Cadernos QRad 47 · Próstata: PI-RADS v2.1
Abdome · sistema de laudo estruturado

Próstata: PI-RADS v2.1

Fonte: ACR · ESUR · AdMeTech, PI-RADS v2.1 (2019)

Cada zona tem um chefe

O PI-RADS (Prostate Imaging Reporting and Data System) pontua três sequências: T2, difusão e DCE (realce dinâmico pós-contraste), e combina os escores numa categoria de 1 a 5. O que torna o sistema legível é uma decisão de arquitetura: em cada zona, uma sequência é dominante e as outras só ajustam. Na periférica, manda a difusão. Na transição, manda o T2.

o que a categoria significa A escala de 5 pontos exprime a probabilidade de que os achados correspondam a um câncer clinicamente significativo, lesão a lesão:

1 (muito baixa): câncer significativo é muito improvável
2 (baixa): é improvável
3 (intermediária): a presença é equívoca
4 (alta): é provável
5 (muito alta): é muito provável
o que é “clinicamente significativo”, na definição do próprio PI-RADS Na patologia: escore de Gleason ≥ 7 (incluindo o 3+4 com componente 4 proeminente, mas não predominante) e/ou volume > 0,5 cm³ e/ou extensão extraprostática.

Basta um dos três.
a categoria sai só da RM A atribuição da categoria PI-RADS deve se basear exclusivamente nos achados da RM multiparamétrica. Não se incorporam PSA (antígeno prostático específico), toque retal, história clínica nem o tratamento planejado.

E o PI-RADS v2.1 não traz recomendações de manejo. O texto diz apenas que biópsia deve ser considerada em 4 e 5, e não em 1 e 2. Para o 3, biopsiar ou não depende de fatores fora da RM.

As quatro zonas

CORTE AXIAL ESQUEMÁTICO SEQUÊNCIA DOMINANTE TZ CZ PZ AFMS Zona periférica: PZ domina a difusão · o DCE só desempata o escore 3 Zona de transição: TZ domina o T2 · a difusão sobe o 2 e o 3, nunca o 1 Zona central: CZ assimetria e realce precoce levantam suspeita Estroma fibromuscular anterior: AFMS não origina câncer: use os critérios da zona de origem
As quatro zonas e a sequência que manda em cada uma. Errar a zona significa aplicar a tabela errada.
por que a zona é a primeira decisão Como as sequências dominantes são T2 na TZ (zona de transição) e difusão na PZ (zona periférica), identificar a localização zonal da lesão é vital. O texto aponta duas interfaces especialmente problemáticas: a da CZ (zona central) com a PZ na base da glândula, e a do corno anterior da PZ com a TZ e o estroma fibromuscular anterior.
ZonaO que é normalO que levanta suspeita
Zona central: CZTecido de baixo sinal bilateralmente simétrico em T2 e no ADC (coeficiente de difusão aparente), circundando os ductos ejaculatórios da base até o verumontanum · discretamente hiperintensa e simétrica na difusão de alto b · sem realce precoceRealce precoce focal e/ou assimetria entre direita e esquerda em T2, ADC ou alto b. Câncer originado na CZ é incomum: a maioria vem da PZ ou da TZ e se estende para ela
Estroma fibromuscular anterior: AFMSForma crescêntica e simétrica, sinal baixo (semelhante ao do obturador ou do assoalho pélvico) em T2, ADC e alto b, sem realce precoceSinal em T2 maior que o dos músculos pélvicos, alto sinal no alto b, ADC baixo, alargamento assimétrico ou massa focal, realce precoce. Como o câncer não se origina no AFMS, aplicam-se os critérios da zona de origem provável
Zona central normal
T2 axial: hipossinal simétrico e homogêneo (setas) em volta dos ductos ejaculatórios (pontas de seta), na base.
T2 axial: hipossinal simétrico e homogêneo (setas) em volta dos ductos ejaculatórios (pontas de seta), na base.
T2 coronal: o hipossinal simétrico em cone (setas), da base até o verumontano (ponta de seta), no terço médio.
T2 coronal: o hipossinal simétrico em cone (setas), da base até o verumontano (ponta de seta), no terço médio.
Mapa ADC: leve hipossinal simétrico no mesmo lugar (seta).
Mapa ADC: leve hipossinal simétrico no mesmo lugar (seta).
Difusão (b 1400): leve hipersinal simétrico (seta).
Difusão (b 1400): leve hipersinal simétrico (seta).
DCE precoce: sem realce na zona central (seta). T2 1, difusão 1, DCE negativo: PI-RADS 1.
DCE precoce: sem realce na zona central (seta). T2 1, difusão 1, DCE negativo: PI-RADS 1.
Fonte: ACR, ESUR e AdMeTech. PI-RADS v2.1, 2019, Fig. 7. Ver documento
Estroma fibromuscular anterior normal
T2 axial: hipossinal acentuado e simétrico na face anterior da próstata (setas). É uma camada não glandular de músculo liso, contínua com a bexiga.
T2 axial: hipossinal acentuado e simétrico na face anterior da próstata (setas). É uma camada não glandular de músculo liso, contínua com a bexiga.
Mapa ADC: sinal igual ao do fundo da glândula (setas).
Mapa ADC: sinal igual ao do fundo da glândula (setas).
Difusão (b 2000): hipossinal igual ao do fundo (setas).
Difusão (b 2000): hipossinal igual ao do fundo (setas).
DCE precoce: sem realce (setas). PI-RADS 1.
DCE precoce: sem realce (setas). PI-RADS 1.
Fonte: ACR, ESUR e AdMeTech. PI-RADS v2.1, 2019, Fig. 9. Ver documento
Câncer que parece invadir o estroma fibromuscular anterior, homem de 68 anos com PSA 4,1 e Gleason 3+4: pontuado pelos critérios da TZ
T2 axial: lesão lenticular homogênea com hipossinal moderado (setas) no estroma anterior, com extensão extraprostática.
T2 axial: lesão lenticular homogênea com hipossinal moderado (setas) no estroma anterior, com extensão extraprostática.
Mapa ADC: hipossinal focal correspondente (setas).
Mapa ADC: hipossinal focal correspondente (setas).
Difusão (b 2000): hipersinal acentuado (setas).
Difusão (b 2000): hipersinal acentuado (setas).
DCE precoce: realce intenso na lesão anterior (setas). T2 5, difusão 5, DCE positivo: PI-RADS 5.
DCE precoce: realce intenso na lesão anterior (setas). T2 5, difusão 5, DCE positivo: PI-RADS 5.
Fonte: ACR, ESUR e AdMeTech. PI-RADS v2.1, 2019, Fig. 10. Ver documento
+ complemento · o mapa setorial O PI-RADS v2.1 divide a próstata em 41 setores: 38 na glândula (19 de cada lado), 2 nas vesículas seminais e 1 no esfíncter uretral externo. A v2 tinha 39: os dois setores novos são a PZ posteromedial direita e esquerda na base.

