Cadernos QRad 99 · Placenta, Cordão e Espectro do Acretismo
Obstetrícia · placenta

Placenta, Cordão e Espectro do Acretismo

Fontes: Leal et al: 2026 e Patel-Lippmann et al: 2023, RadioGraphics

Onde está, como se prende e o que leva o sangue

A placenta aparece por volta de 10 semanas, chega a 2 a 4 cm de espessura e cerca de 500 g no termo. O cordão tem duas artérias e uma veia na geleia de Wharton, 50 a 60 cm e até 40 voltas. No dia a dia o radiologista responde a três perguntas: onde a placenta está (prévia, baixa), como o cordão se insere (velamentosa, vasa prévia) e se ela invade o útero (espectro do acretismo).

Placenta normalO que ver
USHomogênea e ecogênica no 1º trimestre, mais lobulada e heterogênea depois · zona clara retroplacentária hipoecogênica (some com a compressão do transdutor, o miométrio não)
RMSinal T2 moderadamente alto e homogêneo · septos finos escuros são normais · miométrio trilaminar no 2º trimestre, que no fim da gestação vira uma linha escura fina
ContraçãoEspessamento focal escuro que some nas sequências seguintes
Zona clara e miométrio, 22 semanas
Sem compressão: zona clara retroplacentária (setas curtas) e miométrio (setas longas).
Sem compressão: zona clara retroplacentária (setas curtas) e miométrio (setas longas).
Com compressão do abdome: a zona clara some, o miométrio continua visível.
Com compressão do abdome: a zona clara some, o miométrio continua visível.
Fonte: Leal PV, Brock MF, Brandão AC, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250044, Fig. 6. Ver artigo
Placenta normal na RM
T2 sagital, 26 semanas: placenta anterior de contorno liso (seta), sinal homogêneo e interface normal com o miométrio (*).
T2 sagital, 26 semanas: placenta anterior de contorno liso (seta), sinal homogêneo e interface normal com o miométrio (*).
T2 axial, 30 semanas: septos finos escuros (setas) dentro da placenta normal.
T2 axial, 30 semanas: septos finos escuros (setas) dentro da placenta normal.
Interface útero-placentária: miométrio trilaminar (setas tracejadas), linha escura retroplacentária preservada (ponta de seta) e vazios de fluxo normais (seta).
Interface útero-placentária: miométrio trilaminar (setas tracejadas), linha escura retroplacentária preservada (ponta de seta) e vazios de fluxo normais (seta).
Terceiro trimestre (35 semanas): miométrio fino e perda do aspecto trilaminar, normais (pontas de seta).
Terceiro trimestre (35 semanas): miométrio fino e perda do aspecto trilaminar, normais (pontas de seta).
Contração focal anterior (seta), que não é lesão.
Contração focal anterior (seta), que não é lesão.
Fonte: Patel-Lippmann KK, Planz VB, Phillips CH, et al. RadioGraphics 2023;43(5):e220090, Fig. 2. Ver artigo
Difusão da placenta, 34 semanas
T2: placenta (seta tracejada) difícil de separar do miométrio congesto (seta).
T2: placenta (seta tracejada) difícil de separar do miométrio congesto (seta).
Difusão b 0: sinais parecidos.
Difusão b 0: sinais parecidos.
Difusão b 500: a placenta continua clara e o miométrio escurece.
Difusão b 500: a placenta continua clara e o miométrio escurece.
Fonte: Patel-Lippmann KK, Planz VB, Phillips CH, et al. RadioGraphics 2023;43(5):e220090, Fig. 4. Ver artigo
Cordão umbilical normal
Doppler transversal, 34 semanas: duas artérias (setas) e uma veia (seta aberta).
Doppler transversal, 34 semanas: duas artérias (setas) e uma veia (seta aberta).
Doppler 3D, 22 semanas: espiralamento típico.
Doppler 3D, 22 semanas: espiralamento típico.
Doppler, 20 semanas: inserção perto do centro da placenta.
Doppler, 20 semanas: inserção perto do centro da placenta.
Fonte: Leal PV, Brock MF, Brandão AC, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250044, Fig. 2. Ver artigo
normal no fim da gestação Depois de 32 semanas o miométrio fica fino, a placenta fica heterogênea e aparecem infartos pequenos e vasos proeminentes: achados normais que se sobrepõem ao acretismo. Por isso a RM para acretismo se faz entre 28 e 32 semanas.

