Cadernos QRad 03 · Sinais Clássicos na Radiografia de Tórax
Tórax · Radiografia

Sinais Clássicos na Radiografia de Tórax

Ufuk F, Ocak I, Akpinar E, Chelala L, Landeras L, Montner S. Classic Signs on Chest Radiographs: Primer for Residents. RadioGraphics Fundamentals 2025;45(2):e240155; artigo + apresentação de slides (42 sinais, 43 casos).

Fundamentos antes dos sinais

Os sinais clássicos são atalhos de reconhecimento, mas só funcionam sobre uma base sólida: domínio da técnica, da anatomia radiográfica e da comparação com exames prévios. Eles servem a três propósitos distintos: localizar a lesão (silhueta, borda incompleta, sobreposição hilar), sugerir a etiologia (S de Golden, fissura abaulada) e revelar o não óbvio (sulco profundo, sinal da coluna). Um quarto grupo, o dos sinais tímicos, existe para evitar diagnóstico: reconhecer o normal e não prosseguir com investigação.

Anatomia radiográfica
Anatomia radiográfica de referência: as bordas e linhas do RX (radiografia) frontal. · ver figura original
Técnica AP versus PA
Técnica: PA (posteroanterior, padrão) × AP (anteroposterior, portátil); magnificação cardíaca e escápulas sobre os pulmões. · ver figura original
+ complemento AP × PA em uma linha: No AP o feixe entra pela frente e o detector fica atrás, com o paciente em supino ou semi-sentado: coração magnificado, volumes pulmonares menores, mais artefatos e perfil difícil. Consequência prática: não se diagnostica cardiomegalia, nem se avalia derrame livre de forma confiável, em radiografia AP em decúbito.

Padrão alveolar e consolidação

Broncograma aéreo Air Bronchogram Sign

O que é: Brônquios preenchidos por ar, vistos como estruturas tubulares lucentes sobre um fundo opaco.

Mecanismo: O alvéolo perde o ar: por substituição (pus, sangue, líquido, células tumorais) ou por absorção (atelectasia): enquanto o brônquio permanece pérvio e aerado. O contraste entre os dois torna a árvore brônquica visível.

diagnóstico diferencial
  • Pneumonia / consolidação infecciosa
  • Edema pulmonar
  • Hemorragia alveolar
  • Atelectasia não obstrutiva
  • Adenocarcinoma mucinoso (padrão pneumônico)
  • Linfoma pulmonar primário
  • Proteinose alveolar
+ complementoNa prova, a tríade que define consolidação é opacidade que não apaga vasos por deslocamento, broncograma aéreo e sinal da silhueta com a estrutura adjacente.
⚠ armadilhaBroncograma aéreo localiza a lesão no parênquima: exclui massa mediastinal, pleural ou de parede. A ausência de broncograma em uma consolidação persistente levanta a suspeita de obstrução brônquica central (tumor).
Broncograma aéreo, broncopneumonia
Radiografia frontal: opacidades nas duas bases com brônquios tubulares cheios de ar atravessando as áreas opacas (setas).
Radiografia frontal: opacidades nas duas bases com brônquios tubulares cheios de ar atravessando as áreas opacas (setas).
TC axial correspondente: brônquios aerados atravessando a consolidação (setas).
TC axial correspondente: brônquios aerados atravessando a consolidação (setas).
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 9. Ver artigo

Opacidades em asa de morcego (asa de borboleta) Bat Wing / Butterfly Opacities

O que é: Opacidades bilaterais e simétricas de distribuição predominantemente central (peri-hilar), com relativa preservação da periferia pulmonar.

Mecanismo: A depuração linfática é mais eficiente na periferia e nos lobos inferiores; o líquido/exsudato se acumula preferencialmente na região central.

diagnóstico diferencial
  • Edema pulmonar (cardiogênico e não cardiogênico)
  • Hemorragia alveolar
  • Pneumocistose (PCP)
  • Lesão inalatória
  • Pneumonia viral
  • Proteinose alveolar
+ complementoEdema cardiogênico costuma vir acompanhado de cardiomegalia, linhas B de Kerley, derrame pleural e cefalização; o não cardiogênico (SDRA, síndrome do desconforto respiratório agudo) tende a poupar esses achados e ser mais periférico.
Opacidades em asa de morcego, edema pulmonar agudo por isquemia coronariana
Radiografia frontal: opacidades peri-hilares bilaterais e simétricas, com broncograma aéreo, lembrando asas de morcego (setas).
Radiografia frontal: opacidades peri-hilares bilaterais e simétricas, com broncograma aéreo, lembrando asas de morcego (setas).
Ilustração das asas de um morcego e TC coronal correspondente, com as opacidades centrais (setas).
Ilustração das asas de um morcego e TC coronal correspondente, com as opacidades centrais (setas).
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 10. Ver artigo

Sinal da fissura abaulada Bulging Fissure Sign

O que é: Deslocamento convexo da fissura adjacente a uma consolidação, indicando que o lobo acometido está expandido (e não retraído).

Mecanismo: O material inflamatório ou tumoral é volumoso o suficiente para aumentar o volume do lobo, empurrando a fissura.

diagnóstico diferencial
  • Pneumonia bacteriana: Klebsiella pneumoniae (clássico), pneumococo, Pseudomonas, S. aureus, M. tuberculosis
  • Adenocarcinoma (mucinoso)
  • Abscesso pulmonar
  • Linfoma pulmonar
  • Hemorragia pulmonar
⚠ armadilhaA associação exclusiva com Klebsiella é histórica e cai em prova, mas é pouco específica na prática: sempre considerar adenocarcinoma mucinoso e abscesso.
Sinal da fissura abaulada, adenocarcinoma mucinoso
Radiografia frontal: deslocamento da fissura maior direita (setas).
Radiografia frontal: deslocamento da fissura maior direita (setas).
Perfil: a fissura abaulada (setas).
Perfil: a fissura abaulada (setas).
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 14. Ver artigo

Cavidades e conteúdo intracavitário

Sinal do crescente aéreo Air Crescent Sign

O que é: Coleção aérea em forma de crescente entre a parede de uma cavidade e o conteúdo sólido em seu interior.

Mecanismo: Na aspergilose pulmonar invasiva, o fungo invade a vasculatura → trombose arterial → infarto do parênquima. A retração do tecido infartado cria o crescente de ar, tipicamente na fase de recuperação da neutropenia.

diagnóstico diferencial
  • Aspergilose pulmonar invasiva (recuperação)
  • Aspergiloma / bola fúngica
  • Hematoma intracavitário
  • Tumor intracavitário
  • Abscesso ou cisto hidático
+ complementoNa edição 2024 do glossário da Fleischner Society, o termo air crescent foi unificado: aplica-se tanto ao pulmão infartado retraído quanto à bola fúngica móvel.
⚠ armadilhaO crescente aéreo é sinal de boa evolução (recuperação imunológica), mas marca risco de hemoptise maciça.
Sinal do crescente aéreo, aspergilose invasiva
Radiografia frontal: várias massas pulmonares (setas).
Radiografia frontal: várias massas pulmonares (setas).
Uma semana após o antifúngico: nova coleção de ar em crescente na massa do lobo superior esquerdo (seta), o sinal do crescente aéreo.
Uma semana após o antifúngico: nova coleção de ar em crescente na massa do lobo superior esquerdo (seta), o sinal do crescente aéreo.
TC axial: massa no lobo superior direito (seta).
TC axial: massa no lobo superior direito (seta).
TC uma semana após o antifúngico: o novo crescente aéreo (seta).
TC uma semana após o antifúngico: o novo crescente aéreo (seta).
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 11. Ver artigo

Sinal de Monod Monod Sign

O que é: Gás circundando uma bola fúngica móvel (em geral aspergiloma) dentro de uma cavidade pulmonar preexistente.

