1. Jiao A, Nadim B, Hammer M, Jhala K. 3D Visual Guide to Lines and Stripes in Chest Radiography.
RadioGraphics 2023;43(9):e230017. doi:10.1148/rg.230017. 2. Sigakis CJG, Mathai SK, Suby-Long TD, et al. Radiographic Review of Current Therapeutic and Monitoring Devices in the Chest. RadioGraphics 2018;38(4):1027–1045. doi:10.1148/rg.2018170096.
Por que os dois artigos no mesmo caderno
São dois assuntos que a radiografia de tórax entrega na mesma imagem. As linhas e faixas são o
mediastino normal projetado em duas dimensões: o alfabeto que permite dizer onde está a alteração.
Os dispositivos são o que a medicina moderna coloca ali dentro, e cuja posição correta o radiologista
precisa saber de cor. Um caderno trata do que deve estar lá; o outro, do que foi implantado.
nota sobre o segundo artigo
A revisão de dispositivos é de 2018. Os princípios de posicionamento e as complicações permanecem
válidos, mas o mercado se moveu: alguns modelos citados foram descontinuados e há dispositivos novos desde
então. Trate a tabela de segurança em RM como ponto de partida: a conferência antes do exame é sempre
contra a documentação do implante específico do paciente.
O mapa das linhas e faixas
A radiografia de tórax traduz relações tridimensionais em um plano. As linhas e faixas são as
interfaces entre parênquima pulmonar, pleura e estruturas mediastinais normais. Reconhecê-las, e reconhecer
quando estão apagadas ou deslocadas, é o que gera um diferencial focado.
O mapa das linhas e faixas mediastinais nas incidências frontal e em perfil, com a legenda de cores. · ver figura original
a lógica
Linha ou faixa apagada = algo de densidade semelhante encostou nela. Deslocada = algo empurrou.
Alargada = algo se interpôs. Cada um desses três verbos leva a um diferencial diferente.
Como cada uma se forma
Estrutura
Formação
Linha juncional anterior
União na linha média das pleuras visceral e parietal dos lobos superiores, anterior ao coração e ao pericárdio
Linha juncional posterior
Aposição das pleuras posterior à traqueia e ao esôfago e anterior à coluna
Faixa paratraqueal direita
Contato das pleuras do lobo superior direito com a borda lateral direita da traqueia
Faixa paratraqueal esquerda
Contato das pleuras do lobo superior esquerdo com as estruturas adjacentes à parede traqueal esquerda
Janela aortopulmonar
Contato da pleura esquerda com o arco aórtico e a artéria pulmonar esquerda
Linha da aorta descendente
Interface entre a borda lateral esquerda da aorta descendente e a pleura esquerda
Linhas paraespinhais
À esquerda, contato da pleura com gordura do mediastino posterior, músculos paraespinhais e partes moles. À direita, interface do mediastino paravertebral, projetando-se de T8 a T12
Recesso azigoesofágico
Invaginação do lobo inferior direito em recesso limitado pelo esôfago e pela veia ázigos
Faixa traqueal posterior (perfil)
Contato do lobo superior direito com a parede traqueal posterior
Parede posterior do brônquio intermédio (perfil)
Interface entre a lucência do brônquio intermédio e o lobo inferior direito, na região hilar
Espaços claros (perfil)
Retroesternal: entre o esterno e a aorta ascendente. Retrocardíaco: atrás do coração e à frente da coluna. Triângulo retrotraqueal: limitado à frente pela faixa traqueal posterior e atrás pelos corpos vertebrais
Linhas juncionais
Linha juncional anterior normal
Radiografia frontal: a linha juncional anterior (seta), oblíqua, na linha média.Renderização cinemática 3D axial: as duas pleuras se encontrando à frente dos grandes vasos (seta). AO = aorta; SVC = veia cava superior; PA = artéria pulmonar.TC axial: o mesmo ponto de encontro das pleuras (seta).TC coronal: a linha juncional anterior (seta).Renderização 3D coronal: as pleuras direita e esquerda cobrindo o mediastino (pontas de seta) até se encontrarem na linha média.
Fonte: Jiao Y et al. RadioGraphics 2023;43(9):e230017, Fig. 2. Ver artigo
A linha juncional posterior projeta-se sobre a traqueia e estende-se até o nível das clavículas, podendo ultrapassá-lo: mais superior, portanto, que a anterior. Os modelos 3D deixam claro o par: a posterior é formada pelas pleuras
que se encontram anteriormente à coluna; a anterior, pelas que se encontram anteriormente ao coração
e ao pericárdio.
