Cadernos QRad 89 · Lesões Tóxicas e Metabólicas do Encéfalo
Neurorradiologia · tóxico-metabólico

Lesões Tóxicas e Metabólicas do Encéfalo

Fontes: de Oliveira et al. 2019 e Starkey et al: 2017, RadioGraphics

Simétrico, sem massa, sem realce

A lesão tóxica ou metabólica do encéfalo costuma ser bilateral e simétrica, com restrição à difusão, pouco ou nenhum efeito de massa e sem realce. Os lugares mais sensíveis são os que gastam mais energia: córtex, núcleos da base, tálamos, substância branca periventricular e corpo caloso. Erros inatos do metabolismo e hipóxia dão imagens parecidas, mas o contexto clínico costuma ser outro.

OrigemExemplos
EndógenaEncefalopatia hipertensiva, glicemia, paratireoide, encefalopatia hepática (manganês, amônia), uremia, desmielinização osmótica, falta de vitamina B12
ExógenaÁlcool (Wernicke, Marchiafava-Bignami), metanol, tolueno, monóxido de carbono, pesticidas, heroína, cocaína, quimioterápicos (metotrexato, fludarabina, 5-fluoruracila), imunossupressores (anti-TNF (contra o fator de necrose tumoral), ciclosporina), metronidazol, vigabatrina
o que diz o prognóstico Lesão extensa de substância cinzenta (córtex, núcleos profundos) prenuncia evolução pior. Lesão restrita à substância branca, poupando a cinzenta, sugere causa reversível.

Os tipos de edema e a difusão

Ler a difusão é saber que tipo de água está sobrando, e onde.

EdemaMecanismoNa imagem
VasogênicoQuebra da barreira hematoencefálica, líquido no espaço extracelular da substância brancaHipersinal em T2 e FLAIR (fluid-attenuated inversion recovery: T2 com o sinal do líquor suprimido) sem restrição · efeito de massa, em dedos de luva, poupa a cinzenta · tumor, abscesso, PRES (síndrome de encefalopatia posterior reversível)
CitotóxicoIsquemia ou hipóxia: falha da mitocôndria e das bombas de íons, lactato · barreira íntegraDifusão alterada antes do T1 e do T2 · sobretudo cinzenta · não é totalmente reversível (morte celular)
ExcitotóxicoGlutamato demais na fenda sináptica · via final do infarto, da hipóxia e do estado de malSe a recaptação falha, edema citotóxico · se a recaptação se mantém, pode dar edema intramielínico
IntramielínicoÁgua no espaço periaxonal e entre as lamelas de mielina (espaços virtuais selados)Restrição verdadeira e reversível, sem morte celular · periventricular e esplênio, que gastam mais
Os tipos de edema (neurônios e axônios em verde, glia em amarelo, água em branco)
Normal: a água se move livre no espaço extracelular.
Normal: a água se move livre no espaço extracelular.
Vasogênico: mais água no espaço extracelular, ainda livre para se mover.
Vasogênico: mais água no espaço extracelular, ainda livre para se mover.
Citotóxico: as células incham, e a água dentro delas perde a liberdade de movimento.
Citotóxico: as células incham, e a água dentro delas perde a liberdade de movimento.
Intramielínico: água presa no espaço periaxonal e entre as lamelas de mielina.
Intramielínico: água presa no espaço periaxonal e entre as lamelas de mielina.
Fonte: de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695, Fig. 1. Ver artigo
leucoencefalopatia tóxica aguda Comprometimento difuso e agudo da substância branca com restrição verdadeira, bilateral, simétrica e confluente na substância branca periventricular, poupando os núcleos da base. Normalizar depois é a marca do edema intramielínico. Causas mais comuns: quimioterápicos (metotrexato, fludarabina), opioides (heroína), encefalopatia hepática aguda, imunossupressores (ciclosporina, tacrolimo), monóxido de carbono (apresentação subaguda), uremia, cocaína e metronidazol.

Os nove padrões

O artigo de de Oliveira organiza o tema pelo lugar da lesão. Extensão e reversibilidade dependem da intensidade e da duração da exposição.

PadrãoPensar em
1. Núcleos da base e tálamosWernicke, metanol, monóxido de carbono, vigabatrina, uremia, tolueno, paratireoide, estriatopatia diabética, hepatopatia crônica · costuma ser citotóxico e irreversível
2. Núcleos denteadosMetronidazol, brometo de metila, vigabatrina, cálcio
3. CórtexHipoglicemia, hiperamonemia, Wernicke (perirrolândico), monóxido de carbono
4. Substância branca periventricular, simétrica, poupando a cinzentaLeucoencefalopatia tóxica aguda: heroína inalada, metotrexato, fludarabina · mais vezes reversível
5. Trato corticoespinalFalta de B12, hepatopatia crônica
6. Corpo calosoMarchiafava-Bignami, CLOCC (cytotoxic lesion of the corpus callosum: lesão citotóxica do corpo caloso)
7. Substância branca assimétrica (desmielinizante)Levamisol, anti-TNF, vincristina
8. Edema vasogênico subcortical parieto-occipitalPRES
9. Ponte centralDesmielinização osmótica
Os nove padrões (em branco, a área acometida)
A, núcleos da base e tálamos; B, denteados; C, córtex; D, substância branca periventricular poupando a cinzenta; E, trato corticoespinal; F, corpo caloso; G, su
A, núcleos da base e tálamos; B, denteados; C, córtex; D, substância branca periventricular poupando a cinzenta; E, trato corticoespinal; F, corpo caloso; G, substância branca assimétrica; H, edema vasogênico parieto-occipital; I, ponte central.
Fonte: de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695, Fig. 2. Ver artigo

