Cadernos QRad 51 · Abdome Agudo na TC
Abdome · emergência

Abdome Agudo na TC

Fontes: Silva, RadioGraphics 2009 · Sugi, RadioGraphics 2018 · WJGP 2025

As perguntas que a TC responde no plantão

Duas síndromes concentram o abdome agudo do pronto-socorro: a apendicite (uma das causas mais comuns de cirurgia abdominal de emergência no mundo, atingindo 7–9% das pessoas) e a obstrução do delgado, que responde por 20% das admissões cirúrgicas por dor abdominal aguda. Nas duas, a TC deixou de ser confirmação e virou decisão: quem opera agora, quem trata conservador, quem só precisa de seguimento.

contraste oral não é mais rotina no pronto-socorro As recomendações do ACR (American College of Radiology) e a literatura recente convergem: a TC de abdome agudo sem contraste oral não perde acurácia, e o positivo oral pode esconder o que importa (extravasamento na hemorragia, hiporrealce na isquemia), além de atrasar o exame. O líquido retido nas alças obstruídas já é contraste negativo natural. Papel residual: pacientes com IMC (índice de massa corporal) ≤ 25.
SuspeitaProtocolo
Vascular (isquemia, trombose, hemorragia digestiva)Trifásico: sem contraste + arterial + tardio, e sem oral positivo
Não vascular (obstrução, apendicite, enterites, perfuração)Portal (70–90 s) com reformatações coronais e sagitais
Doença inflamatória intestinal (eletivo)Êntero-TC: oral neutro (10–30 UH, unidades Hounsfield), jejum, antiperistáltico
+ complemento · os escores decidem quem faz imagem Na suspeita de apendicite, os escores clínicos (Alvarado, o pediátrico e o AIR, sigla de Appendicitis Inflammatory Response, o de melhor desempenho) estratificam o risco: baixo risco pode dispensar imagem, intermediário começa por US, e a TC/RM entram no equívoco ou no alto risco.

Apendicite

NORMAL ≤ 6 mm, parede fina ar ou contraste na luz · gordura limpa · até 40% dos normais passam de 6 mm APENDICITE > 6 mm, parede > 3 mm com hiperrealce líquido SEM ar na luz (≥ 2,6 mm) · gordura borrada · líquido periapendicular COMPLICAÇÃO: O QUE MUDA A CONDUTA ar extraluminal ou abscesso = perfuração · falha de realce da parede = necrose apêndice distendido, sem ar, com calcificação curvilínea na base: pensar em MUCOCELE, e olhar o ceco
Os sinais diretos e a complicação. O diâmetro sozinho engana, e o diagnóstico é a constelação: calibre, parede, realce, líquido e a gordura ao redor.
SinalNúmeroRessalva
Aumento do apêndice> 6 mm (parede externa a externa)Até 40% dos apêndices normais passam de 6 mm, sobretudo com ar ou líquido na luz
Espessamento parietal> 3 mm, com hiperrealce
Líquido intraluminal sem ar≥ 2,6 mmRaro no apêndice normal: bom sinal de apendicite precoce
Gordura periapendicular borrada + líquidoCorrelaciona com a gravidade dos sintomas
PerfuraçãoAr extraluminal · abscesso · falha de realce (necrose)Muda a conduta: cirurgia ou drenagem percutânea
Apêndice normal e apendicite na TC
Apêndice normal (Healthy appendix), com gordura limpa em volta (Fat).
Apêndice normal (Healthy appendix), com gordura limpa em volta (Fat).
Apêndice inflamado (Flamed appendix), com densificação da gordura (Fat stranding).
Apêndice inflamado (Flamed appendix), com densificação da gordura (Fat stranding).
Fonte: Perera Molligoda Arachchige AS et al. World J Gastrointest Pathophysiol 2025;16(4):112695, Fig. 1. Ver artigo
as armadilhas que derrubam o diagnóstico Ar na luz não exclui: até 31% das apendicites confirmadas têm ar intraluminal.

Falso-positivos: mucocele, cistoadenoma mucinoso, linfoma e a obstrução do ceco. Apêndice distendido, sem ar, cheio de líquido, sobretudo com calcificação curvilínea na base, pede um olhar no ceco antes do laudo.

Periapendicite: gordura inflamada por doença vizinha com apêndice normal.

O apêndice não visualizado: sem nenhum sinal inflamatório na fossa ilíaca direita, a chance de apendicite é ~2%; com inflamação local sem outra causa, ela sobe para ~26%, e não dá para excluir.
Sinais de apendicite e um falso-positivo
TC: hiperrealce da parede do apêndice (seta), compatível com apendicite aguda.
TC: hiperrealce da parede do apêndice (seta), compatível com apendicite aguda.
TC: líquido de baixa atenuação, sem ar, na luz do apêndice, com 2,6 mm (seta): sinal útil de apendicite precoce.
TC: líquido de baixa atenuação, sem ar, na luz do apêndice, com 2,6 mm (seta): sinal útil de apendicite precoce.
TC: apêndice distendido por líquido, sem ar, com calcificações curvilíneas na base: era mucocele (seta laranja).
TC: apêndice distendido por líquido, sem ar, com calcificações curvilíneas na base: era mucocele (seta laranja).
Fonte: Perera Molligoda Arachchige AS et al. World J Gastrointest Pathophysiol 2025;16(4):112695, Fig. 2. Ver artigo
criança e gestante: a escada US → RM Apendicite é a emergência cirúrgica não obstétrica mais comum da gestação. O US é a primeira linha na criança e na gestante; quando é inconclusivo (útero gravídico deslocando as vísceras), a RM resolve sem radiação: sequências single-shot (SSFSE/HASTE: single-shot fast spin echo/half-Fourier acquisition single-shot turbo spin echo, T2 ultrarrápido) axial, coronal e sagital ± T2 com saturação de gordura. No jovem, a acurácia da RM se aproxima da TC (sensibilidade/especificidade ~94%/94% com contraste). Quem dita a primeira imagem do adulto segue sendo a TC: sensibilidade 86–100%, especificidade 95–100%.

Obstrução do delgado

O laudo de obstrução que ajuda o cirurgião responde, nesta ordem: está obstruído? qual a gravidade? onde está a transição? qual a causa? há complicação? A radiografia continua sendo a triagem inicial, mas é diagnóstica em só 50–60% dos casos; a TC responde as cinco perguntas com sensibilidade de 90–96% e acurácia de 95% para as obstruções de alto grau.

