Paciente desidratado com seios durais densos na TC sem contraste. O que ajuda a separar sangue concentrado de trombose?
Trombose Venosa Cerebral
A causa de AVC que mais se deixa passar
A trombose venosa cerebral é cerca de 0,5% das doenças cerebrovasculares, de 3 ou 4 a 13 casos por milhão por ano. Pega recém-nascidos e adultos jovens (20 a 40 anos), mais mulheres (gestação, puerpério, anticoncepcional). A clínica é inespecífica: cefaleia (89 a 91%), déficit (52 a 68%), convulsão (39 a 44%). E é uma das poucas hemorragias cerebrais que se tratam com anticoagulante: o diagnóstico precisa ser firme.
| Causas | Exemplos |
|---|---|
| Locais | Trauma com fratura até o seio ou o bulbo jugular, tumor, infecção (otite, mastoidite, sinusite, meningite) |
| Sistêmicas | Gestação, puerpério, anticoncepcional, cirurgia, doença hematológica, infecção, desidratação, câncer |
| Idiopática | Até 20%: a falta de fator de risco não afasta |

Anatomia venosa
| Sistema | Estruturas |
|---|---|
| Seios superiores | Sagital superior, sagital inferior, reto, confluência (tórcula), transversos, sigmoides |
| Seios inferiores | Cavernosos (ligados pelos intercavernosos), petrosos superior e inferior |
| Profundo | Veias cerebrais internas (teto do 3º ventrículo) + veias basais de Rosenthal = veia de Galeno · Galeno + sagital inferior = seio reto · drena tálamos, núcleos da base e substância branca profunda |
| Superficial | Veias corticais · veia de Trolard (para o sagital superior) e de Labbé (para o transverso) |

Na maioria há mais de um seio trombosado; os mais acometidos são o sagital superior, os transversos e os sigmoides.
| Variante que imita trombose | Como reconhecer |
|---|---|
| Transverso hipoplásico ou atrésico | Assimetria em 85% · some na angio-RM sem contraste · a fossa jugular e o forame do lado também são pequenos |
| Granulação aracnoide | Falha redonda e bem definida nos terços médio e lateral do transverso, com sinal e densidade de líquor |
| Bifurcação alta do sagital superior | Falso delta vazio |




TC: o seio denso e o delta vazio
| Sinal | O que é |
|---|---|
| Seio denso / sinal da corda | Trombo hiperatenuante no seio (50 a 80 HU (unidades Hounsfield)) ou numa veia cortical (linha densa no sulco) · só em 25 a 56% · some em 2 semanas (fica isoatenuante) |
| Veias profundas densas | Veias cerebrais internas e seio reto hiperatenuantes na trombose profunda |
| Delta vazio | Contraste em triângulo em volta do trombo hipoatenuante, no sagital superior · 29 a 35% · pode faltar no agudo (trombo denso) e no crônico (canais de recanalização) |
| Pressão venosa alta | Veias ectasiadas, veias medulares proeminentes, realce da foice e do tentório |




| Angio-TC venosa | Protocolo do artigo |
|---|---|
| Cobertura | Do vértice a C1 (incluir a origem das jugulares) |
| Contraste | 90 mL a 3 mL/s · atraso de 45 a 50 s |
| Janela | Largura de cerca de 260 HU e nível de 130 HU nos seios junto do osso |
| Reconstruções | Multiplanares, 3D e MIP |
RM e angio-RM venosa
A RM sem contraste é mais sensível que a TC. O sinal normal do seio é o vazio de fluxo; sua falta chama atenção, mas fluxo lento também tira o vazio.
| Idade do trombo | T1 | T2 | Produto |
|---|---|---|---|
| Agudo (1 a 5 dias) | Iso | Hipo (imita vazio de fluxo) | Desoxi-hemoglobina |
| Subagudo (6 a 15 dias) | Hiper | Hiper | Meta-hemoglobina |
| Crônico (mais de 15 dias) | Iso | Iso ou hiper |






| Sequência | Papel |
|---|---|
| T2* e SWI (imagem ponderada em suscetibilidade magnética) | Seio escuro no agudo (sensibilidade de 90% contra 70% do T1) · a veia cortical trombosada fica escura por meses |
| Difusão | ADC (coeficiente de difusão aparente) baixo no seio em só 10 a 40% · quem restringe recanaliza menos |
| Angio-RM TOF 2D | Sem contraste · falhas de fluxo (sobretudo no transverso) · o trombo subagudo, claro no T1, imita fluxo |
| Angio-RM contraste de fase 3D | Melhor para fluxo lento, imune ao T1 curto · demorada |
| Angio-RM com contraste | A mais acurada e específica · com a angio-TC, as melhores técnicas · a escolha para ver a recanalização |