Linha juncional posterior normal
Radiografia frontal: linha juncional posterior (seta amarela), acima das clavículas, e a juncional anterior, mais baixa (seta rosa).TC axial: as pleuras se encontram atrás da traqueia (T) e do esôfago (E) e à frente da coluna (S).Renderização 3D oblíqua: as duas linhas juncionais, posterior (seta amarela) e anterior (seta rosa).
Fonte: Jiao Y et al. RadioGraphics 2023;43(9):e230017, Fig. 5. Ver artigo
o que apaga cada umaJuncional anterior: timo, massa tireoidiana, linfoma, lipomatose, tumores de células germinativas. Juncional posterior: massas esofágicas, linfonodomegalia, doença aórtica (aneurisma de aorta
descendente), tumores neurogênicos.
+ complemento · o desfiladeiro torácico
Condições que atravessam o desfiladeiro torácico no nível das clavículas também apagam a linha juncional
posterior, porque esse espaço é contíguo ao mediastino visceral superior. O exemplo clássico é o
bócio mergulhante.
Faixas paratraqueais
o número
A faixa paratraqueal direita mede normalmente 1 a 4 mm. Projeta-se do nível da clavícula direita até o
ângulo traqueobrônquico direito (a saída do brônquio principal direito). É normalmente alargada de
forma focal no nível do arco da ázigos, que forma estrutura oval ou em gota.
Faixas paratraqueais normais
Radiografia frontal: faixa paratraqueal direita (pontilhado verde) e esquerda (pontilhado rosa).TC axial: a pleura do lobo superior direito encostada na parede direita da traqueia (seta verde); à esquerda, o contato com a parede, a gordura e os vasos (seta rosa).
Fonte: Jiao Y et al. RadioGraphics 2023;43(9):e230017, Fig. 6. Ver artigo
Atenção: a técnica portátil por si só pode alargar a faixa. O alargamento verdadeiro decorre de
condições do mediastino visceral: mais comumente gordura mediastinal, linfonodomegalia, massa tireoidiana,
cisto de duplicação do intestino anterior ou anormalidade vascular.
como diferenciar pela formaVascular: serpentiginosa, tubular ou oval, conforme a direção e a tortuosidade do vaso. Linfonodomegalia: aspecto de massa, algo lobulado. Procure linfonodomegalia em outro sítio
(hilar, por exemplo) para reforçar a hipótese. Gordura mediastinal e vasos tortuosos: comuns em idosos, frequentemente incidentais, presentes
sem mudança em exames prévios e em geral menos densos que as outras causas.
Uma forma serpentiginosa que se estende cranial e lateralmente, esmaecendo no desfiladeiro torácico,
costuma indicar artéria ou veia braquiocefálica tortuosa. Já uma extensão a partir do desfiladeiro torácico
geralmente indica nódulo ou bócio tireoidiano, que também pode apagar a linha juncional posterior.
Arco aórtico à direita × ázigos dilatada
+ complemento · a distinção pela altura
O arco aórtico à direita ocorre em cerca de 0,1% da população. Pistas: ausência do arco à esquerda
e posição mais cranial que a do arco normal. Outra pista é a artéria subclávia aberrante (o padrão
de ramificação mais comum do arco direito) visível no espaço retrotraqueal no perfil.
Já a veia ázigos dilatada fica no sítio normal do arco da ázigos, no ângulo traqueobrônquico direito,
que é mais baixo que a posição de um arco direito. Causas: obstrução venosa central (estenose de veia
cava superior) e interrupção da veia cava inferior com continuação por ázigos.
no trauma
Alargamento paratraqueal direito no contexto de trauma levanta lesão vascular: hematoma mediastinal
direito por lesão da aorta ascendente ou das artérias braquiocefálicas e, menos comumente, da subclávia direita.
Faixa paratraqueal direita alargada por lesão contusa da subclávia direita
Radiografia frontal: faixa paratraqueal direita alargada (colchete).TC coronal do pescoço: subclávia direita (RSA) mal contrastada, com dois defeitos na parede inferior (pontas de seta rosa).TC axial: hematoma heterogêneo ao longo da região paratraqueal direita, que explica o alargamento (colchete). A angiografia confirmou pseudoaneurisma, tratado com stent revestido.
Fonte: Jiao Y et al. RadioGraphics 2023;43(9):e230017, Fig. 7. Ver artigo
Janela aortopulmonar, aorta descendente e linhas paraespinhais
Janela aortopulmonar
Diferenciais do apagamento ou da convexidade: linfonodomegalia, aneurisma de aorta e artéria pulmonar
aumentada.