DILATADO A MONTANTE · COLAPSADO A JUSANTE: A RESPOSTA MORA NO PONTO DE TRANSIÇÃO ponto de transição a causa quase sempre está aqui anterógrado: confirmação, se proximal retrógrado: comece pelo reto a montante: alça dilatada > 2,5 cm (parede externa a externa), cheia de líquido feces sign: material particulado; LOCALIZA a transição, não gradua a jusante: colapsada alto grau: calibre ≥ 50% menor, alças distais esvaziadas após dias COMO PROCURAR 1 · rolando os cortes continuamente na estação, siga a alça COLAPSADA do reto para cima, até o corte em que ela vira dilatada: ali está a transição e, quase sempre, a causa. 2 · se a transição for proximal (jejuno ou duodeno), confirme no sentido anterógrado, descendo do estômago.
A anatomia da resposta: dilatado a montante, colapsado a jusante, e a causa mora no ponto de transição.
os números da gravidade Critério de obstrução: alças de delgado > 2,5 cm (parede externa a externa) proximais a alças normais ou colapsadas.

Alto grau: diferença de calibre ≥ 50% entre o dilatado e o colapsado, e, após dias, alças distais completamente esvaziadas.

Contraste oral: a passagem além da transição marca obstrução incompleta; a ausência de passagem em exames tardios (3–24 h), completa.
Critério de obstrução do delgado na TC
TC axial: diferença de calibre entre alças proximais distendidas (> 3 cm, linha pontilhada) e alças distais colapsadas (setas).
TC axial: diferença de calibre entre alças proximais distendidas (> 3 cm, linha pontilhada) e alças distais colapsadas (setas).
Fonte: Silva AC et al. RadioGraphics 2009;29(2):423–439, Fig. 4. Ver artigo
Obstrução completa simples por intussuscepção
TC axial: alças distendidas com contraste oral positivo (setas) antes de uma intussuscepção em alvo (*); depois dela, alças totalmente colapsadas e sem contrast
TC axial: alças distendidas com contraste oral positivo (setas) antes de uma intussuscepção em alvo (*); depois dela, alças totalmente colapsadas e sem contraste (ponta de seta).
Fonte: Silva AC et al. RadioGraphics 2009;29(2):423–439, Fig. 5. Ver artigo
Obstrução parcial de baixo grau
TC axial: alças jejunais distendidas (setas) antes de uma intussuscepção (*) com contraste oral; o contraste passa e enche as alças distais (pontas de seta).
TC axial: alças jejunais distendidas (setas) antes de uma intussuscepção (*) com contraste oral; o contraste passa e enche as alças distais (pontas de seta).
Fonte: Silva AC et al. RadioGraphics 2009;29(2):423–439, Fig. 6. Ver artigo
Ponto de transição numa obstrução por aderências
TC axial: alças dilatadas (S) e mudança abrupta de calibre (seta) para as alças colapsadas (C).
TC axial: alças dilatadas (S) e mudança abrupta de calibre (seta) para as alças colapsadas (C).
Fonte: Silva AC et al. RadioGraphics 2009;29(2):423–439, Fig. 8. Ver artigo
o feces sign não gradua nada Material particulado misturado a gás na alça dilatada (o small bowel feces sign, prevalência 7–8%) já foi lido como marca de alto grau, mas a literatura se divide, e o consenso prático é outro: ele serve para LOCALIZAR o ponto de transição (costuma estar logo antes dele), não para medir gravidade.
Sinal das fezes no delgado, obstrução de alto grau por aderências
TC axial: bolhas de gás misturadas a material particulado (*), o sinal das fezes no delgado; alças colapsadas (seta) depois do ponto de obstrução.
TC axial: bolhas de gás misturadas a material particulado (*), o sinal das fezes no delgado; alças colapsadas (seta) depois do ponto de obstrução.
Fonte: Silva AC et al. RadioGraphics 2009;29(2):423–439, Fig. 7. Ver artigo
+ complemento · radiografia e US ainda têm papel Na radiografia, os sinais de obstrução de alto grau: alças com calibre máximo em média de 3,6 cm (acima de 50% do calibre da maior alça de cólon visível), mais de dois níveis hidroaéreos, níveis > 2,5 cm de largura ou desnivelados > 2 cm na mesma alça. No US (onde a TC não está à mão): alça cheia de líquido > 3 cm por > 10 cm com peristalse de vaivém; parede > 3 mm, líquido livre e aperistalse sugerem sofrimento. E a obstrução de baixo grau é o ponto cego da TC comum: aí entram trânsito, enteróclise e enteróclise por TC, que desafiam a distensibilidade da parede.
Obstrução de alto grau na radiografia
Radiografia simples: múltiplos níveis hidroaéreos (setas), alguns com mais de 2,5 cm de largura, e desnível de mais de 2 cm entre níveis da mesma alça (círculo)
Radiografia simples: múltiplos níveis hidroaéreos (setas), alguns com mais de 2,5 cm de largura, e desnível de mais de 2 cm entre níveis da mesma alça (círculo). O delgado passa de 2,5 cm e a razão delgado/cólon passa de 0,5.
Fonte: Silva AC et al. RadioGraphics 2009;29(2):423–439, Fig. 2. Ver artigo
Obstrução ileal por Crohn no US
US do íleo: alça dilatada e cheia de líquido, com mais de 3 cm (linha pontilhada); a falta de válvulas coniventes localiza no íleo. Parede espessa com padrão es
US do íleo: alça dilatada e cheia de líquido, com mais de 3 cm (linha pontilhada); a falta de válvulas coniventes localiza no íleo. Parede espessa com padrão estratificado (setas) e ascite (A).
Fonte: Silva AC et al. RadioGraphics 2009;29(2):423–439, Fig. 3. Ver artigo

As causas, pela regra de ouro

A regra que organiza a busca: a resposta está quase sempre no ponto de transição. Causa intrínseca = espessamento mural localizado ali. Causa extrínseca = achado adjacente à transição, com manifestações extraintestinais. Causa intraluminal = “corpo estranho” endoluminal com densidade diferente do conteúdo entérico.

