorragia, necrose
PET-TC (tomografia por emissão de pósitrons associada à TC) com FDG (fluordesoxiglicose)
Estadiar, achar o primário, separar benigno de maligno · falso-positivo em inflamação (empiema, pleurodese com talco) e falso-negativo em lesão pequena · imagem tardia (90 a 120 minutos depois da injeção) melhora a especificidade
nódulos pleurais à esquerda depois de trauma
Ruptura do diafragma no trauma pode semear baço na pleura: esplenose torácica. Vários nódulos
pleurais no hemitórax esquerdo em quem teve trauma: lembre dela antes de pensar em metástase.
Asbesto: placas e o que não é câncer
O asbesto é cancerígeno reconhecido pela OMS desde 1972. Além da fibrose pulmonar (asbestose),
dá quatro doenças pleurais benignas: placas, derrame benigno, espessamento difuso e atelectasia
redonda.
Placa pleural
Como é
Frequência
A manifestação mais comum da exposição · pode surgir 10 anos depois
Origem
Pleura parietal (raramente a visceral)
Forma
Espessamentos planos ou nodulares de bordas abruptas, multifocais e bilaterais (unilaterais em 19%) · na radiografia, contorno irregular com cálcio: folha de azevinho
Onde
Parede posterolateral (7ª a 10ª costela), anterolateral (6ª a 9ª), cúpula do diafragma, pleura mediastinal · poupa ápices e seios costofrênicos
Cálcio
10 a 60%
Placas pleurais, mulher de 61 anos exposta ao asbesto
Radiografia: placas calcificadas bilaterais, inclusive na cúpula do diafragma (seta), poupando ápices e seios; contorno em folha de azevinho (ponta de seta).TC: placas calcificadas ao longo das costelas (setas) e na pleura parietal paravertebral (pontas de seta).
Fonte: Yamada A, Taiji R et al. RadioGraphics 2024;44(4):e230079, Fig. 7. Ver artigo
Imita placa
Diferença
Tuberculose pleural antiga, hemotórax antigo
Unilateral, calcificação em lâmina contínua
Pleurodese com talco
Espessamento denso nas pleuras visceral e parietal, nodular ou linear, menos denso que a placa calcificada · capta FDG
Mesotelioma, metástase
Sem cálcio e sem bordas abruptas
Outras do asbesto
O que saber
Derrame benigno
O sinal mais precoce (até 10 anos) · pequeno, unilateral, em geral sem sintoma · exsudato, sem fibras · recorre · traves lineares que irradiam da pleura visceral (pés de galinha)
Espessamento pleural difuso
Sobretudo visceral · espessamento que encarcera o pulmão, ou que ocupa pelo menos 1/4 da parede, com ou sem o seio costofrênico (a placa não o ocupa)
Atelectasia redonda
Pleura alterada embaixo · lesão encostada nela · vasos e brônquios em redemoinho, a cauda de cometa · perda de volume (fissura repuxada)
Derrame benigno, espessamento difuso e atelectasia redonda, homem de 67 anos
TC de alta resolução: massa subpleural no lobo inferior direito (seta) e opacidades lineares no lobo médio e no inferior esquerdo (pontas de seta).TC com contraste: espessamento difuso e derrame bilaterais; a massa tem a cauda de cometa dos vasos e brônquios em redemoinho (seta), a atelectasia redonda; gordura extrapleural hipertrofiada (pontas de seta).
Fonte: Yamada A, Taiji R et al. RadioGraphics 2024;44(4):e230079, Fig. 9. Ver artigo
não é exclusivo do asbesto
Derrame benigno, espessamento difuso e atelectasia redonda também vêm de infecção crônica,
colagenose e hemotórax. Só a placa é marcadora de exposição.
Empiema, tuberculose e empiema de necessidade
Empiema é pus na cavidade pleural, localizado ou difuso, em três fases: exsudativa aguda,
fibrinopurulenta subaguda e de organização crônica. Na radiografia, seio apagado e
derrame loculado; no US, quase sempre ecogênico e septado (no começo pode ser anecoico).