Localização e variantes

LocalizaçãoDefinição
NormalBorda inferior a 2 cm ou mais do orifício interno
BaixaBorda a menos de 2 cm do orifício, sem cobri-lo
PréviaCobre o orifício interno, em parte ou todo · não diagnosticar antes de 15 semanas (a placenta “migra”) · evitar “marginal”, “completa” e “central”
Riscos da préviaCesárea prévia, tabagismo, idade, multiparidade, gemelaridade · acretismo, hemorragia, prematuridade
Quando usar via vaginalBorda pouco clara, bexiga vazia, obesidade, contração
Placenta baixa
RM T2 sagital, 31 semanas: borda inferior (seta aberta) a menos de 2 cm do orifício interno (seta).
RM T2 sagital, 31 semanas: borda inferior (seta aberta) a menos de 2 cm do orifício interno (seta).
US transvaginal, 25 semanas: borda (seta) a menos de 2 cm do orifício interno (seta aberta).
US transvaginal, 25 semanas: borda (seta) a menos de 2 cm do orifício interno (seta aberta).
Fonte: Leal PV, Brock MF, Brandão AC, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250044, Fig. 3. Ver artigo
Placenta prévia, 34 semanas
Doppler: placenta (seta) cobrindo o orifício interno (seta aberta).
Doppler: placenta (seta) cobrindo o orifício interno (seta aberta).
RM T2 sagital: confirma a prévia.
RM T2 sagital: confirma a prévia.
Fonte: Leal PV, Brock MF, Brandão AC, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250044, Fig. 4. Ver artigo
Vasa prévia, 22 semanas
Doppler transvaginal: vasos sobre o orifício interno (seta), fixos mesmo mudando a posição da mãe.
Doppler transvaginal: vasos sobre o orifício interno (seta), fixos mesmo mudando a posição da mãe.
Fonte: Leal PV, Brock MF, Brandão AC, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250044, Fig. 20. Ver artigo
VarianteO que éRisco
BilobadaDois lobos quase iguais ligados por uma ponteVasa prévia, hemorragia pós-parto
SucenturiadaLobo acessório pequeno nas membranas · Doppler mostra a ligaçãoVasa prévia, lobo retido
CircunvaladaBorda espessa e elevada por dobra das membranasEm geral bom prognóstico
Inserção marginalCordão a 1 a 2 cm da bordaMais restrição de crescimento
Inserção velamentosaVasos nas membranas sem geleia de Wharton · 1% das gestações únicas, até 15% dos gêmeos monocoriônicosRotura, compressão, sangramento fetal
Vasa préviaVasos fetais desprotegidos sobre o orifício interno (a menos de 2 cm) · tipo 1 velamentosa, tipo 2 entre lobos, tipo 3 vasos na bordaExsanguinação fetal no trabalho de parto
Inserção marginal do cordão
Doppler, 23 semanas: inserção a menos de 1 cm da borda da placenta (seta).
Doppler, 23 semanas: inserção a menos de 1 cm da borda da placenta (seta).
RM T2 coronal, 35 semanas: o mesmo (seta).
RM T2 coronal, 35 semanas: o mesmo (seta).
Fonte: Leal PV, Brock MF, Brandão AC, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250044, Fig. 18. Ver artigo
Inserção velamentosa do cordão
Desenho: vasos do cordão (setas) correndo nas membranas, sem a geleia de Wharton.
Desenho: vasos do cordão (setas) correndo nas membranas, sem a geleia de Wharton.
Doppler, 30 semanas: inserção velamentosa típica (setas).
Doppler, 30 semanas: inserção velamentosa típica (setas).
RM T2 axial, 32 semanas: placenta bilobada, lobos anterior e posterior (setas) ligados por vasos velamentosos.
RM T2 axial, 32 semanas: placenta bilobada, lobos anterior e posterior (setas) ligados por vasos velamentosos.
Fonte: Leal PV, Brock MF, Brandão AC, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250044, Fig. 19. Ver artigo
Doppler transvaginal no orifício A vasa prévia aparece no Doppler colorido e espectral transvaginal (sensibilidade de 100%): vasos sobre o orifício interno que não se mexem quando a mãe muda de posição. Pensar nela com inserção velamentosa, placenta baixa ou prévia no 2º trimestre, lobo sucenturiado ou bilobado, reprodução assistida e gêmeos.

