Fontes: Gerrie e Navarro 2023, Yousef et al: 2025 e Inarejos Clemente et al: 2023, RadioGraphics
Vômito bilioso é volvo até prova em contrário
No recém-nascido, as causas de obstrução se parecem na clínica e na imagem. O que separa é a
idade gestacional, a clínica e um raciocínio em dois passos: a radiografia diz se há obstrução
e se ela é proximal ou distal; o estudo contrastado e o US dizem a causa. Gás livre no
peritônio é revisão cirúrgica urgente.
Proximal
Distal
Clínica
Vômito (bilioso ou não), pouca distensão
Distensão, com ou sem vômito, mecônio que não sai
Radiografia
Normal, bolha única, dupla ou tripla
Muitas alças dilatadas (inespecífico)
Próximo exame
Seriografia (esôfago, estômago e duodeno) e/ou US
Enema contrastado · US para resolver dúvidas
US antes da seriografia
Na suspeita de má rotação com volvo e de membrana duodenal, o US à beira do leito muitas vezes fecha
o diagnóstico sem levar o bebê à fluoroscopia e sem radiação. A seriografia continua sendo a
referência para a má rotação: se o US não for conclusivo, ela vem logo em seguida.
Atresia de esôfago
Atresia de esôfago
O que saber
Tipo mais comum
Coto proximal com fístula traqueoesofágica distal (78 a 90%)
Clínica
Não controla a saliva, não aceita a dieta, a sonda não passa
Radiografia
Sonda enrolada no coto · gás no abdome = fístula distal · abdome sem gás = sem fístula (mais comum) ou fístula proximal
Associações
Mais de 50%: VACTERL (anomalias vertebrais, anorretais, cardíacas, traqueoesofágicas, renais e de membros), CHARGE (coloboma, cardiopatia, atresia de coanas, atraso de crescimento e desenvolvimento, anomalias genitais e de orelha), trissomias 21 e 18, outras atresias (dupla bolha junto)
Atresia de esôfago, dois recém-nascidos a termo de 1 dia
Sonda enrolada no coto dilatado e gás no abdome: fístula distal.Sonda no coto e abdome sem gás; na cirurgia, fístula proximal.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 1. Ver artigo
Atresia de esôfago com fístula distal e atresia duodenal
Sonda no coto e dupla bolha.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 2. Ver artigo
Atresia de esôfago pura com atresia duodenal
Radiografia: sonda no coto, abdome sem gás e massa de partes moles no hemitórax esquerdo.US pré-natal, 34 semanas: dupla bolha (S, D) e polidrâmnio.US pré-natal: estrutura com líquido no tórax esquerdo, contínua com o estômago e o duodeno, empurrando o coração.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 3. Ver artigo
Bolha única: atresia pilórica e estenose hipertrófica
Causa
Pista
Atresia gástrica ou pilórica
Raríssima · membrana · vômito não bilioso nas primeiras horas · estômago dilatado sem gás distal
Estenose hipertrófica do piloro
Menino (4:1), 2 a 6 semanas, vômito em jato não bilioso · estômago dilatado com gás distal, sinal da "lagarta" (peristalse contra o piloro fechado) · piloromiotomia
Membrana antral
Piloro normal no US · falha de enchimento curvilínea no antro na seriografia
Atresia pilórica, menino de 3 dias
Bolha única, sem gás distal.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 4. Ver artigo
Membrana antral, prematuro de 32 semanas com 3 dias
Radiografia: estômago dilatado.US: piloro normal.Seriografia em perfil: falha de enchimento curvilínea no antro.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 10. Ver artigo
US do piloro
Critério
Espessura do músculo
3 mm ou mais
Comprimento do canal
12 a 16 mm ou mais
Esvaziamento
Ausente ou mínimo durante o exame
Estenose do piloro numa idade atípica, menino de 5 meses
Bolha única com gás distal.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 5. Ver artigo
Estenose do piloro, menina de 4 semanas
O sinal da lagarta: peristalse gástrica contra o piloro fechado.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 6. Ver artigo
Estenose do piloro, menino de 3 semanas
US longitudinal: músculo de 5,7 mm e canal de 24 mm, junto da vesícula (GB).
