Cadernos QRad 81 · Tumores Renais da Criança e Neuroblastoma
Pediatria · massa abdominal

Tumores Renais da Criança e Neuroblastoma

Fontes: Chung et al: 2016 e Swift et al: 2018, RadioGraphics

Massa abdominal na criança

Uma criança pequena com massa no flanco quase sempre tem um de dois tumores: o Wilms (nefroblastoma), que responde por 90% dos tumores renais da infância, ou o neuroblastoma, o tumor sólido extracraniano mais comum da infância, que nasce na adrenal ou na cadeia simpática. Os dois têm a mesma idade e o mesmo lugar. O primeiro passo é dizer de que órgão a massa nasce; o segundo, olhar a idade.

IdadePense primeiro em
Feto e primeiros 3 mesesNefroma mesoblástico congênito (rim) · neuroblastoma congênito (adrenal), que muitas vezes regride sozinho
Até 5 anosWilms (75 a 80% antes dos 5 anos, pico aos 2 a 3) · neuroblastoma (mediana de 19 meses)
Segunda décadaCarcinoma de células renais passa a ser mais comum que o Wilms
o sinal da garra Parênquima renal abraçando a massa (a garra) quer dizer que ela nasce do rim. Tumor da adrenal empurra o rim, em geral para baixo, sem garra.

Tumor de Wilms

Nasce do metanefro (o tecido que forma o rim). Costuma chegar como massa sem sintoma, achada pelos pais; dor, hipertensão e hematúria aparecem em 20 a 30%. Quase 12% são multifocais num rim e cerca de 7% são bilaterais. Cerca de 10% têm anaplasia (histologia desfavorável, pior prognóstico).

MétodoWilms
US (triagem)Massa sólida heterogênea com áreas hipoecogênicas e anecoicas (hemorragia, necrose, cistos) · cálcio em 9% · Doppler sensível para extensão à veia cava
TC (fase portal basta)Massa grande, intrarrenal, que realça menos que o rim · necrose e hemorragia antiga · gordura às vezes · macrolobulada, nódulos satélites · cálcio em cerca de 15%
RMHipossinal em T1, sinal igual ou hipersinal em T2 · focos de hipersinal em T1 (hemorragia) · realça menos que o rim · a mais sensível para lesão no outro rim e para extensão venosa (mas exige sedação ou anestesia)
PET (tomografia por emissão de pósitrons) com FDG (fluordesoxiglicose)Não estadia · serve para resposta à quimioterapia e para guiar a biópsia ao tecido ativo · SUV (valor de captação padronizado) maior na anaplasia e em quem responde mal
Wilms, lactente de 12 semanas
US longitudinal: tumor grande, bem delimitado e quase homogêneo (*), discretamente hipoecogênico em relação ao córtex vizinho (seta).
US longitudinal: tumor grande, bem delimitado e quase homogêneo (*), discretamente hipoecogênico em relação ao córtex vizinho (seta).
Fonte: Chung EM, Graeber AR, Conran RM. RadioGraphics 2016;36(2):499–522, Fig. 1. Ver artigo
Wilms com histologia desfavorável, menina de 2 anos
RM T2: cápsula escura (seta); tumor heterogêneo, com áreas de sinal igual ao rim (K), hemorragia com hipossinal (ponta de seta) e cistos.
RM T2: cápsula escura (seta); tumor heterogêneo, com áreas de sinal igual ao rim (K), hemorragia com hipossinal (ponta de seta) e cistos.
T1: sinal igual ao do rim, com hemorragia em hipersinal (ponta de seta).
T1: sinal igual ao do rim, com hemorragia em hipersinal (ponta de seta).
T1 com gadolínio e supressão de gordura: realce difuso, com necrose hemorrágica sem realce (ponta de seta).
T1 com gadolínio e supressão de gordura: realce difuso, com necrose hemorrágica sem realce (ponta de seta).
Fonte: Chung EM, Graeber AR, Conran RM. RadioGraphics 2016;36(2):499–522, Fig. 2. Ver artigo
o que o laudo precisa dizer O outro rim (lesão sincrônica muda o tratamento) · veia renal e cava (4 a 10% se estendem a elas, às vezes até o coração) · linfonodos regionais · órgãos vizinhos · peritônio · metástases. E sinais de ruptura, que sobe o estádio e é difícil de ver antes da cirurgia: margens mal definidas, gordura perirrenal borrada, líquido retroperitoneal, derrame pleural do mesmo lado, líquido peritoneal além do fundo de saco.
Wilms com trombo até o coração, menino de 12 anos
TC com contraste: tumor discretamente heterogêneo (seta branca reta), hipoatenuante em relação ao córtex (seta curva); trombo tumoral na cava, cercado de contra
TC com contraste: tumor discretamente heterogêneo (seta branca reta), hipoatenuante em relação ao córtex (seta curva); trombo tumoral na cava, cercado de contraste (ponta de seta); linfonodo regional aumentado (seta preta).
Angio-TC de tórax: trombo no ventrículo direito (seta) e na artéria do lobo inferior esquerdo (ponta de seta).
Angio-TC de tórax: trombo no ventrículo direito (seta) e na artéria do lobo inferior esquerdo (ponta de seta).
Fonte: Chung EM, Graeber AR, Conran RM. RadioGraphics 2016;36(2):499–522, Fig. 3. Ver artigo
Estádio (NWTSG, EUA)Definição
IRestrito ao rim, cápsula íntegra, ressecado por completo
IIAlém da cápsula (inclusive vasos fora do rim), ressecado por completo
IIITumor residual no abdome, inclusive contaminação do peritônio pela biópsia
IVMetástase hematogênica
VBilateral ao diagnóstico · cada lado é estadiado à parte
+ complemento · Europa × EUA Nos EUA o estádio é cirúrgico: opera primeiro, quimioterapia depois, sem biópsia (a anaplasia pode ser focal e a biópsia cirúrgica conta como extravasamento). Na Europa (SIOP, Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica), a quimioterapia vem antes, para encolher o tumor e reduzir ruptura e sangramento na cirurgia, e o tratamento começa pelo diagnóstico de imagem: a imagem faz o estadiamento inicial. A SIOP é quase igual, mas a biópsia por agulha não sobe o estádio. No Reino Unido se biopsia antes, porque o diagnóstico presumido erra em 5,7 a 12%.
MetástaseO que saber
Pulmão (85%)TC é mais sensível que a radiografia, mas nódulos pequenos podem ser benignos, e quem só tinha nódulo visível na TC não evoluiu diferente com tratamento de doença localizada · TC recomendada na histologia desfavorável e no estádio III
Fígado (20%)O segundo lugar mais comum
OssoRaro no Wilms: pense em sarcoma de células claras

Sobrevida em 5 anos acima de 90% na doença restrita ao abdome; 70% no estádio IV. Recidiva precoce: 15% na histologia favorável, 50% na anaplásica.