Até quatro lesões de categoria 3, 4 ou 5 podem ser marcadas no mapa. Havendo mais de quatro, reportam-se as quatro de maior categoria.

Os escores por sequência

T2Zona periféricaZona de transição
1Sinal uniformemente hiperintenso (normal)TZ de aspecto normal (raro) ou nódulo redondo e completamente encapsulado: o “nódulo típico”
2Hipointensidade linear ou em cunha, ou hipointensidade discreta e difusa, em geral de margem indistintaNódulo quase todo encapsulado ou nódulo homogêneo e circunscrito sem encapsulamento: o “nódulo atípico” · ou área homogênea discretamente hipointensa entre nódulos
3Sinal heterogêneo, ou hipointensidade moderada, arredondada e não circunscrita. Inclui o que não se enquadra em 2, 4 ou 5Sinal heterogêneo com margens obscurecidas. Inclui o que não se enquadra em 2, 4 ou 5
4Foco ou massa circunscrita, homogênea, moderadamente hipointensa, confinada à próstata e < 1,5 cmLenticular ou não circunscrita, homogênea, moderadamente hipointensa, < 1,5 cm
5Igual ao 4, mas ≥ 1,5 cm ou com extensão extraprostática ou comportamento invasivo definidosIgual ao 4, mas ≥ 1,5 cm ou com extensão extraprostática ou comportamento invasivo definidos
Zona periférica em T2: escores 1 a 5
Escore 1: hipersinal uniforme (normal).
Escore 1: hipersinal uniforme (normal).
Escore 2: hipossinal leve linear (seta), em cunha ou difuso, em geral de margens indistintas.
Escore 2: hipossinal leve linear (seta), em cunha ou difuso, em geral de margens indistintas.
Escore 3: sinal heterogêneo, ou hipossinal moderado arredondado e não circunscrito (seta).
Escore 3: sinal heterogêneo, ou hipossinal moderado arredondado e não circunscrito (seta).
Escore 4: foco ou massa circunscrita, homogênea, com hipossinal moderado, restrita à próstata e menor que 1,5 cm (seta).
Escore 4: foco ou massa circunscrita, homogênea, com hipossinal moderado, restrita à próstata e menor que 1,5 cm (seta).
Escore 5: como o 4, mas com 1,5 cm ou mais (setas) ou com extensão extraprostática definida.
Escore 5: como o 4, mas com 1,5 cm ou mais (setas) ou com extensão extraprostática definida.
Fonte: ACR, ESUR e AdMeTech. PI-RADS v2.1, 2019, Fig. 2. Ver documento
Zona de transição em T2: escores 1 a 5
Escore 1: TZ normal (rara), com sinal intermediário homogêneo, ou nódulo redondo completamente encapsulado (seta), o nódulo típico.
Escore 1: TZ normal (rara), com sinal intermediário homogêneo, ou nódulo redondo completamente encapsulado (seta), o nódulo típico.
Escore 2: nódulo homogêneo circunscrito sem cápsula (ponta de seta), o nódulo atípico.
Escore 2: nódulo homogêneo circunscrito sem cápsula (ponta de seta), o nódulo atípico.
Escore 2: área de hipossinal leve homogêneo entre nódulos (seta).
Escore 2: área de hipossinal leve homogêneo entre nódulos (seta).
Escore 3: sinal heterogêneo de margens obscurecidas (seta); entra aqui o que não se encaixa em 2, 4 ou 5.
Escore 3: sinal heterogêneo de margens obscurecidas (seta); entra aqui o que não se encaixa em 2, 4 ou 5.
Escore 4: lesão lenticular (seta) ou não circunscrita, homogênea, com hipossinal moderado e menor que 1,5 cm.
Escore 4: lesão lenticular (seta) ou não circunscrita, homogênea, com hipossinal moderado e menor que 1,5 cm.
Escore 5: como o 4, mas com 1,5 cm ou mais (setas) ou com extensão extraprostática definida.
Escore 5: como o 4, mas com 1,5 cm ou mais (setas) ou com extensão extraprostática definida.
Fonte: ACR, ESUR e AdMeTech. PI-RADS v2.1, 2019, Fig. 3. Ver documento
DifusãoPZ e TZ: vale a mesma tabela
1Sem anormalidade no ADC nem na difusão de alto b
2Hipointensidade linear ou em cunha no ADC e/ou hiperintensidade linear ou em cunha no alto b
3Focal (discreta e diferente do fundo) hipointensa no ADC e/ou focal hiperintensa no alto b. Pode ser acentuadamente hipointensa no ADC ou acentuadamente hiperintensa no alto b, mas não nos dois
4Focal, acentuadamente hipointensa no ADC e acentuadamente hiperintensa no alto b · < 1,5 cm
5Igual ao 4, mas ≥ 1,5 cm ou com extensão extraprostática ou comportamento invasivo definidos
o “acentuadamente” tem definição No escore 4, “acentuadamente” significa alteração de sinal mais pronunciada que a de qualquer outro foco da mesma zona. É uma comparação interna ao exame, não um valor absoluto.