Na TC
Empiema
Abscesso pulmonar
Forma
Lenticular
Redonda
Ângulo com a parede
Obtuso
Agudo
Parede
Fina e lisa · pleura dividida
Grossa, cavidade em pulmão destruído
Pulmão em volta
Comprimido, vasos e brônquios desviados
Vasos e brônquios terminam na borda
Tratamento
Drenagem
Antibiótico prolongado
nível hidroaéreo antes de qualquer punção
Ar no derrame de quem não foi puncionado nem drenado sugere germe anaeróbio ou fístula
broncopleural.
Tuberculose pleural
O que saber
Mecanismo
Hipersensibilidade e também infecção direta do espaço pleural
Clínica
Febre, tosse, dor pleurítica · derrame unilateral
Diagnóstico
Biópsia positiva só em 55% · a fonte cita o critério de Light: ADA (adenosina desaminase) de 70 U/L ou mais e relação linfócito/neutrófilo de 0,75 ou mais praticamente confirmam
Fase aguda
Igual ao empiema na imagem · o que separa é o pulmão: consolidação, nódulos centrolobulares (árvore em brotamento), cavidades
Fase crônica
Espessamento, cálcio, derrame persistente · fibrotórax: casca calcificada que encarcera o pulmão, gordura extrapleural hipertrofiada, espaços intercostais estreitos
Evolução
Costuma regredir mesmo sem tratamento · complicação rara e tardia: linfoma associado ao piotórax
Pleurite e tuberculose pulmonar, homem de 47 anos
TC (mediastino): derrame e espessamento pleural à esquerda (setas).TC de alta resolução: consolidação e grupos de pequenos nódulos no lobo superior esquerdo. É o pulmão que separa da pleura do empiema.
Fonte: Yamada A, Taiji R et al. RadioGraphics 2024;44(4):e230079, Fig. 10. Ver artigo
Fibrotórax por tuberculose pleural antiga, homem de 80 anos
TC: coleção loculada com casca pleural grossa e calcificada (setas), gordura extrapleural hipertrofiada (pontas de seta) e espaços intercostais estreitos à esquerda.
Fonte: Yamada A, Taiji R et al. RadioGraphics 2024;44(4):e230079, Fig. 11. Ver artigo
Empiema de necessidade
O que saber
O que é
A infecção atravessa a pleura parietal e chega às partes moles e aos músculos da parede
Germes
Mycobacterium tuberculosis e Actinomyces israelii
Onde
Subcutâneo da parede torácica (o mais comum) · também esôfago, mama, retroperitônio, flanco, pericárdio
Imagem
Coleção de parede grossa na pleura que atravessa para a parede, com trajeto fistuloso · sem destruição de costela, cartilagem, esterno ou vértebra (o que separa da tuberculose osteoarticular) · a RM mostra a extensão e costelas de sinal normal
Empiema de necessidade por tuberculose, homem de 44 anos
TC axial: pouco derrame e área hipoatenuante na parede torácica esquerda vizinha (setas).TC coronal do mesmo caso (setas).RM T2: coleção de hipersinal heterogêneo na parede.RM T1 em fase oposta: trajeto fistuloso da cavidade pleural para a parede (ponta de seta).
Fonte: Yamada A, Taiji R et al. RadioGraphics 2024;44(4):e230079, Fig. 12. Ver artigo
Metástase e mesotelioma
A metástase é a neoplasia pleural mais frequente. Derrame maligno vem de pulmão (38%),
mama (17%) e linfoma (12%), e a chance de malignidade num derrame unilateral novo cresce com a
idade e com o tamanho do derrame.
Metástase pleural
Achado
Radiografia
Espessamento circunferencial ou lobulado, derrame, hemitórax menor
US
Derrame de exsudato, com ou sem septos · nódulos pleurais sugerem malignidade
TC com contraste
Nódulos e espessamento parietal de mais de 10 mm, circunferencial, nodular ou irregular · no câncer de pulmão, nódulos pequenos na fissura podem ser o único sinal de disseminação
Nódulo na fissura
Metástase: pequenos, irregulares, múltiplos · linfonodo intrapulmonar: redondo, oval ou poligonal, bem definido
Câncer de pulmão com disseminação pleural, mulher de 51 anos
TC coronal: nódulo irregular no lobo superior direito (seta) e pequenos nódulos nas fissuras (retângulo e quadrado amarelos).