Restos nefrogênicos e nefroblastomatose

Restos nefrogênicos são blastema metanéfrico que persiste depois de 36 semanas de gestação; muitos ou difusos formam a nefroblastomatose. São precursores: estão em até 40% dos rins operados por Wilms (contra 1% das necropsias de lactentes), em 30 a 40% dos Wilms e em quase todos os bilaterais. Cerca de 10% dos pacientes com Wilms têm predisposição genética, e o Wilms sindrômico chega mais cedo (mediana de 12 a 15 meses) e é mais vezes bilateral (38% contra 5%).

RestoPerilobarIntralobar
OndePeriférico, no córtex ou nas colunas de BertinCentral (origem mais precoce: o rim cresce do centro para fora)
FrequênciaO tipo mais comumMenos comum, mas transforma mais
GeneWT2 (11p15): síndromes de supercrescimentoWT1 (11p13)
SíndromesBeckwith-Wiedemann, hemi-hipertrofia (o maior risco do grupo, cerca de 3%), Perlman, Sotos, trissomia do 18Aniridia esporádica e WAGR (Wilms, aniridia, anomalias geniturinárias, déficit intelectual; risco de cerca de 33%), Denys-Drash (pseudo-hermafroditismo masculino, glomerulopatia)
Imagem do restoComo aparece
FormaFoco periférico redondo, oval ou irregular, que realça pouco, cercado de rim normal · a forma difusa é uma casca periférica que empurra o rim normal para o centro
USO método menos sensível · rim grande e ecogênico na forma difusa
TCMais sensível: o resto realça menos que o rim · casca grossa com realce estriado
RMHipossinal em T1, sinal igual ou discreto hipersinal em T2 · melhor no T1 com gadolínio · em geral homogêneo
Nefroblastomatose difusa com Wilms, menina de 2 anos
RM coronal T2: casca periférica (setas) com hipossinal em relação ao rim comprimido no centro; o Wilms (ponta de seta) é heterogêneo, com hipersinal e pequenos
RM coronal T2: casca periférica (setas) com hipossinal em relação ao rim comprimido no centro; o Wilms (ponta de seta) é heterogêneo, com hipersinal e pequenos cistos.
T1 com gadolínio: a casca (seta) realça menos que o rim central; o Wilms (ponta de seta) realça menos ainda.
T1 com gadolínio: a casca (seta) realça menos que o rim central; o Wilms (ponta de seta) realça menos ainda.
Fonte: Chung EM, Graeber AR, Conran RM. RadioGraphics 2016;36(2):499–522, Fig. 4. Ver artigo
Resto intralobar, menino de 3 meses com Denys-Drash
US: massa central bem delimitada, discretamente hiperecogênica (pontas de seta), com pequenos cistos anecoicos (setas); K = rim.
US: massa central bem delimitada, discretamente hiperecogênica (pontas de seta), com pequenos cistos anecoicos (setas); K = rim.
RM coronal T2: massa (ponta de seta) com discreto hipossinal, exceto os cistos; edema da parede pela síndrome nefrótica.
RM coronal T2: massa (ponta de seta) com discreto hipossinal, exceto os cistos; edema da parede pela síndrome nefrótica.
Fonte: Chung EM, Graeber AR, Conran RM. RadioGraphics 2016;36(2):499–522, Fig. 5. Ver artigo
Nefroblastomatose difusa, menino de 2 anos
US: várias massas periféricas redondas e ovais (*), hipoecogênicas em relação ao rim central.
US: várias massas periféricas redondas e ovais (*), hipoecogênicas em relação ao rim central.
TC coronal com contraste: as massas (*) são hipoatenuantes e comprimem o rim para o centro.
TC coronal com contraste: as massas (*) são hipoatenuantes e comprimem o rim para o centro.
Fonte: Chung EM, Graeber AR, Conran RM. RadioGraphics 2016;36(2):499–522, Fig. 6. Ver artigo
o resto que vira Wilms No seguimento, crescimento, heterogeneidade ou forma esférica sugerem que o resto virou tumor. Achou nefroblastomatose? Procure a síndrome. E nas síndromes de risco, o rastreio é US a cada 3 meses, dos 6 meses aos 8 anos (quando a incidência de Wilms cai muito).

Nefroma cístico e nefroblastoma cístico

O nefroma cístico e o nefroblastoma cístico parcialmente diferenciado (NCPD) só se separam no microscópio (o NCPD tem blastema nos septos). Formam um espectro com o Wilms, como ganglioneuroma, ganglioneuroblastoma e neuroblastoma. De 3 meses a 4 anos, mais em meninos (2:1); há forma familiar com o blastoma pleuropulmonar cístico (DICER1).