E a comparação de base é sempre com o tecido prostático normal da mesma zona histológica em que a lesão está.
DCEPZ e TZ
NegativoSem realce precoce nem contemporâneo · ou realce difuso e multifocal que não corresponde a achado focal em T2 e/ou difusão · ou realce focal correspondendo a lesão com características de hiperplasia em T2 (incluindo nódulo de hiperplasia extruso na PZ)
PositivoFocal, e mais precoce que (ou contemporâneo a) o realce do tecido prostático normal adjacente, e correspondendo a achado suspeito em T2 e/ou difusão
DCE negativo e positivo
Negativo, DCE: sem realce precoce focal.
Negativo, DCE: sem realce precoce focal.
Negativo, T2 correspondente.
Negativo, T2 correspondente.
Positivo na zona periférica: realce focal, precoce ou simultâneo ao tecido normal, correspondendo a achado suspeito em T2 ou difusão (seta), com o T2 ao lado.
Positivo na zona periférica: realce focal, precoce ou simultâneo ao tecido normal, correspondendo a achado suspeito em T2 ou difusão (seta), com o T2 ao lado.
Positivo na zona de transição: o mesmo critério (seta), com o T2 ao lado.
Positivo na zona de transição: o mesmo critério (seta), com o T2 ao lado.
Fonte: ACR, ESUR e AdMeTech. PI-RADS v2.1, 2019, Fig. 6. Ver documento
o DCE positivo exige as três condições ao mesmo tempo Focal e precoce ou contemporâneo e com correspondência em T2 ou difusão. Realce difuso, sozinho, é em geral prostatite.

O realce positivo costuma ocorrer em até 10 segundos após o aparecimento do gadolínio nas artérias femorais.

Zona periférica

DIFUSÃO DCE PI-RADS ZONA PERIFÉRICA: A DIFUSÃO MANDA 1 qualquer 1 2 qualquer 2 3 negativo 3 positivo 4 4 qualquer 4 5 qualquer 5 O T2 não entra na conta. Difusão 4 com T2 2 continua PI-RADS 4. O único papel do DCE É desempatar o escore 3 da difusão: positivo sobe para 4, negativo mantém 3. Em 1, 2, 4 e 5 o DCE é irrelevante. Sem contraste: RM biparamétrica O 3 não sobe. Mais PI-RADS 3, menos 4.
Na PZ, a categoria sai do escore de difusão. O DCE tem exatamente um papel: desempatar o escore 3.
a regra em três linhas Difusão 1, 2, 4 ou 5 → a categoria PI-RADS é o próprio escore de difusão, e nem T2 nem DCE mudam isso.
Difusão 3 com DCE negativo → PI-RADS 3.
Difusão 3 com DCE positivo → PI-RADS 4.
Zona periférica: categorias 1 a 5, com a difusão dominante (colunas: difusão de b alto, mapa ADC e T2)
Categoria 1: sem alteração em nenhuma sequência.
Categoria 1: sem alteração em nenhuma sequência.
Categoria 2: isossinal na difusão de b alto, hipossinal linear indistinto no ADC (setas) e hipossinal linear em T2.
Categoria 2: isossinal na difusão de b alto, hipossinal linear indistinto no ADC (setas) e hipossinal linear em T2.
Categoria 3: hipersinal leve na difusão de b alto, hipossinal leve focal no ADC (seta) e lesão não circunscrita em T2.
Categoria 3: hipersinal leve na difusão de b alto, hipossinal leve focal no ADC (seta) e lesão não circunscrita em T2.
Categoria 4: hipersinal acentuado focal na difusão (seta), hipossinal acentuado no ADC, menor que 1,5 cm; em T2, lesão circunscrita homogênea com hipossinal.
Categoria 4: hipersinal acentuado focal na difusão (seta), hipossinal acentuado no ADC, menor que 1,5 cm; em T2, lesão circunscrita homogênea com hipossinal.
Categoria 5: como a 4, mas com mais de 1,5 cm ou com extensão extraprostática (setas).
Categoria 5: como a 4, mas com mais de 1,5 cm ou com extensão extraprostática (setas).
Fonte: Scott R et al. S Afr J Radiol 2021;25(1):2062, Fig. 4. CC BY 4.0. Ver artigo
o T2 não entra na conta da PZ O texto dá o exemplo: difusão 4 com T2 2 é PI-RADS 4. A difusão é a técnica dominante e o T2 não rebaixa.

