Cadernos QRad 102 · Medidas da Coluna na Radiografia
Musculoesquelético · coluna

Medidas da Coluna na Radiografia

Fonte: Coelho de Arruda et al: 2026, RadioGraphics

Números que mudam a conduta

A radiografia da coluna em pé dá medidas que decidem colete, cirurgia e o plano de uma artrodese. O segredo é a técnica: paciente em pé e livre, distância foco-filme de 100 a 150 cm, frente e perfil, e, para deformidade, a coluna inteira (da base do crânio às cabeças femorais). Radiografias dinâmicas mostram instabilidade (flexão e extensão) e flexibilidade da curva (inclinação lateral).

ArmadilhaCuidado
Pelve tortaDiferença de comprimento dos membros maior que 2 cm
CoberturaFrente de C7 às cabeças femorais com as costelas · perfil de C7 a S1
Marcos escondidosJoias, protetores, fivelas, ombros sobre a coluna torácica alta
ComparaçãoMesma distância, mesmas vértebras terminais no seguimento
três perguntas Pense no conjunto: Cobb (quanto curva), linha vertical sacral central (equilíbrio coronal) e eixo vertical sagital (equilíbrio sagital); depois a pelve (incidência, inclinação, declive sacral) e a dinâmica.

Incidência de frente

Medida de frenteComoValores
CobbVértebras terminais (as mais inclinadas): placa superior da de cima e inferior da de baixoEscoliose a partir de 10° · leve 10 a 25°, moderada 25 a 45°, grave acima de 45°
Linha vertical sacral centralVertical pelo centro de S1; distância até o centro de C7Até 2 cm: equilibrado · mais de 2 a 4 cm: desequilíbrio coronal
Vértebra apicalA mais desviada da linha sacral · modificador lombar de Lenke A, B ou C
Rotação (Nash-Moe)Corpo em 6 faixas; posição do pedículo do lado convexo0 simétrico a IV além da linha média
Obliquidade pélvicaDiferença de altura entre tangentes às cristas ilíacasNormal menor que 1 cm
Equilíbrio do ombro lateralÂngulo e altura das clavículasÂngulo menor que 2° · altura menor que 10 mm
Equilíbrio do ombro medialInclinação de T1Até 5° · inclinação para o lado da curva sugere curva torácica alta estrutural
Inclinação lateralRadiografias em inclinaçãoCurva estrutural se continua maior que 25° ou se a cifose regional passa de 20°
Ângulo de Cobb
Frente da coluna inteira: as vértebras terminais (as mais inclinadas) delimitam a curva, e o ângulo sai entre a placa superior da de cima e a inferior da de bai
Frente da coluna inteira: as vértebras terminais (as mais inclinadas) delimitam a curva, e o ângulo sai entre a placa superior da de cima e a inferior da de baixo.
Fonte: Coelho de Arruda PH, Borher Moreira PE, dos Reis Morimoto L, et al. RadioGraphics 2026;46(9):e260023, apresentação, slide 9. Ver artigo
Linha vertical sacral central
Vertical pelo centro de S1 (amarelo), paralela à borda do filme.
Vertical pelo centro de S1 (amarelo), paralela à borda do filme.
Ampliação: distância do centro de C7 (vermelho) até a linha.
Ampliação: distância do centro de C7 (vermelho) até a linha.
Fonte: Coelho de Arruda PH, Borher Moreira PE, dos Reis Morimoto L, et al. RadioGraphics 2026;46(9):e260023, apresentação, slide 10. Ver artigo
Vértebra apical
A vértebra mais desviada da linha sacral na curva torácica (traço vermelho).
A vértebra mais desviada da linha sacral na curva torácica (traço vermelho).
Fonte: Coelho de Arruda PH, Borher Moreira PE, dos Reis Morimoto L, et al. RadioGraphics 2026;46(9):e260023, apresentação, slide 11. Ver artigo
Equilíbrio dos ombros
Ângulo das clavículas: tangente às duas contra a horizontal.
Ângulo das clavículas: tangente às duas contra a horizontal.
Altura das clavículas: diferença vertical entre os pontos mais altos (amarelo).
Altura das clavículas: diferença vertical entre os pontos mais altos (amarelo).
Fonte: Coelho de Arruda PH, Borher Moreira PE, dos Reis Morimoto L, et al. RadioGraphics 2026;46(9):e260023, apresentação, slide 14. Ver artigo

