Cadernos QRad 79 · Linfonodos Regionais da Mama
Mama · axila

Linfonodos Regionais da Mama

Fontes: Retson et al: 2026 e Chung et al: 2021, RadioGraphics

A axila mudou de dono

Antes, quem dizia como estava a axila era o cirurgião, depois do esvaziamento. Hoje a quimioterapia vem cada vez mais antes da cirurgia, os ensaios clínicos tiraram o esvaziamento de muita gente, e quem precisa dizer quantos linfonodos estão doentes, onde, e se responderam ao tratamento, é o radiologista. O esvaziamento custa caro em linfedema.

A 6ª edição do BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System), ainda não publicada, deve trazer uma seção própria para os linfonodos em mamografia, US e RM, descritos por local e classificados como normais ou anormais, com menos peso no tamanho e mais na morfologia.

EstaçãoOnde
Nível I (axilar baixo)Lateral (e abaixo) do músculo peitoral menor
Nível II (axilar médio)Atrás do peitoral menor · inclui os linfonodos de Rotter, entre os peitorais
Nível III (infraclavicular)Medial ao peitoral menor, abaixo da clavícula
IntramamáriosMais no quadrante superior externo · contam como axilares (nível I) para o estadiamento · em geral menores que 1 cm
Mamária internaJunto dos vasos mamários internos, do 1º ao 5º espaço intercostal (conte a partir do ângulo esternal) · 2 a 9 mm · drenagem própria em 11 a 21% das linfocintilografias
SupraclavicularAcima da clavícula, lateral à jugular interna e ao esternocleidomastóideo · não aparece na mamografia e nem sempre na RM: US dirigido
Níveis axilares
RM axial, mulher de 53 anos com câncer triplo-negativo à direita: linfonodos do nível I (setas brancas) e do nível II (setas amarelas), redondos, de córtex gros
RM axial, mulher de 53 anos com câncer triplo-negativo à direita: linfonodos do nível I (setas brancas) e do nível II (setas amarelas), redondos, de córtex grosso e sem hilo; tumor (tracejado branco) e peitoral menor (tracejado amarelo).
RM coronal T2, mesma paciente: linfonodo do nível III, medial ao peitoral menor.
RM coronal T2, mesma paciente: linfonodo do nível III, medial ao peitoral menor.
RM axial, outra paciente: linfonodo de Rotter, entre os peitorais (parte do nível II).
RM axial, outra paciente: linfonodo de Rotter, entre os peitorais (parte do nível II).
RM coronal T2, mulher de 69 anos: linfonodos conglomerados dos níveis I (amarelo) e III (branco), com edema da parede lateral e da axila.
RM coronal T2, mulher de 69 anos: linfonodos conglomerados dos níveis I (amarelo) e III (branco), com edema da parede lateral e da axila.
Fonte: Retson TA, Phillips BC et al. RadioGraphics 2026;46(5):e250188, Fig. 3. Ver artigo
Linfonodos da mamária interna
US do 2º espaço intercostal, mulher de 69 anos: massa redonda hipoecogênica junto dos vasos mamários internos, empurrando a pleura.
US do 2º espaço intercostal, mulher de 69 anos: massa redonda hipoecogênica junto dos vasos mamários internos, empurrando a pleura.
RM axial T2 do mesmo caso.
RM axial T2 do mesmo caso.
RM com contraste, mulher de 34 anos: linfonodo que realça e infiltra o 2º espaço intercostal.
RM com contraste, mulher de 34 anos: linfonodo que realça e infiltra o 2º espaço intercostal.
Reformatação coronal.
Reformatação coronal.
Reformatação sagital: linfonodos em vários níveis da cadeia mamária interna.
Reformatação sagital: linfonodos em vários níveis da cadeia mamária interna.
Fonte: Retson TA, Phillips BC et al. RadioGraphics 2026;46(5):e250188, Fig. 4. Ver artigo
Metástases supraclaviculares
RM coronal T2, mulher de 40 anos com carcinoma mucinoso: linfonodo supraclavicular direito, metastático na biópsia guiada por US.
RM coronal T2, mulher de 40 anos com carcinoma mucinoso: linfonodo supraclavicular direito, metastático na biópsia guiada por US.
US, mulher de 35 anos: linfonodo aumentado, hipoecogênico, sem hilo, metastático na punção.
US, mulher de 35 anos: linfonodo aumentado, hipoecogênico, sem hilo, metastático na punção.
Fonte: Retson TA, Phillips BC et al. RadioGraphics 2026;46(5):e250188, Fig. 5. Ver artigo

