Cadernos QRad 104 · Tumores de Partes Moles na RM
Musculoesquelético · partes moles

Tumores de Partes Moles na RM

Fontes: Riley et al: 2024 e Gupta et al: 2016, RadioGraphics

O laudo que o cirurgião usa

Sarcomas são 0,7 a 1,5% dos cânceres do adulto, muito superados pelos tumores benignos; nas extremidades a coxa concentra 44%. A RM raramente dá o diagnóstico (cisto gangliônico, rotura muscular, lipoma e poucas outras), mas guia biópsia, cirurgia e radioterapia. O tratamento principal é a cirurgia com margens livres, e o laudo existe para planejá-la.

Antes da RMPara quê
RadiografiaCalcificação, osso acometido, risco de fratura (frequentemente esquecida)
USPrimeiro exame nas lesões superficiais: cístico × sólido, fluxo
TCOsso e mineralização · estadiamento do tórax e do abdome
HistóriaCrescimento, câncer conhecido, cirurgia prévia · manchas café com leite (bainha neural) · trauma ou anticoagulante (hematoma) · gota (tofo) · artrite reumatoide (nódulo)
concordância imagem × patologia Patologia de "lipoma" com imagem de lipoma atípico (septos espessos, lesão grande, nódulos que realçam) pede pesquisa de amplificação de MDM2 (murine double minute 2: oncogene). Biópsia de "baixo grau" com RM de alto grau (mais de 5 cm, T2 heterogêneo, necrose) sugere erro de amostragem. O sarcoma sinovial cresce devagar no começo e parece benigno.

Os 10 descritores do laudo

DescritorO que relatarPor que importa
1. CompartimentoQual; intra × extracompartimental; superficial × profundo; intra × intermuscularA ressecção radical tira o compartimento inteiro
2. OrigemPele, gordura, músculo, fáscia, nervo, vasoDiferencial
3. TamanhoMaiores dimensões, com série e imagem · lesões satélites e caudasMais de 5 cm sugere malignidade e grau maior (pesa menos em lesão superficial ou acral)
4. Margens e formaBem ou mal definidas (e a proporção)O sarcoma costuma empurrar e ter pseudocápsula: redondo e bem definido
5. Marco anatômicoDistância a um ponto reconhecívelIncisão
6. Estruturas vizinhasPlanos de gordura, fáscia, osso, feixe neurovascular, articulação, pelePreservação do membro × amputação
7. Sinal e realceComposição, difusãoAlvo de biópsia; não separa benigno de maligno
8. Além da bordaCauda fascial, edema e realce peritumoraisMargem e campo de radioterapia
9. VasosNutridores, de drenagem, flow voids, trombo tumoralLigadura; flow voids peritumorais sugerem grau maior
10. LinfonodosTodos no campoEstadiamento
Imagem que não concorda com a patologia, homem de 55 anos
Axial T1: lipomatoso de 7 cm na coxa com áreas não gordurosas irregulares (seta).
Axial T1: lipomatoso de 7 cm na coxa com áreas não gordurosas irregulares (seta).
Pós-contraste com supressão: as áreas realçam (*). A patologia disse lipoma; o MDM2 mostrou ALT (tumor lipomatoso atípico).
Pós-contraste com supressão: as áreas realçam (*). A patologia disse lipoma; o MDM2 mostrou ALT (tumor lipomatoso atípico).
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 1. Ver artigo
Mixofibrossarcoma, mulher de 56 anos
Coronal T2 com supressão: mais de 5 cm, heterogêneo, com necrose (seta).
Coronal T2 com supressão: mais de 5 cm, heterogêneo, com necrose (seta).
Coronal T1 com supressão pós-contraste: a biópsia dizia baixo grau; a peça confirmou alto grau.
Coronal T1 com supressão pós-contraste: a biópsia dizia baixo grau; a peça confirmou alto grau.
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 2. Ver artigo

