Cisto multilocular anexial com septos finos e lisos que realçam, sem tecido sólido, sem gordura. O escore O-RADS RM é:
O-RADS RM: Protocolo e Escore
A massa anexial que o US não resolveu
O O-RADS (Ovarian-Adnexal Reporting and Data System) RM classifica a massa anexial indeterminada no US. Mais de 75% das lesões mandadas como suspeitas pelo US são benignas na RM, que pode evitar 90% das cirurgias de cisto benigno; sem tecido sólido que realce, o valor preditivo negativo é de 98%. O escore depende de duas perguntas: há tecido sólido e, se há, como ele realça em relação ao miométrio externo.
| Escore | Risco | Lesões | VPP |
|---|---|---|---|
| 0 | Incompleto | Exame inadequado | |
| 1 | Ovários normais | Folículo, corpo lúteo, cisto hemorrágico de até 3 cm na pré-menopausa | |
| 2 | Quase certamente benigno | Cisto unilocular sem realce da parede (ou com parede realçando e líquido simples ou endometriótico) · lesão com gordura sem tecido sólido · tecido sólido escuro em T2 e na difusão | Menos de 0,5% |
| 3 | Baixo | Cisto unilocular com líquido proteico, hemorrágico ou mucinoso · cisto multilocular · tecido sólido com curva de baixo risco | Cerca de 5% |
| 4 | Intermediário | Tecido sólido com curva intermediária · gordura com muito tecido sólido que realça | Cerca de 50% |
| 5 | Alto | Tecido sólido com curva de alto risco · implante peritoneal, mesentérico ou omental, com ou sem ascite | Cerca de 90% |
Protocolo
| Sequência | Detalhe |
|---|---|
| T2 FSE (fast spin echo: spin-eco rápido) sem supressão | Axial (3 mm) e sagital ou coronal (4 mm) · campo de cerca de 28 cm · define origem, tecido sólido e líquido |
| T1 em fase e fora de fase (ou Dixon) | Axial, 3 a 4 mm · gordura intravoxel · fora de fase antes da em fase |
| Difusão | Axial, 4 a 5 mm · b 50 e b 1000 a 1200 (apaga o líquido) |
| T1 3D com supressão antes do contraste | Mesmos parâmetros do pós, para subtrair |
| Contraste dinâmico | T1 3D, 3 mm ou menos, resolução temporal de 15 s ou menos, começa antes da injeção (2 mL/s) e segue por 3 a 4 minutos · axial |
| T1 pós-contraste tardio | Mais resolução: mostra projeções papilares pequenas |














| Preparo | Como |
|---|---|
| Jejum | 3 a 6 horas |
| Antiespasmódico | Opcional (glucagon 1 mg ou butilescopolamina 20 mg) |
| Bexiga | Parcialmente cheia (urinar 30 a 60 min antes) |
| Gel vaginal | Sem evidência para anexos |
| Campo | 1,5 ou 3 T; abaixo de 1,5 T (aberta) não serve |
O léxico e a gordura
| Sinal | Referência |
|---|---|
| T2 escuro | Mais escuro que o iliopsoas |
| T2 intermediário | Entre o iliopsoas e o líquor |
| T1 claro | Igual ou mais claro que a gordura |
| Difusão alta (b 1000) | Claramente mais clara que urina ou líquor |






| Gordura | Como achar |
|---|---|
| Macroscópica | Clara no T1 sem supressão e apaga com a supressão (o sangue continua claro) |
| Intravoxel | Queda de sinal fora de fase · artefato de tinta nanquim nas interfaces |
| Teratoma maduro | Gordura sem tecido sólido (nódulo de Rokitansky típico) = 2 |
| Teratoma imaturo | Gordura com muito tecido sólido que realça = 4 |





