Normal e anormal

NormalAnormal
FormaOval ou reniforme, relação eixo longo/curto acima de 2Redondo ou irregular
CórtexFino e uniformeEspessado, sobretudo focal ou excêntrico · no US, acima de 3 mm
HiloGorduroso, centralApagado ou substituído (o sinal mais específico)
MargemCircunscritaIndistinta ou espiculada
Fluxo (Doppler)HilarCortical, fora do hilo (alto valor preditivo) · hilo hiperêmico é menos específico
ComparaçãoEstável, simétrico com o outro ladoMudou ou assimétrico
Linfonodo intramamário normal
Mamografia oblíqua de paciente com implantes: linfonodo intramamário direito, menor que 1 cm.
Mamografia oblíqua de paciente com implantes: linfonodo intramamário direito, menor que 1 cm.
US com Doppler: córtex fino hipoecogênico, hilo gorduroso e fluxo hilar.
US com Doppler: córtex fino hipoecogênico, hilo gorduroso e fluxo hilar.
RM axial T2 com supressão de gordura: linfonodo hiperintenso, hilo visível.
RM axial T2 com supressão de gordura: linfonodo hiperintenso, hilo visível.
RM axial T1 sem supressão: hilo gorduroso brilhante.
RM axial T1 sem supressão: hilo gorduroso brilhante.
RM com contraste: realce intenso, comum também no linfonodo benigno.
RM com contraste: realce intenso, comum também no linfonodo benigno.
Fonte: Retson TA, Phillips BC et al. RadioGraphics 2026;46(5):e250188, Fig. 2. Ver artigo
Linfonodo axilar normal
Mamografia: linfonodo oval circunscrito, córtex fino e hilo gorduroso.
Mamografia: linfonodo oval circunscrito, córtex fino e hilo gorduroso.
US com Doppler: reniforme, córtex fino, fluxo hilar.
US com Doppler: reniforme, córtex fino, fluxo hilar.
RM coronal T2, mulher de 49 anos: linfonodo normal à direita (branco) e, à esquerda, linfonodo maior, de córtex grosso, metastático na biópsia (amarelo). A sime
RM coronal T2, mulher de 49 anos: linfonodo normal à direita (branco) e, à esquerda, linfonodo maior, de córtex grosso, metastático na biópsia (amarelo). A simetria ajuda.
Fonte: Retson TA, Phillips BC et al. RadioGraphics 2026;46(5):e250188, Fig. 6. Ver artigo
Tipo (US)AspectoChance
I e IICórtex imperceptível ou fino, hilo preservadoBenigno (valor preditivo negativo de 100%)
IIICórtex difuso e simétrico de 3 mm ou mais, hilo preservadoMais vezes benigno (reativo, como depois de vacina)
IVCórtex lobulado e espessado, hilo presenteBenigno ou maligno · punção no córtex mais grosso
VLobulação cortical focal ou excêntrica, apagando ou deslocando o hiloValor preditivo positivo de 29%
VIHilo ausente, linfonodo como massa hipoecogênicaValor preditivo positivo de 58 a 97%
Os tipos de linfonodo no US
Tipo I: córtex imperceptível, hilo preservado.
Tipo I: córtex imperceptível, hilo preservado.
Tipo II: córtex fino, hilo preservado.
Tipo II: córtex fino, hilo preservado.
Tipo III: córtex difuso e simétrico de 3 mm ou mais; neste caso, reativo depois de vacina contra covid-19 no mesmo braço.
Tipo III: córtex difuso e simétrico de 3 mm ou mais; neste caso, reativo depois de vacina contra covid-19 no mesmo braço.
Tipo IV: córtex lobulado e espessado, hilo presente; metástase na punção.
Tipo IV: córtex lobulado e espessado, hilo presente; metástase na punção.
Tipo V: lobulação focal que desloca o hilo; metastático.
Tipo V: lobulação focal que desloca o hilo; metastático.
Tipo VI: hilo ausente, linfonodo como massa hipoecogênica; metastático.
Tipo VI: hilo ausente, linfonodo como massa hipoecogênica; metastático.
Fonte: Chung HL, Le-Petross HT, Leung JWT. RadioGraphics 2021;41(5):1283–1299, Fig. 2. Ver artigo