Mecanismo: Colonização saprofítica de cavidade prévia (sequela de TB (tuberculose), sarcoidose, bolha) por Aspergillus; a bola não adere à parede e se desloca com a gravidade.

diagnóstico diferencial
  • Aspergiloma / bola fúngica
  • Hemorragia intracavitária
  • Tumor intracavitário
  • Pneumonia cavitada ou bolha infectada
⚠ armadilhaA manobra em decúbito/prono é o que separa Monod (bola móvel) de crescente aéreo por infarto (não se move).
Sinal de Monod, tuberculose prévia e sarcoidose
Radiografia frontal (A): cavidades nos dois lobos superiores com nódulos pendentes (setas). TC axial em supino e em prono (B): alterações fibrocavitárias apicai
Radiografia frontal (A): cavidades nos dois lobos superiores com nódulos pendentes (setas). TC axial em supino e em prono (B): alterações fibrocavitárias apicais com bola fúngica que se desloca à esquerda (seta).
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 12. Ver artigo

Sinal do nenúfar (camalote) Water Lily Sign

O que é: Membrana do endocisto destacada e flutuando dentro do cisto hidático roto, lembrando uma vitória-régia sobre a água.

Mecanismo: Na ruptura, o endocisto se separa do pericisto e a membrana interna passa a flutuar sobre o líquido residual.

diagnóstico diferencial
  • Cisto hidático roto (Echinococcus)
  • Câncer de pulmão cavitado
  • Abscesso pulmonar
+ complementoProcure sempre o cisto hepático concomitante: a doença hidática costuma ser multiorgânica e o achado abdominal fecha o raciocínio.
Sinal do nenúfar (camalote), cisto hidático
Radiografia frontal (A): massa retrocardíaca (seta); duas semanas depois (B), surge nível hidroaéreo dentro dela, lembrando um nenúfar. TC axial (C, D): membran
Radiografia frontal (A): massa retrocardíaca (seta); duas semanas depois (B), surge nível hidroaéreo dentro dela, lembrando um nenúfar. TC axial (C, D): membrana interna descolada flutuando dentro do cisto (setas) e um cisto hidático hepático. Foto de um nenúfar (E).
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 13. Ver artigo

Localização da lesão: silhueta e derivados

Sinal da silhueta Silhouette Sign

O que é: Estruturas em contato ou justapostas com densidades radiográficas semelhantes apagam mutuamente seus contornos.

Mecanismo: A interface só é visível quando há diferença de densidade. Uma consolidação, massa ou coleção adjacente à borda cardíaca ou ao diafragma anula esse contraste.

diagnóstico diferencial
  • Consolidação
  • Atelectasia
  • Massa
  • Derrame pleural loculado
+ complementoMapa de correlação (alto rendimento): borda cardíaca direita → lobo médio; borda cardíaca esquerda → língula; hemidiafragma → lobo inferior; botão aórtico → segmento apicoposterior do LSE (lobo superior esquerdo); aorta descendente → LIE (lobo inferior esquerdo).
⚠ armadilhaÉ o sinal mais cobrado em prova de tórax. Cuidado com o falso-positivo por pectus excavatum, que apaga a borda cardíaca direita sem doença.
Sinal da silhueta, dois pacientes com pneumonia
Borda cardíaca esquerda apagada (seta) por consolidação na língula.
Borda cardíaca esquerda apagada (seta) por consolidação na língula.
Outro paciente: contorno do hemidiafragma direito e borda cardíaca direita apagados (setas), por atelectasia dos lobos médio e inferior direitos.
Outro paciente: contorno do hemidiafragma direito e borda cardíaca direita apagados (setas), por atelectasia dos lobos médio e inferior direitos.
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 17. Ver artigo

Sinal cervicotorácico: positivo Cervicothoracic Sign (positivo)

O que é: Lesão mediastinal superior cuja porção inferior é visível abaixo da clavícula, mas cuja porção superior é apagada → lesão anterior à traqueia.

Mecanismo: A borda superior da lesão não faz interface com ar: está em contato com as partes moles do pescoço, e por isso desaparece.

diagnóstico diferencial
  • Bócio mergulhante
  • Linfoma mediastinal
  • Tumores tímicos
+ complementoEstreitamento ou desvio traqueal associado é uma pista indireta valiosa para lesão do mediastino visceral.
Sinal cervicotorácico positivo, bócio mediastinal
Radiografia frontal (A): massa do mediastino superior com a borda inferior nítida e a superior apagada acima da clavícula (setas). TC coronal (B): bócio com ext
Radiografia frontal (A): massa do mediastino superior com a borda inferior nítida e a superior apagada acima da clavícula (setas). TC coronal (B): bócio com extensão mediastinal, com leve estreitamento da traqueia.
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 15. Ver artigo

Sinal cervicotorácico: negativo Cervicothoracic Sign (negativo)

O que é: A porção superior da lesão continua visível acima da clavícula → lesão posterior (paravertebral).

Mecanismo: O mediastino paravertebral se estende acima das clavículas e é margeado por ar pulmonar, o que mantém a interface.

diagnóstico diferencial
  • Tumor neurogênico (schwannoma, neurofibroma)
  • Tumor vertebral expansivo
  • Abscesso ou hematoma paraespinhal
  • Meningocele torácica
⚠ armadilhaSempre avalie o forame neural e o arco costal adjacente: alargamento sugere origem neurogênica.
Sinal cervicotorácico negativo, neurofibroma
Radiografia frontal: massa paravertebral no campo superior esquerdo com bordas nítidas abaixo e acima da clavícula (setas).
Radiografia frontal: massa paravertebral no campo superior esquerdo com bordas nítidas abaixo e acima da clavícula (setas).
TC axial correspondente: massa mediastinal paravertebral com alargamento do forame neural (setas).
TC axial correspondente: massa mediastinal paravertebral com alargamento do forame neural (setas).
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 16. Ver artigo

Sinal abdominotorácico Abdominothoracic Sign

O que é: Variação do sinal da silhueta usada para localizar uma lesão como intratorácica posterior ou como tóraco-abdominal.

Mecanismo: O seio costofrênico posterior é mais caudal que o anterior. Se a extremidade caudal da opacidade permanece visível abaixo da cúpula diafragmática, a lesão é posterior e inteiramente intratorácica (sinal negativo). A perda dessa margem indica silhuetamento pelas partes moles abdominais (sinal positivo).

diagnóstico diferencial
  • Positivo: hérnia hiatal, lesões que cruzam o diafragma
  • Negativo: linfoma paravertebral, massas intratorácicas posteriores
Sinal toracoabdominal, positivo e negativo
Opacidade retrocardíaca por hérnia hiatal (seta) com a borda inferior apagada: atravessa o diafragma.
Opacidade retrocardíaca por hérnia hiatal (seta) com a borda inferior apagada: atravessa o diafragma.
Outro paciente, linfoma paravertebral: a borda inferior da opacidade é visível (setas), a lesão é toda torácica.
Outro paciente, linfoma paravertebral: a borda inferior da opacidade é visível (setas), a lesão é toda torácica.
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 18. Ver artigo

Sinal da coluna (“more black”) Spine Sign

O que é: No perfil, a coluna torácica deixa de escurecer progressivamente em direção caudal.

