Cadernos QRad 117 · Medula Óssea na RM
Musculoesquelético · RM

Medula Óssea na RM

Fonte: Augusto et al: 2026, RadioGraphics

Tudo começa no T1

A medula muda com a idade: nasce vermelha (hematopoética) e vai ficando amarela (gordurosa). Na RM, a leitura começa pelo T1 sem saturação, comparando o sinal da medula com dois vizinhos: o músculo nos membros e o disco na coluna. Sinal normal ou alto quase sempre é benigno; sinal reduzido pode ser as duas coisas, e aí entram a distribuição, as epífises, o realce e a oposição de fase.

as duas regras de ouro Membros: no adulto jovem, a medula vermelha em T1 tem sinal maior que o do músculo adjacente. Coluna: a partir dos 5 anos, o corpo vertebral em T1 tem sinal maior que o do disco. Igual ou abaixo do músculo (ou do disco) é suspeito.

Composição e conversão

ComponenteMedula vermelhaMedula amarela
Adipócitos~50%~95%
Células hematopoéticas~45%0%
Outras células~5%~5%
Composição da medula
Medula vermelha: células hematopoéticas (vermelho) entre adipócitos (amarelo).
Medula vermelha: células hematopoéticas (vermelho) entre adipócitos (amarelo).
Medula amarela: quase só adipócitos.
Medula amarela: quase só adipócitos.
Fonte: Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250165, apresentação, slide 6. Ver artigo

Por isso a medula vermelha tem sinal intermediário e homogêneo em T1 e T2, e a amarela segue a gordura (alta em T1, apagada pela saturação). T1 baixo significa gordura medular trocada por células ou por água (edema).

Osso longoConversão (vermelha → amarela)
Direção no esqueletoDo apendicular para o axial, começando nas extremidades distais dos membros (centrípeta)
ÉpocaComeça no 1º ano; quase completa na maturidade esquelética; no esqueleto axial continua a vida toda
Dentro de cada ossoEpífises e apófises → diáfise média → metáfise distal → metáfise proximal (a última)
Adulto jovemVermelha residual na calota, coluna, costelas, esterno, pelve e fêmures e úmeros proximais
Variante normalMedula vermelha nas metáfises proximais do úmero e do fêmur (menos vezes nas distais)
Epífises e apófisesEm geral amarelas
Medula vermelha normal no adulto jovem
Úmero, T1 e T2 com saturação de gordura: medula vermelha na metáfise proximal (setas), com sinal intermediário e homogêneo.
Úmero, T1 e T2 com saturação de gordura: medula vermelha na metáfise proximal (setas), com sinal intermediário e homogêneo.
Fêmur proximal, T1 (seta).
Fêmur proximal, T1 (seta).
Fêmur proximal, T2 com saturação de gordura (seta).
Fêmur proximal, T2 com saturação de gordura (seta).
Fonte: Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250165, apresentação, slide 10. Ver artigo
reconversão: o caminho de volta Com mais demanda de sangue, a medula amarela volta a ser vermelha na ordem inversa: começa nas metáfises, e as epífises são as últimas. Medula vermelha na epífise de adulto é, por isso, um alerta.

