Cadernos QRad 02 · Variantes da Circulação Cerebral e Tronco
Neurorradiologia · Vascular e tronco

Variantes da Circulação Cerebral e Tronco Encefálico

1. Dimmick SJ, Faulder KC. Normal Variants of the Cerebral Circulation at Multidetector CT Angiography. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043.
2. Sciacca S, Lynch J, Davagnanam I, Barker R. Midbrain, Pons, and Medulla: Anatomy and Syndromes. RadioGraphics 2019;39(4):1110–1125.

Os três conceitos que organizam a Parte I

definições Duplicação: dois vasos com origens separadas e sem convergência distal.
Fenestração: divisão do lúmen arterial em canais distintamente separados, cada um com sua própria camada endotelial e muscular, podendo compartilhar a adventícia.
Artéria acessória: vaso adicional com origem em outro tronco arterial (para a ACM (artéria cerebral média), na ACA (artéria cerebral anterior)).

A distinção não é acadêmica. A fenestração se associa a formação de aneurisma: postula-se que o fluxo turbulento gerado pelos defeitos da túnica média nas extremidades proximal e distal do segmento fenestrado, somado ao estresse hemodinâmico aumentado, favorece a aneurismogênese. Fenestrações intracranianas são mais comuns na circulação vertebrobasilar que na anterior, e são achadas com muito mais frequência em autópsia do que em angiografia.

+ complemento Acurácia do método: A angiografia por subtração digital segue sendo o padrão de referência para anomalias vasculares intracranianas, mas a angio-TC multidetectores tem sensibilidade de 81–90% e especificidade de 93%. A alta resolução espacial do 3D é justamente o que permite entender a relação entre osso e vaso: daí a importância de revisar os cortes axiais da base do crânio em janela óssea quando se suspeita de anastomose carótido-basilar.

Fenestrações e duplicações

Artéria comunicante anterior

Duplicação: 18%. Fenestração: 12–21% da população em estudos anatômicos, mas apenas 5,3% nas séries angiográficas: diferença que ilustra a regra geral de que fenestrações são muito mais vistas em autópsia do que em angiografia.

Duplicação da artéria comunicante anterior
Angio-TC, reconstrução 3D: duas comunicantes anteriores (seta), cada uma saindo separadamente de uma artéria cerebral anterior.
Angio-TC, reconstrução 3D: duas comunicantes anteriores (seta), cada uma saindo separadamente de uma artéria cerebral anterior.
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Fig. 1. Ver artigo
Fenestração da artéria comunicante anterior
Angio-TC, reconstrução 3D: dois canais com origem comum na artéria cerebral anterior (seta).
Angio-TC, reconstrução 3D: dois canais com origem comum na artéria cerebral anterior (seta).
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Fig. 2. Ver artigo

Artéria cerebral anterior

Fenestração da ACA é rara. Segmento A1: 0–4% em estudos anatômicos e 0,058% em angiografia. Segmento A2: 2% em fetos na autópsia.

Fenestrações da artéria cerebral anterior
Angio-TC: dois canais saindo do meio do segmento A1 (seta).
Angio-TC: dois canais saindo do meio do segmento A1 (seta).
Angio-TC: fenestração longa de A2 (seta reta), junto com fenestração (ponta de seta) e aneurisma (seta curva) da comunicante anterior.
Angio-TC: fenestração longa de A2 (seta reta), junto com fenestração (ponta de seta) e aneurisma (seta curva) da comunicante anterior.
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Figs. 3, 4. Ver artigo

Artéria cerebral média

Duplicação: 0,2–2,9%. O vaso duplicado nasce acima da bifurcação carotídea, corre paralelo à ACM e supre o lobo temporal anterior; representa provável persistência de anastomose ACA–ACM. Sem significado clínico direto, mas há relatos de aneurisma na origem.

Fenestração: 1% em autópsia e 0,17% em angiografia, quase sempre na porção proximal de M1.

Duplicação da artéria cerebral média
Angio-TC, reconstrução 3D: o ramo principal sai direto da carótida interna distal (seta); a ACM duplicada, de menor calibre, nasce num ponto mais proximal (pont
Angio-TC, reconstrução 3D: o ramo principal sai direto da carótida interna distal (seta); a ACM duplicada, de menor calibre, nasce num ponto mais proximal (ponta de seta).
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Fig. 5. Ver artigo
Fenestração do segmento M1
Angio-TC, reconstrução 3D: dois canais saindo da origem da ACM e convergindo mais adiante (seta).
Angio-TC, reconstrução 3D: dois canais saindo da origem da ACM e convergindo mais adiante (seta).
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Fig. 6. Ver artigo

Basilar e vertebrais

Basilar: 0,6% em angiografia e ~5% em autópsia; quase sempre no tronco basilar proximal, junto à junção vertebrobasilar. A frequência de aneurisma associado à fenestração basilar é de 7%. Vertebral: 0,3–2,0%.

Embriologia: a basilar se forma na 5ª semana pela fusão das artérias neurais longitudinais pareadas; a falha de regressão das artérias-ponte entre elas produz a fenestração.

Fenestrações da circulação posterior
Basilar: fenestração na origem, com os dois canais convergindo na altura da cerebelar anteroinferior (seta).
Basilar: fenestração na origem, com os dois canais convergindo na altura da cerebelar anteroinferior (seta).
Vertebral: pequena fenestração em fenda na vertebral distal (seta).
Vertebral: pequena fenestração em fenda na vertebral distal (seta).
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Figs. 7, 8. Ver artigo

Cerebral posterior, comunicante posterior e carótida interna

PCA (artéria cerebral posterior): fenestração é extremamente rara, descrita em P1 e P2.
PComA (artéria comunicante posterior): duplicação nunca identificada em angiografia; 2% em dissecção cirúrgica. Fenestração tem um único relato.
ACI (artéria carótida interna): fenestração distal é rara (seis casos prévios na literatura) e, como nas demais, associa-se a aneurisma.

