Cadernos QRad 59 · TC de Coronárias: Escore de Cálcio e Angio-TC
Tórax · cardíaco

TC de Coronárias: Escore de Cálcio e Angio-TC

Fontes: Gupta et al: 2022 e Yong et al: 2025, RadioGraphics

Dois exames, duas perguntas

O escore de cálcio é uma TC sem contraste, sincronizada ao ECG, que responde: quanto risco cardiovascular este assintomático tem? A angio-TC de coronárias é com contraste e responde: há estenose, onde, e que placa é essa? O escore costuma vir antes da angio-TC, no mesmo exame.

Escore de cálcioAngio-TC de coronárias
ContrasteNãoSim
Para quemAssintomático de risco limítrofe ou intermediárioDor torácica aguda ou estável, anomalias, enxertos e stents, antes de cirurgia cardíaca não coronária
ResultadoAgatston (e percentil)CAD-RADS (Coronary Artery Disease Reporting and Data System) 2.0 com modificadores
Dose1 a 2 mSvDepende da sincronização

Escore de cálcio: como se faz

AquisiçãoParâmetro
ModoAxial, sincronização prospectiva ao ECG, decúbito dorsal
CoberturaAbaixo do arco aórtico até a base do coração
Tensão120 kVp fixos (o limiar de 130 HU (unidades Hounsfield) foi definido para ela)
Corrente40 mAs (IMC (índice de massa corporal) < 30), 50 mAs (30 a 34), 60 mAs (> 34)
Cortes2,5 mm, intervalo de 1 mm · janelas de partes moles e de pulmão
MétodoCálculoPrós e contras
AgatstonLesão de 130 HU ou mais, com 1 mm² ou mais · área × fator de peso pela atenuação máxima · somado por vaso e no totalO mais validado e o de referência · sensível a ruído e ao protocolo
VolumeÁrea × espessura do corteMais reprodutível · ignora a atenuação, superestima por volume parcial
MassaVolume × atenuação média × fator de calibraçãoMassa real de cálcio em mg · pouco validado
o protocolo é parte do número O Agatston só vale com o protocolo original. Com 100 kVp o limiar equivalente seria 147 HU; a reconstrução iterativa e os métodos de dose baixa precisam de recalibração. E a estatina pode subir o escore (placa mole que calcifica) enquanto o risco cai.

Interpretação e risco

AgatstonPercentil (MESA)Leitura
00Risco muito baixo · não é risco zero
1 a 100 (leve)Até 75Risco baixo; isquemia pouco provável
101 a 400 (moderado)76 a 90Risco aumentado: considerar reclassificar como alto risco
Mais de 400 (grave)Acima de 90Mais probabilidade de isquemia

O escore pode ser lido em valor absoluto ou em percentil por idade, sexo e etnia (calculadora do MESA (Multi-Ethnic Study of Atherosclerosis), que soma os fatores de risco clássicos ao cálcio). Num exemplo do artigo, o risco de 10 anos caiu de 12,7% para 3,5% ao colocar um escore zero.

Estatina (adultos de 40 a 75 anos sem diabetes)Sem o escoreEscore 0Escore > 0
Risco de 10 anos < 5%NãoNãoNão
Limítrofe (5 a 7,5%)ConsiderarNão*Considerar
Intermediário (7,5 a 20%)SimNão*Sim
Alto (> 20%)SimSimSim

* Exceto fumante, diabetes ou história familiar forte de doença precoce. É no risco limítrofe e intermediário que o escore muda a conduta, para cima ou para baixo.

SituaçãoO que saber
Escore 0Fator de risco negativo confiável · cerca de 20% passam a ter cálcio em 5 anos
"Duplo zero" (0 de novo em 5 anos)O melhor prognóstico (risco de 10 anos de 1,4%)
Mais de 1.000Grupo de risco à parte
ProgressãoCerca de 20 a 25% ao ano
RepetirEm 5 anos se era 0; em 3 a 5 anos se > 0 (se mudar a conduta) · não repetir no duplo zero nem com escore de 400 ou mais
cálcio na TC de tórax sem sincronização Toda TC de tórax sem contraste deve relatar o cálcio coronário, pelo menos na escala visual: ausente, leve (pontos isolados num segmento), moderado, acentuado (cálcio contínuo num segmento). No rastreamento de câncer de pulmão, o cálcio dessas TCs também prediz morte cardiovascular.
Cálcio coronário visual em TC sem sincronização
Leve, homem de 50 anos: pontos isolados.
Leve, homem de 50 anos: pontos isolados.
Moderado, mulher de 70 anos.
Moderado, mulher de 70 anos.
Acentuado, homem de 66 anos: cálcio contínuo no segmento.
Acentuado, homem de 66 anos: cálcio contínuo no segmento.
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 17. Ver artigo