Mecanismo: Normalmente há mais pulmão aerado sobreposto à coluna nas porções inferiores, o que a torna progressivamente mais escura. Uma consolidação, atelectasia ou massa de lobo inferior interrompe esse gradiente.

diagnóstico diferencial
  • Consolidação de lobo inferior
  • Atelectasia
  • Neoplasia
  • Derrame pleural
⚠ armadilhaÉ o sinal que resgata a lesão retrocardíaca ou retrodiafragmática invisível na incidência frontal: sempre olhe a coluna no perfil.
Sinal da coluna, adenocarcinoma de pulmão
Radiografia frontal sem alteração evidente.
Radiografia frontal sem alteração evidente.
Perfil (B): a coluna torácica baixa fica mais opaca, em vez de escurecer progressivamente para baixo (seta). TC axial (C): nódulo irregular no lobo inferior esq
Perfil (B): a coluna torácica baixa fica mais opaca, em vez de escurecer progressivamente para baixo (seta). TC axial (C): nódulo irregular no lobo inferior esquerdo (seta).
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 19. Ver artigo

Sinal da sobreposição hilar Hilum Overlay Sign

O que é: Os vasos hilares permanecem nitidamente visíveis através da opacidade.

Mecanismo: Se os vasos não são apagados, a opacidade não está em contato com o hilo: está anterior ou posterior a ele.

diagnóstico diferencial
  • Pneumonia
  • Atelectasia
  • Neoplasia pulmonar
  • Massa de parede torácica
  • Massa pré-vascular ou paravertebral
+ complementoAplicação clássica de Felson: massa mediastinal anterior grande (ex.: linfoma, timoma) que não apaga os vasos hilares.
Sinal da superposição hilar, pneumonia
Radiografia frontal (A): opacidade arredondada sobre o hilo esquerdo, através da qual as estruturas hilares continuam visíveis (setas). TC axial (B): a consolid
Radiografia frontal (A): opacidade arredondada sobre o hilo esquerdo, através da qual as estruturas hilares continuam visíveis (setas). TC axial (B): a consolidação é posterior, com broncograma aéreo.
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 35. Ver artigo

Sinal da convergência hilar Hilum Convergence Sign

O que é: Os vasos pulmonares parecem convergir para a margem lateral da opacidade central.

Mecanismo: Se os vasos convergem para a lesão, ela é a própria artéria pulmonar dilatada. Se convergem para a cintura cardíaca, ignorando a opacidade, trata-se de massa hilar ou mediastinal.

diagnóstico diferencial
  • Convergência positiva: hipertensão pulmonar, aneurisma de artéria pulmonar, TEP (tromboembolia pulmonar)
  • Convergência negativa: massa hilar/mediastinal, adenomegalia
⚠ armadilhaConvergência hilar e sobreposição hilar são pares complementares: o primeiro pergunta o que é a opacidade, o segundo onde ela está.
Sinal da convergência hilar, hipertensão pulmonar
Menino com bandagem prévia da artéria pulmonar. Radiografia frontal (A): hilos aumentados, com os vasos convergindo para a borda lateral do aumento (setas). TC
Menino com bandagem prévia da artéria pulmonar. Radiografia frontal (A): hilos aumentados, com os vasos convergindo para a borda lateral do aumento (setas). TC axial (B): artérias pulmonares aumentadas.
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 34. Ver artigo

Sinal da borda incompleta Incomplete Border Sign

O que é: Margem interna nítida e margem externa mal definida em uma lesão periférica → lesão extrapulmonar (pleural ou de parede).

Mecanismo: A margem interna é tangenciada pelo feixe e contrastada pelo pulmão aerado; a externa é atingida de frente e se funde com as partes moles da parede, de baixo contraste.

diagnóstico diferencial
  • Lesões pleurais
  • Lesões de parede torácica (costela, partes moles)
  • Sombra mamilar
+ complementoGancho MSK (musculoesquelético): lesão extrapulmonar de borda incompleta obriga a examinar a costela adjacente: erosão, expansão ou reação periosteal apontam para tumor ósseo (mieloma, metástase, tumor marrom do hiperparatireoidismo) em vez de lesão pleural.
Sinal da borda incompleta, lesões da parede torácica
Tumores marrons das costelas: duas lesões (setas).
Tumores marrons das costelas: duas lesões (setas).
Schwannoma intercostal, detalhe: lesão periférica com a borda interna nítida e a externa mal definida (setas).
Schwannoma intercostal, detalhe: lesão periférica com a borda interna nítida e a externa mal definida (setas).
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 37. Ver artigo

Ar extra-alveolar: pneumotórax, pneumomediastino, pneumopericárdio

Sinal do sulco profundo Deep Sulcus Sign

O que é: Seio costofrênico aprofundado e de contorno nítido, tipicamente em radiografia em decúbito dorsal.

Mecanismo: Em supino, o ar pleural se acumula na porção não dependente (anteromedial e basal) deslocando a pleura diafragmática para baixo em vez de formar a linha pleural apical clássica.

diagnóstico diferencial
  • Pneumotórax (sobretudo no paciente de UTI e no trauma)
⚠ armadilhaÉ o achado que salva vida no leito: no supino não espere ver a linha pleural apical. Procure sulco profundo, hemitórax hiperlucente e borda cardíaca ou diafragmática excessivamente nítida.
Sinal do sulco profundo, pneumotórax após acidente de trânsito
Radiografia em supino: seio costofrênico esquerdo anormalmente fundo (seta), o sulco profundo do pneumotórax.
Radiografia em supino: seio costofrênico esquerdo anormalmente fundo (seta), o sulco profundo do pneumotórax.
TC axial: ar pleural acumulado na base esquerda, anteriormente (seta).
TC axial: ar pleural acumulado na base esquerda, anteriormente (seta).
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 22. Ver artigo

Sinal do diafragma duplo Double Diaphragm Sign

O que é: Duas linhas horizontais acima do diafragma na incidência frontal, correspondendo às porções posterior (cúpula) e anterior do diafragma.

Mecanismo: O ar pleural anterior, em supino, delineia a porção anterior do diafragma que normalmente não é individualizada.

diagnóstico diferencial
  • Pneumotórax em decúbito
Sinal do duplo diafragma, pneumotórax
Radiografia frontal: pneumotórax à esquerda (setas).
Radiografia frontal: pneumotórax à esquerda (setas).
Detalhe da base esquerda: duas linhas, a da porção posterior e a da porção anterior do diafragma, separadas pelo ar pleural (setas).
Detalhe da base esquerda: duas linhas, a da porção posterior e a da porção anterior do diafragma, separadas pelo ar pleural (setas).
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 23. Ver artigo

Sinal do diafragma contínuo Continuous Diaphragm Sign

O que é: O diafragma é visualizado de forma contínua de um lado ao outro, inclusive na porção central normalmente encoberta pelo coração.