Fenestração da artéria cerebral posterior
Angio-TC, reconstrução 3D: fenestração ovoide na origem de P1 (seta), com os dois lumens convergindo adiante.
Angio-TC, reconstrução 3D: fenestração ovoide na origem de P1 (seta), com os dois lumens convergindo adiante.
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Fig. 9. Ver artigo
Duplicação da artéria comunicante posterior
Duplicação parcial: ramificação precoce (setas) da comunicante posterior (ponta de seta).
Duplicação parcial: ramificação precoce (setas) da comunicante posterior (ponta de seta).
Duplicação completa, angio-TC de um feto: segmento duplicado longo da cerebral posterior direita (setas retas), com o ponto de anastomose na ponta de seta. À es
Duplicação completa, angio-TC de um feto: segmento duplicado longo da cerebral posterior direita (setas retas), com o ponto de anastomose na ponta de seta. À esquerda, cerebral posterior única (seta curva).
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Figs. 10, 11. Ver artigo
Fenestração da carótida interna
Reconstrução 3D de angiografia digital: fenestração (seta) de um segmento distal. O artefato por cima vem de clipes de aneurisma.
Reconstrução 3D de angiografia digital: fenestração (seta) de um segmento distal. O artefato por cima vem de clipes de aneurisma.
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Fig. 12. Ver artigo

Variantes do polígono de Willis

ACA ázigos

0,2–4,0%. Persistência da artéria mediana embrionária do corpo caloso: um único tronco A2 mediano supre os territórios de ambas as ACAs. Pode associar-se a holoprosencefalia, anomalias de migração neuronal e predisposição a aneurisma. Relevância clínica: oclusão do tronco único causa isquemia bi-hemisférica.

Artéria cerebral anterior ázigos
Angio-TC, reconstrução 3D: os dois segmentos A1 convergem num único tronco A2 na linha média.
Angio-TC, reconstrução 3D: os dois segmentos A1 convergem num único tronco A2 na linha média.
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Fig. 13. Ver artigo

Trifurcação da ACA

2–13%. Três segmentos A2 a partir da AComA (artéria comunicante anterior); provável persistência da artéria calosa mediana.

Trifurcação da artéria cerebral anterior
Angio-TC, reconstrução 3D: três segmentos A2 (setas) saindo da comunicante anterior.
Angio-TC, reconstrução 3D: três segmentos A2 (setas) saindo da comunicante anterior.
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Fig. 14. Ver artigo

ACA bi-hemisférica

2–7%. Um A2 hipoplásico e o contralateral dominante suprindo bilateralmente. É a presença do A2 hipoplásico que diferencia da ACA ázigos, mas a consequência de uma oclusão é a mesma: isquemia bi-hemisférica.

Artéria cerebral anterior bi-hemisférica
Angio-TC, reconstrução 3D: A2 dominante (seta) suprindo os territórios das duas cerebrais anteriores, e A2 contralateral não dominante (ponta de seta).
Angio-TC, reconstrução 3D: A2 dominante (seta) suprindo os territórios das duas cerebrais anteriores, e A2 contralateral não dominante (ponta de seta).
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Fig. 15. Ver artigo

Hipoplasia e ausência de A1

Hipoplasia de A1: 10% das autópsias. Ausência: 1–2%. A ACA contralateral supre parte ou todo o território através de uma AComA calibrosa. Relevância: em doença tromboembólica, a circulação colateral fica reduzida e o risco de infarto aumenta.

Hipoplasia do segmento A1
Angio-TC, reconstrução 3D: segmento A1 hipoplásico (seta). Assimetria entre os dois A1 é comum.
Angio-TC, reconstrução 3D: segmento A1 hipoplásico (seta). Assimetria entre os dois A1 é comum.
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Fig. 16. Ver artigo
Ausência do segmento A1
Angio-TC, reconstrução 3D: os dois segmentos A2 nascem de um único A1, do mesmo lado.
Angio-TC, reconstrução 3D: os dois segmentos A2 nascem de um único A1, do mesmo lado.
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Fig. 17. Ver artigo

Ausência da AComA

Ausência definitiva em 5% das dissecções cirúrgicas. Cuidado: a AComA frequentemente não é demonstrada na angiografia sem que isso signifique ausência real.

Ausência da artéria comunicante anterior
Angio-TC, reconstrução 3D: sem comunicante anterior, com os dois segmentos A1 de calibre igual.
Angio-TC, reconstrução 3D: sem comunicante anterior, com os dois segmentos A1 de calibre igual.
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Fig. 18. Ver artigo

ACM acessória

2,7%. Nasce da artéria cerebral anterior e corre paralela a M1, suprindo a região ântero-inferior do lobo frontal.

A regra que separa acessória de duplicada: ramo menor originado da ACA = acessória; originado da carótida distal = duplicada.

Clinicamente mais relevante que a duplicada: pode servir de colateral em oclusão da ACM e pode abrigar aneurisma na origem.

