Cadernos QRad 94 · Adenocarcinoma de Pâncreas, Variantes e Imitadores
Abdome · pâncreas

Adenocarcinoma de Pâncreas, Variantes e Imitadores

Fontes: Miller et al: 2023 e Schawkat et al: 2020, RadioGraphics

O tumor que se esconde e o que se parece com ele

O adenocarcinoma ductal é cerca de 90% dos cânceres de pâncreas, fica em 60 a 70% das vezes na cabeça e tem sobrevida em 5 anos de cerca de 10% (41,6% quando localizado, 3% com metástase). Só 10 a 20% chegam ressecáveis. O radiologista erra para os dois lados: deixa passar o tumor pequeno ou isoatenuante, e chama de câncer a pancreatite focal, a autoimune ou o tumor neuroendócrino (2 a 35% de diagnósticos falsos levando a cirurgia sem necessidade).

Fator de riscoO que saber
Pancreatite crônicaRisco 16 vezes maior, sobretudo nos primeiros anos
Pancreatite agudaCâncer junto em 6,8 a 13,8%, mais acima dos 40 anos · 10,7% dos cânceres tiveram pancreatite nos 2 anos antes
OutrosTabagismo, história familiar, obesidade, diabetes de longa data
Tumor escondido na pancreatite aguda, homem de 63 anos
TC com contraste: corte do ducto no joelho, massa isoatenuante com contorno deformado, sobre pancreatite aguda.
TC com contraste: corte do ducto no joelho, massa isoatenuante com contorno deformado, sobre pancreatite aguda.
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 2. Ver artigo
O mesmo paciente: a RM e a ecoendoscopia
T2 com supressão de gordura: ducto dilatado (seta longa) e pancreatite na cauda (seta curta).
T2 com supressão de gordura: ducto dilatado (seta longa) e pancreatite na cauda (seta curta).
Colangio-RM: término abrupto do ducto (seta).
Colangio-RM: término abrupto do ducto (seta).
Ecoendoscopia: a massa (seta); a biópsia confirmou adenocarcinoma.
Ecoendoscopia: a massa (seta); a biópsia confirmou adenocarcinoma.
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 11. Ver artigo
Adenocarcinoma infiltrativo sobre pancreatite aguda, mulher de 42 anos
TC: área com aspecto de massa na cabeça (seta), lida como pancreatite.
TC: área com aspecto de massa na cabeça (seta), lida como pancreatite.
Colangio-RM: duplo ducto (setas).
Colangio-RM: duplo ducto (setas).
T1 com supressão sem contraste: hipossinal da cabeça.
T1 com supressão sem contraste: hipossinal da cabeça.
T1 precoce com contraste: pouco realce.
T1 precoce com contraste: pouco realce.
Difusão b 1000: sinal alto.
Difusão b 1000: sinal alto.
ADC (coeficiente de difusão aparente): restrição.
ADC (coeficiente de difusão aparente): restrição.
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 10. Ver artigo
pancreatite sem causa depois dos 40 Pancreatite aguda sem cálculo nem álcool num paciente acima de 40 anos merece procura ativa de tumor, com RM ou ecoendoscopia depois que a inflamação baixar.

Protocolo

ProtocoloO que os artigos dizem
TC bifásicaCortes de 1 a 3 mm · fase pancreática 40 a 50 s (um pouco depois da arterial clássica) e portal 65 a 70 s · contraste com muito iodo a 3 a 5 mL/s
Fase tardia240 s, opcional, para a massa isoatenuante na fase pancreática (pode ficar levemente hiperatenuante)
Bolus dividido100 mL e depois 40 mL: fases pancreática e portal numa aquisição só, com 43% menos dose
Energia duplaImagem de baixa energia aumenta o contraste do tumor
RMT2, T1 em fase e fora de fase, T2 com supressão, difusão (b 50, 500, 1000), T1 dinâmico e colangio-RM · melhor resolução de contraste, igual ou superior à TC nos estudos mais recentes

