Cadernos QRad 72 · TVP dos Membros Inferiores ao US
Vascular · veias profundas

TVP dos Membros Inferiores ao US

Fonte: Roberts et al., RadioGraphics 2024

Não colabou: é trombo

O diagnóstico de trombose venosa profunda (TVP) ao US se apoia num gesto: a compressão. A veia normal some quando o transdutor aperta; a veia com trombo não colaba. Cor e Doppler espectral completam, e o Doppler da veia femoral comum diz o que o US não alcança, a pelve e a veia cava.

Desde 2018 o consenso da Sociedade de Radiologistas em US (SRU), adotado pelo ACR (American College of Radiology) em 2019, inclui as veias profundas da panturrilha no exame completo. E o laudo precisa separar a TVP aguda da alteração pós-trombótica, porque o tratamento é diferente.

a tríade de Virchow Estase, lesão do endotélio e hipercoagulabilidade; quem faz TVP costuma ter duas ou mais. Os fatores adquiridos mais comuns: imobilidade de 48 horas no último mês, internação ou cirurgia nos últimos 3 meses, câncer, infecção. Entre os hereditários, o mais comum é o fator V de Leiden; depois mutação da protrombina e deficiência de proteína C, proteína S e antitrombina.

O exame completo e os exames limitados

Exame completo (SRU 2018, ACR 2019)Como
Compressão em escala de cinza, no transversal, a cada 2 cmFemoral comum desde o ligamento inguinal, femoral, poplítea, tibiais posteriores e fibulares (as veias da panturrilha são pareadas)
Compressão nas junçõesFemoral profunda e safena magna na junção safenofemoral
Doppler espectral e coloridoFemoral comum (ou ilíaca externa) e poplítea, no longitudinal · a manobra de aumento distal não é necessária para o diagnóstico, mas ajuda a achar a veia e a ver se o trombo é oclusivo
Exame unilateralIncluir o Doppler da femoral comum do outro lado, para comparar a fasicidade
Sintoma focalExaminar o ponto (músculo da panturrilha, veias superficiais) · transdutor linear de alta frequência; convexo de baixa frequência na coxa grossa e na perna edemaciada
Doppler normal das femorais comuns
Doppler espectral das duas veias femorais comuns: ondas quase simétricas, fásicas com a respiração, com alguma pulsação cardíaca.
Doppler espectral das duas veias femorais comuns: ondas quase simétricas, fásicas com a respiração, com alguma pulsação cardíaca.
Fonte: Roberts N, DiMaggio M Jr, Horrow MM. RadioGraphics 2024;44(11):e240113, apresentação, slide 8. Ver artigo
Exame limitadoQuando
Compressão da femoral comum à poplítea, sem DopplerUrgência, quando o completo não está disponível
Dois pontosFemoral comum a 2 cm acima da junção safenofemoral e poplítea
Abreviado (usado na pandemia)Doppler das duas femorais comuns, compressão da femoral comum à poplítea; achou trombo, define a extensão proximal e para
quando repetir Depois de um exame limitado, fazer o completo (da femoral comum às veias da panturrilha) em 5 a 7 dias. Depois de um exame completo negativo, repetir em 5 a 7 dias se os sintomas persistirem ou piorarem, ou se o exame foi tecnicamente limitado.