Artéria cerebral média acessória
Angio-TC, reconstrução 3D: ACM principal (ponta de seta) e ACM acessória de menor calibre (seta), saindo do segmento A1. A carótida interna do mesmo lado está o
Angio-TC, reconstrução 3D: ACM principal (ponta de seta) e ACM acessória de menor calibre (seta), saindo do segmento A1. A carótida interna do mesmo lado está ocluída na porção distal e por isso aparece mal na reconstrução.
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Fig. 19. Ver artigo

Bifurcação precoce da ACM

Divisão precoce de M1, uni ou bilateral, é achado comum. Não se associa a risco aumentado de aneurisma e tem pouca relevância clínica: o contraponto perfeito à fenestração.

Bifurcação precoce da artéria cerebral média
Angio-TC, reconstrução 3D: bifurcação precoce da ACM direita (seta). Do lado esquerdo, normal, o ramo temporal anterior sai do M1 proximal (ponta de seta), aspe
Angio-TC, reconstrução 3D: bifurcação precoce da ACM direita (seta). Do lado esquerdo, normal, o ramo temporal anterior sai do M1 proximal (ponta de seta), aspecto que pode ser confundido com ACM acessória ou duplicada.
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Fig. 20. Ver artigo

Artéria coroidea anterior hiperplásica

1,1–2,3%. A coroidea anterior nasce da carótida supraclinóidea logo após a PComA e supre pedúnculo cerebral e trato óptico. Quando os ramos têmporo-occipitais da PCA nascem dela, é chamada hiperplásica.

Artéria coroidea anterior hiperplásica
Angio-TC, reconstrução 3D: coroidea anterior hiperplásica (seta reta), comunicante posterior do mesmo lado (ponta de seta) e cerebral posterior fetal do lado op
Angio-TC, reconstrução 3D: coroidea anterior hiperplásica (seta reta), comunicante posterior do mesmo lado (ponta de seta) e cerebral posterior fetal do lado oposto (seta curva).
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Fig. 21. Ver artigo

Origem fetal da PCA

A PComA tem calibre igual ou maior que o P1 ipsilateral e o suprimento dominante dos lobos occipitais vem da carótida interna. Ocorre por falha de regressão da PCA embrionária.

Prevalência: 10% à direita, 10% à esquerda, 8% bilateral. O P1 pode estar ausente, mas isso é incomum.

Origem fetal bilateral das artérias cerebrais posteriores, com P1 presente
Angio-TC, reconstrução 3D: comunicantes posteriores calibrosas (setas) levando a maior parte do sangue ao território das cerebrais posteriores. Os dois P1 exist
Angio-TC, reconstrução 3D: comunicantes posteriores calibrosas (setas) levando a maior parte do sangue ao território das cerebrais posteriores. Os dois P1 existem, mas são hipoplásicos.
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Fig. 22. Ver artigo
Origem fetal bilateral das artérias cerebrais posteriores, sem P1
Angio-TC: cerebrais posteriores fetais dos dois lados (setas), sem nenhum dos segmentos P1. As pontas de seta marcam as cerebelares superiores.
Angio-TC: cerebrais posteriores fetais dos dois lados (setas), sem nenhum dos segmentos P1. As pontas de seta marcam as cerebelares superiores.
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Fig. 23. Ver artigo

Infundíbulo da PComA

Dilatação em funil na origem da PComA a partir da carótida interna. Critérios: redondo ou cônico, diâmetro <2 mm, simétrico, com a carótida na base e a PComA saindo do ápice. Precisa ser distinguido de aneurisma da PComA e da carótida: a distinção com maior impacto prático de toda esta lista.

Infundíbulo da artéria comunicante posterior
Angio-TC: comunicante posterior (ponta de seta) saindo do ápice de um infundíbulo em funil (seta), cuja base fica na origem da comunicante, na carótida.
Angio-TC: comunicante posterior (ponta de seta) saindo do ápice de um infundíbulo em funil (seta), cuja base fica na origem da comunicante, na carótida.
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Fig. 24. Ver artigo

Tronco comum PCA–SCA

2–22%. Sem significado clínico relatado.

Tronco comum da cerebral posterior e da cerebelar superior
Angio-TC: tronco comum, de um lado só, da cerebelar superior com o segmento P1 da cerebral posterior (seta).
Angio-TC: tronco comum, de um lado só, da cerebelar superior com o segmento P1 da cerebral posterior (seta).
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Fig. 25. Ver artigo

Anastomoses carótido-basilares persistentes

Artéria trigeminal persistente

A mais comum e a mais cefálica das anastomoses carótido-vertebrobasilares. Prevalência 0,1–0,6%. Origina-se da carótida interna logo após a saída do canal carotídeo e anastomosa-se com a basilar média; a basilar caudal à anastomose costuma ser hipoplásica.

Dois tipos anatômicos, igualmente comuns: lateral (percorre póstero-lateralmente com o nervo trigêmeo) e medial (trajeto intrasselar ou trans-hipofisário, comprimindo a hipófise e penetrando o dorso da sela).

Classificação de Saltzman: pela configuração da PCA ipsilateral: tipo 1, PComA ausente e a trigeminal supre todo o sistema vertebrobasilar distal à anastomose; tipo 2, há PCA fetal e o P1 ipsilateral está ausente.

Associações: outras anomalias vasculares em ~25% dos casos; aneurisma intracraniano em ~14%.