Núcleos da base e tálamos

Hipersinal em T2/FLAIROnde e como
WernickeFalta de tiamina · quase 50% sem álcool (hiperêmese, anorexia, bariátrica, nutrição parenteral) · tríade em só 30% · tálamo medial (85%), corpos mamilares (60%), hipotálamo, teto e substância cinzenta periaquedutal (2/3) · realce em 50%, dos mamilares em até 80% · córtex perirrolândico · no crônico, mamilares atróficos
MetanolAcidose metabólica grave, ânion gap alto, sintomas visuais e digestivos · necrose dos putames poupando os pálidos, às vezes hemorrágica (hiperatenuante na TC) · nervo óptico · espectroscopia com lactato (1,3 ppm)
Monóxido de carbonoAfinidade pela hemoglobina mais de 200 vezes a do oxigênio · necrose simétrica dos globos pálidos (hipoatenuante na TC, hipersinal em FLAIR, restrição) · leucoencefalopatia tardia em até 1/3, semanas depois
VigabatrinaEspasmos infantis · alterações em 1/3, mais abaixo de 1 ano · pálidos, tálamos, tronco dorsal e denteados com restrição · dependem da dose e regridem ao suspender
UremiaTrês padrões: núcleos da base (mais comum), cortical e subcortical como PRES, e substância branca · sinal do garfo lentiforme: hipersinal em volta dos putames (cápsulas interna e externa), sugere acidose metabólica, mais comum no diabético
Wernicke após nutrição parenteral prolongada, com diplopia e confusão
FLAIR: tálamos mediais (seta).
FLAIR: tálamos mediais (seta).
Hipotálamo (seta).
Hipotálamo (seta).
Substância cinzenta periaquedutal (seta) e teto (ponta de seta).
Substância cinzenta periaquedutal (seta) e teto (ponta de seta).
Ponte dorsal (setas).
Ponte dorsal (setas).
T1 com contraste: realce dos corpos mamilares (setas).
T1 com contraste: realce dos corpos mamilares (setas).
FLAIR: córtex perirrolândico (setas).
FLAIR: córtex perirrolândico (setas).
Fonte: de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695, Fig. 3. Ver artigo
Intoxicação por metanol (bebida destilada clandestina)
T1: hipersinal nos putames por necrose hemorrágica (setas) e sutil na substância branca (pontas de seta).
T1: hipersinal nos putames por necrose hemorrágica (setas) e sutil na substância branca (pontas de seta).
T2 coronal: quiasma (seta preta), putames (seta branca) e substância branca (ponta de seta).
T2 coronal: quiasma (seta preta), putames (seta branca) e substância branca (ponta de seta).
Difusão: restrição nos putames (seta); artefato de suscetibilidade da hemorragia na substância branca (pontas de seta).
Difusão: restrição nos putames (seta); artefato de suscetibilidade da hemorragia na substância branca (pontas de seta).
T2*: halo de hipossinal nos putames (ponta de seta) e hipossinal extenso na substância branca (setas).
T2*: halo de hipossinal nos putames (ponta de seta) e hipossinal extenso na substância branca (setas).
Espectroscopia com TE (tempo de eco) curto: grande pico de lactato em 1,3 ppm (seta).
Espectroscopia com TE (tempo de eco) curto: grande pico de lactato em 1,3 ppm (seta).
Fonte: de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695, Fig. 4. Ver artigo
Monóxido de carbono, dois pacientes
FLAIR: globos pálidos (seta) com putames poupados, e substância branca.
FLAIR: globos pálidos (seta) com putames poupados, e substância branca.
Outro paciente, difusão: restrição extensa e simétrica na substância branca periventricular, subaguda (setas).
Outro paciente, difusão: restrição extensa e simétrica na substância branca periventricular, subaguda (setas).
O mesmo paciente após 1 ano: normalizou.
O mesmo paciente após 1 ano: normalizou.
Fonte: de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695, Fig. 5. Ver artigo
Toxicidade da vigabatrina
Difusão: restrição nos globos pálidos (seta).
Difusão: restrição nos globos pálidos (seta).
Tronco dorsal (seta).
Tronco dorsal (seta).
Após 6 meses: normalizou.
Após 6 meses: normalizou.
Fonte: de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695, Fig. 6. Ver artigo
Encefalopatia urêmica
FLAIR: hipersinal na substância branca em volta dos putames, desenhando suas bordas (setas): o sinal do garfo lentiforme.
FLAIR: hipersinal na substância branca em volta dos putames, desenhando suas bordas (setas): o sinal do garfo lentiforme.
Fonte: de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695, Fig. 7. Ver artigo
Outro sinalPensar em
Hipossinal em T2 dos tálamos, núcleos da base e substância negraTolueno crônico (inalação de solvente por anos) · com hipersinal periventricular e atrofia
Calcificação grosseira simétrica (pálidos, putames, caudados, tálamos, denteados)Hipoparatireoidismo e pseudo-hipoparatireoidismo · hipersinal em T1 · sem alteração laboratorial, doença de Fahr
Hipersinal em T1 no estriado, unilateralEstriatopatia diabética (hemicoreia-hemibalismo não cetótico) · idade média de 71 anos, glicemia média de 431 mg/dL · hiperatenuante na TC · reversível em 73%
Hipersinal em T1 nos pálidos e na substância negra, simétricoHepatopatia crônica (manganês), 80 a 90% · também nutrição parenteral, soldador, trombose portal · normaliza cerca de 1 ano após o transplante
Uso crônico de tolueno
T2: hipossinal acentuado nos globos pálidos e tálamos (setas).
T2: hipossinal acentuado nos globos pálidos e tálamos (setas).
T2 coronal: tálamos e substâncias negras (setas).
T2 coronal: tálamos e substâncias negras (setas).
Fonte: de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695, Fig. 8. Ver artigo
Hipoparatireoidismo primário, menino de 10 anos com tetania
TC: calcificações grosseiras e simétricas nos núcleos da base e na substância branca periventricular (setas).
TC: calcificações grosseiras e simétricas nos núcleos da base e na substância branca periventricular (setas).
T2: hipossinal (setas).
T2: hipossinal (setas).
T1: hipersinal (setas).
T1: hipersinal (setas).
Fonte: de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695, Fig. 9. Ver artigo
Estriatopatia diabética (hemicoreia-hemibalismo)
T1: hipersinal do estriado de um lado só.
T1: hipersinal do estriado de um lado só.
Fonte: de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695, Fig. 10. Ver artigo
Encefalopatia hepática crônica
T1: hipersinal nos globos pálidos (seta).
T1: hipersinal nos globos pálidos (seta).
FLAIR: tratos corticoespinais no braço posterior da cápsula interna (setas).
FLAIR: tratos corticoespinais no braço posterior da cápsula interna (setas).
T2: hipersinal linear nas camadas profundas do córtex perirrolândico (setas).
T2: hipersinal linear nas camadas profundas do córtex perirrolândico (setas).
Fonte: de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695, Fig. 11. Ver artigo
pálido não é só monóxido A encefalopatia hipóxico-isquêmica e as drogas (heroína injetada dá infarto do pálido em até 10%) também pegam os globos pálidos. O metanol prefere o putame; o monóxido, o pálido.