TVP aguda

AchadoComo aparece
CompressãoA veia não colaba (oclusiva) ou colaba só em parte (não oclusiva) · é o critério principal
CalibreVeia dilatada no trombo agudo
EcogenicidadeHipoecogênico, isoecogênico ou hiperecogênico · o trombo isoecogênico ao sangue só aparece pela compressão ou pela cor · a ecogenicidade não data o trombo
Cor e DopplerSem fluxo (oclusivo) ou fluxo contornando o trombo (não oclusivo)
Em voltaGordura ecogênica e borrada (edema) · colaterais que colabam, dilatadas para compensar
Trombo móvelPonta solta, flutuando · compressão mínima e delicada (risco de embolizar)
TVP aguda bilateral e oclusiva, homem com AVCs de repetição e gesso na perna esquerda
Femoral comum direita, transversal sem e com compressão: veia dilatada que não colaba (setas), trombo muito hipoecogênico.
Femoral comum direita, transversal sem e com compressão: veia dilatada que não colaba (setas), trombo muito hipoecogênico.
Femoral comum esquerda: o mesmo achado (setas).
Femoral comum esquerda: o mesmo achado (setas).
Femoral comum direita, sagital: sem fluxo na cor e no Doppler espectral.
Femoral comum direita, sagital: sem fluxo na cor e no Doppler espectral.
Femoral comum esquerda: sem fluxo.
Femoral comum esquerda: sem fluxo.
TC sem contraste no mesmo dia: femorais comuns dilatadas e mais densas que as artérias (setas), com borramento da gordura em volta.
TC sem contraste no mesmo dia: femorais comuns dilatadas e mais densas que as artérias (setas), com borramento da gordura em volta.
Fonte: Roberts N, DiMaggio M Jr, Horrow MM. RadioGraphics 2024;44(11):e240113, apresentação, slide 9. Ver artigo
TVP aguda não oclusiva, mulher de 76 anos com hematoma subdural
Transversal sem e com compressão: a femoral comum não colaba por completo (setas).
Transversal sem e com compressão: a femoral comum não colaba por completo (setas).
Sagital sem cor: o trombo é quase isoecogênico ao sangue e passa despercebido.
Sagital sem cor: o trombo é quase isoecogênico ao sangue e passa despercebido.
Sagital com cor: o fluxo contorna o trombo focal (asterisco).
Sagital com cor: o fluxo contorna o trombo focal (asterisco).
Fonte: Roberts N, DiMaggio M Jr, Horrow MM. RadioGraphics 2024;44(11):e240113, apresentação, slide 10. Ver artigo
Trombo hipoecogênico
Femoral comum esquerda, transversal sem e com compressão: veia dilatada que não colaba, com trombo quase tão hipoecogênico quanto o sangue da artéria.
Femoral comum esquerda, transversal sem e com compressão: veia dilatada que não colaba, com trombo quase tão hipoecogênico quanto o sangue da artéria.
Sagital: sem fluxo na cor, trombo oclusivo.
Sagital: sem fluxo na cor, trombo oclusivo.
Fonte: Roberts N, DiMaggio M Jr, Horrow MM. RadioGraphics 2024;44(11):e240113, apresentação, slide 12. Ver artigo
Trombo ecogênico, também agudo
Femoral comum direita, sagital: trombo predominantemente ecogênico.
Femoral comum direita, sagital: trombo predominantemente ecogênico.
Transversal sem e com compressão: veia dilatada que não colaba. A ecogenicidade não data o trombo.
Transversal sem e com compressão: veia dilatada que não colaba. A ecogenicidade não data o trombo.
Fonte: Roberts N, DiMaggio M Jr, Horrow MM. RadioGraphics 2024;44(11):e240113, apresentação, slide 14. Ver artigo
trombo que chega à pelve Se o trombo sobe até onde o US alcança, a extensão proximal precisa ser definida por outro método (angio-TC ou angio-RM venosa): a ilíaca e a cava podem estar tomadas, inclusive do outro lado. Na TC sem contraste, a veia trombosada fica dilatada e mais densa que a artéria ao lado.
Trombo até onde o US alcança, mulher de 22 anos com síndrome antifosfolípide
US: TVP oclusiva extensa da femoral comum esquerda à poplítea, presente no ponto mais alto que se conseguiu examinar.