Artéria trigeminal persistente lateral, Saltzman tipo 2
Angio-TC: artéria trigeminal persistente (setas). Note a basilar hipoplásica (ponta de seta) antes da anastomose com a trigeminal, o aspecto típico.
Angio-TC: artéria trigeminal persistente (setas). Note a basilar hipoplásica (ponta de seta) antes da anastomose com a trigeminal, o aspecto típico.
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Fig. 26. Ver artigo
Variante da artéria trigeminal
Angiografia digital da carótida interna esquerda: variante que sai da carótida num ponto mais proximal que o da trigeminal persistente habitual e supre o territ
Angiografia digital da carótida interna esquerda: variante que sai da carótida num ponto mais proximal que o da trigeminal persistente habitual e supre o território da cerebelar anteroinferior (setas).
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Fig. 27. Ver artigo

Artéria hipoglossa persistente

Segunda mais comum; prevalência 0,02–0,10%. Origina-se da carótida interna entre C1 e C3, percorre o canal do hipoglosso e anastomosa-se com a basilar. Não atravessa o forame magno: esse é o detalhe que a diferencia da proatlantal.

PComAs hipoplásicas em 79% e vertebrais hipoplásicas em 78% dos casos. O diagnóstico se firma ao reconhecer a artéria anômala dentro do canal do hipoglosso alargado. Pode causar neuralgia do glossofaríngeo e paralisia do hipoglosso.

Artéria hipoglossa persistente
Angio-TC axial: artéria percorrendo o canal do hipoglosso (setas).
Angio-TC axial: artéria percorrendo o canal do hipoglosso (setas).
Angio-TC: hipoglossa (ponta de seta) saindo da carótida interna proximal (seta) na altura de C2 e anastomosando-se com a basilar.
Angio-TC: hipoglossa (ponta de seta) saindo da carótida interna proximal (seta) na altura de C2 e anastomosando-se com a basilar.
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Figs. 28, 29. Ver artigo

Artéria intersegmentar proatlantal

Cerca de 40 casos relatados. Origina-se da bifurcação carotídea, da carótida externa ou da interna entre C2 e C4, une-se à porção horizontal da vertebral na região suboccipital e atravessa o forame magno.

Tipo 1: da face dorsal da carótida interna; 38% dos casos. Tipo 2: da carótida externa; 50%.

Aplasia ou hipoplasia de uma ou ambas as vertebrais proximais à anastomose em 50%. Anomalias cerebrovasculares em 59%, incluindo aneurisma em 10%.

Artéria intersegmentar proatlantal, dois pacientes
Angiografia digital da carótida comum direita, perfil: a proatlantal sai da carótida interna (ponta de seta) na altura de C2 (seta).
Angiografia digital da carótida comum direita, perfil: a proatlantal sai da carótida interna (ponta de seta) na altura de C2 (seta).
Angiografia digital em incidência anteroposterior: proatlantal (seta) e carótida interna direita (ponta de seta).
Angiografia digital em incidência anteroposterior: proatlantal (seta) e carótida interna direita (ponta de seta).
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Figs. 30, 31. Ver artigo

Artéria ótica persistente

Existência controversa: Diferentemente das outras três, nunca foi identificada em animais inferiores. Descrita saindo da carótida petrosa dentro do canal carotídeo, percorrendo o conduto auditivo interno e anastomosando-se com a basilar proximal. Oito relatos de caso na literatura, e alguns deles provavelmente correspondem, na verdade, a artérias trigeminais persistentes.

Artéria trigeminal persistente de origem proximal
Angiografia digital: trigeminal persistente (setas) saindo da carótida interna num ponto mais proximal que o habitual. O achado tinha sido relatado antes como a
Angiografia digital: trigeminal persistente (setas) saindo da carótida interna num ponto mais proximal que o habitual. O achado tinha sido relatado antes como artéria ótica persistente.
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Fig. 32. Ver artigo

Artéria oftálmica dorsal persistente

No embrião existem duas artérias oftálmicas primitivas: a ventral, que normalmente persiste, e a dorsal, que normalmente regride. Quando ocorre o inverso, a artéria nasce da face dorsal da carótida supraclinóidea e entra na órbita pela fissura orbitária superior, e não pelo canal óptico.

Artéria oftálmica dorsal
Angio-TC, reconstrução 3D: a oftálmica dorsal esquerda sai da face dorsal do segmento cavernoso distal da carótida interna e entra na órbita pela fissura orbitá
Angio-TC, reconstrução 3D: a oftálmica dorsal esquerda sai da face dorsal do segmento cavernoso distal da carótida interna e entra na órbita pela fissura orbitária superior (seta). A oftálmica do lado oposto passa pelo canal óptico (ponta de seta).
Fonte: Dimmick SJ, Faulder KC. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043, Fig. 33. Ver artigo

Mesencéfalo

Dividido em crus cerebri (fibras corticoespinhais, corticobulbares e corticopontinas), tegmento (núcleos do III par, núcleo rubro, substância negra, lemnisco medial, trato espinotalâmico) e tecto, dorsal ao aqueduto, com os colículos superiores (processamento visual preliminar e controle do olhar) e inferiores (via auditiva, projetando ao corpo geniculado medial).

Suprimento: ramos perfurantes da basilar, da cerebelar superior e da cerebral posterior.