Fonte: Yamada A, Taiji R et al. RadioGraphics 2024;44(4):e230079, Fig. 13. Ver artigo
derrame sem nódulo não exclui câncer
Cerca de metade dos derrames malignos é só derrame, sem nódulo nem espessamento.
Mesotelioma
O que saber
Origem
A neoplasia primária mais comum da pleura · latência de 10 a 40 anos depois do asbesto
Tipos (OMS 2021)
Epitelioide, bifásico e sarcomatoide (pior prognóstico)
Clínica
Dor na parede torácica, dispneia
Começo
Derrame unilateral, às vezes só derrame ou espessamento fino
Avançado
Espessamento de mais de 10 mm, irregular e circunferencial, em casca que envolve o pulmão · pleura mediastinal, bases e fissuras · o hemitórax encolhe
Invasão
Parede, diafragma, pericárdio, grandes vasos, traqueia, esôfago · linfonodos, pulmão do outro lado, fígado
Sarcomatoide
Maior, invade a parede e o pulmão, com linfonodos · SUVmax (valor máximo de captação padronizado) maior (10,2 contra 4,6 do epitelioide)
Mesotelioma epitelioide, mulher de 62 anos com dispneia e emagrecimento
TC com contraste: espessamento pleural difuso de mais de 10 mm (setas), em casca.PET-TC: captação intensa no espessamento (SUVmax 24,0).
Fonte: Yamada A, Taiji R et al. RadioGraphics 2024;44(4):e230079, Fig. 14. Ver artigo
Mesotelioma sarcomatoide, homem de 72 anos com dor nas costas
TC com contraste: massa de pouco realce (setas) e espessamento pleural invadindo a parede posterior e as costelas à direita.PET-TC: captação alta na massa (SUVmax 31,1).
Fonte: Yamada A, Taiji R et al. RadioGraphics 2024;44(4):e230079, Fig. 15. Ver artigo
mesotelioma ou metástase?
Muitas vezes não dá para separar. A pleura mediastinal acometida pende para o mesotelioma, e
nenhum dos dois tem as bordas abruptas nem o cálcio da placa.
Tumor fibroso solitário da pleura
Clínica
O que saber
Origem
Células mesenquimais subpleurais · 2/3 presos à pleura visceral, muitas vezes por um pedículo
Paciente
Mediana de 62 anos · sem relação com asbesto · mais da metade sem sintoma
Comportamento
Benigno em 78 a 88% · pense em maligno acima de 10 cm
Síndromes paraneoplásicas
Doege-Potter: hipoglicemia por fator de crescimento semelhante à insulina tipo 2 · Pierre Marie-Bamberger: baqueteamento e osteoartropatia hipertrófica
Método
Tumor fibroso solitário
Radiografia
Sinal extrapleural · borda incompleta só em 33%
TC, pequeno
Massa homogênea, bem definida, lisa, que faz ângulo obtuso com a pleura
TC, grande
Heterogêneo (degeneração cística, mixoide, hemorragia, necrose), difícil dizer de onde nasce · cálcio em 7 a 26% · vasos serpiginosos na fase arterial · muda de lugar com o tempo quando tem pedículo
TC dinâmica
A parte celular realça cedo; a fibrosa, devagar (realce tardio)
RM
Hipossinal ou sinal intermediário em T1 e T2 (o colágeno) · hipersinal em T2 onde degenerou · os grandes têm flow voids
PET-TC
O benigno capta pouco (SUVmax médio 2,3; o maligno, 5,2)
Maligno
Atelectasia, efeito de massa no mediastino, derrame
Tumor fibroso solitário benigno, mulher de 78 anos
Radiografia ampliada: massa periférica alongada à esquerda com borda incompleta, nítida por dentro (seta) e apagada por fora (ponta de seta).TC no mesmo ano: massa pleural que faz ângulos obtusos com a pleura.TC com contraste 5 anos depois: maior, com realce heterogêneo.PET-TC 6 anos depois: ainda maior, com captação baixa, como o sangue (SUVmax 2,2).