Compartimento e origem

CompartimentoRegra
DefiniçãoEspaço limitado por barreira natural (fáscia ou osso), descrito pelos grupos musculares
Compartimentos própriosPele e subcutâneo, articulação, osso e o tecido parósseo
Extracompartimentais por definiçãoMembro superior: região periclavicular, axila, fossa antecubital, punho e dorso da mão · membro inferior: virilha, fossa poplítea, tornozelo e dorso do pé · os feixes neurovasculares
Gordura dividida (split fat)Indica lesão intermuscular; não é diagnóstico de tumor de bainha neural (aparece também no sarcoma sinovial)
Os compartimentos
Braço: anterior e posterior.
Braço: anterior e posterior.
Antebraço: anterior (volar, flexor) e posterior (dorsal, extensor).
Antebraço: anterior (volar, flexor) e posterior (dorsal, extensor).
Coxa: anterior, medial e posterior.
Coxa: anterior, medial e posterior.
Perna: anterior, lateral, posterior profundo e posterior superficial.
Perna: anterior, lateral, posterior profundo e posterior superficial.
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 4. Ver artigo
Intracompartimental: mixofibrossarcoma, mulher de 58 anos
Axial T1: massa (*) confinada ao compartimento anterior da coxa (contorno).
Axial T1: massa (*) confinada ao compartimento anterior da coxa (contorno).
T2 com supressão: o mesmo.
T2 com supressão: o mesmo.
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 5. Ver artigo
Dois compartimentos: lipossarcoma mixoide, homem de 23 anos
Axial T2 com supressão: massa nos compartimentos anterior (seta) e posterior (seta tracejada) da coxa.
Axial T2 com supressão: massa nos compartimentos anterior (seta) e posterior (seta tracejada) da coxa.
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 6. Ver artigo
Gordura dividida: localização, não diagnóstico
Coronal T1, schwannoma, mulher de 39 anos: gordura em capa nas pontas (setas).
Coronal T1, schwannoma, mulher de 39 anos: gordura em capa nas pontas (setas).
Coronal T1, sarcoma sinovial, homem de 31 anos: o mesmo sinal (pontas de seta).
Coronal T1, sarcoma sinovial, homem de 31 anos: o mesmo sinal (pontas de seta).
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 7. Ver artigo
+ complemento · ressecções Radical: o compartimento inteiro. Ampla: corta tecido normal longe da pseudocápsula. Marginal: em bloco, pelo plano da pseudocápsula (com radioterapia pode equivaler à ampla). Intralesional: atravessa o tumor. O tipo de tecido da margem importa mais que a espessura: vários centímetros de músculo podem valer 1 mm de fáscia. Hoje a ressecção ampla ou equivalente com radioterapia tem a mesma sobrevida da amputação, reservada ao membro que ficaria inviável, à contaminação grande (fratura patológica, excisão não planejada) e à paliação.

Tamanho, margens e forma

Tamanho e margensAtenção
MedidaMaiores diâmetros com série e imagem; medir nódulos satélites e caudas; tirar as marcas de cima da lesão
Margem bem definidaComum no sarcoma (pseudocápsula)
Margem mal definidaSarcomas infiltrativos: mixofibrossarcoma e sarcoma fibroblástico mixoinflamatório · benignos: malformação vascular, fibromatose desmoide
Forma fusiformeLembra bainha neural, mas aparece também no sarcoma sinovial
Como medir: sarcoma de alto grau, homem de 55 anos
Axial T2 com supressão: os dois maiores diâmetros.
Axial T2 com supressão: os dois maiores diâmetros.
Coronal T2 com supressão: o craniocaudal.
Coronal T2 com supressão: o craniocaudal.
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 9. Ver artigo
Nódulo satélite: sarcoma de alto grau, homem de 65 anos
Axial T1 com supressão pós-contraste: massa dominante (*) e nódulo satélite que realça (seta).
Axial T1 com supressão pós-contraste: massa dominante (*) e nódulo satélite que realça (seta).
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 10. Ver artigo
Margens bem definidas: lipossarcoma mixoide, homem de 40 anos
Axial T2 com supressão (*).
Axial T2 com supressão (*).
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 11. Ver artigo
Margens mal definidas: fibromatose desmoide, mulher de 39 anos
Axial T1 com supressão: a massa (*) se estende ao músculo e ao subcutâneo (seta).
Axial T1 com supressão: a massa (*) se estende ao músculo e ao subcutâneo (seta).
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 12. Ver artigo
Forma fusiforme: sarcoma sinovial, mulher de 31 anos
Coronal T2 com supressão: massa fusiforme ao longo do plexo braquial (seta).
Coronal T2 com supressão: massa fusiforme ao longo do plexo braquial (seta).
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 13. Ver artigo
Distância a um marco: leiomiossarcoma, homem de 65 anos
Coronal T1 com supressão pós-contraste: da interlinha medial do joelho até o tumor (*).
Coronal T1 com supressão pós-contraste: da interlinha medial do joelho até o tumor (*).
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 14. Ver artigo

Relação com estruturas vizinhas

O plano de gordura entre o tumor e a estrutura vê-se melhor no axial T1 sem supressão, que por isso entra sempre no protocolo.