Massa cística multilocularComo é
FormaEncapsulada, bem delimitada, multisseptada, 5 a 10 cm · rim comprimido em volta
SeptosA única parte sólida são septos finos · nenhum nódulo · lóculos de milímetros a 4 cm · lóculos muito pequenos podem parecer sólidos
PelveHérnia para o sistema coletor é característica (pode dar hematúria)
USO melhor para os septos · conteúdo anecoico, algum fluxo nos septos
TC e RMConteúdo igual ou pouco acima da água · cápsula e septos realçam pouco, o líquido não · septos com hipossinal em T1 e T2
CondutaCirurgia cura · poupar néfrons quando se suspeita antes · seguir o NCPD
Nefroma cístico, menina de 11 meses
US: muitos cistos anecoicos no polo inferior esquerdo (seta reta) e calicectasia (seta curva); onde os cistos são minúsculos, a lesão parece sólida (ponta de se
US: muitos cistos anecoicos no polo inferior esquerdo (seta reta) e calicectasia (seta curva); onde os cistos são minúsculos, a lesão parece sólida (ponta de seta).
Doppler colorido: algum fluxo nos septos.
Doppler colorido: algum fluxo nos septos.
TC coronal com contraste: só os septos realçam; hérnia para a pelve (ponta de seta).
TC coronal com contraste: só os septos realçam; hérnia para a pelve (ponta de seta).
Fonte: Chung EM, Graeber AR, Conran RM. RadioGraphics 2016;36(2):499–522, Fig. 7. Ver artigo
Nefroma cístico, criança de 15 meses
RM coronal T2: cistos com sinal de líquido; cápsula e septos com hipossinal (ponta de seta).
RM coronal T2: cistos com sinal de líquido; cápsula e septos com hipossinal (ponta de seta).
T1 com gadolínio: os septos realçam (ponta de seta), o conteúdo dos cistos não.
T1 com gadolínio: os septos realçam (ponta de seta), o conteúdo dos cistos não.
Fonte: Chung EM, Graeber AR, Conran RM. RadioGraphics 2016;36(2):499–522, Fig. 8. Ver artigo
DiferencialPista
Wilms císticoNódulo sólido na parede ou nos septos (só 10% dos Wilms formam cistos)
Hidronefrose graveCistos que se comunicam em volta de um grande central (a pelve)
Rim displásico multicísticoCistos que não se comunicam e substituem o rim todo, sem rim comprimido · diagnóstico pré-natal ou ao nascer (o tumor não aparece no período perinatal)
Displasia cística segmentarRim duplo (ureterocele ectópica ajuda)
Cistos múltiplosDoença renal cística hereditária: examinar os pais
Wilms cístico, menino de 3 anos
US: tumor quase todo cístico (seta reta) com nódulo sólido (ponta de seta); seta curva = rim; S = baço.
US: tumor quase todo cístico (seta reta) com nódulo sólido (ponta de seta); seta curva = rim; S = baço.
TC: massa renal esquerda com densidade de líquido (seta) e nódulo de partes moles (ponta de seta).
TC: massa renal esquerda com densidade de líquido (seta) e nódulo de partes moles (ponta de seta).
Fonte: Chung EM, Graeber AR, Conran RM. RadioGraphics 2016;36(2):499–522, Fig. 9. Ver artigo
+ complemento · Bosniak adaptado para criança Proposta ao US, ainda não validada: tumor cístico multilocular seria classe III (parede e septos de 1 mm ou mais, fluxo no Doppler, talvez cálcio) e o Wilms cístico, classe IV (nódulo ou componente sólido). Classes III e IV ao US seguem para TC ou RM e, confirmado cisto complexo, cirurgia.

Nefroma mesoblástico congênito

É só 3 a 6% dos tumores renais da infância, mas é o mais comum do recém-nascido: quase sempre nos 3 primeiros meses, 90% até 1 ano, cada vez mais visto no pré-natal (desde o 2º trimestre). Depois dos 2 anos, duvide do diagnóstico. Polidrâmnio, hidropisia e parto prematuro em 71%.

TipoClássicoCelular
PacienteMais novoUm pouco mais velho (mais de 3 meses)
EquivalenteFibromatose infantilFibrossarcoma infantil visceral (ETV6-NTRK3)
ImagemHomogêneo, sólido · hilo envolvido sem invadir vasos · sinal do anel no US: halos concêntricos hiper e hipoecogênicos em volta (vasos dilatados) · realce periféricoHeterogêneo, com hemorragia, necrose e cistos · maior, cruza a linha média, às vezes envolve vasos e invade vizinhos
ComportamentoBenignoRecidiva ou metástase (5 a 10%) só nos que têm componente celular
Nefroma mesoblástico clássico, menina de 14 dias
US transversal: tumor quase homogêneo no polo superior, com halo de faixas hipo e hiperecogênicas alternadas (ponta de seta), o sinal do anel.
US transversal: tumor quase homogêneo no polo superior, com halo de faixas hipo e hiperecogênicas alternadas (ponta de seta), o sinal do anel.
TC com contraste: homogêneo, hipoatenuante em relação ao rim, com realce periférico fino (seta).
TC com contraste: homogêneo, hipoatenuante em relação ao rim, com realce periférico fino (seta).
Fonte: Chung EM, Graeber AR, Conran RM. RadioGraphics 2016;36(2):499–522, Fig. 10. Ver artigo
Nefroma mesoblástico clássico, recém-nascido (gestação com polidrâmnio)
RM sagital T2: massa homogênea com discreto hipossinal em relação ao rim (ponta de seta) e hidronefrose (seta).
RM sagital T2: massa homogênea com discreto hipossinal em relação ao rim (ponta de seta) e hidronefrose (seta).
T1 com gadolínio: tumor homogêneo (ponta de seta), com sinal igual ao do outro rim.
T1 com gadolínio: tumor homogêneo (ponta de seta), com sinal igual ao do outro rim.
Fonte: Chung EM, Graeber AR, Conran RM. RadioGraphics 2016;36(2):499–522, Fig. 12. Ver artigo
Nefroma mesoblástico celular, menino de 2 meses
RM T2: quase todo com sinal igual ao do outro rim; cisto com nível líquido-hematócrito (ponta de seta) e halo escuro de hemossiderina em outro (seta).
RM T2: quase todo com sinal igual ao do outro rim; cisto com nível líquido-hematócrito (ponta de seta) e halo escuro de hemossiderina em outro (seta).
T1 coronal: discreto hipossinal em relação ao músculo, com foco central de hemorragia em hipersinal (ponta de seta).
T1 coronal: discreto hipossinal em relação ao músculo, com foco central de hemorragia em hipersinal (ponta de seta).
T1 com gadolínio: realça menos que o rim; cistos sem realce (ponta de seta).
T1 com gadolínio: realça menos que o rim; cistos sem realce (ponta de seta).
Fonte: Chung EM, Graeber AR, Conran RM. RadioGraphics 2016;36(2):499–522, Fig. 11. Ver artigo
Nefroma mesoblástico celular, menino de 1 mês
Doppler colorido: tumor heterogêneo com cistos anecoicos evidentes (ponta de seta).
Doppler colorido: tumor heterogêneo com cistos anecoicos evidentes (ponta de seta).
TC com contraste: cisto grande com densidade de líquido na parte medial da massa (ponta de seta); seta = rim.
TC com contraste: cisto grande com densidade de líquido na parte medial da massa (ponta de seta); seta = rim.
Fonte: Chung EM, Graeber AR, Conran RM. RadioGraphics 2016;36(2):499–522, Fig. 13. Ver artigo
Wilms ou mesoblástico? Na imagem o mesoblástico celular e o Wilms são iguais. O que decide é a idade (lactente pequeno: mesoblástico). Tumores bilaterais, invasão venosa ou metástase pulmonar falam a favor do Wilms. Neuroblastoma congênito cruza a linha média, envolve vasos, entra no canal e quase sempre calcifica.

