83 · Massa Renal Sólida: ccLS, Angiomiolipoma e OMS 2022
Abdome · rim
Massa Renal Sólida: ccLS, Angiomiolipoma e OMS 2022
Fontes: Shetty et al: 2023, Lubner, Marko et al: 2025 e Jinzaki et al: 2026, RadioGraphics
Pequena massa renal: é preciso tirar?
A pequena massa renal sólida (mais de 25% de parte sólida que realça, menos de 4 cm) é achado
diário. Cerca de 80% são malignas e até 20% benignas (angiomiolipoma, oncocitoma), e o carcinoma de
células renais pequeno raramente dá metástase: muitas podem ser vigiadas (risco de metástase de
menos de 2%). A biópsia não diagnostica em até 20%. A imagem faz o papel de "biópsia virtual": o
primeiro passo é procurar gordura macroscópica; o segundo, dizer se é um carcinoma de células
claras.
Massa renal
Caminho
Cística (menos de 25% sólida)
Bosniak 2019
Com gordura macroscópica
Angiomiolipoma clássico
Sólida sem gordura macroscópica
ccLS na RM (escore de probabilidade de células claras)
Massa cística: Bosniak, não ccLS, homem de 65 anos
RM coronal tardia: massa cística no polo inferior direito com nódulo que realça (4 mm ou mais, convexo), Bosniak IV. Carcinoma de células claras grau 1.
Fonte: Shetty AS, Fraum TJ, Ballard DH, et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220209, Fig. 1. Ver artigo
Cisto hemorrágico, mulher de 45 anos
T1 sem contraste: hipersinal uniforme.Subtração na fase corticomedular: sem realce ("buraco negro").
Fonte: Shetty AS, Fraum TJ, Ballard DH, et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220209, Fig. 3. Ver artigo
Gordura macroscópica e o angiomiolipoma clássico
O angiomiolipoma (AML) é benigno, feito de vasos, músculo liso e gordura (família PEC (perivascular epithelioid cell: célula epitelioide perivascular)), mais em
mulheres (2:1), e é a neoplasia renal benigna mais comum. Gordura macroscópica praticamente o define;
gordura só microscópica (queda de sinal na fase oposta) é mais de carcinoma de células claras.
Método
Gordura macroscópica
US
Muito ecogênico, como a gordura do seio renal, às vezes com sombra · carcinoma pequeno também pode ser ecogênico: confirmar em TC ou RM
TC
Atenuação de gordura, abaixo de −10 a −20 HU (unidades Hounsfield) · cortes de 1,5 a 3 mm acham melhor que de 5 mm
RM
Hipersinal em T1 que cai com a supressão de gordura · artefato de tinta nanquim na fase oposta, na interface gordura-tecido · imagem só de gordura (Dixon) com sinal igual ao da gordura retroperitoneal
AML clássico na RM, mulher de 45 anos
T2 com supressão de gordura: hipossinal como a gordura retroperitoneal.Fase oposta: artefato de tinta nanquim na interface com o rim.Dixon só de gordura: sinal igual ao da gordura.
Fonte: Shetty AS, Fraum TJ, Ballard DH, et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220209, Fig. 4. Ver artigo
AML clássico nos vários métodos
US: hiperecogênico, com leve atenuação do feixe.TC com contraste.T2 sem supressão: músculo com hipossinal.T1 em fase.Fase oposta: queda de sinal e tinta nanquim na periferia.
Fonte: Lubner MG, Marko J, Taffel MT, Horowitz JM, Udager AM. RadioGraphics 2025;45(7):e240159, Fig. 9. Ver artigo
Forma
Pista
Cortical, expansiva
Interface angular com o rim · "casquinha de sorvete" (ponta afilada no rim, periferia abaulada) · "gota" ao longo da cápsula
Vasos
Vasos tortuosos e desorganizados, às vezes com aneurisma (a fonte do sangramento)
Cálcio
Raríssimo · gordura com cálcio grosseiro: carcinoma com metaplasia óssea
Carcinoma com gordura por metaplasia óssea
TC: cálcio grosseiro junto da gordura.T1 em fase: hipersinal.T1 com supressão de gordura: o sinal cai.
