59 · TC de Coronárias: Escore de Cálcio e Angio-TC
Tórax · cardíaco
TC de Coronárias: Escore de Cálcio e Angio-TC
Fontes: Gupta et al: 2022 e Yong et al: 2025, RadioGraphics
Dois exames, duas perguntas
O escore de cálcio é uma TC sem contraste, sincronizada ao ECG, que responde: quanto
risco cardiovascular este assintomático tem? A angio-TC de coronárias é com contraste e
responde: há estenose, onde, e que placa é essa? O escore costuma vir antes da angio-TC, no
mesmo exame.
Escore de cálcio
Angio-TC de coronárias
Contraste
Não
Sim
Para quem
Assintomático de risco limítrofe ou intermediário
Dor torácica aguda ou estável, anomalias, enxertos e stents, antes de cirurgia cardíaca não coronária
Resultado
Agatston (e percentil)
CAD-RADS (Coronary Artery Disease Reporting and Data System) 2.0 com modificadores
Dose
1 a 2 mSv
Depende da sincronização
Escore de cálcio: como se faz
Aquisição
Parâmetro
Modo
Axial, sincronização prospectiva ao ECG, decúbito dorsal
Cobertura
Abaixo do arco aórtico até a base do coração
Tensão
120 kVp fixos (o limiar de 130 HU (unidades Hounsfield) foi definido para ela)
Corrente
40 mAs (IMC (índice de massa corporal) < 30), 50 mAs (30 a 34), 60 mAs (> 34)
Cortes
2,5 mm, intervalo de 1 mm · janelas de partes moles e de pulmão
Método
Cálculo
Prós e contras
Agatston
Lesão de 130 HU ou mais, com 1 mm² ou mais · área × fator de peso pela atenuação máxima · somado por vaso e no total
O mais validado e o de referência · sensível a ruído e ao protocolo
Volume
Área × espessura do corte
Mais reprodutível · ignora a atenuação, superestima por volume parcial
Massa
Volume × atenuação média × fator de calibração
Massa real de cálcio em mg · pouco validado
o protocolo é parte do número
O Agatston só vale com o protocolo original. Com 100 kVp o limiar equivalente seria 147 HU; a
reconstrução iterativa e os métodos de dose baixa precisam de recalibração. E a estatina pode
subir o escore (placa mole que calcifica) enquanto o risco cai.
Interpretação e risco
Agatston
Percentil (MESA)
Leitura
0
0
Risco muito baixo · não é risco zero
1 a 100 (leve)
Até 75
Risco baixo; isquemia pouco provável
101 a 400 (moderado)
76 a 90
Risco aumentado: considerar reclassificar como alto risco
Mais de 400 (grave)
Acima de 90
Mais probabilidade de isquemia
O escore pode ser lido em valor absoluto ou em percentil por idade, sexo e etnia (calculadora
do MESA (Multi-Ethnic Study of Atherosclerosis), que soma os fatores de risco clássicos ao cálcio). Num exemplo do artigo, o risco de 10
anos caiu de 12,7% para 3,5% ao colocar um escore zero.
Estatina (adultos de 40 a 75 anos sem diabetes)
Sem o escore
Escore 0
Escore > 0
Risco de 10 anos < 5%
Não
Não
Não
Limítrofe (5 a 7,5%)
Considerar
Não*
Considerar
Intermediário (7,5 a 20%)
Sim
Não*
Sim
Alto (> 20%)
Sim
Sim
Sim
* Exceto fumante, diabetes ou história familiar forte de doença precoce. É no risco
limítrofe e intermediário que o escore muda a conduta, para cima ou para baixo.
Situação
O que saber
Escore 0
Fator de risco negativo confiável · cerca de 20% passam a ter cálcio em 5 anos
"Duplo zero" (0 de novo em 5 anos)
O melhor prognóstico (risco de 10 anos de 1,4%)
Mais de 1.000
Grupo de risco à parte
Progressão
Cerca de 20 a 25% ao ano
Repetir
Em 5 anos se era 0; em 3 a 5 anos se > 0 (se mudar a conduta) · não repetir no duplo zero nem com escore de 400 ou mais
cálcio na TC de tórax sem sincronização
Toda TC de tórax sem contraste deve relatar o cálcio coronário, pelo menos na escala
visual: ausente, leve (pontos isolados num segmento), moderado, acentuado (cálcio contínuo num
segmento). No rastreamento de câncer de pulmão, o cálcio dessas TCs também prediz morte
cardiovascular.
