o que mudou desde esta referência · conferido em 2026-09-29
TNM9 do carcinoma de orofaringe HPV+ (AJCC/UICC, 2026)muda o N, não o T
O T0 deste caderno (linfonodo p16+ com primário oculto fecha orofaringe) vem da 8ª edição e segue no TNM9 (9ª edição do estadiamento TNM, de tumor, linfonodo e metástase, da AJCC, American Joint Committee on Cancer, e da UICC, Union for International Cancer Control), que não muda as categorias cT. O que muda é o N:
cN: a extensão extranodal na imagem (iENE), quando inequívoca, sobe o paciente uma categoria. Linfonodo ipsilateral ≤ 6 cm com iENE passa a cN2; bilateral ≤ 6 cm com iENE, a cN3.
iENE é o sinal radiológico inequívoco de extensão além da cápsula (gordura perinodal, pele, músculo, estruturas neurovasculares) ou a massa conglomerada de dois ou mais linfonodos sem planos entre eles.
pN: entra a extensão extranodal patológica (pENE). O pN1 se divide em N1a (1 linfonodo) e N1b (2 a 4), ambos sem pENE.
p16 segue como marcador (> 70% das células, intensidade moderada a forte). O teste específico de HPV (papilomavírus humano) é recomendado em seis cenários, entre eles p16 equívoco (50–70%) e discordância com a morfologia. Quando p16 e HPV discordam, o caso é estadiado como HPV-independente.
Evans M, Huang SH, Ho AS, et al. HPV-Associated Oropharyngeal Squamous Cell Carcinoma: Key Updates to the AJCC/UICC TNM9 Staging System. Ann Surg Oncol. 2026;33:4905–4910. doi:10.1245/s10434-026-19496-2
Dois plantões num caderno só
Este caderno trança duas pontas do pescoço: a emergência pediátrica não traumática de cabeça e pescoço (o território do plantonista, onde variantes do desenvolvimento e lesões congênitas mudam todos os diferenciais) e o linfonodo
cervical metastático de primário desconhecido, o problema detetivesco do adulto em que
a distribuição e a cara do linfonodo apontam onde procurar o tumor.
as modalidades do plantão pediátricoUS e TC com contraste são a primeira linha. A radiografia fica para a via
aérea (crupe, epiglotite, corpo estranho); o US resolve o superficial palpável sem
sedar e sem irradiar; a TC com contraste é o cavalo de batalha das infecções profundas; a
RM entra nas complicações intracranianas, na neurite óptica e na osteomielite, pagando o preço da sedação. Protocolos pediátricos de TC reduzem dose (ALARA: as low as reasonably achievable, tão baixa quanto razoavelmente possível).
+ complemento · por que juntar os dois temas
Os dois artigos dividem o mesmo palco anatômico e a mesma pergunta de laudo: que
espaço é este, e o que mora nele? Quem domina os espaços profundos do pescoço na
criança já tem meio caminho para mapear níveis linfonodais no adulto.
Órbita: do pré-septal ao compartimento
A pergunta que o plantão faz é uma: a infecção está antes ou depois do septo
orbitário? Antes, é celulite pré-septal: antibiótico oral e alta. Depois, é doença pós-septal: antibiótico venoso e, se houver coleção, o cirurgião.
Celulite orbitária, criança de 7 anos com dor e edema no olho
TC axial com contraste: edema acentuado de partes moles pré-septais, com sutil densificação da gordura atrás do septo orbitário (OS, linha pontilhada).TC sagital com contraste: abscesso subperiosteal lenticular com realce periférico (seta) ao longo do teto da órbita, com densificação da gordura extraconal pós-septal em volta.
Fonte: Foust AM et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240027, Fig. 1. Ver artigo
Dacriocistite, criança com edema medial do olho
TC axial com contraste: coleção com realce periférico no canto medial (seta) e celulite pré-septal adjacente (pontas de seta). O canto medial separa a dacriocistite do abscesso subperiosteal de origem sinusal, que fica mais posterior, na órbita superomedial.
Fonte: Foust AM et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240027, Fig. 2. Ver artigo
Proptose em dois pacientes
TC axial com contraste, menino de 14 anos com fraturas da base do crânio: proptose acentuada, estiramento do nervo óptico (ON) e angulação do polo posterior do globo, o sinal da "palheta de violão" (seta).RM axial T1 pós-contraste com supressão de gordura, menina de 7 anos com inflamação orbitária idiopática: proptose direita, inflamação intraorbitária bilateral, maior à direita, e realce dos músculos extraoculares, inclusive das junções miotendíneas (setas).
Fonte: Foust AM et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240027, Fig. 3. Ver artigo
A escada de Chandler, a linha do septo na TC e os dois alarmes do plantão.
as três origens que explicam tudo
Pré-septal nasce de trauma local (picada, impetigo). Pós-septal nasce da
sinusite: daí o abscesso subperiosteal lenticular na parede medial ou
superior (etmoide/frontal). E a dacriocistite nasce do ducto nasolacrimal obstruído
(válvula de Hasner): coleção do canto medial, mais anterior que o subperiosteal
sinusogênico.
o caminho para dentro do crânio
O crânio pediátrico é fino e as veias emissárias faciais não têm válvulas: a
celulite orbitária sobe pela veia oftálmica superior até a trombose do seio
cavernoso (Chandler V). Proptose com dor e oftalmoplegia bilateral: procure o seio
cavernoso que não realça.
papiledema × pseudopapiledema
Papiledema na RM: globo posterior achatado, papila elevada, bainha do nervo
óptico distendida (> 7,5 mm), e a tarefa vira achar a causa da hipertensão
intracraniana. Se a TC mostrar calcificação puntiforme na papila, pense em
drusas do disco: pseudopapiledema, não emergência.
