Cadernos QRad 37 · Emergências Penianas e Escrotais
Geniturinário · plantão

Emergências Penianas e Escrotais

Fontes: Avery & Scheinfeld, RadioGraphics 2013;33(3):721–740 · Aswani et al, RadioGraphics 2025

Três famílias: infecção, vaso e trauma

Emergências genitais masculinas são incomuns, e por isso mesmo exigem suspeita alta e resposta rápida: o que está em jogo é fertilidade, função hormonal e função erétil. Quase tudo se resolve com US (linear de alta frequência, escala de cinza + Doppler colorido, sempre comparando com o lado são); a TC entra na gangrena de Fournier, e a RM como solucionadora de dúvida no trauma. As três famílias: infecciosa (epididimite, orquite, abscesso, piocele, Fournier), vascular (torção, infarto segmentar, priapismo, Mondor) e traumática (rotura testicular, fratura peniana).

o gesto técnico que muda o exame No escroto agudo, otimizar o Doppler para fluxo lento, e no pequeno paciente considerar o power Doppler (independe do ângulo, ao custo de artefato de movimento). O testículo contralateral é o controle interno de toda avaliação de fluxo.

Anatomia que decide o laudo

O US É O EXAME DE PRIMEIRA LINHA DOS DOIS ÓRGÃOS: LINEAR DE ALTA FREQUÊNCIA, SEMPRE COMPARANDO OS DOIS LADOS ESCROTO (sagital) túnica VAGINAL (2 folhetos): hidrocele, piocele e hematocele moram entre eles túnica ALBUGÍNEA: linha ecogênica fina no contorno testículo ~5 × 2–3 cm mediastino testis: banda ecogênica cabeça corpo cauda epidídimo iso/hipoecoico · a infecção sobe RETRÓGRADA: cauda primeiro PÊNIS (corte transverso) v. dorsal SUPERFICIAL (fora da Buck): a do Mondor v. dorsal PROFUNDA (sob a Buck) corpo cavernoso a. cavernosa central esponjoso + URETRA cada corpo tem sua albugínea; a fáscia de Buck envolve os três corpos na ereção a albugínea cavernosa estica e AFINA: por isso rompe RM: albugínea e Buck = linha escura em T1/T2; corpos T2-altos; é a RM que mostra DIRETO a descontinuidade da albugínea na dúvida.
Escroto e pênis: as túnicas que definem rotura, os três corpos penianos e as duas veias dorsais.
as camadas que importam No escroto: a túnica albugínea é a cápsula fibrosa do testículo (linha ecogênica fina; escura na RM), e a sua integridade define rotura; a túnica vaginal tem dois folhetos, e hidrocele/piocele/hematocele moram entre eles; o mediastino testis é a banda ecogênica central. No pênis: dois corpos cavernosos dorsais (artéria cavernosa central em cada um) e o esponjoso ventral com a uretra, cada qual com a sua albugínea, todos envoltos pela fáscia de Buck; a veia dorsal superficial (do Mondor) corre fora da Buck, a profunda por baixo dela. O epidídimo (cabeça em cima, corpo e cauda descendo) é iso/hipoecoico ao testículo.
Testículo e epidídimo normais ao US
Corte sagital: a túnica albugínea, linha ecogênica fina envolvendo o testículo de ecotextura uniforme (setas).
Corte sagital: a túnica albugínea, linha ecogênica fina envolvendo o testículo de ecotextura uniforme (setas).
Corte sagital: a cabeça do epidídimo (cursores) acima do testículo.
Corte sagital: a cabeça do epidídimo (cursores) acima do testículo.
Corte sagital: o mediastino testicular, faixa ecogênica longitudinal (setas), e o corpo do epidídimo (cursores) atrás do testículo.
Corte sagital: o mediastino testicular, faixa ecogênica longitudinal (setas), e o corpo do epidídimo (cursores) atrás do testículo.
Fonte: Avery LL et al. RadioGraphics 2013;33(3):721–740, Fig. 2. Ver artigo
Pênis normal na RM e no US
RM axial T2: corpos cavernosos com hipersinal (*), envolvidos pela fáscia de Buck e pela albugínea com hipossinal (setas pretas); artérias cavernosas (pontas de
RM axial T2: corpos cavernosos com hipersinal (*), envolvidos pela fáscia de Buck e pela albugínea com hipossinal (setas pretas); artérias cavernosas (pontas de seta) e a uretra achatada no corpo esponjoso (seta branca).
US transversal: ecotextura homogênea dos corpos cavernosos (*), a artéria cavernosa direita (ponta de seta) e a uretra (seta).
US transversal: ecotextura homogênea dos corpos cavernosos (*), a artéria cavernosa direita (ponta de seta) e a uretra (seta).
Doppler colorido transversal: a artéria central de cada corpo cavernoso (pontas de seta).
Doppler colorido transversal: a artéria central de cada corpo cavernoso (pontas de seta).
Fonte: Avery LL et al. RadioGraphics 2013;33(3):721–740, Fig. 17. Ver artigo