Cálcio coronário visual em TC sem sincronização
Leve, homem de 50 anos: pontos isolados.Moderado, mulher de 70 anos.Acentuado, homem de 66 anos: cálcio contínuo no segmento.
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 17. Ver artigo
Lendo o exame de escore
Passo
O que olhar
1. Topograma
Achados fora do campo
2. Campo pequeno, partes moles
Coração e coronárias
3. Imagem marcada pelo programa
Controle de qualidade: cada vaso foi marcado e só ele?
4. Campo inteiro, pulmão (cortes finos e MIP (projeção de intensidade máxima))
Nódulos e massas
5. Campo inteiro, partes moles
Achados acima e abaixo do diafragma
O roteiro de leitura do exame de escore
Topograma.Campo pequeno, partes moles: coração e coronárias.Imagem marcada pelo programa: cada vaso no lugar certo.Campo inteiro, janela de pulmão.Campo inteiro, partes moles.
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 4. Ver artigo
O que está fora do campo, mulher de 54 anos assintomática
Corte do escore: aparentemente normal.Topograma: massa no pulmão direito, fora da cobertura (seta).TC de tórax: massa espiculada no lobo superior direito. Adenocarcinoma.
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 5. Ver artigo
Achado incidental
O que fazer
Nódulo pulmonar
Pelo Fleischner (média do maior eixo e do perpendicular)
Gordura, cálcio ou aneurisma no miocárdio
Infarto antigo · angio-TC ou cateterismo; RM para viabilidade
Pericárdio
Derrame ou espessamento · eco ou RM
Aorta ascendente
4 a 5 cm: dilatada · mais de 5 cm: aneurisma · medir em plano duplo oblíquo
Tronco pulmonar
Mais de 30 mm: marcador de hipertensão pulmonar · eco
TC: lesão de 20 HU (seta).RM T2 com supressão de gordura: hipersinal.T1 com contraste: sem realce.
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 6. Ver artigo
Medir a raiz da aorta no plano certo, homem de 63 anos
Axial: a raiz parece dilatada (4,5 cm).Reformatação para alinhar o plano (linha tracejada).Segundo alinhamento.Plano duplo oblíquo: 3,7 cm, normal.
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 7. Ver artigo
Tumor gástrico, homem de 75 anos
Lesão gástrica calcificada sutil (seta).Imagem processada.TC de abdome com contraste: tumor estromal gastrointestinal.
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 8. Ver artigo
Linfoma folicular, mulher de 81 anos
Nódulo pleural direito parcialmente incluído no campo (seta).PET-TC (tomografia por emissão de pósitrons associada à TC): o nódulo capta.PET: linfonodos axilares e inguinais.
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 14. Ver artigo
Hemangioma hepático gigante, homem de 50 anos
Janela de abdome: lesão pouco visível.Com a média de cortes (7,5 mm).Janela de fígado e a média: a lesão aparece (seta).RM em fase arterial: realce periférico descontínuo.
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 15. Ver artigo
O que mais se mede no exame de escore, homem de 60 anos
Gordura epicárdica, cálcio coronário, anel mitral, valva e raiz aórticas e aorta marcados em cores.Fígado (azul): 40 HU, esteatose.
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 16. Ver artigo
Armadilha
Saída
Cálcio fora da coronária (anel mitral, linfonodo, placa pleural, pericárdio)
Anatomia e reformatações
Dispositivos (oclusor de septo ou de apêndice atrial)
Não marcar como cálcio coronário
Stent
Na janela óssea é linear, contínuo, com começo e fim abruptos
Revascularizado
Escore não serve para ele: angio-TC
Artefato de fio de esterno, marca-passo
Segmentar à mão
Movimento, arritmia
Betabloqueador, instrução de respiração · relatar a limitação
Recesso pericárdico da veia pulmonar, mulher de 60 anos
Axial: imagem que imita massa ou linfonodo (seta branca).Reformatação: é o recesso (setas).