Papiledema por abscesso cerebral volumoso e hipertensão intracraniana, criança de 3 anos
RM axial T2 com supressão de gordura: achatamento do polo posterior do globo, discreta elevação da papila (seta) e distensão da bainha do nervo óptico (mais de 7,5 mm).RM axial T1 pós-contraste: abscesso frontoparietal esquerdo volumoso, com realce periférico e edema vasogênico com hipossinal em volta. Havia restrição acentuada à difusão.
Fonte: Foust AM et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240027, Fig. 4. Ver artigo
Doença associada ao anticorpo anti-MOG (MOGAD), paciente pediátrico
RM axial T1 pós-contraste com supressão de gordura: realce longo e bilateral dos nervos ópticos intraorbitários.RM coronal T2: hipersinal e aumento do quiasma óptico (seta) e focos de hipersinal nos núcleos da base e na substância branca subcortical (pontas de seta).
Fonte: Foust AM et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240027, Fig. 5. Ver artigo
Seios, nariz e a fúngica invasiva
Doença
O que saber
Rinossinusite aguda
~90% viral · diagnóstico CLÍNICO: imagem só na suspeita de complicação (nível líquido e secreção borbulhante aparecem até em assintomático) · RM para as complicações intracranianas: empiema, trombose venosa, cerebrite
Pott puffy tumor
Flegmão/abscesso subperiosteal frontal do adolescente (seio frontal já pneumatizado) · nome traiçoeiro: é infecção, não tumor · complicação intracraniana em 50–75% → investigar o intracraniano (RM)
Fúngica invasiva aguda
Imunocomprometido (diabetes descompensado, hematológico) · mortalidade 40–50% · Aspergillus em geral; Mucor no diabético · progressão em horas–dias
Angiofibroma nasofaríngeo juvenil (JNA)
Menino adolescente com epistaxe · massa no forame esfenopalatino → fossa pterigopalatina, esfenoide, órbita · flow voids, realce ávido, remodelamento ósseo · NÃO biopsiar: embolizar e operar
Tumor de Pott (Pott puffy tumor), menina de 10 anos com sinusite frontal aguda
RM sagital T2 com supressão de gordura: sinusite frontal (*) e etmoidal, coleção subgaleal frontal com hipersinal e pequeno abscesso subperiosteal com hipossinal (seta).
Fonte: Foust AM et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240027, Fig. 6. Ver artigo
Angiofibroma nasofaríngeo juvenil, menino de 14 anos com epistaxe e obstrução nasal
RM axial T1 pós-contraste com supressão de gordura: massa nasofaríngea com realce intenso, centrada no forame esfenopalatino (*), com vazios de fluxo (ponta de seta).
Fonte: Foust AM et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240027, Fig. 8. Ver artigo
as pistas da fúngica invasiva
A erosão óssea é específica mas insensível: o fungo atravessa canais vasculares
de osso intacto. As pistas que chegam antes: apagamento da gordura premaxilar,
retromaxilar, pterigopalatina e intraorbitária (perda do T1 alto), mucosa que deixa de
realçar (sinal da concha negra, por necrose) e restrição à difusão. Angio-TC/RM para
aneurisma micótico e trombose. O T2 baixo dos elementos fúngicos, típico da sinusite fúngica alérgica, costuma faltar aqui.
Rinossinusite fúngica invasiva aguda, menino de 8 anos transplantado cardíaco, com linfoma e infecção pelo EBV
RM axial T1: tecido com hipossinal atravessando a lâmina papirácea para as órbitas mediais (pontas de seta).RM axial T1 pós-contraste com supressão de gordura: o tecido realça (pontas de seta) e a concha sem realce é o sinal da "concha negra" (*), tecido necrótico pela invasão fúngica.
Fonte: Foust AM et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240027, Fig. 7. Ver artigo
Da boca ao pescoço profundo
Quadro
Assinatura
Bateria botão
Radiografia: duplo anel de frente, borda em bisel de perfil (a moeda não tem) · lesão cáustica em 1–2 h → remoção imediata · complicações: fístula traqueoesofágica, lesão vascular, espondilodiscite
Ludwig
Celulite do assoalho da boca cruzando o milo-hióideo (sublingual + submandibular) · origem odontogênica (2º/3º molares) · risco: via aérea · vigiar Lemierre e osteomielite mandibular
Tonsilite → abscesso
Tonsilite = padrão tigroide estriado · flegmão = hipodensidade mal definida SEM anel · abscesso = anel realçante + centro líquido, mas o VPP (valor preditivo positivo) da TC é ~83%, e nem tudo que parece drenável drena · o que muda a cirurgia: abscesso estendido além dos constritores e carótida medializada
Crupe
6 meses–3 anos · steeple sign (subglote afilada) e hipofaringe distendida · radiografia normal em ~50%
Traqueíte bacteriana
3–8 anos, tóxico, não responde a corticoide · membranas: defeitos lineares subglóticos, “cera escorrendo” · S aureus
Epiglotite
Thumb sign no perfil + pregas ariepiglóticas espessas · hoje mais em adolescente (vacina) · via aérea primeiro, imagem depois: cuidado com o falso espessamento do perfil rodado
Linfadenite supurativa
Estafilo/estrepto após infecção faríngea · diferencial: micobactéria atípica (criança pequena saudável, subaguda, calcifica, fistuliza à pele com pouca celulite) e Bartonella
Cistos congênitos infectados
Local decide: 2º aparelho branquial = anterior ao esternocleidomastóideo, posterior à submandibular · ducto tireoglosso = linha média tocando o hioide (Sistrunk; procurar a tireoide normal!) · dermoide/epidermoide = linha média, gordura/calcificação ou restrição à difusão
Fibromatose colli
Recém-nascido com torcicolo · alargamento fusiforme do esternocleidomastóideo ao US · parto difícil/pélvico · regride, sem linfonodo, sem inflamação
Grisel
Subluxação atlantoaxial FIXA não traumática após infecção ou adenotonsilectomia · frouxidão ligamentar (trissomia do 21, Marfan) · TC dinâmica confirma
Bateria botão recém-ingerida
Radiografia AP (anteroposterior) do pescoço: aspecto de duplo anel da bateria.Radiografia em perfil: borda em degrau da bateria. O aspecto redondo no AP e a traqueia com ar à frente e à direita do corpo estranho indicam que ele está no esôfago superior.