Lendo o exame de escore

PassoO que olhar
1. TopogramaAchados fora do campo
2. Campo pequeno, partes molesCoração e coronárias
3. Imagem marcada pelo programaControle de qualidade: cada vaso foi marcado e só ele?
4. Campo inteiro, pulmão (cortes finos e MIP (projeção de intensidade máxima))Nódulos e massas
5. Campo inteiro, partes molesAchados acima e abaixo do diafragma
O roteiro de leitura do exame de escore
Topograma.
Topograma.
Campo pequeno, partes moles: coração e coronárias.
Campo pequeno, partes moles: coração e coronárias.
Imagem marcada pelo programa: cada vaso no lugar certo.
Imagem marcada pelo programa: cada vaso no lugar certo.
Campo inteiro, janela de pulmão.
Campo inteiro, janela de pulmão.
Campo inteiro, partes moles.
Campo inteiro, partes moles.
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 4. Ver artigo
O que está fora do campo, mulher de 54 anos assintomática
Corte do escore: aparentemente normal.
Corte do escore: aparentemente normal.
Topograma: massa no pulmão direito, fora da cobertura (seta).
Topograma: massa no pulmão direito, fora da cobertura (seta).
TC de tórax: massa espiculada no lobo superior direito. Adenocarcinoma.
TC de tórax: massa espiculada no lobo superior direito. Adenocarcinoma.
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 5. Ver artigo
Achado incidentalO que fazer
Nódulo pulmonarPelo Fleischner (média do maior eixo e do perpendicular)
Gordura, cálcio ou aneurisma no miocárdioInfarto antigo · angio-TC ou cateterismo; RM para viabilidade
PericárdioDerrame ou espessamento · eco ou RM
Aorta ascendente4 a 5 cm: dilatada · mais de 5 cm: aneurisma · medir em plano duplo oblíquo
Tronco pulmonarMais de 30 mm: marcador de hipertensão pulmonar · eco
MediastinoCisto pericárdico, linfonodo calcificado · linfoma, teratoma
Abdome superiorHérnia de hiato, neoplasia, esteatose
Cisto pericárdico, homem de 60 anos
TC: lesão de 20 HU (seta).
TC: lesão de 20 HU (seta).
RM T2 com supressão de gordura: hipersinal.
RM T2 com supressão de gordura: hipersinal.
T1 com contraste: sem realce.
T1 com contraste: sem realce.
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 6. Ver artigo
Medir a raiz da aorta no plano certo, homem de 63 anos
Axial: a raiz parece dilatada (4,5 cm).
Axial: a raiz parece dilatada (4,5 cm).
Reformatação para alinhar o plano (linha tracejada).
Reformatação para alinhar o plano (linha tracejada).
Segundo alinhamento.
Segundo alinhamento.
Plano duplo oblíquo: 3,7 cm, normal.
Plano duplo oblíquo: 3,7 cm, normal.
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 7. Ver artigo
Tumor gástrico, homem de 75 anos
Lesão gástrica calcificada sutil (seta).
Lesão gástrica calcificada sutil (seta).
Imagem processada.
Imagem processada.
TC de abdome com contraste: tumor estromal gastrointestinal.
TC de abdome com contraste: tumor estromal gastrointestinal.
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 8. Ver artigo
Linfoma folicular, mulher de 81 anos
Nódulo pleural direito parcialmente incluído no campo (seta).
Nódulo pleural direito parcialmente incluído no campo (seta).
PET-TC (tomografia por emissão de pósitrons associada à TC): o nódulo capta.
PET-TC (tomografia por emissão de pósitrons associada à TC): o nódulo capta.
PET: linfonodos axilares e inguinais.
PET: linfonodos axilares e inguinais.
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 14. Ver artigo
Hemangioma hepático gigante, homem de 50 anos
Janela de abdome: lesão pouco visível.
Janela de abdome: lesão pouco visível.
Com a média de cortes (7,5 mm).
Com a média de cortes (7,5 mm).
Janela de fígado e a média: a lesão aparece (seta).
Janela de fígado e a média: a lesão aparece (seta).
RM em fase arterial: realce periférico descontínuo.
RM em fase arterial: realce periférico descontínuo.
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 15. Ver artigo
O que mais se mede no exame de escore, homem de 60 anos
Gordura epicárdica, cálcio coronário, anel mitral, valva e raiz aórticas e aorta marcados em cores.
Gordura epicárdica, cálcio coronário, anel mitral, valva e raiz aórticas e aorta marcados em cores.
Fígado (azul): 40 HU, esteatose.
Fígado (azul): 40 HU, esteatose.
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 16. Ver artigo
ArmadilhaSaída
Cálcio fora da coronária (anel mitral, linfonodo, placa pleural, pericárdio)Anatomia e reformatações
Dispositivos (oclusor de septo ou de apêndice atrial)Não marcar como cálcio coronário
StentNa janela óssea é linear, contínuo, com começo e fim abruptos
RevascularizadoEscore não serve para ele: angio-TC
Artefato de fio de esterno, marca-passoSegmentar à mão
Movimento, arritmiaBetabloqueador, instrução de respiração · relatar a limitação
Recesso pericárdico da veia pulmonar, mulher de 60 anos
Axial: imagem que imita massa ou linfonodo (seta branca).
Axial: imagem que imita massa ou linfonodo (seta branca).
Reformatação: é o recesso (setas).
Reformatação: é o recesso (setas).
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 10. Ver artigo
Anel mitral que imita placa da circunflexa, homem de 65 anos
Axial: cálcio junto da circunflexa (seta).
Axial: cálcio junto da circunflexa (seta).
Coronal no sulco atrioventricular: forma semicircular, anel mitral.
Coronal no sulco atrioventricular: forma semicircular, anel mitral.
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 11. Ver artigo
Dispositivos que imitam cálcio, mulher de 55 anos
Oclusor de comunicação interatrial.
Oclusor de comunicação interatrial.
Oclusor do apêndice atrial esquerdo.
Oclusor do apêndice atrial esquerdo.
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 12. Ver artigo
Stent que imita placa, mulher de 60 anos
Janela de mediastino: parece placa (seta).
Janela de mediastino: parece placa (seta).
Janela óssea: as hastes do stent.
Janela óssea: as hastes do stent.
Coronal: estrutura linear de pontas abruptas.
Coronal: estrutura linear de pontas abruptas.
Fonte: Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. RadioGraphics 2022;42(4):947–967, Fig. 13. Ver artigo