Fonte: Lubner MG, Marko J, Taffel MT, Horowitz JM, Udager AM. RadioGraphics 2025;45(7):e240159, Fig. 14. Ver artigo
Imita AML clássico
Diferença
Lipossarcoma retroperitoneal
Empurra o rim (sem "bico" no parênquima), poucos vasos, pode calcificar
Lipossarcoma retroperitoneal empurrando o rim, sem bico e sem artérias nutridoras.Mielolipoma adrenal acima do rim.Hematopoese extramedular acima e abaixo do rim esquerdo.
Fonte: Lubner MG, Marko J, Taffel MT, Horowitz JM, Udager AM. RadioGraphics 2025;45(7):e240159, Fig. 13. Ver artigo
o sinal do bico
Defeito em cunha na cápsula ou no parênquima (o "bico" ou a garra) quer dizer origem renal; uma
artéria nutridora proeminente também favorece AML. Interface arredondada, sem defeito, é massa de
fora empurrando o rim.
Sangramento, tratamento e esclerose tuberosa
Complicação ou cenário
O que saber
Sangramento
Hemorragia retroperitoneal (síndrome de Wunderlich) · risco maior com AML de mais de 4 a 6 cm e aneurisma de 5 mm ou mais
Extensão venosa
Trombo de gordura na veia renal e na cava · não é sinal de malignidade
Esclerose tuberosa
AML em até 60% (mais de 80% com linfangioleiomiomatose) · múltiplos, bilaterais, maiores, em gente mais jovem, mais componente epitelioide · rim "fantasma" substituído por gordura · procure os cistos pulmonares
Linfangioleiomiomatose esporádica
AML em até 30%
AML clássico com hemorragia retroperitoneal
TC axial: gordura, tecido, vasos dilatados e pequena hemorragia (ponta de seta).TC coronal (seta).
Fonte: Lubner MG, Marko J, Taffel MT, Horowitz JM, Udager AM. RadioGraphics 2025;45(7):e240159, Fig. 8. Ver artigo
AML com extensão venosa
TC coronal: massa de gordura (estrela) entrando na veia renal esquerda.Chegando à cava (setas).
Fonte: Lubner MG, Marko J, Taffel MT, Horowitz JM, Udager AM. RadioGraphics 2025;45(7):e240159, Fig. 7. Ver artigo
Esclerose tuberosa, dois pacientes
TC sem contraste: vários AMLs com gordura nos dois rins.T1 em fase (setas).Fase oposta: artefato de desvio químico na periferia (setas).Outro paciente, T1 com contraste: AML epitelioide com necrose (ponta de seta).Recidiva local e metástase hepática do AML epitelioide (seta, ponta de seta).
Fonte: Lubner MG, Marko J, Taffel MT, Horowitz JM, Udager AM. RadioGraphics 2025;45(7):e240159, Fig. 5. Ver artigo
Esclerose tuberosa com linfangioleiomiomatose
TC sem contraste: AML e cistos renais bilaterais.Janela de pulmão: pequenos cistos pulmonares.
Fonte: Lubner MG, Marko J, Taffel MT, Horowitz JM, Udager AM. RadioGraphics 2025;45(7):e240159, Fig. 6. Ver artigo
Conduta
Quando
Vigiar
Assintomático, esporádico, menos de 4 cm (alguns aceitam até 6)
Intervir
Mais de 4 a 6 cm, aneurisma de 5 mm ou mais, crescimento de mais de 0,25 cm/ano, mulher em idade fértil (receptores hormonais, risco de romper na gestação), terapia hormonal
Como
Embolização seletiva (sangramento, choque, reserva renal ruim), cirurgia poupadora, ablação · na esclerose tuberosa, inibidores de mTOR (alvo da rapamicina em mamíferos, via que controla o crescimento celular)
AML pobre em gordura e outras variantes
Até 5% dos AMLs têm pouca ou nenhuma gordura visível: predomina o músculo liso. É o grande
imitador do carcinoma, e se parece com o papilífero no T2.