CausaAssinatura na TC
Aderências: 50–80% dos casos, quase sempre pós-operatóriasDiagnóstico de exclusão: transição abrupta sem massa, sem inflamação e sem espessamento, com história cirúrgica e angulação/tração das alças vizinhas
Hérnias: ~10%; a causa nº 1 em países em desenvolvimentoExternas: defeito parietal (clínica costuma ver). Internas: diagnóstico quase sempre radiológico; víscera protruindo por peritônio/mesentério
CrohnTrês cenários: inflamação aguda (parede espessa, estratificada, comb sign), estenose cicatricial da doença antiga, ou aderências/hérnias pós-operatórias; distinguir muda o tratamento
NeoplasiaAdenocarcinoma primário (raro): espessamento assimétrico e irregular na transição. Mais comum: carcinomatose peritoneal serosal. O câncer de ceco também obstrui ao invadir a válvula ileocecal
IntussuscepçãoAlça-dentro-de-alça, com ou sem gordura e vasos mesentéricos: patognomônico. Só obstrui com lead point (tumor, aderência); a transitória do adulto não obstrui
Enterite actínicaIleais na pelve irradiada ≥ 1 ano antes: estenose, parede angulada, mesentério retraído
Hematoma intramuralAnticoagulado: espessamento circunferencial hiperdenso, que a TC sem contraste mostra
Íleo biliarTríade patognomônica: pneumobilia + cálculo ectópico + obstrução
BezoarMassa intraluminal ovoide com gás mosqueado de permeio: cirurgia gástrica prévia
DIOS (síndrome de obstrução intestinal distal)Fibrose cística: impactação feculenta no delgado distal; responde a tratamento clínico
Obstrução por aderências depois de cirurgia abdominal
TC axial: mudança abrupta de calibre na transição (seta); parede, luz e órgãos vizinhos normais, o que exclui as outras causas.
TC axial: mudança abrupta de calibre na transição (seta); parede, luz e órgãos vizinhos normais, o que exclui as outras causas.
Fonte: Silva AC et al. RadioGraphics 2009;29(2):423–439, Fig. 20. Ver artigo
Obstrução por hérnia inguinal encarcerada
TC axial: delgado dilatado (S) pela hérnia inguinal encarcerada (H); a transição (seta) fica lateral à artéria epigástrica inferior (ponta de seta).
TC axial: delgado dilatado (S) pela hérnia inguinal encarcerada (H); a transição (seta) fica lateral à artéria epigástrica inferior (ponta de seta).
Fonte: Silva AC et al. RadioGraphics 2009;29(2):423–439, Fig. 21. Ver artigo
Obstrução por Crohn em fase aguda
TC axial: alça dilatada com mais de 2,5 cm (S) antes do íleo terminal espessado (seta); o círculo marca o ponto de transição.
TC axial: alça dilatada com mais de 2,5 cm (S) antes do íleo terminal espessado (seta); o círculo marca o ponto de transição.
Fonte: Silva AC et al. RadioGraphics 2009;29(2):423–439, Fig. 10. Ver artigo
Obstrução por Crohn na fase estenótica
TC axial: alças dilatadas com líquido e contraste oral em diluições diferentes (*); no íleo terminal, transição com parede espessa e estratificada (pontas de se
TC axial: alças dilatadas com líquido e contraste oral em diluições diferentes (*); no íleo terminal, transição com parede espessa e estratificada (pontas de seta) e hipervascularização perientérica.
Peça cirúrgica: luz estreitada do segmento acometido (pontas de seta) e a alça dilatada antes dele (*), a mesma marcada na TC.
Peça cirúrgica: luz estreitada do segmento acometido (pontas de seta) e a alça dilatada antes dele (*), a mesma marcada na TC.
Fonte: Silva AC et al. RadioGraphics 2009;29(2):423–439, Fig. 11. Ver artigo
Obstrução por adenocarcinoma do delgado
TC axial: espessamento assimétrico e irregular de alça ileal (seta), com dilatação do delgado a montante (S).
TC axial: espessamento assimétrico e irregular de alça ileal (seta), com dilatação do delgado a montante (S).
Fonte: Silva AC et al. RadioGraphics 2009;29(2):423–439, Fig. 12. Ver artigo
Adenocarcinoma do ceco tomando a válvula ileocecal
TC axial: dilatação do delgado (S) e do ceco (*) antes de um câncer estenosante do ceco (seta) que envolve o íleo terminal.
TC axial: dilatação do delgado (S) e do ceco (*) antes de um câncer estenosante do ceco (seta) que envolve o íleo terminal.
Peça cirúrgica: a válvula ileocecal (seta) tomada pela neoplasia (linha pontilhada). TI = íleo terminal.
Peça cirúrgica: a válvula ileocecal (seta) tomada pela neoplasia (linha pontilhada). TI = íleo terminal.
Fonte: Silva AC et al. RadioGraphics 2009;29(2):423–439, Fig. 13. Ver artigo
Obstrução por intussuscepção e banda de aderência
TC axial: o segmento invaginado (seta) entrando no segmento receptor (*).
TC axial: o segmento invaginado (seta) entrando no segmento receptor (*).
TC axial: o tumor submucoso que serve de cabeça (T) e a aderência (ponta de seta) que dilata o segmento receptor.
TC axial: o tumor submucoso que serve de cabeça (T) e a aderência (ponta de seta) que dilata o segmento receptor.
Peça cirúrgica: o tumor submucoso, massa polipoide grande (seta).
Peça cirúrgica: o tumor submucoso, massa polipoide grande (seta).
Fonte: Silva AC et al. RadioGraphics 2009;29(2):423–439, Fig. 14. Ver artigo
Obstrução por enteropatia actínica
TC axial: alças muito distendidas (S) pelo estreitamento da luz, com espessamento parietal e estenoses fibróticas (setas).
TC axial: alças muito distendidas (S) pelo estreitamento da luz, com espessamento parietal e estenoses fibróticas (setas).
TC axial: o mesmo estreitamento (setas).
TC axial: o mesmo estreitamento (setas).
Fonte: Silva AC et al. RadioGraphics 2009;29(2):423–439, Fig. 15. Ver artigo
Hematoma espontâneo da parede em paciente anticoagulado em excesso
TC axial sem contraste: espessamento parietal circunferencial hiperatenuante do íleo, com estreitamento da luz (setas) e distensão a montante (S).
TC axial sem contraste: espessamento parietal circunferencial hiperatenuante do íleo, com estreitamento da luz (setas) e distensão a montante (S).
Fonte: Silva AC et al. RadioGraphics 2009;29(2):423–439, Fig. 16. Ver artigo
Íleo biliar
TC axial: pneumobilia (seta) e a vesícula (gb) junto ao antro gástrico.
TC axial: pneumobilia (seta) e a vesícula (gb) junto ao antro gástrico.
TC: cálculo impactado no jejuno distal (*), com dilatação a montante (S).
TC: cálculo impactado no jejuno distal (*), com dilatação a montante (S).
Fonte: Silva AC et al. RadioGraphics 2009;29(2):423–439, Fig. 23. Ver artigo
Síndrome de obstrução intestinal distal (DIOS)
TC axial: alças de delgado muito dilatadas, com conteúdo fecaloide (S). Setas: cólon.
TC axial: alças de delgado muito dilatadas, com conteúdo fecaloide (S). Setas: cólon.
Fonte: Silva AC et al. RadioGraphics 2009;29(2):423–439, Fig. 24. Ver artigo
antes de tudo: é mesmo o delgado? Excluir obstrução do cólon é obrigatório antes de rotular: causas, sintomas e tratamento diferem. E o padrão de pregas ajuda a localizar: jejuno tem válvulas coniventes numerosas e próximas; íleo é mais liso, com menos pregas.