Angio-TC: preparo e aquisição

A angio-TC tem alta sensibilidade (96,5%) e alto valor preditivo negativo para doença obstrutiva: exame normal tranquiliza. A especificidade é menor (72,4%), por isso estenoses moderadas pedem prova funcional.

PreparoComo
BetabloqueadorMetoprolol oral 1 hora antes (até 100 mg) · alvo abaixo de 60 bpm · contra: bloqueio AV (atrioventricular) avançado, asma (relativa) · alternativas: bloqueador de canal de cálcio, ivabradina
NitratoSublingual 0,4 a 0,8 mg 5 minutos antes · dilata e mostra os ramos finos · contra: hipotensão, estenose aórtica grave, inibidor de fosfodiesterase recente (sildenafila)
PacienteExplicar e treinar a apneia (acalma e baixa a frequência) · tirar eletrodos do campo · coração no centro do gantry
ContraindicaçõesAlergia a contraste, insuficiência renal, gestação, instabilidade (infarto agudo, insuficiência cardíaca descompensada, hipotensão grave)
SincronizaçãoQuandoDose
ProspectivaRitmo regular, < 70 bpmMenor
RetrospectivaRitmo irregular ou frequência alta (com modulação de corrente)Maior
Alto pitch (dupla fonte)Regular < 60 bpm, IMC < 30A menor
TécnicaRecomendação
AparelhoPelo menos 64 cortes, rotação de 350 ms ou menos
Contraste270 a 400 mg de iodo/mL, 5 a 7 mL/s, com bolus teste ou rastreamento
ReconstruçãoCortes de menos de 1 mm · campo de 200 a 250 mm (e outro amplo para o resto do tórax) · melhor fase (sístole e diástole)
FerramentasReformatação curva e vista luminal retificada (o vaso inteiro numa imagem), MIP, volume (anomalias e enxertos)
Muito cálcio ou stent120 a 140 kVp, imagem monoenergética acima de 100 keV, contagem de fótons
Duplo e triplo descarteCoronárias, artérias pulmonares e aorta · o triplo não é rotina
Pós-processamento: a coronária direita normal
Corte axial (A) e reformatação curva (B).
Corte axial (A) e reformatação curva (B).
Vista luminal retificada: o vaso inteiro numa imagem.
Vista luminal retificada: o vaso inteiro numa imagem.
Fonte: Yong KR, Lee S, Uppaluri A, et al. RadioGraphics 2025;45(7):e250015, apresentação, slide 13. Ver artigo