Fonte: Foust AM et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240027, Fig. 9. Ver artigo
Angina de Ludwig, menina de 4 anos com febre e dor de garganta depois de morder a língua numa queda
TC axial com contraste: abscesso com gás e líquido (* branco) no lado esquerdo do assoalho da boca, com densificação da gordura e flegmão nos espaços sublingual (* preto) e submandibular (ponta de seta).
Fonte: Foust AM et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240027, Fig. 10. Ver artigo
O espectro da infecção tonsilar, em quatro crianças
TC axial com contraste: tonsilas aumentadas, com aspecto estriado tigroide, a tonsilite (pontas de seta).TC axial com contraste, outro paciente: área hipoatenuante mal definida na tonsila palatina esquerda (*), mais densa que líquido simples e sem realce periférico: flegmão.TC axial com contraste, terceiro paciente: abscesso com realce periférico restrito à tonsila palatina esquerda (seta).TC axial com contraste, quarto paciente: abscesso peritonsilar direito que passa dos constritores superiores para o espaço parafaríngeo, o abscesso estendido (setas).
Fonte: Foust AM et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240027, Fig. 12. Ver artigo
Infecções retrofaríngeas em três crianças
TC sagital com contraste: efusão retrofaríngea reacional fina (ponta de seta), sem abaulamento e sem realce de parede.TC sagital com contraste, outro paciente: abscesso retrofaríngeo com realce periférico e bordas convexas (setas).TC axial com contraste, terceiro paciente: coleção hipoatenuante circunscrita dentro de um linfonodo retrofaríngeo lateral, o abscesso intranodal (*).TC axial com contraste do paciente do abscesso retrofaríngeo: abscessos mediastinais múltiplos (setas).
Fonte: Foust AM et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240027, Fig. 14. Ver artigo
Abscesso peritonsilar estendido ao espaço parafaríngeo com síndrome de Lemierre, adolescente de 17 anos
TC axial com contraste: abscesso no espaço parafaríngeo esquerdo (ponta de seta) e trombo hipoatenuante não oclusivo na veia jugular interna esquerda (seta).TC axial em janela de pulmão: nódulos pulmonares periféricos escavados (setas). Lemierre pode complicar qualquer infecção de cabeça e pescoço, e o radiologista costuma ser o primeiro a suspeitar.
Fonte: Foust AM et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240027, Fig. 15. Ver artigo
Cistos congênitos infectados em duas crianças
RM sagital T1 pós-contraste com supressão de gordura, menino de 6 anos: cisto do ducto tireoglosso com realce periférico (seta), à frente do hioide, com inflamação em volta.TC coronal com contraste, adolescente de 16 anos com edema cervical recorrente: cisto do segundo arco branquial infectado (*) com trajeto fistuloso com realce ao lado (pontas de seta).
Fonte: Foust AM et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240027, Fig. 16. Ver artigo
Fibromatose colli, menino de 34 dias com massa cervical
US transversal do pescoço: aumento fusiforme e ecotextura levemente heterogênea do esternocleidomastóideo esquerdo (seta branca), comparado ao direito normal (seta preta).
Fonte: Foust AM et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240027, Fig. 25. Ver artigo
Síndrome de Grisel, menino de 7 anos com edema cervical e limitação do movimento
TC axial com contraste: linfadenite supurativa (pontas de seta) e efusão retrofaríngea volumosa (*).TC axial em janela óssea, projeção de intensidade máxima: rotação anormal e subluxação de C1 sobre C2 (setas).
Fonte: Foust AM et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240027, Fig. 26. Ver artigo
Efusão em gravata-borboleta × abscesso em bola de futebol americano, e a escada que
termina no mediastino.
malformações vasculares que estreiam na urgênciaLinfática: cística multisseptada transespacial, níveis líquido-líquido; estreia
crescendo de repente por hemorragia/infecção. Venosa: espaços com fluxo venoso,
realce em “poças” progressivo, flebólitos patognomônicos; estreia por
tromboflebite. Arteriovenosa: nidus sem massa; estreia sangrando. E a dissecção cervical da criança (vertebral na junção V2–V3 ou no V3 proximal, carótida 2–3 cm acima do bulbo ou perto de C1–C2) se estuda com angio-RM ou angio-TC; na vertebral, angio-RM com protocolo de AVC.
Malformações linfáticas complicadas em duas crianças
RM axial T1 pós-contraste com supressão de gordura, menino de 14 meses com febre: malformação linfática retrofaríngea volumosa com halo espesso de realce e celulite em volta (setas).RM axial T2 com supressão de gordura, menino de 6 meses com proptose: hemorragia aguda (*) dentro de malformação linfática intraorbitária, com nível líquido-hemático (ponta de seta branca) e achatamento acentuado do polo posterior do globo (ponta de seta preta).
