Cadernos QRad 88 · Trombose Venosa Cerebral
Neurorradiologia · vascular

Trombose Venosa Cerebral

Fonte: Canedo-Antelo et al: 2019, RadioGraphics

A causa de AVC que mais se deixa passar

A trombose venosa cerebral é cerca de 0,5% das doenças cerebrovasculares, de 3 ou 4 a 13 casos por milhão por ano. Pega recém-nascidos e adultos jovens (20 a 40 anos), mais mulheres (gestação, puerpério, anticoncepcional). A clínica é inespecífica: cefaleia (89 a 91%), déficit (52 a 68%), convulsão (39 a 44%). E é uma das poucas hemorragias cerebrais que se tratam com anticoagulante: o diagnóstico precisa ser firme.

CausasExemplos
LocaisTrauma com fratura até o seio ou o bulbo jugular, tumor, infecção (otite, mastoidite, sinusite, meningite)
SistêmicasGestação, puerpério, anticoncepcional, cirurgia, doença hematológica, infecção, desidratação, câncer
IdiopáticaAté 20%: a falta de fator de risco não afasta
Trombose do sigmoide por mastoidite, menina de 15 meses
TC com contraste: falha de enchimento no sigmoide esquerdo (seta) e abscesso retroauricular (*).
TC com contraste: falha de enchimento no sigmoide esquerdo (seta) e abscesso retroauricular (*).
Fonte: Canedo-Antelo M, Baleato-González S, Mosqueira AJ, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1611–1628, Fig. 2. Ver artigo
por que dá lesão O seio entupido atrasa a saída do sangue e a absorção do líquor: a pressão venosa sobe. Com boa colateral, só hipertensão intracraniana. Com colateral ruim ou trombose de veia cortical, a pressão de perfusão cai: edema (vasogênico e citotóxico), hemorragia e infarto venoso, muitas vezes reversíveis.

Anatomia venosa

SistemaEstruturas
Seios superioresSagital superior, sagital inferior, reto, confluência (tórcula), transversos, sigmoides
Seios inferioresCavernosos (ligados pelos intercavernosos), petrosos superior e inferior
ProfundoVeias cerebrais internas (teto do 3º ventrículo) + veias basais de Rosenthal = veia de Galeno · Galeno + sagital inferior = seio reto · drena tálamos, núcleos da base e substância branca profunda
SuperficialVeias corticais · veia de Trolard (para o sagital superior) e de Labbé (para o transverso)
Os seios e o sistema profundo
Angio-RM com contraste (MIP sagital, MIP = projeção de intensidade máxima): sagital superior (1), sagital inferior (2), transversos (3), sigmoides (4), cerebrais internas (5), Rosenthal (6), Galeno
Angio-RM com contraste (MIP sagital, MIP = projeção de intensidade máxima): sagital superior (1), sagital inferior (2), transversos (3), sigmoides (4), cerebrais internas (5), Rosenthal (6), Galeno (7) e seio reto (8).
Fonte: Canedo-Antelo M, Baleato-González S, Mosqueira AJ, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1611–1628, Fig. 1. Ver artigo

Na maioria há mais de um seio trombosado; os mais acometidos são o sagital superior, os transversos e os sigmoides.

Variante que imita tromboseComo reconhecer
Transverso hipoplásico ou atrésicoAssimetria em 85% · some na angio-RM sem contraste · a fossa jugular e o forame do lado também são pequenos
Granulação aracnoideFalha redonda e bem definida nos terços médio e lateral do transverso, com sinal e densidade de líquor
Bifurcação alta do sagital superiorFalso delta vazio
Granulações aracnoides normais
Angio-RM com contraste: falhas redondas e bem definidas no transverso direito.
Angio-RM com contraste: falhas redondas e bem definidas no transverso direito.
T2: sinal de líquor.
T2: sinal de líquor.
Fonte: Canedo-Antelo M, Baleato-González S, Mosqueira AJ, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1611–1628, Fig. 13. Ver artigo
Bifurcação alta do sagital superior
Cortes axiais seguidos de TC com contraste: falso delta vazio.
Cortes axiais seguidos de TC com contraste: falso delta vazio.
Angiografia frontal: a bifurcação alta.
Angiografia frontal: a bifurcação alta.
Fonte: Canedo-Antelo M, Baleato-González S, Mosqueira AJ, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1611–1628, Fig. 14. Ver artigo

