Fontes: LeGout et al., RadioGraphics 2022 · Tse et al., RadioGraphics 2023 · Harper et al., RadioGraphics 2025
A lesão que realça na fase arterial, no fígado normal
Numa mulher jovem, com fígado normal e sem câncer, um nódulo com realce arterial
quase sempre é hiperplasia nodular focal (HNF) ou adenoma hepatocelular. A
distinção muda tudo: a HNF não sangra, não malignifica e não precisa de controle; o
adenoma pode sangrar e virar carcinoma hepatocelular (CHC), e pede no mínimo seguimento.
O contraste hepatoespecífico (gadoxetato e gadobenato) ajuda porque só o hepatócito
o capta. Mas a fase hepatobiliar não é um teste de sim ou não: há adenomas que captam, HNF que
não capta, e o fígado inteiro pode ficar escuro por motivos que nada têm de lesão.
a regra de ouro
A fase hepatobiliar não se lê sozinha. HNF com todas as características típicas em
todas as sequências se diagnostica com segurança; faltou uma ou apareceu algo atípico,
o caminho é controle ou biópsia, conforme a suspeita.
O contraste hepatoespecífico e a fase hepatobiliar
Os dois agentes entram no hepatócito pelos transportadores OATP1B1 e OATP1B3 (polipeptídeos transportadores de ânions orgânicos) e saem
para a bile pelo MRP2 (proteína 2 associada à resistência a múltiplos fármacos). Antes disso, funcionam como contraste extracelular, o que permite o
estudo dinâmico.
Gadoxetato
Gadobenato
Captação pelo fígado
~50%
3 a 5%
Fase hepatobiliar
20 minutos (pico em 10 a 20)
1 a 2 horas (40 a 120 min)
Excreção
Metade biliar, metade renal
Quase toda renal
como é uma fase hepatobiliar adequada
O fígado mais claro que os vasos intra-hepáticos, o baço e os rins; bile e ductos ainda
mais claros. Para o LI-RADS (Liver Imaging Reporting and Data System), a fase é subótima se o fígado não estiver claramente mais
claro que os vasos; a excreção biliar não é exigida. Excreção presente também não prova
função normal: pode estar só atrasada.
a fase escura por técnica
Antes de culpar o fígado, descarte a técnica: aquisição cedo demais (fígado doente
precisa de mais tempo; esperar até 120 minutos ajuda), ângulo de excitação baixo (25 a
45° melhoram o contraste), sem saturação de gordura (a gordura fica mais clara que o
fígado) e protocolo com contraste extracelular junto (os vasos ficam claros).
Fase hepatobiliar normal, homem de 50 anos
Axial aos 20 minutos de gadoxetato: fígado homogêneo e mais claro que os vasos, a aorta (a), os rins (k) e o baço (s); a via biliar é o que há de mais claro (seta). Excreção renal normal (ponta de seta).Coronal aos 21 minutos: a mesma captação, com a via biliar contrastada (seta).
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 2. Ver artigo
O ângulo de excitação, cirrose com CHC difuso
Fase hepatobiliar com gadobenato aos 60 minutos, ângulo de 15°.Mesmo exame com 25°: mais contraste entre o fígado e os nódulos escuros do CHC, e o ducto intra-hepático direito contrastado (seta).
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 10. Ver artigo
A supressão de gordura, cirrose metabólica
Imagem só de água (gordura suprimida): o fígado fica mais claro que os vasos e o baço, com excreção biliar normal (seta).Imagem fora de fase, sem suprimir a gordura: a gordura do abdome fica mais clara que o fígado, que parece escuro.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 11. Ver artigo
HNF típica
É a segunda lesão benigna mais comum do fígado, depois do hemangioma: hepatócitos normais
em crescimento hiperplásico ao redor de uma cicatriz central com artérias malformadas,
em resposta a um fluxo anormal. Mulher de 20 a 50 anos (8 para 1), solitária em 80%, em geral
menor que 5 cm. Não malignifica e quase nunca sangra: assintomática, não pede
tratamento nem controle.