Fonte: Foust AM et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240027, Fig. 17. Ver artigo
Dissecção da artéria vertebral, adolescente de 16 anos com cefaleia, tontura e vertigem
Angio-TC axial do pescoço: irregularidade focal e discreto estreitamento do segmento V3 da vertebral esquerda (ponta de seta).Angio-RM 3D do polígono de Willis: vertebral esquerda intracraniana de calibre reduzido e oclusão do topo da basilar (seta).
Fonte: Foust AM et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240027, Fig. 18. Ver artigo
Osso temporal: da efusão à coalescência
Efusão mastóidea é achado banal de otite (até em assintomático). O divisor de águas
tem nome, coalescência: erosão dos septos mastóideos e/ou do córtex. Sem erosão,
não chame de mastoidite coalescente.
Complicação
Pista
Subperiosteal
Coleção retroauricular · o abscesso de Bezold (pelo esternocleidomastóideo) é raro na criança: mastoide pouco pneumatizada
Epidural × trombo sigmoide
Difícil separar: líquido elevando o seio opacificado = coleção epidural; trombo tende a ser mais denso · a distinção muda cirurgia e anticoagulação → RM na dúvida
Labirintite
Realce labiríntico na RM = tratar já: evolui para labirintite ossificante e surdez definitiva (a janela do implante coclear fecha) · T2 do labirinto cai no subagudo; mineralização na TC é tardia
Apicite petrosa
Ápice petroso pneumatizado infectado · tríade de Gradenigo: otite + dor facial (trigêmeo no cavo de Meckel) + paralisia do abducente · vigiar carótida (arterite/vasoespasmo) e seio cavernoso
Osteomielite da base
Rara na criança, por contiguidade · TC para erosão, RM para medula e partes moles · diferencial: rabdomiossarcoma, leucemia, neuroblastoma, histiocitose; o que os separa é a massa realçante
O osso temporal em três crianças
TC axial do osso temporal, menino de 7 anos com disfunção tubária: líquido inespecífico na mastoide e na orelha média, com septos e cortical íntegros.TC axial com contraste, menino de 12 anos: mastoidite coalescente, com erosão dos septos e da cortical da mastoide (pontas de seta) e edema retroauricular (*).RM T1 pós-contraste com supressão de gordura, menino de 4 anos com otalgia: oto-mastoidite complicada, com trombo no bulbo jugular e no seio sigmoide (seta branca), pequeno abscesso epidural (ponta de seta) e abscesso subperiosteal com celulite (seta preta).
Fonte: Foust AM et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240027, Fig. 20. Ver artigo
Labirintite aguda, menina de 4 anos com meningite
RM axial T1 pós-contraste com supressão de gordura: realce focal no giro basal da cóclea e no vestíbulo (setas).
Fonte: Foust AM et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240027, Fig. 21. Ver artigo
Variações do ápice petroso em duas crianças
TC axial do osso temporal: ápice petroso pneumatizado.TC axial do osso temporal: ápice petroso pneumatizado com células opacificadas por efusão simples. Sem expansão, cortical íntegra e mastoide relativamente hiperaerada.
Fonte: Foust AM et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240027, Fig. 22. Ver artigo
Apicite petrosa e tríade de Gradenigo, adolescente de 13 anos com paralisia do reto lateral esquerdo
TC axial do osso temporal: destruição da cortical do ápice petroso (pontas de seta).RM axial T1 pós-contraste com supressão de gordura: tecido com realce ou flegmão no ápice petroso (*), vasoespasmo da carótida interna cavernosa (seta preta), realce meníngeo, a meningite (ponta de seta), e realce anormal de nervo no conduto auditivo interno (seta branca).
Fonte: Foust AM et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240027, Fig. 23. Ver artigo
Osteomielite da sincondrose esfeno-occipital, menino de 3 anos com dor cervical depois de adenoidectomia
TC sagital: alargamento e irregularidade da sincondrose esfeno-occipital, com sutil esclerose marginal (círculo).RM sagital T1 pós-contraste com supressão de gordura: realce e alargamento da sincondrose, com realce do corpo do esfenoide e do basioccipital vizinhos (pontas de seta).
Fonte: Foust AM et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240027, Fig. 24. Ver artigo
a discite cervical que ninguém suspeita
Criança com dor cervical e radiografia normal: a discite-osteomielite começa invisível, e a RM mostra edema do disco e dos platôs antes de qualquer sinal na TC. S
aureus resistente é o agente típico. Sem massa de partes moles: o que a separa de
histiocitose e tumores.
O linfonodo aponta o primário
Massa cervical no adulto que dura mais de 2 semanas sem infecção à vista levanta a suspeita de metástase. O carcinoma espinocelular (CEC) responde por
65–76% dos primários ocultos, e a orofaringe, por ~90% destes (tonsila
palatina 45%, base da língua 44%), na esmagadora maioria ligados ao papilomavírus humano
(HPV): 60–90% dos ocultos são p16-positivos.