Método
AML pobre em gordura
TC sem contraste
Hiperatenuante ao parênquima (mais de 45 HU), sem gordura nem cálcio
Realce
Intenso, homogêneo, que persiste ou lava
RM
Hipossinal homogêneo em T2 com realce intenso na fase corticomedular · restrição acentuada à difusão · pode ter queda de sinal na fase oposta (o células claras também)
Relação de realce arterial/tardio
1,5 ou mais (lava mais que o células claras)
Forma
Interface triangular, "casquinha de sorvete"
AML pobre em gordura, dois pacientes
US: massa exofítica hipoecogênica no rim direito.TC com contraste: massa homogênea que realça, sem gordura.Outro paciente, T2 coronal: hipossinal homogêneo no polo inferior esquerdo.
Fonte: Lubner MG, Marko J, Taffel MT, Horowitz JM, Udager AM. RadioGraphics 2025;45(7):e240159, Fig. 10. Ver artigo
AML pobre em gordura, mulher de 70 anos
TC sem contraste: 52 HU, hiperatenuante (seta).T2: hipossinal (seta).
Fonte: Jinzaki M, Nicola R, Withey SJ, et al. RadioGraphics 2026;46(7):e250098, Fig. 6. Ver artigo
AML pobre em gordura no ccLS, mulher de 31 anos, massa de 2 cm
T2 coronal: hipossinal homogêneo.Fase corticomedular: realce intenso.Tardia: hiporrealce, relação arterial/tardio de 1,6.Difusão b 800: hipersinal.ADC (coeficiente de difusão aparente): hipossinal acentuado. ccLS 2; confirmado na cirurgia.
Fonte: Shetty AS, Fraum TJ, Ballard DH, et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220209, Fig. 11. Ver artigo
Variante
O que saber
AML epitelioide
Células epitelioides em 80% ou mais · pode recidivar e dar metástase · grande, heterogêneo, necrose, pouca ou nenhuma gordura · biópsia ou ressecção
AML com cistos epiteliais
Raríssimo, sólido e cístico · pode cair em Bosniak III ou IV e ser operado
AML epitelioide
TC axial: massa grande e heterogênea, sem gordura.TC coronal.
Fonte: Lubner MG, Marko J, Taffel MT, Horowitz JM, Udager AM. RadioGraphics 2025;45(7):e240159, Fig. 11. Ver artigo
AML com cistos epiteliais
T2: nódulo sólido com hipossinal entre cistos.T1 com contraste: o nódulo realça de forma homogênea.
Fonte: Lubner MG, Marko J, Taffel MT, Horowitz JM, Udager AM. RadioGraphics 2025;45(7):e240159, Fig. 12. Ver artigo
T2 escuro não é só AML
Hipossinal em T2 aparece no AML pobre em gordura, no carcinoma papilífero, no adenoma metanéfrico,
no leiomioma e no tumor fibroso solitário. O que separa o AML do papilífero: o AML realça muito e é
hiperatenuante sem contraste; o papilífero realça pouco e devagar.
Massas com T2 escuro
AML pobre em gordura: hipossinal em T2.Realce heterogêneo.US: muito ecogênico, o que é atípico para carcinoma.Carcinoma papilífero: hipossinal em T2.Hiporrealce.
Fonte: Lubner MG, Marko J, Taffel MT, Horowitz JM, Udager AM. RadioGraphics 2025;45(7):e240159, Fig. 15. Ver artigo
O escore ccLS na RM
O ccLS (versão 2.0, 2022) dá de 1 a 5 a probabilidade de uma massa sólida, sem gordura
macroscópica, ser carcinoma de células claras, o subtipo mais comum e o mais agressivo. Serve
sobretudo para massas de até 4 cm (T1a).
Critério maior
Como avaliar
T2
Comparar a parte sólida que realça com o córtex, em T2 sem supressão: hiper, iso ou hipo
Realce corticomedular
A parte que mais realça × córtex: intenso (mais de 75% do córtex), moderado (40 a 75%), leve (menos de 40%)
Gordura microscópica
Queda de sinal da fase em fase para a oposta · na dúvida, regra dos dois desvios-padrão: (sinal em fase − oposta) > (DP em fase + DP oposta)
Carcinoma de células claras, homem de 65 anos, massa de 3,4 cm
Fonte: Shetty AS, Fraum TJ, Ballard DH, et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220209, Fig. 7. Ver artigo
Critério auxiliar
O que é
Inversão segmentar do realce
O que realça mais cedo fica escuro no tardio e vice-versa · lembra oncocitoma (baixa o escore)
Relação arterial/tardio
1,5 ou mais lembra AML pobre em gordura
Restrição acentuada
Muito brilho em b 800 e ADC muito baixo · AML pobre em gordura e papilífero
Homogeneidade
Desempate na massa com T2 escuro e realce intenso
Oncocitoma, homem de 77 anos, massa de 2,4 cm
T2 com hipersinal; fase corticomedular com realce intenso da periferia e menor no centro (oval tracejado); tardia com inversão segmentar; SPECT-TC (tomografia por emissão de fóton único acoplada à TC) com sestamibi com captação igual à do rim. ccLS 3; dobrou em 6 anos de vigilância.