Infecção: da cauda do epidídimo à gangrena

QuadroO que saber
EpididimiteCausa comum de escroto agudo · infecção RETRÓGRADA do trato urinário → a cauda adoece primeiro (varra o epidídimo inteiro!) · < 35 anos: gonococo e clamídia; criança e > 35: E. coli e afins · US: epidídimo grande, heterogêneo, hipoecoico, hiperemia ao Doppler (às vezes o ÚNICO achado)
Orquiepididimite20–40% das epididimites progridem ao testículo · dor MELHORA elevando o testículo (sinal de Prehn): na torção não melhora · edema pode estrangular o retorno venoso → necrose
Abscesso e pioceleComplicam tratamento tardio/incompleto · abscesso: foco hipoecoico com liquefação central SEM fluxo · piocele: coleção complexa entre os folhetos da vaginal (ecos, septos) · gás intratesticular = necrose
Gangrena de FournierFasciite necrosante perineal, homem 10:1, mortalidade 15–50% · diabetes e etilismo predispõem · fonte colorretal, urológica ou cutânea (oculta em ~10%) · polimicrobiana (sinergia aeróbio-anaeróbio) · TC é o método: gás nos planos fasciais + trajeto + a FONTE; varrer abdome e pelve INTEIROS até o períneo
Epididimite com abscesso da cauda, homem de 73 anos com infecção urinária por E. coli
US: cauda do epidídimo aumentada e heterogênea (setas), no polo inferior.
US: cauda do epidídimo aumentada e heterogênea (setas), no polo inferior.
Doppler colorido: fluxo aumentado na cauda e área central sem fluxo (*), o abscesso.
Doppler colorido: fluxo aumentado na cauda e área central sem fluxo (*), o abscesso.
Fonte: Avery LL et al. RadioGraphics 2013;33(3):721–740, Fig. 3. Ver artigo
Orquiepididimite, homem de 31 anos com dor há 3 dias
US transversal dos dois testículos: o esquerdo levemente aumentado e heterogêneo (setas).
US transversal dos dois testículos: o esquerdo levemente aumentado e heterogêneo (setas).
Doppler colorido transversal: hiperemia acentuada do testículo esquerdo.
Doppler colorido transversal: hiperemia acentuada do testículo esquerdo.
Doppler colorido das cabeças dos epidídimos: fluxo muito aumentado e aumento de volume à esquerda (setas), comparado com a direita (pontas de seta).
Doppler colorido das cabeças dos epidídimos: fluxo muito aumentado e aumento de volume à esquerda (setas), comparado com a direita (pontas de seta).
Fonte: Avery LL et al. RadioGraphics 2013;33(3):721–740, Fig. 4. Ver artigo
Orquiepididimite complicada em dois pacientes
Homem de 64 anos com 2 semanas de sintomas. US sagital: testículo heterogêneo (setas), sugerindo isquemia, e piocele complexa com ecos e septos (*).
Homem de 64 anos com 2 semanas de sintomas. US sagital: testículo heterogêneo (setas), sugerindo isquemia, e piocele complexa com ecos e septos (*).
Mesmo paciente, Doppler colorido: sem fluxo no testículo e gás intratesticular, focos ecogênicos com sombra suja (seta).
Mesmo paciente, Doppler colorido: sem fluxo no testículo e gás intratesticular, focos ecogênicos com sombra suja (seta).
Homem de 65 anos com diabetes. US transversal: área hipoecogênica bem delimitada no testículo (setas), o abscesso, com hidrocele simples (*).
Homem de 65 anos com diabetes. US transversal: área hipoecogênica bem delimitada no testículo (setas), o abscesso, com hidrocele simples (*).
Um mês depois, sem tomar o antibiótico: material heterogêneo no hemiescroto, sem testículo identificável.
Um mês depois, sem tomar o antibiótico: material heterogêneo no hemiescroto, sem testículo identificável.
Focos ecogênicos múltiplos (setas), gás.
Focos ecogênicos múltiplos (setas), gás.
TC axial sem contraste: gás no hemiescroto esquerdo, centrado no testículo (setas). A orquiectomia mostrou testículo necrótico e purulento.
TC axial sem contraste: gás no hemiescroto esquerdo, centrado no testículo (setas). A orquiectomia mostrou testículo necrótico e purulento.
Fonte: Avery LL et al. RadioGraphics 2013;33(3):721–740, Figs. 5, 6. Ver artigo
Gangrena de Fournier de origem cutânea, homem de 68 anos com diabetes
Foto clínica de pacienteFica fora da página pública por respeito ao paciente.Entre no QRad para ver
Foto: escroto eritematoso com escara necrótica (setas). Cinco dias antes, ele tinha notado uma espinha no escroto. Fotos cedidas por Adam S. Feldman, Massachusetts General Hospital.
TC: gás na parte posterior do escroto (setas), sem gás nos testículos (*).
TC: gás na parte posterior do escroto (setas), sem gás nos testículos (*).
Foto clínica de pacienteFica fora da página pública por respeito ao paciente.Entre no QRad para ver
Foto depois do desbridamento cirúrgico de urgência do períneo e do escroto: testículos e cordão espermático íntegros.
Foto clínica de pacienteFica fora da página pública por respeito ao paciente.Entre no QRad para ver
Foto 8 semanas depois: escroto reconstruído com enxerto de pele.
Fonte: Avery LL et al. RadioGraphics 2013;33(3):721–740, Fig. 7. Ver artigo
Gangrena de Fournier de origem abdominal, homem de 87 anos
TC axial: ar no escroto (setas) envolvendo o testículo direito (*).
TC axial: ar no escroto (setas) envolvendo o testículo direito (*).
TC axial, mais acima: abscesso diverticular retroperitoneal (setas), a origem da infecção escrotal.
TC axial, mais acima: abscesso diverticular retroperitoneal (setas), a origem da infecção escrotal.
Fonte: Avery LL et al. RadioGraphics 2013;33(3):721–740, Fig. 8. Ver artigo
as pegadinhas da infecção 1) Epidídimo normal na cabeça não exclui epididimite: a doença começa na cauda. 2) Hiperemia isolada ao Doppler pode ser a única pista precoce. 3) Na suspeita de Fournier, o US do períneo dói e subestima a profundidade (gás na fossa isquioanal passa despercebido). Vá de TC com contraste, e não limite o campo à pelve: a fonte pode ser um abscesso diverticular retroperitoneal.