O adenocarcinoma típico e o isoatenuante

SinalO que é
Massa hipoatenuanteMal definida, infiltrativa, com pouco realce nas fases pancreática e portal e realce tardio (estroma desmoplásico) · RM: hipossinal no T1 com supressão, melhor vista na fase precoce
Duplo ductoColédoco e Wirsung dilatados: massa na cabeça até prova em contrário
Corte abrupto do ductoCom ou sem dilatação a montante · também em pancreatite e cálculo · sem causa na TC, ir para RM ou ecoendoscopia
Atrofia a montanteParênquima fino antes da obstrução · razão ducto/parênquima alta
CaudaChega tarde, com metástase, muitas vezes sem dilatação do ducto: só textura diferente e perda da lobulação gordurosa
AtípicosComponente cístico em 7 a 8% · calcificação em 1 a 2% (massa calcificada é mais provável neuroendócrino) · infiltração difusa em 1 a 5% · multifocal é raro
Adenocarcinoma típico, mulher de 58 anos
TC com contraste: massa hipoatenuante na cabeça com dilatação do ducto a montante.
TC com contraste: massa hipoatenuante na cabeça com dilatação do ducto a montante.
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 1. Ver artigo
Câncer pequeno que passou, homem de 61 anos
TC de trauma: lesão pequena no corpo do pâncreas, não descrita (ponta de seta), e hematoma hepático.
TC de trauma: lesão pequena no corpo do pâncreas, não descrita (ponta de seta), e hematoma hepático.
Outro corte da mesma TC (ponta de seta).
Outro corte da mesma TC (ponta de seta).
Doze meses depois, coronal: massa do corpo e cauda (ponta de seta) e metástases hepáticas (setas).
Doze meses depois, coronal: massa do corpo e cauda (ponta de seta) e metástases hepáticas (setas).
Axial: a massa (ponta de seta).
Axial: a massa (ponta de seta).
Fonte: Schawkat K, Manning MA, Glickman JN, et al. RadioGraphics 2020;40(5):1219–1239, Fig. 1. Ver artigo
Componente cístico, mulher de 66 anos
TC com contraste: adenocarcinoma de 4,6 cm na cabeça com parte cística de 3,4 cm e parte sólida com realce.
TC com contraste: adenocarcinoma de 4,6 cm na cabeça com parte cística de 3,4 cm e parte sólida com realce.
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 4. Ver artigo
Adenocarcinoma nascido de IPMN de ducto principal, homem de 62 anos
TC coronal: massa cística e sólida de 9,6 cm na cabeça.
TC coronal: massa cística e sólida de 9,6 cm na cabeça.
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 5. Ver artigo
Calcificação no tumor, mulher de 68 anos
TC com contraste: cabeça aumentada e heterogênea (seta longa) com calcificação no tumor (seta curta), achado raro.
TC com contraste: cabeça aumentada e heterogênea (seta longa) com calcificação no tumor (seta curta), achado raro.
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 6. Ver artigo
Adenocarcinoma multifocal, homem de 67 anos
TC: tumor na cabeça, com prótese no colédoco.
TC: tumor na cabeça, com prótese no colédoco.
TC: segundo tumor na cauda.
TC: segundo tumor na cauda.
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 7. Ver artigo
IsoatenuanteO que saber
Quanto5,4 a 14% (Miller) ou 10% (Schawkat): menos de 10 UH (unidades Hounsfield) de diferença do parênquima
Por quêBem diferenciado, menos células e menos desmoplasia · menor, operado tem sobrevida maior
Sinais indiretosAtrofia a montante, contorno deformado, efeito de massa, ducto interrompido, infiltração em volta do vaso
Sem ducto dilatado14% dos tumores, sobretudo no uncinado
Próximo passoRM (detecta cerca de 79%) e, se nada aparece, ecoendoscopia com biópsia
Adenocarcinoma isoatenuante, homem de 72 anos
TC com contraste: só um ducto um pouco proeminente (seta).
TC com contraste: só um ducto um pouco proeminente (seta).
T2 com supressão de gordura: a massa aparece (ponta de seta).
T2 com supressão de gordura: a massa aparece (ponta de seta).
Difusão b 750: sinal alto (ponta de seta).
Difusão b 750: sinal alto (ponta de seta).
ADC: restrição (ponta de seta).
ADC: restrição (ponta de seta).
Fonte: Schawkat K, Manning MA, Glickman JN, et al. RadioGraphics 2020;40(5):1219–1239, Fig. 2. Ver artigo
o câncer que já estava lá Numa série de 206 pacientes, 53,4% dos cânceres em estádio I tinham alteração focal na TC feita pelo menos um ano antes: atrofia focal (37,9%, 4,6 anos antes), realce fraco (26,2%) e mudança focal do ducto (13,6%). Atrofia segmentar ou ducto que muda de calibre sem explicação pedem RM.