Isso não quer dizer que o T2 seja inútil na PZ: ele é o que permite reconhecer prostatite, hemorragia, atrofia e cicatriz de biópsia, e é o que mede a extensão extraprostática. Ele apenas não determina a categoria.
prostatite na PZ Alterações de prostatite (inclusive granulomatosa) dão sinal anormal na PZ em todas as sequências. O que ajuda a estratificar é a morfologia: na PZ, alterações discretas de sinal em T2 e/ou difusão que não são arredondadas, e sim indistintas, lineares, lobares ou difusas, são menos prováveis de serem malignas.
+ complemento · o nódulo de hiperplasia extruso Um nódulo redondo, circunscrito e encapsulado na PZ ou na CZ é provavelmente um nódulo de hiperplasia extruso, mesmo que seja hipointenso no ADC. A categoria PI-RADS para esse achado é 2.

Zona de transição

T2 DIFUSÃO PI-RADS ZONA DE TRANSIÇÃO: O T2 MANDA 1 qualquer 1 2 ≤ 3 2 ≥ 4 3 3 ≤ 4 3 5 4 4 qualquer 4 5 qualquer 5 O DCE não entra na conta da TZ. T2 4 com difusão 2 continua PI-RADS 4. As duas subidas pela difusão T2 2 (nódulo atípico) sobe a 3 se a difusão for ≥ 4. T2 3 sobe a 4 só se a difusão for 5. O que nunca sobe Difusão 3 não sobe nada: restrição leve a moderada é comum na hiperplasia.
Na TZ, a categoria sai do T2. A difusão só faz duas coisas: sobe o nódulo atípico e sobe o escore 3.
os dois (e só dois) upgrades pela difusão T2 2 (nódulo atípico) com difusão ≥ 4 → sobe para PI-RADS 3.
T2 3 com difusão 5 → sobe para PI-RADS 4.

Fora disso, a categoria é o próprio escore de T2. O texto dá o exemplo simétrico ao da PZ: T2 4 com difusão 2 é PI-RADS 4.
Zona de transição: categorias 1 a 5, com o T2 dominante (colunas: T2, difusão de b alto e mapa ADC)
Categoria 1: sinal intermediário homogêneo, ou nódulos redondos completamente encapsulados, os nódulos típicos (seta).
Categoria 1: sinal intermediário homogêneo, ou nódulos redondos completamente encapsulados, os nódulos típicos (seta).
Categoria 2: nódulo quase todo encapsulado (seta), nódulo homogêneo circunscrito sem cápsula ou área de hipossinal leve entre nódulos.
Categoria 2: nódulo quase todo encapsulado (seta), nódulo homogêneo circunscrito sem cápsula ou área de hipossinal leve entre nódulos.
Categoria 3: sinal heterogêneo com margens obscurecidas, com hipossinal focal no ADC e/ou hipersinal focal na difusão (setas).
Categoria 3: sinal heterogêneo com margens obscurecidas, com hipossinal focal no ADC e/ou hipersinal focal na difusão (setas).
Categoria 4: lesão não circunscrita (setas), homogênea, com hipossinal moderado em T2, menor que 1,5 cm, com hipossinal acentuado no ADC e hipersinal acentuado
Categoria 4: lesão não circunscrita (setas), homogênea, com hipossinal moderado em T2, menor que 1,5 cm, com hipossinal acentuado no ADC e hipersinal acentuado na difusão.
Categoria 5: como a 4, mas com mais de 1,5 cm ou com extensão extraprostática (setas).
Categoria 5: como a 4, mas com mais de 1,5 cm ou com extensão extraprostática (setas).
Fonte: Scott R et al. S Afr J Radiol 2021;25(1):2062, Fig. 5. CC BY 4.0. Ver artigo
Nódulo atípico que sobe para PI-RADS 3 pela difusão
T2 axial: nódulo homogêneo com hipossinal, quase todo encapsulado (seta).
T2 axial: nódulo homogêneo com hipossinal, quase todo encapsulado (seta).
Mapa ADC: hipossinal acentuado focal (seta).
Mapa ADC: hipossinal acentuado focal (seta).
Difusão (b 1500): hipersinal acentuado focal (seta).
Difusão (b 1500): hipersinal acentuado focal (seta).
DCE precoce: realce intenso no nódulo (seta). T2 2, difusão 4, DCE positivo: PI-RADS 3.
DCE precoce: realce intenso no nódulo (seta). T2 2, difusão 4, DCE positivo: PI-RADS 3.
Fonte: ACR, ESUR e AdMeTech. PI-RADS v2.1, 2019, Fig. 12. Ver documento
difusão 3 na TZ não sobe nada Restrição leve a moderada é comum em lesões quase encapsuladas e não encapsuladas da TZ, e costuma ser hiperplasia estromal. Por isso, achados com T2 1 ou 2 não devem ser promovidos a categoria 2 ou 3 com base num escore de difusão 3.
o que se pontua e o que não se pontua na TZ Pontua-se o que difere do fundo: lesão entre nódulos com restrição maior que a do fundo · nódulo com restrição claramente maior que a do fundo · lesão focal com margens obscurecidas, forma lenticular ou comportamento invasivo em T2, e essa última pontua mesmo sem restrição diferente do fundo.