US: TVP oclusiva extensa da femoral comum esquerda à poplítea, presente no ponto mais alto que se conseguiu examinar.
Angio-TC venosa: trombo na pelve à esquerda (seta).
Angio-TC venosa: trombo na pelve à esquerda (seta).
Angio-TC venosa: o trombo continua (seta).
Angio-TC venosa: o trombo continua (seta).
Angio-TC venosa coronal: trombo subindo até a veia cava (setas). A TVP esquerda chegava à ilíaca comum, e havia trombo na ilíaca externa direita até a cava.
Angio-TC venosa coronal: trombo subindo até a veia cava (setas). A TVP esquerda chegava à ilíaca comum, e havia trombo na ilíaca externa direita até a cava.
Fonte: Roberts N, DiMaggio M Jr, Horrow MM. RadioGraphics 2024;44(11):e240113, apresentação, slide 19. Ver artigo
SituaçãoO que saber
Flegmasia cerúlea dolensTVP extensa com obstrução grave da saída venosa: o edema eleva a pressão até comprometer as artérias (síndrome compartimental, choque) · tríade de dor, edema e cianose, mais à esquerda · sem tratamento, gangrena venosa em 40 a 60% · no US, veias sem compressão, edema intenso e artérias com velocidade baixa sem estenose
TVP isolada da panturrilha30 a 50% das TVP · sem anticoagulação: 10 a 20% sobem, 30% recorrem · se não tratada, US em 1 semana; se persistir, de novo em 2 semanas; estável, para · se anticoagulada, controle só se mudar a conduta · gastrocnêmias e soleares só entram se houver sintoma
Trombose da safena magna3 a 11% da população · passa para o sistema profundo em 7 a 11% · a menos de 3 cm da femoral comum: tratar como TVP ou repetir o US em 1 semana · mais de 5 cm de extensão: anticoagulação
Depois da ablação da safenaSafena ocluída é o esperado; o controle procura extensão para a femoral comum
Trombo no cateter14 a 18% · em geral assintomático; infecção é a consequência mais comum · US só com sintoma (edema), não por mau funcionamento do cateter
Transplante renal do mesmo ladoSeguir o trombo até a ilíaca externa e a veia renal do enxerto
Flegmasia cerúlea dolens, mulher de 58 anos com dor, edema e pulsos diminuídos à direita
Femoral comum direita: veia sem compressão (seta), gordura ecogênica com estrias de líquido pelo edema.
Femoral comum direita: veia sem compressão (seta), gordura ecogênica com estrias de líquido pelo edema.
Poplítea direita: o mesmo achado (seta).
Poplítea direita: o mesmo achado (seta).
TC: edema subcutâneo intenso na coxa direita e veia trombosada (seta).
TC: edema subcutâneo intenso na coxa direita e veia trombosada (seta).
TC da pelve: trombo oclusivo na veia (seta) e edema subcutâneo.
TC da pelve: trombo oclusivo na veia (seta) e edema subcutâneo.
TC: o trombo sobe até o filtro de veia cava (seta).
TC: o trombo sobe até o filtro de veia cava (seta).
Doppler arterial: velocidade baixa (cerca de 20 cm/s) nas artérias da perna direita, sem estenose nem oclusão. Tratada com trombectomia, trombólise e anticoagul
Doppler arterial: velocidade baixa (cerca de 20 cm/s) nas artérias da perna direita, sem estenose nem oclusão. Tratada com trombectomia, trombólise e anticoagulação.
Para comparar: artéria femoral comum com onda e velocidade normais.
Para comparar: artéria femoral comum com onda e velocidade normais.
Fonte: Roberts N, DiMaggio M Jr, Horrow MM. RadioGraphics 2024;44(11):e240113, apresentação, slide 20. Ver artigo
Veias da panturrilha
Fibulares normais, com cor.
Fibulares normais, com cor.
Tibiais posteriores normais, com cor.
Tibiais posteriores normais, com cor.
TVP isolada das fibulares: sem compressão e sem fluxo.
TVP isolada das fibulares: sem compressão e sem fluxo.
Fonte: Roberts N, DiMaggio M Jr, Horrow MM. RadioGraphics 2024;44(11):e240113, apresentação, slide 23. Ver artigo