Método
HNF
Sem contraste
Igual ao fígado em US, TC e RM: a lesão "furtiva" · na RM, iso ou discreto hipossinal em T1 e discreto hipersinal em T2
Doppler
Artéria nutridora central e ramos em raio de roda
Fase arterial
Realce homogêneo · no US com contraste, de dentro para fora (centrífugo)
Portal e tardia
Fica igual ou pouco mais clara que o fígado (sem lavagem)
Cicatriz central
Visível em ~60% na TC e ~80% na RM · hipersinal em T2 · realce tardio com contraste extracelular
Fase hepatobiliar
Capta (só 2% ficam escuras)
HNF no US com contraste, mulher de 70 anos
Aos 8 segundos: artéria nutridora grande (seta) e realce em raio de roda (pontas de seta).Aos 10 segundos: a lesão realça por inteiro, ainda com a artéria (seta) e o raio de roda (ponta de seta).Aos 3 minutos e 24 segundos: quase igual ao fígado (seta).
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 1. Ver artigo
HNF típica na TC, homem de 29 anos
Fase arterial precoce: artéria nutridora grande na cicatriz central (círculo).Fase arterial tardia: realce homogêneo da lesão (seta), com cicatriz central escura (ponta de seta).Fase tardia: a lesão igual ao fígado e a cicatriz realçando (ponta de seta).
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 2. Ver artigo
HNF típica na RM com contraste extracelular, mulher de 46 anos
T2 com saturação de gordura: lesão discretamente clara (seta) com a cicatriz (ponta de seta).T1 sem contraste: lesão igual ao fígado (seta), cicatriz escura (ponta de seta).Fase arterial: realce homogêneo, cicatriz escura.Fase portal: quase igual ao fígado, cicatriz ainda escura.Fase tardia: quase igual ao fígado, com realce da cicatriz (ponta de seta).
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 3. Ver artigo
Fase hepatobiliar na HNF
Padrões
Típicos
Hipersinal homogêneo · hipersinal heterogêneo · isossinal homogêneo · hipossinal com anel periférico de captação
Não são de HNF
Alvo (centro claro, periferia escura: estroma fibroso do colangiocarcinoma e da metástase) · anel claro em volta da lesão, fora dela (hiperplasia reativa) · contraste excretado em ductos dentro ou junto da lesão
Outros padrões da HNF na fase hepatobiliar
Coronal com gadoxetato, mulher de 47 anos: captação heterogênea (seta).Axial, mulher de 27 anos: captação igual ao fígado (seta), reconhecida pela cicatriz escura (ponta de seta).Axial, homem de 65 anos: HNF escura com anel periférico de captação (seta).
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 5. Ver artigo
O padrão em alvo não é de HNF: colangiocarcinoma
Fase hepatobiliar: retenção central de contraste (seta preta), periferia escura (ponta de seta) e retenção no fígado em volta (seta branca). Ductos dentro da lesão realçam (asterisco).
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 6. Ver artigo
a cicatriz com gadoxetato
Com contraste extracelular, a cicatriz realça na fase tardia. Com gadoxetato, o contraste
começa a entrar nos hepatócitos antes disso, e a cicatriz continua escura na fase de
transição e na hepatobiliar. Não é falta de realce da cicatriz.
HNF típica com gadoxetato, mulher de 30 anos
Fase arterial: realce homogêneo (seta), cicatriz escura (ponta de seta).Fase de transição: quase igual ao fígado, e a cicatriz continua escura (ponta de seta), ao contrário do realce tardio com contraste extracelular.Fase hepatobiliar aos 20 minutos: captação homogênea (seta), cicatriz escura (ponta de seta).
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 4. Ver artigo
+ complemento · HNF atípica
85% têm menos de 5 cm. 12 a 15% crescem e 9% regridem: crescer não indica cirurgia.
