Cadernos QRad 33 · Tumores Ósseos na Radiografia
Musculoesquelético · tumores ósseos

Tumores Ósseos na Radiografia

Fontes: González-Huete, RadioGraphics 2023 · Caracciolo, AJR 2016 e JACR 2023 (Bone-RADS)

A radiografia ainda decide

Para lesão óssea, a radiografia é o primeiro passo E a melhor modalidade de caracterização. A abordagem estruturada tem seis perguntas (idade do paciente, endereço da lesão, densidade e matriz, margem, reação periosteal e multiplicidade) e desemboca em duas ferramentas formais: o Lodwick-Madewell modificado (a margem) e o Bone-RADS (Bone Reporting and Data System) da ACR (American College of Radiology) (o risco somado com a conduta).

a regra de ouro da idade < 30 anos: a maioria é benigna; as exceções malignas que importam são osteossarcoma e Ewing.

> 30 anos: pensa-se primeiro em metástase, mieloma múltiplo e condrossarcoma. E quase todo tumor ósseo frequenta o joelho e o úmero.

O endereço da lesão

PosiçãoO que sugere
Epífise (e equivalentes: apófises, patela, calcâneo)“Fim de osso” costuma ser benigno: fise fechada (> 30 anos) → tumor de células gigantes; fise aberta → condroblastoma e osteomielite; malignos raramente moram aqui
MetáfiseA zona de maior turnover e vascularização: osteossarcoma, osteomielite e metástases (via hematogênica)
DiáfiseTerritório da medula hematopoiética: células redondas e azuis; Ewing e linfoma (ambos também gostam de ossos chatos)
Eixo transversalCentral × excêntrica × cortical × de superfície · intracortical com espessamento e dor que melhora com salicilato = osteoma osteoide · adamantinoma: córtex anterior da tíbia · osteossarcoma parosteal: posterior do fêmur distal · encondromas: múltiplos nas mãos
MultiplicidadeMúltiplas lesões sobem MUITO o risco: metástases, mieloma, linfoma · poliostóticos benignos existem: histiocitose de Langerhans, encondromatose, displasia fibrosa
Tumores em endereços característicos do esqueleto
À esquerda, granuloma eosinófilo no crânio de criança de 2 anos com histiocitose de células de Langerhans: lesão lítica de bordas biseladas (seta). À direita, e
À esquerda, granuloma eosinófilo no crânio de criança de 2 anos com histiocitose de células de Langerhans: lesão lítica de bordas biseladas (seta). À direita, encondroma na falange proximal (setas), com recorte endosteal.
Fonte: González-Huete A et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230048, apresentação, slide 9. Ver artigo
Intracortical e de superfície
Osteoma osteoide, menina de 9 anos. Radiografia em perfil do úmero direito: espessamento cortical na face posterolateral da diáfise (setas).
Osteoma osteoide, menina de 9 anos. Radiografia em perfil do úmero direito: espessamento cortical na face posterolateral da diáfise (setas).
Mesma paciente, radiografia AP (anteroposterior): o espessamento cortical (setas).
Mesma paciente, radiografia AP (anteroposterior): o espessamento cortical (setas).
Osteossarcoma de superfície, homem de 19 anos. Radiografia AP do joelho direito: lesão de superfície na face anteromedial da tíbia proximal (seta).
Osteossarcoma de superfície, homem de 19 anos. Radiografia AP do joelho direito: lesão de superfície na face anteromedial da tíbia proximal (seta).
Mesmo paciente, radiografia em perfil: a lesão de superfície (setas).
Mesmo paciente, radiografia em perfil: a lesão de superfície (setas).
Fonte: González-Huete A et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230048, apresentação, slide 12. Ver artigo
+ complemento · o tripé completo do endereço Qual osso + posição longitudinal + posição transversal, sempre lidos juntos com idade e clínica. O mesmo círculo lúcido é células gigantes na epífise do adulto jovem, condroblastoma na epífise da criança e metástase na diáfise do idoso.

Lodwick-Madewell: a margem mede a pressa

Lodwick correlacionou o padrão de destruição com a sobrevida; Madewell somou a margem que muda e a margem invisível; o sistema modificado (2016) reagrupou tudo em três graus que casam com o risco de malignidade.