Fig 3. Anatomia rotulada do mesencéfalo no plano axial (ventral no topo). MLF = fascículo longitudinal medial; PAG = substância cinzenta periaquedutal. · ver figura original

Weber mesencéfalo ventromedial

Mecanismo: Infarto do núcleo do oculomotor e do pedúnculo cerebral por oclusão de ramos paramedianos da basilar ou da PCA.

quadro clínicoIpsilateral: paralisia do III par: desvio ínfero-lateral do olho, diplopia, ptose, defeito pupilar aferente. Contralateral: hemiplegia/hemiparesia (tratos corticoespinhal e corticobulbar no crus cerebri). Se a substância negra for envolvida, soma-se rigidez parkinsoniana contralateral.
Fig 4. Área acometida na síndrome de Weber (azul). · ver figura original

Benedikt mesencéfalo paramediano (tegmento)

Mecanismo: Oclusão de ramos da PCA que suprem os fascículos do oculomotor e o núcleo rubro.

quadro clínicoParalisia ipsilateral do III par + hemiataxia cruzada, incoordenação e coreia.
Fig 5. Área acometida na síndrome de Benedikt (azul). · ver figura original

Claude mesencéfalo dorsomedial

Mecanismo: Oclusão de pequenos ramos perfurantes da PCA para a face medial do núcleo rubro com as fibras rubrodenteadas, o núcleo do III par e o pedúnculo cerebelar superior.

quadro clínicoParalisia ipsilateral do III par + incoordenação e hemiataxia cerebelar contralateral de membros superiores e inferiores.
Fig 6. Área acometida na síndrome de Claude (azul). · ver figura original

Parinaud mesencéfalo dorsal (tecto)

Mecanismo. Compressão da lâmina tectal próximo ao colículo superior por lesão expansiva da comissura posterior ou da região pineal: não é síndrome vascular.

quadro clínicoTríade clássica: paralisia do olhar conjugado para cima (frequentemente com diplopia), dissociação luz-perto (pupila pouco reativa à luz, mas que contrai à convergência) e nistagmo de convergência-retração.
Síndrome de Parinaud, germinoma da pineal
T1 sagital pós-contraste: massa da região pineal que apaga o aqueduto e comprime a placa tectal.
T1 sagital pós-contraste: massa da região pineal que apaga o aqueduto e comprime a placa tectal.
T1 axial pós-contraste: a mesma lesão, na região pineal.
T1 axial pós-contraste: a mesma lesão, na região pineal.
Fonte: Sciacca S et al. RadioGraphics 2019;39(4):1110–1125, Fig. 8. Ver artigo

Nothnagel pedúnculo cerebelar superior

Mecanismo: Massa ou infarto do pedúnculo cerebelar superior por extensão de lesão da lâmina quadrigêmea.

quadro clínicoParalisia do III par uni ou bilateral + ataxia cerebelar ipsilateral.
Fig 9. Área acometida na síndrome de Nothnagel (azul): placa tectal e colículos. · ver figura original

Ponte

Divide-se em porção ventral (fibras longitudinais corticoespinhais, corticobulbares e corticopontinas) e tegmento dorsal, que contém os núcleos do V, VI, VII e VIII pares, além do fascículo longitudinal medial, lemniscos medial e lateral, trato espinotalâmico e trato tegmentar central. Aqui também está o corpo trapezoide, parte da via auditiva de localização do som.

Suprimento: ramos mediais das cerebelares superiores, ramos perfurantes da basilar e as AICAs (artérias cerebelares anteroinferiores; estas suprindo de modo variável a ponte inferior e lateral).

Fig 11. Anatomia rotulada da ponte no plano axial (ventral no topo). V = nervo trigêmeo. · ver figura original

Marie-Foix ponte lateral

Mecanismo: Infarto da ponte lateral e do pedúnculo cerebelar médio por oclusão de perfurantes da basilar e da AICA.

quadro clínicoContralateral: hemiplegia ou hemiparesia. Ipsilateral: comprometimento de dor e temperatura, ataxia de membros, paralisia facial, perda auditiva, vertigem e nistagmo.
Fig 12. Área acometida na síndrome de Marie-Foix (dourado). · ver figura original

Foville ponte medial inferior

Mecanismo: Infarto envolvendo trato corticoespinhal, lemnisco medial, fascículo longitudinal medial, formação reticular paramediana e núcleos do VI e VII pares.

quadro clínicoHemiparesia e perda sensitiva contralaterais, paralisia facial ipsilateral e paralisia do olhar conjugado: o paciente não consegue olhar para o lado da lesão.
Fig 13. Área acometida na síndrome de Foville (azul). · ver figura original
Síndrome de Foville, infarto pontino medial direito
T2 axial: hipersinal na região medial direita da ponte.
T2 axial: hipersinal na região medial direita da ponte.
Difusão: restrição na mesma região.
Difusão: restrição na mesma região.
Mapa de ADC (coeficiente de difusão aparente): valores baixos, confirmando a restrição.
Mapa de ADC (coeficiente de difusão aparente): valores baixos, confirmando a restrição.
FLAIR (fluid-attenuated inversion recovery: T2 com o sinal do líquor suprimido) coronal: hipersinal na ponte medial direita.
FLAIR (fluid-attenuated inversion recovery: T2 com o sinal do líquor suprimido) coronal: hipersinal na ponte medial direita.
Fonte: Sciacca S et al. RadioGraphics 2019;39(4):1110–1125, Fig. 14. Ver artigo

Locked-in ponte ventral bilateral

Mecanismo: Lesão dos feixes piramidais do tronco ventral.

quadro clínicoParalisia de toda a musculatura voluntária e respiratória, com consciência e cognição preservadas. O oculomotor é tipicamente poupado, de modo que a abertura ocular e os movimentos verticais persistem: é por eles que o paciente se comunica. Facial e abducente ficam paralisados. Distinguir de estado vegetativo e mutismo acinético.
Fig 15. Área envolvida na síndrome de locked-in (laranja), no plano sagital: a base ventral da ponte. · ver figura original
Síndrome locked-in, infarto pontino extenso
T2 axial: hipersinal em grande área da ponte.
T2 axial: hipersinal em grande área da ponte.
Difusão: restrição na ponte, com focos isquêmicos também nos hemisférios cerebelares.
Difusão: restrição na ponte, com focos isquêmicos também nos hemisférios cerebelares.
Mapa de ADC: valores baixos nas mesmas áreas.
Mapa de ADC: valores baixos nas mesmas áreas.
Angio-RM axial: basilar muito afilada, com oclusão quase total.
Angio-RM axial: basilar muito afilada, com oclusão quase total.
Fonte: Sciacca S et al. RadioGraphics 2019;39(4):1110–1125, Fig. 16. Ver artigo