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 7. Ver artigo
o piloro que não é piloro
A junção esofagogástrica pode ser tomada por piloro normal: comece no lobo esquerdo do fígado e
desça até a vesícula; o piloro fica junto da vesícula, mais anterior e mais baixo; a junção
esofagogástrica fica atrás, na frente da aorta. Imitam estenose: hiperplasia foveolar pela
prostaglandina (cardiopatia dependente do canal; espessa mucosa e submucosa, não o músculo),
piloroespasmo (não é fixo) e massa peripilórica.
A junção esofagogástrica tomada por piloro, menina de 4 semanas
Exame de fora: a junção esofagogástrica chamada de piloro normal. O US repetido mostrou estenose.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 8. Ver artigo
Hiperplasia foveolar pela prostaglandina, menina de 23 dias com cardiopatia
US transversal: mucosa e submucosa espessadas, músculo normal.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 9. Ver artigo
Dupla bolha: atresia, pâncreas anular e membrana
Causa
Radiografia
O que mais saber
Atresia duodenal
Dupla bolha sem gás distal · depois da sonda, as bolhas murcham: a pista é a falta de gás distal
Falha de recanalização · trissomia 21 em 25 a 30% · polidrâmnio no pré-natal · vômito bilioso nas primeiras horas · gás distal pode passar por um ducto hepatopancreático em Y
Pâncreas anular
Igual à atresia, com ou sem gás distal
Anel de pâncreas em volta da 2ª porção · se não der para separar: obstrução duodenal congênita, cirúrgica
Membrana duodenal
Estômago e duodeno dilatados, com gás distal, variando entre os exames
Na junção da 2ª com a 3ª porção, perto da papila · trissomia 21 em 25% · seriografia: "biruta" (divertículo intraluminal) com falha de enchimento curvilínea · US: divertículo e 3ª porção colapsada · gás ou contraste nas vias biliares se a membrana fica depois da papila
Atresia duodenal, recém-nascido de 1 dia
A dupla bolha clássica, sem gás distal.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 11. Ver artigo
Atresia duodenal depois da sonda, menino de 1 dia
As bolhas murcharam; a pista é a falta de gás distal.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 12. Ver artigo
Pâncreas anular com atresia de esôfago
Dupla bolha.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 13. Ver artigo
Membrana duodenal, recém-nascido com trissomia 21
Estômago e bulbo dilatados, com gás distal.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 14. Ver artigo
Membrana duodenal na seriografia
Divertículo intraluminal em "biruta".
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 15. Ver artigo
Membrana duodenal no US
Transversal: o divertículo na junção da 2ª com a 3ª porção, junto da artéria mesentérica superior.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 16. Ver artigo
Membrana depois da papila, menina com trissomia 21
Radiografia depois da sonda.US: gás na vesícula.Seriografia tardia: contraste na vesícula.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 17. Ver artigo
dilatação proximal com gás distal
Pense sempre em má rotação com volvo, que também dá dupla bolha com gás distal, e faça o US.
Má rotação e volvo do intestino médio
O intestino médio gira 270° em volta da artéria mesentérica superior. Na rotação normal o
duodeno, retroperitoneal, cruza a linha média; a junção duodenojejunal fica no quadrante superior
esquerdo (presa pelo ligamento de Treitz); o ceco fica na fossa ilíaca direita. A raiz do
mesentério (da junção ao ceco) é larga. Na má rotação a junção fica à direita e o ceco
alto: a raiz é estreita e o intestino pode torcer (volvo) em sentido horário. Na não
rotação (delgado à direita, cólon à esquerda) a raiz é larga e o risco é menor.
por que é emergência
No volvo a veia fecha primeiro e depois a artéria: o intestino médio pode necrosar em poucas
horas. Até 20 a 35% dos recém-nascidos com volvo não vomitam bile no começo. Tratamento: cirurgia
de Ladd (destorcer, cortar as bandas, alargar a raiz, deixar o delgado à direita e o cólon à
esquerda, tirar o apêndice); volvo de novo em 2 a 7%.