LODWICK-MADEWELL MODIFICADO: A MARGEM MEDE A VELOCIDADE (E A VELOCIDADE, O RISCO) GRAU I: 94% BENIGNOS IA: geográfica com halo esclerótico IB: nítida, sem esclerose crescimento lento: segue-se GRAU II: ~50/50 geográfica MAL definida (o antigo IC) metade prova ser maligna GRAU III: > 80% MALIGNOS IIIA: margem que MUDA IIIB: traça e permeativa (nada) IIIC: oculta (só RM/PET) biópsia até prova em contrário a física da IIIC: 30–50% do osso esponjoso precisa desaparecer antes de a lucência aparecer na radiografia; o tumor mais rápido corre à frente da osteólise visível. a IIIA formaliza a lição de Madewell: um FOCO de margem pior (ou piora entre exames) rebaixa a lesão inteira; o grau é sempre o da região mais agressiva, e é para lá que a biópsia aponta. margem nítida sem esclerose (IB) ainda pede cuidado: metástase e mieloma frequentam essa cara.
Os três graus do sistema modificado, e as duas lições de Madewell (margem que muda, lesão oculta).
os números que caem Grau I (IA com esclerose, IB nítida sem esclerose): 94% benignos. Grau II (geográfica MAL definida, o antigo IC): ~50/50. Grau III (IIIA margem que muda · IIIB roída de traça/permeativa · IIIC oculta): > 80% malignos. E a física da IIIC: 30–50% do osso esponjoso precisa sumir antes de a lucência aparecer; RM e PET (tomografia por emissão de pósitrons) enxergam o que a radiografia ainda não mostra.
Lodwick-Madewell modificado: os seis graus de margem
Desenho dos graus IA, IB e II (geográficos) e IIIA, IIIB e IIIC.
Desenho dos graus IA, IB e II (geográficos) e IIIA, IIIB e IIIC.
Fonte: Caracciolo JT et al. Journal of the American College of Radiology 2023;20(10):1044–1058, Fig. 1. Ver artigo
Grau IA, homem de 18 anos
Radiografia AP do ombro: lesão lítica geográfica no úmero proximal, com margem esclerótica circunferencial (setas). Com a localização epifisária e a matriz mine
Radiografia AP do ombro: lesão lítica geográfica no úmero proximal, com margem esclerótica circunferencial (setas). Com a localização epifisária e a matriz mineralizada sutil, condroblastoma na biópsia.
Fonte: Caracciolo JT et al. American Journal of Roentgenology 2016;207(1):150–156, Fig. 2. Ver artigo
Grau IB, homem de 20 anos
Radiografia em perfil do joelho: lesão lítica geográfica na tíbia proximal, sem esclerose marginal (setas), metafisária e chegando ao osso subcondral, sem matri
Radiografia em perfil do joelho: lesão lítica geográfica na tíbia proximal, sem esclerose marginal (setas), metafisária e chegando ao osso subcondral, sem matriz: tumor de células gigantes na biópsia.
Fonte: Caracciolo JT et al. American Journal of Roentgenology 2016;207(1):150–156, Fig. 3. Ver artigo
Grau II, homem de 53 anos
Radiografia AP do joelho: lesão lítica geográfica, mas de limites mal definidos, no fêmur distal (oval), parcialmente encoberta pela patela, com reação perioste
Radiografia AP do joelho: lesão lítica geográfica, mas de limites mal definidos, no fêmur distal (oval), parcialmente encoberta pela patela, com reação periosteal sutil (seta). Metástase de carcinoma de pulmão.
Fonte: Caracciolo JT et al. American Journal of Roentgenology 2016;207(1):150–156, Fig. 4. Ver artigo
Grau IIIA, mulher de 50 anos
Radiografia AP do fêmur distal: lesão lítica geográfica com margem esclerótica parcial (setas pretas) e área focal de destruição cortical (seta branca). Transfo
Radiografia AP do fêmur distal: lesão lítica geográfica com margem esclerótica parcial (setas pretas) e área focal de destruição cortical (seta branca). Transformação maligna de lesão fibro-óssea benigna.
Fonte: Caracciolo JT et al. American Journal of Roentgenology 2016;207(1):150–156, Fig. 5. Ver artigo
Grau IIIA pela mudança da margem, mulher de 68 anos
Radiografia em perfil do fêmur: lesão medular central mineralizada, sem recorte endosteal profundo, compatível com encondroma.
Radiografia em perfil do fêmur: lesão medular central mineralizada, sem recorte endosteal profundo, compatível com encondroma.
Oito anos depois: recorte profundo novo da cortical anterior (seta), mudança de atividade biológica. A biópsia confirmou condrossarcoma.
Oito anos depois: recorte profundo novo da cortical anterior (seta), mudança de atividade biológica. A biópsia confirmou condrossarcoma.
Fonte: Caracciolo JT et al. American Journal of Roentgenology 2016;207(1):150–156, Fig. 6. Ver artigo
Grau IIIB, homem de 74 anos
Radiografia AP do úmero proximal: lesão lítica roída de traça (moth-eaten), com orifícios de destruição esparsos e confluentes (oval). Mieloma múltiplo.
Radiografia AP do úmero proximal: lesão lítica roída de traça (moth-eaten), com orifícios de destruição esparsos e confluentes (oval). Mieloma múltiplo.
Fonte: Caracciolo JT et al. American Journal of Roentgenology 2016;207(1):150–156, Fig. 7. Ver artigo
Grau IIIB, mulher de 27 anos
Radiografia AP do fêmur: lesão lítica permeativa que se funde imperceptivelmente com o osso normal, com ruptura da cortical medial. Osteossarcoma.
Radiografia AP do fêmur: lesão lítica permeativa que se funde imperceptivelmente com o osso normal, com ruptura da cortical medial. Osteossarcoma.
Fonte: Caracciolo JT et al. American Journal of Roentgenology 2016;207(1):150–156, Fig. 8. Ver artigo
Grau IIIC, mulher de 70 anos
Radiografia em perfil da tíbia distal: sem alteração.
Radiografia em perfil da tíbia distal: sem alteração.
RM coronal T1: massa infiltrando a medula e envolvendo o osso esponjoso. Linfoma de células B.
RM coronal T1: massa infiltrando a medula e envolvendo o osso esponjoso. Linfoma de células B.
Fonte: Caracciolo JT et al. American Journal of Roentgenology 2016;207(1):150–156, Fig. 9. Ver artigo