Torção e infarto segmentar

A torção é mais comum no adolescente e a viabilidade cai com cada hora de isquemia. O substrato é a deformidade em badalo de sino (12% dos homens, 80% bilateral, e por isso a orquipexia é dos dois lados): a vaginal envolve completamente testículo, epidídimo e cordão distal, deixando o conjunto livre para girar.

TORÇÃO = EMERGÊNCIA CIRÚRGICA: VIABILIDADE É FUNÇÃO DIRETA DO TEMPO DE ISQUEMIA “BADALO DE SINO” vaginal não cobre o polo posterior envolve TUDO: o cordão gira O ACHADO: SEM FLUXO contralateral = controle interno ✕ torcido: SEM fluxo (cor e power) DESTORÇÃO MANUAL 2/3 torcem para DENTRO (medial) → destorcer como “abrir um livro”: girar para FORA (lateral) ~180° repete se torção > 180° · pode falhar se lateral (1/3) alvo: aliviar a DOR (reper- fusão) · a cirurgia continua obrigatória (pexia bilateral) ECOTEXTURA = VIABILIDADE torção precoce: testículo pode ser NORMAL na escala de cinza (só o Doppler denuncia) · heterogêneo, aumentado, hipoecoico = isquemia avançada → sugere INVIABILIDADE badalo de sino: 12% dos homens, 80% BILATERAL INFARTO SEGMENTAR cunha SEM fluxo, vértice no mediastino · raro: trauma, orquiepididimite, falciforme, vasculite · redondo/mal definido imita TUMOR hipovascular → RM com contraste + US de controle
Badalo de sino, o Doppler sem fluxo, a destorção em “livro aberto” e o infarto segmentar em cunha.
o que o Doppler responde Torção = ausência de fluxo no testículo (cor e power), com o contralateral de controle. Na torção precoce a escala de cinza pode ser normal; heterogeneidade, aumento e hipoecogenicidade sugerem inviabilidade. Confirmou? Urologia imediata. Se o paciente vai ser transferido, a destorção manual ganha tempo: 2/3 torcem para medial → girar para fora (“abrir o livro”) ~180°, repetindo se preciso; o alvo é o alívio da dor como marcador de reperfusão, e a cirurgia com pexia bilateral continua obrigatória.
A deformidade em badalo de sino (bell-clapper)
Desenho: a túnica vaginal normal (linha verde) não cobre a face posterior do testículo e do epidídimo, o que impede a rotação livre.
Desenho: a túnica vaginal normal (linha verde) não cobre a face posterior do testículo e do epidídimo, o que impede a rotação livre.
Desenho: na deformidade em badalo, a túnica vaginal envolve todo o cordão distal, o epidídimo e o testículo, e o cordão pode torcer.
Desenho: na deformidade em badalo, a túnica vaginal envolve todo o cordão distal, o epidídimo e o testículo, e o cordão pode torcer.
Fonte: Avery LL et al. RadioGraphics 2013;33(3):721–740, Fig. 12. Ver artigo
Torção com testículo viável, menino de 14 anos com 2 horas de dor
Doppler colorido transversal: sem fluxo no testículo direito (*), com ecotextura simétrica (torção precoce); o testículo está alongado e retraído para cima.
Doppler colorido transversal: sem fluxo no testículo direito (*), com ecotextura simétrica (torção precoce); o testículo está alongado e retraído para cima.
Power Doppler: sem fluxo no polo inferior (* preto) e na cauda do epidídimo (* branco). A destorção manual deu certo, e a cirurgia achou deformidade em badalo b