US
O que procurar
Mesentérica superior × veia
Traçar o eixo aorta-artéria: a veia fica à direita · na má rotação: invertida em 47%, à frente da artéria em 24%, normal em até 30% · transdutor na linha média e perpendicular (a janela oblíqua pelo fígado engana) · processo uncinado ausente reforça
3ª porção do duodeno
Cruzando a linha média entre a aorta e a artéria = retroperitoneal = rotação normal · o sinal mais confiável para excluir má rotação, mas difícil · na má rotação ela é intraperitoneal; no volvo passa na frente da artéria
Redemoinho
Veia e mesentério girando em sentido horário em volta da artéria (de cima para baixo), no cinza e no Doppler · o sinal mais específico do volvo · sensibilidade e especificidade do US acima de 90%
Outros
2ª porção dilatada, afilamento em "bico" da 3ª, vasos ingurgitados, artéria afilada no centro, intestino espessado
Artéria e veia mesentéricas no US transversal
Menino de 4 dias, normal: a veia à direita do eixo aorta-artéria (linha tracejada).5 dias: relação invertida.12 dias, vômito bilioso: relação invertida, processo uncinado ausente e 3ª porção passando na frente.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 19. Ver artigo
3ª porção normal, menino de 4 dias
O duodeno cruza entre a aorta e a artéria mesentérica superior.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 20. Ver artigo
Volvo, menino de 5 dias
A 3ª porção passa na frente da artéria mesentérica superior (setas).
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 21. Ver artigo
Volvo por bandas de Ladd, menina de 2 dias
A veia à esquerda da artéria.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 20. Ver artigo
A mesma paciente
Duodeno proximal dilatado (D) junto da vesícula (GB). Sem necrose.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 21. Ver artigo
Volvo, menino de 7 dias
Estômago e duodeno dilatados, afilamento em bico e 3ª porção na frente da artéria.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 22. Ver artigo
Redemoinho, menino de 12 dias com vômito bilioso
Escala de cinza.Doppler colorido: giro horário.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 22. Ver artigo
Redemoinho, menino de 1 dia com vômito bilioso e hipotensão
Massa redonda em camadas em volta da artéria (pontilhado).
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 9. Ver artigo
O mesmo paciente
Doppler colorido: os vasos girando. Sem necrose depois da destorção.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 10. Ver artigo
o falso redemoinho
Um ramo da veia mesentérica superior pode contornar a artéria em sentido anti-horário, sem alça
junto: é normal (pseudovolvo). Use o cine e o Doppler colorido. O redemoinho também imita o alvo da
intussuscepção numa imagem parada: identifique sempre o íleo terminal e o ceco.
Pseudovolvo, menino de 12 semanas
Doppler colorido: giro anti-horário.Escala de cinza: um ramo da veia contornando a artéria, sem alça.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 23. Ver artigo
Seriografia normal (4 critérios)
Como ver
Duodeno posterior
No perfil verdadeiro, a 2ª e a 4ª porções quase sobrepostas
Junção duodenojejunal à esquerda do pedículo vertebral esquerdo
No AP (incidência anteroposterior)
Junção na altura do bulbo
No AP
Primeiras alças jejunais
No quadrante superior esquerdo
Seriografia
Achado
Má rotação sem volvo
Duodeno e junção em posição anormal (junção baixa e à direita), sem dilatação
Volvo
Passagem lenta, bulbo e 2ª porção dilatados, afilamento em bico, 3ª porção em posição anormal, saca-rolhas (às vezes só no AP ou só no perfil: faça os dois)
Bandas de Ladd
Estreitamento fixo da 2ª porção
Técnica
Bebê em decúbito lateral direito, 10 a 20 mL pela sonda · registrar a primeira passagem do contraste · não encher demais o estômago (desloca a junção)
Falso-positivo
Junção deslocada por massa (cisto de duplicação), alças dilatadas, esplenomegalia, estômago muito cheio · duodeno móvel, duodeno invertido
Volvo na seriografia, menino de 2 semanas
Duodeno em saca-rolhas.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 24. Ver artigo
Falso-positivo: cisto de duplicação, menina de 11 dias
Seriografia: junção duodenojejunal baixa por compressão extrínseca.US: cisto com debris.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 25. Ver artigo
Atresias do delgado, íleo meconial e volvo segmentar
Causa