Estrutura vizinhaO que procurar
FásciaCostuma ser barreira; tumor subcutâneo maligno tende a perfurar a fáscia ou ter contato fascial largo
OssoGordura preservada entre tumor e osso afasta invasão · sinal anormal da cortical e da medula é o critério mais acurado · contato sem alteração cortical é pouco específico · invasão óssea em 5 a 12%
Feixe neurovascularDeslocado × envolvido (em graus) · sem plano de gordura = contato, aderência ou invasão · 180° é o corte de envolvimento; acima de 270° em geral não se disseca sem violar o tumor · nervo raramente é invadido
ArticulaçãoSarcoma raramente nasce nela, mas pode invadi-la
PeleFungação e perda da mobilidade da pele pedem ressecção ampla e retalho
Feixe deslocado: lipossarcoma mixoide, mulher de 32 anos
Axial T1: o feixe neurovascular (setas) é empurrado, com plano de gordura preservado (ponta de seta).
Axial T1: o feixe neurovascular (setas) é empurrado, com plano de gordura preservado (ponta de seta).
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 15. Ver artigo
Fáscia perfurada: sarcoma sinovial, mulher de 41 anos
Coronal T1 com supressão pós-contraste: a massa (*) atravessa a fáscia (pontas de seta).
Coronal T1 com supressão pós-contraste: a massa (*) atravessa a fáscia (pontas de seta).
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 16. Ver artigo
Plano com o osso: lipossarcoma mixoide, homem de 70 anos
Axial T1: fina faixa de gordura entre a lesão (*) e a cortical do fêmur (seta).
Axial T1: fina faixa de gordura entre a lesão (*) e a cortical do fêmur (seta).
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 17. Ver artigo
Contato sem invasão: sarcoma pleomórfico, homem de 38 anos
Axial T1: sem plano de gordura com a cortical (pontas de seta), mas cortical e medula normais.
Axial T1: sem plano de gordura com a cortical (pontas de seta), mas cortical e medula normais.
T2 com supressão: o mesmo.
T2 com supressão: o mesmo.
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 18. Ver artigo
Invasão óssea: lipossarcoma mixoide, homem de 68 anos
Axial T2 com supressão: destruição da cortical e sinal dentro da medula (seta); a massa (*) encosta no tendão patelar (ponta de seta).
Axial T2 com supressão: destruição da cortical e sinal dentro da medula (seta); a massa (*) encosta no tendão patelar (ponta de seta).
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 19. Ver artigo
Contato com a artéria: mixofibrossarcoma, homem de 33 anos
Axial T1: contato com a artéria femoral (seta) em menos de 180°.
Axial T1: contato com a artéria femoral (seta) em menos de 180°.
T2 com supressão: o mesmo; é contato, não envolvimento.
T2 com supressão: o mesmo; é contato, não envolvimento.
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 20. Ver artigo
Feixe envolvido: leiomiossarcoma, homem de 65 anos
Axial T1 com supressão pós-contraste: massa mal definida (*) envolvendo todo o feixe; flow void da artéria femoral (seta).
Axial T1 com supressão pós-contraste: massa mal definida (*) envolvendo todo o feixe; flow void da artéria femoral (seta).
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 21. Ver artigo
Pele: rabdomiossarcoma, homem de 63 anos
Coronal T1: massa com fungação pela pele (setas, *).
Coronal T1: massa com fungação pela pele (setas, *).
T2 com supressão: o mesmo.
T2 com supressão: o mesmo.
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 8. Ver artigo