TC: o seio denso e o delta vazio

SinalO que é
Seio denso / sinal da cordaTrombo hiperatenuante no seio (50 a 80 HU (unidades Hounsfield)) ou numa veia cortical (linha densa no sulco) · só em 25 a 56% · some em 2 semanas (fica isoatenuante)
Veias profundas densasVeias cerebrais internas e seio reto hiperatenuantes na trombose profunda
Delta vazioContraste em triângulo em volta do trombo hipoatenuante, no sagital superior · 29 a 35% · pode faltar no agudo (trombo denso) e no crônico (canais de recanalização)
Pressão venosa altaVeias ectasiadas, veias medulares proeminentes, realce da foice e do tentório
Trombose do sagital superior e do transverso direito, homem de 27 anos (cocaína)
TC sem contraste: transverso direito denso.
TC sem contraste: transverso direito denso.
Sagital superior denso.
Sagital superior denso.
TC com contraste: delta vazio.
TC com contraste: delta vazio.
Fonte: Canedo-Antelo M, Baleato-González S, Mosqueira AJ, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1611–1628, Fig. 4. Ver artigo
Delta vazio, homem de 85 anos com câncer de cólon
TC com contraste: hemorragia frontal (*) e delta vazio no sagital superior (seta).
TC com contraste: hemorragia frontal (*) e delta vazio no sagital superior (seta).
Fonte: Canedo-Antelo M, Baleato-González S, Mosqueira AJ, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1611–1628, Fig. 10. Ver artigo
Angio-TC venosaProtocolo do artigo
CoberturaDo vértice a C1 (incluir a origem das jugulares)
Contraste90 mL a 3 mL/s · atraso de 45 a 50 s
JanelaLargura de cerca de 260 HU e nível de 130 HU nos seios junto do osso
ReconstruçõesMultiplanares, 3D e MIP
seio denso sem trombose Desidratação, hematócrito alto, hemorragia subaracnoide ou subdural deixam os seios densos. Compare com as artérias: se elas também estão densas, é o sangue, não o trombo. O hematoma subdural junto do transverso fica mais medial.

RM e angio-RM venosa

A RM sem contraste é mais sensível que a TC. O sinal normal do seio é o vazio de fluxo; sua falta chama atenção, mas fluxo lento também tira o vazio.

