Cadernos QRad 36 · Maturação Esquelética
MSK · pediátrico

Maturação Esquelética

Fonte: Augusto et al, RadioGraphics 2022

O esqueleto que ainda está sendo construído

O osso em crescimento muda de cara de forma previsível, e cada etapa normal tem um sósia patológico: centro de ossificação fragmentado imita fratura, medula vermelha imita infiltração, o edema do fechamento fisário imita overuse. Este caderno organiza a maturação normal (formação óssea, fise, periósteo, medula) e depois as doenças por endereço: fise, epífise e metáfise.

a regra de ouro do normal Irregularidade fisiológica dos centros de ossificação é simétrica, com bordas lisas, arredondadas e escleróticas (às vezes em quebra-cabeça) e acompanha achados iguais no resto do esqueleto. Fratura aguda é linear, sem esclerose, com edema de partes moles e derrame articular. Na dúvida, a RM desempata pelo edema medular.

Como o osso se constrói

Dois processos: a ossificação intramembranosa (calota, clavícula média, mandíbula/maxila, e a largura dos ossos longos, depositada pelo periósteo) e a endocondral (crânio basal, coluna, pelve e extremidades, com um molde de cartilagem progressivamente substituído por osso, responsável pelo comprimento). O centro primário forma a diáfise; os centros secundários de ossificação (SOC) formam a epífise (quando envolta por cartilagem articular) e a apófise (quando não articula: inserções tendíneas). Com a maturação a fise afina até desaparecer, fundindo epífise e diáfise.

INTRAMEMBRANOSA (calota, clavícula média, face) × ENDOCONDRAL (molde de cartilagem: domina o esqueleto) O OSSO LONGO IMATURO EPÍFISE: cartilagem hialina com centro SECUNDÁRIO (SOC) crescendo esférico fise TRILAMINAR no T2-FS: cartilagem · ZPC escura · esponjosa METÁFISE: osso novo, muito vascularizada DIÁFISE (centro PRIMÁRIO) cresce em LARGURA pelo periósteo (intramembranosa); em COMPRIMENTO pela fise (endocondral) pericôndrio: FIRME na fise (sulco de Ranvier, anel de LaCroix) periósteo: FROUXO no córtex → sangue/pus/tumor descolam fácil APÓFISE = centro secundário que não articula (inserção tendínea) A FISE EM CAMADAS (epífise → metáfise) 1 · germinativa (reserva) 2 · proliferativa 3 · hipertrófica 4 · ZPC (calcificação provisória) 5 · esponjosa primária (metáfise) a fratura fisária corre pela ZPC: o elo mais fraco · espessamento FOCAL da fise = distúrbio da ossificação endocondral FECHAMENTO E CICATRIZ fecha do CENTRO para a periferia (em geral) · deixa a cicatriz fisária (ZPC residual) · linhas de Park-Harris = paradas de crescimento (numerosas: infecção, trauma, bisfosfonato) · linha que DESVIA e ancora na fise = ponte óssea (a que trava o crescimento) Pericôndrio × periósteo importam na fratura: interposição deles no plano fisário impede a consolidação e predispõe à ponte óssea.
O osso longo imaturo: as camadas da fise até a zona de calcificação provisória (ZPC), o pericôndrio firme e o periósteo frouxo.
pericôndrio firme × periósteo frouxo O pericôndrio (com o sulco de Ranvier e o anel de LaCroix) amarra-se à periferia da fise por fibras transversas: segura epífise e metáfise no trauma e barra a propagação de abscesso subperiosteal e tumor. O periósteo adere frouxo ao córtex: sangue, pus e células neoplásicas o descolam com facilidade (coleções subperiosteais). Na fratura fisária minimamente desviada, procurar a continuidade do pericôndrio: a interposição de pericôndrio/periósteo no plano da fratura impede a consolidação e predispõe à ponte óssea.
Fise e epífise normais
T2 sagital com supressão de gordura do côndilo femoral medial, menina de 5 anos: a cartilagem fisária trilaminar (colchete), com zona primária em hipersinal, ZP
T2 sagital com supressão de gordura do côndilo femoral medial, menina de 5 anos: a cartilagem fisária trilaminar (colchete), com zona primária em hipersinal, ZPC em hipossinal e zona cartilaginosa em hipersinal. O centro secundário ossificado (*) tem hipossinal homogêneo, com a fise secundária em volta (ponta de seta preta); a parte posterior do côndilo ainda não ossificada é mais heterogênea (seta). A faixa fibrovascular subperiosteal aparece como fina linha metafisária em hipersinal (ponta de seta branca): realça muito e some depois do fechamento da fise.
Fotomicrografia da fise de coelho: as camadas em mais detalhe.
Fotomicrografia da fise de coelho: as camadas em mais detalhe.
Fonte: Augusto ACdL et al. RadioGraphics 2022;42(3):861–879, Fig. 6. Ver artigo
Periósteo e pericôndrio
T2 sagital com supressão de gordura da face posterior do fêmur distal, menina de 12 anos: o pericôndrio (colchete) continua para baixo a camada fibrosa do perió
T2 sagital com supressão de gordura da face posterior do fêmur distal, menina de 12 anos: o pericôndrio (colchete) continua para baixo a camada fibrosa do periósteo (seta branca reta), ambos com hipossinal em todas as sequências. A camada vascular (câmbio) do periósteo tem hipersinal (seta branca curva). O pericôndrio passa um pouco além da fise (ponta de seta preta) e termina na cartilagem articular (seta preta). A cunha pericondral (seta vermelha) é a área triangular em hipossinal do sulco de Ranvier e das fibras transversas.
Fotomicrografia da fise de camundongo de 9 semanas: epífise (1), fise (2) e metáfise (3), com o pericôndrio (setas vermelhas) firmemente aderido à cartilagem.
Fotomicrografia da fise de camundongo de 9 semanas: epífise (1), fise (2) e metáfise (3), com o pericôndrio (setas vermelhas) firmemente aderido à cartilagem.
Fonte: Augusto ACdL et al. RadioGraphics 2022;42(3):861–879, Fig. 8. Ver artigo
+ complemento · CRITOE No cotovelo, os SOC aparecem na ordem CRITOE (capítulo, cabeça do rádio, epicôndilo interno/medial, tróclea, olécrano, epicôndilo externo/lateral). O epicôndilo medial ossifica aos 4–6 anos e funde por volta dos 17, e quase sempre ossifica antes da tróclea: “tróclea sem epicôndilo medial” deve levantar a suspeita de avulsão com fragmento deslocado.
Avulsão do epicôndilo medial ainda não ossificado, menino de 9 anos
Radiografia AP (anteroposterior) do cotovelo: centros ossificados do capítulo (seta) e da cabeça do rádio (ponta de seta); epicôndilo medial e tróclea ainda não
Radiografia AP (anteroposterior) do cotovelo: centros ossificados do capítulo (seta) e da cabeça do rádio (ponta de seta); epicôndilo medial e tróclea ainda não ossificados.
T2 coronal com supressão de gordura: avulsão do centro não ossificado do epicôndilo medial (seta), retraído para baixo, com uma fenda cheia de líquido (ponta de
T2 coronal com supressão de gordura: avulsão do centro não ossificado do epicôndilo medial (seta), retraído para baixo, com uma fenda cheia de líquido (ponta de seta).
Desenho dos centros de ossificação normais do cotovelo, vista anterior (C, R, I, T, E).
Desenho dos centros de ossificação normais do cotovelo, vista anterior (C, R, I, T, E).
Desenho dos centros de ossificação normais do cotovelo, vista lateral (R, O). O epicôndilo medial ossifica aos 4–6 anos, quase sempre antes da tróclea.
Desenho dos centros de ossificação normais do cotovelo, vista lateral (R, O). O epicôndilo medial ossifica aos 4–6 anos, quase sempre antes da tróclea.
Fonte: Augusto ACdL et al. RadioGraphics 2022;42(3):861–879, Fig. 5. Ver artigo