Fluxo fora do hilo
Doppler de amplitude: fluxo periférico, cortical, num linfonodo metastático.
Doppler de amplitude: fluxo periférico, cortical, num linfonodo metastático.
Fonte: Chung HL, Le-Petross HT, Leung JWT. RadioGraphics 2021;41(5):1283–1299, Fig. 3. Ver artigo
Sinais no US
Mulher de 50 anos: abaulamento focal do córtex.
Mulher de 50 anos: abaulamento focal do córtex.
Vascularização fora do hilo (alto valor preditivo).
Vascularização fora do hilo (alto valor preditivo).
Hilo hiperêmico ao Doppler colorido (menos específico).
Hilo hiperêmico ao Doppler colorido (menos específico).
Mulher de 60 anos: linfonodo de 3 mm no nível I, redondo e sem hilo, que era metastático.
Mulher de 60 anos: linfonodo de 3 mm no nível I, redondo e sem hilo, que era metastático.
Fonte: Retson TA, Phillips BC et al. RadioGraphics 2026;46(5):e250188, Fig. 9. Ver artigo
o tamanho não tranquiliza Um linfonodo de 3 mm, redondo e sem hilo, pode ser metastático, e um grande e reniforme pode ser normal. O corte de 3 mm de córtex vale só para o US. Mesmo com vários sinais suspeitos, faça biópsia: linfadenite necrosante e tecido linfoide reativo também espessam o córtex e apagam o hilo.
Aspecto suspeito, biópsia benigna, três pacientes
Mulher de 54 anos depois de trauma: linfonodo tipo IV de 2,8 cm; linfadenite necrosante na biópsia.
Mulher de 54 anos depois de trauma: linfonodo tipo IV de 2,8 cm; linfadenite necrosante na biópsia.
Mulher de 56 anos, axila do outro lado: tipo V de 2,4 cm; tecido linfoide na biópsia.
Mulher de 56 anos, axila do outro lado: tipo V de 2,4 cm; tecido linfoide na biópsia.
Mulher de 57 anos: tipo VI redondo; punção benigna.
Mulher de 57 anos: tipo VI redondo; punção benigna.
Fonte: Chung HL, Le-Petross HT, Leung JWT. RadioGraphics 2021;41(5):1283–1299, Fig. 5. Ver artigo
Carcinoma in situ antigo e linfonodo palpável, mulher de 49 anos
Linfonodo de 0,9 cm com espessamento cortical assimétrico e fluxo fora do hilo: metastático.
Linfonodo de 0,9 cm com espessamento cortical assimétrico e fluxo fora do hilo: metastático.
Linfonodo normal ao lado (marcado "2").
Linfonodo normal ao lado (marcado "2").
Fonte: Retson TA, Phillips BC et al. RadioGraphics 2026;46(5):e250188, Fig. 13. Ver artigo
extensão extranodal Margens espiculadas, linfonodos conglomerados e edema em volta (melhor visto na RM, em T2) indicam extensão para fora da cápsula: pior prognóstico, mais recidiva e tratamento sistêmico e radioterapia mais agressivos. Diga no laudo.
Extensão extranodal, mulher de 36 anos com BRCA1 (mutação no gene de suscetibilidade hereditária ao câncer de mama e de ovário)
Esquema e US: linfonodo de Rotter tipo VI, de margens espiculadas e halo ecogênico, sinal de extensão para fora da cápsula.
Esquema e US: linfonodo de Rotter tipo VI, de margens espiculadas e halo ecogênico, sinal de extensão para fora da cápsula.
Fonte: Chung HL, Le-Petross HT, Leung JWT. RadioGraphics 2021;41(5):1283–1299, Fig. 4. Ver artigo
Sinais na RM
T1: margens espiculadas.
T1: margens espiculadas.
Linfonodos conglomerados com edema perinodal.
Linfonodos conglomerados com edema perinodal.
T2: linfonodo espiculado com edema.
T2: linfonodo espiculado com edema.
Lesão na mamária interna esquerda: linfonodo ou vaso?
Lesão na mamária interna esquerda: linfonodo ou vaso?
Difusão: restrição, a favor de linfonodo.
Difusão: restrição, a favor de linfonodo.
Fonte: Retson TA, Phillips BC et al. RadioGraphics 2026;46(5):e250188, Fig. 10. Ver artigo