Variantes histológicas

VarianteImagemComportamento
Adenoescamoso (1 a 4%)Massa grande, lobulada, de margem lisa, com necrose central e realce em anel progressivo da cápsula · mais claro em T2Pior que o ductal
Coloide (mucinoso não cístico, 1 a 3%)Parece cístico sem ser · muito claro em T2 com padrão em “sal e pimenta” · realce fraco e gradual · ligado ao IPMN (neoplasia mucinosa papilar intraductal) intestinalMelhor: 5 anos 28% contra 12%
HepatoideExofítico, realce arterial com lavagem portal · AFP (alfafetoproteína) pode subirExcluir metástase de CHC (carcinoma hepatocelular)
MedularBem delimitado, centro com pouco realce · ligado a instabilidade de microssatélite (Lynch)Melhor (62 contra 10 meses) · aconselhamento genético
Células em anel de sinete (menos de 1%)Poucos relatos · excluir metástase gástrica ou de mamaMuito ruim
Indiferenciado (2 a 7%)Massa grande, agressiva, realce periférico, cística em até 50%, invasão diretaPior (5,7 contra 15,7 meses)
Indiferenciado com células gigantes tipo osteoclastoBem definido, liso, hipossinal em T2/T2* (hemossiderina), cápsula · às vezes quase todo císticoMelhor que o ductal
Adenoescamoso na cabeça, mulher de 40 anos
TC com contraste: tumor exofítico bem delimitado com pouco realce e Wirsung dilatado (ponta de seta).
TC com contraste: tumor exofítico bem delimitado com pouco realce e Wirsung dilatado (ponta de seta).
T2: sinal moderadamente alto.
T2: sinal moderadamente alto.
T2 em outro corte.
T2 em outro corte.
T1 com contraste: realce em anel com centro sem realce (ponta de seta).
T1 com contraste: realce em anel com centro sem realce (ponta de seta).
Fonte: Schawkat K, Manning MA, Glickman JN, et al. RadioGraphics 2020;40(5):1219–1239, Fig. 3. Ver artigo
Carcinoma coloide, homem de 82 anos
TC com contraste: massa de aspecto cístico na cabeça com parte sólida, fístula para o duodeno (D) e contato com a artéria (A) e a veia (V) mesentéricas superior
TC com contraste: massa de aspecto cístico na cabeça com parte sólida, fístula para o duodeno (D) e contato com a artéria (A) e a veia (V) mesentéricas superiores.
Fonte: Schawkat K, Manning MA, Glickman JN, et al. RadioGraphics 2020;40(5):1219–1239, Fig. 4. Ver artigo
Carcinoma hepatoide, homem de 52 anos
T2: massa exofítica de cerca de 6 cm na cabeça, levemente clara.
T2: massa exofítica de cerca de 6 cm na cabeça, levemente clara.
Fase arterial: realce.
Fase arterial: realce.
Fase portal: lavagem.
Fase portal: lavagem.
Fonte: Schawkat K, Manning MA, Glickman JN, et al. RadioGraphics 2020;40(5):1219–1239, Fig. 5. Ver artigo
Carcinoma hepatoide na cauda, homem de 65 anos
Ultrassom com Doppler: massa hipoecogênica na cauda com pouco fluxo interno.