Densidade, matriz e periósteo

PistaLeitura
LíticaO padrão mais comum e o diferencial mais largo · benignos: células gigantes, cistos simples/aneurismático, displasia fibrosa, tumor marrom · malignos puramente líticos: mieloma, metástase, fibrossarcoma, osteossarcoma fibroblástico, condrossarcoma desdiferenciado
BlásticaDiferencial mais curto: fratura em consolidação, resposta a quimioterapia, osteoma osteoide/osteoblastoma/osteossarcoma blástico, metástases (mama, próstata, urotelial, neuroendócrino), linfoma ósseo, osteomielite crônica
MistaEsclerose ORGANIZADA sugere benigno (linear = fratura; serpiginosa periférica = osteonecrose) · amorfa dentro de lise = pense formador de osso · linfoma primário do osso adora lise mal definida + esclerose em placas
Matriz condroideArcos e anéis, flocos · lesão lobulada central: encondroma, condroblastoma, condrossarcoma, capa do osteocondroma
Matriz osteoideNuvem amorfa e algodoada: osteoma osteoide, osteoblastoma, osteossarcoma
Vidro foscoDisplasia fibrosa (± sinal da casca/rind): fibrosos em geral são puramente lúcidos; lipoma intraósseo calcifica na necrose; hemangioma tem trabéculas grossas
Matriz: sem matriz e osteoide
Metástase de câncer de pulmão. Radiografia em perfil do crânio: lesão lítica bem definida, sem matriz (seta).
Metástase de câncer de pulmão. Radiografia em perfil do crânio: lesão lítica bem definida, sem matriz (seta).
Sarcoma de Ewing, criança de 12 anos. Radiografia AP da pelve: lesão lítica sem matriz no púbis esquerdo (setas).
Sarcoma de Ewing, criança de 12 anos. Radiografia AP da pelve: lesão lítica sem matriz no púbis esquerdo (setas).
Osteossarcoma com matriz osteoide (setas).
Osteossarcoma com matriz osteoide (setas).
Osteossarcoma com matriz osteoide (setas), reação periosteal (ponta de seta branca), triângulo de Codman (seta vermelha) e massa de partes moles (*).
Osteossarcoma com matriz osteoide (setas), reação periosteal (ponta de seta branca), triângulo de Codman (seta vermelha) e massa de partes moles (*).
Fonte: González-Huete A et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230048, apresentação, slide 18. Ver artigo
Recorte endosteal
Desenho: erosão da face interna da cortical por lesão medular de crescimento lento.
Desenho: erosão da face interna da cortical por lesão medular de crescimento lento.
Cisto ósseo simples, menino de 9 anos: lesão lucente central que expande o úmero e erode a face interna da cortical (seta).
Cisto ósseo simples, menino de 9 anos: lesão lucente central que expande o úmero e erode a face interna da cortical (seta).
Condrossarcoma (pelo menos grau 2) do úmero proximal esquerdo: matriz condroide (setas vermelhas) e recorte endosteal (pontas de seta).
Condrossarcoma (pelo menos grau 2) do úmero proximal esquerdo: matriz condroide (setas vermelhas) e recorte endosteal (pontas de seta).
Fonte: González-Huete A et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230048, apresentação, slide 33. Ver artigo
Massa de partes moles
Condrossarcoma da falange média: destruição cortical (ponta de seta branca) e grande componente de partes moles (*).
Condrossarcoma da falange média: destruição cortical (ponta de seta branca) e grande componente de partes moles (*).
Osteossarcoma do fêmur distal: triângulo de Codman (setas brancas), destruição cortical (* vermelho) e massa de partes moles (pontas de seta).
Osteossarcoma do fêmur distal: triângulo de Codman (setas brancas), destruição cortical (* vermelho) e massa de partes moles (pontas de seta).
Fonte: González-Huete A et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230048, apresentação, slide 36. Ver artigo
DE WOLFF A RAGSDALE: O PERIÓSTEO ESCREVE A VELOCIDADE DO TUMOR (LEVA 10 DIAS A 3 SEMANAS P/ APARECER) REMODELAMENTO (indolente) concha lisa com cristas/lobulada SÓLIDA (crônica) · LAMELADA sólida: densa “casca de cebola”: Ewing, histiocitose E osteomielite ESPICULADAS (malignas) “cabelo em pé” (paralela) “explosão solar” (divergente) TRIÂNGULO DE CODMAN periósteo ERGUIDO e rompido no ombro da massa que atravessa o córtex: a assinatura do tumor agressivo (clássico do osteossarcoma) AS DUAS REGRAS DE LEITURA 1 · classifique como indolente × agressiva, nunca “benigna × maligna”: a osteomielite é benigna e agressiva; padrões complexos/mistos = velocidade variável 2 · erosão endosteal: leve < 1/3 · moderada 1/3–2/3 · profunda > 2/3 do córtex (quanto mais funda, pior) “expansão óssea” é apelido errado do remodelamento: o córtex original é substituído por uma neocórtex fina por fora; reabsorção endosteal e aposição periosteal simultâneas, no ritmo lento que só lesão indolente permite.
A escada do periósteo: do remodelamento indolente ao Codman, e as duas regras de leitura.
as três rasteiras do periósteo 1 · Indolente × agressiva, nunca “benigna × maligna”: a osteomielite é benigna e agressiva (e a casca de cebola aparece em Ewing, histiocitose E osteomielite).