Cada método

MétodoVêLimites e armadilhas
USTodas as estações com o transdutor linear · mostra a morfologia, detecta depósitos de mais de 5 mm, guia a biópsia (punção possível em mais de 90%)Depende do operador · fluxo baixo pode não aparecer
MamografiaSó parte do nível I na oblíqua (linfonodos visíveis em cerca de 50%), intramamários · a melhor para comparar com exames antigosPistas: redondo, denso, córtex grosso, microcalcificações (sobretudo parecidas com as do tumor) · imitam: ouro (tratamento de artrite reumatoide), tinta de tatuagem, granulomas
RMAxilar, intramamário, mamária interna, interpeitoral, às vezes supraclavicular · edema perinodalLinfonodo benigno também realça muito; a curva de realce não ajuda · sensibilidade de 88% e especificidade de 73%
PET-TC (tomografia por emissão de pósitrons acoplada à TC) e TCEstadiamento sistêmico do câncer avançado · níveis anatômicos fáceis de definirSensibilidade de 57%, especificidade de 96% · sem biópsia direta · reclassifica 37% dos estádios IIA a IIIC
Metástases necróticas, mulher de 39 anos
Mamografia: tumor (seta branca) e linfonodo palpável marcado na pele (amarelo), sem hilo, e um segundo linfonodo anormal.
Mamografia: tumor (seta branca) e linfonodo palpável marcado na pele (amarelo), sem hilo, e um segundo linfonodo anormal.
US: córtex muito espessado, necrose central e fluxo periférico fora do hilo.
US: córtex muito espessado, necrose central e fluxo periférico fora do hilo.
RM com contraste: linfonodo redondo, centro hipointenso, realce heterogêneo, sem hilo.
RM com contraste: linfonodo redondo, centro hipointenso, realce heterogêneo, sem hilo.
Fonte: Retson TA, Phillips BC et al. RadioGraphics 2026;46(5):e250188, Fig. 7. Ver artigo
Microcalcificações no linfonodo
Mamografia oblíqua: linfonodos volumosos; o mais baixo tem calcificações finas pleomórficas, metastático na biópsia. Imitam: ouro, tatuagem, granulomas.
Mamografia oblíqua: linfonodos volumosos; o mais baixo tem calcificações finas pleomórficas, metastático na biópsia. Imitam: ouro, tatuagem, granulomas.
Fonte: Retson TA, Phillips BC et al. RadioGraphics 2026;46(5):e250188, Fig. 8. Ver artigo
As estações na TC e no US, mulher de 62 anos
TC: linfonodos do nível I laterais e do nível II (círculo) atrás do peitoral menor (linhas marcam suas bordas).
TC: linfonodos do nível I laterais e do nível II (círculo) atrás do peitoral menor (linhas marcam suas bordas).
US: linfonodo do nível I redondo, tipo VI.
US: linfonodo do nível I redondo, tipo VI.
TC: linfonodo do nível III, medial ao peitoral menor.
TC: linfonodo do nível III, medial ao peitoral menor.
US do mesmo linfonodo.
US do mesmo linfonodo.
TC: linfonodo da mamária interna no 1º espaço intercostal.
TC: linfonodo da mamária interna no 1º espaço intercostal.
US do mesmo linfonodo.
US do mesmo linfonodo.
TC: massa supraclavicular lateral ao esternocleidomastóideo e à jugular interna.
TC: massa supraclavicular lateral ao esternocleidomastóideo e à jugular interna.
Doppler de amplitude: fluxo fora do hilo.
Doppler de amplitude: fluxo fora do hilo.
Fonte: Chung HL, Le-Petross HT, Leung JWT. RadioGraphics 2021;41(5):1283–1299, Fig. 11. Ver artigo
Recidiva no nível III, mulher de 28 anos
US: linfonodo de 2,3 cm com córtex espessado; recidiva na punção.
US: linfonodo de 2,3 cm com córtex espessado; recidiva na punção.
PET-TC: linfonodo do nível III, medial ao peitoral menor, e no mediastino anterior.
PET-TC: linfonodo do nível III, medial ao peitoral menor, e no mediastino anterior.
PET-TC: captação supraclavicular (retângulo).
PET-TC: captação supraclavicular (retângulo).
PET-TC: captação na mamária interna (círculo).
PET-TC: captação na mamária interna (círculo).
Fonte: Chung HL, Le-Petross HT, Leung JWT. RadioGraphics 2021;41(5):1283–1299, Fig. 13. Ver artigo
+ complemento · axila sistêmica ou local Linfonodos aumentados nos dois lados e em outras regiões sugerem doença sistêmica (linfoma, leucemia linfocítica crônica, HIV, doenças inflamatórias); de um lado só, câncer de mama ou infecção local. Suspeitando de linfoma, mande material para citometria de fluxo. Linfonodo anormal na axila contralateral é raro (até 6%), mas não deve ser descartado: conta como metástase à distância.