Sinal, realce e difusão

Sinal na RMPode ser
Hipersinal em T1Gordura, sangue, melanina (no T1 com supressão, sangue e melanina continuam claros)
Hipossinal em T2Flow void, sangue, tecido fibroso, calcificação
Sinal de líquidoCisto, tecido mixoide, sangue, necrose: o contraste separa sólido de não sólido
Tumor muito mixoideMixofibrossarcoma, lipossarcoma mixoide
NecroseNão biopsiar só a necrose, mas evitá-la pode subestimar o grau: mirar o sólido periférico
Necrose: lipossarcoma desdiferenciado, homem de 65 anos
Axial T2 com supressão: hipersinal central (*).
Axial T2 com supressão: hipersinal central (*).
T1 com supressão pós-contraste: realce periférico espesso (seta) e centro sem realce; a biópsia vai na periferia.
T1 com supressão pós-contraste: realce periférico espesso (seta) e centro sem realce; a biópsia vai na periferia.
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 22. Ver artigo
Restrição: leiomiossarcoma, mulher de 84 anos
Mapa de ADC (coeficiente de difusão aparente): restrição (seta).
Mapa de ADC (coeficiente de difusão aparente): restrição (seta).
Pós-contraste: realce no mesmo ponto (seta).
Pós-contraste: realce no mesmo ponto (seta).
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 23. Ver artigo
Benigno que restringe: tumor de células gigantes tenossinovial no dedo, homem de 53 anos
T1 (seta).
T1 (seta).
T2 com supressão: hipossinal (seta).
T2 com supressão: hipossinal (seta).
Mapa de ADC: restrição (seta tracejada).
Mapa de ADC: restrição (seta tracejada).
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 24. Ver artigo
Maligno que não restringe: lipossarcoma mixoide, homem de 65 anos
Axial T1: focos de gordura (setas).
Axial T1: focos de gordura (setas).
T2 com supressão (setas).
T2 com supressão (setas).
Mapa de ADC: sem restrição (pontas de seta).
Mapa de ADC: sem restrição (pontas de seta).
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 25. Ver artigo
difusão nos dois sentidos Alto grau tende a restringir mais, e o alvo da biópsia é o ponto de DWI (imagem ponderada em difusão) alto e ADC baixo. Mas o tumor de células gigantes tenossinovial (benigno) restringe, e os malignos mixoides e condroides (como o lipossarcoma mixoide) quase não restringem. Sinal e realce não definem benigno nem grau.

Além da borda e vasos

Além da bordaAspectoImplicação
Sinal da caudaRealce fascial espesso saindo da margemRecidiva local pode nascer ali · também em mixoma, fasciite nodular e fibromatose
Edema peritumoralHipersinal em T2 de bordas plumosas, sem efeito de massaCampo da radioterapia
Realce peritumoralRealce além da borda, sem efeito de massaMais provável que o edema de ser tecido invadido
Flow voidsMalformação vascular, sarcoma alveolar de partes moles, tumor fibroso solitárioPeritumorais sugerem grau maior
Trombo tumoralFalha de enchimento no vaso (o leiomiossarcoma pode nascer de veia)Ressecção e reconstrução
Linfonodo1,6 a 12% nos sarcomas de extremidadeMais em células claras, rabdomiossarcoma, angiossarcoma e epitelioide
Edema, realce e cauda: leiomiossarcoma, homem de 72 anos
Coronal T2 com supressão: edema peritumoral (pontas de seta).
Coronal T2 com supressão: edema peritumoral (pontas de seta).
Axial T2 com supressão: sinal da cauda ao longo da fáscia (seta tracejada).
Axial T2 com supressão: sinal da cauda ao longo da fáscia (seta tracejada).
Coronal T1 com supressão pós-contraste: realce peritumoral parcial (setas).
Coronal T1 com supressão pós-contraste: realce peritumoral parcial (setas).
Axial pós-contraste: a cauda realça (seta).
Axial pós-contraste: a cauda realça (seta).
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 26. Ver artigo
Cauda num benigno: mixoma, homem de 50 anos
Axial T2 com supressão: pequena cauda fascial (seta).
Axial T2 com supressão: pequena cauda fascial (seta).
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 27. Ver artigo
Flow voids
Sagital T2 com supressão, sarcoma pleomórfico, homem de 47 anos: flow void serpiginoso de um ramo da veia femoral (seta).
Sagital T2 com supressão, sarcoma pleomórfico, homem de 47 anos: flow void serpiginoso de um ramo da veia femoral (seta).
Axial T2 com supressão, lipossarcoma desdiferenciado, mulher de 79 anos: flow voids dentro (setas tracejadas) e em volta (pontas de seta).
Axial T2 com supressão, lipossarcoma desdiferenciado, mulher de 79 anos: flow voids dentro (setas tracejadas) e em volta (pontas de seta).
Fonte: Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. RadioGraphics 2024;44(6):e230086, Fig. 28. Ver artigo
+ complemento · grau e seguimento O grau histológico (FNCLCC (Fédération Nationale des Centres de Lutte Contre le Cancer): diferenciação, mitoses e necrose) é o que mais prediz recidiva e metástase; o estadiamento AJCC (American Joint Committee on Cancer) usa grau, tamanho, linfonodo e metástase. Metástase vai sobretudo ao pulmão; óssea em 10%, lítica e axial. Os autores fazem RM de base entre 6 semanas e 3 meses depois da cirurgia, de novo em 6 a 9 meses e com 1 ano, comparando também com o exame de antes do tratamento: a recidiva costuma parecer a lesão original. Recidivam mais angiossarcoma, leiomiossarcoma e mixofibrossarcoma.