Coluna: idade e disco

IdadeT1 sagital da coluna
Até 6 mesesCorpos mais escuros que o disco (muito osso trabecular e medula hematopoética); normal só nessa idade
1º anoComeça a conversão, em volta do plexo venoso basivertebral, depois junto às placas terminais
5 anosCorpo vertebral já mais claro que o disco; daqui em diante, igual ou abaixo do disco sugere doença
~25 anosProcesso tipicamente completo
Até a meia-idadePode persistir medula vermelha, com gordura só em volta do plexo basivertebral
IdosoInfiltração gordurosa: sinal mais alto e heterogêneo em T1 (variante normal)
A coluna com a idade, T1 sagital
2 dias e 2 anos: corpos mais escuros que o disco no recém-nascido, conversão começando.
2 dias e 2 anos: corpos mais escuros que o disco no recém-nascido, conversão começando.
5 anos: corpos já mais claros que o disco.
5 anos: corpos já mais claros que o disco.
14 anos.
14 anos.
27 anos: conversão completa.
27 anos: conversão completa.
Fonte: Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250165, apresentação, slide 11. Ver artigo
Coluna jovem e idosa
61 anos, T1: sinal mais alto e heterogêneo (infiltração gordurosa normal da idade).
61 anos, T1: sinal mais alto e heterogêneo (infiltração gordurosa normal da idade).
61 anos, outro corte em T1.
61 anos, outro corte em T1.
25 anos, T1: sinal homogêneo, mais claro que o disco.
25 anos, T1: sinal homogêneo, mais claro que o disco.
25 anos, T2.
25 anos, T2.
Fonte: Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250165, apresentação, slide 13. Ver artigo
ilhas de gordura No adulto, a distribuição da gordura vertebral é variável, e ilhas de gordura podem simular lesão. Gordura focal é alta em T1 e cai com a saturação: não é a lesão que preocupa.

Abordagem pelo T1

Duas perguntas: o T1 está normal/alto ou reduzido? Se reduzido, focal ou difuso?

T1 normal ou altoFocalDifuso
Provavelmente benignoHemangioma · medula gordurosa focal · lipoma · Paget · hemorragia medular · variante normal · espondiloartropatia crônica (cantos vertebrais) · Modic IIRadioterapia prévia (mais gordura) · osteoporose · hemangiomas múltiplos
T1 alto: lesões com gordura
Lipoma intraósseo no úmero proximal, T1 e T2 com saturação: gordura na periferia e degeneração cística no centro (setas).
Lipoma intraósseo no úmero proximal, T1 e T2 com saturação: gordura na periferia e degeneração cística no centro (setas).
Doença de Paget, T1: córtex espesso, trabéculas grosseiras e sinal de gordura.
Doença de Paget, T1: córtex espesso, trabéculas grosseiras e sinal de gordura.
Fonte: Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250165, apresentação, slide 15. Ver artigo
a exceção que pega Metástase de melanoma costuma ser hiperintensa em T1 (melanina ou sangue) e realça. Com história de melanoma, T1 alto não tranquiliza: fazer contraste.
T1 reduzidoBenigno ou maligno
FocalTumor ósseo primário · metástase solitária · mieloma (plasmocitoma) · hemangioma atípico · Modic I e III · osteomielite · fratura (insuficiência ou patológica) · amiloide (hemodiálise) · displasia fibrosa
Difuso benignoHiperplasia hematopoética (anemia crônica, mais demanda de O₂) · hemossiderina (baixa em todas as sequências) · atrofia serosa · inflamação sistêmica (sarcoidose, gota, espondiloartropatia)
Multifocal ou difuso malignoLeucemia, linfoma, mieloma, metástases (mais destruição cortical), mielofibrose; suspeita maior quando acomete os elementos posteriores da coluna
T1 baixo focal
Plasmocitoma da escápula, T1, T2 e T1 pós-contraste: lesão expansiva lobulada, aspecto de mini-cérebro (setas).
Plasmocitoma da escápula, T1, T2 e T1 pós-contraste: lesão expansiva lobulada, aspecto de mini-cérebro (setas).
Osteomielite do fêmur direito, T2 com saturação de gordura.
Osteomielite do fêmur direito, T2 com saturação de gordura.
A mesma osteomielite em T1.
A mesma osteomielite em T1.
Fonte: Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250165, apresentação, slide 17. Ver artigo
T1 baixo multifocal: metástases
Pelve, coronal T1 e STIR (short tau inversion recovery: sequência com supressão de gordura por inversão): lesões focais (setas brancas) e rotura cortical no ilí
Pelve, coronal T1 e STIR (short tau inversion recovery: sequência com supressão de gordura por inversão): lesões focais (setas brancas) e rotura cortical no ilíaco esquerdo (seta vermelha).
Fonte: Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250165, apresentação, slide 18. Ver artigo