Não se pontua o que é o fundo: se há restrição em vários nódulos semelhantes espalhados pela TZ, a restrição virou característica do fundo e esses nódulos não são pontuados.
hiperplasia típica é T2 escore 1 Achados de hiperplasia relacionada à idade estão presentes na TZ de quase todos os homens que fazem RM de próstata, e nódulos típicos de hiperplasia são muito improváveis de conter câncer significativo. Por isso, hiperplasia isolada é variante da normalidade e recebe T2 escore 1, e esses nódulos não precisam ser relatados separadamente.

Consequência: quando não há nenhum achado com categoria acima de 1, o exame inteiro é reportado como PI-RADS 1. Todo exame recebe uma categoria.
Hiperplasia típica na zona de transição: PI-RADS 1
T2 axial: nódulos completamente encapsulados, os nódulos típicos, no padrão de "caos organizado".
T2 axial: nódulos completamente encapsulados, os nódulos típicos, no padrão de "caos organizado".
Mapa ADC: sem lesão focal abaixo do fundo.
Mapa ADC: sem lesão focal abaixo do fundo.
Difusão (b 2000): sem lesão com hipersinal acentuado acima do fundo.
Difusão (b 2000): sem lesão com hipersinal acentuado acima do fundo.
DCE precoce: realce intenso nos nódulos de hiperplasia; não conta. T2 1, difusão 1, DCE negativo.
DCE precoce: realce intenso nos nódulos de hiperplasia; não conta. T2 1, difusão 1, DCE negativo.
Fonte: ACR, ESUR e AdMeTech. PI-RADS v2.1, 2019, Fig. 11. Ver documento
+ complemento · o aspecto do câncer da TZ em T2 As características descritas: lesão não circunscrita, homogênea, moderadamente hipointensa (o aspecto de “carvão apagado” ou de “impressão digital borrada”), margens espiculadas, forma lenticular, ausência de cápsula hipointensa completa e invasão do esfíncter uretral e do estroma fibromuscular anterior. Quanto mais características, maior a probabilidade.

E a v2.1 pede que forma e margem dos achados da TZ sejam avaliadas em pelo menos dois planos no T2.

Quando falta uma sequência

a regra do X Se um componente da RM multiparamétrica (T2, difusão ou DCE) for tecnicamente inadequado ou não realizado, ele recebe categoria “X” para aquele componente. Isso acontece mais comumente com a difusão.
SituaçãoComo classificar
Sem difusão adequada (PZ e TZ)Usa-se o T2: escore 1 → 1 · 2 → 2 · 3 com DCE negativo → 3, 3 com DCE positivo → 4 · 4 → 4 · 5 → 5. É uma limitação substancial e deve ser explicitada no laudo. Se a causa for remediável, repetir a sequência
Sem DCE adequado: PZA categoria é determinada pelo escore de difusão, direto
Sem DCE adequado: TZNada muda: a TZ nunca usou o DCE. Vale a mesma tabela de T2 e difusão
Sem difusão e sem DCEA avaliação fica limitada ao estadiamento, para determinação de extensão extraprostática
o efeito da RM biparamétrica na PZ Sem DCE, a lesão com difusão 3 na PZ não sobe para 4. A consequência prevista pelo documento: a proporção de PI-RADS 3 aumenta e a de PI-RADS 4 diminui, o que muda a probabilidade de câncer significativo dentro de cada categoria e exige adaptação das vias de biópsia.
+ complemento · quando o comitê prefere a multiparamétrica As situações citadas em que a mpMRI (multiparametric MRI: RM multiparamétrica) é preferível à biparamétrica: quando o equilíbrio entre subdiagnóstico e sobrediagnóstico é delicado · quando já houve uma biparamétrica negativa e a suspeita persiste · após intervenções prostáticas prévias (biópsia, RTU (ressecção transuretral), tratamento de hiperplasia, radioterapia, terapia focal) · em homens sem biópsia prévia com história familiar forte ou predisposição genética conhecida · e em portadores de prótese de quadril ou outra condição que degrade a difusão.

O DCE funciona, na prática, como rede de segurança quando a difusão está degradada por artefato ou baixa relação sinal-ruído.

Medidas, lesão índice e laudo

O quêComo
Volume prostáticoSempre reportar. Segmentação manual ou automática, ou fórmula do elipsoide: AP (anteroposterior) × longitudinal (ambos no T2 sagital mediano) × transverso (no T2 axial) × 0,52
Densidade de PSAPSA dividido pelo volume prostático
Medida da lesãoO mínimo é a maior dimensão no plano axial. Se a maior dimensão estiver no sagital ou coronal, reportar também essa medida e o plano
Em que sequência medirNa PZ, no ADC. Na TZ, no T2. Se a medida estiver comprometida nessas, medir na sequência que melhor mostra a lesão
Quantas lesõesAté quatro com categoria 3, 4 ou 5 no mapa setorial. Havendo mais, reportar as quatro de maior categoria
Lesão índiceA de maior categoria PI-RADS. Havendo empate, a que mostra extensão extraprostática: mesmo que seja a menor. Se nenhuma mostra, a maior entre as de maior categoria
a hierarquia da lesão índice, em ordem 1. Maior categoria PI-RADS.
2. Entre as empatadas, a que tem extensão extraprostática.
3. Só então, a maior.