Massas com gordura benignas

Os tumores com gordura são os tumores de partes moles mais comuns, e quase todos são benignos; o lipoma é cerca de metade de todos. O lipossarcoma é 17% dos sarcomas, em geral na 6ª década.

Lesão com gorduraQuem e ondeRM
Lipoma5ª a 7ª décadas; superficial ou profundo; múltiplo em 5 a 15%Igual à gordura subcutânea, cápsula fina, poucos septos finos (menos de 2 mm), supressão completa
Lipoma intramuscularInfiltrativo em 83%Fibras musculares entremeadas com sinal de músculo em T1 e T2 (não são septos)
Necrose gordurosaPontos de pressão, proeminências ósseasGordura com estrias em nuvem e inflamação em volta; realce em anel
Lipoma arborescenteAdulto; joelho (recesso suprapatelar), monoarticularSinóvia frondosa com gordura + derrame: patognomônico
LipoblastomaMenores de 3 anos; extremidadesHipersinal em T1 menor que o da gordura madura (componente mixoide) · lipossarcoma é raríssimo antes dos 5 anos
Angiolipoma2ª e 3ª décadas; nódulos subcutâneos pequenos e dolorosos, antebraçoGordura com áreas vasculares que realçam
Lipoma condroide3ª e 4ª décadas, mulheres (1:4); cinturasLobulado, hipersinal em T2, focos de gordura; simula lipossarcoma mixoide
Lipoma de células fusiformesHomens de meia-idade; nuca, ombro e dorsoPouca ou nenhuma gordura; parte sólida com sinal de músculo em T1 e realce tardio
Lipomatose de nervo71% antes dos 30 anos; nervo medianoNervo aumentado com gordura entre fascículos tubulares: patognomônico; não biopsiar
HibernomaAdulto; coxa, cintura escapular, dorso, pescoçoGordura marrom: T1 entre o músculo e a gordura, pode não suprimir, realce intenso, vasos proeminentes
Lipoma superficial, homem de 53 anos
T1: homogêneo como a gordura subcutânea, cápsula fina e septos finos (setas).
T1: homogêneo como a gordura subcutânea, cápsula fina e septos finos (setas).
T1 com supressão pós-contraste: supressão completa, sem componente sólido.
T1 com supressão pós-contraste: supressão completa, sem componente sólido.
Fonte: Gupta P, Potti TA, Wuertzer SD, et al. RadioGraphics 2016;36(3):753-766, Fig. 1. Ver artigo
Lipoma profundo da pelve, mulher de 65 anos
Axial T1: massa homogênea que desloca o piriforme e o feixe (setas).
Axial T1: massa homogênea que desloca o piriforme e o feixe (setas).
Coronal T1: cápsula fina, sem nódulos.
Coronal T1: cápsula fina, sem nódulos.
Fonte: Gupta P, Potti TA, Wuertzer SD, et al. RadioGraphics 2016;36(3):753-766, Fig. 2. Ver artigo
Necrose gordurosa, homem de 60 anos
Axial T1: centro de gordura e periferia com hipossinal (setas).
Axial T1: centro de gordura e periferia com hipossinal (setas).