Radiografia
Enema e US
Atresia jejunal
Poucas alças altas dilatadas ("tripla bolha") com níveis
Pode ir direto à cirurgia
Atresia ileal
Muitas alças com níveis, sem gás no cólon · uma alça muito dilatada sugere atresia (com volvo segmentar)
Microcólon, o contraste reflui até a atresia
Íleo meconial
Alças dilatadas sem níveis (mecônio grosso), aspecto de "bolhas de sabão"
Microcólon com várias falhas de enchimento no íleo terminal (pede teste de fibrose cística) · o enema hiperosmolar também trata
Peritonite meconial
Calcificações
Ascite com ecos, calcificações na superfície do fígado e do peritônio, pseudocisto de parede calcificada
Volvo segmentar
Inespecífica
Redemoinho menor, horário ou anti-horário, em qualquer lugar, com artéria, veia e 3ª porção normais · procure a causa (atresia, duplicação)
Atresia jejunal, recém-nascido a termo
Frontal: poucas alças altas dilatadas.Perfil com raios horizontais: níveis hidroaéreos.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 27. Ver artigo
Atresia ileal
Radiografia: muitas alças dilatadas.Enema: microcólon, refluxo até o ceco e o íleo distal.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 28. Ver artigo
Atresia ileal com uma alça muito dilatada
Dilatação focal maciça.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 29. Ver artigo
Íleo meconial
Aspecto de bolhas de sabão.Enema: microcólon e falhas de enchimento no íleo.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 30. Ver artigo
Peritonite meconial com volvo segmentar, prematura de 36 semanas
Radiografia: calcificações.US: pseudomassa.Doppler colorido: pequeno redemoinho. Na cirurgia, atresia ileal com volvo segmentar.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 31. Ver artigo
Peritonite meconial, prematuro de 34 semanas
US: ascite ecogênica com nódulos calcificados na serosa (K = rim).Radiografia: nódulos calcificados.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 26. Ver artigo
Pseudocisto meconial, bebê com fibrose cística
Radiografia: calcificação em anel e efeito de massa.US: líquido, debris e parede calcificada.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 27. Ver artigo
Até 80% do íleo meconial tem fibrose cística, e cerca de metade é complicado (volvo, atresia,
perfuração, peritonite ou pseudocisto). As atresias do delgado vêm de isquemia intrauterina; a
"casca de maçã" (3b) tem a mesentérica superior obliterada e o íleo curto enrolado no pedículo.
no recém-nascido obstruído com rotação normal
Se a artéria, a veia e a 3ª porção do duodeno estão normais, varra o abdome e a pelve inteiros atrás de
um redemoinho segmentar.
Volvo segmentar do íleo, recém-nascida de 1 dia
Artéria, veia e 3ª porção normais, com delgado proximal dilatado.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 23. Ver artigo
A mesma paciente, sagital
O giro, com bico distal e alças colapsadas depois dele.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 24. Ver artigo
A mesma paciente, Doppler
Redemoinho em volta de um ramo da artéria. A causa era uma atresia ileal curta.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 25. Ver artigo
Cólon: Hirschsprung e imaturidade funcional
Hirschsprung
Imaturidade funcional (tampão de mecônio, cólon esquerdo pequeno)
Quem
A termo · trissomia 21
Prematuro, filho de mãe diabética, sulfato de magnésio materno
Causa
Falta de células ganglionares (o segmento fica contraído)
Plexos imaturos, transitório
Relação retossigmoide
Invertida (o reto fica menor que o sigmoide)
Normal
Transição
Nítida, mucosa irregular em "dentes de serra", saca-rolhas
Gradual, na flexura esplênica, cólon esquerdo fino com tampões
Evolução
Biópsia retal e cirurgia
Os tampões saem e o bebê melhora
Hirschsprung
O que saber
Frequência
A causa mais comum de obstrução do cólon no recém-nascido
Segmento curto
75%, transição no retossigmoide, meninos 4:1
Cólon total
5% · pseudomicrocólon, imita atresia ileal e íleo meconial
Radiografia
Dilatação difusa sem gás no reto (gás no reto não exclui)
Enterocolite
Até 25%, também com mucosa serrilhada
Correspondência
A transição no enema bate com a patologia em 90%
Hirschsprung na radiografia, 2 dias
Dilatação difusa sem gás no reto.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 33. Ver artigo
Hirschsprung no enema, menina de 3 dias
Relação retossigmoide invertida: reto (R) menor que o sigmoide (S).