Alça fechada e estrangulamento

A CONFIGURAÇÃO alça em U (ou C), dilatada e cheia de líquido vasos mesentéricos esticados CONVERGINDO para o ponto de torção · bico (beak) na obstrução ESTRANGULAMENTO: A ISQUEMIA DA ALÇA FECHADA o achado ESPECÍFICO falta de realce da parede (ou realce assimétrico/tardio) os achados de alarme, não específicos parede espessa e densa · target/halo · líquido e hemorragia no mesentério os achados tardios pneumatose intestinal · gás na veia porta whirl (redemoinho) vasos rodando em volta do ponto fixo: volvo A REGRA PRÁTICA alças > 3 cm com parede FINA COMO PAPEL e má opacificação: isquemia tromboembólica; procure o êmbolo na mesentérica superior
Obstrução em dois pontos adjacentes = alça fechada: quase sempre por aderência ou hérnia. É a configuração que estrangula.
o que decide entre acompanhar e operar agora Estrangulamento = alça fechada + isquemia: ocorre em ~10% das obstruções do delgado e mata quando o diagnóstico atrasa. A TC detecta 63–100%. O achado específico é a falta de realce da parede (ou realce assimétrico/tardio); parede espessa e densa, target, líquido e hemorragia mesentérica alarmam sem especificar; pneumatose e gás portal chegam tarde. Vasos radiando para um ponto fixo + congestão mesentérica = pensar em alça fechada antes desses sinais todos.
Alça fechada confirmada em cirurgia, em duas pacientes
Mulher de 51 anos, 2 meses depois de ressecção anterior baixa. TC axial: alças jejunais espessadas em disposição radial, com os vasos convergindo para o ponto c
Mulher de 51 anos, 2 meses depois de ressecção anterior baixa. TC axial: alças jejunais espessadas em disposição radial, com os vasos convergindo para o ponto central da obstrução; estratificação em alvo nos segmentos isquêmicos (setas), com edema, líquido e ingurgitamento mesentéricos.
Mulher de 43 anos com obstruções de repetição. TC coronal: segmento ileal em U (crescente tracejado) obstruído em dois pontos, a configuração em alça fechada.
Mulher de 43 anos com obstruções de repetição. TC coronal: segmento ileal em U (crescente tracejado) obstruído em dois pontos, a configuração em alça fechada.
Fonte: Sugi MD et al. RadioGraphics 2018;38(5):1352–1369, Fig. 6. Ver artigo
Obstrução estrangulada por aderências
TC axial: gás nas veias portais intra-hepáticas (seta).
TC axial: gás nas veias portais intra-hepáticas (seta).
TC axial: alças dilatadas (S) antes de segmentos infartados com pneumatose (setas).
TC axial: alças dilatadas (S) antes de segmentos infartados com pneumatose (setas).
Fonte: Silva AC et al. RadioGraphics 2009;29(2):423–439, Fig. 28. Ver artigo
beak, whirl e os “balões num barbante” No ponto de obstrução, o afilamento fusiforme faz o bico (beak sign); quando o pedículo torce, os vasos giram em volta do ponto fixo: o whirl sign do volvo. Quando o segmento é longo ou está fora do plano, as alças parecem balões amarrados num barbante. Configuração em U ou C com distribuição radial fecha o quadro.
Obstrução em alça fechada por aderências
TC axial: alças em disposição radial, em U (linha pontilhada), com vasos mesentéricos estirados convergindo para o ponto de torção.
TC axial: alças em disposição radial, em U (linha pontilhada), com vasos mesentéricos estirados convergindo para o ponto de torção.
TC coronal oblíqua: alça encarcerada em C (linha pontilhada).
TC coronal oblíqua: alça encarcerada em C (linha pontilhada).
Fonte: Silva AC et al. RadioGraphics 2009;29(2):423–439, Fig. 26. Ver artigo
Alça fechada por torção intestinal
TC axial: sinal do redemoinho (whirl; seta) dos vasos mesentéricos e alças colapsadas; a transição fica no ponto da torção.
TC axial: sinal do redemoinho (whirl; seta) dos vasos mesentéricos e alças colapsadas; a transição fica no ponto da torção.
Fonte: Silva AC et al. RadioGraphics 2009;29(2):423–439, Fig. 27. Ver artigo