Fonte: Shetty AS, Fraum TJ, Ballard DH, et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220209, Fig. 10. Ver artigo
Provável oncocitoma, homem de 70 anos, massa de 3,7 cm
T2 com supressão de gordura: sinal igual ao do córtex.Fase corticomedular: realce intenso (relação com o córtex de 75%).Tardia: sem inversão; cicatriz central sem realce.ADC: restrição acentuada. ccLS 4; biópsia: cromófobo grau 2.
Fonte: Shetty AS, Fraum TJ, Ballard DH, et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220209, Fig. 9. Ver artigo
Carcinoma papilífero, homem de 67 anos, massa de 1,5 cm
Fonte: Shetty AS, Fraum TJ, Ballard DH, et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220209, Fig. 8. Ver artigo
Carcinoma papilífero, homem de 37 anos, massa de 1,3 cm
T2 iso.Realce leve.ADC sem restrição. ccLS 2.
Fonte: Shetty AS, Fraum TJ, Ballard DH, et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220209, Fig. 15. Ver artigo
Provável células claras, homem de 82 anos, massa de 1,9 cm
T2: hipossinal homogêneo.Fase corticomedular: realce intenso.Tardia: relação arterial/tardio de 1,4 (negativa).Difusão sem restrição. ccLS 3; cresceu 50% em 4 anos.
Fonte: Shetty AS, Fraum TJ, Ballard DH, et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220209, Fig. 16. Ver artigo
Massa indolente, mulher de 72 anos, 2,6 cm
T2: hipossinal.Realce leve, em casquinha de sorvete.Fase oposta: gordura microscópica.ADC: restrição. ccLS 3; provável AML pobre em gordura, estável em 6 anos.
Fonte: Shetty AS, Fraum TJ, Ballard DH, et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220209, Fig. 17. Ver artigo
Carcinoma de células claras, mulher de 63 anos, massa de 3 cm
T1 sem contraste.Fase corticomedular: medida do sinal da massa e do córtex.Subtração: realce de cerca de 120% do córtex, intenso. ccLS 5; grau 2.
Fonte: Shetty AS, Fraum TJ, Ballard DH, et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220209, Fig. 18. Ver artigo
Provável células claras achado na RM da coluna, mulher de 39 anos
T2: hipersinal heterogêneo que pode parecer cisto.Fase corticomedular: o realce mostra que é sólida. Com gordura microscópica, ccLS 5.
Fonte: Shetty AS, Fraum TJ, Ballard DH, et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220209, Fig. 2. Ver artigo
ccLS
Células claras (massas de qualquer tamanho)
Conduta proposta
1
5%
Vigilância ativa
2
6%
Vigilância ativa
3
35%
Biópsia
4
78%
Tratamento definitivo
5
93%
Tratamento definitivo
o que o ccLS não faz
Não diz o grau (18% das massas com ccLS 1 a 2 eram de alto grau). Não vale nas síndromes: na
esclerose tuberosa, AML atípico é mais provável que células claras mesmo com ccLS alto; no Von
Hippel-Lindau, quase toda lesão sólida é células claras. Não cobre linfoma, urotelial, metástase e
os tumores raros da OMS 2022. Avalie só a parte que realça, e meça a porção que mais realça, não o
centro.