2 · A reação demora 10 dias a 3 semanas para aparecer: ausência precoce não tranquiliza.

3 · “Expansão óssea” não existe: é o córtex sendo substituído por uma neocórtex fina, assinatura de crescimento lento.
Reação periosteal com a cortical nativa íntegra
Desenho: (a) camadas densas e sólidas, típicas de lesão indolente; (b) ângulo de Codman, periósteo elevado e rompido, típico de tumor agressivo com massa extraó
Desenho: (a) camadas densas e sólidas, típicas de lesão indolente; (b) ângulo de Codman, periósteo elevado e rompido, típico de tumor agressivo com massa extraóssea; (c) lamelada, em casca de cebola, vista em tumores malignos como o Ewing e também na osteomielite.
Fonte: Caracciolo JT et al. Journal of the American College of Radiology 2023;20(10):1044–1058, Fig. 3. Ver artigo
Reação periosteal agressiva
Desenho: (a) espiculada paralela, em pelos eriçados (hair-on-end), frequente no osteossarcoma; (b) espiculada divergente, em raios de sol (sunburst), também de
Desenho: (a) espiculada paralela, em pelos eriçados (hair-on-end), frequente no osteossarcoma; (b) espiculada divergente, em raios de sol (sunburst), também de neoplasia agressiva.
Fonte: Caracciolo JT et al. Journal of the American College of Radiology 2023;20(10):1044–1058, Fig. 4. Ver artigo
Padrões mistos de reação periosteal
Desenho: (a) espiculada divergente com ângulos de Codman; (b) lamelada e espiculada paralela. Aparecem em tumores com ritmo de crescimento variável, como na tra
Desenho: (a) espiculada divergente com ângulos de Codman; (b) lamelada e espiculada paralela. Aparecem em tumores com ritmo de crescimento variável, como na transformação maligna de lesão benigna.
Fonte: Caracciolo JT et al. Journal of the American College of Radiology 2023;20(10):1044–1058, Fig. 5. Ver artigo
Triângulo de Codman
Desenho do triângulo de Codman.
Desenho do triângulo de Codman.
Osteossarcoma, paciente de 23 anos com nódulo doloroso na perna: elevação do periósteo na diáfise femoral (seta amarela) e destruição cortical completa (setas b
Osteossarcoma, paciente de 23 anos com nódulo doloroso na perna: elevação do periósteo na diáfise femoral (seta amarela) e destruição cortical completa (setas brancas).
Osteossarcoma, paciente de 13 anos: triângulo de Codman na diáfise do fêmur (ponta de seta).
Osteossarcoma, paciente de 13 anos: triângulo de Codman na diáfise do fêmur (ponta de seta).
Fonte: González-Huete A et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230048, apresentação, slide 32. Ver artigo