O que o Doppler da femoral comum conta

A onda normal da femoral comum é fásica com a respiração (a pressão do tórax chega até ali), com alguma pulsação cardíaca, e os dois lados são quase simétricos. Ela é o termômetro do que está acima do ligamento inguinal.

PadrãoPensar em
Monofásica de um lado (perde a fasicidade)Obstrução proximal: trombo ilíaco, compressão extrínseca (hematoma, linfonodo, massa, ascite, útero grávido ou miomatoso), estreitamento (pós-trombótico, radioterapia) · procurar acima, com transdutor convexo
Monofásica dos dois ladosObstrução central comum aos dois: veia cava (trombo até um filtro, por exemplo)
Pulsátil dos dois ladosPressão alta no coração direito e/ou insuficiência tricúspide · frase de laudo sugerida: "achados sugerem pressão elevada nas câmaras direitas e/ou insuficiência tricúspide"
Pulsátil de um lado sóRaro · pense em causa local (no exemplo do artigo, fasciculação muscular)
Onda assimétrica por TVP proximal, mulher de 53 anos com miomas e edema na perna esquerda
Femoral comum direita: onda fásica, normal.
Femoral comum direita: onda fásica, normal.
Femoral comum esquerda: onda plana, sem fasicidade respiratória. Não havia trombo da femoral à panturrilha.
Femoral comum esquerda: onda plana, sem fasicidade respiratória. Não havia trombo da femoral à panturrilha.
Ilíaca externa esquerda com transdutor convexo: trombo (seta) e onda amortecida, sugerindo trombo ainda mais acima.
Ilíaca externa esquerda com transdutor convexo: trombo (seta) e onda amortecida, sugerindo trombo ainda mais acima.
Angio-TC venosa: veia cava sem trombo.
Angio-TC venosa: veia cava sem trombo.
Útero aumentado por miomas (asterisco), que comprime a pelve.
Útero aumentado por miomas (asterisco), que comprime a pelve.
Trombo na ilíaca comum esquerda (seta).
Trombo na ilíaca comum esquerda (seta).
Trombo na ilíaca externa esquerda (seta).
Trombo na ilíaca externa esquerda (seta).
Fonte: Roberts N, DiMaggio M Jr, Horrow MM. RadioGraphics 2024;44(11):e240113, apresentação, slide 28. Ver artigo
Onda assimétrica sem TVP, homem de 54 anos com câncer anal
Doppler das duas femorais comuns: a esquerda é fásica; a direita perdeu a fasicidade respiratória e cardíaca, com linfonodo ao lado (setas).
Doppler das duas femorais comuns: a esquerda é fásica; a direita perdeu a fasicidade respiratória e cardíaca, com linfonodo ao lado (setas).
TC: linfonodos malignos na região inguinal direita; mais acima, a femoral comum realça mas está espremida entre eles (setas).
TC: linfonodos malignos na região inguinal direita; mais acima, a femoral comum realça mas está espremida entre eles (setas).
US da virilha direita: massa sólida lobulada.
US da virilha direita: massa sólida lobulada.
TC: compressão da ilíaca externa direita entre os linfonodos e o iliopsoas tomado pelo tumor (seta).
TC: compressão da ilíaca externa direita entre os linfonodos e o iliopsoas tomado pelo tumor (seta).
Fonte: Roberts N, DiMaggio M Jr, Horrow MM. RadioGraphics 2024;44(11):e240113, apresentação, slide 33. Ver artigo
Pulsatilidade aumentada dos dois lados, mulher de 80 anos com miocardiopatia
Femoral comum direita: onda muito pulsátil.
Femoral comum direita: onda muito pulsátil.
Femoral comum esquerda: igual, simétrica. Não havia TVP.
Femoral comum esquerda: igual, simétrica. Não havia TVP.
Radiografia: aumento de várias câmaras, derrame pleural pequeno à direita e marca-passo, em insuficiência cardíaca direita.
Radiografia: aumento de várias câmaras, derrame pleural pequeno à direita e marca-passo, em insuficiência cardíaca direita.
Fonte: Roberts N, DiMaggio M Jr, Horrow MM. RadioGraphics 2024;44(11):e240113, apresentação, slide 35. Ver artigo
a onda assimétrica vale Numa série de 2.963 exames, 4,2% tinham onda monofásica assimétrica na femoral comum. A causa foi TVP ilíaca em 38% (um terço delas restrita à ilíaca, invisível no exame da coxa), compressão extrínseca em 21%, estreitamento intrínseco em 5%, e nada foi achado em 36%. Por isso o exame unilateral leva o Doppler da femoral comum do outro lado.
+ complemento · síndrome de May-Thurner Compressão da veia ilíaca comum esquerda entre a artéria ilíaca comum direita e a coluna. Mais em mulheres da 2ª à 4ª década, 2 a 5% das doenças venosas dos membros inferiores; leva a edema, dor e TVP à esquerda. Tratamento do trombo e stent. No US, investigue acima do ligamento inguinal com transdutor convexo.
+ complemento · pulsatilidade e coração A pulsatilidade aumentada se associa a veia cava dilatada, hipertensão pulmonar e insuficiência tricúspide: 65% desses pacientes tinham pressão alta no átrio direito. Para descompensação cardíaca e insuficiência tricúspide, a sensibilidade é alta (91% e 78%), e a especificidade, baixa (57% e 54%). Não há critério objetivo: a leitura é subjetiva.

Alteração pós-trombótica

A TVP aguda pode sumir, crescer ou deixar sequela na parede. A recanalização é rápida, sobretudo nos 3 primeiros meses. O que fica dentro da veia depois do evento agudo se chama alteração pós-trombótica: já não é trombo.