Estadiamento

N patológicoDefiniçãoEstádio mínimo
pN0Nenhum, ou só células tumorais isoladas
pN1miMicrometástase de 0,2 a 2 mm
pN11 a 3 linfonodos nos níveis I e IIII
pN2a4 a 9 linfonodos nos níveis I e IIIIIA
pN2bMamária interna sem axilaIIIA
pN3a10 ou mais, ou nível IIIIIIC
pN3bMamária interna e axilaIIIC
pN3cSupraclavicularIIIC
M1Linfonodos contralateraisIV

No estadiamento clínico, N1 são linfonodos móveis dos níveis I e II; N2a, fixos ou conglomerados. Qualquer metástase linfonodal macroscópica coloca a paciente no estádio II, e N3 no IIIC. Um tumor pequeno pode vir com axila muito comprometida.

o que o laudo precisa dizer Para cada estação: há linfonodo, é normal ou anormal. Quantos anormais (decide entre biópsia do linfonodo sentinela, dissecção dirigida e esvaziamento), em que nível (o radioterapeuta precisa para o campo), sinais de extensão extranodal, mudança no tempo e simetria. Na mamária interna, o espaço intercostal, o lado e o tamanho.
O que entra no laudo
US anotado, mulher de 69 anos: linfonodos numerados (7 anormais no total).
US anotado, mulher de 69 anos: linfonodos numerados (7 anormais no total).
RM T2, mulher de 50 anos: extensão perinodal com edema, vasos axilares envolvidos e linfonodos conglomerados (branco); linfonodo normal do outro lado (amarelo).
RM T2, mulher de 50 anos: extensão perinodal com edema, vasos axilares envolvidos e linfonodos conglomerados (branco); linfonodo normal do outro lado (amarelo).
Mamografia bilateral, mulher de 53 anos com câncer à esquerda: mama encolhida, pele espessa, papila retraída; linfonodos anormais na axila direita, metastáticos
Mamografia bilateral, mulher de 53 anos com câncer à esquerda: mama encolhida, pele espessa, papila retraída; linfonodos anormais na axila direita, metastáticos, mudando o estádio para doença à distância.
US, mulher de 46 anos: linfonodo intramamário anormal, metástase de câncer da outra mama.
US, mulher de 46 anos: linfonodo intramamário anormal, metástase de câncer da outra mama.
Fonte: Retson TA, Phillips BC et al. RadioGraphics 2026;46(5):e250188, Fig. 11. Ver artigo
Tumor pequeno, axila extensa, mulher de 55 anos
Foto clínica de pacienteFica fora da página pública por respeito ao paciente.Entre no QRad para ver
Foto clínica: linfonodo axilar grande invadindo a pele.
Incidência da cauda axilar: linfonodo redondo aumentado (branco) com clipe (amarelo); tumor pequeno no clipe da mama (tracejado).
Incidência da cauda axilar: linfonodo redondo aumentado (branco) com clipe (amarelo); tumor pequeno no clipe da mama (tracejado).
US: linfonodo necrótico.
US: linfonodo necrótico.
PET: captação intensa no linfonodo; o tumor não aparece. Estádio T1 N2.
PET: captação intensa no linfonodo; o tumor não aparece. Estádio T1 N2.
Fonte: Retson TA, Phillips BC et al. RadioGraphics 2026;46(5):e250188, Fig. 12. Ver artigo