Apagamento da janela aortopulmonar
Radiografia frontal: apagamento em forma de massa da janela aortopulmonar (seta).TC coronal: massa medial do lobo superior esquerdo e linfonodomegalia da janela aortopulmonar (*).Renderização 3D: a mesma massa. A biópsia mostrou carcinoma pulmonar de não pequenas células.
Fonte: Jiao Y et al. RadioGraphics 2023;43(9):e230017, Fig. 8. Ver artigo
Linha da aorta descendente
Linha da aorta descendente normal
Radiografia frontal: linha da aorta descendente (seta), aqui se fundindo embaixo com a linha paraespinhal esquerda.TC axial: a pleura esquerda em contato com a face lateral da aorta descendente (seta).
Fonte: Jiao Y et al. RadioGraphics 2023;43(9):e230017, Fig. 9. Ver artigo
Linhas paraespinhais
+ complemento · banda de Mach
A visibilidade dessas interfaces é reforçada pelo fenômeno da banda de Mach: ilusão óptica que exagera
o contraste entre dois tons de cinza e cria uma borda branca realçada. É por isso que a linha às vezes parece
mais nítida do que a diferença real de densidade justificaria.
As linhas paraespinhais frequentemente são visualizadas de forma incompleta ou não são vistas, por
deslocamento lateral da aorta, gordura mediastinal ou osteófitos.
diferencial do deslocamentoCausa mais comum: osteófitos laterais da coluna.
Deslocamento em forma de massa indica massa do mediastino paravertebral: tumores de bainha nervosa
(o mais comum é o schwannoma; também neurofibroma, ganglioneuroma, paraganglioma e tumor maligno de
bainha), hematopoese extramedular, discite com abscesso ou hematoma paravertebral, metástases e
linfonodomegalia.
Pista
Sugere
Opacidade ovoide unilateral que festona o osso adjacente
Neoplasia neurogênica, em geral benigna
Massas múltiplas e bilaterais
Hematopoese extramedular (anemias, mais comumente talassemia)
Múltiplos níveis, paciente pediátrico
Ganglioneuroma
Alteração mal definida e extensa, com perda de altura vertebral ou destruição centrada no disco
Discite-osteomielite ou hematoma; o perfil ajuda
Deslocamento longo em sentido craniocaudal, menos focal
Alteração pleural ou parenquimatosa (ex.: colapso do lobo inferior direito)
⚠ qual exame pedir depois
Diante de suspeita de massa paravertebral, o próximo passo é RM do tórax e/ou da coluna torácica, e não TC, porque a causa mais comum é neurogênica.
Linhas paraespinhais
Radiografia frontal: linhas paraespinhais esquerda (seta verde) e direita (seta amarela) normais.TC axial: a pleura em contato com a gordura e a musculatura paravertebrais dos dois lados.Outro paciente: linha paraespinhal direita deslocada (seta roxa) por um schwannoma bilobado (*). Linhas juncionais anterior (seta vermelha) e posterior (seta azul) normais.Renderização 3D: a pleura direita moldada sobre a massa (pontas de seta).
Fonte: Jiao Y et al. RadioGraphics 2023;43(9):e230017, Fig. 10. Ver artigo
Recesso azigoesofágico e a incidência em perfil
Na frontal, a interface entre o pulmão no recesso e a borda lateral direita do esôfago forma uma linha
levemente côncava e diagonal, da região subcarinal em direção ao hiato diafragmático. Na radiografia
portátil o recesso ainda pode ser visível, mas costuma ser obscurecido por atelectasia.
Linha azigoesofágica
Radiografia frontal: linha azigoesofágica normal (pontas de seta).TC axial: o recesso azigoesofágico (seta), onde o lobo inferior direito se aprofunda entre esôfago (E) e ázigos (Az).Grande hérnia paraesofágica: a linha fica descontínua e deslocada (pontas de seta).TC coronal: a hérnia (seta), com o estômago (ST).TC axial: o recesso azigoesofágico apagado pelo estômago herniado.
Fonte: Jiao Y et al. RadioGraphics 2023;43(9):e230017, Fig. 11. Ver artigo
convexidade anormal
É quase sempre esofágica: hérnia hiatal, massa ou dilatação esofágica, ou varizes paraesofágicas
volumosas. A mais comum é a hérnia hiatal, que produz abaulamento oval logo acima do hiato, e o
diagnóstico pode ser fechado só com a radiografia se houver ar dentro da porção herniada do estômago.