Medula óssea e vascularização

A medula vermelha (hematopoética, 40% gordura e 40% água) converte-se em amarela (80% gordura) num padrão previsível: no corpo, da periferia para o centro (falanges antes de úmero/fêmur); dentro do osso longo, epífise → diáfise → metáfise distal → metáfise proximal. A conversão termina por volta dos 25 anos, sobrando vermelha no esqueleto axial e nas metáfises proximais de fêmur e úmero. A reconversão (anemia crônica, tabagismo, altitude, atletas) percorre o caminho inverso.

MEDULA VERMELHA (40% gordura/40% água) → AMARELA (80% gordura): COMPLETA POR VOLTA DOS 25 ANOS A ORDEM DENTRO DO OSSO LONGO nascimento: toda vermelha 1º: epífise; depois diáfise metáfise distal converte adulto: resto na metáfise proximal no corpo: da PERIFERIA (falanges) para o CENTRO (úmero/fêmur proximais + esqueleto axial) RECONVERSÃO = ordem inversa (anemia, fumo, altitude, atleta) medula vermelha residual: base na fise, margens retas, forma de chama O SINAL NA RM Vermelha: T1 baixo-intermediário (MAIOR que músculo/disco: regra do T1) · T2-FS/STIR intermediário-alto · realce leve Amarela: segue a gordura (T1 alto, FS/STIR baixo) Exceção: feto/neonato pode ter T1 ABAIXO de músculo/disco: não chamar de infiltração epífise ossificada: vira amarela ~6 meses após aparecer no RX A IDADE DOS VASOS DECIDE ONDE A INFECÇÃO MORA < 18 meses: vasos TRANSFISÁRIOS ligam metáfise e epífise → infecção/metástase cruzam a fise → mais artrite séptica e dano articular. > 18 meses: vasos involuem; artérias nutrientes terminam em alças LENTAS junto à fise → o êmbolo séptico para na METÁFISE (epífise poupada). “Equivalentes metafisários”: cartilagem trirradiada, sincondrose isquiopúbica, sacroilíaca e ossos redondos; mesma vulnerabilidade. Focos esparsos T2-altos no retropé/mediopé da criança são comuns e inespecíficos: imobilização, medula residual ou estresse fisiológico.
Conversão medular, sinal na RM e a idade dos vasos: transfisários até ~18 meses, depois alças lentas metafisárias.
os dois falsos tumores da medula 1) Medula vermelha residual metafisária tem forma de chama com base na fise e margens retas, e no T1 é mais clara que o músculo e que o disco intervertebral (a “regra do T1”). Abaixo disso, pense em infiltração, exceto no feto/neonato, em que a medula normal pode ser mais escura que o disco. 2) Focos esparsos T2-altos no retropé/mediopé da criança são comuns e inespecíficos (imobilização, medula residual, estresse fisiológico): não são osteonecrose nem osteomielite multifocal.
Medula normal da coluna lombar, recém-nascida de 5 dias
T1 sagital: medula vermelha dos corpos vertebrais com hipossinal normal, parecido com o do disco intervertebral.
T1 sagital: medula vermelha dos corpos vertebrais com hipossinal normal, parecido com o do disco intervertebral.
T2 sagital: o disco tem sinal mais alto que o corpo vertebral.
T2 sagital: o disco tem sinal mais alto que o corpo vertebral.
Fonte: Augusto ACdL et al. RadioGraphics 2022;42(3):861–879, Fig. 10. Ver artigo