Bone-RADS: pontuar e conduzir

BONE-RADS (ACR 2023): SOME OS PONTOS, LEIA A FAIXA A TABELA DE PONTOS MARGEM: IA = 1 · IB = 3 · II = 5 · IIIA-C = 7 PERIÓSTEO: nenhuma = 0 · não agressiva = 2 · agressiva = 4 ENDOSTEAL: leve = 0 · moderada = 1 · profunda = 2 FRATURA PATOLÓGICA = 2 · MASSA DE PARTES MOLES = 4 · CÂNCER PRÉVIO = 2 (fora da conta, mas no laudo: densidade, matriz e localização; eles dizem QUEM é, não o quão perigoso) 1 · MUITO BAIXO (1–2) “não toque”: fibroma não ossificante, osteoma osteoide workup completo ou vigilância anual sintomático → avaliar tratar o benigno 2 · BAIXO (3–4) provável benigno: condroblastoma, tumor de células gigantes, cisto aneurismático, encondroma controle em 3–6 meses · imagem avançada/biópsia se precisar confirmar 3 · INTERMEDIÁRIO (5–6) potencialmente maligno: geográfica mal definida, ou lesão + câncer prévio encaminhar à ortopedia oncológica · TC/RM/ cintilografia · biópsia provável 4 · ALTO (≥ 7) maligno até prova em contrário: periosteal agressiva, massa de partes moles, lise não geográfica biópsia (com o oncologista ortopédico) + imagem de estadiamento BONE-RADS 0: INCOMPLETAMENTE CARACTERIZADO escápula, coluna e pelve escondem margens e periósteo: sem risco atribuível → mais incidências ou TC/RM antes de pontuar a biópsia do 3 e do 4 se decide COM o oncologista ortopédico que fará o tratamento definitivo: trajeto de agulha errado contamina.
A tabela de pontos, as quatro faixas e a conduta de cada uma, mais o Bone-RADS 0 dos ossos que escondem.
como usar em 20 segundos Margem (1/3/5/7) + periósteo (0/2/4) + erosão endosteal (0/1/2) + fratura patológica (+2) + massa de partes moles (+4) + câncer prévio (+2). Total 1–2 → RADS 1 (muito baixo); 3–4 → 2 (controle 3–6 meses); 5–6 → 3 (ortopedia oncológica + imagem avançada, biópsia provável); ≥ 7 → 4 (maligno até prova em contrário; biópsia + estadiamento). Escápula/coluna/pelve mal vistas = RADS 0: caracterize antes de pontuar.
Bone-RADS 0
Radiografia AP do ombro direito: lesão lítica da escápula, parcialmente encoberta pela cabeça do úmero; margens e ruptura cortical não avaliáveis, então foi ped
Radiografia AP do ombro direito: lesão lítica da escápula, parcialmente encoberta pela cabeça do úmero; margens e ruptura cortical não avaliáveis, então foi pedido exame complementar.
TC axial: massa de partes moles com destruição cortical e extensão extraóssea. Plasmocitoma na biópsia.
TC axial: massa de partes moles com destruição cortical e extensão extraóssea. Plasmocitoma na biópsia.
Fonte: Caracciolo JT et al. Journal of the American College of Radiology 2023;20(10):1044–1058, Fig. 6. Ver artigo
Bone-RADS 1, menina de 15 anos
Radiografia AP do tornozelo direito: lesão excêntrica da tíbia distal com esclerose circunferencial (grau IA), patognomônica de fibroma não ossificante. Pontuaç
Radiografia AP do tornozelo direito: lesão excêntrica da tíbia distal com esclerose circunferencial (grau IA), patognomônica de fibroma não ossificante. Pontuação: 1 ponto pela margem e 0 nos demais itens, total 1.