A acalasia dilata todo o esôfago, frequentemente com nível hidroaéreo intraluminal. Na hipertensão portal
com varizes volumosas, o recesso abaula perto do hiato. Linfonodomegalia paraesofágica e alterações pleurais
mediais também alargam a linha.
Perfil
Faixa traqueal posterior
Perfil: faixa traqueal posterior normal (tracejado) e espaço claro retrotraqueal (*).TC sagital: as mesmas estruturas.Perfil: faixa alargada (colchete) e espaço retrotraqueal ocupado (*) por arco aórtico à direita com subclávia esquerda aberrante.TC sagital: a subclávia aberrante comprimindo levemente a parede posterior da traqueia (seta).
Fonte: Jiao Y et al. RadioGraphics 2023;43(9):e230017, Fig. 12. Ver artigo
Parede posterior do brônquio intermédio
Perfil: parede posterior do brônquio intermédio normal (tracejado amarelo).TC sagital: a parede posterior do brônquio intermédio (seta), interface com o recesso azigoesofágico.Sarcoidose, perfil: o sinal do donut (contorno tracejado) e a parede posterior do brônquio intermédio espessada (seta).TC sagital: linfonodomegalia hilar atrás do brônquio intermédio (pontas de seta).
Fonte: Jiao Y et al. RadioGraphics 2023;43(9):e230017, Fig. 13. Ver artigo
Massa do mediastino pré-vascular, aneurisma ou pseudoaneurisma da aorta
Espaço claro retrocardíaco
Hérnia hiatal, consolidação de lobo inferior
Espaços claros retroesternal e retrocardíaco
Perfil: espaços retroesternal (RS) e retrocardíaco (RC) normais.TC sagital: as mesmas regiões.Linfoma de Hodgkin: massa pré-vascular ocupando todo o espaço retroesternal (*).TC sagital: a massa no mediastino anterior (*).
Fonte: Jiao Y et al. RadioGraphics 2023;43(9):e230017, Fig. 14. Ver artigo
Assistência circulatória
a regra que separa os VADs cirúrgicosHeartMate II: bolsa pré-peritoneal, abaixo do diafragma. HeartMate 3 e HeartWare HVAD: espaço pericárdico, acima do diafragma.
Todos os três são inseguros para RM.
HeartMate II
Radiografia frontal: bomba subdiafragmática com a carcaça em sino (*), cânulas de entrada e saída radiopacas (setas) e o cabo de alimentação (pontas de seta).Perfil: as mesmas estruturas.Radiografia frontal: ângulo entre a cânula de entrada e o corpo da bomba de 42,6°, menor que o ideal (acima de 55°).TC axial sem contraste: a cânula de entrada voltada para o septo interventricular (ponta de seta).
Fonte: Sigakis CJG et al. RadioGraphics 2018;38(4):1027–1045, Fig. 1. Ver artigo
HeartMate 3 e HeartWare, dois pacientes
HeartMate 3 em posição normal, sobre a silhueta cardíaca: carcaça circular (*), cânula de saída angulada (seta curva) e cabo de alimentação (pontas de seta).HeartWare em posição adequada: carcaça circular (*), sem cânula angulada, com o cabo descendo (setas).
Fonte: Sigakis CJG et al. RadioGraphics 2018;38(4):1027–1045, Fig. 2. Ver artigo
⚠ o ângulo da cânula
O ângulo da cânula de entrada em relação ao corpo da bomba deve ser > 55°. Ângulos menores indicam
que a cânula está angulada contra o septo interventricular.
Complicações comuns aos VADs (dispositivos de assistência ventricular) cirúrgicos: desconexão do bend relief, trombose da bomba ou da
cânula, fratura do cabo de acionamento, infecção e hemorragia.
Suporte temporário
Os sistemas Impella são VADs alojados em cateteres, de colocação percutânea e suporte de curta duração (até 4 ou 6 dias, conforme o modelo). A ponta deve ficar centrada no ventrículo esquerdo; podem ser usados
para falência do ventrículo direito. Posição proximal demais (cruzando a valva aórtica ou na aorta ascendente)
reduz o fluxo; distal demais arrisca perfuração ventricular. RM insegura.
Impella, dois pacientes
Impella em posição adequada (setas), com o pigtail de entrada sobre o ventrículo esquerdo (ponta de seta).Impella mal posicionado, terminando na aorta ascendente (ponta de seta).