Núcleos denteados e córtex

DenteadosO que saber
MetronidazolUso prolongado (média de 54 dias, já descrito com 7) · ataxia em 75% · denteados em até 93% · padrão de 86%: denteados, núcleos vestibulares, tegmento e olivas superiores · hipersinal em FLAIR sem realce · às vezes esplênio ou substância branca periventricular · isoniazida dá quadro parecido
Brometo de metila (pesticida)Meses depois da exposição · periaquedutal, ponte dorsal e denteados, reversível
CálcioDenteados calcificados nas doenças da paratireoide
Toxicidade do metronidazol
FLAIR: hipersinal simétrico nos núcleos denteados (seta).
FLAIR: hipersinal simétrico nos núcleos denteados (seta).
Fonte: de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695, Fig. 12. Ver artigo
Intoxicação por brometo de metila
T2: denteados (ponta de seta) e ponte dorsal (seta).
T2: denteados (ponta de seta) e ponte dorsal (seta).
FLAIR: substância cinzenta periaquedutal (ponta de seta) e núcleos subtalâmicos (seta).
FLAIR: substância cinzenta periaquedutal (ponta de seta) e núcleos subtalâmicos (seta).
Fonte: de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695, Fig. 13. Ver artigo
CórtexO que saber
Hipoglicemia do adultoDiabético com insulina · córtex parieto-occipital e temporal com restrição forte · núcleos da base: pior prognóstico · poupa tálamos, substância branca e cerebelo
Hipoglicemia do recém-nascidoMãe diabética, primeiros 3 dias · parieto-occipital posterior (cinzenta e branca), radiações ópticas, às vezes tálamo posterior
Hiperamonemia e encefalopatia hepática agudaInsuficiência hepática aguda, valproato, paracetamol, sepse, transplante de medula · ínsulas e giros do cíngulo, poupando occipital e perirrolândico · tálamos · espectroscopia com glutamina-glutamato (2,1 a 2,4 ppm) · córtex acometido: pior
Hipoglicemia, homem com cirrose em coma, glicemia de 20 mg/dL
FLAIR: córtex temporal e parieto-occipital e núcleos da base (setas), poupando substância branca e tálamos.
FLAIR: córtex temporal e parieto-occipital e núcleos da base (setas), poupando substância branca e tálamos.
Mapa de ADC (coeficiente de difusão aparente): restrição verdadeira nas mesmas áreas, com os tálamos poupados (setas).
Mapa de ADC (coeficiente de difusão aparente): restrição verdadeira nas mesmas áreas, com os tálamos poupados (setas).
Fonte: de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695, Fig. 14. Ver artigo
Hiperamonemia, homem de 54 anos no 10º dia após transplante de fígado
Difusão: restrição nas ínsulas e nos giros do cíngulo (setas), poupando a região parieto-occipital (*).
Difusão: restrição nas ínsulas e nos giros do cíngulo (setas), poupando a região parieto-occipital (*).
Espectroscopia (TE 30 ms): pico de glutamina-glutamato em 2,1 a 2,4 ppm (seta).
Espectroscopia (TE 30 ms): pico de glutamina-glutamato em 2,1 a 2,4 ppm (seta).
Fonte: de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695, Fig. 15. Ver artigo
hipoglicemia contra hipóxia As duas pegam o córtex. Na hipóxia (parada cardíaca), os tálamos e o cerebelo entram, simétricos; na hipoglicemia, ficam de fora. Na hepatopatia crônica, o hipersinal laminar fica no córtex perirrolândico profundo; na hipóxia, nas zonas de fronteira.