Idade do tromboT1T2Produto
Agudo (1 a 5 dias)IsoHipo (imita vazio de fluxo)Desoxi-hemoglobina
Subagudo (6 a 15 dias)HiperHiperMeta-hemoglobina
Crônico (mais de 15 dias)IsoIso ou hiper
Trombose subaguda, mulher de 27 anos com 7 dias de cefaleia
T1 sagital: hipersinal no transverso direito.
T1 sagital: hipersinal no transverso direito.
T2 axial: hipersinal.
T2 axial: hipersinal.
Angio-RM TOF (time-of-flight: angiografia sem contraste em que o próprio fluxo gera o sinal) (MIP): sem fluxo no transverso e no sigmoide direitos.
Angio-RM TOF (time-of-flight: angiografia sem contraste em que o próprio fluxo gera o sinal) (MIP): sem fluxo no transverso e no sigmoide direitos.
Fonte: Canedo-Antelo M, Baleato-González S, Mosqueira AJ, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1611–1628, Fig. 5. Ver artigo
Trombose crônica, mulher de 62 anos com convulsões
T1: trombo iso a hipointenso.
T1: trombo iso a hipointenso.
T2: trombo com hipersinal.
T2: trombo com hipersinal.
TOF: sem fluxo no transverso e no sigmoide esquerdos.
TOF: sem fluxo no transverso e no sigmoide esquerdos.
Fonte: Canedo-Antelo M, Baleato-González S, Mosqueira AJ, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1611–1628, Fig. 6. Ver artigo
SequênciaPapel
T2* e SWI (imagem ponderada em suscetibilidade magnética)Seio escuro no agudo (sensibilidade de 90% contra 70% do T1) · a veia cortical trombosada fica escura por meses
DifusãoADC (coeficiente de difusão aparente) baixo no seio em só 10 a 40% · quem restringe recanaliza menos
Angio-RM TOF 2DSem contraste · falhas de fluxo (sobretudo no transverso) · o trombo subagudo, claro no T1, imita fluxo
Angio-RM contraste de fase 3DMelhor para fluxo lento, imune ao T1 curto · demorada
Angio-RM com contrasteA mais acurada e específica · com a angio-TC, as melhores técnicas · a escolha para ver a recanalização
Falha de fluxo no TOF
TOF coronal: aparente interrupção no transverso direito.
TOF coronal: aparente interrupção no transverso direito.
Angio-RM com contraste: fluxo normal.
Angio-RM com contraste: fluxo normal.
Fonte: Canedo-Antelo M, Baleato-González S, Mosqueira AJ, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1611–1628, Fig. 15. Ver artigo
Sem vazio de fluxo, sem trombose, mulher de 27 anos
FLAIR (fluid-attenuated inversion recovery: T2 com o sinal do líquor suprimido): sem vazio de fluxo no transverso esquerdo.
FLAIR (fluid-attenuated inversion recovery: T2 com o sinal do líquor suprimido): sem vazio de fluxo no transverso esquerdo.
T2: o mesmo.
T2: o mesmo.
Contraste de fase 3D: sem fluxo no transverso esquerdo.
Contraste de fase 3D: sem fluxo no transverso esquerdo.
T1 3D com contraste: fluxo normal.
T1 3D com contraste: fluxo normal.
Fonte: Canedo-Antelo M, Baleato-González S, Mosqueira AJ, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1611–1628, Fig. 16. Ver artigo
na dúvida, contraste Falha de fluxo no TOF, transverso hipoplásico, granulação e trombo subagudo brilhante se resolvem com angio-RM com contraste, T1 3D com contraste ou angio-TC. Sem contraste (gestante, insuficiência renal), as técnicas sem contraste são a saída.

As lesões do parênquima

Aparecem em 40 a 60%: subcorticais, fora dos territórios arteriais, perto da drenagem do seio trombosado.