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 34. Ver artigo
Hirschsprung
Saca-rolhas, menino de 3 dias.Outro paciente, oblíqua: mucosa irregular.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 35. Ver artigo
Hirschsprung de cólon total, menina de 2 dias
Pseudomicrocólon.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 36. Ver artigo
o prematuro que não melhora
O Hirschsprung de segmento longo pode ter a transição no mesmo lugar da imaturidade funcional.
Prematuro com "imaturidade" que não melhora pede biópsia. A atresia de cólon (microcólon,
o contraste para antes do ceco, com uma dobra) também se associa ao Hirschsprung.
Imaturidade funcional, prematuro de 30 semanas
Radiografia: alças dilatadas.Enema: cólon esquerdo fino com tampões de mecônio.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 37. Ver artigo
Atresia de cólon
Radiografia: bolhas de sabão e uma alça enorme.Enema: microcólon que termina alto, com uma dobra.
Fonte: Gerrie SK, Navarro OM. RadioGraphics 2023;43(8):e230035, Fig. 32. Ver artigo
Enterocolite necrosante no US
A enterocolite necrosante é do prematuro de baixo peso (risco maior até 28 semanas e abaixo de
1.000 g), nas primeiras semanas; até 10% são a termo, sobretudo com cardiopatia. A radiografia é a
primeira para gás; o US entra quando ela mostra abdome sem gás ou uma alça fixa, e mostra parede,
fluxo, peristalse e líquido que a radiografia não vê.
Técnica e normal
Valor
Transdutor
Linear de 9 MHz ou mais, quatro quadrantes, compressão leve e gradual
Microvascular
Escala de velocidade de cerca de 1 a 2 cm/s, ganho alto, caixa pequena
Parede normal
1,1 a 2,6 mm · fina: menos de 1 mm
Fluxo normal
1 a 9 pixels de cor por cm²
Peristalse normal
Pelo menos 10 contrações por minuto
Achado
Significado
Mucosa e muscular hiperecogênicas, perda das camadas
Inflamação, fase inicial
Padrão em zebra, em Y, em anel
Hiperemia (inicial)
Pneumatose
Pontos ecogênicos na parede com reverberação, que não se mexem com a peristalse · não acompanha a gravidade
Gás portal
Pontos que andam no fígado, picos no Doppler · a causa mais comum no recém-nascido é o cateter umbilical
Pneumoperitônio
Faixa ecogênica peritoneal, microbolhas que a radiografia não vê
Parede fina sem fluxo
Necrose: o sinal mais preocupante
Líquido complexo ou coleção
Perfuração (líquido anecoico não é específico)
Enterocolite inicial, prematuro de 34 semanas
Mucosa e muscular hiperecogênicas.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 1. Ver artigo
Padrão em zebra, prematuro de 32 semanas
Segmento longo inflamado.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 2. Ver artigo
O mesmo paciente da primeira figura
Microvascular: hiperemia. Melhorou com 7 dias de tratamento clínico.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 3. Ver artigo
Pneumatose, prematura de 28 semanas
Padrão granular ecogênico na parede. Na cirurgia, 15 cm de necrose.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 4. Ver artigo
Gás portal, prematuro de 30 semanas
Pontos ecogênicos no fígado. Melhorou com tratamento clínico.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 5. Ver artigo
Pneumoperitônio, prematura de 27 semanas
Faixa ecogênica peritoneal com líquido. Íleo distal necrótico e perfurado.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 6. Ver artigo
Necrose, prematuro de 31 semanas
Alça fina e dilatada, gás na parede, microbolhas no peritônio e líquido. 17 cm de íleo necrótico.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 7. Ver artigo
Perfuração com abscesso, prematura de 30 semanas
Coleção complexa septada.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 8. Ver artigo
o que pesa para a cirurgia
Pneumoperitônio, líquido complexo e parede muito fina sem fluxo apontam para cirurgia; líquido
anecoico e gás portal permitem tratamento clínico. O Doppler colorido comum perde o fluxo lento e
superestima a isquemia: o microvascular é mais confiável. A doença é heterogênea (alça hiperêmica
ao lado de alça necrótica) e muda rápido: repita o exame.