Anatomia, dominância e anomalias

PontoO que saber
OrigemCoronária direita do seio direito, esquerda do seio esquerdo · o seio não coronariano não dá artéria
Segmentos (SCCT: Society of Cardiovascular Computed Tomography)18 segmentos: coronária direita proximal, média e distal (proximal = do óstio à metade do caminho até a margem aguda); descendente anterior proximal até a 1ª septal ou diagonal; circunflexa proximal até a 1ª marginal
DominânciaQuem dá a descendente posterior · 85% direita, 8% esquerda, 7% codominante
Descendente anterior que contorna o ápiceOclusão distal imita infarto inferior no ECG
Dominância
Dominância direita: a coronária direita dá a descendente posterior.
Dominância direita: a coronária direita dá a descendente posterior.
Dominância esquerda: a circunflexa dá a descendente posterior.
Dominância esquerda: a circunflexa dá a descendente posterior.
Fonte: Yong KR, Lee S, Uppaluri A, et al. RadioGraphics 2025;45(7):e250015, apresentação, slide 30. Ver artigo
Descendente anterior que contorna o ápice
Sagital: a parte distal envolve o ápice (setas).
Sagital: a parte distal envolve o ápice (setas).
Volume renderizado.
Volume renderizado.
Fonte: Yong KR, Lee S, Uppaluri A, et al. RadioGraphics 2025;45(7):e250015, apresentação, slide 29. Ver artigo
AnomaliaRisco e conduta
Coronária esquerda saindo da artéria pulmonarRara e grave · cirurgia
Coronária direita do seio esquerdo (ou esquerda do direito)Trajeto interarterial (entre aorta e pulmonar), óstio em fenda, saída em ângulo agudo (45° ou menos) = alto risco de isquemia e morte súbita · a esquerda do seio direito vai para cirurgia
Saída alta (mais de 1 cm acima da junção sinotubular)Alto risco · conservador
Circunflexa da coronária direita, trajeto retroaórticoVariante benigna · risco na cirurgia valvar
Ponte miocárdicaQuase sempre a descendente anterior · superficial (1 a 2 mm) ou profunda (3 mm ou mais) · placa antes da ponte · relatar comprimento e profundidade
Aneurisma × ectasiaDilatação de 1,5 vez ou mais: aneurisma se ocupa < 50% do vaso, ectasia se ≥ 50% · aterosclerose, Kawasaki, Takayasu
FístulaQuase sempre congênita · roubo, insuficiência cardíaca, endocardite
Coronária direita saindo do seio esquerdo
MIP axial: saída em ângulo agudo (20°) do seio esquerdo (L).
MIP axial: saída em ângulo agudo (20°) do seio esquerdo (L).
Axial: óstio em fenda e trajeto entre a aorta e a artéria pulmonar, sinais de alto risco (seta).
Axial: óstio em fenda e trajeto entre a aorta e a artéria pulmonar, sinais de alto risco (seta).
Fonte: Yong KR, Lee S, Uppaluri A, et al. RadioGraphics 2025;45(7):e250015, apresentação, slide 23. Ver artigo
Outras origens anômalas
Reformatação curva: coronária esquerda saindo alto, na junção sinotubular (área vermelha), acima do seio esquerdo (L).
Reformatação curva: coronária esquerda saindo alto, na junção sinotubular (área vermelha), acima do seio esquerdo (L).
Circunflexa saindo do óstio da coronária direita (círculo) com trajeto atrás da aorta: variante benigna.
Circunflexa saindo do óstio da coronária direita (círculo) com trajeto atrás da aorta: variante benigna.
Fonte: Yong KR, Lee S, Uppaluri A, et al. RadioGraphics 2025;45(7):e250015, apresentação, slide 24. Ver artigo