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 10. Ver artigo
Anel mitral que imita placa da circunflexa, homem de 65 anos
Axial: cálcio junto da circunflexa (seta).Coronal no sulco atrioventricular: forma semicircular, anel mitral.
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 11. Ver artigo
Dispositivos que imitam cálcio, mulher de 55 anos
Oclusor de comunicação interatrial.Oclusor do apêndice atrial esquerdo.
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 12. Ver artigo
Stent que imita placa, mulher de 60 anos
Janela de mediastino: parece placa (seta).Janela óssea: as hastes do stent.Coronal: estrutura linear de pontas abruptas.
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 13. Ver artigo
Angio-TC: preparo e aquisição
A angio-TC tem alta sensibilidade (96,5%) e alto valor preditivo negativo para doença
obstrutiva: exame normal tranquiliza. A especificidade é menor (72,4%), por isso estenoses
moderadas pedem prova funcional.
Preparo
Como
Betabloqueador
Metoprolol oral 1 hora antes (até 100 mg) · alvo abaixo de 60 bpm · contra: bloqueio AV (atrioventricular) avançado, asma (relativa) · alternativas: bloqueador de canal de cálcio, ivabradina
Nitrato
Sublingual 0,4 a 0,8 mg 5 minutos antes · dilata e mostra os ramos finos · contra: hipotensão, estenose aórtica grave, inibidor de fosfodiesterase recente (sildenafila)
Paciente
Explicar e treinar a apneia (acalma e baixa a frequência) · tirar eletrodos do campo · coração no centro do gantry
Ritmo irregular ou frequência alta (com modulação de corrente)
Maior
Alto pitch (dupla fonte)
Regular < 60 bpm, IMC < 30
A menor
Técnica
Recomendação
Aparelho
Pelo menos 64 cortes, rotação de 350 ms ou menos
Contraste
270 a 400 mg de iodo/mL, 5 a 7 mL/s, com bolus teste ou rastreamento
Reconstrução
Cortes de menos de 1 mm · campo de 200 a 250 mm (e outro amplo para o resto do tórax) · melhor fase (sístole e diástole)
Ferramentas
Reformatação curva e vista luminal retificada (o vaso inteiro numa imagem), MIP, volume (anomalias e enxertos)
Muito cálcio ou stent
120 a 140 kVp, imagem monoenergética acima de 100 keV, contagem de fótons
Duplo e triplo descarte
Coronárias, artérias pulmonares e aorta · o triplo não é rotina
Pós-processamento: a coronária direita normal
Corte axial (A) e reformatação curva (B).Vista luminal retificada: o vaso inteiro numa imagem.
Fonte: Yong KR, Lee S, Uppaluri A, et al. RadioGraphics 2025;45(7):e250015, apresentação, slide 13. Ver artigo
Anatomia, dominância e anomalias
Ponto
O que saber
Origem
Coronária direita do seio direito, esquerda do seio esquerdo · o seio não coronariano não dá artéria
Segmentos (SCCT: Society of Cardiovascular Computed Tomography)
18 segmentos: coronária direita proximal, média e distal (proximal = do óstio à metade do caminho até a margem aguda); descendente anterior proximal até a 1ª septal ou diagonal; circunflexa proximal até a 1ª marginal
Dominância
Quem dá a descendente posterior · 85% direita, 8% esquerda, 7% codominante
Descendente anterior que contorna o ápice
Oclusão distal imita infarto inferior no ECG
Dominância
Dominância direita: a coronária direita dá a descendente posterior.Dominância esquerda: a circunflexa dá a descendente posterior.
Fonte: Yong KR, Lee S, Uppaluri A, et al. RadioGraphics 2025;45(7):e250015, apresentação, slide 30. Ver artigo
Descendente anterior que contorna o ápice
Sagital: a parte distal envolve o ápice (setas).Volume renderizado.