O cordão umbilical

CordãoO que saber
Artéria umbilical únicaDoppler ao lado da bexiga fetal: vaso de um lado só · ligada a anomalias e restrição de crescimento · armadilha: a ilíaca externa fora do plano
Vasos a maisEm geral duas veias (veia umbilical direita persistente) · trissomia 18
CistosNo 1º trimestre, benignos e transitórios · depois, mais anomalias e trissomia 18
EspiralamentoVoltas ÷ comprimento · abaixo do p10 ou acima do p90 se ligam a sofrimento e restrição
Nó verdadeiroAlça apertada por outra · sofrimento e óbito
CircularUma volta é comum · várias aumentam o risco · registrar perto do termo
Artéria umbilical única, 21 semanas
Doppler na pelve fetal: um só vaso ao lado da bexiga (seta).
Doppler na pelve fetal: um só vaso ao lado da bexiga (seta).
Doppler junto à inserção: uma artéria (seta).
Doppler junto à inserção: uma artéria (seta).
Doppler 3D: a artéria única (seta).
Doppler 3D: a artéria única (seta).
Fonte: Leal PV, Brock MF, Brandão AC, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250044, Fig. 15. Ver artigo
Pseudocisto do cordão, 8 semanas
Doppler: lesão cística sem fluxo (seta).
Doppler: lesão cística sem fluxo (seta).
US 3D: o pseudocisto (seta).
US 3D: o pseudocisto (seta).
Fonte: Leal PV, Brock MF, Brandão AC, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250044, Fig. 16. Ver artigo
Nó verdadeiro do cordão, 34 semanas
US: segmento do cordão envolvido por outra alça (seta).
US: segmento do cordão envolvido por outra alça (seta).
Doppler: o nó (seta).
Doppler: o nó (seta).
Fonte: Leal PV, Brock MF, Brandão AC, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250044, Fig. 17. Ver artigo