CAD-RADS 2.0

CategoriaEstenose máximaPróximo passo
00%Sem doença
11 a 24% (mínima)Prevenção
225 a 49% (leve)Prevenção
350 a 69% (moderada)Considerar prova funcional
4A70 a 99% em 1 ou 2 vasosCateterismo ou prova funcional
4BTronco > 50% ou três vasos com 70% ou maisCateterismo
5100% (oclusão)Cateterismo, prova funcional ou viabilidade
NExame não diagnósticoOutro método
Estenose leve (25 a 49%)
Vista luminal da circunflexa: placa parcialmente calcificada proximal (pontas de seta) e calcificada distal (seta).
Vista luminal da circunflexa: placa parcialmente calcificada proximal (pontas de seta) e calcificada distal (seta).
Descendente anterior proximal: placa calcificada com estenose leve (ponta de seta).
Descendente anterior proximal: placa calcificada com estenose leve (ponta de seta).
Fonte: Yong KR, Lee S, Uppaluri A, et al. RadioGraphics 2025;45(7):e250015, apresentação, slide 40. Ver artigo
Estenose moderada (50 a 69%)
Vista luminal e reformatação curva: placa não calcificada no terço médio da descendente anterior (pontas de seta).
Vista luminal e reformatação curva: placa não calcificada no terço médio da descendente anterior (pontas de seta).
Cateterismo: estenose moderada (pontas de seta).
Cateterismo: estenose moderada (pontas de seta).
Depois da angioplastia.
Depois da angioplastia.
Fonte: Yong KR, Lee S, Uppaluri A, et al. RadioGraphics 2025;45(7):e250015, apresentação, slide 41. Ver artigo
Estenose acentuada (70 a 99%)
Vista luminal: placa densamente calcificada na descendente anterior proximal (ponta de seta).
Vista luminal: placa densamente calcificada na descendente anterior proximal (ponta de seta).
Reformatação curva. O blooming do cálcio pode superestimar a estenose.
Reformatação curva. O blooming do cálcio pode superestimar a estenose.
Outro paciente: placa parcialmente calcificada no terço médio da descendente anterior, na vista luminal e no cateterismo (pontas de seta).
Outro paciente: placa parcialmente calcificada no terço médio da descendente anterior, na vista luminal e no cateterismo (pontas de seta).
Fonte: Yong KR, Lee S, Uppaluri A, et al. RadioGraphics 2025;45(7):e250015, apresentação, slide 42. Ver artigo
Oclusão total
Reformatação curva: oclusão de 6 mm na coronária direita proximal por placa não calcificada (ponta de seta).
Reformatação curva: oclusão de 6 mm na coronária direita proximal por placa não calcificada (ponta de seta).
Vista luminal.
Vista luminal.
Cateterismo confirma (seta).
Cateterismo confirma (seta).
Fonte: Yong KR, Lee S, Uppaluri A, et al. RadioGraphics 2025;45(7):e250015, apresentação, slide 43. Ver artigo
Carga de placaEscore de cálcioSegmentos com placaVisual
P1 leve1 a 100Até 21 a 2 vasos com placa leve
P2 moderada101 a 3003 a 41 a 2 vasos moderada, ou 3 leve
P3 acentuada301 a 9995 a 73 vasos moderada, ou 1 acentuada
P4 extensaMais de 1.0008 ou mais2 a 3 vasos acentuada
ModificadorQuando
HRPPlaca de alto risco (pelo menos 2 sinais)
SStent · a reestenose é graduada como no vaso nativo
GEnxerto
IIsquemia pela FFR-TC (reserva de fluxo fracionada derivada da TC) ou perfusão
EExceções: dissecção, pseudoaneurisma, vasculite, fístula, origem anômala, compressão
NParte do exame não diagnóstica
como escrever Categoria pela pior estenose, depois a carga e os modificadores: CAD-RADS 3/P2/HRP (estenose moderada, carga moderada, placa de alto risco); CAD-RADS 4B/P3 (tronco com mais de 50%); CAD-RADS 4B/P4/S (três vasos acentuados, carga extensa, stent).
o cálcio que aumenta a estenose Placa muito calcificada superestima a estenose (blooming). Confira o software nas imagens de origem. Na oclusão total, a angio-TC pode opacificar o vaso depois da oclusão mesmo sem colaterais no cateterismo, porque o contraste chega pela veia e em outro tempo.