Fonte: Yamada A, Taiji R et al. RadioGraphics 2024;44(4):e230079, Fig. 8. Ver artigo
Tumor fibroso solitário benigno grande, homem de 72 anos
TC com contraste, fase tardia: massa grande e bem definida, de realce heterogêneo, no hemitórax esquerdo.RM coronal T2: hipossinal, com área de hipersinal de degeneração cística e pouco derrame.RM T1 com contraste, fase arterial: realce heterogêneo em focos.Fase tardia: realce heterogêneo crescente.
Fonte: Yamada A, Taiji R et al. RadioGraphics 2024;44(4):e230079, Fig. 16. Ver artigo
Tumor fibroso solitário maligno, mulher de 71 anos
TC fase arterial: massa enorme no hemitórax esquerdo, empurrando o coração, com vasos serpiginosos dentro (setas).Fase tardia: periferia com realce tardio (pontas de seta) e centro sem realce (*), necrose ou degeneração cística.
Fonte: Yamada A, Taiji R et al. RadioGraphics 2024;44(4):e230079, Fig. 17. Ver artigo
o lugar muda o diferencial
Na goteira paravertebral posterior, tumor neurogênico (esclerose ou erosão de costela ajudam);
na frente e junto do mediastino, tumor do mediastino anterior (procure os vasos que nutrem e as
estruturas mediastinais). Também entram tumores de partes moles, mesotelioma localizado e câncer de
pulmão periférico.
Linfoma, IgG4 e linfangiomatose
Linfoma pleural
O que saber
Secundário (comum)
Hodgkin e não Hodgkin · derrame, nódulos, espessamento focal ou difuso com realce homogêneo · contorna osso e cartilagem sem erodir · linfonodos mediastinais ou infiltração do pulmão · capta muito FDG
Linfoma primário de efusão
Herpes-vírus humano 8, imunodeprimido, HIV · só derrame (pleural, pericárdico, peritoneal) e espessamento, sem massa nem linfonodo · derrame e pleura captam FDG · a forma sem HHV8 (herpes-vírus humano 8), de idosos sem imunodepressão, tem prognóstico melhor e pode captar pouco
Linfoma associado ao piotórax
Difuso de grandes células B, ligado ao Epstein-Barr, cerca de 40 anos depois de um empiema crônico (pneumotórax terapêutico para tuberculose, no passado) · mais no Japão, homem de ~60 anos, dor e febre, massa palpável na parede em metade · massa oval ou lenticular que cresce simétrica na borda do empiema antigo, necrose em 60%, FDG intenso
Linfoma semelhante ao primário de efusão, mulher de 76 anos
TC: derrames pleurais bilaterais.PET: captação discreta correspondente aos derrames (setas).
Fonte: Yamada A, Taiji R et al. RadioGraphics 2024;44(4):e230079, Fig. 18. Ver artigo
Linfoma associado ao piotórax, homem de 82 anos
TC com contraste: massa ovoide (seta) com realce periférico heterogêneo e centro hipoatenuante de necrose, cavalgando a parede na borda de um empiema antigo.PET-TC 1 mês e meio depois: a massa cresceu depressa e capta muito (SUVmax 27,9).
Fonte: Yamada A, Taiji R et al. RadioGraphics 2024;44(4):e230079, Fig. 19. Ver artigo
massa na borda do empiema crônico
O diferencial do linfoma do piotórax é invasão da parede por outro tumor e empiema de
necessidade. Empiema antigo que ganha massa e capta FDG pede biópsia.