Hematomas, mola e massas

LesãoO que saber
HematomasIso ou hiperecogênico agudo, hipoecogênico crônico, sem fluxo · subamniótico (raro), subcoriônico (o mais comum, sangramento do 1º trimestre) e retrocoriônico (entre a decídua basal e o córion; abortamento, descolamento)
DescolamentoDepois de 20 semanas · hipertensão, trauma, tabagismo, cocaína · o US vê menos de 50%: o diagnóstico é clínico
Mola completa46,XX · útero aumentado cheio de cistos de 1 a 30 mm, sem embrião · hCG (gonadotrofina coriônica humana) muito alto · cistos tecaluteínicos em cerca de 20%
Mola parcialTriploide · placenta aumentada e cística com feto anormal · hCG menor
CorioangiomaO tumor benigno mais comum (cerca de 1%) · nódulo sólido na face fetal perto do cordão · acima de 4 a 5 cm com fluxo: polidrâmnio, anemia, hidropisia
MiomaHipoecogênico · degeneração vermelha: halo claro no T1
DIU (dispositivo intrauterino)Gestação com DIU em 0,2 a 0,8% das usuárias · corioamnionite, abortamento tardio
Mola hidatiforme completa
US transvaginal, 10 semanas: cavidade distendida por muitos cistos (setas).
US transvaginal, 10 semanas: cavidade distendida por muitos cistos (setas).
Doppler, 9 semanas: miométrio muito vascularizado e lesão quase sem fluxo.
Doppler, 9 semanas: miométrio muito vascularizado e lesão quase sem fluxo.
Fonte: Leal PV, Brock MF, Brandão AC, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250044, Fig. 9. Ver artigo
Mola parcial, 14 semanas
Doppler: placenta aumentada, lobulada e heterogênea (seta).
Doppler: placenta aumentada, lobulada e heterogênea (seta).
RM T2 coronal: placenta multicística (seta) e cabeça fetal (seta aberta).
RM T2 coronal: placenta multicística (seta) e cabeça fetal (seta aberta).
Fonte: Leal PV, Brock MF, Brandão AC, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250044, Fig. 10. Ver artigo
Corioangioma da placenta
Doppler, 31 semanas: lesão sólida junto à placa coriônica com fluxo periférico (seta).
Doppler, 31 semanas: lesão sólida junto à placa coriônica com fluxo periférico (seta).
Outra paciente, RM T2 sagital: nódulo isointenso à placenta do lado fetal (seta).
Outra paciente, RM T2 sagital: nódulo isointenso à placenta do lado fetal (seta).
Fonte: Leal PV, Brock MF, Brandão AC, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250044, Fig. 11. Ver artigo
Hematomas
Hematoma subamniótico, 27 semanas (seta).
Hematoma subamniótico, 27 semanas (seta).
Hematoma retrocoriônico, 19 semanas: coleção (seta aberta) entre a membrana coriônica (seta) e a decídua basal (pontas de seta).
Hematoma retrocoriônico, 19 semanas: coleção (seta aberta) entre a membrana coriônica (seta) e a decídua basal (pontas de seta).
Fonte: Leal PV, Brock MF, Brandão AC, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250044, Fig. 14. Ver artigo
Mioma com degeneração vermelha, 33 semanas
US: mioma heterogêneo (seta).
US: mioma heterogêneo (seta).
RM T1 axial: halo periférico claro, degeneração vermelha (seta).
RM T1 axial: halo periférico claro, degeneração vermelha (seta).
RM T2 coronal: mioma (seta) deformando o leito placentário (seta aberta).
RM T2 coronal: mioma (seta) deformando o leito placentário (seta aberta).
Fonte: Leal PV, Brock MF, Brandão AC, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250044, Fig. 21. Ver artigo
DIU dentro da placenta
US, 38 semanas: DIU (seta) dentro da placenta.
US, 38 semanas: DIU (seta) dentro da placenta.
Outra paciente, RM T2 coronal, 12 semanas: o DIU junto à placenta.
Outra paciente, RM T2 coronal, 12 semanas: o DIU junto à placenta.
Fonte: Leal PV, Brock MF, Brandão AC, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250044, Fig. 22. Ver artigo
+ complemento · doenças maternas Diabetes gestacional: placenta pesada com infartos e calcificações. Hipertensão e pré-eclâmpsia: placenta pequena e fibrótica. Infecção (CMV, citomegalovírus): espessamento difuso e calcificação. Na restrição de crescimento, placenta fina e Doppler da artéria umbilical alterado.

Espectro do acretismo: risco e US

O espectro do acretismo (PAS) é a placenta que não se separa: um defeito da interface entre endométrio e miométrio, quase sempre numa cicatriz. A incidência subiu cerca de 10 vezes em 50 anos; metade das pacientes precisa de histerectomia. Os termos atuais são miaderente (acreta) e mioinvasivo (increta, percreta).