Fise: fraturas, pontes, estresse e FOPE

SALTER-HARRIS: A FRATURA CORRE PELA ZPC; HORIZONTAL (I–II) FAZ MENOS PONTE QUE VERTICAL (III–IV) I só a fise RX sutil: fise larga, turva, osteopenia II fise + METÁFISE (Thurston Holland) · o mais comum III fise + EPÍFISE intra-articular → artrose precoce IV articular → epífise + fise + metáfise · ponte e deformidade V ESMAGAMENTO da fise · também por estresse ESTRESSE CRÔNICO DA FISE fise LARGA, irregular, fragmentada · ZPC apagada · cartilagem não mineralizada T2-alta invadindo a metáfise + edema vizinho · atleta sem trauma agudo (ombro do arremessador adolescente): o elo mais fraco é a cartilagem fisária; sem tirar o estressor, vira distúrbio de crescimento · diferencial: Salter-Harris I agudo (história + edema) FOPE: O EDEMA DO FECHAMENTO edema focal em EXPLOSÃO centrado numa fise aberta porém ESTREITA, pegando metáfise + epífise · joelho do adolescente (fêmur distal, tíbia/fíbula proximais) · provável etapa NORMAL da fusão fisária (idade e local muito constantes) · a fise em si é normal, sem alargamento nem fragmentação (é o que separa de estresse/overuse) Pós-fratura de risco: RX seriado (a cada 3 meses no fêmur distal) até crescer de novo; ponte pega antes da deformidade clínica; TC mede a barra.
Salter-Harris I–V, e as duas armadilhas: estresse crônico (fise larga) × edema perifisário focal (FOPE) do fechamento normal.
as pontes e as linhas A fratura fisária é a causa mais comum de ponte óssea transfisária, que prende a epífise à metáfise e trava/angula o crescimento: a maioria em áreas de ondulação fisária (fêmur distal, tíbia distal medial no Kump bump; ondulação normal isolada não é ponte). As linhas de Park-Harris são paradas de crescimento; quando a linha desvia e fica ancorada na fise, denuncia a ponte. Fratura de risco pede radiografia seriada (fêmur distal desviado: a cada 3 meses) por até 2 anos ou até a maturidade; a TC mede a barra para a cirurgia; a RM mostra cartilagem e a trilaminar rompida.
Ponte fisária no fêmur distal depois de artrite séptica e osteomielite
TC sagital do joelho: ponte óssea focal (seta) prendendo a epífise à metáfise, deslocamento posterior da epífise (ponta de seta preta) e linhas transversas de e
TC sagital do joelho: ponte óssea focal (seta) prendendo a epífise à metáfise, deslocamento posterior da epífise (ponta de seta preta) e linhas transversas de esclerose na metáfise, as linhas de parada de crescimento de Park-Harris (ponta de seta branca).
Fonte: Augusto ACdL et al. RadioGraphics 2022;42(3):861–879, Fig. 7. Ver artigo
Ponte fisária no rádio distal depois de trauma, menina de 10 anos
TC coronal do punho: grande ponte óssea central (seta) prendendo a epífise à metáfise. O rádio ficou curto em relação à ulna.
TC coronal do punho: grande ponte óssea central (seta) prendendo a epífise à metáfise. O rádio ficou curto em relação à ulna.
TC sagital: a mesma ponte (seta) e leve angulação volar da epífise.
TC sagital: a mesma ponte (seta) e leve angulação volar da epífise.
Fonte: Augusto ACdL et al. RadioGraphics 2022;42(3):861–879, Fig. 15. Ver artigo
fise larga: estresse × Salter-Harris I No atleta em crescimento, o elo mais fraco é a cartilagem fisária. Estresse crônico dá fise alargada, irregular e fragmentada, ZPC apagada e cartilagem não mineralizada T2-alta invadindo a metáfise (ombro do arremessador adolescente), sem o trauma agudo do Salter-Harris tipo I. Persistir no estressor = distúrbio de crescimento. Já o edema perifisário focal (FOPE) é o contrário: fise estreita e normal com edema em explosão no joelho do adolescente, etapa provável do fechamento fisiológico, que não deve ser lida como overuse.
Fraturas fisárias Salter-Harris I e II
Salter-Harris I, adolescente de 14 anos. T2 coronal com supressão de gordura do tornozelo: edema extenso na metáfise e na epífise em volta de alargamento focal
Salter-Harris I, adolescente de 14 anos. T2 coronal com supressão de gordura do tornozelo: edema extenso na metáfise e na epífise em volta de alargamento focal da fise da fíbula (ponta de seta), fratura sem desvio, e fino hematoma subperiosteal lateral (seta).
Salter-Harris II, adolescente de 15 anos depois de queda com a mão espalmada. T2 sagital com supressão de gordura do punho: fise alargada (pontas de seta) e fra
Salter-Harris II, adolescente de 15 anos depois de queda com a mão espalmada. T2 sagital com supressão de gordura do punho: fise alargada (pontas de seta) e fragmento do canto metafisário (seta), o fragmento de Thurston Holland.
Fonte: Augusto ACdL et al. RadioGraphics 2022;42(3):861–879, Figs. 16, 17. Ver artigo
Lesão de estresse crônico da fise, jogador de beisebol de 14 anos
T2 coronal com supressão de gordura do ombro: fise do úmero proximal difusamente alargada e com hipersinal (pontas de seta). Sem trauma recente e com o históric
T2 coronal com supressão de gordura do ombro: fise do úmero proximal difusamente alargada e com hipersinal (pontas de seta). Sem trauma recente e com o histórico esportivo, sugere sobrecarga (ombro do arremessador infantil, Little League shoulder), e não lesão aguda.
Fonte: Augusto ACdL et al. RadioGraphics 2022;42(3):861–879, Fig. 18. Ver artigo
Fechamento fisário normal (FOPE), adolescente de 13 anos sem prática esportiva
T2 sagital com supressão de gordura do joelho: edema medular focal em volta da fise (seta), estendendo-se um pouco à metáfise e à epífise, compatível com o fech
T2 sagital com supressão de gordura do joelho: edema medular focal em volta da fise (seta), estendendo-se um pouco à metáfise e à epífise, compatível com o fechamento normal da fise. A fise é normal, sem alargamento nem fragmentação.
Fonte: Augusto ACdL et al. RadioGraphics 2022;42(3):861–879, Fig. 19. Ver artigo