Heterogeneidade, prematura de 29 semanas
Espessamento, pneumatose e afilamento lado a lado.Microvascular: hiperemia ao lado de segmentos sem fluxo. Necrose de 5 cm.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 11. Ver artigo
Afilamento, prematura de 30 semanas
Parede fina com camadas descamando. 10 cm de necrose.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 13. Ver artigo
Padrão em Y e segmento sem fluxo, prematura de 29 semanas
16 cm ressecados.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 14. Ver artigo
Padrão em anel, prematuro de 28 semanas
Hiperemia. Melhorou com tratamento clínico.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 15. Ver artigo
Fluxo diminuído, prematuro de 32 semanas
Microvascular: segmento sem fluxo. 13 cm ressecados.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 16. Ver artigo
O Doppler comum engana, prematura de 27 semanas
Doppler colorido: sem fluxo.Microvascular: há fluxo. Melhorou com tratamento clínico.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 17. Ver artigo
Necrose de verdade, prematuro de 29 semanas
Doppler colorido: sem fluxo e líquido ecogênico.Microvascular: sem fluxo. Perfuração; 22 cm ressecados.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 18. Ver artigo
Hérnia inguinal
Hérnia inguinal
O que saber
Frequência
1 a 5% dos recém-nascidos, 9 a 11% dos prematuros · estrangula em até 31%
Encarcerada
Alça de parede grossa e hiperecogênica, fluxo muitas vezes aumentado
Estrangulada
Sem fluxo no Doppler colorido ou microvascular: cirurgia de urgência · a isquemia pode começar em 2 horas
Ovário no canal de Nuck
Folículos normais · torcido: massa heterogênea, fluxo no pedículo e não no ovário
Hérnia inguinal direita, menino de 2 semanas
Alça de delgado (SB) no canal; B = bexiga.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 28. Ver artigo
Hérnia encarcerada, menino de 5 dias
Alça hiperêmica. Reduzida na cirurgia.
Fonte: Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. RadioGraphics 2023;43(2):e220110, Fig. 29. Ver artigo
Pontos de prova: alto rendimento
Vômito bilioso
Volvo até prova em contrário
Proximal
Seriografia ou US
Distal
Enema contrastado
Atresia de esôfago
Gás no abdome = fístula distal
Estenose do piloro
≥ 3 mm, canal ≥ 12–16 mm
Piloro × JEG (junção esofagogástrica)
Piloro junto da vesícula
Prostaglandina
Hiperplasia foveolar
Atresia duodenal
Dupla bolha sem gás distal · T21
Membrana duodenal
Biruta, gás distal
Dupla bolha + gás distal
Pensar em volvo
Rotação
270° em volta da artéria
Volvo
Horário, raiz estreita
Artéria × veia
Veia à direita · normal em até 30% da má rotação
3ª porção
Entre aorta e artéria = normal
Redemoinho
Horário, o mais específico
Anti-horário
Pseudovolvo
Seriografia normal
Junção à esquerda do pedículo, altura do bulbo
Saca-rolhas
AP e perfil
Ladd
Volvo de novo em 2–7%
Atresia ileal
Microcólon, níveis
Íleo meconial
Sem níveis, bolhas de sabão, fibrose cística
Volvo segmentar
Artéria, veia e D3 normais
Hirschsprung
Relação retossigmoide invertida
Imaturidade
Prematuro, cólon esquerdo fino, tampões
Cólon total
Pseudomicrocólon
Parede fina
< 1 mm
Gás portal
Cateter umbilical é a causa mais comum
Necrose
Parede fina sem fluxo
Líquido complexo
Perfuração
Hérnia sem fluxo
Estrangulada
Armadilhas e erros comuns
Erros
Esperar bile para pensar em volvo
Excluir má rotação porque a artéria e a veia estão normais
Avaliar artéria e veia por janela oblíqua
Chamar o pseudovolvo anti-horário de volvo
Tomar a junção esofagogástrica por piloro
Encher demais o estômago na seriografia
Esquecer o perfil na seriografia
Chamar de imaturidade funcional o Hirschsprung de segmento longo
Confiar no Doppler comum para dizer que a alça está isquêmica
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1
Recém-nascido de 5 dias com vômito bilioso. No US, qual achado praticamente exclui má rotação?