Espectro do acretismo1 cesárea2345
Sem prévia0,2%0,3%0,6%2,1%2,3%
Com prévia3%11%40%61%67%
Acretismo sem invasão do miométrio, 32 semanas
Doppler: hipervascularização no leito placentário (seta).
Doppler: hipervascularização no leito placentário (seta).
RM T2 sagital: prévia com miométrio fino e perda da linha escura retroplacentária (seta).
RM T2 sagital: prévia com miométrio fino e perda da linha escura retroplacentária (seta).
RM T2 axial: o mesmo.
RM T2 axial: o mesmo.
Fonte: Leal PV, Brock MF, Brandão AC, et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250044, Fig. 12. Ver artigo
Acretismo invasivo em gravidez na cicatriz de cesárea
US transvaginal, 14 semanas: abaulamento do segmento inferior (M) com placenta passando da serosa na cicatriz (setas).
US transvaginal, 14 semanas: abaulamento do segmento inferior (M) com placenta passando da serosa na cicatriz (setas).
RM T2 coronal, 18 semanas: o mesmo.
RM T2 coronal, 18 semanas: o mesmo.
Fonte: Patel-Lippmann KK, Planz VB, Phillips CH, et al. RadioGraphics 2023;43(5):e220090, Fig. 3. Ver artigo
Sinal no USDefinição
Perda da zona claraPlano hipoecogênico retroplacentário apagado ou irregular (bexiga cheia e compressão imitam)
LacunasEspaços grandes e irregulares com fluxo turbulento (“queijo suíço”) · os lagos normais são poucos, pequenos e lentos
Miométrio finoMenor que 1 mm ou invisível sobre a placenta
Interrupção da parede da bexigaQuebra da linha ecogênica entre serosa e bexiga · muito específica
Hipervascularização útero-bexiga e vasos em ponteVasos perpendiculares atravessando o miométrio até a serosa
Abaulamento e massa exofíticaPlacenta deformando ou passando a serosa, em geral para a bexiga
a cicatriz no 1º trimestre Saco gestacional baixo implantado na cicatriz de cesárea já é sinal de risco. Placenta baixa com cirurgia uterina prévia, vista no exame de 11 a 14 semanas, deve ir para um centro de referência.

RM do acretismo (SAR-ESUR)