Epífise: do quadril displásico ao condroblastoma

EntidadeO que saber
Displasia do desenvolvimento do quadrilRelação anormal cabeça-acetábulo (acetábulo raso → subluxação → luxação) · riscos: oligoidrâmnio, pélvico, sexo feminino, história familiar, enfaixamento em adução · US nas primeiras 6–8 semanas (morfologia + cobertura + estabilidade dinâmica); radiografia a partir de 4–6 meses; TC/RM para casos complexos e pós-redução (RM vê o que impede reduzir e a necrose avascular)
BlountOssificação endocondral atrasada da epífise tibial proximal medial → varo + procurvato · bimodal: infantil (< 4 anos, osteocondrose) × tardia (≥ 4 anos, fechamento precoce da fise medial) · obesidade, bilateral comum · radiografia em pé inicia; RM mostra bico metafisário, depressão posteromedial e a ponte
OCD (osteocondrite dissecante) juvenilDistúrbio da ossificação da fise secundária (“de dentro para fora”, ≠ lesão osteocondral traumática “de fora para dentro”) · 10–15 anos, meninos, atletas · joelho > tornozelo > cotovelo · típico: face lateral do côndilo femoral MEDIAL (intercondilar) · instabilidade: halo líquido T2-alto, 2º anel escuro, linha pela cartilagem, defeito preenchido por líquido, quebras da placa subcondral; cistos (> 5 mm ou múltiplos = específico)
Trevor (DEH)Displasia epiphysealis hemimelica: sobrecrescimento osteocondral assimétrico da epífise (medial > lateral, membro inferior) · massa lobulada com capa cartilaginosa tipo osteocondroma, mas de condrócitos desorganizados · formas localizada, clássica (> 1 epífise) e generalizada
FishtailComplicação tardia de fratura distal do úmero na infância: necrose da tróclea lateral → concavidade central em rabo de peixe · sem fratura prévia, pensar em pré-ossificação, osteonecrose idiopática, OCD, displasia epifisária
CondroblastomaTumor cartilaginoso benigno raro, endereço epifisário/apofisário · lucente circunscrito com halo esclerótico fino · RM: matriz lobulada em paralelepípedo + edema medular e periosteal desproporcionais (como osteomielite, osteoma osteoide, osteoblastoma e granuloma eosinófilo)
Displasia do desenvolvimento do quadril
Radiografia AP pré-operatória, menino de 1 ano: subluxação superolateral da cabeça femoral direita, acetábulo raso com teto inclinado e núcleo de ossificação da
Radiografia AP pré-operatória, menino de 1 ano: subluxação superolateral da cabeça femoral direita, acetábulo raso com teto inclinado e núcleo de ossificação da cabeça femoral menor que o do outro lado.
TC coronal depois da redução e da osteotomia ilíaca (setas): redução concêntrica.
TC coronal depois da redução e da osteotomia ilíaca (setas): redução concêntrica.
Fonte: Augusto ACdL et al. RadioGraphics 2022;42(3):861–879, Fig. 20. Ver artigo
Doença de Blount, menino de 12 anos
T1 coronal do joelho: bico metafisário e inclinação para baixo (seta), com deformidade em varo da tíbia proximal.
T1 coronal do joelho: bico metafisário e inclinação para baixo (seta), com deformidade em varo da tíbia proximal.
Fonte: Augusto ACdL et al. RadioGraphics 2022;42(3):861–879, Fig. 21. Ver artigo
Displasia epiphysealis hemimelica (Trevor), menina de 7 anos
Radiografia AP do punho: polo distal do escafoide expandido e esclerótico, sugerindo sobrecrescimento osteocondral; o polo proximal parece fragmentado (ponta de
Radiografia AP do punho: polo distal do escafoide expandido e esclerótico, sugerindo sobrecrescimento osteocondral; o polo proximal parece fragmentado (ponta de seta), com centros de ossificação múltiplos e irregulares.
T1 coronal: o mesmo achado (ponta de seta).
T1 coronal: o mesmo achado (ponta de seta).
T2 coronal com supressão de gordura: o mesmo achado (ponta de seta).
T2 coronal com supressão de gordura: o mesmo achado (ponta de seta).
Fonte: Augusto ACdL et al. RadioGraphics 2022;42(3):861–879, Fig. 23. Ver artigo
Condroblastoma, adolescente de 14 anos
TC sagital do joelho: lesão lítica bem definida, com halo esclerótico fino e pequenas calcificações internas, na epífise femoral distal.
TC sagital do joelho: lesão lítica bem definida, com halo esclerótico fino e pequenas calcificações internas, na epífise femoral distal.
T2 sagital com supressão de gordura: edema exuberante da medula e das partes moles em volta da lesão (setas).
T2 sagital com supressão de gordura: edema exuberante da medula e das partes moles em volta da lesão (setas).
Fonte: Augusto ACdL et al. RadioGraphics 2022;42(3):861–879, Fig. 24. Ver artigo