Substância branca e PRES

CausaPadrão
Heroína inalada (“perseguir o dragão”)Hipersinal confluente e simétrico supra e infratentorial · braço posterior da cápsula interna sim, anterior não · poupa fibras em U · substância branca do cerebelo poupando os denteados (“asa de borboleta”) · pode piorar até 6 meses depois de parar
MetotrexatoMais na via intratecal e em dose alta, mais em crianças · leucoencefalopatia 2 a 14 dias depois: restrição no centro semioval atravessando territórios vasculares, poupando fibras em U, quase sempre assintomática · com radioterapia de crânio, encefalopatia necrosante disseminada, que imita tumor
Fludarabina, ciclosporina, 5-fluoruracilaLeucoencefalopatia tóxica periventricular simétrica · a quimioterapia é a principal causa
Falta de B12Trato corticoespinal no encéfalo · na medula, cordões posteriores e laterais em V invertido (degeneração combinada subaguda) · cobre e excesso de zinco imitam · melhora em 3 meses
Levamisol (adulterante da cocaína)Jovem com quadro de AVC · lesões desmielinizantes ovais no centro semioval, realce periférico incompleto (em C), camadas concêntricas na difusão · regridem com corticoide
Anti-TNF, vincristinaLesões ovoides perivenulares assimétricas, como desmielinização
Heroína inalada, dois pacientes
T2: hipersinal confluente e simétrico na substância branca (normalizou em 6 meses).
T2: hipersinal confluente e simétrico na substância branca (normalizou em 6 meses).
Outro paciente, FLAIR: braço posterior da cápsula interna acometido e o anterior poupado (setas).
Outro paciente, FLAIR: braço posterior da cápsula interna acometido e o anterior poupado (setas).
Fonte: de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695, Fig. 16. Ver artigo
Metotrexato, dois pacientes
Leucoencefalopatia tóxica, difusão: lesões no centro semioval atravessando territórios e poupando as fibras em U (seta).
Leucoencefalopatia tóxica, difusão: lesões no centro semioval atravessando territórios e poupando as fibras em U (seta).
Mapa de ADC: restrição verdadeira.
Mapa de ADC: restrição verdadeira.
Outro paciente, encefalopatia necrosante (metotrexato intratecal com radioterapia de crânio), FLAIR: lesão com hipossinal (seta) e edema vasogênico extenso.
Outro paciente, encefalopatia necrosante (metotrexato intratecal com radioterapia de crânio), FLAIR: lesão com hipossinal (seta) e edema vasogênico extenso.
T1 com contraste: realce periférico (seta).
T1 com contraste: realce periférico (seta).
Controle após 3 meses: menos realce (seta) e menos edema (ponta de seta).
Controle após 3 meses: menos realce (seta) e menos edema (ponta de seta).
Fonte: de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695, Fig. 17. Ver artigo
Leucoencefalopatia tóxica aguda pela fludarabina
Difusão: restrição simétrica na substância branca periventricular (pontas de seta).
Difusão: restrição simétrica na substância branca periventricular (pontas de seta).
Fonte: de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695, Fig. 18. Ver artigo
Falta de vitamina B12
T2 axial da coluna cervical: cordões posteriores e laterais em V invertido (seta).
T2 axial da coluna cervical: cordões posteriores e laterais em V invertido (seta).
FLAIR do crânio: hipersinal na região dos tratos corticoespinais (setas).
FLAIR do crânio: hipersinal na região dos tratos corticoespinais (setas).
Fonte: de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695, Fig. 19. Ver artigo
Leucoencefalopatia pelo levamisol, dois pacientes
T1 com contraste: lesões no centro semioval com realce periférico incompleto, sem edema nem efeito de massa.
T1 com contraste: lesões no centro semioval com realce periférico incompleto, sem edema nem efeito de massa.
Outro paciente, difusão: restrição forte em camadas concêntricas.
Outro paciente, difusão: restrição forte em camadas concêntricas.
Fonte: de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695, Fig. 22. Ver artigo
PRESNúmeros do artigo
ClínicaConvulsão em 60 a 75% · normotenso em 20 a 30% · mais em mulher jovem
CausasHipertensão, pré-eclâmpsia, insuficiência renal, sepse, plaquetopenia, citotóxicos e imunossupressores
ImagemHipersinal subcortical bilateral e assimétrico · difusão normal ou menor que o FLAIR · realce em até 37%
DistribuiçãoParieto-occipital (até 90%), sulco frontal superior (70%), fronteira holo-hemisférica (50%) · combinações em mais de 90% · cerebelo, núcleos da base e tronco também
AtípicaCiclosporina e tacrolimo: simétrica, em lugares incomuns, com realce · nem sempre reversível nem posterior
PRES
FLAIR: hipersinal subcortical parieto-occipital e frontal, bilateral e assimétrico, poupando o córtex.
FLAIR: hipersinal subcortical parieto-occipital e frontal, bilateral e assimétrico, poupando o córtex.
Mapa de ADC: sem restrição verdadeira (edema vasogênico).
Mapa de ADC: sem restrição verdadeira (edema vasogênico).
Fonte: de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695, Fig. 23. Ver artigo

Corpo caloso: CLOCC e Marchiafava-Bignami

CLOCC é a lesão citotóxica do corpo caloso (cytotoxic lesion of the corpus callosum), nome que Starkey e colegas propõem no lugar de “lesão esplênica reversível” e MERS (mild encephalopathy with reversible splenial lesion: encefalopatia leve com lesão esplênica reversível): a encefalopatia nem sempre é leve, a lesão nem sempre some e nem sempre fica no esplênio. É lesão secundária: achar a causa e não chamar de isquemia.