Raymond e Millard-Gubler ponte ventral

Mecanismo: Lesão ventromedial (Raymond) ou ventral caudal (Millard-Gubler) da ponte.

quadro clínicoRaymond (hemiplegia alternante do abducente): lesão dos fascículos do VI e do trato corticoespinhal, poupando o facial → fraqueza do olhar lateral por paresia do reto lateral ipsilateral + hemiplegia contralateral.
Millard-Gubler: envolve corticoespinhal, VI e VII → paresia facial ipsilateral com perda do reflexo corneano + hemiplegia contralateral e diplopia que piora ao olhar para o lado da lesão.
Fig 17. Área acometida nas síndromes pontinas ventrais (laranja). · ver figura original
Síndrome de Raymond, infarto pontino bilateral estabelecido
T2 axial: hipersinal dos dois lados da ponte, na altura dos pedúnculos cerebelares superiores e médios.
T2 axial: hipersinal dos dois lados da ponte, na altura dos pedúnculos cerebelares superiores e médios.
Mapa de ADC: difusão facilitada, de infarto já estabelecido.
Mapa de ADC: difusão facilitada, de infarto já estabelecido.
T2 sagital: a extensão do infarto na ponte. Há também, por acaso, um infarto antigo de zona de fronteira no hemisfério cerebelar esquerdo.
T2 sagital: a extensão do infarto na ponte. Há também, por acaso, um infarto antigo de zona de fronteira no hemisfério cerebelar esquerdo.
Fonte: Sciacca S et al. RadioGraphics 2019;39(4):1110–1125, Fig. 18. Ver artigo

Colículo facial tegmento pontino, assoalho do IV ventrículo

Mecanismo: Lesão do colículo facial, comprometendo o fascículo longitudinal medial, o nervo abducente e as fibras do joelho do facial.

quadro clínicoParalisia facial periférica (neurônio motor inferior) associada ao déficit do olhar.
Fig 19. Área acometida na síndrome do colículo facial. · ver figura original
Síndrome do colículo facial, infarto agudo
T2 axial: hipersinal no colículo facial esquerdo.
T2 axial: hipersinal no colículo facial esquerdo.
Difusão: restrição no mesmo ponto.
Difusão: restrição no mesmo ponto.
Fonte: Sciacca S et al. RadioGraphics 2019;39(4):1110–1125, Fig. 20. Ver artigo

Bulbo

O tegmento dorsal contém os núcleos do IX, X, XI e XII pares, além da continuação dos tratos de substância branca: fascículo longitudinal medial, lemnisco medial, trato espinotalâmico, trato tegmentar central e trato espinocerebelar.

Suprimento: artéria espinhal anterior, ramos penetrantes da vertebral e a PICA (artéria cerebelar posteroinferior).

Fig 22. Anatomia rotulada do bulbo no plano axial (ventral no topo). · ver figura original

Wallenberg bulbo lateral

Mecanismo: Insulto ao bulbo lateral, em geral por infarto da PICA. Afeta pedúnculo cerebelar inferior, núcleo vestibular, núcleo espinhal do trigêmeo e núcleo ambíguo.

quadro clínicoVertigem, queda para o lado da lesão, diplopia, nistagmo multidirecional, síndrome de Horner ipsilateral, soluços, perda contralateral de dor e temperatura no corpo, rouquidão, disfonia, disfagia, disartria e redução do reflexo do vômito.
Fig 23. Área acometida na síndrome de Wallenberg (verde). CN5 = nervo trigêmeo. · ver figura original
Síndrome de Wallenberg por dissecção da vertebral direita
Difusão: restrição no bulbo lateral direito.
Difusão: restrição no bulbo lateral direito.
T2 axial: hipersinal no bulbo lateral direito e ausência do vazio de fluxo da vertebral direita.
T2 axial: hipersinal no bulbo lateral direito e ausência do vazio de fluxo da vertebral direita.
Difusão: o infarto bulbar lateral agudo em outro corte.
Difusão: o infarto bulbar lateral agudo em outro corte.
Fonte: Sciacca S et al. RadioGraphics 2019;39(4):1110–1125, Fig. 24. Ver artigo

Dejerine bulbo medial

Mecanismo: Infarto do bulbo medial afetando o núcleo do hipoglosso, por oclusão de pequenas perfurantes da vertebral ou da basilar proximal, ou da artéria espinhal anterior.

quadro clínicoFraqueza e déficit hemissensitivo contralaterais com paralisia ipsilateral do hipoglosso.
Fig 25. Área acometida na síndrome de Dejerine (verde). · ver figura original

Babinski-Nageotte hemibulbo

Mecanismo: Infarto medial e lateral do bulbo por oclusão da porção intracraniana da artéria vertebral.

quadro clínicoCombinação das síndromes medial e lateral: ataxia cerebelar ipsilateral, déficit sensitivo facial, Horner, e hemiplegia com hemianestesia contralaterais.
Fig 26. Área acometida na síndrome de Babinski-Nageotte (verde). CN5 = nervo trigêmeo. · ver figura original
Síndrome de Babinski-Nageotte por cavernoma bulbar
Suscetibilidade magnética axial: sangramento de um cavernoma na porção inferior direita do bulbo.
Suscetibilidade magnética axial: sangramento de um cavernoma na porção inferior direita do bulbo.
T2 axial: a mesma lesão hemorrágica.
T2 axial: a mesma lesão hemorrágica.
Fonte: Sciacca S et al. RadioGraphics 2019;39(4):1110–1125, Fig. 27. Ver artigo

