Cadernos QRad 67 · HNF, Adenoma e a Fase Hepatobiliar
Abdome · fígado

HNF, Adenoma e a Fase Hepatobiliar

Fontes: LeGout et al., RadioGraphics 2022 · Tse et al., RadioGraphics 2023 · Harper et al., RadioGraphics 2025

A lesão que realça na fase arterial, no fígado normal

Numa mulher jovem, com fígado normal e sem câncer, um nódulo com realce arterial quase sempre é hiperplasia nodular focal (HNF) ou adenoma hepatocelular. A distinção muda tudo: a HNF não sangra, não malignifica e não precisa de controle; o adenoma pode sangrar e virar carcinoma hepatocelular (CHC), e pede no mínimo seguimento.

O contraste hepatoespecífico (gadoxetato e gadobenato) ajuda porque só o hepatócito o capta. Mas a fase hepatobiliar não é um teste de sim ou não: há adenomas que captam, HNF que não capta, e o fígado inteiro pode ficar escuro por motivos que nada têm de lesão.

a regra de ouro A fase hepatobiliar não se lê sozinha. HNF com todas as características típicas em todas as sequências se diagnostica com segurança; faltou uma ou apareceu algo atípico, o caminho é controle ou biópsia, conforme a suspeita.

O contraste hepatoespecífico e a fase hepatobiliar

Os dois agentes entram no hepatócito pelos transportadores OATP1B1 e OATP1B3 (polipeptídeos transportadores de ânions orgânicos) e saem para a bile pelo MRP2 (proteína 2 associada à resistência a múltiplos fármacos). Antes disso, funcionam como contraste extracelular, o que permite o estudo dinâmico.

GadoxetatoGadobenato
Captação pelo fígado~50%3 a 5%
Fase hepatobiliar20 minutos (pico em 10 a 20)1 a 2 horas (40 a 120 min)
ExcreçãoMetade biliar, metade renalQuase toda renal
como é uma fase hepatobiliar adequada O fígado mais claro que os vasos intra-hepáticos, o baço e os rins; bile e ductos ainda mais claros. Para o LI-RADS (Liver Imaging Reporting and Data System), a fase é subótima se o fígado não estiver claramente mais claro que os vasos; a excreção biliar não é exigida. Excreção presente também não prova função normal: pode estar só atrasada.
a fase escura por técnica Antes de culpar o fígado, descarte a técnica: aquisição cedo demais (fígado doente precisa de mais tempo; esperar até 120 minutos ajuda), ângulo de excitação baixo (25 a 45° melhoram o contraste), sem saturação de gordura (a gordura fica mais clara que o fígado) e protocolo com contraste extracelular junto (os vasos ficam claros).
Fase hepatobiliar normal, homem de 50 anos
Axial aos 20 minutos de gadoxetato: fígado homogêneo e mais claro que os vasos, a aorta (a), os rins (k) e o baço (s); a via biliar é o que há de mais claro (se
Axial aos 20 minutos de gadoxetato: fígado homogêneo e mais claro que os vasos, a aorta (a), os rins (k) e o baço (s); a via biliar é o que há de mais claro (seta). Excreção renal normal (ponta de seta).
Coronal aos 21 minutos: a mesma captação, com a via biliar contrastada (seta).
Coronal aos 21 minutos: a mesma captação, com a via biliar contrastada (seta).
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 2. Ver artigo
O ângulo de excitação, cirrose com CHC difuso
Fase hepatobiliar com gadobenato aos 60 minutos, ângulo de 15°.
Fase hepatobiliar com gadobenato aos 60 minutos, ângulo de 15°.
Mesmo exame com 25°: mais contraste entre o fígado e os nódulos escuros do CHC, e o ducto intra-hepático direito contrastado (seta).
Mesmo exame com 25°: mais contraste entre o fígado e os nódulos escuros do CHC, e o ducto intra-hepático direito contrastado (seta).
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 10. Ver artigo
A supressão de gordura, cirrose metabólica
Imagem só de água (gordura suprimida): o fígado fica mais claro que os vasos e o baço, com excreção biliar normal (seta).
Imagem só de água (gordura suprimida): o fígado fica mais claro que os vasos e o baço, com excreção biliar normal (seta).
Imagem fora de fase, sem suprimir a gordura: a gordura do abdome fica mais clara que o fígado, que parece escuro.
Imagem fora de fase, sem suprimir a gordura: a gordura do abdome fica mais clara que o fígado, que parece escuro.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 11. Ver artigo

HNF típica

É a segunda lesão benigna mais comum do fígado, depois do hemangioma: hepatócitos normais em crescimento hiperplásico ao redor de uma cicatriz central com artérias malformadas, em resposta a um fluxo anormal. Mulher de 20 a 50 anos (8 para 1), solitária em 80%, em geral menor que 5 cm. Não malignifica e quase nunca sangra: assintomática, não pede tratamento nem controle.