TVP agudaAlteração pós-trombótica
CalibreDilatadaNormal ou pequena
ConteúdoTrombo que enche a luz, sem compressãoTraves e sinéquias finas ou grossas, parede espessa, irregular, às vezes calcificada · material rígido
CompressãoNão colabaA luz que sobra colaba normalmente
FluxoAusente ou contornando o tromboEm volta das traves · pode haver refluxo
Alteração pós-trombótica
Femoral comum direita, sagital: parede espessada (setas).
Femoral comum direita, sagital: parede espessada (setas).
Calcificação na parede (seta), pouco fluxo e refluxo profundo de mais de 0,5 s.
Calcificação na parede (seta), pouco fluxo e refluxo profundo de mais de 0,5 s.
A cor mostra melhor o espessamento da parede; a luz que sobra colaba por completo (círculo), o que afasta TVP aguda.
A cor mostra melhor o espessamento da parede; a luz que sobra colaba por completo (círculo), o que afasta TVP aguda.
Fonte: Roberts N, DiMaggio M Jr, Horrow MM. RadioGraphics 2024;44(11):e240113, apresentação, slide 46. Ver artigo
Alteração pós-trombótica: traves e sinéquias
Veia de calibre normal com traves lineares grossas (setas).
Veia de calibre normal com traves lineares grossas (setas).
Com cor, o fluxo passa em volta das traves.
Com cor, o fluxo passa em volta das traves.
A luz restante colaba normalmente (círculo).
A luz restante colaba normalmente (círculo).
Outro paciente: sinéquia parcialmente calcificada, com sombra (seta).
Outro paciente: sinéquia parcialmente calcificada, com sombra (seta).
Fonte: Roberts N, DiMaggio M Jr, Horrow MM. RadioGraphics 2024;44(11):e240113, apresentação, slide 47. Ver artigo
as palavras do laudo Evite "trombose crônica", "trombo residual" e "trombo subagudo": o clínico pode ler como trombo a tratar. Use alteração pós-trombótica. E recomende um US no fim do tratamento, para servir de nova base: sem ele, a TVP recorrente é difícil de reconhecer em cima das sequelas, a menos que surja num lugar novo.
Síndrome pós-trombóticaO que saber
QuandoEm geral 3 a 6 meses depois da TVP, até 2 anos
Quanto20 a 50% (grave em menos de 10%)
QuadroDor, edema, cãibra, claudicação · telangiectasias, dermatite, edema; úlcera nos graves
RiscoObesidade, idade, TVP iliofemoral, anticoagulação insuficiente, trombo persistente no US depois do tratamento
+ complemento · neovascularização Depois da TVP (e às vezes da trombose superficial), vasos novos na parede da veia dão um foco de fluxo arterial de baixa resistência (índice de resistência em torno de 0,48) dentro da veia. Já foi chamado de "fluxo de fístula arteriovenosa", mas não há fístula: a artéria vizinha tem fluxo normal, de alta resistência. É o remodelamento do trombo, parecido com a transformação cavernosa da veia porta.
Neovascularização pós-trombótica, mulher de 75 anos com edema crônico
Foco de cor na parede da femoral (seta), sobre sinéquias finas e parede espessa.
Foco de cor na parede da femoral (seta), sobre sinéquias finas e parede espessa.
Doppler do foco: fluxo de alta velocidade e baixa resistência (índice de resistência 0,46).
Doppler do foco: fluxo de alta velocidade e baixa resistência (índice de resistência 0,46).
Artéria femoral ao lado: onda normal, de alta resistência. Não há fístula entre a artéria e a veia.
Artéria femoral ao lado: onda normal, de alta resistência. Não há fístula entre a artéria e a veia.
Fonte: Roberts N, DiMaggio M Jr, Horrow MM. RadioGraphics 2024;44(11):e240113, apresentação, slide 48. Ver artigo