RM do acretismoComo
Quando28 a 32 semanas
PreparoBexiga moderadamente cheia · decúbito dorsal, ou lateral esquerdo se desconforto
SequênciasT2 meio-Fourier sem supressão em três planos e oblíquo perpendicular à interface · T1 com supressão (sangue) · difusão e SSFP (steady-state free precession: sequência rápida em que líquido e vasos ficam claros) opcionais
GadolínioNão usar na gestação
RegraConfirmar cada achado em dois planos
Sinal na RMDefinição e armadilha
Bandas escuras em T2Faixas irregulares de 6 a 20 mm a partir da face materna · o sinal mais sensível · septos finos normais e vasos (claros no SSFP) não contam
Abaulamento útero-placentárioSerosa desviada pela placenta, útero em ampulheta · com outros sinais, prediz invasão
Miométrio finoMenor que 1 mm ou ausente · só vale com outros sinais (normal depois de 32 semanas)
Perda da linha escura retroplacentáriaEquivale à perda da zona clara do US
Interrupção da parede da bexigaLinha escura da bexiga irregular ou interrompida
Massa exofíticaPlacenta passando a serosa · especificidade de 98,9%
Vascularização anômala do leitoVazios de fluxo irregulares no leito, na serosa e na interface com a bexiga
Acretismo invasivo, duas cesáreas, placenta prévia
US: lacunas agrupadas (setas) e miométrio fino (seta tracejada).
US: lacunas agrupadas (setas) e miométrio fino (seta tracejada).
Doppler: vascularização aumentada na interface útero-bexiga (ponta de seta).
Doppler: vascularização aumentada na interface útero-bexiga (ponta de seta).
RM T2 sagital: miométrio fino e abaulamento (pontas de seta), perda da linha escura retroplacentária e bandas escuras (seta).
RM T2 sagital: miométrio fino e abaulamento (pontas de seta), perda da linha escura retroplacentária e bandas escuras (seta).
RM T2 coronal: o mesmo.
RM T2 coronal: o mesmo.
RM T2 sagital: rede de vazios de fluxo no leito placentário (setas).
RM T2 sagital: rede de vazios de fluxo no leito placentário (setas).
Fonte: Patel-Lippmann KK, Planz VB, Phillips CH, et al. RadioGraphics 2023;43(5):e220090, Fig. 5. Ver artigo
Bandas escuras intraplacentárias, 26 semanas
T2 axial: banda escura irregular (seta tracejada) atravessando a placenta; o vazio de fluxo de um vaso (seta) pode imitá-la.
T2 axial: banda escura irregular (seta tracejada) atravessando a placenta; o vazio de fluxo de um vaso (seta) pode imitá-la.
SSFP: separa a banda do vaso.
SSFP: separa a banda do vaso.
Fonte: Patel-Lippmann KK, Planz VB, Phillips CH, et al. RadioGraphics 2023;43(5):e220090, Fig. 6. Ver artigo
Abaulamento placentário, 32 semanas
US: miométrio fino sobre a placenta anterior.
US: miométrio fino sobre a placenta anterior.
Doppler: abaulamento com hipervascularização útero-bexiga (seta).
Doppler: abaulamento com hipervascularização útero-bexiga (seta).
T2 sagital: prévia, bandas escuras (ponta de seta), vasos anômalos no leito (seta tracejada) e abaulamento anterior com miométrio fino (seta).
T2 sagital: prévia, bandas escuras (ponta de seta), vasos anômalos no leito (seta tracejada) e abaulamento anterior com miométrio fino (seta).
A mesma imagem com o contorno do abaulamento (linha preta) e a interface normal posterior (linha branca).
A mesma imagem com o contorno do abaulamento (linha preta) e a interface normal posterior (linha branca).
T2 axial: miométrio fino anterior (seta) e posterior trilaminar normal (seta tracejada) com congestão (pontas de seta).
T2 axial: miométrio fino anterior (seta) e posterior trilaminar normal (seta tracejada) com congestão (pontas de seta).
Fonte: Patel-Lippmann KK, Planz VB, Phillips CH, et al. RadioGraphics 2023;43(5):e220090, Fig. 7. Ver artigo
Acretismo com invasão do paramétrio, três cesáreas
US: prévia completa posterior (*), miométrio anterior fino (seta tracejada) e lacunas (seta).
US: prévia completa posterior (*), miométrio anterior fino (seta tracejada) e lacunas (seta).
T2 sagital: banda escura (seta) à frente do colo; contração normal (*).
T2 sagital: banda escura (seta) à frente do colo; contração normal (*).
T2 coronal: abaulamento, miométrio fino e perda da linha escura à direita (setas).
T2 coronal: abaulamento, miométrio fino e perda da linha escura à direita (setas).
Fonte: Patel-Lippmann KK, Planz VB, Phillips CH, et al. RadioGraphics 2023;43(5):e220090, Fig. 8. Ver artigo
Acretismo invasivo, 20 semanas, com setores S1 e S2