Placa de alto risco, FFR-TC, stents e enxertos

Sinal de alto riscoO que é
Remodelamento positivoO diâmetro externo do vaso na placa é maior que antes e depois dela
Placa de baixa atenuaçãoMenos de 30 HU (núcleo lipídico)
Calcificação puntiformePontinho de cálcio dentro da placa (inflamação)
Sinal do anel de guardanapoCentro hipoatenuante junto da luz, cercado de anel hiperatenuante (a capa fibrosa) · forte associação com síndrome coronária aguda
Calcificação puntiforme
Axial: pontinho de cálcio dentro da placa da coronária esquerda (seta).
Axial: pontinho de cálcio dentro da placa da coronária esquerda (seta).
Fonte: Yong KR, Lee S, Uppaluri A, et al. RadioGraphics 2025;45(7):e250015, apresentação, slide 38. Ver artigo

Esses sinais predizem evento independentemente da estenose: com estenose leve, podem pedir mais investigação; com estenose significativa, empurram para o cateterismo.

TemaO que saber
FFR-TCModelo de fluxo a partir da angio-TC, medido 2 cm depois da estenose · normal acima de 0,80 · limítrofe 0,76 a 0,80 · alterado 0,75 ou menos · normal com estenose intermediária: dá para adiar o cateterismo
StentsBlooming e endurecimento do feixe · kVp maior, monoenergética, contagem de fótons
EnxertosMamária esquerda para a descendente anterior, safena para a descendente posterior, mamária direita para a coronária direita · ampliar o campo até o desfiladeiro torácico para ver o enxerto inteiro

O laudo e os alertas

Ordem do laudoConteúdo
QualidadeFrequência, artefatos, segmentos não avaliáveis
Fora das coronáriasCâmaras, pericárdio, aorta, artérias e veias pulmonares · pulmão, mediastino, mama, abdome superior, ossos (não perca a causa não cardíaca da dor)
Escore de cálcioAgatston e percentil
CoronáriasOrigem, trajeto, término e dominância · cada vaso, segmento a segmento: placa, tipo, estenose
ConclusãoCAD-RADS com carga e modificadores
o que avisar na hora Doença obstrutiva (CAD-RADS 3 ou mais) e placa de alto risco; achado extracardíaco grave (dissecção, embolia pulmonar, pneumotórax) ou inesperado e importante. Lembre do ECG: padrão anterior aponta a descendente anterior; inferior, a coronária direita ou a circunflexa.

Pontos de prova: alto rendimento

Agatston≥ 130 HU, ≥ 1 mm², área × peso
Protocolo120 kVp, 2,5 mm, prospectivo
Escore 0Risco muito baixo, não zero
101–400Moderado
> 400Grave
Escore muda estatinaRisco limítrofe e intermediário
Duplo zeroMelhor prognóstico
Repetir5 anos se 0
EstatinaPode subir o escore
TC de tórax comumRelatar cálcio visual
StentLinear, ponta abrupta
Aorta ascendente> 5 cm aneurisma
Tronco pulmonar> 30 mm
Frequência< 60 bpm
NitratoNão com sildenafila
ProspectivaRegular < 70 bpm
Dominância85% direita
InterarterialAlto risco
Ângulo agudo≤ 45°
Saída alta> 1 cm da junção
RetroaórticaBenigna
PonteDescendente anterior
CAD-RADS 350–69% · prova funcional
4BTronco > 50% ou 3 vasos
P1–100 · 101–300 · 301–999 · > 1000
HRP≥ 2 sinais
Baixa atenuação< 30 HU
Anel de guardanapoCapa fibrosa
FFR-TC≤ 0,75 alterado
BloomingSuperestima