Mecanismo: Ar interposto entre o coração e o diafragma delineia a porção central do músculo.

diagnóstico diferencial
  • Pneumomediastino
  • Pneumopericárdio
  • Pneumoperitônio
+ complementoDiferenciação prática: o pneumopericárdio muda com o decúbito e não ultrapassa a reflexão pericárdica na aorta ascendente; o pneumomediastino se estende ao pescoço e ao redor de estruturas mediastinais.
Sinal do diafragma contínuo, síndrome de Boerhaave
Radiografia frontal: faixa de ar entre a borda inferior do coração e o diafragma (setas), por pneumomediastino após vômitos intensos.
Radiografia frontal: faixa de ar entre a borda inferior do coração e o diafragma (setas), por pneumomediastino após vômitos intensos.
TC coronal: pneumomediastino e o diafragma contínuo (setas).
TC coronal: pneumomediastino e o diafragma contínuo (setas).
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 21. Ver artigo

Sinal do anel ao redor da artéria Ring-around-the-Artery Sign

O que é: Radiolucência semicircular envolvendo a artéria pulmonar direita, descrita originalmente no perfil.

Mecanismo: Ar mediastinal circunda estruturas vasculares criando um halo lucente.

diagnóstico diferencial
  • Pneumomediastino
⚠ armadilhaAjuda a separar pneumomediastino de pneumopericárdio: o ar pericárdico não envolve a artéria pulmonar direita.
Sinal do anel em torno da artéria, pneumomediastino
Perfil (A) e detalhe ampliado (B): ar mediastinal em crescente ao redor da artéria pulmonar direita (setas). TC sagital (C): o mesmo anel de ar.
Perfil (A) e detalhe ampliado (B): ar mediastinal em crescente ao redor da artéria pulmonar direita (setas). TC sagital (C): o mesmo anel de ar.
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 25. Ver artigo

Sinal do V de Naclerio Naclerio V Sign

O que é: Coleção aérea em V que delineia a margem lateral da aorta torácica descendente e a face medial do hemidiafragma esquerdo.

Mecanismo: Um ramo do V é formado pelo ar mediastinal contornando a borda mediastinal inferior esquerda; o outro, pelo ar entre a pleura parietal e o hemidiafragma medial.

diagnóstico diferencial
  • Pneumomediastino, frequentemente por perfuração esofágica
⚠ armadilhaVer o V de Naclerio em paciente com dor torácica após vômitos ou endoscopia obriga a levantar Boerhaave e pedir TC com contraste.
Sinal do V de Naclerio, perfuração esofágica
Radiografia frontal: ar delineando a porção medial do hemidiafragma esquerdo e a borda inferolateral do mediastino (setas), formando um V.
Radiografia frontal: ar delineando a porção medial do hemidiafragma esquerdo e a borda inferolateral do mediastino (setas), formando um V.
TC coronal: ar livre no mediastino (setas).
TC coronal: ar livre no mediastino (setas).
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 26. Ver artigo

Sinal da folha de ginkgo Ginkgo Leaf Sign

O que é: Padrão estriado e ramificado no gradil costal, semelhante às nervuras da folha de Ginkgo biloba.

Mecanismo: Ar do enfisema subcutâneo disseca entre as fibras do músculo peitoral maior, tornando-as visíveis.

diagnóstico diferencial
  • Enfisema subcutâneo extenso (barotrauma, trauma, pós-procedimento)
Sinal da folha de ginkgo, enfisema subcutâneo grave
Radiografia frontal: enfisema subcutâneo extenso com o ar dissecando as fibras do peitoral maior em padrão estriado e ramificado (setas).
Radiografia frontal: enfisema subcutâneo extenso com o ar dissecando as fibras do peitoral maior em padrão estriado e ramificado (setas).
Outro paciente (B), com o mesmo padrão, e uma folha de ginkgo (C), cujas nervuras ele lembra.
Outro paciente (B), com o mesmo padrão, e uma folha de ginkgo (C), cujas nervuras ele lembra.
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 24. Ver artigo

Sinal da vela de spinnaker (asa de anjo) Spinnaker Sail Sign

O que é: Elevação e afastamento dos lobos tímicos em relação ao coração, como uma vela inflada: indica pneumomediastino no neonato.

Mecanismo: O ar mediastinal sob pressão desloca o timo para cima e lateralmente.

diagnóstico diferencial
  • Pneumomediastino neonatal (barotrauma, aspiração meconial, ventilação mecânica)
⚠ armadilhaNão confundir com o sinal da vela tímica (timo normal): ali o timo está na posição habitual e não há lucência mediastinal separando-o do coração.
Sinal da vela de spinnaker, pneumomediastino neonatal
Radiografia frontal (A): os dois lobos do timo levantados e afastados para o mediastino superior (setas), como uma vela de spinnaker (B). Perfil (C): ar mediast
Radiografia frontal (A): os dois lobos do timo levantados e afastados para o mediastino superior (setas), como uma vela de spinnaker (B). Perfil (C): ar mediastinal ao redor do coração e do timo.
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 46. Ver artigo

Sinal do palheiro Haystack Sign

O que é: Variante grave do spinnaker: o ar mediastinal sob alta pressão configura imagem semelhante aos palheiros de Monet.

Mecanismo: Pneumomediastino hipertensivo no neonato.

diagnóstico diferencial
  • Pneumomediastino hipertensivo neonatal
Sinal do palheiro, pneumomediastino hipertensivo neonatal
Radiografia frontal: lobos do timo levantados e ar mediastinal com aspecto de palheiro (setas).
Radiografia frontal: lobos do timo levantados e ar mediastinal com aspecto de palheiro (setas).
Um palheiro, a imagem que dá nome ao sinal.
Um palheiro, a imagem que dá nome ao sinal.
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 47. Ver artigo

Atelectasia e perda volumétrica

Sinal do S de Golden (S reverso) Golden S Sign

O que é: Contorno em S formado por massa hilar obstruindo o brônquio do lobo superior direito com colapso lobar associado.

Mecanismo: A massa central produz a convexidade; o lobo colapsado, a porção retilínea ou côncava da fissura menor.

diagnóstico diferencial
  • Carcinoma broncogênico (principal)
  • Metástase
  • Adenopatia volumosa
⚠ armadilhaAtelectasia lobar com convexidade central é câncer até prova em contrário: indica TC. Colapso puro, sem convexidade, favorece causa não obstrutiva.
Sinal do S de Golden, adenocarcinoma pulmonar primário
Radiografia frontal: opacidade no lobo superior direito com convexidade central (tumor) e concavidade da fissura menor (colapso), desenhando um S (setas).
Radiografia frontal: opacidade no lobo superior direito com convexidade central (tumor) e concavidade da fissura menor (colapso), desenhando um S (setas).
TC axial: a convexidade do tumor central e a concavidade do lobo colapsado.
TC axial: a convexidade do tumor central e a concavidade do lobo colapsado.
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 45. Ver artigo

Sinal do luftsichel (foice aérea) Luftsichel Sign

O que é: Crescente de ar paramediastinal adjacente ao arco aórtico, no colapso do lobo superior esquerdo.

Mecanismo: O segmento superior do lobo inferior esquerdo se hiperinsufla e se interpõe entre o mediastino e o lobo superior colapsado, preservando a visibilidade do botão aórtico.

diagnóstico diferencial
  • Colapso do LSE (tumor endobrônquico, rolha mucosa)
  • Hiperinsuflação e herniação do pulmão direito
  • Pneumomediastino
+ complementoLuftsichel = “foice de ar” em alemão. Achado é do lado esquerdo; o equivalente à direita é raro pela presença da fissura menor.
Sinal de Luftsichel, colapso do lobo superior esquerdo por câncer de pulmão
Radiografia frontal: transparência em crescente ao redor do arco aórtico (setas).
Radiografia frontal: transparência em crescente ao redor do arco aórtico (setas).
TC coronal em MinIP: hiperexpansão do lobo inferior esquerdo, que se interpõe entre a aorta e o lobo colapsado.
TC coronal em MinIP: hiperexpansão do lobo inferior esquerdo, que se interpõe entre a aorta e o lobo colapsado.
TC axial: o lobo superior esquerdo colapsado.
TC axial: o lobo superior esquerdo colapsado.
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 43. Ver artigo

Sinal da vela e sinal da cintura retificada Sail Sign and Flat Waist Sign

O que é: Colapso do lobo inferior esquerdo: opacidade triangular retrocardíaca de limites nítidos (vela) e retificação dos contornos do arco aórtico e do tronco pulmonar (cintura retificada).