Doença sistêmica
Na pleura e no tórax
Doença relacionada à IgG4 (imunoglobulina G4)
Rara no tórax (derrame em 4,6%, espessamento em 16,1%) · lembre em pleurite recorrente · nódulos ou massa pleural, espessamento, derrame, linfonodos hilares e mediastinais, vidro fosco, espessamento broncovascular e septal · procure no pescoço e no abdome (glândulas lacrimais e salivares, pâncreas) · capta FDG como câncer · diferencial: linfoma, Erdheim-Chester
Linfangiomatose pulmonar difusa
Congênita, criança e adulto jovem · derrames quilosos · predomínio nos lobos superiores, distribuição linfática: espessamento septal e peribroncovascular liso e simétrico, vidro fosco, espessamento pleural difuso, infiltração do mediastino, derrames pleural e pericárdico
Doença relacionada à IgG4 (imunoglobulina G4), homem de 78 anos com pálpebras inchadas, nariz entupido e boca seca
TC de alta resolução: espessamento broncovascular e septal bilateral.TC com contraste: espessamento pleural fino bilateral (setas), gordura extrapleural infiltrada (pontas de seta) e derrame à direita.RM coronal STIR (short tau inversion recovery: sequência com supressão de gordura por inversão): glândulas lacrimais aumentadas dos dois lados (pontas de seta).
Fonte: Yamada A, Taiji R et al. RadioGraphics 2024;44(4):e230079, Fig. 20. Ver artigo
Linfangiomatose pulmonar difusa com Gorham-Stout, mulher de 18 anos
Radiografia: mediastino alargado, infiltração peribroncovascular a partir dos hilos, maior à direita, derrame direito e costelas irregulares por osteólise (retângulo e quadrado); arco posterior da 4ª costela direita com falha (seta), o osso evanescente.TC coronal: osteólise da 5ª e da 6ª costelas dos dois lados (setas).TC de alta resolução: espessamento septal e peribroncovascular nos lobos superiores, maior à direita.TC (mediastino): espessamento difuso hipoatenuante no mediastino e nas pleuras.
Fonte: Yamada A, Taiji R et al. RadioGraphics 2024;44(4):e230079, Fig. 21. Ver artigo
+ complemento · o osso que some
Até 75% dos pacientes com linfangiomatose têm lesão óssea, e ela e a doença de Gorham-Stout
parecem um espectro só. Começa como focos líticos medulares ou subcorticais e evolui para atrofia,
fratura e desaparecimento de parte do osso (osso evanescente): costelas, clavícula, vértebras,
pelve, ossos da face e do crânio.
Pontos de prova: alto rendimento
Pleura
0,2–0,4 mm · 8–10 mL de líquido por lado
Fissura incompleta
Ventilação colateral · direita 35%
Fissura acessória
Horizontal esquerda (língula)
Pneumotórax em pé
Linha pleural no ápice
Pneumotórax deitado
Sulco profundo
US: ponto pulmonar
Muito específico
Modo M
Praia normal · código de barras no pneumotórax
Catamenial
> 90% à direita · −24 h a +72 h
Cistos + pneumotórax
Birt-Hogg-Dubé, LAM (linfangioleiomiomatose)
Light
Proteína > 0,5 · DHL > 0,6 · DHL > 2/3 do limite
Radiografia
200 mL no PA · 75 mL no perfil
Tumor fantasma
Líquido na fissura
US heterogêneo
90% exsudato
Quilotórax
Exsudato de densidade baixa
Pleura dividida
Exsudato com espessamento · não só empiema
Maligno
> 10 mm, nodular, mediastinal
Esplenose
Nódulos à esquerda depois de trauma
Placa
Parietal, bilateral, poupa ápice e seio
Folha de azevinho
Placa calcificada
Derrame do asbesto
O mais precoce · pés de galinha
Atelectasia redonda
Cauda de cometa
Empiema × abscesso
Lenticular, obtuso × redondo, agudo
Ar no derrame
Anaeróbio ou fístula broncopleural
Tuberculose
ADA ≥ 70 · linfócito/neutrófilo ≥ 0,75
Fibrotórax
Casca calcificada, espaços estreitos
Empiema de necessidade
TB (tuberculose), Actinomyces · sem destruição óssea
Derrame maligno
Pulmão, mama, linfoma · metade sem nódulo
Mesotelioma
Casca, mediastinal, hemitórax encolhe
Sarcomatoide
Pior, SUV maior
Tumor fibroso
Pedículo, visceral, sem asbesto, > 10 cm = maligno?