Fonte: Sigakis CJG et al. RadioGraphics 2018;38(4):1027–1045, Fig. 3. Ver artigo
Dispositivos de remodelamento e contenção
Dispositivo
Função e posição
Complicações
RM
Parachute
Partição ventricular, assentado no ápice do VE (ventrículo esquerdo)
Fratura de haste, malposição, migração
Condicional 1,5 e 3 T
HeartNet (descontinuado)
Suporte elástico que envolve o VE
Pericardite, laceração miocárdica, lesão do nervo frênico
Condicional 1,5 e 3 T
Dispositivo de partição ventricular (Parachute)
Radiografia frontal: o dispositivo em posição adequada, com a base (seta) no ápice do ventrículo esquerdo e as hastes visíveis (pontas de seta).
Fonte: Sigakis CJG et al. RadioGraphics 2018;38(4):1027–1045, Fig. 4. Ver artigo
Dispositivo de contenção ventricular HeartNet
Radiografia frontal: a malha rendada do HeartNet (pontas de seta) moldada ao contorno cardíaco.
Fonte: Sigakis CJG et al. RadioGraphics 2018;38(4):1027–1045, Fig. 5. Ver artigo
Dispositivos cardíacos estruturais
Oclusão do apêndice atrial esquerdo
Watchman, Amplatzer Amulet, Amplatzer Cardiac Plug e AtriClip: todos devem projetar-se
sobre o apêndice atrial esquerdo. Complicações: malposição, migração e embolização. Todos condicionais
para RM a 1,5 e 3 T.
Oclusor do apêndice atrial esquerdo Watchman
TC axial em MIP (projeção de intensidade máxima): o Watchman bem posicionado dentro do apêndice atrial esquerdo.Radiografia frontal: o dispositivo (seta) sobre o apêndice atrial esquerdo, ampliado no detalhe.
Fonte: Sigakis CJG et al. RadioGraphics 2018;38(4):1027–1045, Fig. 6. Ver artigo
Fechamento do apêndice atrial com AtriClip
Radiografia frontal em paciente com troca valvar mitral: AtriClip fechando o apêndice atrial esquerdo (setas).
Fonte: Sigakis CJG et al. RadioGraphics 2018;38(4):1027–1045, Fig. 7. Ver artigo
Oclusão septal
Amplatzer Septal Occluder: deve projetar-se sobre os átrios. Complicação: embolização.
Condicional a 1,5 e 3 T.
Oclusor septal Amplatzer
Perfil localizado: o dispositivo (seta) sobre o septo interatrial, posição esperada.Outro paciente: dispositivo embolizado (seta), alojado na artéria pulmonar esquerda.
Fonte: Sigakis CJG et al. RadioGraphics 2018;38(4):1027–1045, Fig. 8. Ver artigo
Válvulas transcateter e sem sutura
Dispositivo
Posição
Complicações
Melody
Valva pulmonar
Vazamento paravalvar, fratura do stent, pseudoaneurisma de artéria pulmonar
Sapien XT
Valva pulmonar ou aórtica
Idem
Sapien 3 · CoreValve · Portico
Valva aórtica
Ruptura anular, vazamento paravalvar
Perceval · Intuity Elite
Valva aórtica, sem sutura
Vazamento paravalvar
MitraClip
Valva mitral
Embolização
Todas condicionais para RM a 1,5 e 3 T.
Válvulas aórticas transcateter
Perfil: Sapien 3 em posição aórtica (seta).CoreValve em paciente com fibrose pulmonar, frontal: o stent se alarga na altura dos seios de Valsalva (seta).Perfil do mesmo paciente: a CoreValve (seta).
Fonte: Sigakis CJG et al. RadioGraphics 2018;38(4):1027–1045, Fig. 10. Ver artigo
Válvula pulmonar transcateter Melody
Perfil: Melody em posição pulmonar.Detalhe sagital do mesmo paciente: fraturas na malha do stent (setas), que exigiram outro stent, com aspecto de válvula dentro de válvula.
Fonte: Sigakis CJG et al. RadioGraphics 2018;38(4):1027–1045, Fig. 9. Ver artigo
Válvula aórtica sem sutura Intuity Elite
Radiografia frontal após troca valvar aórtica: a armação metálica (seta) na base dos folhetos.
Fonte: Sigakis CJG et al. RadioGraphics 2018;38(4):1027–1045, Fig. 11. Ver artigo
MitraClip
Radiografia frontal: MitraClips lado a lado (seta) na topografia da valva mitral.