Seio ou veiaOnde fica a lesão
Sagital superiorParassagital bilateral, frontal e parietal
TransversoTemporo-occipital e cerebelar do mesmo lado
ProfundasTálamos dos dois lados (cerca de 86%), núcleos da base em 1/3 · hemorragia talâmica em 19% · pode dar hidrocefalia
Veia cortical isoladaEdema ou hemorragia cortical e subcortical junto da veia (até 87%)
Seio cavernosoRaro (1,3%), por infecção de seios da face, órbita ou face · veias oftálmicas dilatadas, proptose, nervos III, IV e VI
Territórios de drenagem venosa
Veias corticais e sagital superior (vermelho), cerebrais médias e seio cavernoso (verde), transverso e veia de Labbé (amarelo), veias profundas (lilás).
Veias corticais e sagital superior (vermelho), cerebrais médias e seio cavernoso (verde), transverso e veia de Labbé (amarelo), veias profundas (lilás).
Fonte: Canedo-Antelo M, Baleato-González S, Mosqueira AJ, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1611–1628, Fig. 8. Ver artigo
Edema vasogênico, mulher de 62 anos com câncer de estômago
FLAIR: edema subcortical temporal.
FLAIR: edema subcortical temporal.
ADC alto.
ADC alto.
Angio-RM com contraste: falha no transverso esquerdo.
Angio-RM com contraste: falha no transverso esquerdo.
FLAIR 4 meses depois: quase resolvido.
FLAIR 4 meses depois: quase resolvido.
Fonte: Canedo-Antelo M, Baleato-González S, Mosqueira AJ, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1611–1628, Fig. 9. Ver artigo
Hemorragia, mulher de 37 anos com anticoncepcional
TC: hematoma temporoparietal subcortical esquerdo.
TC: hematoma temporoparietal subcortical esquerdo.
TOF coronal: sem fluxo no transverso, no sigmoide e na jugular esquerdos.
TOF coronal: sem fluxo no transverso, no sigmoide e na jugular esquerdos.
Fonte: Canedo-Antelo M, Baleato-González S, Mosqueira AJ, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1611–1628, Fig. 11. Ver artigo
Edema cortical, mulher de 41 anos
FLAIR: edema occipital e temporal direito.
FLAIR: edema occipital e temporal direito.
Angio-RM com contraste: sem fluxo no transverso e no sigmoide direitos.
Angio-RM com contraste: sem fluxo no transverso e no sigmoide direitos.
Fonte: Canedo-Antelo M, Baleato-González S, Mosqueira AJ, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1611–1628, Fig. 12. Ver artigo
Trombose do seio cavernoso, homem de 71 anos com diplopia e ptose
T2: seio cavernoso direito com hipersinal.
T2: seio cavernoso direito com hipersinal.
T1: hipossinal.
T1: hipossinal.
Com contraste: falha de enchimento.
Com contraste: falha de enchimento.
Fonte: Canedo-Antelo M, Baleato-González S, Mosqueira AJ, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1611–1628, Fig. 3. Ver artigo
Trombose profunda, mulher de 50 anos com bradipsiquismo
TC: tálamos hipoatenuantes (edema).
TC: tálamos hipoatenuantes (edema).
TC: veias cerebrais internas densas.
TC: veias cerebrais internas densas.
FLAIR: edema talâmico bilateral.
FLAIR: edema talâmico bilateral.
T2*: hemorragia no tálamo esquerdo.
T2*: hemorragia no tálamo esquerdo.
Fonte: Canedo-Antelo M, Baleato-González S, Mosqueira AJ, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1611–1628, Fig. 17. Ver artigo
Trombose profunda, mulher de 21 anos com anticoncepcional
Difusão: hipersinal nos tálamos e núcleos da base.
Difusão: hipersinal nos tálamos e núcleos da base.
ADC baixo (edema citotóxico).
ADC baixo (edema citotóxico).
T1 sagital: hipersinal na veia cerebral interna.
T1 sagital: hipersinal na veia cerebral interna.
SWI: veias cerebrais internas escuras e hemorragia talâmica esquerda.
SWI: veias cerebrais internas escuras e hemorragia talâmica esquerda.
Fonte: Canedo-Antelo M, Baleato-González S, Mosqueira AJ, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1611–1628, Fig. 18. Ver artigo
AchadoO que saber
Edema vasogênicoADC alto, reversível
Edema citotóxicoADC baixo · o padrão misto é comum
Hemorragia30 a 35%, cortical com extensão subcortical
OutrosEdema giral, realce giral e meníngeo, hematoma subdural, hemorragia subaracnoide
Trombose de veia cortical, menino de 11 anos com leucemia
TC: veia cortical densa (sinal da corda).
TC: veia cortical densa (sinal da corda).
T1: veia com hipersinal.
T1: veia com hipersinal.
SWI: veia escura.
SWI: veia escura.
FLAIR: edema subcortical.
FLAIR: edema subcortical.
Fonte: Canedo-Antelo M, Baleato-González S, Mosqueira AJ, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1611–1628, Fig. 20. Ver artigo
Trombose de veia cortical, mulher de 98 anos com paresia
TC: hemorragia subcortical focal.
TC: hemorragia subcortical focal.
TC: veia cortical densa.
TC: veia cortical densa.
Fonte: Canedo-Antelo M, Baleato-González S, Mosqueira AJ, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1611–1628, Fig. 21. Ver artigo
lesão fora do território arterial Hemorragia ou edema subcortical que não respeita território arterial, sobretudo em mulher jovem: olhe as veias e os seios. Edema talâmico bilateral: confirme com angio-RM e SWI.
Tálamos dos dois ladosDiferença da trombose profunda
Infarto da artéria de PercheronParamediano, restrição homogênea, pouco edema · a hemorragia vai da periferia para o centro (na venosa, do centro para fora)
PRES (síndrome de encefalopatia posterior reversível) (forma central)Pega o tronco
Encefalite viral, toxoplasmoseToxoplasmose: várias lesões com realce em anel
WernickeTálamo medial, periaquedutal, corpos mamilares
Glioma talâmico bilateralEfeito de massa, realce, cálcio