MétodoHNF
Sem contrasteIgual ao fígado em US, TC e RM: a lesão "furtiva" · na RM, iso ou discreto hipossinal em T1 e discreto hipersinal em T2
DopplerArtéria nutridora central e ramos em raio de roda
Fase arterialRealce homogêneo · no US com contraste, de dentro para fora (centrífugo)
Portal e tardiaFica igual ou pouco mais clara que o fígado (sem lavagem)
Cicatriz centralVisível em ~60% na TC e ~80% na RM · hipersinal em T2 · realce tardio com contraste extracelular
Fase hepatobiliarCapta (só 2% ficam escuras)
HNF no US com contraste, mulher de 70 anos
Aos 8 segundos: artéria nutridora grande (seta) e realce em raio de roda (pontas de seta).
Aos 8 segundos: artéria nutridora grande (seta) e realce em raio de roda (pontas de seta).
Aos 10 segundos: a lesão realça por inteiro, ainda com a artéria (seta) e o raio de roda (ponta de seta).
Aos 10 segundos: a lesão realça por inteiro, ainda com a artéria (seta) e o raio de roda (ponta de seta).
Aos 3 minutos e 24 segundos: quase igual ao fígado (seta).
Aos 3 minutos e 24 segundos: quase igual ao fígado (seta).
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 1. Ver artigo
HNF típica na TC, homem de 29 anos
Fase arterial precoce: artéria nutridora grande na cicatriz central (círculo).
Fase arterial precoce: artéria nutridora grande na cicatriz central (círculo).
Fase arterial tardia: realce homogêneo da lesão (seta), com cicatriz central escura (ponta de seta).
Fase arterial tardia: realce homogêneo da lesão (seta), com cicatriz central escura (ponta de seta).
Fase tardia: a lesão igual ao fígado e a cicatriz realçando (ponta de seta).
Fase tardia: a lesão igual ao fígado e a cicatriz realçando (ponta de seta).
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 2. Ver artigo
HNF típica na RM com contraste extracelular, mulher de 46 anos
T2 com saturação de gordura: lesão discretamente clara (seta) com a cicatriz (ponta de seta).
T2 com saturação de gordura: lesão discretamente clara (seta) com a cicatriz (ponta de seta).
T1 sem contraste: lesão igual ao fígado (seta), cicatriz escura (ponta de seta).
T1 sem contraste: lesão igual ao fígado (seta), cicatriz escura (ponta de seta).
Fase arterial: realce homogêneo, cicatriz escura.
Fase arterial: realce homogêneo, cicatriz escura.
Fase portal: quase igual ao fígado, cicatriz ainda escura.
Fase portal: quase igual ao fígado, cicatriz ainda escura.
Fase tardia: quase igual ao fígado, com realce da cicatriz (ponta de seta).
Fase tardia: quase igual ao fígado, com realce da cicatriz (ponta de seta).
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 3. Ver artigo
Fase hepatobiliar na HNFPadrões
TípicosHipersinal homogêneo · hipersinal heterogêneo · isossinal homogêneo · hipossinal com anel periférico de captação
Não são de HNFAlvo (centro claro, periferia escura: estroma fibroso do colangiocarcinoma e da metástase) · anel claro em volta da lesão, fora dela (hiperplasia reativa) · contraste excretado em ductos dentro ou junto da lesão
Outros padrões da HNF na fase hepatobiliar
Coronal com gadoxetato, mulher de 47 anos: captação heterogênea (seta).
Coronal com gadoxetato, mulher de 47 anos: captação heterogênea (seta).
Axial, mulher de 27 anos: captação igual ao fígado (seta), reconhecida pela cicatriz escura (ponta de seta).
Axial, mulher de 27 anos: captação igual ao fígado (seta), reconhecida pela cicatriz escura (ponta de seta).
Axial, homem de 65 anos: HNF escura com anel periférico de captação (seta).
Axial, homem de 65 anos: HNF escura com anel periférico de captação (seta).
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 5. Ver artigo
O padrão em alvo não é de HNF: colangiocarcinoma
Fase hepatobiliar: retenção central de contraste (seta preta), periferia escura (ponta de seta) e retenção no fígado em volta (seta branca). Ductos dentro da le
Fase hepatobiliar: retenção central de contraste (seta preta), periferia escura (ponta de seta) e retenção no fígado em volta (seta branca). Ductos dentro da lesão realçam (asterisco).
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 6. Ver artigo
a cicatriz com gadoxetato Com contraste extracelular, a cicatriz realça na fase tardia. Com gadoxetato, o contraste começa a entrar nos hepatócitos antes disso, e a cicatriz continua escura na fase de transição e na hepatobiliar. Não é falta de realce da cicatriz.
HNF típica com gadoxetato, mulher de 30 anos
Fase arterial: realce homogêneo (seta), cicatriz escura (ponta de seta).
Fase arterial: realce homogêneo (seta), cicatriz escura (ponta de seta).
Fase de transição: quase igual ao fígado, e a cicatriz continua escura (ponta de seta), ao contrário do realce tardio com contraste extracelular.
Fase de transição: quase igual ao fígado, e a cicatriz continua escura (ponta de seta), ao contrário do realce tardio com contraste extracelular.
Fase hepatobiliar aos 20 minutos: captação homogênea (seta), cicatriz escura (ponta de seta).
Fase hepatobiliar aos 20 minutos: captação homogênea (seta), cicatriz escura (ponta de seta).
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 4. Ver artigo
+ complemento · HNF atípica 85% têm menos de 5 cm. 12 a 15% crescem e 9% regridem: crescer não indica cirurgia. Gordura na lesão (comum na histologia, rara na imagem) e calcificação (~1%, na cicatriz) são atípicas: com o resto típico, ainda é HNF, mas vale controle; faltando outra característica, biópsia. Sem realce arterial (4%) ou escura na hepatobiliar (2%): em geral precisa de tecido.
HNF com esteatose, mulher de 41 anos
T1 em fase: a lesão (seta).
T1 em fase: a lesão (seta).
T1 fora de fase: queda de sinal na lesão (seta), gordura.
T1 fora de fase: queda de sinal na lesão (seta), gordura.
Fase hepatobiliar: captação heterogênea (seta). O resto era típico de HNF; a gordura levou à biópsia.
Fase hepatobiliar: captação heterogênea (seta). O resto era típico de HNF; a gordura levou à biópsia.
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 8. Ver artigo
HNF com calcificação, mulher de 53 anos
TC sem contraste: calcificação puntiforme na cicatriz central (ponta de seta). Estável por 10 anos, com RM típica de HNF.
TC sem contraste: calcificação puntiforme na cicatriz central (ponta de seta). Estável por 10 anos, com RM típica de HNF.
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 9. Ver artigo

Adenoma hepatocelular pelos subtipos

Tumor da mulher em idade fértil que usa anticoncepcional oral por anos (o risco sobe 30 a 40 vezes). Também anabolizantes, obesidade, álcool, doença de depósito de glicogênio. Há oito subtipos moleculares; para a imagem, quatro bastam:

SubtipoQuantoNa RMRisco
Inflamatório30 a 35%Hipersinal em T2 moderado · sinal do atol (anel periférico mais claro em T2, com realce tardio; 24 a 54%, especificidade de 97%) · realce arterial que persiste na portal · fígado em volta com esteatose · hepatobiliar em geral escuro, mas até 30% captamObesidade, anticoncepcional · antes chamado de HNF telangiectásica
HNF1A (fator nuclear 1-alfa do hepatócito) inativado30 a 35%Gordura: queda de sinal na fase fora de fase (sensibilidade 95%, especificidade 85%) · realce arterial com lavagem · o mais escuro na hepatobiliar · pode captar muito FDG (fluordesoxiglicose) no PET (tomografia por emissão de pósitrons)Malignização em até 4% · o que mais cresce mesmo sem anticoncepcional e depois da menopausa
β-catenina, éxon 3~8% (e 8% mistos)Cicatriz central em hipersinal T2 (sensibilidade 80%, especificidade 91%) · mais de 80% captam na hepatobiliar (mais OATP)O maior risco de CHC (até 40 a 47%) · 30 a 40% em homens, anabolizantes
Sonic hedgehog e β-catenina, éxon 7/8~4% cadaSem marca própria · sangue dentro da lesãoOs que mais sangram (sonic hedgehog ~70% com sangramento sintomático)
Adenoma inflamatório que rompeu, mulher de 36 anos
US: massa hiperecogênica (seta branca) com halo hipoecogênico (seta preta), o atol.
US: massa hiperecogênica (seta branca) com halo hipoecogênico (seta preta), o atol.
T2 com saturação de gordura: massa clara (setas) com anel mais claro na periferia, o sinal do atol.
T2 com saturação de gordura: massa clara (setas) com anel mais claro na periferia, o sinal do atol.
T1 sem contraste: igual ou pouco mais clara que o fígado (seta).
T1 sem contraste: igual ou pouco mais clara que o fígado (seta).
Fase arterial: realce (seta branca), com anel menos realçado (seta preta), o atol.
Fase arterial: realce (seta branca), com anel menos realçado (seta preta), o atol.
Fase portal: igual ao fígado, com o anel agora realçando (seta preta).
Fase portal: igual ao fígado, com o anel agora realçando (seta preta).
Fase hepatobiliar: escura em relação ao fígado.
Fase hepatobiliar: escura em relação ao fígado.
Um ano depois, dor e hipotensão. T2: líquido heterogêneo na lesão e no peritônio (seta).
Um ano depois, dor e hipotensão. T2: líquido heterogêneo na lesão e no peritônio (seta).
T1 sem contraste: sinal alto, sangue (seta).
T1 sem contraste: sinal alto, sangue (seta).
Fase portal: sangramento ativo (seta). Fez hepatectomia direita de urgência.
Fase portal: sangramento ativo (seta). Fez hepatectomia direita de urgência.
Fonte: Tse JR et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220134, Fig. 1. Ver artigo
Adenoma HNF1A ao lado de uma HNF, mulher de 50 anos
US: adenoma hiperecogênico (seta).
US: adenoma hiperecogênico (seta).
T1 sem contraste: adenoma bem escuro (seta branca) e HNF pouco escura (seta preta).
T1 sem contraste: adenoma bem escuro (seta branca) e HNF pouco escura (seta preta).
Fase arterial: os dois realçam.
Fase arterial: os dois realçam.
Fase portal: o adenoma lava, a HNF fica igual ao fígado.
Fase portal: o adenoma lava, a HNF fica igual ao fígado.
Fase hepatobiliar: adenoma muito escuro (seta branca), HNF igual ou mais clara (seta preta).
Fase hepatobiliar: adenoma muito escuro (seta branca), HNF igual ou mais clara (seta preta).
T1 em fase.
T1 em fase.
T1 fora de fase: queda de sinal difusa no adenoma (gordura), não na HNF.
T1 fora de fase: queda de sinal difusa no adenoma (gordura), não na HNF.
Fonte: Tse JR et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220134, Fig. 4. Ver artigo
Adenoma e HNF no mesmo fígado, mulher de 32 anos
Fase hepatobiliar: lesão grande subcapsular escura (seta), um adenoma inflamatório, e lesão lobulada clara (ponta de seta), uma HNF. Contraste na vesícula (aste
Fase hepatobiliar: lesão grande subcapsular escura (seta), um adenoma inflamatório, e lesão lobulada clara (ponta de seta), uma HNF. Contraste na vesícula (asterisco).
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 20. Ver artigo
quando o adenoma imita a HNF O adenoma β-catenina éxon 3 e parte dos inflamatórios captam na hepatobiliar, e podem ter cicatriz central (43% dos inflamatórios e 67% dos β-catenina numa série). Por isso a acurácia para separar HNF de adenoma caiu de 97 a 100% nos primeiros estudos para 87 a 95%. O que ajuda: a HNF capta mais (razão de sinal maior), é lobulada, tem cicatriz típica e o ADC (coeficiente de difusão aparente) um pouco maior.
Adenoma β-catenina imitando HNF
Fase hepatobiliar aos 20 minutos, mulher de 21 anos: adenoma β-catenina (setas) igual ou pouco mais claro que o fígado, como uma HNF.
Fase hepatobiliar aos 20 minutos, mulher de 21 anos: adenoma β-catenina (setas) igual ou pouco mais claro que o fígado, como uma HNF.
TC na fase portal, mulher de 38 anos: adenoma β-catenina (seta) com cicatriz central (ponta de seta).
TC na fase portal, mulher de 38 anos: adenoma β-catenina (seta) com cicatriz central (ponta de seta).
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 7. Ver artigo
Adenoma β-catenina éxon 3, homem de 22 anos
T2 com saturação de gordura: massa (seta branca) com cicatriz central clara (seta preta).
T2 com saturação de gordura: massa (seta branca) com cicatriz central clara (seta preta).
T1 sem contraste: quase igual ao fígado, com faixa clara de sangue (seta preta).
T1 sem contraste: quase igual ao fígado, com faixa clara de sangue (seta preta).
Fase arterial: realce heterogêneo intenso (seta).
Fase arterial: realce heterogêneo intenso (seta).
Fase portal: o realce persiste.
Fase portal: o realce persiste.
Fase hepatobiliar: áreas mais claras que o fígado (seta), pelo excesso de OATP.
Fase hepatobiliar: áreas mais claras que o fígado (seta), pelo excesso de OATP.
Fonte: Tse JR et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220134, Fig. 8. Ver artigo
o adenoma hipoecogênico no US No US a ecogenicidade depende do fundo: o adenoma inflamatório num fígado gorduroso parece hipoecogênico; o HNF1A, com gordura própria, é hiperecogênico e pode lembrar hemangioma. No US com contraste, o adenoma inflamatório lava mais que na TC e na RM.
Adenomatose inflamatória no fígado gorduroso, mulher de 22 anos
T1 em fase.
T1 em fase.
T1 fora de fase: o fígado perde sinal (estrela), gordura; o adenoma não (seta).
T1 fora de fase: o fígado perde sinal (estrela), gordura; o adenoma não (seta).
US: os adenomas (setas) parecem hipoecogênicos contra o fígado gorduroso (estrela).
US: os adenomas (setas) parecem hipoecogênicos contra o fígado gorduroso (estrela).
Fonte: Tse JR et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220134, Fig. 3. Ver artigo