Uma lesão menor com extensão extraprostática é a lesão índice, mesmo havendo um tumor maior de categoria idêntica.
achados de extensão extraprostática Assimetria ou invasão dos feixes neurovasculares · contorno prostático abaulado · margem irregular ou espiculada · obliteração do ângulo retroprostático · interface tumor-cápsula > 1,0 cm · ruptura da cápsula com extensão tumoral direta ou invasão da parede vesical.

Invasão de vesícula seminal: baixo sinal focal ou difuso em T2 e/ou realce anormal na vesícula, restrição à difusão, obliteração do ângulo entre a base da próstata e a vesícula, e extensão tumoral direta a partir da base.

Linfonodos: suspeitos em geral acima de 8 mm no menor eixo, mas metástases nem sempre aumentam o linfonodo.
o ápice e o esfíncter O ápice prostático deve ser cuidadosamente inspecionado. Quando o câncer envolve o esfíncter uretral externo, há risco cirúrgico de secção do esfíncter, com incontinência, e o achado também muda o planejamento da radioterapia.

Técnica e preparo

SequênciaParâmetros mínimos
T2Sempre no plano axial (reto ou oblíquo ao eixo longo) mais ao menos um plano ortogonal · espessura 3 mm, sem gap · FOV (field of view: campo de visão) 12 a 20 cm · dimensão no plano ≤ 0,7 mm (fase) × ≤ 0,4 mm (frequência)
DifusãoSpin-echo EPI (echo planar imaging: aquisição ecoplanar) em respiração livre com saturação espectral de gordura · TE (tempo de eco) ≤ 90 ms, TR (tempo de repetição) ≥ 3000 ms · espessura ≤ 4 mm, sem gap · FOV 16 a 22 cm · dimensão no plano ≤ 2,5 mm
b-valuesCom apenas dois: um baixo, 0 a 100 (preferindo 50 a 100) e um intermediário, 800 a 1000 s/mm². O b máximo para calcular o ADC deve ser ≤ 1000, para evitar efeito de curtose. E é obrigatório um conjunto de alto b ≥ 1400 s/mm², adquirido à parte ou sintetizado
DCEGradiente-eco T1 3D preferencialmente · resolução temporal ≤ 15 s · TR < 100 ms, TE < 5 ms · espessura 3 mm, sem gap · dimensão no plano ≤ 2 × 2 mm · observação total > 2 min · dose 0,1 mmol/kg · injeção a 2 a 3 mL/s
o valor de ADC como auxiliar A avaliação visual qualitativa é o método primário: valores de ADC variam com a escolha de b-values e entre fabricantes. Ainda assim, um limiar de 750 a 900 µm²/s pode ajudar a separar tecido benigno de maligno, com valores abaixo do limiar correlacionando com câncer significativo.

Recomenda-se fortemente que os mapas de ADC de um mesmo aparelho sejam ajustados para que o câncer significativo apareça acentuadamente hipointenso, e que sejam vistos sempre com a mesma janela.
quanto tempo esperar depois da biópsia Para detectar e caracterizar câncer significativo, pode não haver necessidade de adiar a RM: se a biópsia foi negativa, a chance de câncer significativo no sítio de hemorragia sem achado suspeito correspondente é baixa.

Mas para estadiar, hemorragia e inflamação atrapalham. Aí se deve considerar um intervalo de ao menos 6 semanas entre a biópsia e a RM.
+ complemento · preparo e informação clínica Não há consenso sobre preparo. Antiespasmódico pode ajudar contra peristalse; enema mínimo pode ajudar quando não se usa bobina endorretal, mas o enema também pode provocar peristalse. O paciente deve evacuar antes do exame. Abstinência ejaculatória de três dias é recomendada por alguns, sem benefício firmemente estabelecido.

O radiólogo deve dispor de: PSA recente e sua história; data e resultado da biópsia, com número de fragmentos, localizações e Gleason dos positivos; e demais dados clínicos (toque retal, medicações, sobretudo alfabloqueadores e hormônios, infecções prévias, cirurgia pélvica, radioterapia e história familiar).

Ao menos uma sequência deve ter FOV que permita avaliar linfonodos pélvicos até a bifurcação aórtica. As imagens também devem ser avaliadas quanto a metástases ósseas.

Pontos de prova: alto rendimento

Sequência dominante na PZDifusão
Sequência dominante na TZT2
Papel do DCESó desempata a difusão 3 na PZ: positivo sobe a 4
DCE na TZNenhum papel na categoria
PZ, difusão 4 e T2 2PI-RADS 4
TZ, T2 4 e difusão 2PI-RADS 4
TZ, T2 2 e difusão ≥ 4Sobe para PI-RADS 3
TZ, T2 3 e difusão 5Sobe para PI-RADS 4
TZ, difusão 3Não sobe nada
Corte de tamanho entre 4 e 51,5 cm, em T2 e na difusão
Alto b-value≥ 1400 s/mm², obrigatório
b para calcular ADC≤ 1000 s/mm²
Limiar de ADC auxiliar750 a 900 µm²/s
Resolução temporal do DCE≤ 15 s
Câncer clinicamente significativoGleason ≥ 7 e/ou volume > 0,5 cm³ e/ou extensão extraprostática
Nódulo típico de hiperplasiaT2 escore 1 na TZ: variante da normalidade
Nódulo atípicoT2 escore 2 na TZ
Nódulo de hiperplasia extruso na PZPI-RADS 2
Volume prostáticoAP × longitudinal × transverso × 0,52
Onde medir a lesãoPZ no ADC · TZ no T2
Quantas lesões no mapaAté quatro, de categoria 3, 4 ou 5
Lesão índiceMaior categoria · empate resolve por extensão extraprostática · depois por tamanho
Setores do mapa41: 38 na glândula, 2 nas vesículas, 1 no esfíncter
Linfonodo suspeito> 8 mm no menor eixo
Interface tumor-cápsula> 1,0 cm sugere extensão extraprostática
Intervalo pós-biópsia≥ 6 semanas: para estadiar
Categoria XComponente tecnicamente inadequado ou não realizado
BiópsiaConsiderar em 4 e 5, não em 1 e 2; no 3 depende de fatores fora da RM