Gordura na lesão (comum na histologia, rara na imagem) e calcificação (~1%, na
cicatriz) são atípicas: com o resto típico, ainda é HNF, mas vale controle; faltando outra
característica, biópsia. Sem realce arterial (4%) ou escura na hepatobiliar (2%): em geral
precisa de tecido.
HNF com esteatose, mulher de 41 anos
T1 em fase: a lesão (seta).T1 fora de fase: queda de sinal na lesão (seta), gordura.Fase hepatobiliar: captação heterogênea (seta). O resto era típico de HNF; a gordura levou à biópsia.
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 8. Ver artigo
HNF com calcificação, mulher de 53 anos
TC sem contraste: calcificação puntiforme na cicatriz central (ponta de seta). Estável por 10 anos, com RM típica de HNF.
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 9. Ver artigo
Adenoma hepatocelular pelos subtipos
Tumor da mulher em idade fértil que usa anticoncepcional oral por anos (o risco sobe 30
a 40 vezes). Também anabolizantes, obesidade, álcool, doença de depósito de glicogênio. Há
oito subtipos moleculares; para a imagem, quatro bastam:
Subtipo
Quanto
Na RM
Risco
Inflamatório
30 a 35%
Hipersinal em T2 moderado · sinal do atol (anel periférico mais claro em T2, com realce tardio; 24 a 54%, especificidade de 97%) · realce arterial que persiste na portal · fígado em volta com esteatose · hepatobiliar em geral escuro, mas até 30% captam
Obesidade, anticoncepcional · antes chamado de HNF telangiectásica
HNF1A (fator nuclear 1-alfa do hepatócito) inativado
30 a 35%
Gordura: queda de sinal na fase fora de fase (sensibilidade 95%, especificidade 85%) · realce arterial com lavagem · o mais escuro na hepatobiliar · pode captar muito FDG (fluordesoxiglicose) no PET (tomografia por emissão de pósitrons)
Malignização em até 4% · o que mais cresce mesmo sem anticoncepcional e depois da menopausa
β-catenina, éxon 3
~8% (e 8% mistos)
Cicatriz central em hipersinal T2 (sensibilidade 80%, especificidade 91%) · mais de 80% captam na hepatobiliar (mais OATP)
O maior risco de CHC (até 40 a 47%) · 30 a 40% em homens, anabolizantes
Sonic hedgehog e β-catenina, éxon 7/8
~4% cada
Sem marca própria · sangue dentro da lesão
Os que mais sangram (sonic hedgehog ~70% com sangramento sintomático)
Adenoma inflamatório que rompeu, mulher de 36 anos
US: massa hiperecogênica (seta branca) com halo hipoecogênico (seta preta), o atol.T2 com saturação de gordura: massa clara (setas) com anel mais claro na periferia, o sinal do atol.T1 sem contraste: igual ou pouco mais clara que o fígado (seta).Fase arterial: realce (seta branca), com anel menos realçado (seta preta), o atol.Fase portal: igual ao fígado, com o anel agora realçando (seta preta).Fase hepatobiliar: escura em relação ao fígado.Um ano depois, dor e hipotensão. T2: líquido heterogêneo na lesão e no peritônio (seta).T1 sem contraste: sinal alto, sangue (seta).Fase portal: sangramento ativo (seta). Fez hepatectomia direita de urgência.
Fonte: Tse JR et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220134, Fig. 1. Ver artigo
Adenoma HNF1A ao lado de uma HNF, mulher de 50 anos
US: adenoma hiperecogênico (seta).T1 sem contraste: adenoma bem escuro (seta branca) e HNF pouco escura (seta preta).Fase arterial: os dois realçam.Fase portal: o adenoma lava, a HNF fica igual ao fígado.Fase hepatobiliar: adenoma muito escuro (seta branca), HNF igual ou mais clara (seta preta).T1 em fase.T1 fora de fase: queda de sinal difusa no adenoma (gordura), não na HNF.