A cirurgia da axila hoje

EnsaioO que mostrou
NSABP (National Surgical Adjuvant Breast and Bowel Project) B-32Sentinela negativo: só a biópsia do sentinela basta · falso negativo de 9,8% (daí o limite aceito de menos de 10%)
ACOSOG (American College of Surgeons Oncology Group) Z0011T1 e T2, 1 ou 2 sentinelas positivos, cirurgia conservadora e radioterapia: esvaziamento não melhora sobrevida nem recidiva em 10 anos
IBCSG (International Breast Cancer Study Group) 23-01Micrometástase no sentinela: sem esvaziamento
AMAROS1 ou 2 sentinelas positivos: radioterapia da axila substitui o esvaziamento
SOUND, NAUTILUSTumor pequeno com US da axila negativo: dá para omitir a biópsia do sentinela
INSEMA, BOOG (Borstkanker Onderzoek Groep: grupo holandês de pesquisa em câncer de mama) 2013-07Omitir esvaziamento (e às vezes o sentinela), inclusive depois de mastectomia
ACOSOG Z1071, SENTINA, SN-FNACSentinela depois da neoadjuvância: falso negativo de 12,6 a 14,2% · cai com dois marcadores, três ou mais linfonodos retirados e retirada do linfonodo marcado (6,8%)
dissecção axilar dirigida Depois da quimioterapia neoadjuvante, retira-se o sentinela mais o linfonodo metastático que foi biopsiado e marcado com clipe antes do tratamento: em 23% ele não é um dos sentinelas. Falso negativo de 1,4 a 4%, e 85% das pacientes escapam do esvaziamento. Por isso: biópsia do linfonodo suspeito e clipe visível ao US antes da neoadjuvância, porque ele pode normalizar. Boa resposta (até 2 linfonodos suspeitos residuais): dissecção dirigida · resposta ruim (mais de 3): esvaziamento.
Linfonodo da mamária interna antes e depois da neoadjuvância
RM antes: linfonodo oval de 11 mm que realça, lateral aos vasos mamários internos (não visto ao US, não biopsiado).
RM antes: linfonodo oval de 11 mm que realça, lateral aos vasos mamários internos (não visto ao US, não biopsiado).
RM depois: sumiu, prova indireta de que estava comprometido.
RM depois: sumiu, prova indireta de que estava comprometido.
Fonte: Chung HL, Le-Petross HT, Leung JWT. RadioGraphics 2021;41(5):1283–1299, Fig. 9. Ver artigo
Massa axilar com calcificações, mulher de 67 anos com câncer prévio na outra mama
Oblíqua: massa oval de 3,2 cm com calcificações pleomórficas.
Oblíqua: massa oval de 3,2 cm com calcificações pleomórficas.
US: massa lobulada heterogênea, hilo substituído, focos ecogênicos. Carcinoma ductal invasivo.
US: massa lobulada heterogênea, hilo substituído, focos ecogênicos. Carcinoma ductal invasivo.