Armadilhas e erros comuns

Erros de tabela

  • Usar o T2 para definir a categoria na PZ
  • Usar a difusão para definir a categoria na TZ
  • Subir uma lesão da TZ por DCE positivo: o DCE não entra na TZ
  • Subir T2 3 da TZ com difusão 4: só a difusão 5 sobe
  • Subir T2 1 ou 2 com base em difusão 3
  • Deixar de subir a difusão 3 da PZ quando o DCE é positivo

Erros de leitura

  • Pontuar nódulos típicos de hiperplasia: são T2 escore 1
  • Pontuar restrição que é característica do fundo da TZ
  • Chamar de suspeita a hipointensidade linear ou em cunha: é escore 2
  • Marcar escore 4 na difusão com restrição acentuada em só uma das duas (ADC ou alto b) quando o 4 exige as duas
  • Ler realce difuso como DCE positivo: em geral é prostatite
  • Classificar lesão do AFMS por critérios próprios: usam-se os da zona de origem

Erros de laudo

  • Incorporar PSA, toque retal ou história na categoria PI-RADS
  • Escolher como lesão índice a maior quando outra, menor, tem extensão extraprostática
  • Medir a lesão da PZ no T2 ou a da TZ no ADC
  • Não declarar a limitação quando a difusão é inadequada
  • Deixar o exame sem categoria quando não há achado: é PI-RADS 1
  • Sugerir conduta como se o PI-RADS fosse algoritmo de manejo

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Lesão na zona periférica. Escore de T2 = 4, escore de difusão = 3 e DCE positivo. Qual a categoria PI-RADS v2.1?

Na zona periférica, a difusão é a técnica dominante. A categoria sai dela, e o T2, por mais alto que esteja, não entra na conta. O documento dá o exemplo espelhado: difusão 4 com T2 2 é PI-RADS 4.

O DCE tem exatamente um papel em todo o sistema: desempatar o escore 3 da difusão na PZ. Positivo, sobe para 4; negativo, mantém 3. Em difusão 1, 2, 4 ou 5, o DCE é irrelevante: o próprio texto diz que o DCE não contribui quando a probabilidade já é baixa (1 ou 2) ou alta (4 ou 5).

Aqui a difusão é 3 e o DCE é positivo: PI-RADS 4.

Vale lembrar o que torna o DCE positivo, que são as três condições ao mesmo tempo: realce focal, e mais precoce que ou contemporâneo ao do tecido normal adjacente, e correspondendo a achado suspeito em T2 e/ou difusão. Realce difuso, sozinho, costuma ser prostatite.

Chegar a 5 exigiria escore 5 na difusão: lesão ≥ 1,5 cm ou com extensão extraprostática definida. Categorias não se somam.
↑revisar esta parte do caderno · Zona periférica
Questão 2

Lesão na zona de transição. Escore de T2 = 3 (sinal heterogêneo com margens obscurecidas) e escore de difusão = 4. O DCE é positivo. Qual a categoria?

Na zona de transição, quem manda é o T2. A difusão faz apenas dois upgrades, e é preciso saber os dois de cor:

T2 2 (o nódulo atípico) sobe a PI-RADS 3 se a difusão for ≥ 4.
T2 3 sobe a PI-RADS 4 só se a difusão for 5.

Aqui o T2 é 3 e a difusão é 4: não é 5. A categoria permanece PI-RADS 3.

E o DCE não participa da tabela da TZ. Ele nunca sobe nem desce categoria nessa zona; é por isso que, na RM biparamétrica, a avaliação da TZ não muda.

A lógica por trás disso é a hiperplasia: restrição à difusão é achado banal na TZ de quase todo homem adulto. Por isso o sistema exige restrição acentuada e inequívoca (escore 5) para promover um T2 3, e por isso um escore de difusão 3 não sobe nada na TZ.
↑revisar esta parte do caderno · Zona de transição
Questão 3

Lesão focal na zona periférica, acentuadamente hipointensa no mapa de ADC, mas apenas discretamente hiperintensa nas imagens de alto valor de b. Mede 1,1 cm. Qual o escore de difusão?

O escore 4 da difusão exige a conjunção: lesão focal acentuadamente hipointensa no ADC e acentuadamente hiperintensa no alto b, com < 1,5 cm.

O escore 3 é justamente o caso intermediário, e a v2.1 escreveu isso com todas as letras: achado focal hipointenso no ADC e/ou focal hiperintenso no alto b, que pode ser acentuadamente hipointenso no ADC ou acentuadamente hiperintenso no alto b, mas não nos dois.

É exatamente o nosso caso: escore 3. Na PZ, isso deixa a categoria final dependendo do DCE: negativo mantém PI-RADS 3, positivo sobe para 4.