Benigno ou maligno

CaracterísticaBenignoMaligno
Sinal em T1Levemente baixo, acima do músculoMuito baixo, igual ou abaixo do músculo
DistribuiçãoSimétricaFocal ou assimétrica
EpífisesEm geral poupadasEnvolvidas cedo
RealceLeve e homogêneoÁvido e heterogêneo
EvoluçãoLenta (meses a anos)Rápida
Achados associadosCórtex íntegroRotura cortical, reação periosteal, massa de partes moles
ContextoAnemia, atleta, fumanteCâncer conhecido, dor óssea sem explicação
Leucemia ou hiperplasia? Joelhos
Em cima, leucemia mieloide crônica (mulher de 35 anos): T1 abaixo do músculo, chegando à epífise (círculo vermelho), e T2 com saturação alto (seta). Embaixo, an
Em cima, leucemia mieloide crônica (mulher de 35 anos): T1 abaixo do músculo, chegando à epífise (círculo vermelho), e T2 com saturação alto (seta). Embaixo, anemia falciforme (mulher de 40 anos): T1 acima do músculo, epífise poupada (círculo verde).
Fonte: Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250165, apresentação, slide 21. Ver artigo
Hiperplasia ou mielofibrose?
Homem de 19 anos com anemia falciforme, T1: medula vermelha na pelve e nos fêmures, acima do músculo (setas verdes).
Homem de 19 anos com anemia falciforme, T1: medula vermelha na pelve e nos fêmures, acima do músculo (setas verdes).
Homem de 57 anos com mielofibrose primária, ombro em T1 e T2 com saturação: acometimento difuso do úmero e da glenoide (círculo), sinal pouco acima do músculo.
Homem de 57 anos com mielofibrose primária, ombro em T1 e T2 com saturação: acometimento difuso do úmero e da glenoide (círculo), sinal pouco acima do músculo.
O homem de 19 anos, coronal sensível a líquido.
O homem de 19 anos, coronal sensível a líquido.
Fonte: Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250165, apresentação, slide 24. Ver artigo
ReconversãoHiperplasia hematopoética
Causas fisiológicasTabagismo, obesidade, grande altitude, treino de resistência
Causas patológicasAnemias crônicas (como a falciforme), diabetes, outras doenças crônicas
SinalT1 baixo, mas levemente acima do músculo; simétrica; poupa as epífises
RealceNenhum ou leve e homogêneo
mielofibrose: a exceção à regra do músculo Na mielofibrose primária a medula vira tecido colágeno, e o T1 pode ficar levemente acima do músculo, como na hiperplasia. Aí decidem a idade, o hemograma e a história, não o sinal.
+ complemento · os casos lado a lado Leucemia mieloide crônica no joelho (mulher de 35 anos): T1 abaixo do músculo, chegando à epífise. Anemia falciforme (mulher de 40 anos): T1 acima do músculo, epífise poupada. Mesma pergunta, respostas opostas.