Fonte: Chung HL, Le-Petross HT, Leung JWT. RadioGraphics 2021;41(5):1283–1299, Fig. 12. Ver artigo
BiópsiaPunção aspirativaBiópsia por agulha grossa
Agulha20 a 25 G, vaivém14 a 18 G, sem passar do linfonodo
DesempenhoSensibilidade de 50 a 89% (varia entre as fontes), especificidade de 85 a 100%Sensibilidade de 80 a 94%, especificidade perto de 100%
QuandoLinfonodo junto de vaso grande ou pleura: nível II, mamária interna, supraclavicularNível I, a maioria
Biópsia por agulha grossa no linfonodo
Antes do disparo: entalhe aberto (degrau na linha da agulha).
Antes do disparo: entalhe aberto (degrau na linha da agulha).
Depois: linha contínua; a ponta não passa do linfonodo.
Depois: linha contínua; a ponta não passa do linfonodo.
Fonte: Chung HL, Le-Petross HT, Leung JWT. RadioGraphics 2021;41(5):1283–1299, Fig. 10. Ver artigo
Biópsia e clipe
Agulha de 18 G com o entalhe fechado dentro do córtex espessado.
Agulha de 18 G com o entalhe fechado dentro do córtex espessado.
Clipe visível ao US depois da biópsia; carcinoma ductal invasivo.
Clipe visível ao US depois da biópsia; carcinoma ductal invasivo.
Fonte: Retson TA, Phillips BC et al. RadioGraphics 2026;46(5):e250188, Fig. 15. Ver artigo
Complicação da biópsia, mulher de 67 anos
TC: extravasamento ativo de contraste num hematoma axilar crescente, com hipotensão, depois de biópsia com agulha de 14 G.
TC: extravasamento ativo de contraste num hematoma axilar crescente, com hipotensão, depois de biópsia com agulha de 14 G.
Angiografia: embolização de urgência.
Angiografia: embolização de urgência.
Fonte: Retson TA, Phillips BC et al. RadioGraphics 2026;46(5):e250188, Fig. 16. Ver artigo
+ complemento · como localizar o linfonodo marcado Fio, semente de iodo-125, tatuagem com carvão ou dispositivos sem fio nem radiação: refletor de radar, semente magnética e etiqueta de radiofrequência. A semente magnética causa artefato que atrapalha a RM de resposta: evite se a RM for necessária. A radiografia da peça precisa mostrar o linfonodo, o dispositivo e o clipe.
O linfonodo marcado na peça
Radiografia da peça: linfonodo (círculo), semente (seta tracejada) e clipe em U (seta).
Radiografia da peça: linfonodo (círculo), semente (seta tracejada) e clipe em U (seta).
Mamografia da axila depois da localização: os mesmos três itens.
Mamografia da axila depois da localização: os mesmos três itens.
Fonte: Chung HL, Le-Petross HT, Leung JWT. RadioGraphics 2021;41(5):1283–1299, Fig. 15. Ver artigo