Radiografia oblíqua: os mesmos achados.
Radiografia oblíqua: os mesmos achados.
Fonte: Caracciolo JT et al. Journal of the American College of Radiology 2023;20(10):1044–1058, Fig. 7. Ver artigo
Bone-RADS 2, mulher de 59 anos
Radiografias AP e em perfil do joelho esquerdo: lesão lítica geográfica bem definida da tíbia proximal, com esclerose marginal incompleta (grau IB) e recorte en
Radiografias AP e em perfil do joelho esquerdo: lesão lítica geográfica bem definida da tíbia proximal, com esclerose marginal incompleta (grau IB) e recorte endosteal medial moderado.
RM axial T1, STIR (short tau inversion recovery: sequência com supressão de gordura por inversão) e pós-contraste: cisto ósseo simples, com leve afilamento cort
RM axial T1, STIR (short tau inversion recovery: sequência com supressão de gordura por inversão) e pós-contraste: cisto ósseo simples, com leve afilamento cortical e periostite mínima.
Fonte: Caracciolo JT et al. Journal of the American College of Radiology 2023;20(10):1044–1058, Fig. 8. Ver artigo
Bone-RADS 3, paciente idoso com placa no fêmur
Radiografia AP do joelho: lesão lítica geográfica bem definida com esclerose marginal borrada (grau IA) e reação periosteal lamelada. Pontuação: 1 pela margem e
Radiografia AP do joelho: lesão lítica geográfica bem definida com esclerose marginal borrada (grau IA) e reação periosteal lamelada. Pontuação: 1 pela margem e 4 pela reação periosteal, total 5. A biópsia mostrou abscesso de Brodie.
Fonte: Caracciolo JT et al. Journal of the American College of Radiology 2023;20(10):1044–1058, Fig. 9. Ver artigo
Bone-RADS 4, homem de 66 anos com dor no cotovelo
Radiografia AP do cotovelo: lesão lítica geográfica, mas mal definida, do úmero distal (grau II), com fraturas patológicas da cortical. Pontuação: 5 pela margem
Radiografia AP do cotovelo: lesão lítica geográfica, mas mal definida, do úmero distal (grau II), com fraturas patológicas da cortical. Pontuação: 5 pela margem e 2 pela fratura, total 7. Metástase de carcinoma de sítio primário desconhecido.
Fonte: Caracciolo JT et al. Journal of the American College of Radiology 2023;20(10):1044–1058, Fig. 10. Ver artigo
os dois achados que pesam sozinhos Massa de partes moles (4 pontos): córtex rompido com massa é malignidade até prova em contrário; no condrossarcoma, pode ser o primeiro sinal de transformação de lesão cartilaginosa antiga. Fratura patológica (2 pontos): além do peso no escore, contamina partes moles no sarcoma (mais recidiva local), e o risco de fratura iminente se estima com Mirels (caderno 14).
+ complemento · a biópsia é um ato cirúrgico No RADS 3–4, a biópsia se planeja com o oncologista ortopédico que fará a cirurgia definitiva: o trajeto da agulha precisa ser ressecável em bloco; agulha no compartimento errado transforma cirurgia conservadora em amputação.