Infiltração e tumores

DoençaNa RMPistas
LeucemiaT1 difusamente baixo, abaixo do músculo; T2 altoEpífises e elementos posteriores acometidos
Linfoma ósseoT1 intermediário a baixo, focal ou difuso; realcePrimário é raro (osso como único sítio por ≥ 6 meses); o secundário prefere o esqueleto axial; reação periosteal
Mieloma múltiploT1 difuso igual ou abaixo do disco; T2 heterogêneoPelve e elementos posteriores; fraturas patológicas
PlasmocitomaLesão expansiva lobulada, T2 alto, realce heterogêneoAspecto de "mini-cérebro" (lóbulos como giros)
MetástasesT1 baixo (exceto melanoma e hemorrágicas), T2 alto, realcePelve, vértebras e esterno (via hematogênica, onde há medula vermelha); sinal do halo
OsteossarcomaT1 abaixo do músculo, realceMetáfise de osso longo do adolescente e adulto jovem; matriz osteoide na radiografia
Linfoma do fêmur distal, mulher de 51 anos
T1: sinal intermediário focal na metadiáfise (seta).
T1: sinal intermediário focal na metadiáfise (seta).
T2 com saturação: reação periosteal (seta).
T2 com saturação: reação periosteal (seta).
T1 pós-contraste: realce difuso (seta).
T1 pós-contraste: realce difuso (seta).
Dois anos depois da radioterapia: a lesão e a reação periosteal diminuíram (setas).
Dois anos depois da radioterapia: a lesão e a reação periosteal diminuíram (setas).
Fonte: Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250165, apresentação, slide 26. Ver artigo
Linfoma do úmero proximal, mulher de 33 anos
T1, T2 com saturação e T1 pós-contraste: T1 abaixo do músculo no úmero proximal, com realce e reação periosteal (setas); glenoide e úmero distal poupados.
T1, T2 com saturação e T1 pós-contraste: T1 abaixo do músculo no úmero proximal, com realce e reação periosteal (setas); glenoide e úmero distal poupados.
Fonte: Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250165, apresentação, slide 27. Ver artigo
Metástases de melanoma, homem de 53 anos
T1 (em cima), T2 com saturação (no meio) e T1 pós-contraste (embaixo): lesões redondas hiperintensas em T1 na pelve e no fêmur proximal, com acometimento cortic
T1 (em cima), T2 com saturação (no meio) e T1 pós-contraste (embaixo): lesões redondas hiperintensas em T1 na pelve e no fêmur proximal, com acometimento cortical, edema em volta e realce (setas).
Fonte: Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250165, apresentação, slide 29. Ver artigo
Paget ou metástase? Sacro
Homem de 67 anos, T1 coronal: sinal heterogêneo no sacro (asterisco), com muita gordura preservada.
Homem de 67 anos, T1 coronal: sinal heterogêneo no sacro (asterisco), com muita gordura preservada.
O mesmo sacro em STIR.
O mesmo sacro em STIR.
Mulher de 45 anos com câncer de mama, coronal: lesões focais nos ilíacos (setas).
Mulher de 45 anos com câncer de mama, coronal: lesões focais nos ilíacos (setas).
A mesma paciente, outro corte coronal (setas).
A mesma paciente, outro corte coronal (setas).
Paget, T1 axial: córtex espesso (seta) e gordura preservada (asterisco).
Paget, T1 axial: córtex espesso (seta) e gordura preservada (asterisco).
Metástases, T1 axial: lesões focais nos ilíacos (setas) e sinal baixo difuso no sacro (asterisco).
Metástases, T1 axial: lesões focais nos ilíacos (setas) e sinal baixo difuso no sacro (asterisco).
Fonte: Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250165, apresentação, slide 31. Ver artigo
Mieloma ou medula do idoso? Coluna
Mulher de 81 anos, T1, T2 e T2 com saturação: padrão heterogêneo de gordura, normal para a idade.
Mulher de 81 anos, T1, T2 e T2 com saturação: padrão heterogêneo de gordura, normal para a idade.
Homem de 50 anos com mieloma múltiplo: T1 difusamente baixo, parecido com o disco, e fraturas patológicas (setas).
Homem de 50 anos com mieloma múltiplo: T1 difusamente baixo, parecido com o disco, e fraturas patológicas (setas).
O mesmo homem: sagital sensível a líquido (setas) e coronal com acometimento da pelve e dos elementos posteriores.
O mesmo homem: sagital sensível a líquido (setas) e coronal com acometimento da pelve e dos elementos posteriores.
Fonte: Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250165, apresentação, slide 38. Ver artigo
Osteossarcoma do úmero proximal, homem de 28 anos
T1, T1 pós-contraste e T2 com saturação: T1 abaixo do músculo no úmero proximal, com realce (setas).
T1, T1 pós-contraste e T2 com saturação: T1 abaixo do músculo no úmero proximal, com realce (setas).
Fonte: Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250165, apresentação, slide 35. Ver artigo
sinal do halo Anel hiperintenso em T2 em volta da lesão (trabéculas destruídas com líquido), mais visível quando o centro é escuro em T2. Favorece metástase.
+ complemento · metástases mais comuns no adulto Próstata, mama, pulmão, rim, melanoma, tireoide e tubo digestivo. Podem ser líticas, escleróticas ou mistas.