Fonte: Tse JR et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220134, Fig. 4. Ver artigo
Adenoma e HNF no mesmo fígado, mulher de 32 anos
Fase hepatobiliar: lesão grande subcapsular escura (seta), um adenoma inflamatório, e lesão lobulada clara (ponta de seta), uma HNF. Contraste na vesícula (asterisco).
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 20. Ver artigo
quando o adenoma imita a HNF
O adenoma β-catenina éxon 3 e parte dos inflamatórios captam na hepatobiliar, e
podem ter cicatriz central (43% dos inflamatórios e 67% dos β-catenina numa série). Por isso a
acurácia para separar HNF de adenoma caiu de 97 a 100% nos primeiros estudos para 87 a 95%. O
que ajuda: a HNF capta mais (razão de sinal maior), é lobulada, tem cicatriz típica e o
ADC (coeficiente de difusão aparente) um pouco maior.
Adenoma β-catenina imitando HNF
Fase hepatobiliar aos 20 minutos, mulher de 21 anos: adenoma β-catenina (setas) igual ou pouco mais claro que o fígado, como uma HNF.TC na fase portal, mulher de 38 anos: adenoma β-catenina (seta) com cicatriz central (ponta de seta).
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 7. Ver artigo
Adenoma β-catenina éxon 3, homem de 22 anos
T2 com saturação de gordura: massa (seta branca) com cicatriz central clara (seta preta).T1 sem contraste: quase igual ao fígado, com faixa clara de sangue (seta preta).Fase arterial: realce heterogêneo intenso (seta).Fase portal: o realce persiste.Fase hepatobiliar: áreas mais claras que o fígado (seta), pelo excesso de OATP.
Fonte: Tse JR et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220134, Fig. 8. Ver artigo
o adenoma hipoecogênico no US
No US a ecogenicidade depende do fundo: o adenoma inflamatório num fígado gorduroso parece
hipoecogênico; o HNF1A, com gordura própria, é hiperecogênico e pode lembrar
hemangioma. No US com contraste, o adenoma inflamatório lava mais que na TC e na RM.
Adenomatose inflamatória no fígado gorduroso, mulher de 22 anos
T1 em fase.T1 fora de fase: o fígado perde sinal (estrela), gordura; o adenoma não (seta).US: os adenomas (setas) parecem hipoecogênicos contra o fígado gorduroso (estrela).
Fonte: Tse JR et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220134, Fig. 3. Ver artigo
Complicações e conduta no adenoma
Risco
O que aumenta
Sangramento
Subtipos sonic hedgehog e β-catenina éxon 7/8 · álcool · tamanho (cada cm a mais, 1,54 vez mais chance; acima de 3 cm, sangramento histológico passa de 26% para mais de 50%)
Malignização (4,2% no total)
β-catenina éxon 3 · maior que 5 cm · sexo masculino (10 vezes mais) · glicogenose e doença vascular do fígado
Dois adenomas HNF1A, um com CHC, mulher de 71 anos
TC arterial: adenoma no segmento medial (seta preta) e massa maior e heterogênea no lateral (seta branca), o CHC nascido do adenoma.TC tardia: lavagem discreta nos dois.PET-TC: os dois captam muito FDG; a área de necrose (estrela) não capta.
Fonte: Tse JR et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220134, Fig. 6. Ver artigo
Adenoma sonic hedgehog com sangramento, mulher de 35 anos
T2 com saturação de gordura: a massa (seta).T1 sem contraste: quase igual ao fígado, com área periférica clara de sangue (seta preta).Fase arterial: realce intenso.Fase portal: lavagem.Fase hepatobiliar: escura.