O mapa que abre a investigação: cada distribuição linfonodal tem sua lista de
primários.
o fluxo do primário oculto
Punção do linfonodo → teste p16 (níveis II/III) e EBV (vírus Epstein-Barr) se p16 negativo →
TC/RM com contraste → sem primário? PET-TC (tomografia por emissão de pósitrons acoplada à TC; detecção adicional de ~25%) →
endoscopia dirigida pelos achados. Desde a 8ª edição do American Joint Committee on Cancer
(AJCC), mantido no TNM9, linfonodo p16+ ou EBV+ já fecha câncer de orofaringe ou nasofaringe (T0) mesmo
sem tumor visível.
p16 positivo não é garantia de orofaringe
p16+ com linfonodos baixos (IV/supraclavicular): o colo uterino também é
HPV-positivo, e 35% dos cânceres de pulmão expressam p16 sem HPV nenhum. Linfonodo
baixo abre o tórax, o abdome e a pelve: não feche orofaringe no reflexo.
Carcinoma do colo uterino HPV+, mulher de 52 anos com aumento de volume cervical baixo e metrorragia
TC axial com contraste: linfonodos aumentados com componente cístico na região supraclavicular (setas); a biópsia deu carcinoma escamoso p16+. Metástase só supraclavicular é incomum no câncer de orofaringe.RM sagital T2 da pelve: carcinoma do colo uterino (T, setas), também p16+.
Fonte: Masuoka S et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220071, Fig. 17. Ver artigo
Câncer de pulmão, mulher de 54 anos com aumento de volume cervical baixo
TC axial com contraste: linfonodos supraclaviculares aumentados (setas); a biópsia deu carcinoma p16+.TC axial com contraste do tórax: linfonodos aumentados no mediastino e no hilo esquerdo (setas).TC axial com contraste do tórax: massa no lobo superior do pulmão esquerdo (seta).
Fonte: Masuoka S et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220071, Fig. 18. Ver artigo
A assinatura do linfonodo
Assinatura
O que sugere
Cística (cápsula fina e lisa, conteúdo homogêneo)
Orofaringe p16+ (35% deles; cisto dentro de linfonodo < 1,5 cm é ainda mais sugestivo) · carcinoma papilífero de tireoide (cística em 20–50%; conteúdo T1 alto em 27% = coloide; densa na TC em 10%) · ~2% melanoma
CEC clássico: não confundir com a cística verdadeira
Homogênea
Nasofaringe (não queratinizante; necrose só em 22% dos N1) e p16+ · ADC (coeficiente de difusão aparente) baixo · linfonodos fundidos (matted) na nasofaringe · sem carcinoma na amostra? pense linfoma
Calcificada
Tireoide: papilífero 50–69%, medular 69–75% (US vê melhor que a TC) · também descrita no p16+ · diferenciais: tuberculose, sarcoidose, amiloidose
Hipervascular
Papilífero e medular de tireoide, neuroendócrino, neuroblastoma olfatório, carcinoma de células renais · diferenciais: Castleman hialino-vascular, glomus, adenoma de paratireoide
Metástase linfonodal cística de carcinoma de orofaringe HPV+ (base da língua), mulher de 60 anos
Endoscopia com imagem de banda estreita: o primário não foi visto.TC axial com contraste: linfonodo cístico no nível IIA esquerdo, com cápsula fina e lisa (seta) e conteúdo homogêneo. O linfonodo cístico em IIA fez suspeitar de carcinoma de orofaringe p16+.TC axial com contraste: massa (T) nascendo da tonsila lingual esquerda (LT) e invadindo a base da língua (pontas de seta), que perde as camadas normais. GG = genioglosso, IF = gordura intermuscular, IM = musculatura intrínseca, SF = gordura submucosa.Comparação: RM axial T2 de base de língua normal, com as cinco camadas: genioglosso (GG), gordura intermuscular (IF), musculatura intrínseca (IM), tonsila lingual (LT) e gordura submucosa (SF).
Fonte: Masuoka S et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220071, Fig. 3. Ver artigo
Metástase linfonodal cística de carcinoma de orofaringe p16+ sem primário visível (T0), homem de 74 anos
RM axial T2: linfonodo pequeno com cisto intranodal de margem lisa e conteúdo líquido homogêneo (seta) no nível IIA direito.RM axial T2: tonsilas palatinas sem tumor.
Fonte: Masuoka S et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220071, Fig. 4. Ver artigo
Metástase linfonodal cística de carcinoma papilífero da tireoide, mulher de 65 anos
TC axial com contraste: linfonodo metastático cístico no nível III direito (seta). A punção não mostrou células malignas; a tireoidectomia achou um papilífero pequeno no lobo direito.RM axial T1: conteúdo do linfonodo com hipersinal (seta), sugerindo coloide.
Fonte: Masuoka S et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220071, Fig. 5. Ver artigo
Metástase linfonodal homogênea de carcinoma de nasofaringe EBV+, homem de 64 anos
TC axial com contraste: linfonodos aumentados e homogêneos, sem necrose nem cisto (setas), no nível IIB bilateral.Mapa ADC axial: ADC médio baixo nos linfonodos (0,55 × 10⁻³ mm²/s), pela celularidade alta do tumor (seta).RM axial T1 pós-gadolínio com supressão de gordura: espessamento da mucosa da parede posterior da nasofaringe (T). A linha de realce submucosa, a linha branca mucosa profunda (pontas de seta brancas), some num ponto (ponta de seta preta), o que sugere carcinoma de nasofaringe.
Fonte: Masuoka S et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220071, Fig. 6. Ver artigo
Metástase linfonodal calcificada de carcinoma papilífero da tireoide, mulher de 61 anos
TC coronal com contraste: linfonodos aumentados nos níveis IIA e III direitos (setas); o de IIA tem calcificação (ponta de seta), o que sugere tireoide. A punção não mostrou células malignas.TC axial: na TC, o tumor da tireoide é difícil de ver.US: nódulo mal definido (pontas de seta) com microcalcificação (seta) no lobo direito da tireoide. A punção deu papilífero.