As curvas de realce
| Curva | Forma (comparada ao miométrio externo) | Escore |
|---|---|---|
| Baixo risco | Subida lenta e gradual, sem ombro nem platô | 3 |
| Intermediário | Subida inicial menor ou igual à do miométrio, com ombro e platô | 4 |
| Alto risco | Subida inicial mais rápida que a do miométrio, com ombro e platô | 5 |



| Como montar a curva | Regra |
|---|---|
| ROI (região de interesse) de referência | Miométrio externo, fora de miomas e vasos, na 1ª ou 2ª fase em que o útero realça |
| ROI da lesão | A parte sólida que mais realça |
| Escala | Relativa ou percentual, nunca absoluta |
| Conferir | Na subtração: foco claro no T1 (sangue) não é realce |







| Sem dinâmico | Regra |
|---|---|
| Quando | T1 pós-contraste único 30 a 40 s depois da injeção |
| Escore | Realce menor ou igual ao do miométrio externo = 4 · maior = 5 |
| Limite | Não existe 3 sem dinâmico · fase tardia subestima |
| Sem útero | Sem ombro = 3 · com ombro = “pelo menos 4” |






Passo a passo do laudo
| Passo | Pergunta |
|---|---|
| 1 | Doença peritoneal? Implante ou espessamento irregular = 5, mesmo sem massa (salvo outro câncer conhecido) |
| 2 | É lesão anexial de verdade? Achados fisiológicos = 1 · traçar os vasos e achar os ovários |
| 3 | Gordura? Sem tecido sólido = 2; muito tecido sólido que realça = 4 |
| 4 | Tecido sólido? Escuro em T2 e difusão = 2; senão, pela curva (3, 4, 5) ou pelo pós único (4, 5) |
| 5 | Sem tecido sólido: multilocular = 3; unilocular sem realce da parede = 2; com parede realçando e líquido simples ou endometriótico = 2; hemorrágico ou proteico = 3 (2 na pré-menopausa se até 3 cm) |
| Laudo | Tamanho máximo, sinais e realce, escore final · cada lesão com o seu escore |




Pontos de prova: alto rendimento
| Sem tecido sólido | Máximo 3 |
| Tecido sólido | Realça e tem forma |
| Escuro T2 e difusão | 2 |
| Gordura sem sólido | 2 |
| Gordura com muito sólido | 4 |
| Multilocular | 3 |
| Implante peritoneal | 5 |
| Curva baixa | 3, sem ombro |
| Curva intermediária | 4, subida ≤ miométrio |
| Curva alta | 5, subida > miométrio |
| Referência | Miométrio externo |
| Dinâmico | ≤15 s por fase |
| Sem dinâmico | 30–40 s, ≤ miométrio = 4 |
| Difusão | b 1000–1200 |
| VPP (valor preditivo positivo) 5 | Cerca de 90% |
Armadilhas e erros comuns
Erros
- Chamar coágulo ou septo liso de tecido sólido
- Dar escore alto só pela difusão
- Ler sangue como realce sem a subtração
- Usar escala absoluta na curva
- Dar 3 sem dinâmico
- Esquecer o peritônio
- Fazer T2 grosso e perder a papila
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6Massa anexial sólida homogeneamente escura em T2 e escura na difusão de b alto. O escore é:
Tecido sólido cuja curva sobe mais rápido que a do miométrio externo e forma ombro e platô. O escore é:
Sem contraste dinâmico, a parte sólida realça menos que o miométrio externo na imagem de 30 a 40 s. O escore é:
Cisto anexial simples, mas com nódulos peritoneais e espessamento irregular do omento. O escore é:
Lesão anexial com gordura (apaga com a supressão) e um nódulo de Rokitansky típico, sem outro tecido sólido. O escore é:
Cadernos relacionados
- 23: O-RADS USA classificação no ultrassom.
- 55: Endometriose na RMEndometrioma e implantes.
Tong A, Kim N, Patel-Lippmann K, et al. Optimizing the MRI Pelvis Protocol for O-RADS MRI. RadioGraphics 2026;46(9):e250197. doi:10.1148/rg.250197
Suarez-Weiss KE, Sadowski EA, Zhang M, et al. Practical Tips for Reporting Adnexal Lesions Using O-RADS MRI. RadioGraphics 2023;43(7):e220142. doi:10.1148/rg.220142
Os artigos diferem na duração do dinâmico (3 × 4 minutos) e nos cortes da difusão. O segundo artigo traz o VPP do escore 2 como “menor que 0,05%” numa tabela e “menor que 0,5%” no texto; o caderno usa 0,5%. Hidrossalpinge, cisto paraovariano, endometrioma decidualizado e torção não estão nas fontes. As curvas trazem rótulos curtos em inglês (Myo = miométrio, Adx = anexo). Conferido em 07/10/2026.
Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das mesmas fontes.