MecanismoPasso
CitocinasTrauma, infecção ou inflamação ativam macrófagos (IL-1 (interleucina 1), IL-6 (interleucina 6)), linfócitos T e endotélio (TNF-α)
GlutamatoAstrócitos liberam glutamato e deixam de recaptá-lo · a micróglia amplifica · o extracelular chega a 100 vezes o normal ou mais
Edema citotóxicoReceptores NMDA (N-metil-D-aspartato) e AMPA (ácido α-amino-3-hidroxi-5-metil-4-isoxazolpropiônico): água entra e fica presa em astrócitos e neurônios
Por que o esplênioMais receptores de citocina, glutamato e fármacos no corpo caloso
ImagemCLOCC
FLAIR e T1Hipersinal em FLAIR, hipossinal em T1
DifusãoRestrição · ADC médio de 0,31 × 10⁻³ mm²/s
ContrasteSem realce
Padrões(a) oval no centro do esplênio, o mais comum · (b) do esplênio para a substância branca dos lados · (c) do esplênio para o corpo caloso anterior
EvoluçãoMuitas vezes, mas nem sempre, reversível · casos do artigo somem em 4 dias a 2 meses
Os três padrões da CLOCC
À esquerda, o mais comum: oval no centro do esplênio. No meio: do esplênio para os lados. À direita: até o corpo caloso anterior.
À esquerda, o mais comum: oval no centro do esplênio. No meio: do esplênio para os lados. À direita: até o corpo caloso anterior.
Fonte: Starkey J, Kobayashi N, Numaguchi Y, Moritani T. RadioGraphics 2017;37(2):562–576, Fig. 3. Ver artigo
CLOCC por carbamazepina, mulher de 19 anos com transtorno bipolar, sem convulsões
FLAIR: lesão oval no esplênio com hipersinal discreto.
FLAIR: lesão oval no esplênio com hipersinal discreto.
Difusão: hipersinal.
Difusão: hipersinal.
Mapa de ADC: restrição.
Mapa de ADC: restrição.
Difusão após 1 mês: sumiu.
Difusão após 1 mês: sumiu.
Fonte: Starkey J, Kobayashi N, Numaguchi Y, Moritani T. RadioGraphics 2017;37(2):562–576, Fig. 4. Ver artigo
Lesão oval no esplênio depois de uso intenso de maconha
Difusão: lesão central no esplênio com restrição verdadeira (seta). A RM meses depois foi normal.
Difusão: lesão central no esplênio com restrição verdadeira (seta). A RM meses depois foi normal.
Fonte: de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695, Fig. 21. Ver artigo
CLOCC com metronidazol, homem de 39 anos tratando celulite
FLAIR: lesão oval no esplênio, à esquerda.
FLAIR: lesão oval no esplênio, à esquerda.
Difusão: restrição.
Difusão: restrição.
FLAIR no nível do cerebelo: hipersinal dos denteados, sem restrição. Tudo sumiu em 10 dias após suspender o fármaco.
FLAIR no nível do cerebelo: hipersinal dos denteados, sem restrição. Tudo sumiu em 10 dias após suspender o fármaco.
Fonte: Starkey J, Kobayashi N, Numaguchi Y, Moritani T. RadioGraphics 2017;37(2):562–576, Fig. 5. Ver artigo
Grupo de causasPistas
FármacosAntiepilépticos, sobretudo a suspensão (24 h a 3 semanas depois) · carbamazepina mesmo sem convulsão · metronidazol com denteados · quimioterápicos, corticoide
CâncerPaciente sem quimioterapia com CLOCC: procurar disseminação leptomeníngea
InfecçãoVírus (influenza, rotavírus, EBV (vírus Epstein-Barr)), Mycoplasma, bactérias, malária (viagem) · EBV com linfo-histiocitose hemofagocítica pode pegar o corpo caloso inteiro
Hemorragia subaracnoideSem irregularidade arterial na angiografia (não é vasoespasmo)
MetabólicasHipoglicemia, hipernatremia, hiponatremia, encefalopatia hepática (com T1 hiper nos pálidos), mielinólise, Wernicke, Marchiafava-Bignami
TraumaLesão axonal difusa · focos na transição corticossubcortical, corpo caloso e tronco · SWI (imagem ponderada em suscetibilidade magnética) com micro-hemorragias · prognóstico em geral ruim
OutrasAltitude, eclâmpsia, PRES, estado de mal sem fármaco, anticorpos anti-receptor de glutamato e anti-canal de potássio, Kawasaki, vacina
CLOCC associada a câncer, mulher de 22 anos com paralisia e cefaleia (gliomatose leptomeníngea por glioblastoma da medula)
T2 sagital: massa na medula em T11-T12.
T2 sagital: massa na medula em T11-T12.
Difusão: lesão oval no esplênio, um pouco à esquerda.
Difusão: lesão oval no esplênio, um pouco à esquerda.
T1 com contraste: a lesão não realça; realce leptomeníngeo difuso.
T1 com contraste: a lesão não realça; realce leptomeníngeo difuso.
Fonte: Starkey J, Kobayashi N, Numaguchi Y, Moritani T. RadioGraphics 2017;37(2):562–576, Fig. 6. Ver artigo
CLOCC infecciosa, homem de 22 anos com encefalite asséptica leve
Difusão: lesão oval típica no esplênio.
Difusão: lesão oval típica no esplênio.
Após 2 meses: quase sumiu.
Após 2 meses: quase sumiu.
Fonte: Starkey J, Kobayashi N, Numaguchi Y, Moritani T. RadioGraphics 2017;37(2):562–576, Fig. 7. Ver artigo
CLOCC infecciosa, lactente de 1 mês com meningite e vasculite por S. aureus
Difusão: coleções subdurais, infartos corticais frontais e lesão focal no esplênio.
Difusão: coleções subdurais, infartos corticais frontais e lesão focal no esplênio.
Fonte: Starkey J, Kobayashi N, Numaguchi Y, Moritani T. RadioGraphics 2017;37(2):562–576, Fig. 8. Ver artigo