US: lacunas (seta) e miométrio fino (seta tracejada).
US: lacunas (seta) e miométrio fino (seta tracejada).
Doppler: hipervascularização útero-bexiga (pontas de seta).
Doppler: hipervascularização útero-bexiga (pontas de seta).
T2 sagital: abaulamento, miométrio fino e perda da linha escura (pontas de seta), bandas escuras (seta preta).
T2 sagital: abaulamento, miométrio fino e perda da linha escura (pontas de seta), bandas escuras (seta preta).
T2 coronal: vazios de fluxo na interface com a bexiga (seta branca).
T2 coronal: vazios de fluxo na interface com a bexiga (seta branca).
Linha que separa S1 (corpo) de S2 (segmento inferior, colo e vagina); útero em ampulheta.
Linha que separa S1 (corpo) de S2 (segmento inferior, colo e vagina); útero em ampulheta.
Fonte: Patel-Lippmann KK, Planz VB, Phillips CH, et al. RadioGraphics 2023;43(5):e220090, Fig. 9. Ver artigo
Sinal dos vasos da bexiga, três cesáreas
US e Doppler: massa exofítica (seta tracejada) e vasos na parede da bexiga (setas).
US e Doppler: massa exofítica (seta tracejada) e vasos na parede da bexiga (setas).
T2 axial: banda escura (seta).
T2 axial: banda escura (seta).
T2 coronal: miométrio fino, abaulamento e perda da linha escura à esquerda (pontas de seta).
T2 coronal: miométrio fino, abaulamento e perda da linha escura à esquerda (pontas de seta).
T2 sagital: vazios de fluxo na interface bexiga-placenta (seta).
T2 sagital: vazios de fluxo na interface bexiga-placenta (seta).
Fonte: Patel-Lippmann KK, Planz VB, Phillips CH, et al. RadioGraphics 2023;43(5):e220090, Fig. 10. Ver artigo
Conduta e seguimentoO que saber
LaudoOs 7 sinais (e os 4 incertos), profundidade, topografia, bexiga, paramétrio, parede pélvica, ureteres, colo
TopografiaS1 corpo, S2 segmento inferior, colo e vagina: invasão em S2 dá mais morbidade
PartoCesárea-histerectomia programada com 34 a 36 semanas, sem tentar descolar a placenta
AlternativaHisterectomia tardia (3 a 12 semanas) com a placenta deixada no lugar · RM acompanha a involução
Placenta deixada no lugar e histerectomia tardia
T2 sagital, 28 semanas: segmento inferior alargado e infarto placentário escuro (seta); contração normal (*).
T2 sagital, 28 semanas: segmento inferior alargado e infarto placentário escuro (seta); contração normal (*).
T2 axial: miométrio fino à direita (seta) e banda escura (seta tracejada).
T2 axial: miométrio fino à direita (seta) e banda escura (seta tracejada).
Um mês depois do parto, T2: grande placenta residual (setas).
Um mês depois do parto, T2: grande placenta residual (setas).
T1 com contraste: realce difuso (setas).
T1 com contraste: realce difuso (setas).
Dois meses depois, T2: placenta residual menor (setas).
Dois meses depois, T2: placenta residual menor (setas).
T1 com contraste: poucos focos de realce (setas).
T1 com contraste: poucos focos de realce (setas).
Fonte: Patel-Lippmann KK, Planz VB, Phillips CH, et al. RadioGraphics 2023;43(5):e220090, Fig. 11. Ver artigo
Placenta deixada no lugar, seguimento longo
T2 sagital, 23 semanas: prévia espessa e assimétrica, miométrio fino (pontas de seta) e placenta heterogênea sobre o colo (setas).
T2 sagital, 23 semanas: prévia espessa e assimétrica, miométrio fino (pontas de seta) e placenta heterogênea sobre o colo (setas).
Seis semanas depois do parto, T2: placenta residual heterogênea (setas).
Seis semanas depois do parto, T2: placenta residual heterogênea (setas).
T1 com contraste: realce difuso (setas).
T1 com contraste: realce difuso (setas).
Sete meses depois, T2: grande placenta residual (setas).
Sete meses depois, T2: grande placenta residual (setas).
T1 com contraste: sem realce, por necrose (setas).
T1 com contraste: sem realce, por necrose (setas).
Três anos depois, T2: cicatriz e afinamento no nicho da cesárea.
Três anos depois, T2: cicatriz e afinamento no nicho da cesárea.
Subtração com contraste: istmocele posterior (seta).
Subtração com contraste: istmocele posterior (seta).
Fonte: Patel-Lippmann KK, Planz VB, Phillips CH, et al. RadioGraphics 2023;43(5):e220090, Fig. 12. Ver artigo
um sinal sozinho não basta Nenhum sinal é diagnóstico. Três ou mais predizem parto complicado; seis ou mais, sangramento maciço, histerectomia ou reparo da bexiga. Congestão vascular imita abaulamento (a difusão ajuda) e a cicatriz de cesárea deiscente imita miométrio fino.