Outras condições

CondiçãoNa RMO que resolve
Doença de PagetSinal heterogêneo, mas com grandes áreas de gordura preservada; córtex espesso, osso expandidoTrabéculas grosseiras; captação na cintilografia
Displasia fibrosaLesões redondas, T1 baixo, T2 heterogêneo, realce heterogêneo; córtex íntegroTC é o exame principal; com mixomas intramusculares é Mazabraud
Hemangioma atípicoT1 baixo focal, mas acima do disco; sem elementos posteriores nem massaTC: trabéculas em "veludo cotelê" ou pontilhado
GaucherT1 e T2 baixos, STIR levemente alto, na distribuição da medula vermelha; poupa epífisesInfartos ósseos
Atrofia serosaT1 levemente baixo, acima do músculo; T2 com saturação alto e heterogêneoDesnutrição, doença crônica, bariátrica
Osteoporose transitória do quadrilEdema extenso da cabeça ao colo; linha subcondral baixa = fraturaDerrame articular
Modic IEdema das placas: T1 baixo, STIR alto, realceGás no disco e sinal da garra na difusão
Displasia fibrosa com mixomas (Mazabraud), homem de 43 anos
Coronal: lesão no fêmur proximal direito (seta).
Coronal: lesão no fêmur proximal direito (seta).
Coronal T1: a lesão com sinal baixo (seta).
Coronal T1: a lesão com sinal baixo (seta).
T1 e T1 pós-contraste, coronal e axial: lesões no fêmur e mixomas nos músculos (setas, círculos).
T1 e T1 pós-contraste, coronal e axial: lesões no fêmur e mixomas nos músculos (setas, círculos).
T2 com saturação: os mixomas, muito claros (setas, círculo).
T2 com saturação: os mixomas, muito claros (setas, círculo).
Fonte: Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250165, apresentação, slide 33. Ver artigo
Hemangioma atípico de L2, mulher de 42 anos
T1, T2 e T1 pós-contraste: T1 baixo, mas acima do disco, sem elementos posteriores nem massa, com realce difuso (círculos).
T1, T2 e T1 pós-contraste: T1 baixo, mas acima do disco, sem elementos posteriores nem massa, com realce difuso (círculos).
Fonte: Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250165, apresentação, slide 39. Ver artigo
Osteoporose transitória com fratura subcondral, homem de 51 anos
T1, quadril direito: linha subcondral escura (seta).
T1, quadril direito: linha subcondral escura (seta).
T1, quadril esquerdo (seta).
T1, quadril esquerdo (seta).
T2 com saturação, direito: edema até o colo (seta).
T2 com saturação, direito: edema até o colo (seta).
T2 com saturação, esquerdo (seta).
T2 com saturação, esquerdo (seta).
Fonte: Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250165, apresentação, slide 40. Ver artigo
Doença de Gaucher, mulher de 40 anos
STIR, T2 com saturação e T1: sinal baixo heterogêneo em coluna, pelve e fêmur, com infartos na asa ilíaca e no fêmur proximal (setas).
STIR, T2 com saturação e T1: sinal baixo heterogêneo em coluna, pelve e fêmur, com infartos na asa ilíaca e no fêmur proximal (setas).
Fonte: Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250165, apresentação, slide 41. Ver artigo
Atrofia serosa, homem de 38 anos após cirurgia bariátrica
Joelho em T1 e T2 com saturação: T1 levemente baixo, acima do músculo, e T2 alto e heterogêneo (setas).
Joelho em T1 e T2 com saturação: T1 levemente baixo, acima do músculo, e T2 alto e heterogêneo (setas).
Fonte: Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250165, apresentação, slide 42. Ver artigo
Modic I em L5-S1, mulher de 38 anos
T1: placas escuras (seta).
T1: placas escuras (seta).
STIR: edema (seta).
STIR: edema (seta).
T1 pós-contraste: realce (seta).
T1 pós-contraste: realce (seta).
Difusão: o sinal da garra (seta).
Difusão: o sinal da garra (seta).
TC: gás no disco (seta).
TC: gás no disco (seta).
Fonte: Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250165, apresentação, slide 43. Ver artigo
Modic I ou espondilodiscite? Sinal da garra: na difusão, faixas pareadas e bem definidas de hipersinal na interface entre medula normal e alterada, dos dois lados do disco. Com gás no disco, favorece degeneração; tem alto valor preditivo negativo para infecção. Hipersinal difuso e amorfo na difusão sugere espondilodiscite.