CLOCC na malária cerebral, mulher de 19 anos após viagem a Moçambique
Difusão: lesão do esplênio estendendo-se à substância branca profunda posterior.
Difusão: lesão do esplênio estendendo-se à substância branca profunda posterior.
Fonte: Starkey J, Kobayashi N, Numaguchi Y, Moritani T. RadioGraphics 2017;37(2):562–576, Fig. 9. Ver artigo
CLOCC por rotavírus, menino de 5 anos com diarreia e confusão
Difusão: lesão do esplênio estendendo-se para os lados (chegava ao corpo e ao joelho); quase sumiu no 4º dia.
Difusão: lesão do esplênio estendendo-se para os lados (chegava ao corpo e ao joelho); quase sumiu no 4º dia.
Fonte: Starkey J, Kobayashi N, Numaguchi Y, Moritani T. RadioGraphics 2017;37(2):562–576, Fig. 10. Ver artigo
CLOCC por EBV com hipercitocinemia, menino de 13 anos tratado com ciclosporina
FLAIR: lesão alongada no esplênio, corpo caloso anterior discreto e hipersinal occipital (da ciclosporina, não da CLOCC).
FLAIR: lesão alongada no esplênio, corpo caloso anterior discreto e hipersinal occipital (da ciclosporina, não da CLOCC).
Difusão: restrição no corpo caloso, não nas lesões occipitais.
Difusão: restrição no corpo caloso, não nas lesões occipitais.
Fonte: Starkey J, Kobayashi N, Numaguchi Y, Moritani T. RadioGraphics 2017;37(2):562–576, Fig. 11. Ver artigo
Linfo-histiocitose hemofagocítica por EBV, menina de 6 anos
Difusão: o corpo caloso inteiro e a substância branca dos hemisférios.
Difusão: o corpo caloso inteiro e a substância branca dos hemisférios.
Fonte: Starkey J, Kobayashi N, Numaguchi Y, Moritani T. RadioGraphics 2017;37(2):562–576, Fig. 12. Ver artigo
CLOCC na hemorragia subaracnoide sem vasoespasmo, três pacientes
TC, homem de 68 anos: hemorragia Fisher modificado grau 3.
TC, homem de 68 anos: hemorragia Fisher modificado grau 3.
Difusão, o mesmo homem: lesão do corpo posterior ao esplênio.
Difusão, o mesmo homem: lesão do corpo posterior ao esplênio.
Difusão, homem de 42 anos: lesão do corpo posterior ao esplênio.
Difusão, homem de 42 anos: lesão do corpo posterior ao esplênio.
Difusão, homem de 53 anos com aneurisma dissecante da vertebral: lesão no esplênio.
Difusão, homem de 53 anos com aneurisma dissecante da vertebral: lesão no esplênio.
Fonte: Starkey J, Kobayashi N, Numaguchi Y, Moritani T. RadioGraphics 2017;37(2):562–576, Fig. 13. Ver artigo
CLOCC na encefalopatia hepática, homem de 56 anos com cirrose
Difusão: lesão no esplênio estendendo-se à substância branca profunda.
Difusão: lesão no esplênio estendendo-se à substância branca profunda.
Fonte: Starkey J, Kobayashi N, Numaguchi Y, Moritani T. RadioGraphics 2017;37(2):562–576, Fig. 14. Ver artigo
CLOCC no trauma, menino de 11 anos com lesão axonal difusa
Difusão: lesão oval no esplênio estendendo-se ao corpo do corpo caloso.
Difusão: lesão oval no esplênio estendendo-se ao corpo do corpo caloso.
Um pouco abaixo: restrição também nos fórnices.
Um pouco abaixo: restrição também nos fórnices.
Fonte: Starkey J, Kobayashi N, Numaguchi Y, Moritani T. RadioGraphics 2017;37(2):562–576, Fig. 18. Ver artigo
CLOCC na lesão axonal difusa, dois pacientes
Difusão, homem de 30 anos: esplênio com extensão lateral, tálamos, cápsulas internas e joelho à esquerda.
Difusão, homem de 30 anos: esplênio com extensão lateral, tálamos, cápsulas internas e joelho à esquerda.
Difusão, homem de 24 anos: o corpo caloso inteiro e a substância branca profunda vizinha.
Difusão, homem de 24 anos: o corpo caloso inteiro e a substância branca profunda vizinha.
Fonte: Starkey J, Kobayashi N, Numaguchi Y, Moritani T. RadioGraphics 2017;37(2):562–576, Fig. 19. Ver artigo
Marchiafava-BignamiO que saber
ContextoÁlcool crônico e falta de vitaminas do complexo B
Tipo A (agudo)Convulsão ou coma, corpo caloso inteiro, morte em dias
Tipo B (crônico)Encefalopatia leve, lesões focais (o artigo cita o joelho como o mais comum; Starkey, o corpo)
ImagemCamadas médias do corpo caloso, poupando a periferia: sinal do sanduíche no FLAIR sagital · difusão negativa no início · no crônico, afinamento com linha central de hipossinal em T1
Marchiafava-Bignami, homem de 30 anos com episódios de bebedeira
FLAIR sagital: necrose da parte central do esplênio poupando a periferia (setas), o sinal do sanduíche.
FLAIR sagital: necrose da parte central do esplênio poupando a periferia (setas), o sinal do sanduíche.
Tensor de difusão: menos fibras calosas no mesmo trecho do esplênio (setas).
Tensor de difusão: menos fibras calosas no mesmo trecho do esplênio (setas).
Fonte: de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695, Fig. 20. Ver artigo
o que não é CLOCC Infarto de ramos distais da cerebral anterior (assimétrico, depois de cirurgia como a clipagem de aneurisma), ADEM (encefalomielite disseminada aguda) (assimétrica), esclerose múltipla (lesões periventriculares típicas), linfoma e glioblastoma (aspecto mais agressivo). Na dúvida, angio-RM ou RM com contraste.