Pontos de prova: alto rendimento

Idade< 30: benigno (exceto osteossarcoma e Ewing) · > 30: metástase, mieloma, condrossarcoma
EpífiseFise fechada: células gigantes · aberta: condroblastoma e osteomielite · “fim de osso” costuma ser benigno
Metáfise × diáfiseMetáfise: turnover/vascular (osteossarcoma, metástase) · diáfise: medula (Ewing, linfoma)
Endereços com donoAdamantinoma: tíbia anterior · parosteal: fêmur posterior · encondromas: mãos · Ewing: ossos chatos
MultiplicidadeMetástase/mieloma/linfoma · poliostóticos benignos: histiocitose, encondromatose, displasia fibrosa
Lodwick-MadewellI (IA esclerose, IB nítida): 94% benignos · II (mal definida): ~50% · III: > 80% malignos
Grau IIIIIIA: margem que muda · IIIB: traça + permeativa · IIIC: oculta (30–50% do esponjoso precisa sumir p/ aparecer)
Regra do pior focoO grau é o da região MAIS agressiva, e é lá que se biopsia
MatrizCondroide: arcos e anéis · osteoide: nuvem amorfa · vidro fosco: displasia fibrosa
Periósteo: escadaRemodelamento (concha) → sólida → casca de cebola → cabelo em pé → explosão solar → Codman
Casca de cebolaEwing, histiocitose E osteomielite: indolente × agressiva, não benigna × maligna
Tempo do periósteo10 dias a 3 semanas para aparecer (mais rápido na criança)
Erosão endostealLeve < 1/3 · moderada 1/3–2/3 · profunda > 2/3 do córtex
Bone-RADS: pontosMargem 1/3/5/7 · periósteo 0/2/4 · endosteal 0/1/2 · fratura +2 · massa +4 · câncer prévio +2
Bone-RADS: faixas1–2 → RADS 1 · 3–4 → 2 (controle 3–6 m) · 5–6 → 3 (ortopedia onco + biópsia provável) · ≥ 7 → 4
Bone-RADS 0Escápula, coluna e pelve mal vistas → caracterizar antes de pontuar
RADS 1 clássicosFibroma não ossificante e osteoma osteoide: “não toque”
Massa de partes molesCórtex roto + massa = maligno até prova em contrário · no condrossarcoma, pode ser o 1º sinal de transformação
BiópsiaPlanejada COM o oncologista ortopédico: trajeto contaminado muda a cirurgia

Armadilhas e erros comuns

Erros de raciocínio

  • Ignorar a idade (o mesmo círculo lúcido muda de nome por década)
  • Tratar margem IB nítida como “benigna garantida” (metástase e mieloma moram aí)
  • Esquecer a IIIC: radiografia normal não exclui tumor agressivo
  • Graduar pela região mais comportada em vez do pior foco

Erros de leitura

  • Casca de cebola = maligno (osteomielite e histiocitose também fazem)
  • Chamar remodelamento de “expansão agressiva”
  • Perder a esclerose organizada (linear/serpiginosa) que grita benigno
  • Não procurar a massa de partes moles (planos gordurosos, assimetria)

Erros de conduta

  • Biopsiar RADS 1 “para garantir” (não toque)
  • Deixar de encaminhar RADS 3 por “provável osteomielite” sem excluir tumor
  • Biópsia por trajeto próprio sem falar com quem vai operar

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Homem de 35 anos com dor no joelho. Radiografia: lesão lítica geográfica, de margem nítida sem halo esclerótico, epifisária na tíbia proximal, estendendo-se ao osso subcondral. Fises fechadas. Qual o diagnóstico mais provável?

Epífise + fise fechada + lesão lítica nítida sem esclerose (margem IB) alcançando o osso subcondral é o retrato do tumor de células gigantes: o dono do “fim de osso” no adulto jovem. Com a fise aberta, o mesmo endereço mudaria o nome para condroblastoma (ou osteomielite): a idade e a fise reordenam o diferencial epifisário inteiro.

O osteossarcoma prefere a metáfise (zona de turnover) do adolescente; o cisto simples é metafisário central da criança; e metástase pede idade maior, embora a margem IB mereça sempre um respeito: metástase e mieloma frequentam a cara “nítida sem esclerose”. No Bone-RADS, esse conjunto clássico cai na faixa 2: controle de intervalo curto ou avaliação para tratamento do benigno localmente agressivo.
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Questão 2

Sobre o sistema Lodwick-Madewell modificado, qual afirmativa está correta?

Os números do sistema modificado: grau I (IA com esclerose, IB nítida sem esclerose) = 94% benignos; grau II (geográfica mal definida, o antigo IC de Lodwick) = ~50/50; grau III = > 80% malignos. O III reúne três padrões: IIIA, a margem que MUDA (um foco pior rebaixa a lesão inteira, porque é sinal de atividade biológica crescente, e é onde se biopsia); IIIB, roída de traça + permeativa; e IIIC, a lesão oculta.

A IIIC derruba as duas últimas alternativas: o tumor mais agressivo avança pelo esponjoso mais rápido do que os osteoclastos conseguem produzir osteólise visível; 30–50% do osso esponjoso precisa sumir antes de a radiografia mostrar lucência. RM e PET enxergam antes.
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Questão 3

Adolescente com dor e massa no fêmur distal. Radiografia: lesão metafisária agressiva com mineralização amorfa em nuvem, reação periosteal espiculada divergente (explosão solar) e periósteo erguido e rompido no ombro da lesão (Codman). Qual o diagnóstico mais provável?