Pontos de prova: alto rendimento

Nível ILateral ao peitoral menor
Nível IIAtrás do peitoral menor · Rotter
Nível IIIMedial ao peitoral menor · N3a
IntramamárioConta como axilar
SupraclavicularN3c · US dirigido
Mamária interna + axilaN3b
ContralateralM1
Córtex no US> 3 mm, sobretudo focal
Hilo substituídoO sinal mais específico
Fluxo corticalAlto valor preditivo
Tipo VLobulação focal · VPP (valor preditivo positivo) 29%
Tipo VISem hilo · VPP 58–97%
TamanhoNão tranquiliza
Extensão extranodalEspiculado, conglomerado, edema
Microcalcificação no linfonodoSuspeita · imitam ouro e tatuagem
RMRealce não diferencia
PET-TCEstadiamento sistêmico do avançado
pN11–3 linfonodos
pN2a4–9
pN3a≥ 10 ou nível III
Z00111–2 sentinelas: sem esvaziamento
SOUNDUS negativo: sem sentinela
Dissecção dirigidaSentinela + linfonodo com clipe
ClipeAntes da neoadjuvância
Falso negativo aceito< 10%

Armadilhas e erros comuns

Erros

  • Tranquilizar porque o linfonodo é pequeno
  • Aplicar o corte de 3 mm na RM ou na mamografia
  • Esquecer o nível III, a mamária interna e a supraclavicular
  • Não contar os linfonodos anormais
  • Não marcar com clipe o linfonodo biopsiado antes da neoadjuvância
  • Chamar de calcificação suspeita a tinta de tatuagem ou o ouro
  • Descartar linfonodo anormal na axila do outro lado
  • Usar semente magnética quando a resposta será vista na RM

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

No US da axila de uma paciente com câncer de mama, qual achado é o mais específico de metástase no linfonodo?

O hilo substituído (tipo VI, linfonodo inteiro hipoecogênico) é o sinal mais específico, com valor preditivo positivo de 58 a 97%. Córtex difuso e simétrico (tipo III) é mais vezes reativo; forma reniforme, hilo gorduroso, fluxo hilar e relação acima de 2 são aspectos normais. O tamanho, sozinho, não tranquiliza nem preocupa.
↑revisar esta parte do caderno · Normal e anormal
Questão 2

Câncer de mama com metástase em linfonodo supraclavicular homolateral. A categoria N é:

Linfonodo supraclavicular homolateral é N3c (estádio IIIC no mínimo); já foi M1 e passou a N3c porque o tratamento dirigido melhora a sobrevida. Nível III é N3a; mamária interna com axila, N3b; linfonodos contralaterais são M1.
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Questão 3

Mamografia de paciente com artrite reumatoide mostra densidades puntiformes muito densas em linfonodos axilares dos dois lados, sem câncer conhecido. A hipótese a considerar antes de chamar de microcalcificação suspeita é:

O tratamento antigo com sais de ouro na artrite reumatoide, a tinta de tatuagem e granulomas deixam densidades nos linfonodos que imitam microcalcificações. Reconhecê-los evita biópsia e estadiamento errados.
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Questão 4

Paciente com tumor T2 e linfonodo axilar com metástase confirmada vai fazer quimioterapia neoadjuvante. Para permitir a dissecção axilar dirigida depois, o radiologista deve:

A dissecção dirigida retira o sentinela e o linfonodo metastático marcado com clipe antes da neoadjuvância, porque em 23% ele não é um dos sentinelas e porque o linfonodo pode normalizar. Isso baixa o falso negativo para 1,4 a 4% e poupa 85% das pacientes do esvaziamento.
↑revisar esta parte do caderno · A cirurgia da axila hoje
Questão 5

Segundo o ACOSOG Z0011, numa paciente com tumor T1 ou T2, cirurgia conservadora e radioterapia, o esvaziamento axilar pode ser omitido quando há:

O Z0011 incluiu tumores T1 e T2 com 1 ou 2 sentinelas positivos, tratados com cirurgia conservadora e radioterapia: o esvaziamento não melhorou sobrevida nem recidiva em 10 anos. Doença axilar extensa continua fora desse cenário.
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Questão 6

Sobre a RM na avaliação dos linfonodos da mama, é correto:

A RM mostra bem o edema perinodal, ligado a doença mais agressiva e a extensão extranodal. Linfonodo benigno também realça muito, a curva de realce não ajuda, a supraclavicular nem sempre está no campo, e o corte de 3 mm de córtex vale só para o US.
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Fontes.
Retson TA, Phillips BC, Fazeli S, Elmi A, Spengler N, Stepenosky JE, Ojeda-Fournier H. Multimodality Evaluation of Regional Breast Lymph Nodes: Impact of Expected Changes in the Upcoming BI-RADS Sixth Edition. RadioGraphics 2026;46(5):e250188. doi:10.1148/rg.250188
Chung HL, Le-Petross HT, Leung JWT. Imaging Updates to Breast Cancer Lymph Node Management. RadioGraphics 2021;41(5):1283–1299. doi:10.1148/rg.2021210053

O estadiamento é o da 8ª edição do AJCC. A 6ª edição do BI-RADS ainda não foi publicada; as mudanças são as esperadas, descritas pelo comitê. Conferido em 06/10/2026.

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