Dois detalhes de vocabulário que a prova cobra. “Acentuadamente” tem definição: alteração de sinal mais pronunciada que a de qualquer outro foco da mesma zona, e é comparação interna ao exame. E o 1,5 cm é o corte entre escore 4 e 5, não entre 3 e 4: tamanho só entra depois que a lesão já cumpriu os critérios qualitativos do 4.

O escore 2 descreve alteração linear ou em cunha, não focal: outra morfologia.
↑revisar esta parte do caderno · Os escores por sequência
Questão 4

Duas lesões, ambas PI-RADS 4. A primeira mede 2,2 cm e está confinada à glândula. A segunda mede 1,0 cm e mostra extensão extraprostática. Qual é a lesão índice?

A hierarquia da lesão índice tem três degraus, nesta ordem:

1. A de maior categoria PI-RADS.
2. Havendo empate, a que mostra extensão extraprostática.
3. Não havendo extensão em nenhuma, a maior entre as de maior categoria.

O documento é explícito quanto ao ponto contraintuitivo: uma lesão menor com extensão extraprostática deve ser definida como a índice, apesar da presença de um tumor maior de categoria idêntica.

Sobre a última alternativa: extensão extraprostática definida de fato leva ao escore 5 de sequência. Mas o enunciado já entrega as duas como PI-RADS 4: a questão é de desempate, não de repontuação. Se a lesão de 1,0 cm fosse recategorizada como 5, ela seria a índice pelo primeiro degrau, e não pelo segundo.

Vale fixar o resto da mecânica do mapa: até quatro lesões de categoria 3, 4 ou 5 são marcadas; havendo mais, reportam-se as quatro de maior categoria. As lesões da PZ medem-se no ADC; as da TZ, no T2.
↑revisar esta parte do caderno · Medidas, lesão índice e laudo
Questão 5

Serviço adota RM biparamétrica (T2 e difusão, sem contraste) para rastreio de câncer de próstata. Qual o efeito previsto pelo PI-RADS v2.1 sobre as categorias?

Sem DCE, some o único mecanismo de upgrade que ele oferecia: a lesão com difusão 3 na PZ deixa de poder subir para 4. O documento prevê a consequência de forma literal: a proporção de PI-RADS 3 provavelmente aumenta e a de PI-RADS 4 diminui, o que muda a probabilidade de câncer significativo dentro de cada categoria e exige adaptação das vias de biópsia.

Na TZ, nada muda: o DCE nunca fez parte daquela tabela, e o T2 continua sendo a sequência dominante. Por isso a primeira alternativa está quase certa e ainda assim errada: o DCE participa, sim, mas só da PZ.

A categoria X é para o componente tecnicamente inadequado ou não realizado, o que mais comumente acontece com a difusão. Ela não invalida o exame: sem difusão adequada, classifica-se pelo T2 (com o DCE desempatando o T2 3). O que o documento exige é que a limitação seja claramente reconhecida no laudo. Faltando difusão e DCE, a avaliação fica limitada ao estadiamento.

O comitê apoia a pesquisa em biparamétrica, mas prefere a multiparamétrica em situações específicas: biparamétrica prévia negativa com suspeita persistente, intervenção prostática prévia, história familiar forte, prótese de quadril.
↑revisar esta parte do caderno · Quando falta uma sequência
Questão 6

Homem de 68 anos, RM de próstata. A TZ tem vários nódulos redondos, circunscritos e completamente encapsulados, alguns com restrição à difusão e realce focal. Não há nenhum outro achado na glândula. Como fica o laudo?

Achados de hiperplasia relacionada à idade estão presentes na TZ de quase todos os homens que fazem RM de próstata, e nódulos típicos de hiperplasia são muito improváveis de conter câncer significativo. A v2.1 resolve isso de forma direta: hiperplasia isolada é variante da normalidade e recebe T2 escore 1, e esses nódulos não precisam ser relatados separadamente.

A restrição à difusão e o realce focal não mudam nada aqui, por duas razões que se somam. Primeira: se a restrição aparece em vários nódulos semelhantes espalhados pela TZ, ela virou característica do fundo, e o que é fundo não se pontua. Segunda: achados com T2 1 ou 2 não são promovidos com base em difusão 3.

E a última frase é a que fecha a questão: todo exame recebe uma categoria de 1 a 5. Quando não há nenhum achado com categoria acima de 1, o exame inteiro é reportado como PI-RADS 1: câncer clinicamente significativo é muito improvável.

Cuidado com a fronteira: o nódulo completamente encapsulado é o típico, T2 escore 1. O quase todo encapsulado, ou o homogêneo e circunscrito sem encapsulamento, é o atípico, T2 escore 2, e esse, sim, sobe a PI-RADS 3 se a difusão for ≥ 4.
↑revisar esta parte do caderno · Zona de transição
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Fonte: American College of Radiology, ESUR, AdMeTech Foundation. PI-RADS®: Prostate Imaging Reporting and Data System, Version 2.1. 2019, 76 páginas.

Complementado por: Scott R, Misser SK, Cioni D, Neri E. PI-RADS v2.1: what has changed and how to report. S Afr J Radiol. 2021;25(1):a2062. doi:10.4102/sajr.v25i1.2062

Todos os escores, tabelas de combinação, definições e parâmetros técnicos foram transcritos do documento oficial. A v2.1 segue vigente: conferido em 24/08/2026.

Os diagramas são próprios. Blocos marcados com + complemento são acréscimos do autor, além do texto da fonte.