Cada peça aponta o mesmo réu: matriz osteoide (nuvem amorfa e algodoada) numa metáfise de adolescente, mais os dois padrões periosteais mais agressivos, a explosão solar divergente (reação + matriz mineralizada do próprio tumor) e o triângulo de Codman (periósteo erguido e rompido pela massa que atravessa o córtex). É o retrato do osteossarcoma convencional.

A matriz separa os candidatos: encondroma faria arcos e anéis condroides (e não é agressivo); displasia fibrosa faz vidro fosco; cisto aneurismático é lucente expansivo de concha fina. A osteomielite é o lembrete permanente de que agressivo ≠ maligno, mas ela imita a casca de cebola, não a explosão solar com Codman e matriz em nuvem.
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Questão 4

Mulher de 58 anos com câncer de mama tratado. Radiografia do fêmur: lesão lítica geográfica bem definida, sem esclerose marginal (IB), sem reação periosteal, erosão endosteal leve, sem fratura ou massa. Qual o Bone-RADS e a conduta?

A conta do Bone-RADS: margem IB = 3 · periósteo ausente = 0 · erosão leve = 0 · sem fratura = 0 · sem massa = 0 · história de câncer = +2 → total 5 = RADS 3 (risco intermediário, 5–6 pontos). Conduta da faixa: encaminhar à ortopedia oncológica, imagem avançada (TC/RM/cintilografia) e biópsia provável, decidida com quem fará o tratamento definitivo.

É o exemplo didático de como o mesmo achado muda de faixa pelo contexto: sem o câncer prévio, os 3 pontos dariam RADS 2 (controle em 3–6 meses). E vale lembrar a quem pertence o RADS 1: os “não toque” clássicos, como fibroma não ossificante e osteoma osteoide.
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Questão 5

Criança de 9 anos com dor na perna e febre baixa. Radiografia da tíbia: lesão diafisária permeativa com reação periosteal lamelada em “casca de cebola”. Quais são os principais diagnósticos a considerar?

Diáfise (medula hematopoiética) + padrão permeativo + casca de cebola numa criança é a tríade que abre exatamente três portas: sarcoma de Ewing (o tumor de células redondas e azuis da diáfise), histiocitose de Langerhans (o grande imitador benigno) e osteomielite, o exemplo-mor de que reação periosteal se classifica como indolente × agressiva, nunca “benigna × maligna”. Febre não desempata: Ewing também a produz.

O osteossarcoma prefere metáfise, matriz em nuvem e explosão solar/Codman. E o lembrete de timing: a reação periosteal leva 10 dias a 3 semanas para aparecer, e a radiografia precoce “limpa” não descarta nenhum dos três; a biópsia (planejada com o oncologista ortopédico) fecha.
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Questão 6

Homem de 67 anos com dor lombar. Radiografia e TC: múltiplas lesões líticas bem definidas, sem esclerose, em coluna, pelve e fêmures. Qual a leitura correta?

Duas regras somadas: > 30 anos → metástase, mieloma e condrossarcoma dominam; e multiplicidade aumenta muito o risco de malignidade; em lesões líticas múltiplas do idoso, metástases e mieloma múltiplo são o topo absoluto da lista (linfoma na sequência). A cara IB (nítida, sem esclerose) é exatamente a que essas doenças adoram vestir.

Os poliostóticos benignos existem, mas têm dono e idade: histiocitose e encondromatose são da infância/juventude; displasia fibrosa poliostótica se declara cedo com vidro fosco. No Bone-RADS, o câncer conhecido ou suspeito soma pontos e empurra para a faixa 3–4: imagem avançada, laboratório (eletroforese!) e ortopedia oncológica.
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Fontes.
[A] González-Huete A, et al. Radiographic Evaluation of Bone Tumors. RadioGraphics 2023;43(11):e230048 (RadioGraphics Fundamentals). doi:10.1148/rg.230048
[B] Caracciolo JT, Temple HT, Letson GD, Kransdorf MJ. A Modified Lodwick-Madewell Grading System for the Evaluation of Lytic Bone Lesions. AJR 2016;207:150–156. doi:10.2214/AJR.15.14368
[C] Caracciolo JT, et al; ACR Bone-RADS Committee. Bone Tumor Risk Stratification and Management System. J Am Coll Radiol 2023;20:1044–1058. doi:10.1016/j.jacr.2023.07.017

A abordagem estruturada vem de [A]; os graus de margem e seus percentuais, de [B]; a tabela de pontos, faixas e condutas, de [C]. Conferido em 01/09/2026.

Os diagramas são próprios. Blocos marcados com + complemento são acréscimos do autor, além do texto das fontes.