Fonte: Tse JR et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220134, Fig. 9. Ver artigo
Adenoma sonic hedgehog roto, mulher de 22 anos
TC arterial: massa subcapsular no lobo esquerdo (seta branca) com extravasamento (seta preta).TC portal coronal: o extravasamento aumenta (seta preta); segundo adenoma (seta branca).Arteriografia de urgência: extravasamento volumoso (seta preta) e o segundo adenoma (seta branca).
Fonte: Tse JR et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220134, Fig. 10. Ver artigo
Situação
Conduta
Homem, qualquer tamanho
Ressecção
β-catenina éxon 3, qualquer tamanho
Ressecção
Mulher
Parar o anticoncepcional, perder peso e repetir a RM · ressecção se continuar acima de 5 cm ou crescer (20% do diâmetro)
Pequeno e estável
RM anual
Roto, sangrando
Reanimação e embolização · cirurgia adiada (meses), ou nenhuma se o adenoma encolher ou necrosar
Gestação
US a cada 6 a 12 semanas · sangramento descrito só a partir de 6,5 cm, quase sempre no 3º trimestre
+ complemento · embolização e ablação
A embolização reduz mais de 30% do diâmetro em 75% e trouxe 96% dos adenomas acima de 5 cm
para baixo desse limite numa série. A ablação térmica serve para adenomas menores de 5 cm
quando há motivo para tratar (homem, β-catenina, desejo de gestar, impossibilidade de parar o
anticoncepcional).
Embolização de adenomatose, mulher de 36 anos
RM arterial: massa hipervascular de mais de 5 cm no domo do lobo direito (seta).Arteriografia, fase arterial tardia: várias massas hipervasculares (seta).Fase portal: elas continuam realçando.Depois da embolização: sem vascularização residual (seta).RM portal 2 meses depois: sem realce na lesão tratada (seta).RM aos 6 meses: a cavidade encolheu.
Fonte: Tse JR et al. RadioGraphics 2023;43(3):e220134, Fig. 7. Ver artigo
Lesões semelhantes à HNF no fígado doente
São idênticas à HNF na histologia, mas aparecem num fígado alterado por um distúrbio
vascular. Não malignificam, mas confundem com CHC, sobretudo porque esses pacientes têm risco
de CHC.
Distúrbio
Doenças
O que saber
Saída do sangue
Fontan e outras hepatopatias congestivas · Budd-Chiari
Fontan: 20 a 50% têm; pequenas (~1 cm), periféricas, múltiplas; 7 a 10% lavam · Budd-Chiari: mais de um terço; hipersinal em T1 e hipossinal em T2; até um terço lava
Entrada do sangue
Ausência congênita da porta (Abernethy) · transformação cavernomatosa · telangiectasia hemorrágica hereditária
Na telangiectasia: artérias hepáticas ≥ 6 mm, shunts, e as "massas vasculares confluentes" costumam ser lesões semelhantes à HNF · evitar biópsia (sangra)
Cirrose: 3 a 15%; até 30% ficam escuras na hepatobiliar · oxaliplatina: aparecem 10 a 120 meses depois, pequenas, múltiplas, muitas com anel periférico na hepatobiliar
Lesões semelhantes à HNF depois de Fontan, homem de 26 anos
Fase arterial: duas das várias lesões que realçam (asteriscos); shunt de Fontan pérvio (ponta de seta).Fase portal: uma delas lava (seta).Gadoxetato, fase hepatobiliar: captação homogênea, de lesão semelhante à HNF (setas).
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 10. Ver artigo
Lesões semelhantes à HNF no Budd-Chiari, mulher de 24 anos
T1 com saturação de gordura sem contraste: lesões claras em T1 (seta na lesão índice).T2: escuras em T2, ao contrário da HNF comum.Fase hepatobiliar: captação clara, típica.
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 11. Ver artigo
Telangiectasia hemorrágica hereditária, mulher de 48 anos
Coronal na fase venosa: artérias hepáticas aumentadas (pontas de seta) e lesão semelhante à HNF igual ao fígado (seta).