Oposição de fase e corpo inteiro

Oposição de faseComo usar
PrincípioGordura e água no mesmo voxel se anulam na oposição de fase: o sinal cai
TE (tempo de eco) (gradiente-eco)Oposição de fase 2,2 ms · em fase 4,4 ms (valores de 1,5 T)
Queda > 20%Lesão que não substitui a medula (ainda há gordura): em geral benigna
Queda < 20%Lesão que substitui a medula: neoplasia possível
LimiteSepara neoplásico de não neoplásico; não separa tumor maligno de tumor benigno sem gordura
Oposição de fase, mulher de 48 anos
T2 com saturação, T1, em fase e oposição de fase: lesão lombar redonda com T1 acima do músculo e queda de sinal maior que 20% (setas): não substitui a medula.
T2 com saturação, T1, em fase e oposição de fase: lesão lombar redonda com T1 acima do músculo e queda de sinal maior que 20% (setas): não substitui a medula.
Fonte: Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250165, apresentação, slide 45. Ver artigo
RM de corpo inteiroPontos
SequênciasT1 (em geral Dixon: em fase, oposição, só gordura, só água), T2 e difusão
IndicaçõesMieloma, câncer de próstata, melanoma, síndromes de predisposição ao câncer; cada vez mais em mama metastática, ovário e linfoma
DifusãoA medula hiperplásica e a infiltrada ficam mais claras que a gordurosa (mais celularidade)
MielomaMais de uma lesão focal > 5 mm = doença sintomática, que pede tratamento
Difusão da medula (b = 800)
Medula gordurosa.
Medula gordurosa.
Medula hematopoética.
Medula hematopoética.
Medula hiperplásica.
Medula hiperplásica.
Infiltração tumoral.
Infiltração tumoral.
Fonte: Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250165, apresentação, slide 46. Ver artigo
Mieloma no corpo inteiro, 65 anos
STIR e T1 sagital: lesões pequenas nas vértebras (setas).
STIR e T1 sagital: lesões pequenas nas vértebras (setas).
Difusão axial: lesão focal inequívoca, maior que 5 mm (círculo).
Difusão axial: lesão focal inequívoca, maior que 5 mm (círculo).
Difusão de corpo inteiro.
Difusão de corpo inteiro.
Fonte: Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250165, apresentação, slide 47. Ver artigo
+ complemento · na prática A fonte não traz corte de ADC (coeficiente de difusão aparente) nem de fração de gordura no Dixon: a leitura da difusão é visual, sempre junto do T1.