Power Doppler: sem fluxo no polo inferior (* preto) e na cauda do epidídimo (* branco). A destorção manual deu certo, e a cirurgia achou deformidade em badalo bilateral.
Fonte: Avery LL et al. RadioGraphics 2013;33(3):721–740, Fig. 13. Ver artigo
Torção com testículo inviável, menino de 10 anos com 15 horas de dor
US sagital: testículo direito aumentado e heterogêneo no centro (setas), ao lado do esquerdo normal.
US sagital: testículo direito aumentado e heterogêneo no centro (setas), ao lado do esquerdo normal.
Doppler colorido transversal: sem fluxo no testículo direito (*). Na cirurgia, testículo necrótico e torção de 360°.
Doppler colorido transversal: sem fluxo no testículo direito (*). Na cirurgia, testículo necrótico e torção de 360°.
Fonte: Avery LL et al. RadioGraphics 2013;33(3):721–740, Fig. 14. Ver artigo
Torção parcial, adolescente de 13 anos
Doppler colorido com a amostra numa artéria intratesticular.
Doppler colorido com a amostra numa artéria intratesticular.
Doppler espectral em outro ramo: leve inversão do fluxo diastólico (seta).
Doppler espectral em outro ramo: leve inversão do fluxo diastólico (seta).
Modo B: torção do cordão espermático, o sinal do redemoinho (seta).
Modo B: torção do cordão espermático, o sinal do redemoinho (seta).
Doppler espectral: perda do fluxo diastólico anterógrado (seta). Na torção parcial a artéria ainda passa, mas a veia não, e a diástole cai.
Doppler espectral: perda do fluxo diastólico anterógrado (seta). Na torção parcial a artéria ainda passa, mas a veia não, e a diástole cai.
Fonte: Aswani Y et al. RadioGraphics 2025;45(12):e250071, apresentação, slide 31. Ver artigo
infarto segmentar ≠ tumor Cunha avascular com vértice no mediastino = infarto segmentar (raro; trauma, orquiepididimite, falciforme, vasculite). Quando é redondo e mal definido, imita tumor hipovascular: a RM com contraste mostra a área avascular com anel realçante (T1 alto se hemorragia), e o US de controle em curto prazo evita orquiectomia desnecessária.
Infarto testicular segmentar, homem de 22 anos
Doppler colorido sagital: lesão periférica hipoecogênica, de limites mal definidos e sem fluxo (setas).
Doppler colorido sagital: lesão periférica hipoecogênica, de limites mal definidos e sem fluxo (setas).
RM sagital T1: hipersinal na área, de hemorragia (seta).
RM sagital T1: hipersinal na área, de hemorragia (seta).
RM sagital T1 pós-contraste: área em cunha, bem definida, sem realce, com halo de realce (seta). Acompanhamento conservador confirmou infarto.
RM sagital T1 pós-contraste: área em cunha, bem definida, sem realce, com halo de realce (seta). Acompanhamento conservador confirmou infarto.
Fonte: Avery LL et al. RadioGraphics 2013;33(3):721–740, Fig. 15. Ver artigo
Veia testicular trombosada, homem de 53 anos que pode imitar torção
Modo B: estrutura tubular dilatada no canal inguinal, com ecos internos; Doppler colorido e power Doppler sem fluxo na veia (setas).
Modo B: estrutura tubular dilatada no canal inguinal, com ecos internos; Doppler colorido e power Doppler sem fluxo na veia (setas).
Fonte: Aswani Y et al. RadioGraphics 2025;45(12):e250071, apresentação, slide 35. Ver artigo