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 12. Ver artigo
Telangiectasia hemorrágica com lesões semelhantes à HNF, mulher de 44 anos
T2: lesão (seta) com cicatriz central clara (ponta de seta).Gadoxetato, fase arterial: realce homogêneo.Fase hepatobiliar axial: captação homogênea.Fase hepatobiliar coronal: mais uma lesão (asterisco) e várias pequenas (pontas de seta), que na RM com contraste extracelular se confundiam com as telangiectasias.
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 13. Ver artigo
Hiperplasia nodular regenerativa e lesões semelhantes à HNF, três pacientes
Homem de 44 anos com imunodeficiência comum variável: lesões escuras com anel periférico na hepatobiliar (pontas de seta).Homem de 40 anos com HIV: lesão escura com anel periférico (ponta de seta).Mulher de 65 anos depois de quimioterapia: lesões escuras com anel periférico (pontas de seta).
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 16. Ver artigo
o LI-RADS não se aplica
O LI-RADS não vale na cirrose cardiogênica (inclui o Fontan) nem na cirrose por
distúrbio vascular: telangiectasia hemorrágica, Budd-Chiari, oclusão crônica da porta e
hiperplasia nodular regenerativa. Na cirrose comum, lesão que parece semelhante à HNF vira
LR-3 (probabilidade intermediária de malignidade), não LR-1 (definitivamente benigna), e LR-2 (provavelmente benigna) só com cautela.
nódulo novo que realça depois da oxaliplatina
As metástases dos tumores tratados com oxaliplatina (colorretal, pâncreas) costumam ser
hipovasculares na RM. Um nódulo novo que realça na fase arterial e capta na
hepatobiliar, anos depois do tratamento, provavelmente é lesão semelhante à HNF. Que apareçam
outros e cresçam devagar faz parte da história natural.
Lesões semelhantes à HNF novas depois de oxaliplatina, quatro pacientes
Mulher de 60 anos, câncer de cólon: lesão escura com anel periférico na hepatobiliar (ponta de seta).Homem de 49 anos, câncer de reto: o mesmo padrão (ponta de seta).Mulher de 62 anos, câncer de cólon: o mesmo padrão (ponta de seta).Homem de 38 anos, câncer de cólon: captação homogênea e clara (ponta de seta).
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 17. Ver artigo
Crescimento lento depois de oxaliplatina, homem de 45 anos
TC portal no início: lesão que realça (seta).TC um ano depois: cresceu devagar (seta), o que foi visto como atípico para metástase.Gadoxetato aos 2 anos: captação clara na hepatobiliar (seta), lesão semelhante à HNF. Nos 3 anos seguintes, ela diminuiu.
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 18. Ver artigo
+ complemento · separar do CHC na cirrose
Favorecem lesão semelhante à HNF: tamanho < 1,6 cm, difusão sem hipersinal e
sem lavagem portal (as três juntas: especificidade de 100% num estudo); cicatriz central.
Favorecem CHC: hipersinal em T2, restrição, lavagem, crescimento. 6 a 15% dos CHC captam na
hepatobiliar.
Lesão semelhante à HNF na cirrose, comprovada, homem de 56 anos
Subtração na fase arterial com gadoxetato: realce (seta).Fase hepatobiliar: captação homogênea e clara (seta).
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 14. Ver artigo
CHC que capta, comprovado, homem de 68 anos com cirrose
Fase hepatobiliar no início: lesão com captação homogênea (seta).Seis meses depois: cresceu (seta), o que levou ao diagnóstico de CHC.
Fonte: LeGout JD et al. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061, Fig. 15. Ver artigo
Fígado escuro na hepatobiliar: causas difusas
O fígado inteiro com sinal menor que o esperado: não claramente mais claro que vasos, baço e
rins. É qualitativo, sem número de corte.