Tratamento: nefrectomia com margem ampla (as bordas são infiltrativas). Melhor prognóstico se operado antes dos 6 meses; sobrevida bem acima de 90%. No tipo celular, US de controle por 1 ano (quase todas as recidivas são no primeiro ano).

Sarcoma de células claras, rabdoide e outros

TumorQuemPista de imagem
Sarcoma de células claras4 a 5% · o 2º maligno renal · média de 36 meses, raro antes dos 6 meses · meninos (2:1)Sólido heterogêneo com cistos · cálcio infrequente · linfonodos em 30% · metástase óssea (13 a 20% ao diagnóstico; lítica, esclerótica ou mista): cintilografia óssea depois do diagnóstico
Tumor rabdoideMenos de 2% · média de 11 meses, 80% antes dos 2 anos · o pior prognósticoColeção subcapsular em crescente (71% contra 12% dos outros) · lobulado, central (medular), invade hilo e pelve · cálcio em 66%, curvilíneo, desenhando os lóbulos · tumor cerebral sincrônico em 15% (fossa posterior)
Tumor renal ossificante da infânciaRaríssimo, benigno, meninos, até 30 meses, hematúriaPreso à papila, cresce para dentro da pelve · parece cálculo coraliforme: muito ecogênico com sombra, mas realça e tem fluxo
LinfomaBurkitt, depois dos 5 anosMassas corticais hipoecogênicas ou hipoatenuantes bilaterais, rim com a forma preservada · linfonodos ou massa mediastinal
Carcinoma de células renaisVon Hippel-Lindau na 1ª décadaParece Wilms
AngiomiolipomaEsclerose tuberosaGordura e áreas de realce intenso
Sarcoma de células claras, menina de 2 anos
TC: massa grande (seta branca) hipoatenuante em relação ao outro rim, com pequenas calcificações e necrose sem realce (ponta de seta); linfonodos (*) afastam a
TC: massa grande (seta branca) hipoatenuante em relação ao outro rim, com pequenas calcificações e necrose sem realce (ponta de seta); linfonodos (*) afastam a cava, desviada para a esquerda (seta preta), da aorta.
RM T2: quase toda com hipersinal, septos escuros (seta); pequenos cistos mediais (ponta de seta); linfonodos (*).
RM T2: quase toda com hipersinal, septos escuros (seta); pequenos cistos mediais (ponta de seta); linfonodos (*).
T1 com gadolínio: tumor e linfonodos (*) realçam menos que o rim; cistos sem realce (ponta de seta).
T1 com gadolínio: tumor e linfonodos (*) realçam menos que o rim; cistos sem realce (ponta de seta).
RM coronal T2: tumor posterior no rim direito (seta) e fratura vertebral torácica por metástase (ponta de seta).
RM coronal T2: tumor posterior no rim direito (seta) e fratura vertebral torácica por metástase (ponta de seta).
Fonte: Chung EM, Graeber AR, Conran RM. RadioGraphics 2016;36(2):499–522, Fig. 14. Ver artigo
Sarcoma de células claras quase todo cístico, menina de 10 meses
Doppler colorido: focos císticos anecoicos num tumor sólido (ponta de seta), com pouco fluxo.
Doppler colorido: focos císticos anecoicos num tumor sólido (ponta de seta), com pouco fluxo.
TC com contraste: tumor do rim direito (seta reta) quase todo cístico, com densidade próxima da água; seta curva = rim.
TC com contraste: tumor do rim direito (seta reta) quase todo cístico, com densidade próxima da água; seta curva = rim.
Fonte: Chung EM, Graeber AR, Conran RM. RadioGraphics 2016;36(2):499–522, Fig. 15. Ver artigo
Tumor rabdoide, menino de 6 meses
Doppler colorido: ecotextura heterogênea (seta), com algum fluxo.
Doppler colorido: ecotextura heterogênea (seta), com algum fluxo.
TC: massa discretamente heterogênea (seta) que realça menos que o rim (ponta de seta).
TC: massa discretamente heterogênea (seta) que realça menos que o rim (ponta de seta).
Fonte: Chung EM, Graeber AR, Conran RM. RadioGraphics 2016;36(2):499–522, Fig. 16. Ver artigo
coleção subcapsular não fecha rabdoide Ela sugere rabdoide, mas o rabdoide é raro: um tumor com coleção subcapsular ainda é, mais provavelmente, um Wilms. O achado que fecha é o tumor cerebral. A neuroimagem não é rotina antes da cirurgia: faça se houver sintoma neurológico e depois, se o diagnóstico for rabdoide.
Tumor rabdoide, menino de 11 semanas
RM T2: massa renal esquerda discretamente heterogênea (seta reta) com crescente de líquido em volta (ponta de seta); seta curva = rim.
RM T2: massa renal esquerda discretamente heterogênea (seta reta) com crescente de líquido em volta (ponta de seta); seta curva = rim.
RM com gadolínio: tumor da fossa posterior (seta) com realce discreto e necrose central; hidrocefalia.
RM com gadolínio: tumor da fossa posterior (seta) com realce discreto e necrose central; hidrocefalia.
Fonte: Chung EM, Graeber AR, Conran RM. RadioGraphics 2016;36(2):499–522, Fig. 17. Ver artigo
Tumor renal ossificante, menino de 3 semanas com hematúria
US: massa discretamente hiperecogênica (seta) com foco muito hiperecogênico e sombra (ponta de seta).
US: massa discretamente hiperecogênica (seta) com foco muito hiperecogênico e sombra (ponta de seta).
TC coronal com contraste: massa heterogênea no polo superior (seta) com espículas de cálcio (ponta de seta).
TC coronal com contraste: massa heterogênea no polo superior (seta) com espículas de cálcio (ponta de seta).
Fonte: Chung EM, Graeber AR, Conran RM. RadioGraphics 2016;36(2):499–522, Fig. 18. Ver artigo
infecção que parece tumor Pielonefrite focal com efeito de massa (nefrite bacteriana aguda) também realça menos que o rim, e o abscesso parece tumor necrótico. A favor de infecção: febre, dor no flanco (o Wilms não dói), sintoma urinário, realce estriado, áreas em cunha.