Trauma escrotal: a pergunta é a albugínea

Menos de 1% dos traumas; pico dos 10 aos 30 anos, em geral contuso, muitas vezes no esporte. O direito sofre mais (posição alta, prensado contra o púbis/coxa). Romper a albugínea normal exige ~50 kg de força, e rotura (com extrusão dos túbulos seminíferos) é indicação de exploração cirúrgica imediata para salvar o testículo.

critérios de rotura no US Ecotextura heterogênea + perda do contorno normal bastam para o diagnóstico (sensibilidade 100%, especificidade 65–93,5%): a descontinuidade direta da linha ecogênica da albugínea aumenta a confiança. Hematocele volumosa (> 5 cm) ou em expansão também leva à exploração; hematoma menor pode ser conservador COM controle seriado. Na dúvida, a RM mostra a interrupção da linha escura da albugínea (avaliar nos três planos), mas não atrase a cirurgia por ela.
Fratura e rotura testicular, homem de 24 anos com trauma fechado
US sagital: testículo heterogêneo com área hipoecogênica focal (setas), contusão, e hematocele (*).
US sagital: testículo heterogêneo com área hipoecogênica focal (setas), contusão, e hematocele (*).
Outro nível: descontinuidade da linha ecogênica da albugínea (setas) e extrusão de sangue e parênquima pelo defeito (pontas de seta). Confirmado e reparado na c
Outro nível: descontinuidade da linha ecogênica da albugínea (setas) e extrusão de sangue e parênquima pelo defeito (pontas de seta). Confirmado e reparado na cirurgia.
Fonte: Avery LL et al. RadioGraphics 2013;33(3):721–740, Fig. 9. Ver artigo
Rotura da albugínea e hematoma testicular, homem de 52 anos que caiu da moto
Radiografia AP (anteroposterior) da pelve: alargamento da sínfise púbica (seta) e da sacroilíaca direita (pontas de seta), fratura por compressão anteroposterior.
Radiografia AP (anteroposterior) da pelve: alargamento da sínfise púbica (seta) e da sacroilíaca direita (pontas de seta), fratura por compressão anteroposterior.
US sagital do testículo direito: contorno sem definição (setas) e sem a linha ecogênica da albugínea, rotura com avulsão completa.
US sagital do testículo direito: contorno sem definição (setas) e sem a linha ecogênica da albugínea, rotura com avulsão completa.
US sagital do testículo esquerdo: áreas hipoecogênicas mal definidas (pontas de seta), contusão; o polo superior (*) parece mais normal.
US sagital do testículo esquerdo: áreas hipoecogênicas mal definidas (pontas de seta), contusão; o polo superior (*) parece mais normal.
Fonte: Avery LL et al. RadioGraphics 2013;33(3):721–740, Fig. 10. Ver artigo
Hematoma e avulsão da albugínea em evolução, homem de 31 anos chutado no caratê
US sagital do testículo esquerdo: contorno anterior anormal focal (setas) e hematocele (*).
US sagital do testículo esquerdo: contorno anterior anormal focal (setas) e hematocele (*).
RM coronal T2 duas horas depois: retração da albugínea esquerda com hipossinal (setas) e extrusão dos túbulos seminíferos (* branco); testículo direito normal (
RM coronal T2 duas horas depois: retração da albugínea esquerda com hipossinal (setas) e extrusão dos túbulos seminíferos (* branco); testículo direito normal (* preto).
Fonte: Avery LL et al. RadioGraphics 2013;33(3):721–740, Fig. 11. Ver artigo
o que a revisão de 2025 acrescenta [B] Torção ao Doppler: além da falta de fluxo, o fluxo diastólico ausente ou invertido, muitas vezes junto do sinal do redemoinho do cordão torcido.
Trauma: albugínea rompida com extrusão do conteúdo é rotura (emergência cirúrgica); albugínea íntegra é fratura, que pode ter conduta conservadora.
Dor escrotal que não é do escroto: dor referida de hérnia, cólica renal e doença retroperitoneal.
Veia testicular trombosada imita outras causas: veias dilatadas, não compressíveis e sem fluxo ao Doppler.
RM como segunda linha quando o US é duvidoso; no infarto segmentar, a área em cunha não realça.
Fratura testicular, menino de 12 anos com trauma
Modo B: faixa linear hipoecogênica atravessando o parênquima (seta), com contorno liso e albugínea íntegra: fratura, não rotura.
Modo B: faixa linear hipoecogênica atravessando o parênquima (seta), com contorno liso e albugínea íntegra: fratura, não rotura.
Doppler colorido: fluxo diminuído em volta da fratura (seta), sugerindo isquemia, que pode levar à cirurgia mesmo com a albugínea íntegra.
Doppler colorido: fluxo diminuído em volta da fratura (seta), sugerindo isquemia, que pode levar à cirurgia mesmo com a albugínea íntegra.
Fonte: Aswani Y et al. RadioGraphics 2025;45(12):e250071, apresentação, slide 21. Ver artigo
Dor escrotal referida, homem de 26 anos com doença de Crohn
Doppler colorido do testículo: normal.
Doppler colorido do testículo: normal.
TC axial sem contraste: fleimão mesentérico na fossa ilíaca direita com espessamento da alça vizinha (seta), Crohn penetrante agudo.
TC axial sem contraste: fleimão mesentérico na fossa ilíaca direita com espessamento da alça vizinha (seta), Crohn penetrante agudo.
TC coronal: o mesmo fleimão (setas), que provavelmente comprimia o nervo genitofemoral direito.
TC coronal: o mesmo fleimão (setas), que provavelmente comprimia o nervo genitofemoral direito.
Doppler espectral do testículo: normal.
Doppler espectral do testículo: normal.
Fonte: Aswani Y et al. RadioGraphics 2025;45(12):e250071, apresentação, slide 45. Ver artigo