Causa
Pista
Esteatose
Leve e moderada costumam deixar a fase normal: escurecer sugere esteato-hepatite ou fibrose · a grave escurece sozinha, às vezes de forma heterogênea · ductos com contraste mostram função preservada
Ferro
Encurta o T2*: o fígado fica escuro mesmo captando · queda de sinal na fase em fase em relação à fora de fase · mapa de R2*
Hepatopatia crônica e cirrose
Escuro e heterogêneo, com excreção biliar atrasada, fraca ou ausente · bilirrubina > 3 mg/dL costuma tornar a fase inútil
Infiltração
Metástases difusas, amiloidose (fígado grande, rigidez alta sem cirrose)
Lesão por droga
Mistura de lesão hepatocelular e colestática · relação temporal com a droga
Vascular
Congestão, doença vascular porto-sinusoidal, telangiectasia, síndrome de obstrução sinusoidal, porta ocluída há pouco · portal homogênea, hepatobiliar heterogênea
Biliar
Obstrução completa do colédoco: escuro e sem excreção
Variação individual
Polimorfismo do OATP, anti-inflamatórios · excreção normal sem doença conhecida
Esteatose acentuada, mulher de 45 anos
Mapa de fração de gordura: 45% no lobo direito e 32% no esquerdo.Fase hepatobiliar: fígado difusamente escuro, só um pouco mais claro que o baço (s) e não mais claro que o rim (k); excreção biliar normal (seta) e vasos mal definidos (pontas de seta). A biópsia mostrou esteatose sem inflamação nem fibrose.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 3. Ver artigo
Sobrecarga de ferro, homem de 67 anos com hemocromatose
T1 em fase: fígado e baço escuros, ferro.Fase hepatobiliar: fígado escuro, não claramente mais claro que vasos, aorta (a) e baço (s), apesar da excreção biliar (seta).
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 4. Ver artigo
Cirrose metabólica, mulher de 75 anos
Fase portal: superfície nodular e esplenomegalia.Fase hepatobiliar aos 20 minutos: fígado escuro, não claramente mais claro que a porta (ponta de seta) e o rim (k), mas com excreção biliar (seta). Fase subótima para o LI-RADS.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 5. Ver artigo
Cirrose por hepatite B: esperar ajuda, homem de 53 anos
Fase hepatobiliar aos 20 minutos: fígado escuro e heterogêneo, com colédoco já contrastado (seta).Aos 120 minutos: o sinal do fígado aumentou, com vesícula e colédoco cheios de contraste.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 6. Ver artigo
Colangite esclerosante com estenose do colédoco, homem de 46 anos
Colangiorressonância coronal: estenose do colédoco (seta).Fase hepatobiliar: fígado não mais claro que a porta (seta), sem excreção; os ductos dilatados à direita aparecem escuros (pontas de seta).
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 9. Ver artigo
o padrão da síndrome de obstrução sinusoidal
Hipossinal reticular e periférico na hepatobiliar, com veias hepáticas e cava
normais, num paciente que fez quimioterapia com platina (oxaliplatina) é muito
específico, e às vezes é o único achado. Na congestão cardíaca o padrão é parecido, mas as veias
hepáticas e a cava estão dilatadas.
Síndrome de obstrução sinusoidal depois de oxaliplatina, dois pacientes
Homem de 56 anos com câncer colorretal: hipossinal reticular sobretudo na periferia; antes da quimioterapia a fase era normal.Mulher de 51 anos com câncer de cólon: hipossinal reticular extenso. Nos dois, excreção biliar (ponta de seta) e baço discretamente aumentado.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 8. Ver artigo
+ complemento · a hepatobiliar como exame de função
A razão de realce relativo do fígado (hepatobiliar contra T1 sem contraste) acompanha o
estádio de fibrose e a rigidez na elastografia, e um escore visual simples (o functional
liver imaging score, de 0 a 6) separa quem tem mais risco de descompensar.