Os subtipos principais
Tumor
Frequência
Imagem
Células claras
65 a 70%
Pseudocápsula, realce intenso e heterogêneo com lavagem, cistos internos em 30% · T2 iso ou claro · queda na fase oposta em 60%
Papilífero
13 a 20%
Homogêneo, hipovascular, realce lento e progressivo · T2 escuro (hemossiderina) · isoatenuante sem contraste (hiperatenuante se sangrou)
Cromófobo
5 a 7%
Homogêneo, realce moderado · Birt-Hogg-Dubé
Oncocitoma
3 a 7%
Realce moderado (raramente intenso), cicatriz central e inversão segmentar · sobrepõe-se ao cromófobo
Neoplasia cística multilocular de baixo potencial
0,5 a 2,5%
Multicística sem nódulo, Bosniak IIF ou III, indolente
Adenoma papilífero
Até 40% dos idosos na necropsia
Até 15 mm, em geral só seguir
Carcinoma de ductos coletores
< 1%
Medular, infiltrativo, hipovascular, rim aumentado com contorno preservado · metástases
Carcinoma de células claras, homem de 54 anos
Fase corticomedular: 150 HU.Tardia: lavagem, 100 HU.
Fonte: Jinzaki M, Nicola R, Withey SJ, et al. RadioGraphics 2026;46(7):e250098, Fig. 3. Ver artigo
Fonte: Jinzaki M, Nicola R, Withey SJ, et al. RadioGraphics 2026;46(7):e250098, Fig. 5. Ver artigo
Cromófobo, homem de 57 anos
Fase corticomedular: 70 HU, realce moderado e homogêneo.Tardia: 51 HU.
Fonte: Jinzaki M, Nicola R, Withey SJ, et al. RadioGraphics 2026;46(7):e250098, Fig. 7. Ver artigo
Neoplasia cística multilocular de baixo potencial, homem de 41 anos
Massa multicística sem nódulos, Bosniak III.
Fonte: Jinzaki M, Nicola R, Withey SJ, et al. RadioGraphics 2026;46(7):e250098, Fig. 4. Ver artigo
Carcinoma de ductos coletores, homem de 58 anos
Rim direito aumentado, com massa central infiltrativa e hipovascular (45 HU).
Fonte: Jinzaki M, Nicola R, Withey SJ, et al. RadioGraphics 2026;46(7):e250098, Fig. 8. Ver artigo
Na TC sem contraste
Pense em
Menos de −10 HU
AML clássico
Mais de 45 HU, homogêneo
AML pobre em gordura (ou papilífero que sangrou, ou TFE3 (carcinoma com rearranjo do gene do fator de transcrição E3))
OMS 2022: o que mudou
A 5ª edição separa os tumores epiteliais em seis grupos: de células claras, papilíferos,
oncocíticos e cromófobos, de ductos coletores, outros (pela histologia) e definidos
molecularmente.
Mudança
Agora
Papilífero tipo 1 e 2
Acabou a divisão: o tipo 1 é o "papilífero clássico"; o antigo tipo 2 se espalhou por vários tumores
Carcinoma papilífero de células claras
Tumor papilífero de células claras (não dá metástase)
Translocação da família MiT (fatores de transcrição da microftalmia)
Com rearranjo de TFE3 e com alteração de TFEB (fator de transcrição EB)
Associado a HLRCC (leiomiomatose hereditária e carcinoma de células renais)
Deficiente em FH (fumarato hidratase)
Carcinoma medular
Carcinoma medular deficiente em SMARCB1 (gene supressor de tumor)
Novos
Sólido e cístico eosinofílico, com rearranjo de ALK (gene da cinase do linfoma anaplásico), com mutação de ELOC (gene da elongina C), outros oncocíticos
Tumor
Quem
Imagem
Tumor papilífero de células claras
1 a 4% · insuficiência renal, Von Hippel-Lindau
Cístico ou sólido, às vezes realce intenso como o células claras · indolente
Tubulocístico
Homens
Esponjoso de cistos minúsculos · hiperecogênico no US
Associado à doença cística adquirida
Diálise longa
Nódulo na parede de cisto, realce sutil
Mucinoso tubular e fusocelular
Mulheres
Hipovascular, mas T2 iso ou claro (mucina), ADC baixo
Sólido e cístico eosinofílico
Mulheres, às vezes esclerose tuberosa
"Raiz de lótus": cistos no meio do sólido
TFE3
Jovens (20 a 75% dos carcinomas renais da criança)
Hiperatenuante sem contraste, calcificação (em casca de ovo), realce lento mas maior que o papilífero, linfonodos
Deficiente em FH
Mediana de 44 anos · leiomiomas da pele e do útero
Infiltrativo com partes císticas, avançado, PET (tomografia por emissão de pósitrons) muito ávido
Tumor papilífero de células claras, homem de 41 anos
Fase corticomedular: cisto unilocular com parte sólida de 185 HU, Bosniak IV.