Armadilhas

ArmadilhaComo evitar
Fluxo lento (rouleaux)Ecos de baixa intensidade, móveis, mais ecogênicos que o sangue da artéria, às vezes acumulados nas válvulas, mais vistos com transdutor de alta frequência · a veia colaba e a compressão distal "limpa" a luz · se assimétrico, controle (pacientes com câncer e fluxo lento tiveram um pouco mais de TVP depois)
Femoral duplicadaUma colaba, a outra tem trombo: comprima e examine as duas
Veia trocadaCom edema, as veias ficam mais fundas e a safena dilatada (colateral) passa por veia profunda · veia profunda sempre acompanha uma artéria
Transbordamento da cor (blooming)Ganho de cor alto demais pinta por cima da parede e esconde o trombo · a compressão manda
Massa na fossa poplíteaHematoma de cisto de Baker rompido pode parecer veia trombosada · transdutor de frequência mais baixa acha a veia normal, mais funda
Fluxo lento sem TVP
Gestante de 34 semanas: femoral comum esquerda com ecos móveis de baixa intensidade, que colaba normalmente. Achado simétrico, pelo útero; sem necessidade de co
Gestante de 34 semanas: femoral comum esquerda com ecos móveis de baixa intensidade, que colaba normalmente. Achado simétrico, pelo útero; sem necessidade de controle.
Outra paciente: na poplítea, a cor e o Doppler só aparecem quando se aperta a panturrilha.
Outra paciente: na poplítea, a cor e o Doppler só aparecem quando se aperta a panturrilha.
Fonte: Roberts N, DiMaggio M Jr, Horrow MM. RadioGraphics 2024;44(11):e240113, apresentação, slide 38. Ver artigo
Rouleaux ou trombo nas válvulas
Poplítea de calibre normal com material ecogênico móvel nas válvulas (setas). A veia colaba e o Doppler é normal: fluxo lento.
Poplítea de calibre normal com material ecogênico móvel nas válvulas (setas). A veia colaba e o Doppler é normal: fluxo lento.
Para comparar: trombo nas válvulas da poplítea esquerda, que não colaba por completo (setas).
Para comparar: trombo nas válvulas da poplítea esquerda, que não colaba por completo (setas).
Fonte: Roberts N, DiMaggio M Jr, Horrow MM. RadioGraphics 2024;44(11):e240113, apresentação, slide 51. Ver artigo
Transbordamento da cor e femoral duplicada
Ganho de cor alto demais: a cor transborda a parede onde não há fluxo (setas) e esconde o trombo de uma veia que não colabava.
Ganho de cor alto demais: a cor transborda a parede onde não há fluxo (setas) e esconde o trombo de uma veia que não colabava.
Femoral duplicada, transversal sem compressão: duas veias (v1 e v2).
Femoral duplicada, transversal sem compressão: duas veias (v1 e v2).
Com compressão: v1 colaba, v2 não. Trombo em uma das duas femorais.
Com compressão: v1 colaba, v2 não. Trombo em uma das duas femorais.
Fonte: Roberts N, DiMaggio M Jr, Horrow MM. RadioGraphics 2024;44(11):e240113, apresentação, slide 50. Ver artigo
a regra que resolve quase tudo Na dúvida entre trombo e artefato, a compressão decide: colabou por completo, não há TVP naquele ponto. Cor e ecos dentro da luz enganam nos dois sentidos.

Pontos de prova: alto rendimento

Critério principalVeia que não colaba
SRU 2018 / ACR 2019Inclui tibiais posteriores e fibulares
CompressãoA cada 2 cm, no transversal
DopplerFemoral comum e poplítea
UnilateralDoppler da femoral comum do outro lado
Exame limitadoCompleto em 5–7 dias
Negativo com sintomaRepetir em 5–7 dias
EcogenicidadeNão data o trombo
Trombo móvelCompressão delicada
Trombo até a pelveAngio-TC ou angio-RM venosa
TC sem contrasteVeia dilatada e mais densa que a artéria
FlegmasiaDor, edema, cianose · artérias lentas · gangrena 40–60%
Panturrilha isolada30–50% · sem tratar: US em 1 semana
Safena < 3 cm da femoral comumTratar como TVP ou US em 1 semana
Monofásica de um ladoObstrução proximal: ilíaca, compressão
Monofásica dos doisVeia cava
Pulsátil dos doisCoração direito, insuficiência tricúspide
Onda assimétricaTVP ilíaca em 38%
May-ThurnerIlíaca comum esquerda sob a artéria direita
Pós-trombóticaVeia pequena, parede espessa, sinéquias, luz que colaba
LaudoNão dizer trombose crônica nem trombo residual
Fim do tratamentoUS de nova base
Síndrome pós-trombótica20–50% · 3–6 meses
NeovascularizaçãoFluxo arterial de baixa resistência na parede
Fluxo lentoEcos móveis, veia colaba
Veia profundaSempre ao lado de uma artéria