Complicações e conduta no adenoma

RiscoO que aumenta
SangramentoSubtipos sonic hedgehog e β-catenina éxon 7/8 · álcool · tamanho (cada cm a mais, 1,54 vez mais chance; acima de 3 cm, sangramento histológico passa de 26% para mais de 50%)
Malignização (4,2% no total)β-catenina éxon 3 · maior que 5 cm · sexo masculino (10 vezes mais) · glicogenose e doença vascular do fígado
Dois adenomas HNF1A, um com CHC, mulher de 71 anos
TC arterial: adenoma no segmento medial (seta preta) e massa maior e heterogênea no lateral (seta branca), o CHC nascido do adenoma.
TC arterial: adenoma no segmento medial (seta preta) e massa maior e heterogênea no lateral (seta branca), o CHC nascido do adenoma.
TC tardia: lavagem discreta nos dois.
TC tardia: lavagem discreta nos dois.
PET-TC: os dois captam muito FDG; a área de necrose (estrela) não capta.
PET-TC: os dois captam muito FDG; a área de necrose (estrela) não capta.
Fonte: Tse JR et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220134, Fig. 6. Ver artigo
Adenoma sonic hedgehog com sangramento, mulher de 35 anos
T2 com saturação de gordura: a massa (seta).
T2 com saturação de gordura: a massa (seta).
T1 sem contraste: quase igual ao fígado, com área periférica clara de sangue (seta preta).
T1 sem contraste: quase igual ao fígado, com área periférica clara de sangue (seta preta).
Fase arterial: realce intenso.
Fase arterial: realce intenso.
Fase portal: lavagem.
Fase portal: lavagem.
Fase hepatobiliar: escura.
Fase hepatobiliar: escura.
Fonte: Tse JR et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220134, Fig. 9. Ver artigo
Adenoma sonic hedgehog roto, mulher de 22 anos
TC arterial: massa subcapsular no lobo esquerdo (seta branca) com extravasamento (seta preta).
TC arterial: massa subcapsular no lobo esquerdo (seta branca) com extravasamento (seta preta).
TC portal coronal: o extravasamento aumenta (seta preta); segundo adenoma (seta branca).
TC portal coronal: o extravasamento aumenta (seta preta); segundo adenoma (seta branca).
Arteriografia de urgência: extravasamento volumoso (seta preta) e o segundo adenoma (seta branca).
Arteriografia de urgência: extravasamento volumoso (seta preta) e o segundo adenoma (seta branca).
Fonte: Tse JR et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220134, Fig. 10. Ver artigo
SituaçãoConduta
Homem, qualquer tamanhoRessecção
β-catenina éxon 3, qualquer tamanhoRessecção
MulherParar o anticoncepcional, perder peso e repetir a RM · ressecção se continuar acima de 5 cm ou crescer (20% do diâmetro)
Pequeno e estávelRM anual
Roto, sangrandoReanimação e embolização · cirurgia adiada (meses), ou nenhuma se o adenoma encolher ou necrosar
GestaçãoUS a cada 6 a 12 semanas · sangramento descrito só a partir de 6,5 cm, quase sempre no 3º trimestre
+ complemento · embolização e ablação A embolização reduz mais de 30% do diâmetro em 75% e trouxe 96% dos adenomas acima de 5 cm para baixo desse limite numa série. A ablação térmica serve para adenomas menores de 5 cm quando há motivo para tratar (homem, β-catenina, desejo de gestar, impossibilidade de parar o anticoncepcional).
Embolização de adenomatose, mulher de 36 anos
RM arterial: massa hipervascular de mais de 5 cm no domo do lobo direito (seta).
RM arterial: massa hipervascular de mais de 5 cm no domo do lobo direito (seta).
Arteriografia, fase arterial tardia: várias massas hipervasculares (seta).
Arteriografia, fase arterial tardia: várias massas hipervasculares (seta).
Fase portal: elas continuam realçando.
Fase portal: elas continuam realçando.
Depois da embolização: sem vascularização residual (seta).
Depois da embolização: sem vascularização residual (seta).
RM portal 2 meses depois: sem realce na lesão tratada (seta).
RM portal 2 meses depois: sem realce na lesão tratada (seta).
RM aos 6 meses: a cavidade encolheu.
RM aos 6 meses: a cavidade encolheu.
Fonte: Tse JR et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220134, Fig. 7. Ver artigo

Lesões semelhantes à HNF no fígado doente

São idênticas à HNF na histologia, mas aparecem num fígado alterado por um distúrbio vascular. Não malignificam, mas confundem com CHC, sobretudo porque esses pacientes têm risco de CHC.