Pênis: priapismo, Mondor e fratura

PÊNIS NO PLANTÃO: DOIS VASCULARES E UM TRAUMA; E SÓ UM DELES NÃO É EMERGÊNCIA PRIAPISMO: BAIXO × ALTO FLUXO BAIXO FLUXO (isquêmico) obstrução do RETORNO venoso · falciforme, medicamentos, neoplasia, lesão medular · DOLOROSO, rígido, agudo · O₂ cavernoso BAIXO · Doppler: sem fluxo nos corpos · EMERGÊNCIA (aspiração, fenilefrina, shunt) ALTO FLUXO (arterial) entrada arterial sem controle · trauma perineal/fratura pélvica (fístula artéria-lacunar ou pseudoaneurisma) · INDOLOR, ereção parcial, arrastado · O₂ ALTO · Doppler acha a fístula → embolização dirigida · NÃO é emergência MONDOR PENIANO trombose/tromboflebite da veia dorsal SUPERFICIAL · cordão palpável no dorso · jovem sexualmente ativo · dor na ereção Doppler: veia SEM fluxo e INCOMPRESSÍVEL autolimitado: calor local + anti-inflamatório; não é cirurgia, não é embolização FRATURA PENIANA = ROTURA DA ALBUGÍNEA CAVERNOSA albugínea rompida + hematoma pênis ERETO + flexão lateral súbita (coito) · dor, estalo, detumescência rápida, hematoma · US: interrupção da linha ecogênica + hematoma sob a Buck · RM T2: falha na linha escura · uretra junto em 10–20%: sangue no meato ou lesão BIcavernosa pedem uretrografia retrógrada · conduta: reparo cirúrgico IMEDIATO (conservador = placa, curvatura, disfunção, estenose)
Baixo × alto fluxo, o Mondor da veia dorsal superficial e a fratura da albugínea cavernosa.
priapismo: um é emergência, o outro não Baixo fluxo (isquêmico, o mais comum): falha do escoamento venoso; falciforme, medicamentos, neoplasia, lesão medular; ereção dolorosa e rígida, oxigênio cavernoso baixo; pressão sustentada = fibrose e disfunção erétil permanente → emergência (aspiração, fenilefrina, shunt; imagem tem papel limitado). Alto fluxo: entrada arterial desregulada pós-trauma perineal/pélvico (fístula artéria-lacunar, pseudoaneurisma); ereção parcial e indolor, arrastada, oxigênio alto → não é emergência; o Doppler (inclusive transperineal) localiza a fístula e guia a embolização.
Priapismo de baixo fluxo há 24 horas, menino de 7 anos com anemia falciforme
US transversal: corpos cavernosos com ecotextura grosseira e heterogênea (*), edema.
US transversal: corpos cavernosos com ecotextura grosseira e heterogênea (*), edema.
Power Doppler transversal: fluxo na veia dorsal superficial (seta), mas não dentro dos corpos cavernosos.
Power Doppler transversal: fluxo na veia dorsal superficial (seta), mas não dentro dos corpos cavernosos.
Fonte: Avery LL et al. RadioGraphics 2013;33(3):721–740, Fig. 18. Ver artigo
Priapismo de alto fluxo há 3 dias, homem de 27 anos baleado no quadril
Doppler colorido transperineal: pseudoaneurisma de 1,5 cm (setas) e fístula arteriocavernosa na base do corpo cavernoso esquerdo.
Doppler colorido transperineal: pseudoaneurisma de 1,5 cm (setas) e fístula arteriocavernosa na base do corpo cavernoso esquerdo.
US: corpo cavernoso esquerdo heterogêneo, com inúmeros pequenos espaços císticos (setas), os sinusoides dilatados.
US: corpo cavernoso esquerdo heterogêneo, com inúmeros pequenos espaços císticos (setas), os sinusoides dilatados.
Angiografia digital: blush anormal na base do pênis, pseudoaneurismas à direita (seta) e à esquerda (ponta de seta); o * é artefato do projétil.
Angiografia digital: blush anormal na base do pênis, pseudoaneurismas à direita (seta) e à esquerda (ponta de seta); o * é artefato do projétil.
Depois da embolização com microespirais dos ramos pudendos (pontas de seta).
Depois da embolização com microespirais dos ramos pudendos (pontas de seta).
Fonte: Avery LL et al. RadioGraphics 2013;33(3):721–740, Fig. 19. Ver artigo
Doença de Mondor peniana, homem de 38 anos
Doppler colorido transversal ampliado: sem fluxo na veia dorsal superficial do pênis (seta).
Doppler colorido transversal ampliado: sem fluxo na veia dorsal superficial do pênis (seta).
Doppler pulsado sagital na veia dorsal superficial: sem fluxo.
Doppler pulsado sagital na veia dorsal superficial: sem fluxo.
Fonte: Avery LL et al. RadioGraphics 2013;33(3):721–740, Fig. 20. Ver artigo
fratura peniana Pênis ereto (albugínea esticada e fina) + flexão lateral súbita → rotura de um ou ambos os cavernosos: dor, estalo, detumescência imediata, hematoma. US mostra a interrupção da linha ecogênica e o hematoma; a RM T2 mostra a falha na linha escura. Uretra lesada em 10–20%: sangue no meato ou lesão bicavernosa pedem uretrografia retrógrada (ar nos cavernosos ao US também sugere) · conduta = reparo cirúrgico imediato; o conservador cobra placa, curvatura, ereção dolorosa, estenose e disfunção. Já o Mondor (trombose da dorsal superficial, com cordão palpável e veia sem fluxo e incompressível) é autolimitado: calor local e anti-inflamatório.
Fratura peniana, homem de 36 anos com dor súbita durante a relação
US transversal: os dois corpos cavernosos (*) e abaulamento focal da face lateral do corpo cavernoso esquerdo (setas). Confirmado e suturado na cirurgia.
US transversal: os dois corpos cavernosos (*) e abaulamento focal da face lateral do corpo cavernoso esquerdo (setas). Confirmado e suturado na cirurgia.
Fonte: Avery LL et al. RadioGraphics 2013;33(3):721–740, Fig. 21. Ver artigo
Fratura peniana, homem de 50 anos com perda súbita da ereção
RM axial T2: interrupção focal da albugínea com hipossinal na face lateral esquerda (seta) e hematoma sobrejacente (pontas de seta).
RM axial T2: interrupção focal da albugínea com hipossinal na face lateral esquerda (seta) e hematoma sobrejacente (pontas de seta).
RM coronal T2: a mesma interrupção (setas) e o hematoma (pontas de seta).
RM coronal T2: a mesma interrupção (setas) e o hematoma (pontas de seta).
Fonte: Avery LL et al. RadioGraphics 2013;33(3):721–740, Fig. 22. Ver artigo