A 3ª porção do duodeno cruzando a linha média entre a aorta e a artéria mesentérica superior é retroperitoneal e indica rotação normal: é o sinal mais confiável para excluir má rotação. A relação artéria-veia é normal em até 30% das más rotações e não basta.
No US de um recém-nascido, a veia mesentérica e o mesentério giram em volta da artéria mesentérica superior. Qual dado favorece volvo?
O redemoinho do volvo gira em sentido horário (de cima para baixo) com o mesentério e as alças. O giro anti-horário de um ramo da veia, sem alça, é o pseudovolvo, normal. O alvo é da intussuscepção, e o cine com Doppler evita a confusão.
Recém-nascido com trissomia 21 e vômito bilioso nas primeiras horas. A radiografia mostra dupla bolha sem nenhum gás distal. A hipótese mais provável é:
Atresia duodenal: dupla bolha sem gás distal, vômito bilioso precoce, trissomia 21 em 25 a 30%. A membrana duodenal costuma deixar passar gás. Dupla bolha com gás distal pede US para excluir volvo.
Menino de 4 semanas com vômito em jato não bilioso. Qual conjunto confirma estenose hipertrófica do piloro?
Os critérios são músculo de 3 mm ou mais, canal de 12 a 16 mm ou mais e esvaziamento ausente ou mínimo. Mucosa espessa em todo o estômago sem músculo grosso é hiperplasia foveolar (prostaglandina); espessamento que some é piloroespasmo.
Recém-nascido a termo com distensão e mecônio que não sai. No enema, o reto é mais estreito que o sigmoide, com mucosa serrilhada. O diagnóstico mais provável é:
Relação retossigmoide invertida (reto menor que o sigmoide), transição nítida e mucosa serrilhada em bebê a termo sugerem Hirschsprung; a confirmação é a biópsia retal. Na imaturidade funcional (prematuro) a relação é normal e há tampões no cólon esquerdo fino.
Prematuro de 28 semanas com enterocolite necrosante. Qual achado do US mais sugere necessidade de cirurgia?
Parede fina sem fluxo (necrose), líquido complexo (perfuração) e pneumoperitônio pesam para cirurgia. Gás portal e líquido anecoico permitem tratamento clínico, a zebra é hiperemia inicial e a pneumatose não acompanha a gravidade.
Fontes.
Gerrie SK, Navarro OM. Imaging Features of Neonatal Bowel Obstruction. RadioGraphics
2023;43(8):e230035. doi:10.1148/rg.230035
Yousef A, Gerrie S, Hurteau-Miller J. Imaging Review of Intestinal Malrotation and Midgut
Volvulus. RadioGraphics 2025;45(4):e240177. doi:10.1148/rg.240177 (artigo e apresentação de
slides; usado no texto)
Inarejos Clemente EJ, Barber I, Navallas Irujo M, et al. US for Evaluation of Acute Abdominal
Conditions in Neonates. RadioGraphics 2023;43(2):e220110. doi:10.1148/rg.220110
As fotos de cirurgia e o esquema da atresia em casca de maçã ficaram de fora; os slides da má rotação
são quase todos esquemas e casos recortados, e as figuras vieram dos dois outros artigos. As fontes
discordam na frequência da má rotação (1 em 500 nascidos num artigo; 3,9 por 10.000 no outro).
Conferido em 07/10/2026.
Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das mesmas
fontes.