Degeneração olivar hipertrófica triângulo de Guillain-Mollaret

Mecanismo: Lesão no triângulo de Guillain e Mollaret: trato dentado-rubral ou trato tegmentar central, entre o núcleo rubro e a oliva inferior ipsilateral. É uma degeneração trans-sináptica, e por isso a oliva aumenta de volume em vez de atrofiar.

quadro clínicoMioclonia palatal, podendo associar-se a disfunção cerebelar ou de tronco.
Degeneração olivar hipertrófica direita, após sangramento pontino
T2 axial no bulbo: oliva inferior direita aumentada e com hipersinal.
T2 axial no bulbo: oliva inferior direita aumentada e com hipersinal.
T2 axial na ponte: a lesão hemorrágica antiga que interrompeu a via.
T2 axial na ponte: a lesão hemorrágica antiga que interrompeu a via.
FLAIR axial no bulbo: o hipersinal da oliva inferior direita.
FLAIR axial no bulbo: o hipersinal da oliva inferior direita.
Fonte: Sciacca S et al. RadioGraphics 2019;39(4):1110–1125, Fig. 29. Ver artigo

Pontos de prova: alto rendimento

Fenestração × duplicaçãoFenestração = divisão do lúmen em canais separados, cada um com íntima e média próprias, adventícia possivelmente comum. Duplicação = dois vasos de origem separada, sem convergência.
Fenestração e aneurismaAssociação estabelecida. Falhas na túnica média nas extremidades do segmento fenestrado + estresse hemodinâmico. Mais comum na circulação vertebrobasilar.
Bifurcação precoce da ACMNão aumenta risco de aneurisma: pouca relevância clínica.
Acessória × duplicada (ACM)Acessória nasce da ACA; duplicada nasce da carótida distal.
PCA fetal10% à direita, 10% à esquerda, 8% bilateral.
Infundíbulo<2 mm, cônico, simétrico, PComA saindo do ápice. Não é aneurisma.
ACA ázigosTronco A2 único. Associa-se a holoprosencefalia; oclusão → isquemia bi-hemisférica.
Trigeminal persistenteA mais comum das anastomoses carótido-basilares. Basilar proximal hipoplásica. Aneurisma em ~14%. Tipo medial/intrasselar é armadilha cirúrgica na via transesfenoidal.
SaltzmanTipo 1: PComA ausente, trigeminal supre todo o vertebrobasilar distal. Tipo 2: PCA fetal com P1 ausente.
Hipoglossa × proatlantalHipoglossa passa pelo canal do hipoglosso e não cruza o forame magno; a proatlantal atravessa o forame magno.
WeberIII par ipsilateral + hemiplegia contralateral. Ventromedial.
BenediktIII par ipsilateral + hemiataxia e coreia. Tegmento paramediano (núcleo rubro).
ClaudeIII par ipsilateral + hemiataxia cerebelar contralateral. Dorsomedial.
ParinaudParalisia do olhar para cima + dissociação luz-perto + nistagmo de convergência-retração. Causa compressiva (pineal).
Millard-Gubler × RaymondMillard-Gubler envolve o VII; Raymond poupa o facial.
FovilleParalisia do olhar conjugado para o lado da lesão + facial ipsilateral + hemiparesia contralateral.
WallenbergPICA. Horner ipsilateral, dor/temperatura contralaterais no corpo, disfagia, soluços, vertigem.
DejerineBulbo medial: hipoglosso ipsilateral + hemiparesia contralateral.
Babinski-NageotteHemibulbo = Wallenberg + Dejerine. Oclusão da vertebral intracraniana.
Oliva hipertróficaTriângulo de Guillain-Mollaret. Oliva aumenta (degeneração trans-sináptica) → mioclonia palatal.

Armadilhas e erros comuns

Variantes vasculares

  • Confundir infundíbulo da PComA com aneurisma: meça: <2 mm, cônico, PComA saindo do ápice.
  • Chamar de ACM acessória o ramo temporal anterior normal saindo de M1 proximal.
  • Laudar ausência da AComA quando ela apenas não encheu no exame.
  • Reportar assimetria de A1 como achado patológico: hipoplasia de A1 está em 10% das autópsias.
  • Interpretar a basilar proximal hipoplásica da trigeminal persistente como estenose ou trombose.
  • Não avisar o neurocirurgião de uma trigeminal medial/intrasselar antes de cirurgia transesfenoidal: a transecção acidental pode causar hemorragia fatal.
  • Esquecer que uma PCA fetal muda a leitura do AVC: o território occipital passa a depender da carótida.

Tronco encefálico

  • Não olhar a difusão no tronco em paciente com déficit de par craniano: os infartos são pequenos e passam despercebidos no T2 e no FLAIR.
  • Atribuir toda síndrome de tronco a AVC: Parinaud é compressiva e Nothnagel costuma ser massa.
  • Confundir a oliva hipertrófica com neoplasia ou desmielinização: procure a lesão-índice no triângulo de Guillain-Mollaret e a história compatível.
  • Não reconhecer locked-in e registrar o paciente como comatoso: cognição preservada, movimentos oculares verticais presentes.
  • Esquecer de avaliar as vertebrais no Wallenberg: a dissecção vertebral é causa clássica.
  • Ignorar artefato de fluxo e volume parcial no tronco: correlacione sempre difusão, ADC e T2.