OCD × ossificação irregular do côndilo No joelho em crescimento, a ossificação em curso imita OCD. O normal mora na porção posterior sem carga do côndilo LATERAL, com cartilagem sobrejacente íntegra e sem edema; a OCD juvenil prefere o côndilo medial (face lateral, intercondilar ou zona de carga), com edema e fragmento. Local + cartilagem + medula decidem.
Ossificação irregular fisiológica × osteocondrite dissecante (OCD)
Menino de 9 anos, T1 sagital do joelho: irregularidade subcondral na parte posterior, sem carga, do côndilo femoral lateral (seta).
Menino de 9 anos, T1 sagital do joelho: irregularidade subcondral na parte posterior, sem carga, do côndilo femoral lateral (seta).
Menino de 13 anos, T1 sagital: concavidade e irregularidade grandes da placa subcondral na zona de carga central do côndilo femoral medial (seta preta).
Menino de 13 anos, T1 sagital: concavidade e irregularidade grandes da placa subcondral na zona de carga central do côndilo femoral medial (seta preta).
Mesmo menino de 9 anos, T2 sagital com supressão de gordura: cartilagem normal e sem edema medular, o que confirma ossificação irregular do desenvolvimento.
Mesmo menino de 9 anos, T2 sagital com supressão de gordura: cartilagem normal e sem edema medular, o que confirma ossificação irregular do desenvolvimento.
Mesmo menino de 13 anos, T2 sagital com supressão de gordura: edema medular em volta e fragmento osteocondral in situ (pontas de seta), indicativos de OCD.
Mesmo menino de 13 anos, T2 sagital com supressão de gordura: edema medular em volta e fragmento osteocondral in situ (pontas de seta), indicativos de OCD.
Fonte: Augusto ACdL et al. RadioGraphics 2022;42(3):861–879, Fig. 22. Ver artigo
+ complemento · as osteocondroses e seus endereços Panner = capítulo (5–10 anos) · Legg-Calvé-Perthes = cabeça femoral (4–8) · Köhler = navicular (2–8) · Freiberg = cabeça do 2º/3º metatarso (13–18) · Kienböck = semilunar (20–40, ulna minus) · Sever = calcâneo (9–11) · Osgood-Schlatter = tuberosidade tibial (11–15) · Sinding-Larsen-Johansson = polo inferior da patela (10–14) · Iselin = base do 5º metatarso (8–14) · Blount infantil = tíbia proximal medial (1–3). Cuidado: fragmentação da tuberosidade tibial, da apófise do calcâneo e do navicular aparece em assintomáticos saudáveis; quem diagnostica Osgood-Schlatter, Sever e Köhler é o edema (medula + partes moles) na RM, não o RX (radiografia).
Suspeita de doença de Sever em dois meninos com dor no calcanhar
Menino de 7 anos, T2 sagital com supressão de gordura: sinal normal do centro secundário da apófise do calcâneo (pontas de seta).
Menino de 7 anos, T2 sagital com supressão de gordura: sinal normal do centro secundário da apófise do calcâneo (pontas de seta).
Menino de 9 anos, T2 sagital com supressão de gordura: hipersinal focal no centro secundário (ponta de seta), estendendo-se à tuberosidade do calcâneo (seta), c
Menino de 9 anos, T2 sagital com supressão de gordura: hipersinal focal no centro secundário (ponta de seta), estendendo-se à tuberosidade do calcâneo (seta), compatível com apofisite do calcâneo (Sever).
Fonte: Augusto ACdL et al. RadioGraphics 2022;42(3):861–879, Fig. 3. Ver artigo
Apofisites por tração crônica, menino de 12 anos
T2 sagital com supressão de gordura: edema medular nas inserções do tendão patelar, no polo inferior da patela e na tuberosidade anterior da tíbia (setas), comp
T2 sagital com supressão de gordura: edema medular nas inserções do tendão patelar, no polo inferior da patela e na tuberosidade anterior da tíbia (setas), compatível com Sinding-Larsen-Johansson e Osgood-Schlatter, e pequena bursite infrapatelar profunda (ponta de seta).
Fonte: Augusto ACdL et al. RadioGraphics 2022;42(3):861–879, Fig. 11. Ver artigo
Legg-Calvé-Perthes e doença de Köhler
Legg-Calvé-Perthes, menino de 4 anos. Radiografia AP da pelve: esclerose e fragmentação dos centros secundários das duas cabeças femorais (esquerda > direita
Legg-Calvé-Perthes, menino de 4 anos. Radiografia AP da pelve: esclerose e fragmentação dos centros secundários das duas cabeças femorais (esquerda > direita), fase avançada.
Köhler, menino de 8 anos. T1 sagital do pé: fragmentação e esclerose do navicular (seta).
Köhler, menino de 8 anos. T1 sagital do pé: fragmentação e esclerose do navicular (seta).
Mesmo menino, T2 sagital com supressão de gordura: focos esparsos de hipersinal no mediopé e no retropé (pontas de seta), os pontos brilhantes inespecíficos com
Mesmo menino, T2 sagital com supressão de gordura: focos esparsos de hipersinal no mediopé e no retropé (pontas de seta), os pontos brilhantes inespecíficos comuns no tornozelo da criança.
Fonte: Augusto ACdL et al. RadioGraphics 2022;42(3):861–879, Figs. 12, 13. Ver artigo