DistúrbioDoençasO que saber
Saída do sangueFontan e outras hepatopatias congestivas · Budd-ChiariFontan: 20 a 50% têm; pequenas (~1 cm), periféricas, múltiplas; 7 a 10% lavam · Budd-Chiari: mais de um terço; hipersinal em T1 e hipossinal em T2; até um terço lava
Entrada do sangueAusência congênita da porta (Abernethy) · transformação cavernomatosa · telangiectasia hemorrágica hereditáriaNa telangiectasia: artérias hepáticas ≥ 6 mm, shunts, e as "massas vasculares confluentes" costumam ser lesões semelhantes à HNF · evitar biópsia (sangra)
MicrocirculaçãoCirrose · hiperplasia nodular regenerativa · quimioterapia (oxaliplatina)Cirrose: 3 a 15%; até 30% ficam escuras na hepatobiliar · oxaliplatina: aparecem 10 a 120 meses depois, pequenas, múltiplas, muitas com anel periférico na hepatobiliar
Lesões semelhantes à HNF depois de Fontan, homem de 26 anos
Fase arterial: duas das várias lesões que realçam (asteriscos); shunt de Fontan pérvio (ponta de seta).
Fase arterial: duas das várias lesões que realçam (asteriscos); shunt de Fontan pérvio (ponta de seta).
Fase portal: uma delas lava (seta).
Fase portal: uma delas lava (seta).
Gadoxetato, fase hepatobiliar: captação homogênea, de lesão semelhante à HNF (setas).
Gadoxetato, fase hepatobiliar: captação homogênea, de lesão semelhante à HNF (setas).
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 10. Ver artigo
Lesões semelhantes à HNF no Budd-Chiari, mulher de 24 anos
T1 com saturação de gordura sem contraste: lesões claras em T1 (seta na lesão índice).
T1 com saturação de gordura sem contraste: lesões claras em T1 (seta na lesão índice).
T2: escuras em T2, ao contrário da HNF comum.
T2: escuras em T2, ao contrário da HNF comum.
Fase hepatobiliar: captação clara, típica.
Fase hepatobiliar: captação clara, típica.
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 11. Ver artigo
Telangiectasia hemorrágica hereditária, mulher de 48 anos
Coronal na fase venosa: artérias hepáticas aumentadas (pontas de seta) e lesão semelhante à HNF igual ao fígado (seta).
Coronal na fase venosa: artérias hepáticas aumentadas (pontas de seta) e lesão semelhante à HNF igual ao fígado (seta).
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 12. Ver artigo
Telangiectasia hemorrágica com lesões semelhantes à HNF, mulher de 44 anos
T2: lesão (seta) com cicatriz central clara (ponta de seta).
T2: lesão (seta) com cicatriz central clara (ponta de seta).
Gadoxetato, fase arterial: realce homogêneo.
Gadoxetato, fase arterial: realce homogêneo.
Fase hepatobiliar axial: captação homogênea.
Fase hepatobiliar axial: captação homogênea.
Fase hepatobiliar coronal: mais uma lesão (asterisco) e várias pequenas (pontas de seta), que na RM com contraste extracelular se confundiam com as telangiectas
Fase hepatobiliar coronal: mais uma lesão (asterisco) e várias pequenas (pontas de seta), que na RM com contraste extracelular se confundiam com as telangiectasias.
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 13. Ver artigo
Hiperplasia nodular regenerativa e lesões semelhantes à HNF, três pacientes
Homem de 44 anos com imunodeficiência comum variável: lesões escuras com anel periférico na hepatobiliar (pontas de seta).
Homem de 44 anos com imunodeficiência comum variável: lesões escuras com anel periférico na hepatobiliar (pontas de seta).
Homem de 40 anos com HIV: lesão escura com anel periférico (ponta de seta).
Homem de 40 anos com HIV: lesão escura com anel periférico (ponta de seta).
Mulher de 65 anos depois de quimioterapia: lesões escuras com anel periférico (pontas de seta).
Mulher de 65 anos depois de quimioterapia: lesões escuras com anel periférico (pontas de seta).
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 16. Ver artigo
o LI-RADS não se aplica O LI-RADS não vale na cirrose cardiogênica (inclui o Fontan) nem na cirrose por distúrbio vascular: telangiectasia hemorrágica, Budd-Chiari, oclusão crônica da porta e hiperplasia nodular regenerativa. Na cirrose comum, lesão que parece semelhante à HNF vira LR-3 (probabilidade intermediária de malignidade), não LR-1 (definitivamente benigna), e LR-2 (provavelmente benigna) só com cautela.
nódulo novo que realça depois da oxaliplatina As metástases dos tumores tratados com oxaliplatina (colorretal, pâncreas) costumam ser hipovasculares na RM. Um nódulo novo que realça na fase arterial e capta na hepatobiliar, anos depois do tratamento, provavelmente é lesão semelhante à HNF. Que apareçam outros e cresçam devagar faz parte da história natural.
Lesões semelhantes à HNF novas depois de oxaliplatina, quatro pacientes
Mulher de 60 anos, câncer de cólon: lesão escura com anel periférico na hepatobiliar (ponta de seta).
Mulher de 60 anos, câncer de cólon: lesão escura com anel periférico na hepatobiliar (ponta de seta).
Homem de 49 anos, câncer de reto: o mesmo padrão (ponta de seta).
Homem de 49 anos, câncer de reto: o mesmo padrão (ponta de seta).
Mulher de 62 anos, câncer de cólon: o mesmo padrão (ponta de seta).
Mulher de 62 anos, câncer de cólon: o mesmo padrão (ponta de seta).
Homem de 38 anos, câncer de cólon: captação homogênea e clara (ponta de seta).
Homem de 38 anos, câncer de cólon: captação homogênea e clara (ponta de seta).
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 17. Ver artigo
Crescimento lento depois de oxaliplatina, homem de 45 anos
TC portal no início: lesão que realça (seta).
TC portal no início: lesão que realça (seta).
TC um ano depois: cresceu devagar (seta), o que foi visto como atípico para metástase.
TC um ano depois: cresceu devagar (seta), o que foi visto como atípico para metástase.
Gadoxetato aos 2 anos: captação clara na hepatobiliar (seta), lesão semelhante à HNF. Nos 3 anos seguintes, ela diminuiu.
Gadoxetato aos 2 anos: captação clara na hepatobiliar (seta), lesão semelhante à HNF. Nos 3 anos seguintes, ela diminuiu.
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 18. Ver artigo
+ complemento · separar do CHC na cirrose Favorecem lesão semelhante à HNF: tamanho < 1,6 cm, difusão sem hipersinal e sem lavagem portal (as três juntas: especificidade de 100% num estudo); cicatriz central. Favorecem CHC: hipersinal em T2, restrição, lavagem, crescimento. 6 a 15% dos CHC captam na hepatobiliar.
Lesão semelhante à HNF na cirrose, comprovada, homem de 56 anos
Subtração na fase arterial com gadoxetato: realce (seta).
Subtração na fase arterial com gadoxetato: realce (seta).
Fase hepatobiliar: captação homogênea e clara (seta).
Fase hepatobiliar: captação homogênea e clara (seta).
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 14. Ver artigo
CHC que capta, comprovado, homem de 68 anos com cirrose
Fase hepatobiliar no início: lesão com captação homogênea (seta).
Fase hepatobiliar no início: lesão com captação homogênea (seta).
Seis meses depois: cresceu (seta), o que levou ao diagnóstico de CHC.
Seis meses depois: cresceu (seta), o que levou ao diagnóstico de CHC.
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 15. Ver artigo

Fígado escuro na hepatobiliar: causas difusas

O fígado inteiro com sinal menor que o esperado: não claramente mais claro que vasos, baço e rins. É qualitativo, sem número de corte.