Fonte: Yong KR, Lee S, Uppaluri A, et al. RadioGraphics 2025;45(7):e250015, apresentação, slide 29. Ver artigo
Anomalia
Risco e conduta
Coronária esquerda saindo da artéria pulmonar
Rara e grave · cirurgia
Coronária direita do seio esquerdo (ou esquerda do direito)
Trajeto interarterial (entre aorta e pulmonar), óstio em fenda, saída em ângulo agudo (45° ou menos) = alto risco de isquemia e morte súbita · a esquerda do seio direito vai para cirurgia
Saída alta (mais de 1 cm acima da junção sinotubular)
Alto risco · conservador
Circunflexa da coronária direita, trajeto retroaórtico
Variante benigna · risco na cirurgia valvar
Ponte miocárdica
Quase sempre a descendente anterior · superficial (1 a 2 mm) ou profunda (3 mm ou mais) · placa antes da ponte · relatar comprimento e profundidade
Aneurisma × ectasia
Dilatação de 1,5 vez ou mais: aneurisma se ocupa < 50% do vaso, ectasia se ≥ 50% · aterosclerose, Kawasaki, Takayasu
Fístula
Quase sempre congênita · roubo, insuficiência cardíaca, endocardite
Coronária direita saindo do seio esquerdo
MIP axial: saída em ângulo agudo (20°) do seio esquerdo (L).Axial: óstio em fenda e trajeto entre a aorta e a artéria pulmonar, sinais de alto risco (seta).
Fonte: Yong KR, Lee S, Uppaluri A, et al. RadioGraphics 2025;45(7):e250015, apresentação, slide 23. Ver artigo
Outras origens anômalas
Reformatação curva: coronária esquerda saindo alto, na junção sinotubular (área vermelha), acima do seio esquerdo (L).Circunflexa saindo do óstio da coronária direita (círculo) com trajeto atrás da aorta: variante benigna.
Fonte: Yong KR, Lee S, Uppaluri A, et al. RadioGraphics 2025;45(7):e250015, apresentação, slide 24. Ver artigo
CAD-RADS 2.0
Categoria
Estenose máxima
Próximo passo
0
0%
Sem doença
1
1 a 24% (mínima)
Prevenção
2
25 a 49% (leve)
Prevenção
3
50 a 69% (moderada)
Considerar prova funcional
4A
70 a 99% em 1 ou 2 vasos
Cateterismo ou prova funcional
4B
Tronco > 50% ou três vasos com 70% ou mais
Cateterismo
5
100% (oclusão)
Cateterismo, prova funcional ou viabilidade
N
Exame não diagnóstico
Outro método
Estenose leve (25 a 49%)
Vista luminal da circunflexa: placa parcialmente calcificada proximal (pontas de seta) e calcificada distal (seta).Descendente anterior proximal: placa calcificada com estenose leve (ponta de seta).
Fonte: Yong KR, Lee S, Uppaluri A, et al. RadioGraphics 2025;45(7):e250015, apresentação, slide 40. Ver artigo
Estenose moderada (50 a 69%)
Vista luminal e reformatação curva: placa não calcificada no terço médio da descendente anterior (pontas de seta).Cateterismo: estenose moderada (pontas de seta).Depois da angioplastia.
Fonte: Yong KR, Lee S, Uppaluri A, et al. RadioGraphics 2025;45(7):e250015, apresentação, slide 41. Ver artigo
Estenose acentuada (70 a 99%)
Vista luminal: placa densamente calcificada na descendente anterior proximal (ponta de seta).Reformatação curva. O blooming do cálcio pode superestimar a estenose.Outro paciente: placa parcialmente calcificada no terço médio da descendente anterior, na vista luminal e no cateterismo (pontas de seta).
Fonte: Yong KR, Lee S, Uppaluri A, et al. RadioGraphics 2025;45(7):e250015, apresentação, slide 42. Ver artigo
Oclusão total
Reformatação curva: oclusão de 6 mm na coronária direita proximal por placa não calcificada (ponta de seta).Vista luminal.Cateterismo confirma (seta).