Fonte: Masuoka S et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220071, Fig. 7. Ver artigo
Metástase linfonodal calcificada de carcinoma de orofaringe p16+, mulher de 38 anos
TC axial sem contraste: linfonodos cervicais esquerdos aumentados nos níveis IIA e III (seta), com calcificações tênues no nível III (ponta de seta). A biópsia confirmou carcinoma escamoso p16+.RM axial T2: tonsilas palatinas sem tumor. As tonsilas retiradas também não tinham tumor: carcinoma de orofaringe p16+ T0. A calcificação não é exclusiva da tireoide.
Fonte: Masuoka S et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220071, Fig. 8. Ver artigo
Metástase linfonodal hipervascular de carcinoma papilífero da tireoide, mulher de 51 anos
TC coronal com contraste: linfonodo aumentado, misto cístico e sólido, no nível IV esquerdo, com realce intenso do componente sólido na fase arterial (pontas de seta).TC axial com contraste: pequeno nódulo com calcificações no lobo esquerdo da tireoide (seta), o primário.
Fonte: Masuoka S et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220071, Fig. 9. Ver artigo
Onde o primário se esconde
A pista na imagem
Tonsila palatina
Compare os lados · constritor faríngeo (T2 baixo) apagado = invasão parafaríngea · PET: razão de captação entre tonsilas ≥ 1,6 (sens 62%, espec 100%), e PET normal NÃO exclui, porque o tumor pode ser todo submucoso (tonsilectomia diagnóstica)
Pós-cricoide e parede posterior ficam colapsados na endoscopia · espessamento focal da mucosa e gordura submucosa apagada · detecção por imagem 9–23%, mas sobe a 60% quando a imagem dirige a biópsia
Nasofaringe
Fossa de Rosenmüller · perda focal da linha branca mucosa profunda no T1 pós-gadolínio · RM com 95% de acurácia · gordura parafaríngea apagada, levantador do véu invadido
Tireoide
Linfonodo baixo + calcificação/cisto → US (vê nódulo < 5 mm) · biópsia nodal positiva justifica tireoidectomia mesmo sem nódulo visível · lembrar o ectópico (tireoglosso, mediastino)
Submandibular
A régua é a veia facial anterior: tumor da glândula NUNCA está separado dela pela veia; linfonodo pode estar · massa isointensa some no T2/TC, e o T1 denuncia (glândula normal é mais alta que músculo)
Carcinoma de orofaringe p16+ na tonsila palatina direita, homem de 42 anos com aumento de volume cervical
RM axial T1 pós-gadolínio com supressão de gordura: linfonodos aumentados com componente cístico no nível IIA direito (seta).RM axial T2: tonsila palatina direita (PT) levemente aumentada; atrás dela o constritor da faringe (PCM) some (setas), o que indica extensão do tumor ao espaço parafaríngeo (PPS).
Fonte: Masuoka S et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220071, Fig. 10. Ver artigo
Carcinoma de orofaringe p16+, homem de 49 anos com aumento de volume cervical esquerdo
TC axial com contraste: linfonodo aumentado com componente cístico no nível IIA esquerdo (seta). TC e RM não acharam o primário.PET-FDG (com fluordesoxiglicose) coronal em projeção de intensidade máxima: captação levemente aumentada na tonsila palatina esquerda (seta). A tonsilectomia confirmou o tumor.
Fonte: Masuoka S et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220071, Fig. 11. Ver artigo
Carcinoma de orofaringe p16+ submucoso, homem de 40 anos com aumento de volume cervical há 7 meses
TC axial com contraste: o primário na orofaringe não é identificado.RM axial T2: também não se identifica o primário.PET-CT axial: captação nas duas tonsilas palatinas, sem diferença entre os lados. A tonsilectomia esquerda achou o tumor, restrito à submucosa, o que o torna difícil de ver na imagem e na endoscopia.
Fonte: Masuoka S et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220071, Fig. 12. Ver artigo
Carcinoma escamoso de hipofaringe (pós-cricoide), homem de 50 anos com aumento de volume cervical direito
TC axial com contraste: linfonodo aumentado com realce heterogêneo no nível III direito (seta), e espessamento irregular com realce do lado direito da região pós-cricoide, onde a gordura submucosa (SFpc) some (ponta de seta). MM = mucosa, PCM = constritor da faringe, PVM = musculatura pré-vertebral, RS = espaço retrofaríngeo, SFpw = gordura submucosa da parede posterior.Endoscopia repetida com imagem de banda estreita: área acastanhada na hipofaringe (pontas de seta), onde a biópsia confirmou o carcinoma.
Fonte: Masuoka S et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220071, Fig. 13. Ver artigo
Carcinoma escamoso de hipofaringe com extensão submucosa, homem de 71 anos
TC axial com contraste: linfonodo aumentado com necrose no nível IIA direito (seta); a endoscopia não achou o primário.TC axial com contraste 6 meses depois: espessamento da parede do seio piriforme direito com partes moles contínuas no espaço paraglótico (pontas de seta).Endoscopia: tumor submucoso no seio piriforme direito (setas).
Fonte: Masuoka S et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220071, Fig. 14. Ver artigo
Carcinoma de nasofaringe EBV+, homem de 82 anos com aumento de volume cervical esquerdo
TC axial com contraste: metástase linfonodal relativamente homogênea no nível IIB esquerdo (seta), o que levantou a hipótese de nasofaringe.TC axial com contraste: tumor (T) na fosseta de Rosenmüller esquerda, com limite indefinido com o longo da cabeça (LCaM) e o levantador do véu palatino (LVPM) (pontas de seta).RM axial T2: a massa na fosseta de Rosenmüller esquerda, com limite irregular com os mesmos músculos (pontas de seta), o que sugere invasão.