Incidência de perfil e dinâmica

Medida de perfilComoValores
Lordose cervicalCobb de C2 a C7 ou tangentes posterioresCerca de 10,5° (Cobb) · 17,5° (tangentes) · os métodos não são intercambiáveis
Cifose torácicaT4 a T12 (mais reprodutível) ou T1 a T12T4–T12 cerca de 41° ± 7° · T1–T12 cerca de 49° ± 10°
Scheuermann (Sorensen)Cifose maior que 40° · cunha de 5° ou mais em 3 vértebras seguidas · placas irregulares, nódulos de Schmorl
Lordose lombarL1 a S1 (ou L5)L1–S1 cerca de 42 a 62° · L1–L5 cerca de 30 a 45° · L5–S1 carrega 40 a 50% da curva
Rotação sagital (flexão-extensão)Ângulo entre as placas em flexão menos em extensãoMais de 15 a 20°: instabilidade (voluntários normais chegam a 25°)
Translação (flexão-extensão)Deslocamento da parede posterior entre as posiçõesMais de 3 mm
Cóccix (em pé × sentado)Ângulo entre os segmentosVariação menor que 5°: rígido · maior que 25°: hipermóvel
Lordose cervical
Cobb de C2 a C7: perpendiculares às placas inferiores.
Cobb de C2 a C7: perpendiculares às placas inferiores.
Tangentes posteriores: linhas pelas paredes posteriores de C2 e C7.
Tangentes posteriores: linhas pelas paredes posteriores de C2 e C7.
Fonte: Coelho de Arruda PH, Borher Moreira PE, dos Reis Morimoto L, et al. RadioGraphics 2026;46(9):e260023, apresentação, slide 19. Ver artigo
Cifose torácica
Perfil: os dois métodos, de T1 a T12 e de T4 a T12; a T1 costuma ficar escondida pelos ombros.
Perfil: os dois métodos, de T1 a T12 e de T4 a T12; a T1 costuma ficar escondida pelos ombros.
Fonte: Coelho de Arruda PH, Borher Moreira PE, dos Reis Morimoto L, et al. RadioGraphics 2026;46(9):e260023, apresentação, slide 20. Ver artigo
Doença de Scheuermann
Cifose acentuada; na ampliação, cunha de mais de 5° em T7, T8 e T9.
Cifose acentuada; na ampliação, cunha de mais de 5° em T7, T8 e T9.
Fonte: Coelho de Arruda PH, Borher Moreira PE, dos Reis Morimoto L, et al. RadioGraphics 2026;46(9):e260023, apresentação, slide 21. Ver artigo
Lordose lombar
Ângulo entre a placa superior de L1 e a de S1 (ou a inferior de L5).
Ângulo entre a placa superior de L1 e a de S1 (ou a inferior de L5).
Fonte: Coelho de Arruda PH, Borher Moreira PE, dos Reis Morimoto L, et al. RadioGraphics 2026;46(9):e260023, apresentação, slide 22. Ver artigo
Rotação sagital na flexão-extensão
Ângulo entre as placas do segmento em extensão (em cima) e em flexão (embaixo).
Ângulo entre as placas do segmento em extensão (em cima) e em flexão (embaixo).
Outro segmento: a diferença entre as posições é a rotação.
Outro segmento: a diferença entre as posições é a rotação.
Fonte: Coelho de Arruda PH, Borher Moreira PE, dos Reis Morimoto L, et al. RadioGraphics 2026;46(9):e260023, apresentação, slide 23. Ver artigo
Translação na flexão-extensão
Linhas pela parede posterior das duas vértebras em flexão e em extensão.
Linhas pela parede posterior das duas vértebras em flexão e em extensão.
Ampliação: a distância entre as linhas (amarelo) em cada posição.
Ampliação: a distância entre as linhas (amarelo) em cada posição.
Fonte: Coelho de Arruda PH, Borher Moreira PE, dos Reis Morimoto L, et al. RadioGraphics 2026;46(9):e260023, apresentação, slide 24. Ver artigo
Cóccix em pé e sentado
Em pé: ângulo entre os segmentos do cóccix.
Em pé: ângulo entre os segmentos do cóccix.
Sentado: a variação do ângulo mostra a mobilidade.
Sentado: a variação do ângulo mostra a mobilidade.
Fonte: Coelho de Arruda PH, Borher Moreira PE, dos Reis Morimoto L, et al. RadioGraphics 2026;46(9):e260023, apresentação, slide 25. Ver artigo