Neuroblastoma

Tumor do sistema nervoso simpático, da crista neural, no mesmo espectro do ganglioneuroblastoma e do ganglioneuroma. É o câncer mais diagnosticado no lactente (41% nos 3 primeiros meses, mediana de 19 meses) e responde por cerca de 15% das mortes por câncer na infância. Quem é diagnosticado antes de 1 ano vive mais.

Onde nasce%
Adrenal46%
Abdome fora da adrenal18%
Mediastino posterior14%
Pescoço, pelve, outrosO resto
Neuroblastoma de alto risco, menina de 10 anos
TC coronal: massa grande, de realce heterogêneo, na adrenal direita (pontas de seta); adrenal esquerda normal (círculo).
TC coronal: massa grande, de realce heterogêneo, na adrenal direita (pontas de seta); adrenal esquerda normal (círculo).
Fonte: Swift CC, Eklund MJ, Kraveka JM, Alazraki AL. RadioGraphics 2018;38(2):566–580, Fig. 2. Ver artigo
Neuroblastoma estádio IV de risco intermediário, menina de 5 meses com fígado grande
US: inúmeras massas substituindo o fígado (pontas de seta).
US: inúmeras massas substituindo o fígado (pontas de seta).
TC coronal: incontáveis metástases hipoatenuantes, de realce heterogêneo, num fígado muito aumentado.
TC coronal: incontáveis metástases hipoatenuantes, de realce heterogêneo, num fígado muito aumentado.
Fonte: Swift CC, Eklund MJ, Kraveka JM, Alazraki AL. RadioGraphics 2018;38(2):566–580, Fig. 3. Ver artigo
Neuroblastoma × WilmsNeuroblastomaWilms
OrigemAdrenal, empurra o rimRim, sinal da garra
Cálcio na TC80 a 90%Cerca de 15%
VasosEnvolve e desloca (não invade)Invade veia renal e cava
Linha médiaCruza, sobretudo atrás da aortaRaro
Canal vertebralEntra pelos foramesNão
MetástaseOsso, medula, fígado, pelePulmão, fígado
ApresentaçãoO que saber
AbdomeMassa, distensão, constipação, hipertensão (compressão dos vasos renais)
ParavertebralEntra no canal: dor, déficit motor ou sensitivo, Horner · tórax: escoliose, compressão de via aérea
Olhos de guaxinimMetástase orbitária com equimose e proptose · confundida com maus-tratos ou coagulopatia
Opsoclonia-mioclonia2 a 3% · movimentos oculares caóticos, abalos, ataxia (autoimune) · tumor pequeno, bom para cirurgia · até 69% ficam com sequela, mesmo sem tumor
VIP (peptídeo intestinal vasoativo)Diarreia aquosa e distúrbio eletrolítico, resolve com a ressecção
Neuroblastoma no canal, menina de 16 meses que parou de andar
RM coronal T2: massa paravertebral torácica baixa à direita passando por vários forames (pontas de seta).
RM coronal T2: massa paravertebral torácica baixa à direita passando por vários forames (pontas de seta).
RM axial T2: invade e comprime o canal (seta).
RM axial T2: invade e comprime o canal (seta).
Fonte: Swift CC, Eklund MJ, Kraveka JM, Alazraki AL. RadioGraphics 2018;38(2):566–580, Fig. 4. Ver artigo
Olhos de guaxinim: menina de 22 meses com proptose, inchaço e equimose à esquerda
TC (janela óssea): lesão na parede lateral da órbita esquerda (círculo) com componente de partes moles comprimindo o cone.
TC (janela óssea): lesão na parede lateral da órbita esquerda (círculo) com componente de partes moles comprimindo o cone.
RM T1 com contraste: infiltração extraconal e proptose (pontas de seta); erosão das lâminas pterigoides e invasão dos seios posteriores.
RM T1 com contraste: infiltração extraconal e proptose (pontas de seta); erosão das lâminas pterigoides e invasão dos seios posteriores.
TC coronal (janela óssea): base do crânio acometida (pontas de seta) e lesão no ramo esquerdo da mandíbula (círculo).
TC coronal (janela óssea): base do crânio acometida (pontas de seta) e lesão no ramo esquerdo da mandíbula (círculo).
Fonte: Swift CC, Eklund MJ, Kraveka JM, Alazraki AL. RadioGraphics 2018;38(2):566–580, Fig. 5. Ver artigo
Opsoclonia-mioclonia, menina de 27 meses com ataxia, tremor e emagrecimento
TC: massa de partes moles de 2,3 cm entre o rim direito e a aorta (pontas de seta): o tumor é pequeno.
TC: massa de partes moles de 2,3 cm entre o rim direito e a aorta (pontas de seta): o tumor é pequeno.
Fonte: Swift CC, Eklund MJ, Kraveka JM, Alazraki AL. RadioGraphics 2018;38(2):566–580, Fig. 6. Ver artigo
Opsoclonia-mioclonia, menina de 14 meses
US sagital: massa pararrenal esquerda (pontas de seta) com calcificações puntiformes.
US sagital: massa pararrenal esquerda (pontas de seta) com calcificações puntiformes.
Fonte: Swift CC, Eklund MJ, Kraveka JM, Alazraki AL. RadioGraphics 2018;38(2):566–580, Fig. 7. Ver artigo
o diagnóstico Histologia inequívoca, ou células tumorais na medula óssea (aspirado de dois lugares) com catecolaminas urinárias altas (ácido vanilmandélico e homovanílico, elevados em cerca de 75%). Genética entra no risco: amplificação do MYCN (cerca de 20%) é doença avançada e pior prognóstico; perdas de 1p36 e 11q e ganho de 17q também pioram; hiperdiploidia é melhor abaixo de 18 meses.
MétodoPapel
USPrimeiro exame · massa sólida heterogênea, cálcio em 30 a 90%, rim deslocado para baixo · Doppler: vasos envolvidos ou deslocados
TCRápida, melhor para cálcio
RMMelhor para o canal vertebral, sem radiação · muitas vezes as duas, no tumor paravertebral
+ complemento · o neuroblastoma congênito Massa adrenal no pré-natal: neuroblastoma, hemorragia adrenal ou sequestro pulmonar extralobar. Mais de 90% dos congênitos são adrenais (35% depois do nascimento), com fluxo e cálcio, quase sempre favoráveis, e muitos regridem sozinhos no 1º ano: a conduta pode ser só observar. Rastrear lactentes não reduziu a mortalidade.
Neuroblastoma congênito, massa adrenal vista no pré-natal
US no 23º dia: massa adrenal esquerda heterogênea de 3,5 cm, pouco vascularizada (pontas de seta).
US no 23º dia: massa adrenal esquerda heterogênea de 3,5 cm, pouco vascularizada (pontas de seta).
SPECT-TC (tomografia por emissão de fóton único acoplada à TC) com MIBG (metaiodobenzilguanidina) com 1 mês: a massa capta (seta).
SPECT-TC (tomografia por emissão de fóton único acoplada à TC) com MIBG (metaiodobenzilguanidina) com 1 mês: a massa capta (seta).
US com 2 meses: menor (pontas de seta).
US com 2 meses: menor (pontas de seta).
US 4 meses e meio depois: sem massa. Só observação, sem tratamento.
US 4 meses e meio depois: sem massa. Só observação, sem tratamento.
Fonte: Swift CC, Eklund MJ, Kraveka JM, Alazraki AL. RadioGraphics 2018;38(2):566–580, Fig. 8. Ver artigo