Pontos de prova: alto rendimento

TécnicaUS linear de alta frequência, sempre bilateral · Doppler otimizado p/ fluxo lento; power no pediátrico · RM = dúvida; TC = Fournier
Anatomia escrotalAlbugínea = cápsula (linha ecogênica) · vaginal 2 folhetos (coleções moram ali) · mediastino = banda ecogênica · epidídimo iso/hipoecoico
Anatomia peniana2 cavernosos (a. cavernosa central) + esponjoso com uretra · Buck envolve os três · v. dorsal superficial FORA da Buck (Mondor); profunda sob
EpididimiteRetrógrada → CAUDA primeiro · < 35: gonococo/clamídia; demais: E. coli · hiperemia pode ser o único achado
Orquiepididimite20–40% · Prehn: elevar MELHORA (torção não) · edema pode necrosar por congestão venosa
Abscesso/pioceleLiquefação sem fluxo central · piocele = coleção complexa na vaginal · gás intratesticular = necrose
FournierFasciite necrosante 10:1 M, mortalidade 15–50% · diabetes/etilismo · TC com abdome+pelve inteiros: gás fascial + fonte (colorretal/urológica/cutânea) · US subestima
TorçãoBadalo de sino 12%, 80% bilateral · Doppler: SEM fluxo (precoce pode ter cinza normal) · heterogêneo = inviável · pexia bilateral
Destorção manual2/3 torcem medial → “abrir o livro”: girar p/ FORA ~180° · meta = aliviar a dor · cirurgia continua obrigatória
Infarto segmentarCunha avascular, vértice no mediastino · falciforme, vasculite, pós-infecção · redondo imita tumor → RM + US seriado
Rotura testicular~50 kg de força · heterogêneo + contorno perdido = rotura (sens 100%) · hematocele > 5 cm/expansiva → explorar · cirurgia imediata
Priapismo baixo fluxoDoloroso, rígido · falciforme/medicamentos · O₂ baixo · EMERGÊNCIA: aspiração/fenilefrina/shunt
Priapismo alto fluxoPós-trauma, indolor, parcial · fístula/pseudoaneurisma · Doppler localiza → embolização · não é emergência
MondorTrombose da dorsal SUPERFICIAL · cordão palpável · sem fluxo, incompressível · autolimitado (calor + anti-inflamatório)
Fratura penianaEreto + flexão lateral · estalo, detumescência · US/RM: interrupção da albugínea · uretra 10–20% → uretrografia · reparo IMEDIATO

Armadilhas e erros comuns

Erros de exame

  • Não varrer a cauda do epidídimo (é onde a epididimite começa)
  • Doppler sem otimizar para fluxo lento: “sem fluxo” falso no pediátrico
  • US para estadiar Fournier (dói e esconde o gás profundo): é TC
  • Limitar a TC de Fournier à pelve e perder a fonte abdominal

Erros de interpretação

  • Escala de cinza normal descartando torção (precoce só aparece no Doppler)
  • Chamar infarto segmentar arredondado de tumor (ou vice-versa) sem RM/controle
  • Exigir a descontinuidade da albugínea para diagnosticar rotura (heterogêneo + contorno bastam)
  • Tratar alto fluxo como emergência (ou baixo fluxo como eletivo)

Erros de conduta

  • Atrasar a exploração da rotura/torção por exames adicionais (RM é para a dúvida)
  • Esquecer a orquipexia BILATERAL (badalo de sino é bilateral em 80%)
  • Fratura peniana sem investigar a uretra (sangue no meato, bicavernosa)
  • Não seguir com US o hematoma tratado conservadoramente

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Adolescente de 14 anos com dor escrotal direita súbita há 2 horas. O US com Doppler colorido mostra ausência de fluxo no testículo direito, com ecotextura ainda simétrica à do esquerdo. Sobre esse quadro, qual alternativa está correta?

Na torção precoce, o testículo pode ser absolutamente normal na escala de cinza: o diagnóstico é do Doppler (ausência de fluxo, com o contralateral como controle interno). Ecotextura heterogênea, aumento e hipoecogenicidade são achados de isquemia avançada e sugerem inviabilidade; a simetria aqui é justamente o bom sinal de viabilidade, reforçando a urgência.

A RM fica para o caso duvidoso, e este não é: atrasaria a cirurgia de um órgão cuja viabilidade cai a cada hora. Orquiepididimite cursa com HIPERemia, não ausência de fluxo. E a orquipexia deve ser bilateral: o substrato é a deformidade em badalo de sino, presente em 12% dos homens e bilateral em 80% dos casos.
↑revisar esta parte do caderno · Torção e infarto segmentar
Questão 2

Homem de 68 anos, diabético, com dor escrotal, eritema e crepitação à palpação. Qual é a melhor estratégia de imagem?

Crepitação em escroto agudo de paciente diabético é gangrena de Fournier até prova em contrário (fasciite necrosante com mortalidade de 15–50%), e a TC é o método de escolha: mostra pequenas quantidades de gás e líquido nos planos fasciais profundos, o caminho da infecção e a fonte (colorretal, urológica ou cutânea). O campo deve cobrir abdome e pelve inteiros até o períneo: limitar à pelve pode perder uma fonte abdominal (como abscesso diverticular retroperitoneal) e levar a tratamento incompleto.

O US dói sobre o períneo inflamado e subestima a extensão profunda (gás na fossa isquioanal escapa). RM é lenta demais para uma emergência com indicação cirúrgica imediata. A radiografia pode até mostrar enfisema, mas não estadia nem acha a fonte; cintilografia não tem papel agudo.
↑revisar esta parte do caderno · Infecção: da cauda do epidídimo à gangrena
Questão 3

Homem de 24 anos sofre trauma escrotal contuso jogando futebol. O US mostra testículo com ecotextura heterogênea e perda da definição do contorno, sem que se identifique claramente a descontinuidade da túnica albugínea, além de hematocele. Qual é a conduta?