Doege-Potter
Hipoglicemia
Primário de efusão
HHV8, só derrame
Piotórax
EBV (vírus Epstein-Barr), 40 anos de empiema
IgG4
Pleurite recorrente, procure outros órgãos
Linfangiomatose
Quilo, lobos superiores, Gorham-Stout
Armadilhas e erros comuns
Erros
Achar que falta de deslizamento no US é sempre pneumotórax
Procurar o pneumotórax no ápice na radiografia deitado
Classificar o derrame como transudato pela densidade na TC
Chamar o sinal da pleura dividida de empiema com certeza
Descartar câncer porque o derrame não tem nódulo
Chamar de placa o espessamento unilateral em lâmina (tuberculose, hemotórax)
Confundir pleurodese com talco e metástase no PET
Tratar abscesso pulmonar como empiema (e vice-versa)
Esquecer a esplenose nos nódulos pleurais esquerdos pós-trauma
Não procurar outros órgãos na suspeita de IgG4
Questões
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uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1
No US à beira do leito, qual achado é o mais específico para pneumotórax?
O ponto pulmonar, onde o pulmão volta a deslizar na transição com a área sem deslizamento, é muito específico. A falta de deslizamento é sensível mas também aparece no enfisema e nas aderências. No modo M, o pneumotórax dá o padrão de código de barras; a praia é o pulmão normal.
Mulher de 35 anos com o terceiro pneumotórax à direita, sempre perto da menstruação. A hipótese mais provável é:
A endometriose torácica responde por cerca de 20% dos pneumotórax recorrentes em mulheres em idade reprodutiva. O pneumotórax catamenial começa até 24 horas antes da menstruação e vai até 72 horas depois, e mais de 90% são à direita. LAM e Birt-Hogg-Dubé se reconhecem pelos cistos na TC.
Sobre o derrame pleural nos métodos de imagem, é correto afirmar:
Cerca de 90% dos derrames heterogêneos ao US são exsudatos; o anecoico pode ser qualquer um. O quilotórax é exsudato com densidade baixa na TC, e a pleura dividida aparece em qualquer exsudato com espessamento. A radiografia mostra derrame com cerca de 200 mL no PA e 75 mL no perfil.
A placa nasce da pleura parietal, é multifocal e bilateral, de bordas abruptas, e prefere a parede lateral das costelas médias e a cúpula do diafragma, poupando ápices e seios costofrênicos. A lâmina calcificada unilateral é da tuberculose ou do hemotórax antigos; o espessamento nodular e circunferencial é de mesotelioma ou metástase.
Na TC, qual achado separa empiema de abscesso pulmonar?
O empiema é lenticular, faz ângulo obtuso com a parede, tem parede fina e lisa (pleura dividida) e comprime o pulmão. O abscesso é redondo, de parede grossa, faz ângulo agudo, e os vasos e brônquios terminam na sua borda. A diferença muda a conduta: drenagem no empiema, antibiótico prolongado no abscesso.
Massa pleural de 14 cm, heterogênea, com hipossinal em T2 e áreas de hipersinal, num paciente com hipoglicemia. O diagnóstico mais provável é:
O tumor fibroso solitário tem hipossinal em T1 e T2 pelo colágeno, com hipersinal em T2 onde degenerou. A hipoglicemia é a síndrome de Doege-Potter (fator de crescimento semelhante à insulina tipo 2). Acima de 10 cm, pense em forma maligna. Não tem relação com asbesto.
Fonte.
Yamada A, Taiji R, Nishimoto Y, et al. Pictorial Review of Pleural Disease: Multimodality Imaging
and Differential Diagnosis. RadioGraphics 2024;44(4):e230079. doi:10.1148/rg.230079
As figuras suplementares do artigo (fissuras, cistos, lúpus, talco, linfoma secundário) não estão
no PDF e ficaram de fora. Conferido em 07/10/2026.
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