Fonte: Masuoka S et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220071, Fig. 15. Ver artigo
Carcinoma da glândula submandibular, homem de 69 anos com aumento de volume submandibular esquerdo há 3 anos
TC axial com contraste: linfonodo aumentado (N) desviando a veia facial anterior medialmente (seta). A TC não achou o primário.RM coronal T1: massa (T, pontas de seta) com hipossinal em relação à glândula submandibular normal, desviando a veia facial anterior lateralmente (seta), o que indica origem na glândula. N = linfonodo aumentado.
Fonte: Masuoka S et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220071, Fig. 16. Ver artigo
o “cisto branquial” do adulto
Cisto de 2º aparelho branquial novo em adulto, no nível IIA, é metástase cística até
prova em contrário (orofaringe p16+ ou carcinoma papilífero de tireoide). A idade decide o benefício da dúvida: a criança ganha, o adulto não, e mesmo no adolescente a metástase cística de tireoide ou de CEC pode imitar o cisto.
Pontos de prova: alto rendimento
Chandler
I pré-septal · II orbitária · III subperiosteal · IV abscesso orbitário · V trombose do seio cavernoso
Septo orbitário
Linha do rebordo à placa tarsal · pré-septal = trauma local · pós-septal = sinusite
Compartimento orbitário
Nervo óptico estirado + globo em tenda (palheta de violão) · proptose: globo > 21 mm da linha interzigomática
Papiledema na RM
Globo achatado + papila elevada + bainha > 7,5 mm · calcificação na papila = drusas (pseudo)
Neurite óptica
EM (esclerose múltipla): curta/unilateral · doença por anticorpo anti-MOG (MOGAD): longa/bilateral/anterior · neuromielite: longa/bilateral/posterior + quiasma
Dacriocistite
Canto MEDIAL · válvula de Hasner · ducto obstruído em até 20% dos neonatos, até 96% resolve no 1º ano
Pott puffy
Subperiosteal frontal do adolescente · complicação intracraniana em 50–75%
Fúngica invasiva
Imunocomprometido · mortalidade 40–50% · Mucor no diabético · gordura apagada + concha negra · erosão específica mas insensível
JNA
Menino adolescente + epistaxe + massa no forame esfenopalatino · flow voids · não biopsiar
Bateria botão
Duplo anel (frente) e bisel (perfil) · lesão em 1–2 h · remover JÁ
Ludwig
Assoalho da boca, cruza o milo-hióideo · 2º/3º molares · via aérea
Tonsilar
Tigroide = tonsilite · sem anel = flegmão · anel + líquido = abscesso (VPP ~83%) · estendido = além dos constritores
Retrofaríngeo
Efusão = gravata-borboleta sem realce · abscesso = bola de futebol convexa com realce · danger space → mediastino
IV/VB/supraclavicular → tireoide E fora: pulmão 25% · mama 22% · colo uterino 12%
Linfonodo cístico
p16+ (35%) ou papilífero de tireoide (T1 alto = coloide) · no adulto, “cisto branquial” novo = metástase até prova
Linfonodo calcificado
Papilífero 50–69% · medular 69–75% · US > TC para microcalcificação
AJCC 8ª
Linfonodo p16+ ou EBV+ = orofaringe/nasofaringe T0, mesmo sem tumor visível · PET soma ~25% de detecção
Veia facial anterior
Tumor submandibular nunca separado da glândula pela veia; linfonodo pode
Armadilhas e erros comuns
Erros pediátricos
Chamar efusão mastóidea de mastoidite (coalescência exige erosão)
Perder a bateria botão por não procurar o duplo anel/bisel
Laudar abscesso drenável em todo anel realçante (VPP ~83%)
Confundir dacriocistite (canto medial, anterior) com subperiosteal sinusogênico
Esquecer a discite-osteomielite na dor cervical com radiografia normal
Erros no linfonodo
Chamar metástase cística de cisto branquial no adulto
Fechar orofaringe em p16+ com linfonodo supraclavicular (colo uterino, pulmão)
Excluir tonsila porque o PET veio simétrico (tumor submucoso escapa)
Ignorar a calcificação nodal: tireoide (e o US enxerga o que a TC não vê)
Erros de conduta
Biopsiar JNA (embolização + cirurgia; a imagem fecha)
Superlaudar apagamento jugular como Lemierre (trombose de verdade é menos comum)
Operar tireoglosso sem localizar a tireoide normal (pode ser o único tecido funcionante)
Adiar a RM na suspeita de labirintite: a ossificação não espera
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1
Menina de 6 anos com edema palpebral, febre e dor à movimentação ocular. TC com contraste: sinusite etmoidal e coleção lenticular com realce periférico junto à parede medial da órbita, com borramento da gordura extraconal. Qual a classificação e a leitura correta?
Coleção lenticular com realce periférico apoiada na parede medial da órbita, vizinha de etmoidite, é o abscesso subperiosteal: Chandler III, a complicação mais comum da celulite pós-septal, que quase sempre nasce da sinusite (o pré-septal nasce de trauma local). Conduta: antibiótico venoso e drenagem conforme o volume.
A dacriocistite também mora no lado medial, mas é mais anterior, no canto medial (válvula de Hasner): o subperiosteal sinusogênico fica posterior, na parede superomedial. E o plantão vigia a escada: crânio fino e veias emissárias sem válvulas dão passagem à trombose do seio cavernoso (Chandler V) pela veia oftálmica superior.