CausaPista
EsteatoseLeve e moderada costumam deixar a fase normal: escurecer sugere esteato-hepatite ou fibrose · a grave escurece sozinha, às vezes de forma heterogênea · ductos com contraste mostram função preservada
FerroEncurta o T2*: o fígado fica escuro mesmo captando · queda de sinal na fase em fase em relação à fora de fase · mapa de R2*
Hepatopatia crônica e cirroseEscuro e heterogêneo, com excreção biliar atrasada, fraca ou ausente · bilirrubina > 3 mg/dL costuma tornar a fase inútil
InfiltraçãoMetástases difusas, amiloidose (fígado grande, rigidez alta sem cirrose)
Lesão por drogaMistura de lesão hepatocelular e colestática · relação temporal com a droga
VascularCongestão, doença vascular porto-sinusoidal, telangiectasia, síndrome de obstrução sinusoidal, porta ocluída há pouco · portal homogênea, hepatobiliar heterogênea
BiliarObstrução completa do colédoco: escuro e sem excreção
Variação individualPolimorfismo do OATP, anti-inflamatórios · excreção normal sem doença conhecida
Esteatose acentuada, mulher de 45 anos
Mapa de fração de gordura: 45% no lobo direito e 32% no esquerdo.
Mapa de fração de gordura: 45% no lobo direito e 32% no esquerdo.
Fase hepatobiliar: fígado difusamente escuro, só um pouco mais claro que o baço (s) e não mais claro que o rim (k); excreção biliar normal (seta) e vasos mal de
Fase hepatobiliar: fígado difusamente escuro, só um pouco mais claro que o baço (s) e não mais claro que o rim (k); excreção biliar normal (seta) e vasos mal definidos (pontas de seta). A biópsia mostrou esteatose sem inflamação nem fibrose.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 3. Ver artigo
Sobrecarga de ferro, homem de 67 anos com hemocromatose
T1 em fase: fígado e baço escuros, ferro.
T1 em fase: fígado e baço escuros, ferro.
Fase hepatobiliar: fígado escuro, não claramente mais claro que vasos, aorta (a) e baço (s), apesar da excreção biliar (seta).
Fase hepatobiliar: fígado escuro, não claramente mais claro que vasos, aorta (a) e baço (s), apesar da excreção biliar (seta).
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 4. Ver artigo
Cirrose metabólica, mulher de 75 anos
Fase portal: superfície nodular e esplenomegalia.
Fase portal: superfície nodular e esplenomegalia.
Fase hepatobiliar aos 20 minutos: fígado escuro, não claramente mais claro que a porta (ponta de seta) e o rim (k), mas com excreção biliar (seta). Fase subótim
Fase hepatobiliar aos 20 minutos: fígado escuro, não claramente mais claro que a porta (ponta de seta) e o rim (k), mas com excreção biliar (seta). Fase subótima para o LI-RADS.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 5. Ver artigo
Cirrose por hepatite B: esperar ajuda, homem de 53 anos
Fase hepatobiliar aos 20 minutos: fígado escuro e heterogêneo, com colédoco já contrastado (seta).
Fase hepatobiliar aos 20 minutos: fígado escuro e heterogêneo, com colédoco já contrastado (seta).
Aos 120 minutos: o sinal do fígado aumentou, com vesícula e colédoco cheios de contraste.
Aos 120 minutos: o sinal do fígado aumentou, com vesícula e colédoco cheios de contraste.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 6. Ver artigo
Colangite esclerosante com estenose do colédoco, homem de 46 anos
Colangiorressonância coronal: estenose do colédoco (seta).
Colangiorressonância coronal: estenose do colédoco (seta).
Fase hepatobiliar: fígado não mais claro que a porta (seta), sem excreção; os ductos dilatados à direita aparecem escuros (pontas de seta).
Fase hepatobiliar: fígado não mais claro que a porta (seta), sem excreção; os ductos dilatados à direita aparecem escuros (pontas de seta).
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 9. Ver artigo
o padrão da síndrome de obstrução sinusoidal Hipossinal reticular e periférico na hepatobiliar, com veias hepáticas e cava normais, num paciente que fez quimioterapia com platina (oxaliplatina) é muito específico, e às vezes é o único achado. Na congestão cardíaca o padrão é parecido, mas as veias hepáticas e a cava estão dilatadas.
Síndrome de obstrução sinusoidal depois de oxaliplatina, dois pacientes
Homem de 56 anos com câncer colorretal: hipossinal reticular sobretudo na periferia; antes da quimioterapia a fase era normal.
Homem de 56 anos com câncer colorretal: hipossinal reticular sobretudo na periferia; antes da quimioterapia a fase era normal.
Mulher de 51 anos com câncer de cólon: hipossinal reticular extenso. Nos dois, excreção biliar (ponta de seta) e baço discretamente aumentado.
Mulher de 51 anos com câncer de cólon: hipossinal reticular extenso. Nos dois, excreção biliar (ponta de seta) e baço discretamente aumentado.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 8. Ver artigo
+ complemento · a hepatobiliar como exame de função A razão de realce relativo do fígado (hepatobiliar contra T1 sem contraste) acompanha o estádio de fibrose e a rigidez na elastografia, e um escore visual simples (o functional liver imaging score, de 0 a 6) separa quem tem mais risco de descompensar.

Hipossinal regional e focal

PadrãoCausasComo reconhecer
Regional (segmento ou lobo)Radioterapia estereotáxica · radioembolização · ablação · trombose de ramo portal · embolização portal · oclusão de veia hepática (Budd-Chiari) · trombose da artéria hepática (transplante) · obstrução de ductoEm cunha, com o território do vaso ou do ducto · na obstrução de ducto, o ramo não recebe contraste
Focal sem lesãoGordura focal · shunt arterioportal · colangite · fibrose confluenteGordura: lugares típicos (ligamento redondo, periportal), bordas retas, sem efeito de massa · shunt: cunha periférica que realça na arterial
Embolização da porta direita, homem de 50 anos
Fase arterial: lobo direito com realce maior (seta), pelo aumento compensatório do fluxo arterial.
Fase arterial: lobo direito com realce maior (seta), pelo aumento compensatório do fluxo arterial.
Fase hepatobiliar: o mesmo território escuro (seta).
Fase hepatobiliar: o mesmo território escuro (seta).
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 15. Ver artigo
Trombose da veia hepática direita depois de ablação, homem de 55 anos
Fase hepatobiliar coronal: áreas escuras irregulares ao longo do território da veia hepática direita (setas), congestão.
Fase hepatobiliar coronal: áreas escuras irregulares ao longo do território da veia hepática direita (setas), congestão.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 16. Ver artigo
Trombose da artéria hepática no transplante, homem de 45 anos
Fase arterial: a artéria hepática esquerda não realça (ponta de seta).
Fase arterial: a artéria hepática esquerda não realça (ponta de seta).
Fase hepatobiliar: lobo esquerdo escuro, mas com excreção no ducto hepático esquerdo (seta).
Fase hepatobiliar: lobo esquerdo escuro, mas com excreção no ducto hepático esquerdo (seta).
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 17. Ver artigo
Estenose do ducto hepático direito, mulher de 36 anos
T2: estenose do ducto hepático direito (ponta de seta), com ductos dilatados a montante.
T2: estenose do ducto hepático direito (ponta de seta), com ductos dilatados a montante.
Fase hepatobiliar: território direito escuro e sem contraste nos ductos direitos (seta), ao contrário dos esquerdos.
Fase hepatobiliar: território direito escuro e sem contraste nos ductos direitos (seta), ao contrário dos esquerdos.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 18. Ver artigo
Abscesso e colangite, mulher de 68 anos
T2: abscesso claro (seta) e área de colangite ao lado (ponta de seta).
T2: abscesso claro (seta) e área de colangite ao lado (ponta de seta).
Fase hepatobiliar: o abscesso escuro, com halo discretamente claro, e a colangite escura (ponta de seta).
Fase hepatobiliar: o abscesso escuro, com halo discretamente claro, e a colangite escura (ponta de seta).
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 19. Ver artigo
a ablação parece crescer A zona de ablação na hepatobiliar é maior que o tumor tratado, porque inclui a margem de fígado. Não é progressão: ela encolhe devagar em meses ou anos. Suspeite de recidiva se o contorno ficar irregular, aparecer nódulo que realça ou restrição. Na radioterapia, o hipossinal mostra a extensão real da lesão do fígado, maior que nas outras sequências.
Radioterapia estereotáxica de colangiocarcinoma
TC de planejamento com as curvas de dose.
TC de planejamento com as curvas de dose.
Fase hepatobiliar 3 meses depois: área escura (seta) maior que o tumor tratado (contorno pontilhado), igual à zona de dose.
Fase hepatobiliar 3 meses depois: área escura (seta) maior que o tumor tratado (contorno pontilhado), igual à zona de dose.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 12. Ver artigo
Radioembolização de colangiocarcinoma
T2 aos 10 meses: discreto hipersinal regional.
T2 aos 10 meses: discreto hipersinal regional.
Fase hepatobiliar: área escura irregular (seta), o tumor tratado e o fígado irradiado juntos. O resíduo se avalia nas outras sequências.
Fase hepatobiliar: área escura irregular (seta), o tumor tratado e o fígado irradiado juntos. O resíduo se avalia nas outras sequências.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 13. Ver artigo
Ablação de metástases colorretais, homem de 50 anos
Fase hepatobiliar antes: duas metástases (setas).
Fase hepatobiliar antes: duas metástases (setas).
Dois meses depois da ablação por micro-ondas: zonas bem maiores que as metástases, que não indicam progressão e encolhem com o tempo.
Dois meses depois da ablação por micro-ondas: zonas bem maiores que as metástases, que não indicam progressão e encolhem com o tempo.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 14. Ver artigo