Estadiamento pela imagem: INRGSS e IDRF

O INSS (International Neuroblastoma Staging System) é pós-cirúrgico. O INRGSS (International Neuroblastoma Risk Group Staging System, 2008) é feito antes do tratamento, pela imagem: TC ou RM do tumor primário para os fatores de risco definidos por imagem (IDRF) e MIBG obrigatória. Os dois são usados em paralelo.

INRGSSDefinição
L1Localizado, sem IDRF, num só compartimento
L2Locorregional com um ou mais IDRF
MMetástase à distância
MSMetástase só em pele, fígado e/ou medula óssea, abaixo de 18 meses (o 4S do INSS ia até 12)
TermoÉ IDRF?
Envolvimento (mais de 50% da circunferência do vaso)Sim
Contato (menos de 50%)Não
Vaso achatado, com luz visívelNão
Infiltração (sem plano de gordura com a estrutura vizinha)Sim
RegiãoIDRF
Dois compartimentosPescoço-tórax, tórax-abdome, abdome-pelve, do mesmo lado
PescoçoEnvolve carótida, vertebral ou jugular interna · chega à base do crânio · comprime a traqueia
Transição cervicotorácicaEnvolve raízes do plexo braquial, subclávia, vertebral ou carótida · comprime a traqueia
TóraxEnvolve a aorta ou ramos maiores · comprime traqueia ou brônquios principais · tumor do mediastino inferior que infiltra a junção costovertebral de T9 a T12
ToracoabdominalEnvolve aorta ou cava
Abdome e pelveInfiltra o hilo hepático ou o ligamento hepatoduodenal · envolve ramos da mesentérica superior na raiz do mesentério, a origem do tronco celíaco ou da mesentérica · invade o pedículo renal · envolve aorta, cava ou ilíacas · tumor pélvico que cruza a incisura isquiática
Canal vertebralOcupa mais de 1/3 do canal no axial, apaga os espaços leptomeníngeos ou altera o sinal da medula
ÓrgãosInfiltra pericárdio, diafragma, rim, fígado, bloco duodenopancreático, mesentério
Exemplos de IDRF
RM coronal T2 (o caso dos olhos de guaxinim): tumor chega à base do crânio (pontas de seta) e envolve a carótida esquerda (seta); os dois são IDRF.
RM coronal T2 (o caso dos olhos de guaxinim): tumor chega à base do crânio (pontas de seta) e envolve a carótida esquerda (seta); os dois são IDRF.
RM axial T2: envolvimento da aorta torácica (* branco, pontas de seta); pequeno derrame pleural à direita (* preto), anotado mas não é IDRF.
RM axial T2: envolvimento da aorta torácica (* branco, pontas de seta); pequeno derrame pleural à direita (* preto), anotado mas não é IDRF.
TC de tórax: tumor que envolve e comprime os brônquios principais (pontas de seta), IDRF.
TC de tórax: tumor que envolve e comprime os brônquios principais (pontas de seta), IDRF.
TC de abdome: envolvimento (pontas de seta) da mesentérica superior (setas); * = aorta.
TC de abdome: envolvimento (pontas de seta) da mesentérica superior (setas); * = aorta.
TC axial: massa grande no quadrante superior direito envolvendo a artéria renal direita (setas), a cava (*) e a aorta (ponta de seta).
TC axial: massa grande no quadrante superior direito envolvendo a artéria renal direita (setas), a cava (*) e a aorta (ponta de seta).
TC coronal: a mesma massa infiltra o fígado (pontas de seta). Todos são IDRF.
TC coronal: a mesma massa infiltra o fígado (pontas de seta). Todos são IDRF.
Fonte: Swift CC, Eklund MJ, Kraveka JM, Alazraki AL. RadioGraphics 2018;38(2):566–580, Fig. 14. Ver artigo
registre, mas não conte Tumor primário multifocal, derrame pleural e ascite (com ou sem células malignas) são anotados no laudo, mas não são IDRF. E cruzar a linha média não conta mais para o estadiamento.