Pontos de prova: alto rendimento

Medula vermelha em T1Acima do músculo
Coluna após 5 anosVértebra acima do disco
ReconversãoMetáfise primeiro, epífise por último
T1 alto e lesãoBenigno, exceto melanoma
HemossiderinaBaixa em todas as sequências
Epífise acometidaFavorece maligno
Elementos posterioresFavorece maligno
Oposição de faseQueda > 20% = não substitui
Sinal do haloMetástase
Sinal da garraModic I, não infecção
Mini-cérebroPlasmocitoma
Mieloma no corpo inteiro> 1 lesão > 5 mm trata

Armadilhas e erros comuns

Erros

  • Ler o T1 com saturação de gordura como T1 de medula
  • Chamar de doença a medula vermelha da metáfise proximal
  • Tranquilizar T1 alto em paciente com melanoma
  • Esquecer de comparar com o músculo ou o disco
  • Usar a oposição de fase para separar maligno de benigno sem gordura
  • Confiar só no sinal na mielofibrose

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

RM lombar de adulto de 40 anos, T1 sagital. Qual relação de sinal é a esperada para um corpo vertebral normal?

A partir dos 5 anos, o corpo vertebral em T1 é mais claro que o disco. Igual ou abaixo do disco sugere infiltração. Corpo mais escuro que o disco só é normal até os 6 meses.
↑revisar esta parte do caderno · Coluna: idade e disco
Questão 2

RM do joelho de adulto com dor há meses: T1 difusamente baixo, abaixo do músculo, chegando às epífises. O que esse padrão sugere?

Sinal abaixo do músculo e epífise acometida favorecem maligno. A hiperplasia fica acima do músculo e poupa a epífise, que é a última a reconverter.
↑revisar esta parte do caderno · Benigno ou maligno
Questão 3

Na reconversão medular (amarela de volta a vermelha) de um osso longo, qual região é a última a ser acometida?

A reconversão segue a ordem inversa da conversão: começa nas metáfises e a epífise é a última. Por isso epífise de adulto com medula vermelha é um alerta.
↑revisar esta parte do caderno · Composição e conversão
Questão 4

Lesão focal vertebral com T1 baixo. Na sequência em oposição de fase, o sinal cai 36% em relação à fase. Interpretação:

Queda > 20% mostra que ainda há gordura no voxel: lesão que não substitui a medula, em geral benigna. Queda < 20% sugere lesão substitutiva.
↑revisar esta parte do caderno · Oposição de fase e corpo inteiro
Questão 5

Edema das placas terminais em L5-S1 com gás no disco. Na difusão, faixas pareadas e bem definidas de hipersinal na interface com a medula normal. Esse achado favorece:

É o sinal da garra: com gás no disco, favorece Modic I e tem alto valor preditivo negativo para infecção. Hipersinal difuso e amorfo na difusão sugere espondilodiscite.
↑revisar esta parte do caderno · Outras condições
Questão 6

Homem tratado de melanoma: várias lesões redondas na pelve, hiperintensas em T1, com realce e edema em volta. Conduta de leitura:

T1 alto costuma ser benigno, mas o melanoma é a exceção: melanina ou sangue deixam a metástase hiperintensa em T1. Realce e edema em volta afastam gordura e hemangioma.
↑revisar esta parte do caderno · Abordagem pelo T1
0/6acertos
Responda as questões acima para ver o desempenho.
Praticar no QRad →
Teclas 1–5 respondem a questão visível · → ou Enter avança · ← volta · Shift+número ou botão direito risca uma alternativa.

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Fonte.
Augusto ACdL, Benetti B, Kase DT, Esmanhotto PG, Aihara AY. Bone Marrow Imaging: Unraveling Variations and Identifying Pathologic Conditions. RadioGraphics 2026;46(6):e250165 (RadioGraphics Fundamentals, apresentação em slides). doi:10.1148/rg.250165. Autores da DASA e da UNIFESP.

O resumo diz que a hiperplasia hematopoética não realça; a tabela dos slides fala em realce leve e homogêneo, e o caderno traz os dois. Os valores de TE da oposição de fase são os de 1,5 T. A fonte não aborda anemia aplásica, quimioterapia, edema de estresse, necrose avascular nem padrões de infiltração do mieloma. Tirei os diagramas com texto em inglês e os slides em que o texto cobre a imagem. Conferido em 07/10/2026.

Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados da mesma fonte.