Lesões escuras na hepatobiliar

LesãoNa hepatobiliar
AdenomaEm geral escuro (o HNF1A, o mais escuro) · β-catenina éxon 3 e parte dos inflamatórios captam
CHCEm geral escuro · 10 a 15% (bem diferenciados) captam · o nódulo displásico e o CHC pequeno podem ficar escuros antes de realçar na arterial · anel escuro em volta sugere invasão microvascular (pior prognóstico)
Cisto, hemangioma, abscessoEscuros · o abscesso pode ter halo levemente claro
ColangiocarcinomaEscuro, ou alvo: periferia escura e centro um pouco mais claro (contraste retido no estroma fibroso)
MetástasesEscuras · alvo nas que têm estroma (colorretal) · anel claro fino em algumas (renal, neuroendócrino, GIST (tumor estromal gastrointestinal), colorretal)
CHC com invasão microvascular, homem de 46 anos
Gadobenato, fase arterial: realce (seta) com realce irregular em volta (pontas de seta).
Gadobenato, fase arterial: realce (seta) com realce irregular em volta (pontas de seta).
Fase hepatobiliar: lesão escura com halo escuro irregular em volta (pontas de seta), sugestivo de invasão microvascular.
Fase hepatobiliar: lesão escura com halo escuro irregular em volta (pontas de seta), sugestivo de invasão microvascular.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 21. Ver artigo
Colangiocarcinoma intra-hepático, dois pacientes
Fase hepatobiliar: colangiocarcinoma grande totalmente escuro.
Fase hepatobiliar: colangiocarcinoma grande totalmente escuro.
Outro paciente: periferia escura (ponta de seta) e centro em nuvem um pouco mais claro, o alvo.
Outro paciente: periferia escura (ponta de seta) e centro em nuvem um pouco mais claro, o alvo.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 22. Ver artigo
Metástases com aspectos diferentes, dois pacientes
Metástase colorretal com camadas claras e escuras e centro necrótico, o alvo (ponta de seta).
Metástase colorretal com camadas claras e escuras e centro necrótico, o alvo (ponta de seta).
Metástase de carcinoma renal de células claras: centro escuro e anel claro (seta).
Metástase de carcinoma renal de células claras: centro escuro e anel claro (seta).
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 23. Ver artigo
lavagem só na fase portal Com gadoxetato, a lavagem do LI-RADS só vale na fase portal, não na de transição nem na hepatobiliar (o fígado continua captando e qualquer lesão parece lavar). A cápsula pode ser vista na portal e na transição, não na hepatobiliar. O agente aumenta a sensibilidade para CHC à custa de especificidade.
fundo escuro esconde lesão Com o fígado escuro por esteatose, ferro, cirrose ou num território regional, a lesão escura perde contraste e passa. E o anel claro ou escuro em volta de uma lesão pode fazer medir a mais ou a menos: meça nas outras sequências também.
Esteatose escondendo lesões, mulher de 32 anos
Fase arterial: duas lesões que realçam na periferia do fígado (pontas de seta).
Fase arterial: duas lesões que realçam na periferia do fígado (pontas de seta).
Fase hepatobiliar: o fígado escuro pela esteatose (fração de gordura de 45%) quase esconde as lesões; só a anterior aparece (pontas de seta).
Fase hepatobiliar: o fígado escuro pela esteatose (fração de gordura de 45%) quase esconde as lesões; só a anterior aparece (pontas de seta).
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 24. Ver artigo
Síndrome de obstrução sinusoidal escondendo metástase, homem de 52 anos
Fase arterial: metástase bem delimitada (seta).
Fase arterial: metástase bem delimitada (seta).
Fase hepatobiliar: a metástase perde nitidez entre as faixas escuras reticulares da síndrome de obstrução sinusoidal.
Fase hepatobiliar: a metástase perde nitidez entre as faixas escuras reticulares da síndrome de obstrução sinusoidal.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 25. Ver artigo