Metáfise: do canto fraturado ao osteossarcoma

A metáfise concentra osso recém-formado e vascularização exuberante: por isso é o endereço preferido de infecção e da maioria dos tumores da criança. E guarda a fratura mais grave do RX pediátrico: o canto metafisário (alça de balde), altamente específico de abuso infantil antes da marcha; tração/torção separa epífise e fise do osso metafisário no nível da amarra pericondral. Diferencial: o esporão pericondral normal, fino, linear e colado ao osso, sem lucência interposta.

Fratura do canto metafisário, lactente de 1 mês
Radiografia AP do joelho: fragmento ósseo (setas) separado da borda da metáfise femoral distal por uma linha lucente, em alça de balde.
Radiografia AP do joelho: fragmento ósseo (setas) separado da borda da metáfise femoral distal por uma linha lucente, em alça de balde.
Fonte: Augusto ACdL et al. RadioGraphics 2022;42(3):861–879, Fig. 25. Ver artigo
LesãoAssinatura
Desmoide corticalIrregularidade cortical benigna e autolimitada do fêmur supracondilar medial (tração do adutor magno/gastrocnêmio) · meninos 10–15 anos · halo escuro em todas as sequências, osso vizinho normal: não biopsiar
Fibroma não ossificante (NOF)Lucente excêntrico bem definido perto da fise (< 2 cm = defeito cortical fibroso) · “migra” para a diáfise com o crescimento (≠ desmoide, fixo) · pode sumir sozinho · risco de fratura patológica: > 33 mm longitudinal ou > 50% do diâmetro transverso
Cisto ósseo simplesCisto verdadeiro da 2ª década · expansão moderada, margens nítidas · fragmento caído = patognomônico (mas só 5%)
Cisto ósseo aneurismáticoReativo vascular (trauma ou tumor precursor: células gigantes, condroblastoma, osteoblastoma, NOF) · excêntrico, destruição rápida, remodelação explosiva (blown out) · níveis líquido-líquido na RM · 20% na coluna
OsteocondromaContinuidade cortical e medular com o osso de origem, metafisário, cresce PARA LONGE da articulação · complicações: impacto neurovascular, fratura, bursa, pseudoaneurisma · capa cartilaginosa > 1–3 cm após a maturidade = suspeita de condrossarcoma (vigilância a partir de ~2 cm)
OsteossarcomaO maligno primário do adolescente · massa intramedular metafisária com osso imaturo em nuvem · periosteal agressiva (Codman, lamelada, sunburst), massa de partes moles, destruição cortical sem expansão · epífise: por extensão (isolada é rara)
Fratura patológica em fibroma não ossificante (NOF)
TC sagital do joelho: lesão hipoatenuante bem definida, com halo esclerótico, na face posterior da metáfise, junto ao joelho; ruptura da cortical posterior (set
TC sagital do joelho: lesão hipoatenuante bem definida, com halo esclerótico, na face posterior da metáfise, junto ao joelho; ruptura da cortical posterior (seta) e linha esclerótica perpendicular à lesão (ponta de seta), sugestivas de estresse.
T2 sagital com supressão de gordura: lesão com sinal baixo e intermediário; a alteração de estresse é uma linha em hipossinal sobre edema medular extenso, anter
T2 sagital com supressão de gordura: lesão com sinal baixo e intermediário; a alteração de estresse é uma linha em hipossinal sobre edema medular extenso, anterior à lesão (ponta de seta).
Fonte: Augusto ACdL et al. RadioGraphics 2022;42(3):861–879, Fig. 26. Ver artigo
Osteocondroma, menino de 10 anos
T1 coronal do joelho: osteocondroma na metáfise femoral distal (seta), em continuidade com a cavidade medular do osso de origem.
T1 coronal do joelho: osteocondroma na metáfise femoral distal (seta), em continuidade com a cavidade medular do osso de origem.
T2 axial com supressão de gordura: medida da espessura da capa cartilaginosa (linha verde), perpendicular à linha de mineralização madura em hipossinal (ponta d
T2 axial com supressão de gordura: medida da espessura da capa cartilaginosa (linha verde), perpendicular à linha de mineralização madura em hipossinal (ponta de seta) e na parte mais espessa da capa.
Fonte: Augusto ACdL et al. RadioGraphics 2022;42(3):861–879, Fig. 27. Ver artigo
osteomielite: a idade muda o mapa Metade dos casos em pré-escolares; Staphylococcus aureus lidera, com o resistente à meticilina (MRSA) em ascensão e quadro mais grave; Kingella kingae é o gram-negativo líder abaixo dos 4 anos. Ataca a metáfise vascularizada (fêmur, pelve, tíbia, úmero); envolvimento epifisário é clássico do lactente < 18 meses (vasos transfisários), mas estudos recentes mostram travessia da fise mais comum do que se ensinava, favorecida por germes agressivos e pressão de abscesso. RX inicial serve para excluir fratura/tumor; a RM é o padrão (T1 baixo comparado ao músculo + líquido-sensível alto). Crônica (> 3 meses): sequestro (osso morto), invólucro (esclerose reativa) e cloaca (defeito que drena).
Osteomielite piogênica aguda
T1 sagital do tornozelo: alteração medular extensa na metáfise e na epífise da tíbia distal.
T1 sagital do tornozelo: alteração medular extensa na metáfise e na epífise da tíbia distal.
T2 sagital com supressão de gordura: edema medular extenso, fino edema periosteal anterior e posterior (pontas de seta) e pequeno derrame tibiotalar anterior (s
T2 sagital com supressão de gordura: edema medular extenso, fino edema periosteal anterior e posterior (pontas de seta) e pequeno derrame tibiotalar anterior (seta).
Fonte: Augusto ACdL et al. RadioGraphics 2022;42(3):861–879, Fig. 28. Ver artigo
CRMO: a osteomielite sem germe Osteomielite crônica não bacteriana / recorrente multifocal (CRMO): criança de ~10 anos, diagnóstico de exclusão, sem germe, sem abscesso, curso recorrente, melhora com anti-inflamatórios, associação com pustulose palmoplantar e acne. Endereços: metáfises de membros inferiores, pelve, coluna e clavícula medial; bilateral e simétrica ajuda. RM é sensível para atividade, e, na suspeita, ampliar para o corpo inteiro atrás de focos assintomáticos. Biópsia exclui tumor e infecção piogênica.
CRMO, adolescente de 16 anos
T2 coronal com supressão de gordura dos membros inferiores: edema medular bilateral e simétrico nas metáfises proximais e distais das tíbias, estendendo-se às e
T2 coronal com supressão de gordura dos membros inferiores: edema medular bilateral e simétrico nas metáfises proximais e distais das tíbias, estendendo-se às epífises.
Fonte: Augusto ACdL et al. RadioGraphics 2022;42(3):861–879, Fig. 29. Ver artigo