T1 com supressão pós-contraste: realce em anel e músculos vizinhos inflamados.
T1 com supressão pós-contraste: realce em anel e músculos vizinhos inflamados.
Fonte: Gupta P, Potti TA, Wuertzer SD, et al. RadioGraphics 2016;36(3):753-766, Fig. 3. Ver artigo
Lipoma arborescente do joelho, homem de 62 anos
Axial T1: sinóvia frondosa com gordura no recesso suprapatelar (setas).
Axial T1: sinóvia frondosa com gordura no recesso suprapatelar (setas).
T2 com supressão: a gordura suprime e há derrame.
T2 com supressão: a gordura suprime e há derrame.
Fonte: Gupta P, Potti TA, Wuertzer SD, et al. RadioGraphics 2016;36(3):753-766, Fig. 4. Ver artigo
Lipoblastoma, menino de 13 anos
Axial T1: massa no glúteo máximo com hipersinal menor que o subcutâneo (setas).
Axial T1: massa no glúteo máximo com hipersinal menor que o subcutâneo (setas).
DP (densidade de prótons) com supressão: hipersinal intenso do estroma mixoide.
DP (densidade de prótons) com supressão: hipersinal intenso do estroma mixoide.
Fonte: Gupta P, Potti TA, Wuertzer SD, et al. RadioGraphics 2016;36(3):753-766, Fig. 5. Ver artigo
Lipoma condroide, homem de 21 anos
Axial T1: predominantemente hipossinal, com pouca gordura (setas).
Axial T1: predominantemente hipossinal, com pouca gordura (setas).
T2 com supressão: hipersinal lobulado (matriz condroide e mixoide).
T2 com supressão: hipersinal lobulado (matriz condroide e mixoide).
Pós-contraste: realce heterogêneo.
Pós-contraste: realce heterogêneo.
Fonte: Gupta P, Potti TA, Wuertzer SD, et al. RadioGraphics 2016;36(3):753-766, Fig. 6. Ver artigo
Lipoma de células fusiformes, mulher de 18 anos
Axial T1: lesão superficial encapsulada com gordura e faixas de hipossinal (setas).
Axial T1: lesão superficial encapsulada com gordura e faixas de hipossinal (setas).
Pós-contraste: realce leve das faixas.
Pós-contraste: realce leve das faixas.
Fonte: Gupta P, Potti TA, Wuertzer SD, et al. RadioGraphics 2016;36(3):753-766, Fig. 7. Ver artigo
Lipomatose do nervo mediano, menino de 8 anos
Axial T1: gordura entre os fascículos (setas).
Axial T1: gordura entre os fascículos (setas).
Coronal T1.
Coronal T1.
Sagital T1: o nervo aumentado.
Sagital T1: o nervo aumentado.
Fonte: Gupta P, Potti TA, Wuertzer SD, et al. RadioGraphics 2016;36(3):753-766, Fig. 8. Ver artigo
Hibernoma do ombro
Coronal T1: massa bem definida com sinal menor que o do subcutâneo (setas).
Coronal T1: massa bem definida com sinal menor que o do subcutâneo (setas).
Fonte: Gupta P, Potti TA, Wuertzer SD, et al. RadioGraphics 2016;36(3):753-766, Fig. 9. Ver artigo