Fonte: Yong KR, Lee S, Uppaluri A, et al. RadioGraphics 2025;45(7):e250015, apresentação, slide 43. Ver artigo
Carga de placa
Escore de cálcio
Segmentos com placa
Visual
P1 leve
1 a 100
Até 2
1 a 2 vasos com placa leve
P2 moderada
101 a 300
3 a 4
1 a 2 vasos moderada, ou 3 leve
P3 acentuada
301 a 999
5 a 7
3 vasos moderada, ou 1 acentuada
P4 extensa
Mais de 1.000
8 ou mais
2 a 3 vasos acentuada
Modificador
Quando
HRP
Placa de alto risco (pelo menos 2 sinais)
S
Stent · a reestenose é graduada como no vaso nativo
G
Enxerto
I
Isquemia pela FFR-TC (reserva de fluxo fracionada derivada da TC) ou perfusão
E
Exceções: dissecção, pseudoaneurisma, vasculite, fístula, origem anômala, compressão
N
Parte do exame não diagnóstica
como escrever
Categoria pela pior estenose, depois a carga e os modificadores: CAD-RADS 3/P2/HRP (estenose
moderada, carga moderada, placa de alto risco); CAD-RADS 4B/P3 (tronco com mais de 50%);
CAD-RADS 4B/P4/S (três vasos acentuados, carga extensa, stent).
o cálcio que aumenta a estenose
Placa muito calcificada superestima a estenose (blooming). Confira o software nas imagens de
origem. Na oclusão total, a angio-TC pode opacificar o vaso depois da oclusão mesmo sem colaterais
no cateterismo, porque o contraste chega pela veia e em outro tempo.
Placa de alto risco, FFR-TC, stents e enxertos
Sinal de alto risco
O que é
Remodelamento positivo
O diâmetro externo do vaso na placa é maior que antes e depois dela
Placa de baixa atenuação
Menos de 30 HU (núcleo lipídico)
Calcificação puntiforme
Pontinho de cálcio dentro da placa (inflamação)
Sinal do anel de guardanapo
Centro hipoatenuante junto da luz, cercado de anel hiperatenuante (a capa fibrosa) · forte associação com síndrome coronária aguda
Calcificação puntiforme
Axial: pontinho de cálcio dentro da placa da coronária esquerda (seta).
Fonte: Yong KR, Lee S, Uppaluri A, et al. RadioGraphics 2025;45(7):e250015, apresentação, slide 38. Ver artigo
Esses sinais predizem evento independentemente da estenose: com estenose leve, podem pedir mais
investigação; com estenose significativa, empurram para o cateterismo.
Tema
O que saber
FFR-TC
Modelo de fluxo a partir da angio-TC, medido 2 cm depois da estenose · normal acima de 0,80 · limítrofe 0,76 a 0,80 · alterado 0,75 ou menos · normal com estenose intermediária: dá para adiar o cateterismo
Stents
Blooming e endurecimento do feixe · kVp maior, monoenergética, contagem de fótons
Enxertos
Mamária esquerda para a descendente anterior, safena para a descendente posterior, mamária direita para a coronária direita · ampliar o campo até o desfiladeiro torácico para ver o enxerto inteiro
O laudo e os alertas
Ordem do laudo
Conteúdo
Qualidade
Frequência, artefatos, segmentos não avaliáveis
Fora das coronárias
Câmaras, pericárdio, aorta, artérias e veias pulmonares · pulmão, mediastino, mama, abdome superior, ossos (não perca a causa não cardíaca da dor)
Escore de cálcio
Agatston e percentil
Coronárias
Origem, trajeto, término e dominância · cada vaso, segmento a segmento: placa, tipo, estenose
Conclusão
CAD-RADS com carga e modificadores
o que avisar na hora
Doença obstrutiva (CAD-RADS 3 ou mais) e placa de alto risco; achado extracardíaco grave
(dissecção, embolia pulmonar, pneumotórax) ou inesperado e importante. Lembre do ECG: padrão
anterior aponta a descendente anterior; inferior, a coronária direita ou a circunflexa.