Mecanismo: O lobo colapsado se acomoda posteromedialmente atrás do coração; a perda volumétrica desloca e roda o coração para a esquerda, aplanando a cintura cardíaca.

diagnóstico diferencial
  • Colapso do LIE (rolha mucosa, pós-operatório, tumor)
⚠ armadilhaNão confundir com o thymic sail sign (timo normal em criança) nem com o spinnaker sail (pneumomediastino neonatal). Três “velas” distintas: pergunta clássica de prova.
Sinais da vela e da cintura retificada, atelectasia do lobo inferior esquerdo
Radiografia frontal (A): opacidade retrocardíaca triangular com o hemidiafragma esquerdo apagado, sinal da vela (setas). Outro paciente (B): borda cardíaca esqu
Radiografia frontal (A): opacidade retrocardíaca triangular com o hemidiafragma esquerdo apagado, sinal da vela (setas). Outro paciente (B): borda cardíaca esquerda retificada com o hemidiafragma apagado, a cintura retificada.
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 44. Ver artigo

Sinal do pico justafrênico (sinal de Kattan) Juxtaphrenic Peak Sign

O que é: Aspecto “em tenda” do hemidiafragma, com um pico triangular apontando para cima.

Mecanismo: Retração da porção inferior do diafragma por uma fissura acessória inferior (ou fissura maior / ligamento pulmonar inferior) tracionada pela perda volumétrica do lobo superior.

diagnóstico diferencial
  • Colapso lobar
  • Pós-lobectomia
  • Cicatriz pós-infecciosa
  • Doença fibrosante
Sinal do pico justafrênico, perda de volume do lobo superior
Fibrose do lobo superior direito: pico no hemidiafragma direito (setas).
Fibrose do lobo superior direito: pico no hemidiafragma direito (setas).
Colapso do lobo superior direito, outro paciente: o mesmo pico (setas).
Colapso do lobo superior direito, outro paciente: o mesmo pico (setas).
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 38. Ver artigo

Sinal da cauda de cometa Comet Tail Sign

O que é: Opacidade curvilínea que parte de uma opacidade subpleural em direção ao hilo ipsilateral.

Mecanismo: A cauda são os feixes broncovasculares distorcidos e tracionados em direção a uma área de atelectasia redonda, que forma a massa subpleural.

diagnóstico diferencial
  • Atelectasia redonda (asbestose, derrame ou espessamento pleural crônico)
  • Neoplasia (diferencial principal a excluir)
+ complementoCritérios de atelectasia redonda na TC: massa subpleural, contato com pleura espessada, perda volumétrica do lobo e cauda de cometa. Preenchidos os quatro, não é necessário biopsiar.
Sinal da cauda de cometa, atelectasia redonda por asbesto
Radiografia frontal: opacidades em faixa e uma opacidade subpleural esquerda com estrias curvas em direção ao hilo, lembrando a cauda de um cometa (setas).
Radiografia frontal: opacidades em faixa e uma opacidade subpleural esquerda com estrias curvas em direção ao hilo, lembrando a cauda de um cometa (setas).
TC correspondente: nódulo de base pleural (atelectasia redonda) com os vasos curvos convergindo para ele (setas).
TC correspondente: nódulo de base pleural (atelectasia redonda) com os vasos curvos convergindo para ele (setas).
Ilustração de um cometa.
Ilustração de um cometa.
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 20. Ver artigo

Tromboembolismo pulmonar

Sinal de Fleischner Fleischner Sign

O que é: Alargamento da artéria pulmonar central.

Mecanismo: Na fase aguda, o alargamento decorre do êmbolo volumoso na luz; nas fases subaguda e crônica, do aumento da pressão arterial pulmonar. O afilamento abrupto do vaso ocluído distalmente é o knuckle sign.

diagnóstico diferencial
  • TEP
  • Hipertensão pulmonar
  • Aneurisma de artéria pulmonar
Sinal de Fleischner, tromboembolia pulmonar
Radiografia frontal: artéria interlobar direita aumentada (setas), com afilamento abrupto distal.
Radiografia frontal: artéria interlobar direita aumentada (setas), com afilamento abrupto distal.
TC axial: artérias dos lobos inferior e médio direitos aumentadas com êmbolo (setas), e êmbolo também no lobo inferior esquerdo.
TC axial: artérias dos lobos inferior e médio direitos aumentadas com êmbolo (setas), e êmbolo também no lobo inferior esquerdo.
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 30. Ver artigo

Sinal de Westermark Westermark Sign

O que é: Área focal de oligoemia (redução da trama vascular) ou corte abrupto dos vasos distalmente ao êmbolo.

Mecanismo: Dilatação vascular proximal ao êmbolo e colapso ou vasoconstrição dos vasos além da oclusão.

diagnóstico diferencial
  • TEP
  • Hipoplasia ou agenesia de artéria pulmonar
  • Aneurisma de artéria pulmonar
  • Enfisema (falso-positivo)
⚠ armadilhaAlta especificidade e baixa sensibilidade: radiografia normal não afasta TEP. Os três sinais clássicos são achados de reforço, nunca critério de exclusão.
Sinal de Westermark, tromboembolia pulmonar aguda
Radiografia frontal: oligoemia focal nos campos médio e inferior direitos (setas), com a artéria aumentada terminando em coto (sinais do knuckle e de Fleischner
Radiografia frontal: oligoemia focal nos campos médio e inferior direitos (setas), com a artéria aumentada terminando em coto (sinais do knuckle e de Fleischner).
TC axial: a área de oligoemia (setas).
TC axial: a área de oligoemia (setas).
TC axial: trombo oclusivo na artéria interlobar direita aumentada (setas).
TC axial: trombo oclusivo na artéria interlobar direita aumentada (setas).
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 31. Ver artigo

Corcova de Hampton Hampton Hump Sign

O que é: Opacidade periférica de configuração triangular, com base pleural e ápice voltado para o hilo.

Mecanismo: Corresponde ao infarto pulmonar; na TC equivale à consolidação periférica em cunha.

diagnóstico diferencial
  • TEP com infarto
  • Infarto por outras causas (anemia falciforme, vasculite)
  • Pneumonia organizante
  • Pneumonia infecciosa
+ complementoA tríade Fleischner + Westermark + Hampton raramente coexiste. Se o cenário clínico é de TEP, o exame de escolha é a angio-TC: a radiografia serve sobretudo para diferenciais.
Corcova de Hampton, tromboembolia pulmonar aguda
Radiografia frontal: opacidade periférica triangular no pulmão direito, com o ápice voltado para o hilo (setas).
Radiografia frontal: opacidade periférica triangular no pulmão direito, com o ápice voltado para o hilo (setas).
TC axial: opacidade periférica em cunha no lobo médio (setas).
TC axial: opacidade periférica em cunha no lobo médio (setas).
TC axial (C) e sagital (D): o infarto e o êmbolo que o causou (setas).
TC axial (C) e sagital (D): o infarto e o êmbolo que o causou (setas).
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 32. Ver artigo

Coração, pericárdio e vasculatura

Sinal da dupla densidade (dupla borda atrial) Double Density Sign

O que é: Densidade curvilínea projetada na região retrocardíaca direita, paralela à borda cardíaca direita.