Ultrassom com Doppler: massa hipoecogênica na cauda com pouco fluxo interno.
TC com contraste: massa exofítica heterogênea de 1 cm na cauda.
TC com contraste: massa exofítica heterogênea de 1 cm na cauda.
T2: lesão sólida e cística, mais clara que o pâncreas.
T2: lesão sólida e cística, mais clara que o pâncreas.
T1: faixa clara de hemorragia.
T1: faixa clara de hemorragia.
Fonte: Schawkat K, Manning MA, Glickman JN, et al. RadioGraphics 2020;40(5):1219–1239, Fig. 6. Ver artigo
Carcinoma medular, homem de 38 anos com forte história familiar
TC com contraste: massa na cabeça com centro hipoatenuante.
TC com contraste: massa na cabeça com centro hipoatenuante.
T2: centro claro com borda escura.
T2: centro claro com borda escura.
Fonte: Schawkat K, Manning MA, Glickman JN, et al. RadioGraphics 2020;40(5):1219–1239, Fig. 7. Ver artigo
Carcinoma de células em anel de sinete, mulher de 62 anos
TC com contraste: massa exofítica hipoatenuante na cabeça (ponta de seta).
TC com contraste: massa exofítica hipoatenuante na cabeça (ponta de seta).
Difusão: sinal alto (ponta de seta).
Difusão: sinal alto (ponta de seta).
ADC: restrição (ponta de seta).
ADC: restrição (ponta de seta).
T2: clara (ponta de seta), com ducto dilatado a montante.
T2: clara (ponta de seta), com ducto dilatado a montante.
T1 com contraste: realce homogêneo (ponta de seta).
T1 com contraste: realce homogêneo (ponta de seta).
Fonte: Schawkat K, Manning MA, Glickman JN, et al. RadioGraphics 2020;40(5):1219–1239, Fig. 8. Ver artigo
Carcinoma indiferenciado, homem de 35 anos
Ecoendoscopia com punção: massa hipoecogênica com estruturas císticas (ponta de seta).
Ecoendoscopia com punção: massa hipoecogênica com estruturas císticas (ponta de seta).
TC com contraste: massa exofítica de corpo e cauda (ponta de seta) com invasão direta do fígado.
TC com contraste: massa exofítica de corpo e cauda (ponta de seta) com invasão direta do fígado.
TC: a massa (ponta de seta) e o fígado invadido (*).
TC: a massa (ponta de seta) e o fígado invadido (*).
TC em outro corte: a massa (ponta de seta) e o componente junto ao fígado (*).
TC em outro corte: a massa (ponta de seta) e o componente junto ao fígado (*).
Fonte: Schawkat K, Manning MA, Glickman JN, et al. RadioGraphics 2020;40(5):1219–1239, Fig. 9. Ver artigo
Indiferenciado com células gigantes tipo osteoclasto, mulher de 59 anos
TC com contraste: massa multiloculada e cística na cabeça.
TC com contraste: massa multiloculada e cística na cabeça.
T2: septos internos (ponta de seta).
T2: septos internos (ponta de seta).
Fonte: Schawkat K, Manning MA, Glickman JN, et al. RadioGraphics 2020;40(5):1219–1239, Fig. 10. Ver artigo