Crônico, recanalização e tratamento

TemaO que saber
RecanalizaçãoPelo menos parcial em 84% aos 3 meses e 85% em 1 ano · mais no sagital superior, reto, profundo e cavernoso · não é preciso para a melhora
Recanalização incompletaSeio irregular, falhas residuais, canais no trombo, colaterais durais
Fístula arteriovenosa duralPode aparecer anos depois (caso do artigo, drenando para o transverso)
TratamentoAnticoagulação (heparina de baixo peso) por pelo menos 3 meses, mesmo com hemorragia · trombólise ou trombectomia endovascular nos graves e nos que não respondem
ControleImagem precoce se piorar · nos estáveis, TC ou RM em 3 a 6 meses
Prognóstico ruimMais de 37 anos, homem, coma, hemorragia, trombose profunda, infecção, câncer · mortalidade de 0 a 39%, sobretudo por herniação
Recanalização incompleta, homem de 68 anos
Angio-RM com contraste: falha residual no transverso direito.
Angio-RM com contraste: falha residual no transverso direito.
T2 sagital: sagital superior irregular.
T2 sagital: sagital superior irregular.
Angio-RM: ingurgitamento venoso difuso.
Angio-RM: ingurgitamento venoso difuso.
Angiografia: fístula arteriovenosa dural drenando para o transverso e o sigmoide esquerdos.
Angiografia: fístula arteriovenosa dural drenando para o transverso e o sigmoide esquerdos.
Fonte: Canedo-Antelo M, Baleato-González S, Mosqueira AJ, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1611–1628, Fig. 7. Ver artigo
imitadores Realce giral com edema e hemorragia pode ser lido como tumor; a hemorragia focal, como contusão; a veia cortical densa, como hemorragia subaracnoide ou subdural. Em todos: olhe as veias. No recém-nascido, a congestão das veias medulares profundas dá lesões lineares radiais na substância branca (hiper em T1, hipo em T2).
Veias medulares profundas, recém-nascido de 12 dias
T2: lesões lineares escuras na substância branca.
T2: lesões lineares escuras na substância branca.
T1: as mesmas, claras.
T1: as mesmas, claras.
Fonte: Canedo-Antelo M, Baleato-González S, Mosqueira AJ, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1611–1628, Fig. 19. Ver artigo

Pontos de prova: alto rendimento

ClínicaCefaleia 89–91%
IdiopáticaAté 20%
Seio denso50–80 HU · 25–56% · some em 2 semanas
Delta vazio29–35% · sagital superior
Seio denso sem tromboCompare com as artérias
AgudoT1 iso, T2 hipo
SubagudoT1 e T2 hiper
SWI/T2*Seio escuro no agudo
TOF 2DFalhas de fluxo, trombo subagudo imita fluxo
Melhor exameAngio-RM com contraste ou angio-TC
GranulaçãoRedonda, sinal de líquor
TransversoAssimétrico em 85%
Sagital superiorLesões parassagitais bilaterais
Transverso trombosadoTemporal e cerebelar
ProfundaTálamos bilaterais
Hemorragia30–35%
Fora de território arterialPensar em venosa
TratamentoAnticoagular mesmo com hemorragia
Recanalização84% em 3 meses