Mecanismo: O átrio esquerdo, posterior, ao aumentar invade o espaço normalmente ocupado pelo átrio direito e cria duas linhas em vez de uma.

diagnóstico diferencial
  • Aumento do átrio esquerdo (estenose mitral, insuficiência mitral)
  • Aneurisma da aorta ascendente
  • Hérnia hiatal
  • Massas mediastinais e tumores cardíacos
+ complementoOutros sinais de aumento atrial esquerdo na radiografia: elevação do brônquio principal esquerdo (ângulo da carina > 90°), duplo contorno e deslocamento posterior do esôfago no estudo contrastado.
Sinal do duplo contorno, estenose mitral grave
Radiografia frontal: densidade curva retrocardíaca (setas) paralela à borda cardíaca direita, formando duplo contorno.
Radiografia frontal: densidade curva retrocardíaca (setas) paralela à borda cardíaca direita, formando duplo contorno.
TC correspondente: átrio esquerdo muito aumentado (setas).
TC correspondente: átrio esquerdo muito aumentado (setas).
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 27. Ver artigo

Sinal do ovo pendurado no barbante Egg-on-a-String Sign

O que é: Silhueta cardiomediastinal em forma de ovo deitado, sustentado por um pedículo estreito.

Mecanismo: Coração globoso pela convexidade anômala da borda atrial direita e aumento do átrio esquerdo, associado a mediastino superior estreito (atrofia tímica por estresse e hiperinsuflação pulmonar).

diagnóstico diferencial
  • Transposição das grandes artérias (clássico)
  • Pentalogia de Cantrell
Sinal do ovo no barbante, transposição das grandes artérias
Radiografia frontal: mediastino superior estreito e silhueta cardíaca aumentada, com convexidade anormal do átrio direito (setas).
Radiografia frontal: mediastino superior estreito e silhueta cardíaca aumentada, com convexidade anormal do átrio direito (setas).
Um ovo preso num barbante, a imagem que dá nome ao sinal.
Um ovo preso num barbante, a imagem que dá nome ao sinal.
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 28. Ver artigo

Sinal da moringa (cantil) Water Bottle Sign

O que é: Silhueta cardíaca globosa e alargada, com base ampliada, semelhante a um cantil.

Mecanismo: Derrame pericárdico volumoso distende o saco pericárdico de forma simétrica.

diagnóstico diferencial
  • Derrame pericárdico
  • Neoplasia pericárdica
  • Cardiomiopatia dilatada
⚠ armadilhaO que diferencia derrame de cardiomiopatia na radiografia é a rapidez da mudança em relação a exames prévios e a ausência de congestão pulmonar proporcional.
Coração em cantil, derrame pericárdico
Radiografia frontal: silhueta cardíaca aumentada.
Radiografia frontal: silhueta cardíaca aumentada.
Um cantil antigo (moringa), o formato que a silhueta lembra.
Um cantil antigo (moringa), o formato que a silhueta lembra.
TC axial correspondente: derrame pericárdico (setas).
TC axial correspondente: derrame pericárdico (setas).
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 41. Ver artigo

Sinal do biscoito Oreo Oreo Cookie Sign

O que é: No perfil, faixa densa central entre duas linhas lucentes, semelhante ao recheio de um biscoito.

Mecanismo: O derrame pericárdico (denso) fica entre a gordura pericárdica anterior e a gordura epicárdica posterior, ambas lucentes.

diagnóstico diferencial
  • Derrame pericárdico
+ complementoÉ o achado mais específico de derrame pericárdico na radiografia simples: vale procurar sempre no perfil quando houver cardiomegalia nova.
Sinal do Oreo, derrame pericárdico
Perfil (A): faixa densa central, o líquido pericárdico, entre duas faixas transparentes de gordura (setas), como o recheio de um biscoito Oreo (B). TC sagital (
Perfil (A): faixa densa central, o líquido pericárdico, entre duas faixas transparentes de gordura (setas), como o recheio de um biscoito Oreo (B). TC sagital (C): o derrame pericárdico.
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 40. Ver artigo

Sinal da galhada de cervo (cefalização) Stag's Antler Sign

O que é: Proeminência das veias pulmonares dos lobos superiores, com aspecto de galhada.

Mecanismo: Redistribuição do fluxo venoso para os ápices na hipertensão venocapilar pulmonar.

diagnóstico diferencial
  • Edema pulmonar / insuficiência cardíaca
  • Obstrução venosa pulmonar
  • Hipertensão arterial pulmonar
  • Malformações arteriovenosas
⚠ armadilhaSó é válido em radiografia ortostática: em decúbito a redistribuição é fisiológica e não deve ser reportada como congestão.
Sinal da galhada de cervo, redistribuição vascular
Radiografia frontal: veias dos lobos superiores dilatadas pela redistribuição (setas), lembrando a galhada de um cervo.
Radiografia frontal: veias dos lobos superiores dilatadas pela redistribuição (setas), lembrando a galhada de um cervo.
Galhada de cervo.
Galhada de cervo.
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 51. Ver artigo

Sinal da cimitarra Scimitar Sign

O que é: Sombra curvilínea vertical na base direita, semelhante a uma cimitarra turca, correspondendo à veia pulmonar anômala.

Mecanismo: Na síndrome da cimitarra (síndrome venolobar congênita / pulmão hipogenético), há hipoplasia do pulmão direito e drenagem venosa anômala do pulmão direito para a veia cava inferior ou sistema porta.

diagnóstico diferencial
  • Síndrome da cimitarra
  • Malformação arteriovenosa pulmonar
  • Sequestro intralobar
  • Impactação mucoide / atresia brônquica
+ complementoAchados associados que reforçam o diagnóstico: dextroposição cardíaca, pulmão direito pequeno e suprimento arterial sistêmico a partir da aorta abdominal.
Sinal da cimitarra, síndrome venolobar congênita
Radiografia frontal (A): coração desviado para a direita e veia anômala em forma de cimitarra (setas), a espada turca (B). TC coronal em MIP (projeção de intensidade máxima) (C): a veia pulmona
Radiografia frontal (A): coração desviado para a direita e veia anômala em forma de cimitarra (setas), a espada turca (B). TC coronal em MIP (projeção de intensidade máxima) (C): a veia pulmonar anômala do lobo inferior direito.
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 42. Ver artigo

Pleura, vias aéreas e mediastino

Sinal do menisco Meniscus Sign

O que é: Opacidade em crescente de concavidade superior na periferia pulmonar, mais evidente nas margens laterais, em radiografia ortostática.

Mecanismo: O líquido pleural separa os folhetos e a tensão superficial forma uma borda superior curva.

diagnóstico diferencial
  • Derrame pleural (infeccioso, cardíaco, neoplásico, inflamatório)
⚠ armadilhaAusência de menisco em uma opacificação de hemitórax sugere massa, atelectasia total ou derrame loculado: não derrame livre.
Sinal do menisco, derrame pleural e massa
Derrame pleural: sombra em crescente côncava para cima na periferia do pulmão esquerdo (setas), o sinal do menisco.
Derrame pleural: sombra em crescente côncava para cima na periferia do pulmão esquerdo (setas), o sinal do menisco.
Outro paciente, massa pulmonar grande com atelectasia: sem menisco.
Outro paciente, massa pulmonar grande com atelectasia: sem menisco.
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 39. Ver artigo

Sinal da folha de azevinho Holly Leaf Sign

O que é: Placas pleurais calcificadas de contornos lobulados e irregulares, lembrando a folha do azevinho.