Pontos de prova: alto rendimento

FormaçãoIntramembranosa: calota, clavícula média, face, e a LARGURA · endocondral: comprimento, pelo molde de cartilagem
CentrosPrimário = diáfise · SOC = epífise (articula) e apófise (não articula) · SOC novo tem medula vermelha; vira amarela ~6 meses após aparecer no RX
Normal × fraturaFisiológico: simétrico, liso, esclerótico, quebra-cabeça · fratura: linear, sem esclerose, edema + derrame
FiseCamadas germinativa → proliferativa → hipertrófica → ZPC (o elo fraco) → esponjosa primária · trilaminar no T2 com saturação de gordura
PericôndrioFirme na fise (Ranvier, LaCroix): segura o trauma e barra abscesso · periósteo frouxo: coleções descolam · interposição no traço = ponte
CRITOECapítulo → rádio → interno (medial) → tróclea → olécrano → externo · “tróclea sem epicôndilo medial” = avulsão deslocada
MedulaConverte da periferia p/ o centro; no osso: epífise → diáfise → metáfise distal → proximal · completa ~25 anos · reconversão = inverso
Regra do T1Medula vermelha normal é MAIS clara que músculo/disco (exceto feto/neonato) · residual em chama com base na fise
Vasos< 18 meses: transfisários → infecção cruza p/ epífise/artrite séptica · depois: alças lentas → infecção para na metáfise
Salter-HarrisI só fise (RX sutil) · II + metáfise (Thurston Holland, o mais comum) · III + epífise (articular) · IV atravessa tudo (ponte) · V esmagamento
Ponte ósseaCausa nº 1: fratura fisária · fêmur distal e Kump bump · Park-Harris que desvia denuncia · seguimento radiográfico; TC mede a barra
Fise largaEstresse crônico do atleta: fise alargada + ZPC apagada + cartilagem invadindo a metáfise · FOPE: fise estreita e NORMAL com edema em explosão = fechamento fisiológico
QuadrilDisplasia do desenvolvimento: US até 6–8 semanas, RX após 4–6 meses · RM p/ redução e necrose
BlountTíbia proximal MEDIAL, varo · infantil (< 4) = osteocondrose; tardia = fise medial fecha cedo · obesidade, bilateral
OCD juvenilCôndilo femoral MEDIAL (face lateral) · instável: halo líquido, 2º anel, quebra da placa, cisto > 5 mm · normal do crescimento: côndilo LATERAL posterior sem carga, sem edema
OsteocondrosesPanner capítulo · Perthes cabeça femoral · Köhler navicular · Freiberg 2º metatarso · Kienböck semilunar · Sever calcâneo · Osgood tuberosidade tibial · fragmentação em assintomático é comum: RM decide
Canto metafisárioAlça de balde do lactente = abuso · separa na amarra pericondral · ≠ esporão pericondral (colado, sem lucência)
NOF × desmoideNOF migra p/ diáfise e pode sumir; fratura se > 33 mm ou > 50% · desmoide cortical: fêmur supracondilar medial, fixo, não biopsiar
CistosSimples: fragmento caído (5%, patognomônico) · aneurismático: líquido-líquido, blown out, procurar precursor
OsteocondromaContinuidade córtico-medular, cresce p/ longe da articulação · capa > 1–3 cm pós-maturidade = condrossarcoma?
OsteomieliteMetáfise · S. aureus; Kingella < 4 anos · RM manda · crônica: sequestro/invólucro/cloaca · fise atravessada mais que o clássico
CRMO~10 anos · multifocal, clavícula medial · sem abscesso/germe · melhora com anti-inflamatório · RM de corpo inteiro

Armadilhas e erros comuns

Erros de “normal”

  • Chamar centro de ossificação fragmentado (simétrico, esclerótico) de fratura
  • Chamar medula vermelha residual em chama de infiltração (regra do T1!)
  • Chamar FOPE de lesão por overuse (a fise é normal e estreita)
  • Chamar ossificação irregular do côndilo lateral de OCD
  • Chamar ondulação fisária normal de ponte óssea

Erros de doença

  • Perder Salter-Harris I porque “o RX está normal” (fise larga/turva basta)
  • Perder o canto metafisário do abuso, ou confundi-lo com o esporão pericondral
  • Ler fise larga do arremessador como fratura aguda (é estresse crônico)
  • Esquecer que infecção do lactente < 18 meses cruza para a epífise
  • Osteocondrose “diagnosticada” só pela fragmentação no RX, sem edema na RM

Erros de conduta

  • Não seriar radiografias após fratura fisária de risco (ponte pega tarde)
  • Biopsiar desmoide cortical ou NOF típicos
  • Não medir a capa do osteocondroma no adulto jovem sintomático
  • Suspeitar de CRMO e não estender a RM para o corpo inteiro

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Adolescente de 15 anos cai apoiado na mão espalmada. A RM do punho mostra alargamento da fise distal do rádio e um fragmento ósseo triangular destacado do canto metafisário. Como classificar a lesão?

O fragmento triangular do canto metafisário associado ao traço fisário é o fragmento de Thurston Holland, assinatura do Salter-Harris tipo II: o tipo mais comum de fratura fisária. O traço corre pela zona de calcificação provisória (o elo mais fraco) e escapa pela metáfise, poupando a epífise e a superfície articular.

O tipo I acomete só a fise (radiografia sutil: alargamento, borramento, osteopenia perifisária, sem fragmento). O tipo III sai pela epífise (intra-articular), e o tipo IV atravessa epífise, fise e metáfise: nada disso está presente. O tipo V é o esmagamento da fise, diagnóstico difícil que não se define pelo mecanismo isoladamente, e não produz fragmento metafisário.
↑revisar esta parte do caderno · Fise: fraturas, pontes, estresse e FOPE
Questão 2

Lactente de 2 meses levado ao pronto-socorro por choro persistente. A radiografia do joelho mostra fragmento ósseo separado da margem metafisária do fêmur distal por fina lucência linear, assumindo configuração em alça de balde na incidência tangencial. Qual é a principal implicação desse achado?