Pontos de prova: alto rendimento

Placenta baixaMenos de 2 cm do orifício
PréviaCobre o orifício · não antes de 15 sem
Vasa préviaVasos fixos sobre o orifício, Doppler TV (transvaginal)
Inserção velamentosa1% únicas, 15% monocoriônicos
Artéria umbilical únicaUm vaso ao lado da bexiga
Hematoma mais comumSubcoriônico
Descolamento no USMenos de 50%
Mola completa46,XX, cistos, hCG alto
CorioangiomaBenigno mais comum, >4–5 cm complica
PAS: prévia + 3 cesáreas40%
US mais específicoLacunas, parede da bexiga
RM do acretismo28–32 semanas
GadolínioNão
Sinal mais sensívelBandas escuras em T2
Massa exofíticaEspecificidade 98,9%
Parto no PASCesárea-histerectomia 34–36 sem

Armadilhas e erros comuns

Erros

  • Chamar de prévia antes de 15 semanas
  • Não fazer Doppler transvaginal com inserção velamentosa
  • Chamar de perda da zona clara o efeito da compressão
  • Fazer a RM do acretismo depois de 32 semanas sem motivo
  • Chamar septo fino ou vaso de banda escura
  • Diagnosticar acretismo com um sinal só
  • Dar gadolínio na gestação

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Com 24 semanas, a borda inferior da placenta está a 1,5 cm do orifício interno, sem cobri-lo. Como se descreve?

Borda a menos de 2 cm do orifício sem cobri-lo é placenta baixa; cobrindo é prévia. Os termos “marginal”, “completa” e “central” devem ser abandonados.
↑revisar esta parte do caderno · Localização e variantes
Questão 2

No Doppler transvaginal, vasos fetais cruzam o orifício interno e não mudam de lugar com a posição da mãe. O diagnóstico é:

Vasa prévia: vasos fetais sem proteção de placenta ou geleia de Wharton sobre o orifício (até 2 cm). A fixidez com a mudança de posição separa de alça de cordão. Risco de exsanguinação fetal no parto.
↑revisar esta parte do caderno · Localização e variantes
Questão 3

Gestante com suspeita clínica de descolamento de placenta e US normal. A conduta correta é:

O US vê menos de 50% dos descolamentos: US normal não afasta. O diagnóstico e a conduta são clínicos; quando o US mostra o hematoma, o prognóstico neonatal é pior.
↑revisar esta parte do caderno · Hematomas, mola e massas
Questão 4

Gestante com placenta prévia e três cesáreas anteriores. Qual o risco aproximado de espectro do acretismo?

Com prévia, o risco sobe com cada cesárea: 3%, 11%, 40%, 61% e 67% de 1 a 5 cesáreas. Sem prévia, com 3 cesáreas, é 0,6%. Prévia + cesárea é a combinação que manda procurar acretismo.
↑revisar esta parte do caderno · Espectro do acretismo: risco e US
Questão 5

Qual a melhor idade gestacional para a RM do espectro do acretismo, quando não há urgência?

Entre 28 e 32 semanas: antes a placenta é imatura; depois, o miométrio fino, a heterogeneidade e os vasos normais do fim da gestação se confundem com acretismo. Sangramento ou achado precoce permitem antecipar.
↑revisar esta parte do caderno · RM do acretismo (SAR-ESUR)
Questão 6

Qual sinal da RM do acretismo é o mais sensível, embora pouco específico isolado?

As bandas escuras em T2 (6 a 20 mm, da face materna) são o sinal mais sensível; não confundir com septos finos normais nem com vasos (claros no SSFP). A massa exofítica é a mais específica (98,9%).
↑revisar esta parte do caderno · RM do acretismo (SAR-ESUR)
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Fontes.
Leal PV, Brock MF, Brandão AC, et al. Imaging of the Placenta and Umbilical Cord: What Radiologists in Common Practice Need to Know. RadioGraphics 2026;46(6):e250044. doi:10.1148/rg.250044
Patel-Lippmann KK, Planz VB, Phillips CH, et al. Placenta Accreta Spectrum Disorders: Update and Pictorial Review of the SAR-ESUR Joint Consensus Statement for MRI. RadioGraphics 2023;43(5):e220090. doi:10.1148/rg.220090

Divergências: o miométrio fino é “menor que 1 cm” numa tabela do primeiro artigo e “menor que 1 mm” no consenso (o caderno usa 1 mm); a inserção marginal é “1 a 2 cm da borda” no texto e “menos de 1 cm” numa legenda. Os quadros e esquemas com texto em inglês e as fotos de peça e cirurgia foram tirados. Conferido em 07/10/2026.

Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das mesmas fontes.