Mecanismo: Placas originadas da pleura parietal, tipicamente nas porções inferiores do tórax, poupando ápices e seios costofrênicos.

diagnóstico diferencial
  • Exposição ao asbesto (placas pleurais)
  • Sequela de empiema ou hemotórax (unilateral)
  • Talcose
+ complementoPlacas pleurais indicam exposição ao asbesto, não asbestose. A distribuição bilateral e a preservação de ápices e seios ajudam a separar de sequela inflamatória.
Sinal da folha de azevinho, placas pleurais do asbesto
Radiografias frontais (A, B): placas pleurais mal definidas nas superfícies costal e diafragmática (setas), poupando os ápices e os seios costofrênicos, lembran
Radiografias frontais (A, B): placas pleurais mal definidas nas superfícies costal e diafragmática (setas), poupando os ápices e os seios costofrênicos, lembrando folhas de azevinho (C).
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 36. Ver artigo

Sinal do dedo de luva (finger-in-glove) Gloved Finger Sign

O que é: Opacidades tubulares ramificadas que partem do hilo em direção à periferia, como dedos de uma luva.

Mecanismo: Brônquios dilatados e preenchidos por muco espesso. A obstrução mantém a secreção glandular distalmente, com acúmulo de secreção inspissada e debris inflamatórios.

diagnóstico diferencial
  • Aspergilose broncopulmonar alérgica (ABPA)
  • Atresia brônquica congênita
  • Fibrose cística
  • Obstrução brônquica por corpo estranho ou tumor (hamartoma, lipoma, carcinoide, carcinoma broncogênico)
⚠ armadilhaEm adulto asmático com dedo de luva central, pense ABPA; achado focal e periférico em jovem assintomático favorece atresia brônquica (com hiperinsuflação distal associada).
Sinal do dedo de luva, aspergilose broncopulmonar alérgica
Radiografia frontal (A): opacidade retrocardíaca em dedo de luva (setas). TC coronal (B): opacidades tubulares ramificadas, como dedos saindo de uma mão (C). A
Radiografia frontal (A): opacidade retrocardíaca em dedo de luva (setas). TC coronal (B): opacidades tubulares ramificadas, como dedos saindo de uma mão (C). A broncoscopia confirmou ABPA num paciente asmático.
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 33. Ver artigo

Sinal do donut (rosquinha) Doughnut Sign

O que é: No perfil, linfonodos pré-carinais, subcarinais e retrocarinais circundam a traqueia e os brônquios lucentes, formando um anel.

Mecanismo: A adenomegalia mediastinal envolve circunferencialmente as vias aéreas centrais.

diagnóstico diferencial
  • Sarcoidose
  • Linfoma
  • Metástases
  • Infecções granulomatosas (tuberculose, histoplasmose)
Sinal da rosquinha, linfonodomegalia
Perfil em linfoma (A) e sarcoidose (B): linfonodos paratraqueais, subcarinais e retrocarinais (setas) contornando a traqueia e o brônquio intermédio transparent
Perfil em linfoma (A) e sarcoidose (B): linfonodos paratraqueais, subcarinais e retrocarinais (setas) contornando a traqueia e o brônquio intermédio transparentes, como uma rosquinha (C).
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 29. Ver artigo

Timo normal: não confundir com doença

Sinal da vela tímica Thymic Sail Sign

O que é: Aspecto triangular normal do timo projetando-se sobre o campo pulmonar, em geral à direita.

Mecanismo: O timo é relativamente grande na criança pequena e seu lobo é delineado pelo ar pulmonar, formando a “vela”.

diagnóstico diferencial
  • Variante do normal: timo
⚠ armadilhaReconhecer o timo normal evita TC, punção e ansiedade familiar desnecessárias. Não confundir com o spinnaker sail (pneumomediastino).
Sinal da vela tímica, timo normal
Lactente saudável: opacidade triangular projetada sobre o campo superior direito (setas).
Lactente saudável: opacidade triangular projetada sobre o campo superior direito (setas).
Outro lactente saudável: a mesma vela tímica (setas).
Outro lactente saudável: a mesma vela tímica (setas).
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 49. Ver artigo

Sinal do entalhe tímico Thymic Notch Sign

O que é: Indentação (entalhe) na borda lateral do timo em lactentes e crianças pequenas.

Mecanismo: Marca a transição entre o timo e o parênquima pulmonar adjacente.

diagnóstico diferencial
  • Variante do normal: timo
Sinal da incisura tímica, timo normal
Lactente saudável: entalhe na borda superior do timo (seta).
Lactente saudável: entalhe na borda superior do timo (seta).
Outro lactente saudável: o mesmo entalhe (seta).
Outro lactente saudável: o mesmo entalhe (seta).
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 48. Ver artigo

Sinal da onda tímica Thymic Wave Sign

O que é: Borda mediastinal ondulada, geralmente à esquerda, em neonatos e crianças pequenas.

Mecanismo: As costelas comprimem o timo mole e produzem ondulação em seu contorno.

diagnóstico diferencial
  • Variante do normal: timo
+ complementoSinais de que o timo é normal: contorno ondulado ou entalhado, ausência de efeito de massa (não desloca traqueia nem vasos) e mudança de forma entre incidências e com a respiração.
Sinal da onda tímica, timo normal
Lactente saudável: ondulação da borda mediastinal esquerda, pelas impressões das costelas no timo; à direita, a mesma imagem com a ondulação marcada.
Lactente saudável: ondulação da borda mediastinal esquerda, pelas impressões das costelas no timo; à direita, a mesma imagem com a ondulação marcada.
Fonte: Ufuk F et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240155, apresentação, slide 50. Ver artigo

Pontos de prova: alto rendimento

Sinal da silhuetaBorda cardíaca direita → lobo médio. Borda cardíaca esquerda → língula. Hemidiafragma → lobo inferior. Botão aórtico → segmento apicoposterior do LSE.
Sulco profundoPneumotórax no paciente em decúbito dorsal (UTI, trauma). Não espere a linha pleural apical.
S de GoldenColapso do LSD (lobo superior direito) com convexidade central = massa obstrutiva até prova em contrário.
LuftsichelColapso do lobo superior esquerdo. Crescente aéreo periaórtico.
Vela + cintura retificadaColapso do lobo inferior esquerdo.
Fissura abauladaConsolidação que expande o lobo: classicamente Klebsiella; considere adenocarcinoma mucinoso.
Tríade do TEPFleischner (artéria central alargada) · Westermark (oligoemia focal) · Hampton (opacidade triangular com ápice hilar). Específicos, pouco sensíveis.
V de NaclerioPneumomediastino por perfuração esofágica: pense Boerhaave.
Diafragma contínuoAr mediastinal, pericárdico ou peritoneal.
Anel ao redor da artériaPneumomediastino (separa de pneumopericárdio).
Dupla densidadeAumento do átrio esquerdo: estenose mitral.
Ovo no barbanteTransposição das grandes artérias.
Moringa + OreoDerrame pericárdico (frontal e perfil, respectivamente).
CimitarraSíndrome venolobar congênita: hipoplasia pulmonar direita + drenagem venosa anômala para a VCI (veia cava inferior).
Crescente aéreo × MonodCrescente = pulmão infartado retraído (aspergilose invasiva em recuperação). Monod = bola fúngica móvel em cavidade prévia.
Borda incompletaLesão extrapulmonar: examine a costela adjacente.
Três velasVela tímica (timo normal) · vela do LIE (atelectasia) · spinnaker (pneumomediastino neonatal).
Dedo de luvaImpactação mucoide: ABPA no asmático, atresia brônquica no jovem assintomático.
Folha de azevinhoPlacas pleurais calcificadas do asbesto: poupam ápices e seios costofrênicos.
Cauda de cometaAtelectasia redonda: não biopsiar se os quatro critérios de TC estiverem presentes.