MIBG, RM de corpo inteiro e risco

ExamePapel no neuroblastoma
MIBG (¹²³I, imagem em 24 h)Análogo da noradrenalina, captado em até 90% · o exame de escolha para metástases (muito específico) · SPECT-TC localiza melhor · captação fisiológica: glândulas salivares, orofaringe, fígado, coração, bexiga
RM de corpo inteiroSem radiação, numa sedação · mais sensível que a MIBG para osso, menos específica (doença tratada × ativa) · mais usada no seguimento
PET-TC com FDGTumor que não capta MIBG ou discordância entre MIBG e anatomia · complementa em partes moles
Cintilografia ósseaQuando o tumor não capta MIBG · captação metafisária difusa e simétrica, fácil de passar como normal
Análogos da somatostatina⁶⁸Ga-DOTATATE: mais resolução, num dia só · ¹¹¹In-pentetreotida ficou para trás
MIBG ao diagnóstico, menina de 4 anos
Corpo inteiro com ¹²³I-MIBG em 24 h: massa adrenal esquerda (*) e metástases ósseas difusas (pontas de seta). Captação normal nas glândulas salivares, orofaring
Corpo inteiro com ¹²³I-MIBG em 24 h: massa adrenal esquerda (*) e metástases ósseas difusas (pontas de seta). Captação normal nas glândulas salivares, orofaringe, fígado, coração e bexiga.
SPECT-TC: melhor localização (*, pontas de seta).
SPECT-TC: melhor localização (*, pontas de seta).
Fonte: Swift CC, Eklund MJ, Kraveka JM, Alazraki AL. RadioGraphics 2018;38(2):566–580, Fig. 11. Ver artigo
RM de corpo inteiro, menino de 3 anos
STIR (short tau inversion recovery, sequência com supressão de gordura por inversão) coronal: massa grande no mediastino superior esquerdo (*), metástases ósseas nos úmeros proximais, no fêmur direito e na tíbia direita (pontas de seta) e l
STIR (short tau inversion recovery, sequência com supressão de gordura por inversão) coronal: massa grande no mediastino superior esquerdo (*), metástases ósseas nos úmeros proximais, no fêmur direito e na tíbia direita (pontas de seta) e linfonodos cervicais à esquerda.
Fonte: Swift CC, Eklund MJ, Kraveka JM, Alazraki AL. RadioGraphics 2018;38(2):566–580, Fig. 9. Ver artigo
Neuroblastoma refratário, menino de 3 anos e meio
MIBG (projeção de intensidade máxima): várias metástases ósseas (pontas de seta).
MIBG (projeção de intensidade máxima): várias metástases ósseas (pontas de seta).
RM sagital T1: lesões ósseas multifocais (pontas de seta).
RM sagital T1: lesões ósseas multifocais (pontas de seta).
RM coronal STIR: as mesmas lesões.
RM coronal STIR: as mesmas lesões.
PET-TC com FDG: doença ativa em alguns focos (pontas de seta).
PET-TC com FDG: doença ativa em alguns focos (pontas de seta).
PET (projeção de intensidade máxima): outros focos não captam, doença já tratada.
PET (projeção de intensidade máxima): outros focos não captam, doença já tratada.
Fonte: Swift CC, Eklund MJ, Kraveka JM, Alazraki AL. RadioGraphics 2018;38(2):566–580, Fig. 10. Ver artigo
Neuroblastoma que não capta MIBG
MIBG: sem captação anormal.
MIBG: sem captação anormal.
Cintilografia óssea: captação metafisária difusa discreta (pontas de seta), sobretudo nos fêmures e úmeros proximais, padrão difícil de reconhecer.
Cintilografia óssea: captação metafisária difusa discreta (pontas de seta), sobretudo nos fêmures e úmeros proximais, padrão difícil de reconhecer.
PET-TC com FDG: massa retroperitoneal esquerda (*), metástases hepáticas (pontas de seta) e foco vertebral torácico (seta): tumor viável.
PET-TC com FDG: massa retroperitoneal esquerda (*), metástases hepáticas (pontas de seta) e foco vertebral torácico (seta): tumor viável.
Fonte: Swift CC, Eklund MJ, Kraveka JM, Alazraki AL. RadioGraphics 2018;38(2):566–580, Fig. 13. Ver artigo
Escore de CurieComo se conta
Segmentos9 esqueléticos + 1 de partes moles
Nota por segmento0 sem lesão · 1 um foco · 2 dois ou mais focos, menos de 50% do segmento · 3 mais de 50%
Máximo30
PrognósticoCurie de 2 ou mais no fim da indução no alto risco: sobrevida livre de evento de cerca de 15%, contra 46% abaixo de 2
Escore de Curie na MIBG
Menina de 14 meses com opsoclonia-mioclonia: captação paravertebral esquerda isolada (ponta de seta), Curie 1.
Menina de 14 meses com opsoclonia-mioclonia: captação paravertebral esquerda isolada (ponta de seta), Curie 1.
Menina de 22 meses: captação extensa (calota frontal direita, esfenoide, mandíbula esquerda, fêmures, partes moles do abdome e da pelve; pontas de seta), Curie
Menina de 22 meses: captação extensa (calota frontal direita, esfenoide, mandíbula esquerda, fêmures, partes moles do abdome e da pelve; pontas de seta), Curie 12.
Fonte: Swift CC, Eklund MJ, Kraveka JM, Alazraki AL. RadioGraphics 2018;38(2):566–580, Fig. 12. Ver artigo
RiscoTratamentoSobrevida livre de evento
BaixoCirurgia (ressecção completa muitas vezes desnecessária) · congênito: observarMais de 95%
IntermediárioQuimioterapia, às vezes antes da cirurgia80 a 95%
AltoQuimioterapia, cirurgia, alta dose com resgate de células-tronco, radioterapia, imunoterapia anti-GD2 (dinutuximabe)Abaixo de 50% historicamente; 66% em 2 anos com dinutuximabe
+ complemento · tratar com o que se usa para ver ¹³¹I-MIBG terapêutica (resposta de até 66% no alto risco novo e 37% na recidiva; efeitos: mielossupressão, hipertensão transitória, tireoide), e a MIBG diagnóstica é que diz quem pode receber. ¹⁷⁷Lu-DOTATATE está em estudo no tumor refratário.