Criança de 2 anos com sialorreia e recusa alimentar de início súbito. Radiografia de tórax/pescoço: objeto radiopaco circular no esôfago proximal com anel duplo na incidência frontal e borda em bisel no perfil. Qual a conduta?
O anel duplo de frente e a borda em bisel de perfil separam a bateria botão da moeda, e essa distinção é das mais importantes do plantão pediátrico: a bateria impactada no esôfago inicia lesão cáustica da mucosa em 1 a 2 horas e exige remoção imediata, enquanto a moeda costuma ser manejada de forma conservadora.
Depois da remoção, a vigilância continua: fístula traqueoesofágica, lesão vascular (incluindo pseudoaneurisma) e espondilodiscite são complicações descritas; RM seriada e angiotomografia/angio-RM entram conforme o caso.
Menino de 4 anos, febre e torcicolo após faringite. TC com contraste: coleção retrofaríngea com bordas convexas e realce periférico, estendendo-se por vários centímetros no plano sagital. Qual a interpretação?
Forma e realce decidem: bordas convexas + realce periférico = abscesso retrofaríngeo, que pode resultar da ruptura de linfadenite supurativa (linfonodo retrofaríngeo lateral, de Rouvière), e abscesso se drena. A efusão reativa tem a forma de gravata-borboleta, fina, SEM realce periférico, e não vai ao centro cirúrgico (Kawasaki e a tendinite calcária são causas dela, não de abscesso).
O medo anatômico tem nome, danger space: se a infecção transborda para ele, o caminho está aberto ao mediastino e às partes moles pré-vertebrais, e a mediastinite é o desfecho que o laudo existe para impedir. E o par vascular: tromboflebite da jugular interna com êmbolos sépticos pulmonares (Lemierre).
Lactente com otite média em antibioticoterapia segue febril, com abaulamento retroauricular. TC do osso temporal: opacificação mastóidea com erosão dos septos e do córtex lateral, e coleção subperiosteal. O que define o diagnóstico de mastoidite coalescente neste caso?
O divisor é anatômico: coalescência = erosão dos septos mastóideos e/ou do córtex. Efusão mastóidea sem erosão é achado corriqueiro de otite média (aparece até em assintomáticos) e não deve ser laudada como mastoidite coalescente. Febre e abaulamento levantam a suspeita, mas quem fecha é a TC.
Confirmada a coalescência, o laudo vira caça às complicações: abscesso subperiosteal, coleção epidural (líquido elevando o seio opacificado) versus trombose do sigmoide (mais densa; a RM desempata, e isso muda cirurgia e anticoagulação) e, na RM, o realce labiríntico da labirintite, que tratada tarde vira labirintite ossificante e fecha a janela do implante coclear.
Homem de 48 anos com massa cervical indolor no nível IIA há 2 meses. TC: lesão cística de parede fina e lisa, conteúdo homogêneo, sem história prévia de massa cervical. Endoscopia inicial sem tumor. Qual a leitura correta?
No adulto, lesão cística nova no nível IIA é metástase cística até prova em contrário: o benefício da dúvida do “cisto branquial” pertence à criança. Os dois primários que fazem exatamente essa assinatura: orofaringe p16-positiva (35% dos p16+ dão metástase cística; punção + teste p16) e tireoide papilífera (cística em 20–50%; conteúdo T1 alto = coloide).
Se o p16 vier positivo, a caça vai às tonsilas: comparar os lados, procurar o constritor apagado, PET com razão entre tonsilas ≥ 1,6, e lembrar que o tumor todo submucoso escapa de endoscopia e PET, justificando a tonsilectomia diagnóstica. Desde a 8ª edição do AJCC (mantido no TNM9), linfonodo p16+ já fecha orofaringe (T0) mesmo sem primário visível.
Mulher de 54 anos com linfonodomegalia supraclavicular esquerda. Punção: carcinoma espinocelular p16-positivo. Endoscopia de cabeça e pescoço e RM sem tumor. Qual o próximo passo mais correto?
A distribuição manda. Linfonodo supraclavicular/nível IV abre a lista de fora da cabeça e pescoço: pulmão (25%), mama (22%), colo uterino (12%), estômago, ovário, pâncreas. E o p16 não resolve sozinho: o câncer de colo uterino também é HPV-positivo, e 35% dos cânceres de pulmão expressam p16 sem HPV nenhum. Fechar orofaringe no reflexo seria tratar a paciente errada.
O raciocínio-mapa completo: II/III/VA puxam orofaringe (tonsila/base da língua), nasofaringe e hipofaringe; III proeminente puxa hipofaringe; retrofaríngeo lateral bilateral puxa nasofaringe (teste EBV se p16−); IV/VB/VI puxam tireoide, esôfago cervical, e o mundo abaixo das clavículas.
Fontes. [A] Foust AM, Johnstone L, Krishnasarma R, et al. Nontraumatic Pediatric Head and
Neck Emergencies: Resource for On-Call Radiologists. RadioGraphics 2024;44(10):e240027.
doi:10.1148/rg.240027 [B] Masuoka S, Hiyama T, Kuno H, et al. Imaging Approach for Cervical Lymph Node
Metastases from Unknown Primary Tumor. RadioGraphics 2023;43(3):e220071.
doi:10.1148/rg.220071
As seções pediátricas (órbita, seios, pescoço profundo, osso temporal) vêm de [A]; o mapa
linfonodal e a caça ao primário oculto vêm de [B]. Conferido em 01/09/2026.
Os diagramas são próprios. Blocos marcados com + complemento são acréscimos do
autor, além do texto das fontes.