Isquemia mesentérica e hipoperfusão

MecanismoO que a TC mostraPistas
Embolia arterial: a líder (~metade dos casos; 2/3 do total são arteriais)Alças > 3 cm de parede fina como papel, sem realce mucoso/seroso; níveis líquido-sangue no infartoÊmbolo na mesentérica superior: ~50% logo distais à cólica média, 15% no óstio. Fibrilação atrial, trombo cardíaco
Trombose venosa: 5–10%Parede espessa por edema/hemorragia, target, realce preservado ou aumentadoTrombo na veia mesentérica superior · ingurgitamento e edema do mesentério: a marca do lado venoso · hipercoagulabilidade, cirrose
Não oclusiva / vasoespasmoSobreposição com o complexo de hipoperfusãoBaixo débito, sepse, hipovolemia
Isquemia aguda por trombose da artéria mesentérica superior, homem de 62 anos
TC axial com contraste: trombo na origem da artéria mesentérica superior (seta).
TC axial com contraste: trombo na origem da artéria mesentérica superior (seta).
TC axial: alças jejunais dilatadas, de parede fina e sem realce, com líquido hiperatenuante em camadas na luz (pontas de seta): o infarto hemorrágico confirmado
TC axial: alças jejunais dilatadas, de parede fina e sem realce, com líquido hiperatenuante em camadas na luz (pontas de seta): o infarto hemorrágico confirmado na cirurgia.
Fonte: Sugi MD et al. RadioGraphics 2018;38(5):1352–1369, Fig. 2. Ver artigo
Infarto do delgado, mulher de 72 anos com dor difusa e hipotensão
TC coronal: alças dilatadas, de parede fina e pouco realce, com pneumatose extensa (seta branca) e gás portal (seta preta).
TC coronal: alças dilatadas, de parede fina e pouco realce, com pneumatose extensa (seta branca) e gás portal (seta preta).
TC axial: gás num ramo venoso mesentérico jejunal (pontas de seta).
TC axial: gás num ramo venoso mesentérico jejunal (pontas de seta).
Laparotomia: necrose extensa do delgado (*).
Laparotomia: necrose extensa do delgado (*).
Fonte: Sugi MD et al. RadioGraphics 2018;38(5):1352–1369, Fig. 3. Ver artigo
Isquemia venosa e arterial
Trombose da veia mesentérica superior. TC coronal: trombo na veia (seta) e espessamento circunferencial das alças ileais por edema submucoso (*); S = alça dilat
Trombose da veia mesentérica superior. TC coronal: trombo na veia (seta) e espessamento circunferencial das alças ileais por edema submucoso (*); S = alça dilatada.
Oclusão arterial. Projeção de intensidade máxima coronal: falha de enchimento na artéria mesentérica superior (seta), por trombose.
Oclusão arterial. Projeção de intensidade máxima coronal: falha de enchimento na artéria mesentérica superior (seta), por trombose.
Peça cirúrgica do caso venoso: alça infartada, com mucosa hemorrágica e pregas espessadas.
Peça cirúrgica do caso venoso: alça infartada, com mucosa hemorrágica e pregas espessadas.
Caso arterial, TC axial: a falha na artéria mesentérica superior (seta) e alças dilatadas a montante (S).
Caso arterial, TC axial: a falha na artéria mesentérica superior (seta) e alças dilatadas a montante (S).
Fonte: Silva AC et al. RadioGraphics 2009;29(2):423–439, Figs. 17, 18. Ver artigo
Isquemia venosa, mulher de 43 anos com anticoagulante lúpico
TC axial: trombo oclusivo na veia mesentérica superior (seta branca) e alças jejunais de parede espessa (pontas de seta), com edema mural acentuado, aspecto em
TC axial: trombo oclusivo na veia mesentérica superior (seta branca) e alças jejunais de parede espessa (pontas de seta), com edema mural acentuado, aspecto em alvo e pouco realce.
TC coronal: os mesmos achados, com edema e líquido mesentéricos (seta preta).
TC coronal: os mesmos achados, com edema e líquido mesentéricos (seta preta).
Fonte: Sugi MD et al. RadioGraphics 2018;38(5):1352–1369, Fig. 4. Ver artigo
Isquemia venosa, homem de 53 anos com cirrose
TC coronal: trombo oclusivo na veia mesentérica superior (seta).
TC coronal: trombo oclusivo na veia mesentérica superior (seta).
TC axial: espessamento circunferencial difuso do delgado, edema mesentérico (pontas de seta) e líquido.
TC axial: espessamento circunferencial difuso do delgado, edema mesentérico (pontas de seta) e líquido.
Fonte: Sugi MD et al. RadioGraphics 2018;38(5):1352–1369, Fig. 5. Ver artigo
Isquemia por trombose da artéria mesentérica superior
TC axial: trombose da artéria mesentérica superior (ponta de seta).
TC axial: trombose da artéria mesentérica superior (ponta de seta).
TC axial: pneumatose intestinal com ar nos vasos retos do mesentério (setas).
TC axial: pneumatose intestinal com ar nos vasos retos do mesentério (setas).
Fonte: Silva AC et al. RadioGraphics 2009;29(2):423–439, Fig. 19. Ver artigo
angio-TC é o exame, e sem oral positivo Na suspeita de isquemia mesentérica: angio-TC com fases arterial e venosa (sensibilidade ~90%), que ainda mostra o diagnóstico alternativo, a doença crônica e as colaterais. Contraste oral positivo atrapalha: mascara o realce parietal.
o complexo de hipoperfusão (shock bowel) No choque (trauma, parada, sepse, cetoacidose), o delgado sofre primeiro: hiperrealce mucoso intenso (maior que o psoas), parede espessa, luz distendida com líquido. Somam-se os extraintestinais: cava em fenda, aorta de fino calibre, “shock pancreas”, baço e fígado hipocaptantes, adrenais e rins hiperrealçados. É reversível com ressuscitação: não confundir com isquemia oclusiva nem operar o paciente errado.
Complexo de hipoperfusão, homem de 30 anos depois de colisão de carro
TC axial com contraste: alças jejunais espessadas com hiperrealce mucoso acentuado (setas brancas), cava inferior colapsada (ponta de seta), aorta de calibre re
TC axial com contraste: alças jejunais espessadas com hiperrealce mucoso acentuado (setas brancas), cava inferior colapsada (ponta de seta), aorta de calibre reduzido (seta preta) e edema regional.
Fonte: Sugi MD et al. RadioGraphics 2018;38(5):1352–1369, Fig. 7. Ver artigo

O espectro do target sign

Parede espessada circunferencial com estratificação mural (target/duplo halo: mucosa e serosa realçando, submucosa edemaciada no meio) é o achado mais comum (e mais inespecífico) do delgado agudo. Quem separa as causas é o padrão de distribuição + a história:

EntidadeA pista que separa
Vasculite (poliarterite nodosa ou PAN, lúpus, púrpura de Henoch-Schönlein)Jovem · distribuição atípica (duodeno, salpicada em vários territórios) · acometimento sistêmico (pele, rim, articulação) · vasos terminais em saca-rolhas · na PAN, microaneurismas
Angioedema por IECA (inibidor da enzima conversora: lisinopril, enalapril)Jejuno estratificado e retificado, edema interalças e ascite, com lactato normal e abdome benigno. Resolve ao suspender a droga; já rendeu laparotomia branca
GVHD (doença do enxerto contra o hospedeiro)Transplante de medula (típico < 100 dias) · acometimento difuso, alças separadas e realçando · crônico: alças sem pregas, “em pasta de dente”
Enterite actínicaSegmentar, confinada à porta de radiação · íleo terminal primeiro · aguda pica na 4ª semana; crônica de 18 meses a 30 anos
Enterite por quimioterápicosDifusa · “mabs e nibs” · pneumatose sem isquemia é descrita: não operar pelo gás
Hemorragia intramuralJejuno (69%) · hiperdensa sem contraste · anticoagulação excessiva (INR, razão normalizada internacional, > 4)
Crohn agudoÍleo terminal · hiperrealce assimétrico da borda mesentérica · comb sign · fibrogordura, fístula, abscesso
Perfuração mecânicaCorpo estranho linear (espinha, osso) atravessando a parede · gás extraluminal focal · borramento localizado
Sinal do alvo (duplo halo), mulher de 59 anos com doença renal terminal e isquemia de pequenos vasos
TC coronal com contraste: realce da mucosa interna e da muscular própria/serosa externa (setas), com a submucosa edemaciada de baixa atenuação no meio. Ascite r
TC coronal com contraste: realce da mucosa interna e da muscular própria/serosa externa (setas), com a submucosa edemaciada de baixa atenuação no meio. Ascite reativa e edema entre as alças.
TC axial: o mesmo padrão em alvo (setas).
TC axial: o mesmo padrão em alvo (setas).
Fonte: Sugi MD et al. RadioGraphics 2018;38(5):1352–1369, Fig. 1. Ver artigo
Vasculite lúpica, mulher de 43 anos com dor abdominal intensa
TC axial com contraste oral e venoso: alças dilatadas com espessamento parietal simétrico difuso e hiperrealce mucoso; vasos terminais em saca-rolhas (setas), d
TC axial com contraste oral e venoso: alças dilatadas com espessamento parietal simétrico difuso e hiperrealce mucoso; vasos terminais em saca-rolhas (setas), da doença isquêmica de pequenos vasos.
Fonte: Sugi MD et al. RadioGraphics 2018;38(5):1352–1369, Fig. 8. Ver artigo
Vasculite por púrpura de Henoch-Schönlein, homem de 42 anos com fezes com sangue
TC axial com contraste: várias alças jejunais com sinal do alvo (setas), ingurgitamento vascular mesentérico e ascite.
TC axial com contraste: várias alças jejunais com sinal do alvo (setas), ingurgitamento vascular mesentérico e ascite.
Fonte: Sugi MD et al. RadioGraphics 2018;38(5):1352–1369, Fig. 9. Ver artigo
Angioedema por inibidor da ECA em duas pacientes
Mulher de 39 anos que aumentou a dose de lisinopril. TC coronal: várias alças edemaciadas, com estratificação mural longa do jejuno (setas).
Mulher de 39 anos que aumentou a dose de lisinopril. TC coronal: várias alças edemaciadas, com estratificação mural longa do jejuno (setas).
Mulher de 47 anos em uso de IECA. TC axial: estratificação do delgado (pontas de seta), que levou a uma laparotomia negativa.
Mulher de 47 anos em uso de IECA. TC axial: estratificação do delgado (pontas de seta), que levou a uma laparotomia negativa.
Mesma paciente, 1 mês depois de suspender o IECA: resolução completa das alterações (*).
Mesma paciente, 1 mês depois de suspender o IECA: resolução completa das alterações (*).
Fonte: Sugi MD et al. RadioGraphics 2018;38(5):1352–1369, Fig. 10. Ver artigo
Doença do enxerto contra o hospedeiro (GVHD), mulher de 21 anos, 73 dias depois do transplante
TC axial com contraste: edema difuso da parede em alvo (setas) e estreitamento difuso da luz.
TC axial com contraste: edema difuso da parede em alvo (setas) e estreitamento difuso da luz.
TC coronal: os mesmos achados (setas).
TC coronal: os mesmos achados (setas).
Fonte: Sugi MD et al. RadioGraphics 2018;38(5):1352–1369, Fig. 12. Ver artigo
GVHD crônica, mulher de 29 anos, 2 anos depois do transplante
Trânsito intestinal: alças separadas e sem pregas (setas), o aspecto em pasta de dente (toothpaste) das estenoses crônicas.
Trânsito intestinal: alças separadas e sem pregas (setas), o aspecto em pasta de dente (toothpaste) das estenoses crônicas.
Fonte: Sugi MD et al. RadioGraphics 2018;38(5):1352–1369, Fig. 11. Ver artigo
Enteropatia crônica pós-rádio e quimioterapia, mulher de 59 anos tratada há 10 anos por câncer do colo
TC axial: alças ileais pélvicas de parede espessa, com sinal do alvo (setas).
TC axial: alças ileais pélvicas de parede espessa, com sinal do alvo (setas).
TC coronal: estreitamento da luz (pontas de seta) e obstrução distal relativa pelas estenoses actínicas.
TC coronal: estreitamento da luz (pontas de seta) e obstrução distal relativa pelas estenoses actínicas.
Fonte: Sugi MD et al. RadioGraphics 2018;38(5):1352–1369, Fig. 13. Ver artigo
Enterite actínica aguda perfurada, mulher de 62 anos
TC axial com contraste oral e venoso: alças ileais espessadas e cheias de líquido, ascite pélvica e bolsões de gás mosqueado (pontas de seta), indicando perfura
TC axial com contraste oral e venoso: alças ileais espessadas e cheias de líquido, ascite pélvica e bolsões de gás mosqueado (pontas de seta), indicando perfuração.
Fonte: Sugi MD et al. RadioGraphics 2018;38(5):1352–1369, Fig. 14. Ver artigo
Enterite actínica crônica, mulher de 66 anos
Trânsito intestinal: alças ileais espessadas na pelve (pontas de seta), em pilha de moedas, com estreitamentos da luz (setas) pelas estenoses.
Trânsito intestinal: alças ileais espessadas na pelve (pontas de seta), em pilha de moedas, com estreitamentos da luz (setas) pelas estenoses.
Fonte: Sugi MD et al. RadioGraphics 2018;38(5):1352–1369, Fig. 15. Ver artigo
Enterite por sunitinibe, homem de 58 anos
TC coronal: segmentos longos de delgado espessado (setas), com estratificação e hiperrealce acentuado da mucosa e da muscular própria.
TC coronal: segmentos longos de delgado espessado (setas), com estratificação e hiperrealce acentuado da mucosa e da muscular própria.
Fonte: Sugi MD et al. RadioGraphics 2018;38(5):1352–1369, Fig. 16. Ver artigo
Enterite por bevacizumabe, homem de 58 anos
TC coronal: segmento longo de parede espessa, com estratificação (pontas de seta).
TC coronal: segmento longo de parede espessa, com estratificação (pontas de seta).
TC axial: ingurgitamento venoso mesentérico (pontas de seta) e edema mesentérico regional (setas).
TC axial: ingurgitamento venoso mesentérico (pontas de seta) e edema mesentérico regional (setas).
Fonte: Sugi MD et al. RadioGraphics 2018;38(5):1352–1369, Fig. 17. Ver artigo
Crohn ativo, homem de 53 anos
TC axial: espessamento segmentar com hiperrealce mucoso do íleo distal (seta) e dilatação a montante (*).
TC axial: espessamento segmentar com hiperrealce mucoso do íleo distal (seta) e dilatação a montante (*).
Fonte: Sugi MD et al. RadioGraphics 2018;38(5):1352–1369, Fig. 20. Ver artigo
Inflamação ativa sobre Crohn estenosante, em duas pacientes
Mulher de 56 anos, TC coronal: parede muito espessa e hiperrealce mucoso do neoíleo terminal, com o sinal do pente (comb sign; pontas de seta), estreitamento da
Mulher de 56 anos, TC coronal: parede muito espessa e hiperrealce mucoso do neoíleo terminal, com o sinal do pente (comb sign; pontas de seta), estreitamento da luz (*) e dilatação a montante.
Mulher de 39 anos, TC coronal com contraste oral e venoso: espessamento e hiperrealce acentuados, com alça ileal dilatada antes da estenose inflamatória (seta).
Mulher de 39 anos, TC coronal com contraste oral e venoso: espessamento e hiperrealce acentuados, com alça ileal dilatada antes da estenose inflamatória (seta).
Fonte: Sugi MD et al. RadioGraphics 2018;38(5):1352–1369, Fig. 21. Ver artigo
Crohn com fístula, homem de 68 anos
TC coronal: fístula complexa enteroentérica e enterocólica de aspecto estrelado (*), com massa inflamatória ancorando segmentos de cólon e delgado num ponto cen
TC coronal: fístula complexa enteroentérica e enterocólica de aspecto estrelado (*), com massa inflamatória ancorando segmentos de cólon e delgado num ponto central; alças em alvo e edema mesentérico.
Fonte: Sugi MD et al. RadioGraphics 2018;38(5):1352–1369, Fig. 22. Ver artigo
Perfuração por corpo estranho, confirmada em cirurgia, em duas pacientes
Menina de 16 anos que engoliu um pequeno osso. TC axial sem contraste: densidade linear numa alça do mesogástrio esquerdo (seta), atravessando a parede.
Menina de 16 anos que engoliu um pequeno osso. TC axial sem contraste: densidade linear numa alça do mesogástrio esquerdo (seta), atravessando a parede.
Mulher de 78 anos com dor à direita. TC axial com contraste: osso fino (seta) causando perfuração focal, com edema parietal, densificação da gordura mesentérica
Mulher de 78 anos com dor à direita. TC axial com contraste: osso fino (seta) causando perfuração focal, com edema parietal, densificação da gordura mesentérica e ascite.
Fonte: Sugi MD et al. RadioGraphics 2018;38(5):1352–1369, Fig. 18. Ver artigo
+ complemento · o método dos cinco eixos Para o delgado difusamente anormal, o raciocínio sistemático avalia: realce da parede · extensão acometida · grau de espessamento · proximal × distal · e a camada dominante. Combinado com laboratório e história, é o que transforma o target sign genérico num diagnóstico.