Fonte: Jinzaki M, Nicola R, Withey SJ, et al. RadioGraphics 2026;46(7):e250098, Fig. 9. Ver artigo
Mucinoso tubular e fusocelular, homem de 65 anos
Fase corticomedular: 55 HU.Tardia: 65 HU.T2: sinal igual ao do córtex, com pontos claros e pseudocápsula.
Fonte: Jinzaki M, Nicola R, Withey SJ, et al. RadioGraphics 2026;46(7):e250098, Fig. 10. Ver artigo
Carcinoma associado à doença cística adquirida, homem de 67 anos
Fase corticomedular: realce sutil.Difusão: o tumor tem sinal alto heterogêneo; o cisto hemorrágico, homogêneo.
Fonte: Jinzaki M, Nicola R, Withey SJ, et al. RadioGraphics 2026;46(7):e250098, Fig. 11. Ver artigo
Sólido e cístico eosinofílico, menina de 12 anos
TC com contraste: o aspecto de raiz de lótus, cistos no meio do sólido.
Fonte: Jinzaki M, Nicola R, Withey SJ, et al. RadioGraphics 2026;46(7):e250098, Fig. 12. Ver artigo
Carcinoma com rearranjo de TFE3, adolescente de 16 anos
Sem contraste: 45 HU, com calcificações.Fase corticomedular: 72 HU, realce moderado e heterogêneo.Tardia: 90 HU; margens em parte nítidas, em parte irregulares.
Fonte: Jinzaki M, Nicola R, Withey SJ, et al. RadioGraphics 2026;46(7):e250098, Fig. 13. Ver artigo
Carcinoma deficiente em FH, mulher de 35 anos
Fase corticomedular: tumor infiltrativo com partes císticas (setas longas) e linfonodos metastáticos (setas curtas).
Fonte: Jinzaki M, Nicola R, Withey SJ, et al. RadioGraphics 2026;46(7):e250098, Fig. 14. Ver artigo
Carcinoma medular deficiente em SMARCB1, homem de 25 anos
Fase nefrográfica: tumor infiltrativo, trombose da veia renal (seta grande) e linfonodos necróticos (seta pequena).
Fonte: Jinzaki M, Nicola R, Withey SJ, et al. RadioGraphics 2026;46(7):e250098, Fig. 15. Ver artigo
quando pensar num subtipo raro
Massa que realça devagar como um papilífero mas é de paciente jovem, hiperatenuante, calcificada,
de realce moderado, T2 claro, infiltrativa ou com metástase. Crescimento infiltrativo e metástase
pesam contra o prognóstico, mas alguns tumores agressivos parecem bem delimitados.
Pontos de prova: alto rendimento
Pequena massa sólida
> 25% sólida, < 4 cm · 80% malignas
Gordura macroscópica
AML clássico
TC
< −10 a −20 HU
RM
T1 claro que suprime · tinta nanquim
Gordura microscópica
Células claras
US ecogênico
Confirmar: RCC (renal cell carcinoma: carcinoma de células renais) pequeno também
Sinal do bico
Origem renal
Sangramento
> 4–6 cm, aneurisma ≥ 5 mm
Trombo de gordura
Não é maligno
Esclerose tuberosa
AML múltiplos, bilaterais
AML pobre em gordura
Hiperatenuante, T2 escuro, realce intenso
Restrição acentuada
AML pobre em gordura, papilífero
AML epitelioide
Pode dar metástase
ccLS
T2, realce, gordura microscópica
Realce intenso
> 75% do córtex
Inversão segmentar
Oncocitoma, baixa o escore
ccLS 5
93% células claras
ccLS 1–2
Vigilância
ccLS 3
Biópsia
VHL (doença de von Hippel-Lindau)
Sólido = células claras
Papilífero
T2 escuro, realce leve e lento
Células claras
Realce intenso heterogêneo
Oncocitoma
Cicatriz, inversão
> 45 HU sem contraste
AML pobre em gordura
OMS 2022
Fim do papilífero tipo 1/2
FH-deficiente
Infiltrativo, jovem, leiomiomas
TFE3
Jovem, hiperatenuante, cálcio
Medular
Traço falciforme
Tubulocístico
Hiperecogênico
Armadilhas e erros comuns
Erros
Chamar de AML a massa ecogênica no US sem confirmar gordura
Chamar de AML a massa com gordura só microscópica
Confundir lipossarcoma retroperitoneal com AML exofítico
Chamar de maligno o trombo de gordura do AML
Aplicar o ccLS em massa cística ou com gordura macroscópica
Medir o realce no centro necrótico
Chamar de papilífero o T2 escuro com realce intenso
Usar o ccLS no Von Hippel-Lindau ou na esclerose tuberosa
Esquecer que ccLS baixo não garante baixo grau
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1
Qual achado permite diagnosticar angiomiolipoma clássico numa massa renal?