Fonte: Sigakis CJG et al. RadioGraphics 2018;38(4):1027–1045, Fig. 12. Ver artigo
Marca-passos sem eletrodo
posição e segurançaNanostim e Micra: ambos no ápice do ventrículo direito. Complicações: deslocamento e
perfuração miocárdica.
Segurança em RM: o Micra é seguro a 1,5 e 3 T. O Nanostim é inseguro nos Estados Unidos e
condicional a 1,5 T na Europa, uma das poucas divergências geográficas da tabela.
Marca-passo sem eletrodo Micra
Radiografia frontal: o Micra (seta) projetado sobre o ventrículo direito, sem gerador nem eletrodo transvenoso.
Fonte: Sigakis CJG et al. RadioGraphics 2018;38(4):1027–1045, Fig. 13. Ver artigo
Endovasculares, monitorização e vias aéreas
Dispositivo
Função
Achado radiográfico
RM
ER-REBOA
Oclusão endovascular da aorta
Marcadores radiopacos indicam a posição do balão
Sem dados
EndoWave
Cateter de trombólise
Marcadores delimitam o segmento tratado
Sem dados
CardioMEMS
Monitor ambulatorial de pressão da artéria pulmonar
Marcadores indicam a posição do dispositivo
Condicional 1,5 e 3 T
OptiVol
Monitor de impedância intratorácica
Visto junto ao marca-passo implantável Advisa MRI SureScan
Condicional 1,5 T
Cateter de trombólise EndoWave
Radiografia frontal em tromboembolia maciça tratada com trombólise assistida por ultrassom: os cateteres (pontas de seta) nas duas artérias pulmonares.
Fonte: Sigakis CJG et al. RadioGraphics 2018;38(4):1027–1045, Fig. 15. Ver artigo
CardioMEMS
Radiografia frontal: o sensor (seta) sobre a artéria pulmonar do lobo inferior esquerdo, ampliado no detalhe.Perfil localizado: o sensor (seta) na mesma artéria.
Fonte: Sigakis CJG et al. RadioGraphics 2018;38(4):1027–1045, Fig. 16. Ver artigo
⚠ REBOA
Complicações por insuflação prolongada do balão: lesão vascular e isquêmica. A posição do balão é a
informação que o laudo precisa entregar rápido.
REBOA
Radiografia frontal: o balão de oclusão aórtica (pontas de seta) sobre a aorta torácica.
Fonte: Sigakis CJG et al. RadioGraphics 2018;38(4):1027–1045, Fig. 14. Ver artigo
Broncopulmonares e esofágicos
Dispositivo
Posição esperada
Complicações
RM
Válvula endobrônquica Spiration
Marcadores e hastes sobre os brônquios
Pneumonia distal à válvula, empiema, hemoptise maciça, pneumotórax
Condicional 1,5 e 3 T
CardioQ-ODM
Ponta da sonda de Doppler esofágico na carina ou logo abaixo
Condicional a 0,7 e 1,5 T conforme o modelo; insegura a 3 T
Válvulas endobrônquicas, dois pacientes
Pneumotórax direito por fístula broncopleural: válvulas endobrônquicas (setas) nos brônquios do lobo superior direito.Detalhe em outro paciente: válvulas (setas) nos brônquios segmentares do lobo superior direito, com a atelectasia segmentar adjacente.
Fonte: Sigakis CJG et al. RadioGraphics 2018;38(4):1027–1045, Fig. 17. Ver artigo
Anel magnético LINX
Radiografia frontal: o LINX (seta) em posição adequada, na topografia da junção esofagogástrica.
Fonte: Sigakis CJG et al. RadioGraphics 2018;38(4):1027–1045, Fig. 20. Ver artigo
Sonda de Doppler esofágico
Radiografia localizada: a ponta da sonda (ponta de seta) na altura da carina ou logo abaixo, posição adequada.
Fonte: Sigakis CJG et al. RadioGraphics 2018;38(4):1027–1045, Fig. 18. Ver artigo
Cápsula de pH Bravo
Radiografia frontal: a cápsula (seta) cerca de 5 a 6 cm acima da junção esofagogástrica.Perfil: a mesma cápsula (seta).
Fonte: Sigakis CJG et al. RadioGraphics 2018;38(4):1027–1045, Fig. 19. Ver artigo
Pontos de prova: alto rendimento
Faixa paratraqueal direita
Normal 1–4 mm; da clavícula ao ângulo traqueobrônquico direito; alargamento focal normal no arco da ázigos.