Armadilhas e erros comuns

Técnicos

  • Exposição inadequada, posicionamento incorreto e artefatos de movimento encobrem detalhes.
  • AP portátil: magnificação cardíaca, menores volumes pulmonares, mais artefatos; não diagnostique cardiomegalia em AP.
  • Rotação altera a aparência dos hilos, do mediastino e da assimetria de transparência.
  • A radiografia é uma projeção bidimensional: a sobreposição de estruturas cria opacidades falsas e esconde lesões reais.

Áreas cegas (blind spots)

  • Ápices pulmonares e regiões supraclaviculares
  • Região retrocardíaca
  • Recessos costofrênicos posteriores e retrodiafragmáticos
  • Hilos
  • Partes moles, mamas, gradil costal e coluna

Confusões clássicas

  • Thymic sail (normal) × spinnaker sail (pneumomediastino) × sinal da vela do LIE (atelectasia)
  • Crescente aéreo × Monod
  • Deep sulcus × bolha subpulmonar ou hérnia diafragmática
  • Pneumomediastino × pneumopericárdio (mudança com decúbito, extensão cervical)
  • Placa pleural calcificada × calcificação parenquimatosa (mudança entre incidências)
  • Sombra mamilar × nódulo (marcador cutâneo resolve)

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Radiografia frontal de paciente com febre e tosse mostra consolidação que apaga a borda cardíaca esquerda, com o contorno do hemidiafragma esquerdo preservado. Qual é a localização da lesão?

O mapa de alto rendimento do sinal da silhueta é: borda cardíaca direita → lobo médio; borda cardíaca esquerda → língula; hemidiafragma → lobo inferior; botão aórtico → segmento apicoposterior do LSE. Hemidiafragma esquerdo preservado afasta lobo inferior. A alternativa do lobo médio é o erro clássico de quem decora 'borda cardíaca' sem lateralizar: a borda direita é que pertence ao lobo médio.
↑revisar esta parte do caderno · Localização da lesão: silhueta e derivados
Questão 2

Paciente de UTI, radiografia frontal em decúbito dorsal: seio costofrênico direito anormalmente aprofundado e nítido, sem linha pleural apical identificável. O achado indica:

É o sinal do sulco profundo: no supino, o ar pleural migra para a porção não dependente (anteromedial e basal) e, em vez da linha pleural apical, produz seio costofrênico aprofundado, hemitórax hiperlucente e borda cardíaca ou diafragmática excessivamente nítida. A armadilha central é esperar a linha pleural apical no paciente deitado: ela praticamente nunca aparece. Bolha subpulmonar e hérnia diafragmática são os diferenciais clássicos citados, mas não explicam o seio nítido aprofundado com ar livre.
↑revisar esta parte do caderno · Ar extra-alveolar: pneumotórax, pneumomediastino, pneumopericárdio
Questão 3

Radiografia frontal mostra opacidade triangular retrocardíaca esquerda de limites nítidos, com retificação dos contornos do arco aórtico e do tronco pulmonar. O conjunto corresponde a:

Vela + cintura retificada = colapso do LIE: o lobo colapsado se acomoda posteromedialmente atrás do coração (opacidade triangular de limites nítidos) e a perda volumétrica desloca e roda o coração para a esquerda, aplanando a cintura cardíaca. O luftsichel é do colapso do LSE (crescente aéreo periaórtico), e o S de Golden é do LSD: são as trocas laterais e lobares mais cobradas no tema. Cauda de cometa exige opacidade curvilínea em direção ao hilo, ausente aqui.
↑revisar esta parte do caderno · Atelectasia e perda volumétrica
Questão 4

Na suspeita clínica de TEP, a radiografia mostra artéria pulmonar central alargada com afilamento abrupto do vaso distalmente e área focal de oligoemia na mesma topografia. Quais sinais são esses, respectivamente?

O alargamento da artéria pulmonar central é o sinal de Fleischner (fase aguda pelo êmbolo volumoso; subaguda/crônica por hipertensão pulmonar), e o afilamento abrupto distal é o knuckle sign; a oligoemia focal ou o corte abrupto dos vasos é o sinal de Westermark. A corcova de Hampton é a opacidade triangular periférica com base pleural e ápice hilar (infarto). Pontos de prova: os três sinais são específicos e pouco sensíveis: radiografia normal não afasta TEP, e o exame de escolha é a angio-TC.
↑revisar esta parte do caderno · Tromboembolismo pulmonar
Questão 5

Paciente neutropênico em recuperação, com aspergilose pulmonar invasiva em tratamento antifúngico, desenvolve crescente de ar entre a parede da cavidade e o conteúdo sólido intracavitário. Sobre esse achado, o correto é:

Na aspergilose invasiva, o fungo invade a vasculatura → trombose arterial → infarto; a retração do tecido infartado cria o crescente aéreo, tipicamente na fase de recuperação da neutropenia: sinal de boa evolução, porém com risco de hemoptise maciça. O sinal de Monod é a bola fúngica móvel em cavidade prévia (sequela de TB, sarcoidose, bolha), separável pela manobra em decúbito/prono; o nenúfar exige cisto hidático roto, não cavidade necrótica.
↑revisar esta parte do caderno · Cavidades e conteúdo intracavitário
Questão 6

Paciente com sopro diastólico: radiografia frontal mostra densidade curvilínea retrocardíaca direita, paralela à borda cardíaca direita. No perfil, chama atenção faixa densa central entre duas linhas lucentes. As duas imagens correspondem, respectivamente, a:

A dupla densidade é o átrio esquerdo aumentado (estenose/insuficiência mitral) invadindo o espaço do átrio direito; a faixa densa entre as gorduras epicárdica e pericárdica no perfil é o biscoito Oreo, o achado mais específico de derrame pericárdico na radiografia simples. Cuidado com a sobreposição: moringa (cantil) e Oreo indicam ambos derrame pericárdico, mas a moringa é a silhueta globosa do frontal; não a dupla densidade do caso. Outros sinais de aumento atrial esquerdo: ângulo da carina superior a 90° e deslocamento posterior do esôfago.
↑revisar esta parte do caderno · Coração, pericárdio e vasculatura
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Fonte: Todo o conteúdo não marcado provém de Ufuk F et al. Classic Signs on Chest Radiographs: Primer for Residents. RadioGraphics 2025;45(2):e240155 Os blocos assinalados com + complemento não constam do artigo: são acréscimos voltados à prova de título do CBR e à prática de plantão. Glossário de referência citado pelos autores: Bankier AA et al. Fleischner Society: Glossary of Terms for Thoracic Imaging. Radiology 2024;310(2):e232558.