Ponte: desmielinização osmótica

TemaO que saber
Causa clássicaCorreção rápida da hiponatremia: sódio abaixo de 115 mmol/L corrigido mais de 12 mmol/L por dia · também ocorre com sódio normal
OutrasAlcoolismo, transplante de fígado, desnutrição, hiper ou hipoglicemia, uremia e hemodiálise, queimadura, diurético por muito tempo
ClínicaBifásica: piora de novo cerca de 1 semana depois de corrigido o sódio
DistribuiçãoSó ponte em cerca de 50% · ponte e extrapontina em 30% · só extrapontina em 20%
ImagemLesão central redonda ou em tridente, poupando a periferia e os tratos corticoespinais · fibras pontinas transversas poupadas (linhas finas normais) · restrição já em 24 h · TC e T2 em 1 a 2 semanas
ExtrapontinaNúcleos da base, tálamos, substância branca, pedúnculos cerebelares médios, esplênio · necrose laminar cortical · focos justacorticais
Desmielinização osmótica, dois pacientes
FLAIR: lesão em tridente na ponte central (seta), poupando a periferia e os tratos corticoespinais.
FLAIR: lesão em tridente na ponte central (seta), poupando a periferia e os tratos corticoespinais.
Outro paciente, T2 coronal: lesões extrapontinas justacorticais (setas).
Outro paciente, T2 coronal: lesões extrapontinas justacorticais (setas).
Fonte: de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695, Fig. 24. Ver artigo
Mielinólise extrapontina, menino de 7 anos após correção rápida da hiponatremia
Difusão: lesão alongada no esplênio e lesões nas cápsulas externas, tálamos e fórnices.
Difusão: lesão alongada no esplênio e lesões nas cápsulas externas, tálamos e fórnices.
Fonte: Starkey J, Kobayashi N, Numaguchi Y, Moritani T. RadioGraphics 2017;37(2):562–576, Fig. 15. Ver artigo
Mielinólise pontina e extrapontina, homem de 54 anos após transplante de fígado
Difusão no nível dos núcleos da base: lesão oval no esplênio.
Difusão no nível dos núcleos da base: lesão oval no esplênio.
No nível do cerebelo: restrição nos pedúnculos cerebelares médios.
No nível do cerebelo: restrição nos pedúnculos cerebelares médios.
Fonte: Starkey J, Kobayashi N, Numaguchi Y, Moritani T. RadioGraphics 2017;37(2):562–576, Fig. 16. Ver artigo
a difusão vem antes A ressonância convencional pode ser normal na primeira semana. Paciente que piora depois de corrigir o sódio: a difusão mostra a ponte antes do T2.