Pancreatite que imita câncer

AchadoPancreatite crônica em massaAdenocarcinoma
Ducto penetranteDucto atravessa a massa (especificidade 96%)Ducto cortado
Ductos secundáriosDilatados a montanteObliterados junto do tumor
Duplo ducto e corte abruptoEm geral ausentesComuns
Razão ducto/parênquimaMenor que 0,34Maior que 0,34
CalcificaçõesEspalhadas no parênquimaEmpurradas para a periferia
Envolvimento vascularAusentePresente
Ducto cortado por cálculo, não por massa, homem de 45 anos com pancreatite crônica
Colangio-RM: término abrupto do ducto.
Colangio-RM: término abrupto do ducto.
TC: o cálculo calcificado no ponto do corte.
TC: o cálculo calcificado no ponto do corte.
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 3. Ver artigo
Pancreatite crônica em massa com ducto penetrante, homem de 33 anos
T1 com supressão e contraste: área de pouco realce na cabeça.
T1 com supressão e contraste: área de pouco realce na cabeça.
T2: a área.
T2: a área.
Colangio-RM 3D: o ducto atravessa a massa sem corte.
Colangio-RM 3D: o ducto atravessa a massa sem corte.
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 8. Ver artigo
Ducto desconectado que imita massa, homem de 45 anos
Colangio-RM: ducto que termina de forma abrupta depois de pancreatite necrosante.
Colangio-RM: ducto que termina de forma abrupta depois de pancreatite necrosante.
T2: a coleção no local.
T2: a coleção no local.
T1 precoce com supressão de gordura: sem massa.
T1 precoce com supressão de gordura: sem massa.
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 9. Ver artigo
Sulco pancreaticoduodenalPancreatite do sulcoAdenocarcinoma
QuemHomem de 40 a 50 anos que bebe
TecidoEm lâmina no sulco, realce tardio · T2 claro no subagudo, escuro na fibroseMassa hipoatenuante homogênea
CistosPequenos, na parede medial do duodenoRaros
ColédocoAfilamento liso, raramente obstruídoInvadido e obstruído
VasosPoupadosEnvolvidos
Pancreatite do sulco sólida, homem de 55 anos que bebe
T2: lesão com hipossinal no sulco (fibrose) (seta).
T2: lesão com hipossinal no sulco (fibrose) (seta).
T1 com supressão: hipossinal (seta).
T1 com supressão: hipossinal (seta).
T1 com contraste: pouco realce precoce (realce tardio nas sequências seguintes) e parede do duodeno espessa.
T1 com contraste: pouco realce precoce (realce tardio nas sequências seguintes) e parede do duodeno espessa.
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 12. Ver artigo
Pancreatite do sulco cística, homem de 50 anos
T2: tecido no sulco com cistos na parede do duodeno.
T2: tecido no sulco com cistos na parede do duodeno.
T1 com contraste: o tecido e o ducto dilatado.
T1 com contraste: o tecido e o ducto dilatado.
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 13. Ver artigo
Adenocarcinoma no sulco, homem de 62 anos
Colangio-RM: duplo ducto.
Colangio-RM: duplo ducto.
T1 com contraste: lesão com pouco realce no sulco.
T1 com contraste: lesão com pouco realce no sulco.
ADC: restrição.
ADC: restrição.
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 14. Ver artigo
Pancreatite do sulco sem cistos, homem de 56 anos
TC coronal sem contraste venoso, com contraste oral: obstrução da segunda porção do duodeno, sem cistos.
TC coronal sem contraste venoso, com contraste oral: obstrução da segunda porção do duodeno, sem cistos.
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 15. Ver artigo
Pancreatite autoimuneO que favorece
QuemTipo 1: doença por IgG4 (vias biliares, rins, retroperitônio, glândulas) · tipo 2: mais jovem, ligada à retocolite
A favor da autoimuneRealce homogêneo na fase portal, halo hipointenso tipo cápsula, ducto penetrante, Wirsung menor que 4 mm, estreitamento longo (3 cm ou mais) sem corte, várias lesões, doença fora do pâncreas, resposta ao corticoide em 2 semanas
A favor do câncerVasos envolvidos, coleções, linfonodos, CA 19-9 (antígeno carboidrato 19-9) alto
CombinaçãoDucto penetrante + realce portal homogêneo + ADC acima de 0,94 × 10⁻³ mm²/s: dois ou três dão especificidade acima de 98%
Pancreatite autoimune, homem de 72 anos
T1 com supressão e contraste: massa no sulco e áreas de hipossinal no córtex renal (nefrite por IgG4).
T1 com supressão e contraste: massa no sulco e áreas de hipossinal no córtex renal (nefrite por IgG4).
T2: a lesão.
T2: a lesão.
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 16. Ver artigo
Pancreatite autoimune achada na cirurgia de Whipple, homem de 62 anos
Colangio-RM: duplo ducto.
Colangio-RM: duplo ducto.
T1 precoce com contraste: massa sutil.
T1 precoce com contraste: massa sutil.
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 17. Ver artigo
Pancreatite autoimune que imita câncer infiltrativo, homem de 79 anos
T1 com supressão e contraste: lesão mal definida de 4,4 cm.
T1 com supressão e contraste: lesão mal definida de 4,4 cm.
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 18. Ver artigo
o ducto desconectado Depois da pancreatite necrosante, o ducto desconectado termina de forma abrupta e imita o corte do tumor. A história e a coleção em volta ajudam; na dúvida, seguimento curto com RM ou ecoendoscopia.