Equilíbrio sagital e pelve

ParâmetroComoValores
Eixo vertical sagital (SVA)Prumo do centro de C7 até o canto posterossuperior de S1Desequilíbrio se maior que 5 cm
Incidência pélvica (PI)Do meio das cabeças femorais ao meio da placa de S1, contra a perpendicular à placaFixa depois da maturidade · PI = PT (inclinação pélvica) + SS (declive sacral)
Lordose idealCerca de PI + 10° (ou 0,6 × PI + 27°) · desencaixe se PI menos lordose maior que 10°
Inclinação pélvica (PT)Cabeça femoral ao centro do platô sacral, contra a verticalMaior que 20°: retroversão (compensação)
Declive sacral (SS)Platô sacral contra a horizontalNormal 33 a 38° · inverso da PT
Declive sacral
Platô sacral contra a horizontal, declive pequeno.
Platô sacral contra a horizontal, declive pequeno.
Outro paciente, declive maior.
Outro paciente, declive maior.
Fonte: Coelho de Arruda PH, Borher Moreira PE, dos Reis Morimoto L, et al. RadioGraphics 2026;46(9):e260023, apresentação, slide 35. Ver artigo
a cascata do desequilíbrio Artrose facetária, degeneração discal e atrofia dos extensores tiram a lordose e jogam o tronco para a frente. O corpo compensa com retroversão da pelve, menos cifose torácica, hiperlordose cervical e flexão dos joelhos. Corrigir a lordose sem respeitar a incidência pélvica leva a dor, degeneração do segmento vizinho e falha do material.

Cervicotorácica e atlantoaxial

Medida cervicalComoValores
Inclinação de T1Placa superior de T1 contra a horizontalMédia 20° · maior que 40° associa mau resultado
SVA cervicalPrumo de C2 até o canto posterossuperior de C7Maior que 40 mm: mau resultado
Ângulo do desfiladeiro torácicoT1 até a fúrcula, contra a perpendicular de T1Normal 70 a 80°
Intervalo atlantodental anteriorArco anterior de C1 até o denteAdulto: anormal acima de 2,5 a 3 mm · criança abaixo de 12 anos: acima de 4 mm · dinâmico: diferença maior que 2 mm
Intervalo atlantodental lateralMassas laterais de C1 ao dente, na transoralAssimetria maior que 2 a 3 mm no trauma levanta suspeita (muitas vezes é variante)
Eixo vertical sagital cervical
Prumo do centro de C2 (amarelo) até o canto posterossuperior de C7; a distância horizontal é o SVA cervical (vermelho).
Prumo do centro de C2 (amarelo) até o canto posterossuperior de C7; a distância horizontal é o SVA cervical (vermelho).
Fonte: Coelho de Arruda PH, Borher Moreira PE, dos Reis Morimoto L, et al. RadioGraphics 2026;46(9):e260023, apresentação, slide 39. Ver artigo
Intervalos atlantodentais
Perfil: distância do arco anterior de C1 ao dente (vermelho).
Perfil: distância do arco anterior de C1 ao dente (vermelho).
Transoral: distância das massas laterais de C1 ao dente, dos dois lados.
Transoral: distância das massas laterais de C1 ao dente, dos dois lados.
Fonte: Coelho de Arruda PH, Borher Moreira PE, dos Reis Morimoto L, et al. RadioGraphics 2026;46(9):e260023, apresentação, slide 40. Ver artigo

Fratura, canal e maturidade

Fratura, canal e maturidadeComoValores
Perda de alturaMédia das vizinhas menos a menor altura da fraturada, dividida pela médiaLimítrofe 10 a 20% · leve 20 a 25% · moderada 25 a 40% · grave acima de 40%
Razão anterior/posteriorAltura anterior ÷ posteriorNormal acima de 0,85
Distância interpedicularEntre pedículos ÷ largura do corpo (frente lombar)Menor que 0,50: estenose possível · maior que 0,70: lesão expansiva ou erosão
Torg-PavlovCanal ÷ corpo (perfil cervical)Menor que 0,8: estenose
Canal lombarCorpo até a lâminaNormal acima de 12 mm
RisserOssificação da apófise ilíaca0 a 5 · sistemas americano e europeu não são intercambiáveis
Perda de altura na fratura
Alturas das vizinhas e a menor altura da vértebra fraturada.
Alturas das vizinhas e a menor altura da vértebra fraturada.
Alturas anterior e posterior da fraturada: a razão anterior/posterior.
Alturas anterior e posterior da fraturada: a razão anterior/posterior.
Fonte: Coelho de Arruda PH, Borher Moreira PE, dos Reis Morimoto L, et al. RadioGraphics 2026;46(9):e260023, apresentação, slide 42. Ver artigo
Risser
Sistema americano: a apófise ilíaca em quartos, de 0 a 100% da crista.
Sistema americano: a apófise ilíaca em quartos, de 0 a 100% da crista.
Sistema europeu: as mesmas radiografias com outra divisão (não intercambiável).
Sistema europeu: as mesmas radiografias com outra divisão (não intercambiável).
Fonte: Coelho de Arruda PH, Borher Moreira PE, dos Reis Morimoto L, et al. RadioGraphics 2026;46(9):e260023, apresentação, slide 46. Ver artigo
triagem, não diagnóstico Distância interpedicular, Torg-Pavlov e diâmetro do canal na radiografia têm muitos falsos-positivos: servem para indicar TC ou RM, não para fechar estenose.