Ecotextura heterogênea associada à perda do contorno normal é suficiente para o diagnóstico de rotura testicular (sensibilidade de 100% e especificidade de 65–93,5%), mesmo sem a visualização direta da descontinuidade da albugínea (que, quando vista, apenas aumenta a confiança). Rotura é indicação de reparo cirúrgico imediato, no interesse de preservar fertilidade e função hormonal; hematocele volumosa (> 5 cm) ou em expansão também leva à exploração.

Exigir a descontinuidade é o erro clássico que atrasa a cirurgia. A RM pode ajudar em caso duvidoso (que não é este) e mesmo assim sem atrasar a decisão (a espera pode custar tecido viável). Punção e antibiótico não tratam o problema mecânico.
↑revisar esta parte do caderno · Trauma escrotal: a pergunta é a albugínea
Questão 4

Homem de 27 anos com ereção parcial, indolor e persistente há 3 dias, iniciada dias após ferimento por projétil na região do quadril. Sobre esse quadro, qual alternativa está correta?

Ereção parcial, indolor e arrastada após trauma genitoperineal/pélvico é o retrato do priapismo de alto fluxo (arterial): entrada arterial desregulada por fístula artéria-lacunar ou pseudoaneurisma. O oxigênio cavernoso é alto, e o Doppler colorido (inclusive transperineal, na base dos corpos) localiza a lesão e guia o tratamento, usualmente embolização superseletiva. Não é emergência: dor e disfunção erétil permanente são incomuns.

O baixo fluxo é o oposto (doloroso, rígido, agudo, oxigênio baixo) e esse sim exige aspiração, fenilefrina ou shunt imediatos. Mondor produz cordão palpável no dorso, não ereção persistente. Fratura peniana tem estalo, dor e detumescência imediata: o contrário do quadro.
↑revisar esta parte do caderno · Pênis: priapismo, Mondor e fratura
Questão 5

Homem de 28 anos com dor escrotal progressiva há 2 dias. O US mostra cabeça do epidídimo normal; na porção inferior do hemiescroto, a cauda do epidídimo está aumentada e heterogênea, com hiperemia acentuada ao Doppler e pequeno foco central hipoecoico sem fluxo. Qual é a interpretação correta?

A infecção epididimária ascende de forma retrógrada a partir do trato urinário inferior: por isso a cauda adoece primeiro, antes de corpo e cabeça, e o exame precisa varrer o epidídimo inteiro (cabeça normal não exclui nada). Cauda aumentada, heterogênea e hiperêmica é epididimite; o foco central hipoecoico sem fluxo indica liquefação: abscesso em formação, que pode exigir drenagem se o antibiótico falhar.

No homem jovem sexualmente ativo, os agentes prováveis são gonococo e clamídia. Torção do apêndice testicular dá nódulo avascular junto ao polo superior, com hiperemia ao redor, não cauda hiperêmica. Tumor de epidídimo é raro e não explica a hiperemia inflamatória aguda com liquefação. Torção testicular reduziria o fluxo do TESTÍCULO, não aumentaria o do epidídimo.
↑revisar esta parte do caderno · Infecção: da cauda do epidídimo à gangrena
Questão 6

Homem de 36 anos com dor peniana súbita, estalo audível e detumescência imediata durante o coito, evoluindo com hematoma. O US mostra interrupção focal da linha ecogênica que envolve o corpo cavernoso esquerdo. Além da indicação de reparo cirúrgico imediato, qual achado associado deve ser ativamente investigado?

O quadro é a fratura peniana: rotura da túnica albugínea de um corpo cavernoso no pênis ereto (a albugínea estica e afina na ereção), com dor, estalo, detumescência e hematoma. Junto com o reparo imediato, deve-se procurar ativamente a lesão uretral concomitante, presente em 10–20%: sangue no meato uretral e rotura dos DOIS cavernosos aumentam a suspeita, e ar nos corpos cavernosos ao US também sugere. Como o US avalia mal a uretra, a confirmação é por uretrografia retrógrada.

Trombose da dorsal superficial (Mondor) é outra doença: cordão palpável, sem trauma agudo. Fístula artéria-lacunar pertence ao priapismo de alto fluxo. Torção testicular e hérnia não fazem parte do espectro da fratura.
↑revisar esta parte do caderno · Pênis: priapismo, Mondor e fratura
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Fontes.
[A] Avery LL, Scheinfeld MH. Imaging of Penile and Scrotal Emergencies. RadioGraphics 2013;33(3):721–740. doi:10.1148/rg.333125158
[B] Aswani Y, Rajamohan N, Roberts J, Rao B, Mathur M. Multimodality Imaging in Evaluation of the Acute Scrotum. RadioGraphics 2025;45(12):e250071. doi:10.1148/rg.250071

O quadro “o que a revisão de 2025 acrescenta” vem de [B]; o restante, de [A]. Conferido em 01/09/2026.

Os diagramas são próprios. Blocos marcados com + complemento são acréscimos do autor, além do texto das fontes.