Pontos de prova: alto rendimento

Gadoxetato~50% biliar · hepatobiliar aos 20 min
Gadobenato3–5% biliar · hepatobiliar em 1–2 h
Fase adequadaFígado mais claro que os vasos · excreção não é exigida
Fase escura técnicaCedo, ângulo baixo, sem supressão de gordura, extracelular junto
HNFMulher jovem · realce arterial homogêneo · cicatriz T2 clara · capta
CicatrizRealce tardio com extracelular · escura com gadoxetato
HNF na hepatobiliarHiper, iso ou anel periférico · escura só 2%
AlvoNão é HNF: colangiocarcinoma, metástase
HNF cresce12–15% · não indica cirurgia
Adenoma inflamatórioT2 claro, atol (especificidade 97%), realce persiste · até 30% captam
HNF1AGordura (fora de fase) · lavagem · o mais escuro na hepatobiliar
β-catenina éxon 3Cicatriz · capta (> 80%) · maior risco de CHC
SangramentoSonic hedgehog e β-catenina 7/8 · álcool · tamanho
Malignizaçãoβ-catenina éxon 3, > 5 cm, homem
RessecarHomem · β-catenina éxon 3 · mulher > 5 cm ou crescendo
Adenoma rotoEmbolização · cirurgia adiada
GestaçãoUS a cada 6–12 semanas
Semelhante à HNFFígado com distúrbio vascular · não maligniza
Fontan20–50% · pequenas, periféricas · 7–10% lavam
Budd-ChiariT1 claro, T2 escuro · até 1/3 lava
Sem LI-RADSCirrose cardiogênica e vascular
Na cirroseLesão semelhante à HNF = LR-3
OxaliplatinaNódulo novo que realça e capta: semelhante à HNF
Esteatose graveEscurece a fase · leve não
FerroEscuro mesmo captando · queda de sinal em fase
Bilirrubina> 3 mg/dL: fase pouco útil
Obstrução sinusoidalReticular periférico, veias normais, platina
AblaçãoZona maior que o tumor: não é progressão
CHCAnel escuro: invasão microvascular
LavagemSó na portal com gadoxetato

Armadilhas e erros comuns

Erros na lesão

  • Diagnosticar HNF só pela captação na hepatobiliar
  • Chamar de adenoma toda lesão escura e de HNF toda que capta
  • Ler a cicatriz escura com gadoxetato como atípica
  • Indicar cirurgia porque a HNF cresceu
  • Esquecer que todo adenoma em homem vai para ressecção
  • Ler lavagem na fase de transição ou hepatobiliar
  • Chamar de metástase o nódulo hipervascular que capta depois da oxaliplatina

Erros no fígado

  • Culpar o fígado pela fase escura sem conferir a técnica
  • Aplicar LI-RADS na cirrose cardiogênica ou vascular
  • Chamar de LR-1 a lesão semelhante à HNF na cirrose
  • Chamar de progressão a zona de ablação
  • Biopsiar lesão na telangiectasia hemorrágica

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Mulher de 32 anos, fígado normal. RM com gadoxetato: nódulo de 3 cm com realce arterial homogêneo, sem lavagem, cicatriz central em hipersinal em T2 que continua escura na fase de transição e na hepatobiliar; a lesão é hiperintensa na fase hepatobiliar. A conduta mais adequada é:

Todas as características são de HNF típica. Com gadoxetato, a cicatriz continua escura nas fases de transição e hepatobiliar, porque o contraste já está entrando nos hepatócitos: não é atipia. HNF assintomática sem câncer nem hepatopatia não pede tratamento nem controle.
↑revisar esta parte do caderno · HNF típica
Questão 2

Nódulo hepático numa mulher de 28 anos que usa anticoncepcional há anos: queda de sinal homogênea na fase fora de fase, realce arterial com lavagem na portal e hipossinal acentuado na fase hepatobiliar. O subtipo mais provável é:

Gordura intracelular (queda de sinal fora de fase; sensibilidade de 95%), lavagem e o hipossinal mais acentuado na hepatobiliar (menos OATP) são do adenoma HNF1A inativado. O inflamatório tem T2 claro, sinal do atol e realce que persiste; o β-catenina éxon 3 costuma captar na hepatobiliar.
↑revisar esta parte do caderno · Adenoma hepatocelular pelos subtipos
Questão 3

Homem de 30 anos, usuário de anabolizante, com adenoma hepatocelular de 3 cm. A conduta recomendada é:

No homem, o risco de malignização é cerca de 10 vezes maior, e a ressecção é recomendada em qualquer tamanho. O corte de 5 cm e o teste de suspender o hormônio valem para a mulher. O β-catenina éxon 3 também vai para ressecção em qualquer tamanho.
↑revisar esta parte do caderno · Complicações e conduta no adenoma
Questão 4

Paciente de 26 anos operado de Fontan na infância, com fígado de aspecto cirrótico e vários nódulos de 1 cm, periféricos, com realce arterial; um deles tem lavagem na fase portal. Sobre a aplicação do LI-RADS:

O LI-RADS não se aplica à cirrose cardiogênica (inclui o Fontan) nem à cirrose por distúrbio vascular. Nesses pacientes, lesões semelhantes à HNF são muito comuns (20 a 50% no Fontan) e 7 a 10% lavam. O gadoxetato ajuda: captar na hepatobiliar favorece lesão semelhante à HNF.

Siglas: LR-4 e LR-5: categorias do LI-RADS, provavelmente e definitivamente CHC.
↑revisar esta parte do caderno · Lesões semelhantes à HNF no fígado doente
Questão 5

Homem de 56 anos em quimioterapia com oxaliplatina para câncer de cólon. A fase hepatobiliar mostra hipossinal reticular na periferia do fígado, com veias hepáticas e cava inferior normais e baço discretamente aumentado. O diagnóstico mais provável é:

Hipossinal reticular e periférico na hepatobiliar, com veias hepáticas e cava normais, depois de platina, é muito específico da síndrome de obstrução sinusoidal, às vezes o único achado. Na congestão as veias hepáticas e a cava estão dilatadas; no Budd-Chiari, as veias estão ocluídas.
↑revisar esta parte do caderno · Fígado escuro na hepatobiliar: causas difusas
Questão 6

Num exame com gadoxetato para avaliar nódulo na cirrose, em qual fase se deve procurar a lavagem como característica maior do LI-RADS?

Com gadoxetato, a lavagem só vale na fase portal. Na transição e na hepatobiliar o fígado está captando o contraste e quase toda lesão parece escura, o que superestimaria a lavagem. A cápsula pode ser vista na portal e na transição.
↑revisar esta parte do caderno · Lesões escuras na hepatobiliar
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Cadernos relacionados

Fontes.
[A] LeGout JD, Bolan CW, Bowman AW, et al. Focal Nodular Hyperplasia and Focal Nodular Hyperplasia–like Lesions. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061. doi:10.1148/rg.210156
[B] Tse JR, Felker ER, Naini BV, et al. Hepatocellular Adenomas: Molecular Basis and Multimodality Imaging Update. RadioGraphics 2023;43(3):e220134. doi:10.1148/rg.220134
[C] Harper KC, Ronot M, Wells ML, et al. Hypointense Findings on Hepatobiliary Phase MR Images. RadioGraphics 2025;45(2):e240090. doi:10.1148/rg.240090

A HNF e as lesões semelhantes à HNF vêm de [A]; os subtipos de adenoma, as complicações e a conduta, de [B]; os agentes, a fase hepatobiliar adequada e as causas de hipossinal, de [C]. Conferido em 06/10/2026.

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