Linha juncional anterior
Pleuras anteriores ao coração. Apagada por timo, tireoide, linfoma, lipomatose, tumor germinativo.
Linha juncional posterior
Pleuras anteriores à coluna; projeta-se até as clavículas (ou acima). Apagada por massa esofágica, adenopatia, aorta, e por bócio.
Arco aórtico à direita
~0,1%. Ausência do arco esquerdo, posição mais cranial, subclávia aberrante no espaço retrotraqueal.
Ázigos dilatada
Fica no ângulo traqueobrônquico, mais baixa que o arco direito. Pense em estenose de VCS (veia cava superior) ou continuação por ázigos.
Alargamento paratraqueal no trauma
Hematoma mediastinal por lesão da aorta ascendente ou de braquiocefálicas.
Vascular × linfonodo
Vascular = serpentiginoso/tubular/oval. Linfonodo = massa lobulada; procure adenopatia em outro sítio.
Janela aortopulmonar
Adenopatia, aneurisma de aorta, artéria pulmonar aumentada.
Linha paraespinhal direita
Projeta-se de T8 a T12.
Causa mais comum de deslocamento paraespinhal
Osteófitos laterais.
Massa paravertebral: próximo exame
RM, não TC, porque a causa mais comum é neurogênica (schwannoma).
Hematopoese extramedular
Massas múltiplas e bilaterais; talassemia.
Recesso azigoesofágico
Convexidade anormal é quase sempre esofágica; a mais comum é hérnia hiatal.
Banda de Mach
Ilusão óptica que realça a borda entre dois tons de cinza.
Espaço retrotraqueal
Onde se procura a subclávia aberrante no perfil.
HeartMate II × HeartMate 3
II fica abaixo do diafragma; 3 e HeartWare acima, no espaço pericárdico.
Ângulo da cânula do VAD (dispositivo de assistência ventricular)
Ideal > 55° em relação ao corpo da bomba.
Impella
Ponta centrada no VE; suporte de até 4 ou 6 dias, conforme o modelo; RM insegura.
VADs cirúrgicos e RM
Inseguros. A maioria dos dispositivos estruturais é condicional a 1,5 e 3 T.
Oclusores de apêndice atrial
Watchman, Amulet, Amplatzer Cardiac Plug, AtriClip: projetam-se sobre o apêndice atrial esquerdo.
Micra × Nanostim
Ambos no ápice do VD (ventrículo direito). Micra seguro a 1,5 e 3 T; Nanostim inseguro nos EUA (Estados Unidos).
Bravo
Marcador 5–6 cm acima da junção esofagogástrica.
CardioQ-ODM
Ponta na carina ou logo abaixo.
Linx
Anel de contas na JEG (junção esofagogástrica); inseguro a 3 T.
Válvula endobrônquica
Complicação a procurar: pneumonia distal, empiema, hemoptise maciça, pneumotórax.
Armadilhas e erros comuns
Linhas e faixas
Chamar de alargamento o que é técnica portátil: compare com exames prévios.
Esquecer que o alargamento focal no arco da ázigos é normal.
Confundir arco aórtico direito com ázigos dilatada: a diferença está na altura.
Não olhar o espaço retrotraqueal no perfil quando se suspeita de arco direito.
Pedir TC diante de massa paravertebral: a indicação é RM.
Interpretar linha paraespinhal ausente como patologia: ela frequentemente não é vista.
Não procurar ar dentro da hérnia hiatal, que fecha o diagnóstico sem outro exame.
Dispositivos
Laudar “dispositivo cardíaco” sem nomeá-lo: cada um tem posição esperada e complicação própria.
Não medir o ângulo da cânula do VAD.
Não registrar a posição do balão do REBOA: a insuflação prolongada causa isquemia.
Assumir que todo implante cardíaco moderno é seguro em RM: VADs cirúrgicos e Impella são inseguros, e o Linx é inseguro a 3 T.
Confundir válvula pulmonar com aórtica transcateter: o Sapien XT pode ser qualquer uma das duas.
Ignorar o marcador do Bravo achando que é corpo estranho.
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1
Homem de 68 anos, radiografia de tórax frontal em PA. Na medição, a faixa paratraqueal direita mede 7 mm, difusamente espessada, projetando-se da clavícula até o ângulo traqueobrônquico direito. Qual a interpretação correta?