Pontos de prova: alto rendimento

Apendicite: diâmetro> 6 mm · mas até 40% dos normais excedem
Apendicite: parede> 3 mm com hiperrealce
Apendicite: líquido na luz≥ 2,6 mm sem ar: sinal de doença precoce
Ar na luz do apêndiceNão exclui: presente em 31% das confirmadas
Apêndice não vistoFID (fossa ilíaca direita) limpa ~2% de apendicite · FID inflamada sem outra causa ~26%
Apêndice distendido sem ar + calcificação basalMucocele: olhar o ceco
Necrose do apêndiceFalha de realce da parede
Criança/gestanteUS primeiro · RM (SSFSE/HASTE) se inconclusivo · TC ~94/94 ≈ RM com contraste no jovem
TC no adultoSensibilidade 86–100% · especificidade 95–100%
Contraste oral no PS (pronto-socorro)Não é rotina: pode esconder hemorragia e isquemia
Obstrução: critério TCDelgado > 2,5 cm proximal a alças colapsadas
Obstrução: alto grauDiferença de calibre ≥ 50% · distal esvaziado
RX (radiografia) na obstruçãoDiagnóstico em só 50–60%: é triagem
Feces signLocaliza a transição · não gradua gravidade · prevalência 7–8%
Como achar a transiçãoLeitura retrógrada: do reto para o ceco
Aderências50–80% · diagnóstico de exclusão · quase sempre pós-operatórias
Hérnias~10% · internas = diagnóstico radiológico
IntussuscepçãoAlça-dentro-de-alça · só obstrui com lead point
Íleo biliarPneumobilia + cálculo ectópico + obstrução: patognomônico
Hematoma intramuralAnticoagulado · hiperdenso na TC sem contraste · jejuno
Alça fechadaObstrução em 2 pontos · U/C radial · vasos convergentes · beak · whirl
Estrangulamento~10% das obstruções · específico = falta de realce
Pneumatose + gás portalAchados tardios de infarto
Embolia de AMS (artéria mesentérica superior)~50% distal à cólica média · 15% no óstio · parede fina como papel
Trombose venosaParede espessa + edema/ingurgitamento mesentérico
Isquemia: protocoloAngio-TC bifásica (~90% sens) · sem oral positivo
Shock bowelHiperrealce mucoso + cava em fenda + aorta fina: reversível
Angioedema por IECAJejuno estratificado + lactato normal · suspender a droga
VasculiteJovem · território atípico · saca-rolhas · sistêmico
GVHD crônicaAlças “em pasta de dente”
Enterite actínicaConfinada à porta de radiação · íleo terminal primeiro
QuimioterápicosPneumatose sem isquemia: não operar pelo gás

Armadilhas e erros comuns

Erros na apendicite

  • Excluir apendicite porque a luz tem ar
  • Fechar apendicite só pelo diâmetro: 40% dos normais passam de 6 mm
  • Não olhar o ceco no apêndice distendido sem ar (mucocele, obstrução cecal)
  • Chamar periapendicite (gordura inflamada, apêndice normal) de apendicite
  • TC de primeira em criança e gestante: a escada é US → RM

Erros na obstrução

  • Graduar gravidade pelo feces sign: ele só localiza
  • Procurar a aderência na imagem: ela não aparece; o diagnóstico é de exclusão
  • Esquecer de excluir obstrução de cólon antes de laudar delgado
  • Não reconhecer a alça fechada na configuração radial: é ela que estrangula
  • Esperar pneumatose e gás portal para falar em isquemia: são tardios

Erros no delgado difuso

  • Operar shock bowel ou angioedema por IECA como se fosse isquemia oclusiva
  • Operar pneumatose de quimioterápico sem clínica de infarto
  • Esquecer a TC sem contraste no anticoagulado (é nela que o hematoma hiperdenso fica mais evidente)
  • Ler hiperrealce mucoso do lado venoso como “sem isquemia”
  • Ignorar a história de radioterapia na estenose ileal pélvica

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Homem de 31 anos, dor em fossa ilíaca direita há 12 horas. TC com contraste: apêndice de 7 mm, preenchido por ar, parede fina sem hiperrealce, gordura periapendicular limpa, sem líquido. Qual a melhor interpretação?

O diâmetro é o sinal mais citado e o mais traiçoeiro: até 40% dos apêndices normais passam de 6 mm, exatamente quando a luz contém ar ou líquido. Por isso o diagnóstico é a constelação: parede > 3 mm com hiperrealce, líquido intraluminal sem ar (≥ 2,6 mm), gordura borrada, líquido periapendicular. Aqui, tudo isso está ausente, e gordura limpa pesa muito contra.