Pontos de prova: alto rendimento

Padrão geralBilateral, simétrico, sem massa nem realce
Cinzenta extensaPrognóstico pior
Só brancaSugere reversível
IntramielínicoRestrição verdadeira e reversível
Leucoencefalopatia tóxicaPeriventricular simétrica, poupa núcleos da base
WernickeTálamo medial 85%, mamilares 60%
Tríade de WernickeSó 30%
MetanolPutames, nervo óptico
Monóxido de carbonoGlobos pálidos
Garfo lentiformeUremia com acidose
T2 hipo nos tálamosTolueno
T1 hiper estriado unilateralEstriatopatia diabética
T1 hiper nos pálidosHepatopatia crônica (manganês)
DenteadosMetronidazol
HipoglicemiaPoupa tálamos e cerebelo
HiperamonemiaÍnsula e cíngulo
Heroína inaladaBraço posterior da cápsula, asa de borboleta
B12V invertido na medula
LevamisolRealce em C
PRESParieto-occipital, normotenso em 20–30%
CLOCCOval no esplênio, restrição, sem realce
CLOCC por fármacoSuspensão de antiepiléptico
Marchiafava-BignamiSinal do sanduíche
Desmielinização osmóticaTridente, piora bifásica

Armadilhas e erros comuns

Erros

  • Chamar de isquemia a CLOCC no esplênio
  • Parar no corpo caloso e não procurar a causa
  • Esperar a tríade para pensar em Wernicke
  • Pensar em Wernicke só no alcoolista
  • Chamar de monóxido toda lesão do pálido
  • Confundir hipoglicemia com hipóxia (olhe tálamos e cerebelo)
  • Chamar de tumor a encefalopatia necrosante do metotrexato sem a história
  • Afastar PRES porque o paciente é normotenso
  • Afastar desmielinização osmótica com T2 normal na primeira semana

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Mulher confusa, semanas após cirurgia bariátrica, com hipersinal em FLAIR no tálamo medial e na substância cinzenta periaquedutal. Qual achado reforça o diagnóstico mais provável?

É Wernicke: quase metade dos casos não tem álcool (bariátrica, hiperêmese, anorexia, nutrição parenteral), e a tríade clássica aparece em só 30%. Tálamo medial (85%), mamilares (60%), periaquedutal e teto; o realce dos corpos mamilares, em até 80%, é muito sugestivo.
↑revisar esta parte do caderno · Núcleos da base e tálamos
Questão 2

Após incêndio doméstico, a RM mostra necrose simétrica dos globos pálidos com putames poupados. A principal hipótese é:

O monóxido de carbono (afinidade pela hemoglobina mais de 200 vezes a do oxigênio) necrosa os globos pálidos; até 1/3 tem leucoencefalopatia tardia semanas depois. O metanol prefere os putames, poupando os pálidos. Hipóxia e heroína injetada também podem pegar o pálido.
↑revisar esta parte do caderno · Núcleos da base e tálamos
Questão 3

Diabético em coma, glicemia de 20 mg/dL, com restrição à difusão no córtex temporal e parieto-occipital. Qual achado favorece hipoglicemia sobre lesão hipóxico-isquêmica?

As duas pegam o córtex. A hipoglicemia poupa tálamos, substância branca e cerebelo; na hipóxia (parada cardíaca) tálamos e cerebelo entram, simétricos. Núcleos da base na hipoglicemia indicam pior prognóstico, mas não separam as duas.
↑revisar esta parte do caderno · Núcleos denteados e córtex
Questão 4

Usuário de heroína inalada (“perseguir o dragão”) com hipersinal simétrico em T2 na substância branca. Qual distribuição é típica?

A leucoencefalopatia da heroína inalada pega o braço posterior da cápsula interna (o anterior fica livre) e a substância branca periventricular, poupando as fibras em U; no cerebelo, a substância branca em asa de borboleta, poupando os denteados. Pode progredir até 6 meses depois de parar.
↑revisar esta parte do caderno · Substância branca e PRES
Questão 5

Paciente com epilepsia, dias após suspender a carbamazepina, tem lesão oval no centro do esplênio com hipersinal em FLAIR, restrição à difusão e sem realce. A interpretação mais adequada é:

A suspensão de antiepiléptico é a causa mais comum de CLOCC (24 h a 3 semanas depois). Lesão secundária, mediada por citocinas e glutamato, oval e central no esplênio, em geral reversível. O infarto da cerebral anterior distal é assimétrico; linfoma tem aspecto mais agressivo.
↑revisar esta parte do caderno · Corpo caloso: CLOCC e Marchiafava-Bignami
Questão 6

Alcoolista com sódio de 108 mmol/L corrigido rapidamente melhora e, uma semana depois, piora com tetraparesia. A RM tende a mostrar:

É a desmielinização osmótica: curso bifásico, com piora cerca de 1 semana após corrigir o sódio. Lesão central redonda ou em tridente, poupando a periferia e os tratos corticoespinais. A difusão mostra a lesão já em 24 h; o T2, em 1 a 2 semanas.
↑revisar esta parte do caderno · Ponte: desmielinização osmótica
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Cadernos relacionados

Fontes.
de Oliveira AM, Paulino MV, Vieira APF, et al. Imaging Patterns of Toxic and Metabolic Brain Disorders. RadioGraphics 2019;39(6):1672–1695. doi:10.1148/rg.2019190016
Starkey J, Kobayashi N, Numaguchi Y, Moritani T. Cytotoxic Lesions of the Corpus Callosum That Show Restricted Diffusion: Mechanisms, Causes, and Manifestations. RadioGraphics 2017;37(2):562–576. doi:10.1148/rg.2017160085

Os dois artigos divergem no local preferido do Marchiafava-Bignami crônico: de Oliveira cita o joelho, Starkey o corpo; a figura de de Oliveira mostra o esplênio. Os esquemas com texto em inglês (mecanismo da CLOCC, fluxograma da mielinólise, quadro de lugares e diagnósticos) e as fotos de histologia e de peça não foram reproduzidos. Conferido em 07/10/2026.

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