Pontos de prova: alto rendimento
Agatston
≥ 130 HU, ≥ 1 mm², área × peso
Protocolo
120 kVp, 2,5 mm, prospectivo
Escore 0
Risco muito baixo, não zero
101–400
Moderado
> 400
Grave
Escore muda estatina
Risco limítrofe e intermediário
Duplo zero
Melhor prognóstico
Repetir
5 anos se 0
Estatina
Pode subir o escore
TC de tórax comum
Relatar cálcio visual
Stent
Linear, ponta abrupta
Aorta ascendente
> 5 cm aneurisma
Tronco pulmonar
> 30 mm
Frequência
< 60 bpm
Nitrato
Não com sildenafila
Prospectiva
Regular < 70 bpm
Dominância
85% direita
Interarterial
Alto risco
Ângulo agudo
≤ 45°
Saída alta
> 1 cm da junção
Retroaórtica
Benigna
Ponte
Descendente anterior
CAD-RADS 3
50–69% · prova funcional
4B
Tronco > 50% ou 3 vasos
P
1–100 · 101–300 · 301–999 · > 1000
HRP
≥ 2 sinais
Baixa atenuação
< 30 HU
Anel de guardanapo
Capa fibrosa
FFR-TC
≤ 0,75 alterado
Blooming
Superestima
Armadilhas e erros comuns
Erros
Marcar como coronária o cálcio do anel mitral ou de linfonodo
Marcar stent como placa
Fazer escore no revascularizado
Dizer que escore 0 é risco zero
Esquecer os achados fora do coração
Ler estenose pelo número do software sem olhar a imagem
Superestimar estenose em placa calcificada
Chamar de benigna a coronária direita com trajeto interarterial
Não ampliar o campo até o desfiladeiro em quem tem enxerto
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1
No método de Agatston, um foco entra no escore quando:
O Agatston conta focos de 130 HU ou mais com 1 mm² ou mais, multiplica a área por um fator de peso conforme a atenuação máxima e soma por vaso e no total. O limiar vale para 120 kVp e cortes de 2,5 mm; mudar o protocolo muda o número.
Homem de 55 anos, assintomático, com risco cardiovascular de 10 anos de 9% e escore de cálcio 0, sem fumo, diabetes ou história familiar. Sobre a estatina:
No risco intermediário (7,5 a 20%), o escore muda a conduta: com 0, a estatina não é recomendada (salvo fumante, diabetes ou história familiar forte); com escore maior que 0, é. Escore 0 não é risco zero, mas é um fator de risco negativo confiável. Repetir o escore, só em 5 anos.
No exame de escore, uma estrutura linear densa na circunflexa, contínua e de pontas abruptas na janela óssea, provavelmente é:
O stent imita placa, mas na janela óssea aparece como estrutura linear contínua, com começo e fim abruptos e malha visível. O anel mitral tem forma semicircular no sulco atrioventricular. Nem stent nem anel mitral entram no escore coronário.
Coronária direita saindo do seio esquerdo. Qual achado indica alto risco?
O trajeto interarterial (entre aorta e pulmonar), o óstio em fenda e a saída em ângulo agudo (45° ou menos) são de alto risco para isquemia e morte súbita. Origem alta só é de risco acima de 1 cm da junção sinotubular, e o trajeto retroaórtico (como o da circunflexa) costuma ser benigno.
Angio-TC com estenose de 60% no tronco da coronária esquerda e carga de placa acentuada. A classificação é:
Estenose de mais de 50% no tronco (ou doença obstrutiva nos três vasos) é CAD-RADS 4B, com cateterismo recomendado. A mesma estenose de 60% fora do tronco seria 3. A carga acentuada é P3.
Qual é um sinal de placa de alto risco na angio-TC?
São quatro: remodelamento positivo, placa de baixa atenuação (menos de 30 HU), calcificação puntiforme e sinal do anel de guardanapo. Com dois ou mais, usa-se o modificador HRP. Placa densamente calcificada não é sinal de alto risco, e o segmento sob a ponte costuma ser poupado.
Fontes.
Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. Coronary Artery Calcium Scoring: Current Status and Future
Directions. RadioGraphics 2022;42(4):947–967. doi:10.1148/rg.210122
Yong KR, Lee S, Uppaluri A, et al. How to Report a Coronary CT Angiogram: Step-by-Step Guide for
the Novice Reader. RadioGraphics 2025;45(7):e250015. doi:10.1148/rg.250015 (artigo e apresentação de
slides)
A categoria 4B foi escrita como no CAD-RADS 2.0 (tronco com mais de 50% ou doença obstrutiva nos três
vasos). As faixas de cálcio da interpretação clássica (até 400) e da carga de placa do CAD-RADS (P2
até 300) são sistemas diferentes. Conferido em 07/10/2026.
Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das mesmas
fontes.