Lipoma × tumor lipomatoso atípico

Lipoma × ALTLipomaALT / lipossarcoma bem diferenciado
SeptosPoucos, finos (menos de 2 mm)Espessos (mais de 2 mm), irregulares, nodulares, em redemoinho, que realçam
Não gorduraAusenteÁreas não adiposas, tipicamente menores que 2 cm
SupressãoCompletaIncompleta, com faixas e nódulos de hipersinal em T2
Calcificação10 a 32%
LocalSuperficial é o mais comumProfundo; gordura no retroperitônio ou mediastino é lipossarcoma até prova em contrário
MolecularRearranjo de 12q13-15Amplificação de MDM2 e CDK4 (cinase dependente de ciclina 4)
ALT, mulher de 52 anos
Axial T1: septos espessos lineares e em redemoinho no compartimento posterior, envolvendo os nervos tibial e fibular (setas pretas).
Axial T1: septos espessos lineares e em redemoinho no compartimento posterior, envolvendo os nervos tibial e fibular (setas pretas).
Pós-contraste: realce da cápsula e dos septos.
Pós-contraste: realce da cápsula e dos septos.
Fonte: Gupta P, Potti TA, Wuertzer SD, et al. RadioGraphics 2016;36(3):753-766, Fig. 10. Ver artigo
ALT intramuscular, homem de 82 anos
Axial T1: massa grande atravessada por feixes musculares e septos espessos (setas).
Axial T1: massa grande atravessada por feixes musculares e septos espessos (setas).
T2 com supressão: septos com hipersinal leve e vaso aumentado (ponta de seta).
T2 com supressão: septos com hipersinal leve e vaso aumentado (ponta de seta).
Pós-contraste: os septos realçam.
Pós-contraste: os septos realçam.
Fonte: Gupta P, Potti TA, Wuertzer SD, et al. RadioGraphics 2016;36(3):753-766, Fig. 11. Ver artigo
o nome muda pelo lugar É o mesmo tumor, localmente agressivo e sem metástase: ALT nas extremidades e no tronco (margem mais fácil); lipossarcoma bem diferenciado no retroperitônio, mediastino e cordão espermático, onde recidiva mais e pode desdiferenciar (17% no retroperitônio, 6% nas extremidades).

Lipossarcomas malignos

LipossarcomaNúmerosRM
Desdiferenciado90% já desdiferenciados ao diagnóstico; 7ª década; retroperitônio · desdiferenciação na recidiva retroperitoneal: 20% na 1ª, 44% na 2ªMassa não gordurosa (T1 intermediário a baixo, T2 intermediário a alto) dentro ou ao lado de um lipossarcoma bem diferenciado · biopsiar a parte não gordurosa
Mixoide2º mais comum; coxa; mais jovem · puro: metástase em menos de 10% · mais de 5% de células redondas = alto grau · metástase óssea (17%) mais que pulmonar (14%)Hipossinal em T1, hipersinal intenso em T2 (parece cisto), gordura em menos de 25%, realce que o cisto não tem
Pleomórfico5 a 15%; acima de 50 anos; recidiva e metástase em 30 a 50%Massa grande heterogênea, necrose e hemorragia, pouca ou nenhuma gordura visível
Lipossarcoma desdiferenciado, mulher de 58 anos
Axial T1: massa gordurosa no quadríceps com septos irregulares e nódulo central de hipossinal (seta preta).
Axial T1: massa gordurosa no quadríceps com septos irregulares e nódulo central de hipossinal (seta preta).
Pós-contraste: realce intenso do nódulo.
Pós-contraste: realce intenso do nódulo.
Fonte: Gupta P, Potti TA, Wuertzer SD, et al. RadioGraphics 2016;36(3):753-766, Fig. 12. Ver artigo
Lipossarcoma mixoide, mulher de 65 anos
Axial T1: massa com hipossinal e pequenos focos de hipersinal (seta preta).
Axial T1: massa com hipossinal e pequenos focos de hipersinal (seta preta).
T2 com supressão: hipersinal intenso difuso.
T2 com supressão: hipersinal intenso difuso.
Pós-contraste: realce heterogêneo.
Pós-contraste: realce heterogêneo.
Fonte: Gupta P, Potti TA, Wuertzer SD, et al. RadioGraphics 2016;36(3):753-766, Fig. 13. Ver artigo
Lipossarcoma pleomórfico, mulher de 71 anos
Sagital T1: massa heterogênea sem gordura visível (setas).
Sagital T1: massa heterogênea sem gordura visível (setas).
Pós-contraste: realce periférico e centro sem realce (necrose).
Pós-contraste: realce periférico e centro sem realce (necrose).
Fonte: Gupta P, Potti TA, Wuertzer SD, et al. RadioGraphics 2016;36(3):753-766, Fig. 14. Ver artigo
o falso cisto Lesão profunda da coxa com sinal de líquido em T2: antes de chamar de cisto ou mixoma, dar contraste. O lipossarcoma mixoide realça, e procurar um foco de gordura ajuda.