As lesões do parênquima
Aparecem em 40 a 60%: subcorticais, fora dos territórios arteriais, perto da drenagem do seio trombosado.
| Seio ou veia | Onde fica a lesão |
|---|---|
| Sagital superior | Parassagital bilateral, frontal e parietal |
| Transverso | Temporo-occipital e cerebelar do mesmo lado |
| Profundas | Tálamos dos dois lados (cerca de 86%), núcleos da base em 1/3 · hemorragia talâmica em 19% · pode dar hidrocefalia |
| Veia cortical isolada | Edema ou hemorragia cortical e subcortical junto da veia (até 87%) |
| Seio cavernoso | Raro (1,3%), por infecção de seios da face, órbita ou face · veias oftálmicas dilatadas, proptose, nervos III, IV e VI |




















| Achado | O que saber |
|---|---|
| Edema vasogênico | ADC alto, reversível |
| Edema citotóxico | ADC baixo · o padrão misto é comum |
| Hemorragia | 30 a 35%, cortical com extensão subcortical |
| Outros | Edema giral, realce giral e meníngeo, hematoma subdural, hemorragia subaracnoide |






| Tálamos dos dois lados | Diferença da trombose profunda |
|---|---|
| Infarto da artéria de Percheron | Paramediano, restrição homogênea, pouco edema · a hemorragia vai da periferia para o centro (na venosa, do centro para fora) |
| PRES (síndrome de encefalopatia posterior reversível) (forma central) | Pega o tronco |
| Encefalite viral, toxoplasmose | Toxoplasmose: várias lesões com realce em anel |
| Wernicke | Tálamo medial, periaquedutal, corpos mamilares |
| Glioma talâmico bilateral | Efeito de massa, realce, cálcio |
Crônico, recanalização e tratamento
| Tema | O que saber |
|---|---|
| Recanalização | Pelo menos parcial em 84% aos 3 meses e 85% em 1 ano · mais no sagital superior, reto, profundo e cavernoso · não é preciso para a melhora |
| Recanalização incompleta | Seio irregular, falhas residuais, canais no trombo, colaterais durais |
| Fístula arteriovenosa dural | Pode aparecer anos depois (caso do artigo, drenando para o transverso) |
| Tratamento | Anticoagulação (heparina de baixo peso) por pelo menos 3 meses, mesmo com hemorragia · trombólise ou trombectomia endovascular nos graves e nos que não respondem |
| Controle | Imagem precoce se piorar · nos estáveis, TC ou RM em 3 a 6 meses |
| Prognóstico ruim | Mais de 37 anos, homem, coma, hemorragia, trombose profunda, infecção, câncer · mortalidade de 0 a 39%, sobretudo por herniação |






Pontos de prova: alto rendimento
| Clínica | Cefaleia 89–91% |
| Idiopática | Até 20% |
| Seio denso | 50–80 HU · 25–56% · some em 2 semanas |
| Delta vazio | 29–35% · sagital superior |
| Seio denso sem trombo | Compare com as artérias |
| Agudo | T1 iso, T2 hipo |
| Subagudo | T1 e T2 hiper |
| SWI/T2* | Seio escuro no agudo |
| TOF 2D | Falhas de fluxo, trombo subagudo imita fluxo |
| Melhor exame | Angio-RM com contraste ou angio-TC |
| Granulação | Redonda, sinal de líquor |
| Transverso | Assimétrico em 85% |
| Sagital superior | Lesões parassagitais bilaterais |
| Transverso trombosado | Temporal e cerebelar |
| Profunda | Tálamos bilaterais |
| Hemorragia | 30–35% |
| Fora de território arterial | Pensar em venosa |
| Tratamento | Anticoagular mesmo com hemorragia |
| Recanalização | 84% em 3 meses |
Armadilhas e erros comuns
Erros
- Chamar de trombose o seio denso do paciente desidratado
- Afastar trombose porque não há sinal da corda
- Chamar de trombose a falha de fluxo no TOF 2D
- Chamar de normal o trombo subagudo brilhante no TOF
- Confundir transverso hipoplásico ou granulação com trombo
- Tratar como infarto arterial a lesão fora do território arterial
- Ler a trombose profunda como infarto talâmico arterial
- Suspender anticoagulação por causa da hemorragia
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6Trombo de 10 dias no seio transverso. No T1 e na angio-RM TOF 2D, espera-se:
Falha de enchimento redonda e bem definida no terço lateral do seio transverso, com sinal de líquor em T2. O diagnóstico mais provável é:
Mulher de 21 anos, em uso de anticoncepcional, com edema nos dois tálamos e veias cerebrais internas escuras na SWI. O diagnóstico é:
Hematoma frontal e parietal parassagital nos dois hemisférios, numa puérpera com cefaleia. Qual seio está provavelmente trombosado?
Trombose do seio sagital superior com hematoma parenquimatoso. O tratamento de escolha é:
Cadernos relacionados
- 29: Emergências do Osso TemporalMastoidite e trombose do seio sigmoide.
Canedo-Antelo M, Baleato-González S, Mosqueira AJ, et al. Radiologic Clues to Cerebral Venous Thrombosis. RadioGraphics 2019;39(6):1611–1628. doi:10.1148/rg.2019190015
As idades do trombo na RM (agudo até 5 dias, subagudo até 15) são diferentes das categorias clínicas de início (agudo até 2 dias, subagudo até 30): o artigo usa as duas. Conferido em 07/10/2026.
Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados da mesma fonte.