Gordura macroscópica (abaixo de −10 a −20 HU na TC, ou hipersinal em T1 que cai com a supressão de gordura) praticamente define o AML clássico. Massa ecogênica no US pode ser carcinoma pequeno; queda na fase oposta é gordura microscópica, mais de carcinoma de células claras.
AML esporádico de 3 cm, assintomático, em homem de 60 anos, sem aneurisma. A conduta mais adequada é:
AML esporádico, assintomático e com menos de 4 cm é vigiado. Intervém-se com mais de 4 a 6 cm, aneurisma de 5 mm ou mais, crescimento de mais de 0,25 cm/ano, sintomas, mulher em idade fértil ou terapia hormonal. Inibidor de mTOR é para a esclerose tuberosa.
Massa renal de 2 cm, hiperatenuante sem contraste, com hipossinal homogêneo em T2, realce corticomedular intenso e restrição acentuada à difusão. A hipótese mais provável é:
O AML pobre em gordura tem T2 escuro como o papilífero, mas realça intensamente, é hiperatenuante sem contraste (músculo liso) e restringe muito. O papilífero também tem T2 escuro, mas realça pouco e devagar. No ccLS, esse caminho dá 2.
Massa renal sólida de 3 cm: hipersinal em T2, realce corticomedular intenso e queda de sinal na fase oposta. O ccLS é:
T2 claro, realce intenso e gordura microscópica é o padrão do carcinoma de células claras: ccLS 5 (93% eram células claras). Se em vez da gordura houvesse inversão segmentar do realce, o escore cairia para 3, com oncocitoma no diferencial.
Na conduta proposta, ccLS 3 vai para biópsia, 4 a 5 para tratamento e 1 a 2 para vigilância. O escore não vale para massa com gordura macroscópica nem cística, 18% das massas com 1 a 2 eram de alto grau, no Von Hippel-Lindau quase toda lesão sólida é células claras, e mede-se a porção que mais realça.
Homem de 24 anos com traço falciforme e massa renal central, infiltrativa, com linfonodos. O diagnóstico a lembrar é:
O carcinoma medular, hoje deficiente em SMARCB1, é de jovens negros com traço falciforme: central, infiltrativo, hipovascular, com metástases frequentes. Sobrepõe-se ao deficiente em FH, ao de ductos coletores e ao urotelial.
Fontes.
Shetty AS, Fraum TJ, Ballard DH, et al. Renal Mass Imaging with MRI Clear Cell Likelihood Score: A
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Lubner MG, Marko J, Taffel MT, Horowitz JM, Udager AM. Spectrum of Renal Angiomyolipoma with
Radiologic-Pathologic Correlation. RadioGraphics 2025;45(7):e240159. doi:10.1148/rg.240159
Jinzaki M, Nicola R, Withey SJ, et al. WHO 2022 Renal Cell Tumor Classification: Imaging Features and
Clinical Implications. RadioGraphics 2026;46(7):e250098. doi:10.1148/rg.250098
O fluxograma completo do ccLS e as tabelas da OMS são imagens com texto em inglês e ficaram de fora; o
caderno dá os caminhos confirmados pelos casos do artigo. As lâminas, as peças cirúrgicas e a foto da raiz
de lótus também. O limiar do realce intenso aparece como 70% num quadro do artigo e 75% no texto; o
caderno usa 75%. Conferido em 07/10/2026.
Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das mesmas
fontes.