Outros imitadores

ImitadorPistas
Tumor neuroendócrinoO segundo tumor sólido do pâncreas · 41,5% são hipovasculares e imitam o câncer · a favor: margem nítida, cápsula, T2 claro, componente cístico, calcificação, sem dilatação do ducto até ficar grande, metástase hepática hipervascular
Neuroendócrino produtor de serotoninaDilatação e atrofia desproporcionais a um tumor pequeno
Neoplasia sólida pseudopapilarMulher jovem (média 28,5 anos), bem delimitada, cápsula, hemorragia e necrose · pequena (menos de 3 cm) pode ser sólida e imitar câncer
Metástase2 a 5% · o rim (células claras) é o primário mais comum, às vezes 10 anos depois · em geral bem delimitada, sem obstrução do ducto nem invasão vascular
LinfomaMassa volumosa e bem definida sem dilatação do ducto, envolve vasos sem ocluir, linfonodos abaixo da veia renal · biópsia
Neuroendócrino grau 2, homem de 25 anos com icterícia
T1 com contraste: lesão da cabeça com pouco realce (seta), que imita adenocarcinoma.
T1 com contraste: lesão da cabeça com pouco realce (seta), que imita adenocarcinoma.
Colangio-RM 3D: duplo ducto (seta).
Colangio-RM 3D: duplo ducto (seta).
T2 coronal: lesão escura (seta); a idade puxa para neuroendócrino.
T2 coronal: lesão escura (seta); a idade puxa para neuroendócrino.
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 19. Ver artigo
Neuroendócrino com realce em anel, mulher de 62 anos
T1 com supressão e contraste: lesão da cauda com realce periférico.
T1 com supressão e contraste: lesão da cauda com realce periférico.
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 20. Ver artigo
Neuroendócrino cístico, mulher de 46 anos
T1 precoce com contraste: realce em anel.
T1 precoce com contraste: realce em anel.
T2: componente claro.
T2: componente claro.
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 21. Ver artigo
Neuroendócrino produtor de serotonina, mulher de 66 anos
TC: ducto dilatado com atrofia acentuada, sem massa visível (seta longa); adenoma adrenal incidental (seta curta).
TC: ducto dilatado com atrofia acentuada, sem massa visível (seta longa); adenoma adrenal incidental (seta curta).
T2 com supressão de gordura: ducto com término abrupto e atrofia.
T2 com supressão de gordura: ducto com término abrupto e atrofia.
Ecoendoscopia: a massa pequena.
Ecoendoscopia: a massa pequena.
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 22. Ver artigo
Neoplasia sólida pseudopapilar, mulher de 19 anos
TC na fase pancreática: massa hipoatenuante de 2,5 cm (seta); a idade e a margem nítida puxam para a pseudopapilar.
TC na fase pancreática: massa hipoatenuante de 2,5 cm (seta); a idade e a margem nítida puxam para a pseudopapilar.
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 23. Ver artigo
Metástase de melanoma, homem de 54 anos
T1 com supressão e contraste coronal: lesão nova de 2,3 cm com pouco realce (seta), comprovada na biópsia.
T1 com supressão e contraste coronal: lesão nova de 2,3 cm com pouco realce (seta), comprovada na biópsia.
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 24. Ver artigo
Linfoma difuso de grandes células B, mulher de 64 anos
TC com contraste: pâncreas aumentado com massas bem definidas de pouco realce (setas).
TC com contraste: pâncreas aumentado com massas bem definidas de pouco realce (setas).
Fonte: Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. RadioGraphics 2023;43(11):e230054, Fig. 25. Ver artigo
o que aponta para o câncer Corte abrupto do ducto com atrofia a montante, envolvimento de vaso, implante peritoneal e metástase hepática. Margem nítida, ducto que atravessa a lesão e doença fora do pâncreas puxam para os imitadores.

Pontos de prova: alto rendimento

Fase pancreática40–50 s
Fase portal65–70 s
IsoatenuanteFase tardia de 240 s ou RM
Duplo ductoMassa na cabeça
Isoatenuante, quantoCerca de 10%
Sinais indiretosAtrofia, contorno, ducto cortado
Sem ducto dilatado14%, uncinado
Câncer antes do diagnósticoAtrofia focal anos antes
Calcificação na massaPensar em neuroendócrino
AdenoescamosoNecrose central, anel
ColoideT2 muito claro, melhor prognóstico
Células tipo osteoclastoHipossinal em T2
Ducto penetrantePancreatite (esp. 96%)
Razão ducto/parênquima>0,34 câncer
Sulco com cistosPancreatite do sulco
AutoimuneHalo, realce portal, Wirsung <4 mm
ADC na autoimune>0,94 com ducto penetrante
LinfomaGrande, sem dilatação do ducto
MetástaseRim é o primário mais comum