Pontos de prova: alto rendimento

Rim × adrenalSinal da garra = rim
Recém-nascidoNefroma mesoblástico
Wilms90% · pico 2–3 anos · cálcio ~15%
Wilms: laudoOutro rim, veia renal e cava, ruptura
Wilms: metástasePulmão 85%, fígado 20%
NWTSG (National Wilms Tumor Study Group)Estádio cirúrgico · biópsia = III
SIOPQuimioterapia antes da cirurgia
Restos bilateraisQuase todo Wilms bilateral
PerilobarPeriférico · Beckwith-Wiedemann, hemi-hipertrofia
IntralobarCentral · WT1, aniridia, WAGR (33%)
RastreioUS a cada 3 meses, 6 meses a 8 anos
Resto virando tumorCresce, heterogêneo, esférico
Nefroma císticoSó septos, sem nódulo · hérnia na pelve
Nódulo sólidoWilms cístico
Displásico multicísticoSem rim comprimido, pré-natal
Mesoblástico clássicoSinal do anel
Mesoblástico celularFibrossarcoma infantil · heterogêneo
Células clarasMetástase óssea
RabdoideCrescente subcapsular, tumor cerebral
OssificanteParece coraliforme, mas realça
Linfoma renalMassas corticais bilaterais
NeuroblastomaAdrenal 46% · cálcio 80–90%
VasosNeuroblastoma envolve · Wilms invade
Olhos de guaxinimNão é maus-tratos
Opsoclonia-miocloniaTumor pequeno
MYCNAmplificado = pior
INRGSSAntes do tratamento · L1, L2, M, MS
MS< 18 meses · pele, fígado, medula
Envolvimento> 50% = IDRF
Derrame e asciteAnotar, não é IDRF
MIBGEscolha para metástase · 24 h
Curie≥ 2 no fim da indução = pior
CongênitoPode regredir: observar

Armadilhas e erros comuns

Erros

  • Esquecer de olhar o outro rim e a cava no Wilms
  • Chamar de Wilms uma massa adrenal que empurra o rim
  • Chamar de nefroma cístico uma massa cística com nódulo sólido
  • Fechar rabdoide só pela coleção subcapsular
  • Confundir tumor ossificante com cálculo coraliforme
  • Pensar em Wilms num recém-nascido antes do mesoblástico
  • Atribuir olhos roxos a maus-tratos sem procurar neuroblastoma
  • Contar contato vascular (menos de 50%) ou derrame como IDRF
  • Esquecer o canal vertebral no tumor paravertebral

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Criança de 3 anos com massa renal sólida à direita na TC. Qual item é o mais importante no laudo para o planejamento?

No Wilms, o laudo precisa olhar o outro rim (lesão sincrônica muda o tratamento, e cerca de 7% são bilaterais) e a veia renal e a cava (extensão em 4 a 10%, às vezes até o coração), além de linfonodos, peritônio, sinais de ruptura e metástases. O cálcio aparece em só cerca de 15%.
↑revisar esta parte do caderno · Tumor de Wilms
Questão 2

Criança com aniridia esporádica. Sobre o risco de Wilms e o seguimento, é correto:

A aniridia esporádica e a WAGR se ligam ao WT1 e aos restos intralobares (centrais), que transformam mais: risco de cerca de 33%. O rastreio é por US a cada 3 meses, dos 6 meses aos 8 anos. Os perilobares e o WT2 são das síndromes de supercrescimento (hemi-hipertrofia, cerca de 3%).
↑revisar esta parte do caderno · Restos nefrogênicos e nefroblastomatose
Questão 3

Massa renal multisseptada de 8 cm num menino de 2 anos, herniando para a pelve. Qual achado tornaria o nefroma cístico improvável?

No nefroma cístico e no nefroblastoma cístico parcialmente diferenciado, a única parte sólida são septos finos, sem nódulo. Nódulo sólido aponta para Wilms cístico. Septos com realce e fluxo, lóculos variados e rim comprimido em volta são esperados.
↑revisar esta parte do caderno · Nefroma cístico e nefroblastoma cístico
Questão 4

Recém-nascido de 10 dias com massa renal sólida homogênea e halos concêntricos hiper e hipoecogênicos em volta no US. O diagnóstico mais provável é:

O nefroma mesoblástico é o tumor renal mais comum do recém-nascido, e o sinal do anel (halos concêntricos, que são vasos dilatados) é característico do tipo clássico, homogêneo. O sarcoma de células claras é raro antes dos 6 meses.
↑revisar esta parte do caderno · Nefroma mesoblástico congênito
Questão 5

Massa renal sólida de 7 cm numa criança de 3 anos, com fratura vertebral patológica. Qual tumor fica mais provável?

O sarcoma de células claras do rim (média de 36 meses) é conhecido pela metástase óssea, rara no Wilms. Depois do diagnóstico, faz-se cintilografia óssea. Tumor cerebral sincrônico, por outro lado, aponta para o rabdoide.
↑revisar esta parte do caderno · Sarcoma de células claras, rabdoide e outros
Questão 6

Neuroblastoma adrenal localizado. Qual achado é um fator de risco definido por imagem (IDRF)?

Envolvimento (mais de 50% da circunferência) da origem do tronco celíaco ou da mesentérica superior é IDRF e faz o tumor L2. Contato com menos de 50% não é. Derrame pleural e ascite são anotados, mas não contam, e cruzar a linha média deixou de importar no INRGSS.
↑revisar esta parte do caderno · Estadiamento pela imagem: INRGSS e IDRF
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Fontes.
Chung EM, Graeber AR, Conran RM. Renal Tumors of Childhood: Radiologic-Pathologic Correlation Part 1. The 1st Decade. RadioGraphics 2016;36(2):499–522. doi:10.1148/rg.2016150230
Swift CC, Eklund MJ, Kraveka JM, Alazraki AL. Updates in Diagnosis, Management, and Treatment of Neuroblastoma. RadioGraphics 2018;38(2):566–580. doi:10.1148/rg.2018170132

As peças cirúrgicas e as lâminas de histologia do primeiro artigo ficaram de fora (o caderno é de imagem). Os números de cálcio variam conforme a fonte e o método (no neuroblastoma, 80 a 90% na TC e 30 a 90% no US). Conferido em 07/10/2026.

Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das mesmas fontes.