Fragmento do canto metafisário separado por lucência linear, com configuração em alça de balde na incidência tangencial, é a fratura metafisária clássica: altamente específica de abuso infantil em menores de 1 ano. Resulta de forças de tração e torção que separam a epífise e a fise adjacente do osso metafisário no nível da amarra firme do pericôndrio. O achado obriga a acionar o protocolo de maus-tratos (inventário ósseo, avaliação multidisciplinar).

O esporão pericondral normal é o grande diferencial, mas ele é fino, linear e colado ao osso adjacente, sem lucência interposta. Raquitismo alarga e esfiapa a metáfise difusamente, sem fragmento destacado. Osteomielite e osteocondrose não produzem fragmento em alça de balde.
↑revisar esta parte do caderno · Metáfise: do canto fraturado ao osteossarcoma
Questão 3

Menino de 9 anos com dor inespecífica no joelho. A RM mostra irregularidade subcondral na porção posterior, fora da área de carga, do côndilo femoral lateral, com cartilagem sobrejacente íntegra e sem edema medular nas sequências sensíveis a líquido. Qual é a melhor interpretação?

Tudo aponta para a ossificação irregular do desenvolvimento: localização na porção posterior sem carga do côndilo LATERAL, cartilagem sobrejacente normal e ausência de edema medular. É exatamente a tríade que separa a variante normal da osteocondrite dissecante (OCD) juvenil, que prefere a face lateral do côndilo medial (região intercondilar, com ou sem extensão à zona de carga) e cursa com edema e alterações da cartilagem.

Não há critérios de instabilidade (halo líquido T2-alto, segundo anel escuro, linha atravessando a cartilagem, defeito preenchido por líquido, quebras da placa subcondral, cistos). Osteonecrose inicial mostraria edema; fratura aguda teria trauma e edema; condroblastoma é lesão lítica com halo esclerótico e edema desproporcional: nada disso existe aqui.
↑revisar esta parte do caderno · Epífise: do quadril displásico ao condroblastoma
Questão 4

Sobre a osteomielite hematogênica pediátrica e sua relação com a vascularização do osso em crescimento, qual alternativa está correta?

Até cerca de 18 meses, vasos transfisários atravessam a fise ligando os leitos metafisário e epifisário: a infecção (e a metástase) cruza com facilidade, destruindo cartilagem articular e explicando a maior incidência de artrite séptica nessa faixa. Depois da involução desses vasos, as artérias nutrientes terminam em alças de fluxo lento junto à fise, e o êmbolo séptico passa a parar na metáfise.

A fise não é barreira absoluta nem depois: estudos recentes mostram travessia mais comum do que o clássico, favorecida por germes agressivos e pressão de abscesso. O endereço típico é a metáfise (não a diáfise), os equivalentes metafisários (trirradiada, sincondrose isquiopúbica, sacroilíaca) compartilham a mesma vulnerabilidade (não são poupados), e o método mais acurado é a RM; a radiografia inicial serve sobretudo para excluir fratura e tumor.
↑revisar esta parte do caderno · Medula óssea e vascularização
Questão 5

Adolescente de 16 anos com dor óssea recorrente há 8 meses. RM mostra edema medular bilateral e simétrico nas metáfises proximais e distais das tíbias e na clavícula medial esquerda, sem coleções. Culturas e biópsia sem germe; não houve resposta a antibiótico empírico, e houve melhora com anti-inflamatórios. Qual é o diagnóstico mais provável e a conduta de imagem complementar?

Curso crônico e recorrente, multifocalidade bilateral e simétrica em metáfises de membros inferiores mais clavícula medial (endereço típico), ausência de abscesso e de germe, e resposta a anti-inflamatórios compõem o quadro clássico da osteomielite crônica não bacteriana / recorrente multifocal (CRMO): diagnóstico de exclusão da criança de ~10 anos, associado a pustulose palmoplantar e acne. Na suspeita, a recomendação é estender a investigação com RM de corpo inteiro, que flagra lesões clinicamente silenciosas.

A falta de resposta a antibióticos e a ausência de organismo pesam contra osteomielite bacteriana. Metástases e leucemia não explicam a simetria com biópsia negativa e melhora com anti-inflamatório. Fratura de estresse não acomete clavícula medial de forma simétrica com esse curso arrastado.
↑revisar esta parte do caderno · Metáfise: do canto fraturado ao osteossarcoma
Questão 6

Menina de 13 anos, sem prática esportiva relevante, com dor no joelho. A RM mostra foco de edema medular em explosão centrado na fise femoral distal, que está aberta, porém estreita, estendendo-se um pouco à metáfise e à epífise. A fise não apresenta alargamento, irregularidade ou fragmentação. Qual é a melhor interpretação?

Edema focal em explosão centrado numa fise aberta porém estreita do joelho adolescente (fêmur distal, tíbia ou fíbula proximais), estendendo-se à metáfise e à epífise, com a fise em si normal, é a zona de edema perifisário focal (FOPE). A notável constância de idade, grau de maturação e localização sugere que representa uma etapa normal (e às vezes dolorosa) da fusão fisária: curso benigno, sem necessidade de tratamento agressivo.

O estresse crônico exigiria fise alargada, irregular ou fragmentada com a zona de calcificação provisória apagada: o oposto da fise estreita e normal daqui (além da história esportiva ausente). Salter-Harris V pressupõe trauma com carga axial. Osteomielite e osteossarcoma não se apresentam como edema centrado numa fise em fechamento sem lesão estrutural.
↑revisar esta parte do caderno · Fise: fraturas, pontes, estresse e FOPE
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Fontes.
[A] Augusto ACL, Goes PCK, Flores DV, et al. Imaging Review of Normal and Abnormal Skeletal Maturation. RadioGraphics 2022;42(3):861–879. doi:10.1148/rg.210088

Todo o conteúdo vem de [A]. Conferido em 01/09/2026.

Os diagramas são próprios. Blocos marcados com + complemento são acréscimos do autor, além do texto das fontes.