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Angio-TC de crânio solicitado por cefaleia mostra fenestração no tronco basilar proximal, junto à junção vertebrobasilar, sem outros achados. Ao lastrear o risco e orientar a conduta, qual afirmativa está correta?

A fenestração basilar ocorre em 0,6% em angiografia e ~5% em autópsia, quase sempre no tronco basilar proximal, junto à junção vertebrobasilar, e a frequência de aneurisma associado é de 7%, o que obriga a busca ativa no estudo. Fenestrações intracranianas são mais comuns na circulação vertebrobasilar que na anterior e são achadas muito mais em autópsia do que em angiografia: a alternativa que inverte essas prevalências troca justamente os dois números do caderno (0,6% e ~5%).
↑revisar esta parte do caderno · Fenestrações e duplicações
Questão 2

Em angio-TC de rotina, na origem da comunicante posterior direita a partir da carótida interna, há uma dilatação em funil que preocupa o plantonista. Segundo os critérios do caderno, qual achado define infundíbulo (e não aneurisma) da PComA?

O infundíbulo da PComA é uma dilatação em funil cujos critérios são: redondo ou cônico, diâmetro <2 mm, simétrico, com a carótida na base e a PComA saindo do ápice. Essa é, segundo o caderno, a distinção com maior impacto prático de toda a lista, pois separa variante benigna de aneurisma da PComA e da carótida. Os limites de 3 mm e 5 mm e o formato sacular/assimétrico são fantasias de alternativa: quem decorou o critério não hesita no <2 mm cônico com a artéria nascendo do ápice.
↑revisar esta parte do caderno · Variantes do polígono de Willis
Questão 3

Angio-TC com reconstruções ósseas mostra artéria anômala que se origina da carótida interna entre C1 e C3, percorre um canal do hipoglosso alargado e se anastomosa com a basilar. Sobre a identificação e o diferencial dessa variante, qual afirmativa está correta?

A artéria hipoglossa persistente é a segunda mais comum (0,02–0,10%), nasce da carótida interna entre C1 e C3, percorre o canal do hipoglosso e anastomosa-se com a basilar: não atravessa o forame magno, e esse é o detalhe que a diferencia da proatlantal, que cruza o forame magno. O diagnóstico se firma ao reconhecer a artéria dentro do canal do hipoglosso alargado. A artéria ótica é a pegadinha: tem existência controversa e alguns de seus oito relatos provavelmente são trigeminais persistentes.
↑revisar esta parte do caderno · Anastomoses carótido-basilares persistentes
Questão 4

Paciente com paralisia do olhar conjugado para cima, dissociação luz-perto (pupila pouco reativa à luz, mas contraindo à convergência) e nistagmo de convergência-retração. A RM mostra lesão da região pineal. Qual afirmativa está correta?

A tríade: paralisia do olhar para cima, dissociação luz-perto e nistagmo de convergência-retração: é clássica de Parinaud, por compressão da lâmina tectal próximo ao colículo superior por lesão expansiva da comissura posterior ou da região pineal: não é síndrome vascular. Essa é a armadilha: Weber, Benedikt e Claude são síndromes isquêmicas do III par com hemiplegia/hemiataxia contralaterais, e Nothnagel costuma ser massa; atribuir toda síndrome de tronco a AVC é erro listado no caderno.
↑revisar esta parte do caderno · Mesencéfalo
Questão 5

Homem, 68 anos, com diplopia que piora ao olhar para a esquerda e hemiplegia direita. RM mostra infarto pontino ventromedial, com fascículos do VI e trato corticoespinhal acometidos e facial poupado. Qual síndrome corresponde ao quadro?

A lesão ventromedial da ponte com fascículos do VI e trato corticoespinhal, poupando o facial, define Raymond: fraqueza do olhar lateral por paresia do reto lateral ipsilateral + hemiplegia contralateral. O diferencial cobrado é com Millard-Gubler (ventral caudal), que envolve também o VII: paresia facial ipsilateral com perda do reflexo corneano. A regra do caderno: Millard-Gubler envolve o VII; Raymond poupa o facial.
↑revisar esta parte do caderno · Ponte
Questão 6

Paciente com ataxia cerebelar ipsilateral, déficit sensitivo facial, Horner ipsilateral e hemiplegia com hemianestesia contralaterais. RM mostra infarto que acometa o bulbo medial e lateral (hemibulbo). Qual é o vaso ocluído e a síndrome correspondente?

Infarto medial e lateral do bulbo (hemibulbo) por oclusão da porção intracraniana da artéria vertebral define Babinski-Nageotte: na prática, Wallenberg + Dejerine no mesmo paciente. Wallenberg isolado é bulbo lateral por infarto da PICA, e Dejerine isolado é bulbo medial (hipoglosso ipsilateral + hemiparesia contralateral) por perfurantes da vertebral/basilar ou espinhal anterior. Quando o déficit mistura achados mediais e laterais, pense em oclusão da vertebral intracraniana.
↑revisar esta parte do caderno · Bulbo
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Fontes: Parte I: Dimmick SJ, Faulder KC. Normal Variants of the Cerebral Circulation at Multidetector CT Angiography. RadioGraphics 2009;29(4):1027–1043. Parte II: Sciacca S et al. Midbrain, Pons, and Medulla: Anatomy and Syndromes. RadioGraphics 2019;39(4):1110–1125.

Nota sobre a Parte I: O artigo de variantes é de 2009: as prevalências e a anatomia permanecem válidas, mas os parâmetros de acurácia da angio-TC citados refletem a tecnologia da época e hoje são conservadores.