Armadilhas e erros comuns

Erros

  • Chamar de trombose o seio denso do paciente desidratado
  • Afastar trombose porque não há sinal da corda
  • Chamar de trombose a falha de fluxo no TOF 2D
  • Chamar de normal o trombo subagudo brilhante no TOF
  • Confundir transverso hipoplásico ou granulação com trombo
  • Tratar como infarto arterial a lesão fora do território arterial
  • Ler a trombose profunda como infarto talâmico arterial
  • Suspender anticoagulação por causa da hemorragia

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Paciente desidratado com seios durais densos na TC sem contraste. O que ajuda a separar sangue concentrado de trombose?

Desidratação e hematócrito alto deixam todo o sangue denso: se as artérias também estão densas, é o sangue, não o trombo. O trombo mede 50 a 80 HU, mas o seio denso aparece em só 25 a 56% das tromboses; na dúvida, angio-TC ou angio-RM venosas.
↑revisar esta parte do caderno · TC: o seio denso e o delta vazio
Questão 2

Trombo de 10 dias no seio transverso. No T1 e na angio-RM TOF 2D, espera-se:

O trombo subagudo (6 a 15 dias) tem meta-hemoglobina: hipersinal em T1 e T2. No TOF 2D, o T1 curto pode imitar fluxo e esconder a trombose. A angio-RM com contraste resolve. O trombo agudo é iso em T1 e hipo em T2.
↑revisar esta parte do caderno · RM e angio-RM venosa
Questão 3

Falha de enchimento redonda e bem definida no terço lateral do seio transverso, com sinal de líquor em T2. O diagnóstico mais provável é:

A granulação aracnoide é redonda, bem definida, fica nos terços médio e lateral do transverso e tem sinal e densidade de líquor. O trombo segue a forma do seio e tem sinal de sangue conforme a idade.
↑revisar esta parte do caderno · Anatomia venosa
Questão 4

Mulher de 21 anos, em uso de anticoncepcional, com edema nos dois tálamos e veias cerebrais internas escuras na SWI. O diagnóstico é:

Edema talâmico bilateral (cerca de 86% da trombose profunda) com veias cerebrais internas trombosadas (escuras na SWI, densas na TC) é trombose venosa profunda. O infarto de Percheron é paramediano, com restrição homogênea e pouco edema; Wernicke pega tálamo medial e corpos mamilares.
↑revisar esta parte do caderno · As lesões do parênquima
Questão 5

Hematoma frontal e parietal parassagital nos dois hemisférios, numa puérpera com cefaleia. Qual seio está provavelmente trombosado?

Lesões parassagitais bilaterais, frontais e parietais, apontam o sagital superior. O transverso dá lesão temporo-occipital e cerebelar do mesmo lado; as veias profundas e o seio reto, os tálamos.
↑revisar esta parte do caderno · As lesões do parênquima
Questão 6

Trombose do seio sagital superior com hematoma parenquimatoso. O tratamento de escolha é:

A trombose venosa é uma das poucas causas de hemorragia cerebral tratadas com anticoagulação (heparina de baixo peso, por pelo menos 3 meses), mesmo com hemorragia. Trombólise ou trombectomia endovascular ficam para os graves e os que não respondem.
↑revisar esta parte do caderno · Crônico, recanalização e tratamento
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Fonte.
Canedo-Antelo M, Baleato-González S, Mosqueira AJ, et al. Radiologic Clues to Cerebral Venous Thrombosis. RadioGraphics 2019;39(6):1611–1628. doi:10.1148/rg.2019190015

As idades do trombo na RM (agudo até 5 dias, subagudo até 15) são diferentes das categorias clínicas de início (agudo até 2 dias, subagudo até 30): o artigo usa as duas. Conferido em 07/10/2026.

Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados da mesma fonte.