Armadilhas e erros comuns

Erros

  • Não procurar sinais indiretos quando a massa não aparece
  • Ignorar atrofia focal ou mudança do ducto num exame antigo
  • Parar na pancreatite aguda sem causa num paciente acima de 40 anos
  • Chamar de câncer o ducto que atravessa a massa
  • Operar a autoimune focal sem procurar IgG4 e doença fora do pâncreas
  • Chamar de câncer a pancreatite do sulco com cistos
  • Chamar de câncer a massa grande sem dilatação do ducto (linfoma)

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Na TC não se vê massa, mas há atrofia da cauda e corte abrupto do Wirsung no corpo, sem cálculo. O próximo passo é:

Corte abrupto do ducto com atrofia a montante, sem cálculo nem outra causa, é sinal indireto de tumor, inclusive do isoatenuante (cerca de 10%). A RM detecta cerca de 79% deles; se nada aparece, ecoendoscopia com biópsia.

Siglas: PET-CT (tomografia por emissão de pósitrons com TC).
↑revisar esta parte do caderno · O adenocarcinoma típico e o isoatenuante
Questão 2

Massa na cabeça com o ducto pancreático atravessando-a sem corte, calcificações espalhadas e ductos secundários dilatados. Favorece:

O ducto penetrante (especificidade de 96%) é a principal pista da pancreatite crônica em massa, junto com calcificações espalhadas e ductos secundários dilatados por tração. No câncer, o ducto é cortado e as calcificações são empurradas para a periferia.
↑revisar esta parte do caderno · Pancreatite que imita câncer
Questão 3

Pâncreas com aumento focal, halo hipointenso tipo cápsula, realce homogêneo na fase portal e áreas de hipossinal no córtex renal. O diagnóstico mais provável é:

Halo tipo cápsula, realce homogêneo na fase portal e doença fora do pâncreas (nefrite por IgG4) apontam pancreatite autoimune tipo 1. Ducto penetrante e Wirsung menor que 4 mm também ajudam; responde ao corticoide em semanas.
↑revisar esta parte do caderno · Pancreatite que imita câncer
Questão 4

Massa pancreática bem delimitada e encapsulada, com hipossinal em T2 e T2* por hemossiderina. Qual variante ela sugere?

O indiferenciado com células gigantes tipo osteoclasto é bem definido, tem cápsula e hemorragia antiga (hemossiderina escura em T2 e T2*) e prognóstico melhor que o ductal. O coloide é muito claro em T2; o adenoescamoso tem necrose central.
↑revisar esta parte do caderno · Variantes histológicas
Questão 5

Homem de 45 anos que bebe, com tecido em lâmina no sulco pancreaticoduodenal, pequenos cistos na parede do duodeno e colédoco afilado sem obstrução. O diagnóstico é:

A pancreatite do sulco pega homens de 40 a 50 anos com álcool: tecido em lâmina com realce tardio, cistos na parede medial do duodeno e colédoco afilado de forma lisa. O câncer invade e obstrui o colédoco e envolve vasos.
↑revisar esta parte do caderno · Pancreatite que imita câncer
Questão 6

Massa pancreática volumosa e bem definida, sem dilatação do ducto, envolvendo vasos sem ocluí-los, com linfonodos abaixo da veia renal. Pensar em:

Tumor grande sem dilatação do ducto, que abraça vasos sem ocluir e vem com linfonodos abaixo da veia renal, é o perfil do linfoma. O adenocarcinoma do mesmo tamanho obstruiria o ducto. A confirmação é por biópsia.
↑revisar esta parte do caderno · Outros imitadores
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Fontes.
Miller FH, Lopes Vendrami C, Hammond NA, et al. Pancreatic Cancer and Its Mimics. RadioGraphics 2023;43(11):e230054. doi:10.1148/rg.230054
Schawkat K, Manning MA, Glickman JN, Mortele KJ. Pancreatic Ductal Adenocarcinoma and Its Variants: Pearls and Perils. RadioGraphics 2020;40(5):1219–1239. doi:10.1148/rg.2020190184

Os dois artigos divergem em números de frequência (isoatenuante 5,4 a 14% contra 10%; sobrevida em 5 anos 10% contra 7,2%). Nenhum traz os critérios de ressecabilidade (NCCN, graus de contato com o vaso): ficam para outro caderno. As fotos de peça e de histologia foram tiradas. Conferido em 07/10/2026.

Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das mesmas fontes.