Armadilhas e erros comuns

Erros

  • Comprimir com força um trombo flutuante
  • Datar o trombo pela ecogenicidade
  • Parar o exame na coxa quando a onda da femoral comum está plana
  • Fazer exame unilateral sem o Doppler do outro lado
  • Chamar de trombose crônica a alteração pós-trombótica
  • Chamar de trombo o fluxo lento de uma veia que colaba
  • Examinar só uma das femorais duplicadas
  • Confundir a safena dilatada com a veia femoral
  • Confiar na cor quando a veia não colaba

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Pelo consenso da SRU de 2018, adotado pelo ACR em 2019, o exame completo para TVP do membro inferior inclui:

O exame completo vai da femoral comum às tibiais posteriores e fibulares, com compressão a cada 2 cm, as junções com a safena magna e a femoral profunda, e Doppler na femoral comum e na poplítea. Compressão só da femoral à poplítea e o exame de dois pontos são exames limitados, que pedem o completo em 5 a 7 dias. As gastrocnêmias e soleares só entram com sintoma.
↑revisar esta parte do caderno · O exame completo e os exames limitados
Questão 2

A veia femoral comum está dilatada e não colaba à compressão, com conteúdo hiperecogênico. Sobre a idade do trombo, é correto dizer que:

O trombo agudo pode ser hipo, iso ou hiperecogênico: a ecogenicidade não data o trombo. O que sugere TVP aguda aqui é a veia dilatada e sem compressão. Na alteração pós-trombótica a veia é normal ou pequena, com parede espessa e sinéquias, e a luz que sobra colaba.
↑revisar esta parte do caderno · TVP aguda
Questão 3

Exame do membro inferior esquerdo sem trombo da femoral à panturrilha. O Doppler da femoral comum esquerda é monofásico, e o da direita, fásico com a respiração. O próximo passo é:

A perda da fasicidade de um lado aponta obstrução proximal: TVP ilíaca (38% numa série grande, um terço só na ilíaca), compressão extrínseca (massa, linfonodo, útero) ou estreitamento. Investigue acima do ligamento inguinal com transdutor convexo, ou por angio-TC ou angio-RM venosa. Insuficiência tricúspide dá onda pulsátil, e dos dois lados.
↑revisar esta parte do caderno · O que o Doppler da femoral comum conta
Questão 4

Paciente com TVP femoral há 1 ano. Hoje a veia tem calibre normal, parede espessa e traves ecogênicas, e a luz restante colaba por completo. O melhor termo no laudo é:

Parede espessa, sinéquias e luz que colaba são alteração pós-trombótica: já não é trombo. Termos como trombose crônica, trombo residual ou subagudo devem ser evitados, porque o clínico pode ler como trombo a tratar. Não há TVP aguda: a luz colaba.
↑revisar esta parte do caderno · Alteração pós-trombótica
Questão 5

TVP isolada das veias fibulares, sem anticoagulação por decisão clínica. Pela SRU, o seguimento é:

Sem anticoagulação, a TVP da panturrilha sobe em 10 a 20%. A SRU recomenda US em 1 semana: se progrediu, trata; se persistir sem mudança, repete em 2 semanas; estável, para. Quando anticoagulada, o controle só se justifica se mudar a conduta.
↑revisar esta parte do caderno · TVP aguda
Questão 6

Na veia poplítea há ecos de baixa intensidade, móveis, acumulados nas válvulas. A veia colaba por completo e a compressão da panturrilha limpa a luz. O achado é:

Ecos móveis numa veia que colaba e que somem com a compressão distal são fluxo lento (rouleaux, hemácias empilhadas), mais visto com transdutor de alta frequência. O trombo nas válvulas impede a compressão completa. Se o achado for assimétrico, vale controle.
↑revisar esta parte do caderno · Armadilhas
0/6acertos
Responda as questões acima para ver o desempenho.
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Teclas 1–5 respondem a questão visível · → ou Enter avança · ← volta · Shift+número ou botão direito risca uma alternativa.

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Fonte.
Roberts N, DiMaggio M Jr, Horrow MM. US of Lower Extremity Deep Vein Thrombosis: A Review. RadioGraphics 2024;44(11):e240113. doi:10.1148/rg.240113 (artigo e apresentação de slides, que seguem o consenso da SRU de 2018 e o parâmetro de prática do ACR de 2019). Conferido em 06/10/2026.

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