O ar na luz não confirma nem exclui nada (31% das apendicites confirmadas têm ar). A mucocele é o oposto do caso: apêndice distendido, sem ar, cheio de líquido, às vezes com calcificação curvilínea na base. E a RM não é o próximo passo do adulto com TC adequada: é a saída da gestante e da criança com US inconclusivo.
↑revisar esta parte do caderno · Apendicite
Questão 2

TC de obstrução do delgado sem contraste oral: numa alça dilatada há material particulado misturado a bolhas de gás, simulando conteúdo colônico. O que esse achado significa e para que ele serve?

O small bowel feces sign (prevalência 7–8%) é conteúdo particulado estagnado na alça dilatada. A literatura já tentou usá-lo como marcador de alto grau, mas há estudos associando-o justamente à obstrução subaguda de baixo grau: por isso ele não gradua. O consenso prático: quando presente, está junto do ponto de transição, como uma seta apontando onde procurar a causa.

Pneumatose é gás na parede, não na luz; bezoar é massa ovoide com gás mosqueado no ponto de obstrução (e não se espalha pela alça); e o exame foi feito sem contraste oral. Gravidade se mede por outro par: diferença de calibre ≥ 50% e esvaziamento distal.
↑revisar esta parte do caderno · Obstrução do delgado
Questão 3

Mulher de 58 anos, histerectomia há 4 anos, com obstrução de delgado. Na TC, transição abrupta na pelve, SEM massa, SEM espessamento parietal, SEM inflamação: as alças vizinhas parecem anguladas e tracionadas. Qual a causa mais provável?

Aderências causam 50–80% das obstruções de delgado, quase todas pós-operatórias, e têm uma propriedade única: a banda aderencial não é visível na TC convencional. O diagnóstico é de exclusão: transição abrupta sem massa, sem espessamento, sem inflamação, com angulação/tração das alças vizinhas e cirurgia na história.

Cada alternativa falha num critério: carcinomatose mostraria doença serosal associada; endometriose, nódulo sólido com realce penetrando a parede (e a paciente é histerectomizada); hérnia interna, alças agrupadas em posição anômala protruindo por um defeito; actínica, parede espessa e mesentério retraído em pelve irradiada. Nada disso existe aqui.
↑revisar esta parte do caderno · As causas, pela regra de ouro
Questão 4

Obstrução de delgado com alças em distribuição radial, em U, vasos mesentéricos esticados convergindo para um ponto, bico na transição, e a parede do segmento fechado não realça, com líquido denso no mesentério. Qual a leitura e a conduta?

A configuração radial em U/C com vasos convergentes e bico é a assinatura da alça fechada (obstrução em dois pontos adjacentes: aderência ou hérnia). Sobre ela, o achado que muda tudo é a falta de realce da parede, o sinal específico de estrangulamento; os demais (parede espessa e densa, target, líquido/hemorragia mesentérica) alarmam sem especificar, e pneumatose com gás portal são tardios.

Estrangulamento complica ~10% das obstruções e é exatamente o cenário em que conduta conservadora (sonda + espera) mata. O caso não é sigmoide (alças de delgado radiais) nem baixo débito (que é difuso, sem configuração fechada nem ponto de torção).
↑revisar esta parte do caderno · Alça fechada e estrangulamento
Questão 5

Mulher de 78 anos, fibrilação atrial sem anticoagulação, dor abdominal súbita desproporcional ao exame. TC: alças de delgado dilatadas (> 3 cm) com parede fina como papel, sem realce mucoso. Onde está a causa mais provável e onde procurá-la?

Alças dilatadas com parede fina como papel e sem realce são a face arterial da isquemia: sem sangue chegando, o tônus se perde e a parede afina. O lado venoso é o oposto: parede espessa por edema e hemorragia, com target e mesentério ingurgitado.

A embolia responde por ~metade das isquemias mesentéricas agudas (o arterial todo, por 2/3), e o êmbolo tem endereço preferencial: ~50% alojam-se logo distais à origem da cólica média, 15% no óstio da mesentérica superior. Fibrilação atrial é o motor clássico, e vale procurar trombo cardíaco no campo de visão. O complexo de hipoperfusão faz hiperrealce mucoso (não ausência), e vasculite pede paciente jovem com doença sistêmica.
↑revisar esta parte do caderno · Isquemia mesentérica e hipoperfusão
Questão 6

Mulher de 52 anos, dor abdominal difusa iniciada 2 dias após aumento da dose de lisinopril. TC: longo segmento de jejuno com estratificação mural, alças retificadas, edema interalças e ascite. Lactato e leucócitos normais; abdome flácido. Qual a conduta correta?

O conjunto é a assinatura do angioedema induzido por IECA (lisinopril e enalapril à frente; ~0,3% dos usuários, dias a ANOS após o início): jejuno com estratificação mural, alças retificadas, edema interalças e ascite, com lactato normal e exame abdominal benigno, o contraponto laboratorial que separa da isquemia. O mediador é a bradicinina, que a enzima conversora normalmente degrada.

A conduta é suspender a droga: os sintomas resolvem em poucos dias, e a literatura registra laparotomias brancas em pacientes rotulados de isquemia. Vasculite pediria paciente jovem com doença sistêmica; GVHD pede transplante de medula na história; e a angio-TC caberia se houvesse hiporrealce parietal ou lactato subindo.
↑revisar esta parte do caderno · O espectro do target sign
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Cadernos relacionados

Fontes.
[A] Silva AC, Pimenta M, Guimarães LS. Small Bowel Obstruction: What to Look For. RadioGraphics 2009;29(2):423–439. doi:10.1148/rg.292085514
[B] Sugi MD, Menias CO, Lubner MG, et al. CT Findings of Acute Small-Bowel Entities. RadioGraphics 2018;38(5):1352–1369. doi:10.1148/rg.2018170148
[C] Perera Molligoda Arachchige AS, Teixeira de Castro Gonçalves Ortega AC, Amorim Moreira Alves G. Imaging of appendicitis: computed tomography, magnetic resonance imaging, and ultrasound in diagnosis and management. World J Gastrointest Pathophysiol 2025;16(4):112695. doi:10.4291/wjgp.v16.i4.112695

A obstrução (perguntas, gravidade, transição, causas, alça fechada) vem de [A]; a isquemia, a hipoperfusão e o espectro das enterites vêm de [B]; a apendicite vem de [C]. Conferido em 31/08/2026.

Os diagramas são próprios. Blocos marcados com + complemento são acréscimos do autor, além do texto das fontes.