O número que se cobra: a faixa paratraqueal direita normal mede 1 a 4 mm, da clavícula direita até o ângulo traqueobrônquico, e 7 mm difusos é alargamento verdadeiro. O diferencial do alargamento é mediastino visceral: gordura mediastinal, linfonodomegalia, massa tireoidiana, cisto de duplicação do intestino anterior ou anormalidade vascular. O hematoma pós-traumático é diferencial válido, mas exige contexto de trauma; e lembre da armadilha da técnica: a portátil por si só pode alargar a faixa; compare com exames prévios antes de chamar de anormal.
Mulher de 55 anos com massa cervical firme em seguimento. Na radiografia frontal, a linha juncional posterior está apagada, enquanto a anterior permanece visível. Qual a explicação mais provável para o achado?
A linha juncional posterior projeta-se sobre a traqueia até o nível das clavículas ou acima (mais superior que a anterior) e é formada por pleuras posteriores à traqueia e ao esôfago, anteriores à coluna. Condições que atravessam o desfiladeiro torácico, contíguo ao mediastino visceral superior, também a apagam: o exemplo clássico é o bócio mergulhante. A alternativa do linfoma inverte a anatomia: quem apaga a anterior (pleuras anteriores ao coração) é o timo, a massa tireoidiana, o linfoma, a lipomatose e o tumor germinativo.
Radiografia frontal de paciente 74 anos: o recesso azigoesofágico perde a concavidade normal e mostra abaulamento oval logo acima do hiato, com nível hidroaéreo. Paciente sem desconforto respiratório. Qual o diagnóstico que a própria radiografia permite fechar?
A convexidade anormal do recesso azigoesofágico é quase sempre esofágica: hérnia hiatal, massa ou dilatação esofágica, ou varizes paraesofágicas volumosas, e a mais comum é a hérnia hiatal, com abaulamento oval logo acima do hiato. O detalhe fechador é o ar dentro da porção herniada do estômago: sozinho, sela o diagnóstico na radiografia. A acalasia dilata todo o esôfago (não abaulamento focal), e as varizes abaulam perto do hiato no contexto de hipertensão portal.
Paciente com HeartMate II, radiografias frontal e perfil de rotina. A bomba se projeta em bolsa pré-peritoneal, abaixo do diafragma, e o ângulo da cânula de entrada em relação ao corpo da bomba mede 42°. Como laudar esse ângulo?
No HeartMate II, o ângulo da cânula de entrada em relação ao corpo da bomba deve ser maior que 55°: ângulos menores indicam que a cânula está angulada contra o septo interventricular, não contra a parede livre (essa é a troca clássica de alternativa). É uma medição obrigatória: não medir o ângulo da cânula do VAD está listado entre as armadilhas do caderno. A topografia também separa quem leu: o HeartMate II fica abaixo do diafragma, em bolsa pré-peritoneal; HeartMate 3 e HeartWare HVAD ficam no espaço pericárdico, e todos os três são inseguros para RM.
Portador de marca-passo sem eletrodo Nanostim, no ápice do ventrículo direito, com RM de coluna solicitada. Qual a conduta correta quanto à segurança do dispositivo?
Ambos os marca-passos sem eletrodo (Nanostim e Micra) posicionam-se no ápice do ventrículo direito, com complicações de deslocamento e perfuração miocárdica. A divergência está na RM: o Micra é seguro a 1,5 e 3 T, enquanto o Nanostim é inseguro nos Estados Unidos e condicional a 1,5 T na Europa, uma das poucas divergências geográficas da tabela. Assumir que todo implante cardíaco moderno é seguro em RM é armadilha clássica do tema.
Paciente politraumatizado grave na sala de emergência, com dispositivo ER-REBOA insuflado para controle hemodinâmico. Na radiografia portátil de controle, os marcadores radiopacos do balão identificam sua topografia. O que o laudo precisa entregar com urgência e por quê?
No ER-REBOA, os marcadores radiopacos indicam a posição do balão, e é essa a informação que o laudo precisa entregar rápido, porque a insuflação prolongada do balão causa lesão vascular e isquêmica. O dispositivo não tem dados de segurança em RM, e não registrar a posição do balão está listado entre as armadilhas do caderno. As alternativas que citam o cabo de acionamento e a ponta na valva aórtica misturam complicações dos VADs cirúrgicos e do Impella, respectivamente.
Fontes: Parte I: Jiao A et al. 3D Visual Guide to Lines and Stripes in Chest Radiography.
RadioGraphics 2023;43(9):e230017. doi:10.1148/rg.230017. Parte II: Sigakis CJG et al. Radiographic Review of Current Therapeutic and Monitoring Devices in the Chest. RadioGraphics 2018;38(4):1027–1045. doi:10.1148/rg.2018170096.