Pontos de prova: alto rendimento

Sarcoma0,7 a 1,5% dos cânceres
Tamanho> 5 cm sugere maligno
ExtracompartimentalAxila, fossa antecubital, virilha, poplítea
Split fatIntermuscular, não diagnóstico
OssoSinal cortical e medular anormal
Feixe180° envolve, > 270° não disseca
Plano de gorduraAxial T1 sem supressão
Realce peritumoralMais que edema para invasão
Sinal da caudaTambém no benigno
LipomaSeptos < 2 mm
ALTSeptos espessos, MDM2
DesdiferenciadoMassa não gordurosa
MixoideT2 de líquido que realça
PatognomônicosArborescente, lipomatose de nervo

Armadilhas e erros comuns

Erros

  • Achar que sinal ou realce dizem o grau
  • Biopsiar a necrose
  • Chamar de cisto o mixoide sem contraste
  • Confundir fibra muscular com septo no lipoma intramuscular
  • Laudar lipoma numa gordura retroperitoneal
  • Tomar contato com osso por invasão
  • Esquecer de medir com série e imagem

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Sarcoma localizado na fossa poplítea. Quanto ao compartimento, ele é:

Virilha, fossa poplítea, tornozelo e dorso do pé (e, no membro superior, axila, fossa antecubital, punho e dorso da mão) são extracompartimentais por definição, assim como os feixes neurovasculares.
↑revisar esta parte do caderno · Compartimento e origem
Questão 2

Sarcoma da coxa em contato com a artéria femoral, sem plano de gordura, ao longo de cerca de 300° da circunferência. A interpretação é:

180° é o corte de envolvimento; acima de 270° em geral não se disseca o vaso sem violar o tumor (ele pode ser ressecado e reconstruído). Sem plano de gordura, contato, aderência e invasão não se distinguem na RM.
↑revisar esta parte do caderno · Relação com estruturas vizinhas
Questão 3

Sobre a difusão nos tumores de partes moles, é correto:

A difusão ajuda (alto grau tende a restringir; alvo de biópsia = DWI alto e ADC baixo), mas tem armadilhas nos dois sentidos: benigno que restringe (tumor de células gigantes tenossinovial) e maligno mixoide ou condroide que não restringe.
↑revisar esta parte do caderno · Sinal, realce e difusão
Questão 4

Achado além da borda do tumor mais provável de corresponder a tecido tumoral invadido:

O realce peritumoral (além da borda, sem efeito de massa) é mais provável que o edema isolado de representar tecido invadido, e pesa na margem e no campo de radioterapia.
↑revisar esta parte do caderno · Além da borda e vasos
Questão 5

Massa gordurosa profunda de 12 cm na coxa com septos de 4 mm irregulares que realçam e supressão incompleta. A conduta mais adequada:

Septos espessos (mais de 2 mm), irregulares, que realçam, e supressão incompleta numa massa grande e profunda sugerem ALT. Patologia de lipoma discordante pede amplificação de MDM2.
↑revisar esta parte do caderno · Lipoma × tumor lipomatoso atípico
Questão 6

Na coxa de adulto jovem, massa encapsulada com hipossinal em T1, hipersinal intenso em T2 e realce heterogêneo, com pequeno foco de gordura. O mais provável:

O lipossarcoma mixoide tem sinal de líquido em T2 (parece cisto ou mixoma), pouca gordura (menos de 25%) e realça. Mais de 5% de células redondas = alto grau; metástase óssea frequente.
↑revisar esta parte do caderno · Lipossarcomas malignos
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Fontes.
1. Riley GM, Steffner R, Kwong S, et al. MRI of Soft-Tissue Tumors: What to Include in the Report. RadioGraphics 2024;44(6):e230086. doi:10.1148/rg.230086
2. Gupta P, Potti TA, Wuertzer SD, et al. Spectrum of Fat-containing Soft-Tissue Masses at MR Imaging: The Common, the Uncommon, the Characteristic, and the Sometimes Confusing. RadioGraphics 2016;36(3):753-766. doi:10.1148/rg.2016150133

A fonte 2 usa a classificação da OMS de 2013. Nenhuma das duas dá um percentual de gordura que separe ALT de lipoma (o "menos de 25%" é do lipossarcoma mixoide), nem as categorias de tamanho do AJCC. A legenda da figura 1 da fonte 1 chama de T2 a imagem pós-contraste. Ficou de fora o desenho das ressecções (texto em inglês). Os compartimentos da figura 4 têm rótulos curtos em inglês. Conferido em 07/10/2026.

Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das mesmas fontes.