Armadilhas e erros comuns

Erros

  • Marcar como coronária o cálcio do anel mitral ou de linfonodo
  • Marcar stent como placa
  • Fazer escore no revascularizado
  • Dizer que escore 0 é risco zero
  • Esquecer os achados fora do coração
  • Ler estenose pelo número do software sem olhar a imagem
  • Superestimar estenose em placa calcificada
  • Chamar de benigna a coronária direita com trajeto interarterial
  • Não ampliar o campo até o desfiladeiro em quem tem enxerto

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

No método de Agatston, um foco entra no escore quando:

O Agatston conta focos de 130 HU ou mais com 1 mm² ou mais, multiplica a área por um fator de peso conforme a atenuação máxima e soma por vaso e no total. O limiar vale para 120 kVp e cortes de 2,5 mm; mudar o protocolo muda o número.
↑revisar esta parte do caderno · Escore de cálcio: como se faz
Questão 2

Homem de 55 anos, assintomático, com risco cardiovascular de 10 anos de 9% e escore de cálcio 0, sem fumo, diabetes ou história familiar. Sobre a estatina:

No risco intermediário (7,5 a 20%), o escore muda a conduta: com 0, a estatina não é recomendada (salvo fumante, diabetes ou história familiar forte); com escore maior que 0, é. Escore 0 não é risco zero, mas é um fator de risco negativo confiável. Repetir o escore, só em 5 anos.
↑revisar esta parte do caderno · Interpretação e risco
Questão 3

No exame de escore, uma estrutura linear densa na circunflexa, contínua e de pontas abruptas na janela óssea, provavelmente é:

O stent imita placa, mas na janela óssea aparece como estrutura linear contínua, com começo e fim abruptos e malha visível. O anel mitral tem forma semicircular no sulco atrioventricular. Nem stent nem anel mitral entram no escore coronário.
↑revisar esta parte do caderno · Lendo o exame de escore
Questão 4

Coronária direita saindo do seio esquerdo. Qual achado indica alto risco?

O trajeto interarterial (entre aorta e pulmonar), o óstio em fenda e a saída em ângulo agudo (45° ou menos) são de alto risco para isquemia e morte súbita. Origem alta só é de risco acima de 1 cm da junção sinotubular, e o trajeto retroaórtico (como o da circunflexa) costuma ser benigno.
↑revisar esta parte do caderno · Anatomia, dominância e anomalias
Questão 5

Angio-TC com estenose de 60% no tronco da coronária esquerda e carga de placa acentuada. A classificação é:

Estenose de mais de 50% no tronco (ou doença obstrutiva nos três vasos) é CAD-RADS 4B, com cateterismo recomendado. A mesma estenose de 60% fora do tronco seria 3. A carga acentuada é P3.
↑revisar esta parte do caderno · CAD-RADS 2.0
Questão 6

Qual é um sinal de placa de alto risco na angio-TC?

São quatro: remodelamento positivo, placa de baixa atenuação (menos de 30 HU), calcificação puntiforme e sinal do anel de guardanapo. Com dois ou mais, usa-se o modificador HRP. Placa densamente calcificada não é sinal de alto risco, e o segmento sob a ponte costuma ser poupado.
↑revisar esta parte do caderno · Placa de alto risco, FFR-TC, stents e enxertos
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Fontes.
Gupta A, Bera K, Kikano E, et al. Coronary Artery Calcium Scoring: Current Status and Future Directions. RadioGraphics 2022;42(4):947–967. doi:10.1148/rg.210122
Yong KR, Lee S, Uppaluri A, et al. How to Report a Coronary CT Angiogram: Step-by-Step Guide for the Novice Reader. RadioGraphics 2025;45(7):e250015. doi:10.1148/rg.250015 (artigo e apresentação de slides)

A categoria 4B foi escrita como no CAD-RADS 2.0 (tronco com mais de 50% ou doença obstrutiva nos três vasos). As faixas de cálcio da interpretação clássica (até 400) e da carga de placa do CAD-RADS (P2 até 300) são sistemas diferentes. Conferido em 07/10/2026.

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