Pontos de prova: alto rendimento

EscolioseCobb ≥ 10°
GraveCobb > 45°
Equilíbrio coronalC7 até 2 cm da linha sacral
Curva estrutural> 25° na inclinação
Cifose T4–T12Cerca de 41°
ScheuermannCunha ≥ 5° em 3 vértebras
InstabilidadeTranslação > 3 mm
SVA> 5 cm desequilíbrio
Incidência pélvicaPI = PT + SS, fixa
Lordose idealPI + 10°
RetroversãoPT > 20°
Intervalo atlantodentalAdulto > 3 mm, criança > 4 mm
Torg-Pavlov< 0,8
Fratura gravePerda > 40%

Armadilhas e erros comuns

Erros

  • Trocar as vértebras terminais no seguimento
  • Comparar Cobb cervical com tangentes
  • Medir cifose em T1 escondida pelos ombros
  • Usar L1–L5 contra a incidência pélvica
  • Chamar de instabilidade a rotação de 20° num paciente sem sintomas
  • Fechar estenose pela radiografia
  • Misturar Risser americano e europeu

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Adolescente com curva torácica de 32° pelo método de Cobb. Na radiografia em inclinação lateral para o lado convexo, a curva cai para 18°. A curva é:

A curva é estrutural quando continua maior que 25° na inclinação lateral (ou quando a cifose regional passa de 20°). Se cai para 18°, é flexível. Pelo valor em pé, 32° é moderada (25 a 45°).
↑revisar esta parte do caderno · Incidência de frente
Questão 2

Na radiografia de frente, o centro de C7 está 3 cm à direita da linha vertical sacral central. Isso indica:

Até 2 cm entre C7 e a linha vertical sacral central é equilibrado; acima disso há desequilíbrio coronal. O sagital se mede no perfil, pelo prumo de C7 até S1.
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Questão 3

Critério de Sorensen para a doença de Scheuermann:

Sorensen: cunha de 5° ou mais em 3 vértebras consecutivas, com cifose torácica maior que 40°. Placas irregulares e nódulos de Schmorl acompanham, mas não definem.
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Questão 4

Incidência pélvica de 60° e inclinação pélvica de 25°. O declive sacral e a interpretação são:

PI = PT + SS, então SS = 60 − 25 = 35°. Inclinação pélvica acima de 20° indica retroversão, a compensação da perda de lordose.
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Questão 5

Adulto com artrite, perfil cervical em flexão: intervalo atlantodental anterior de 5 mm. Interpretação:

No adulto o intervalo é anormal acima de 2,5 a 3 mm (na criança, acima de 4 mm). Na flexão, 5 mm indica instabilidade atlantoaxial; diferença maior que 2 mm entre flexão e extensão também.
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Fonte.
Coelho de Arruda PH, Borher Moreira PE, dos Reis Morimoto L, et al. Key Spine Measurements: A Radiographic Guide. RadioGraphics 2026;46(9):e260023 (artigo e apresentação em slides). doi:10.1148/rg.260023

A apresentação define o desencaixe entre incidência pélvica e lordose de dois jeitos (lordose menor que PI + 10° e PI menos lordose maior que 10°). As medidas craniocervicais (Powers, Wackenheim, Chamberlain, McGregor) e a graduação de Meyerding não estão na fonte. Os slides entraram só com as radiografias e as linhas de medida; os quadros de passo a passo em inglês e as fotos de pacientes ficaram de fora. Conferido em 07/10/2026.

Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados da mesma fonte.