Hipossinal regional e focal
Padrão
Causas
Como reconhecer
Regional (segmento ou lobo)
Radioterapia estereotáxica · radioembolização · ablação · trombose de ramo portal · embolização portal · oclusão de veia hepática (Budd-Chiari) · trombose da artéria hepática (transplante) · obstrução de ducto
Em cunha, com o território do vaso ou do ducto · na obstrução de ducto, o ramo não recebe contraste
Gordura: lugares típicos (ligamento redondo, periportal), bordas retas, sem efeito de massa · shunt: cunha periférica que realça na arterial
Embolização da porta direita, homem de 50 anos
Fase arterial: lobo direito com realce maior (seta), pelo aumento compensatório do fluxo arterial.Fase hepatobiliar: o mesmo território escuro (seta).
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 15. Ver artigo
Trombose da veia hepática direita depois de ablação, homem de 55 anos
Fase hepatobiliar coronal: áreas escuras irregulares ao longo do território da veia hepática direita (setas), congestão.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 16. Ver artigo
Trombose da artéria hepática no transplante, homem de 45 anos
Fase arterial: a artéria hepática esquerda não realça (ponta de seta).Fase hepatobiliar: lobo esquerdo escuro, mas com excreção no ducto hepático esquerdo (seta).
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 17. Ver artigo
Estenose do ducto hepático direito, mulher de 36 anos
T2: estenose do ducto hepático direito (ponta de seta), com ductos dilatados a montante.Fase hepatobiliar: território direito escuro e sem contraste nos ductos direitos (seta), ao contrário dos esquerdos.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 18. Ver artigo
Abscesso e colangite, mulher de 68 anos
T2: abscesso claro (seta) e área de colangite ao lado (ponta de seta).Fase hepatobiliar: o abscesso escuro, com halo discretamente claro, e a colangite escura (ponta de seta).
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 19. Ver artigo
a ablação parece crescer
A zona de ablação na hepatobiliar é maior que o tumor tratado, porque inclui a margem
de fígado. Não é progressão: ela encolhe devagar em meses ou anos. Suspeite de recidiva se o
contorno ficar irregular, aparecer nódulo que realça ou restrição. Na radioterapia, o
hipossinal mostra a extensão real da lesão do fígado, maior que nas outras sequências.
Radioterapia estereotáxica de colangiocarcinoma
TC de planejamento com as curvas de dose.Fase hepatobiliar 3 meses depois: área escura (seta) maior que o tumor tratado (contorno pontilhado), igual à zona de dose.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 12. Ver artigo
Radioembolização de colangiocarcinoma
T2 aos 10 meses: discreto hipersinal regional.Fase hepatobiliar: área escura irregular (seta), o tumor tratado e o fígado irradiado juntos. O resíduo se avalia nas outras sequências.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 13. Ver artigo
Ablação de metástases colorretais, homem de 50 anos
Fase hepatobiliar antes: duas metástases (setas).Dois meses depois da ablação por micro-ondas: zonas bem maiores que as metástases, que não indicam progressão e encolhem com o tempo.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 14. Ver artigo
Lesões escuras na hepatobiliar
Lesão
Na hepatobiliar
Adenoma
Em geral escuro (o HNF1A, o mais escuro) · β-catenina éxon 3 e parte dos inflamatórios captam
CHC
Em geral escuro · 10 a 15% (bem diferenciados) captam · o nódulo displásico e o CHC pequeno podem ficar escuros antes de realçar na arterial · anel escuro em volta sugere invasão microvascular (pior prognóstico)
Cisto, hemangioma, abscesso
Escuros · o abscesso pode ter halo levemente claro
Colangiocarcinoma
Escuro, ou alvo: periferia escura e centro um pouco mais claro (contraste retido no estroma fibroso)
Metástases
Escuras · alvo nas que têm estroma (colorretal) · anel claro fino em algumas (renal, neuroendócrino, GIST (tumor estromal gastrointestinal), colorretal)
CHC com invasão microvascular, homem de 46 anos
Gadobenato, fase arterial: realce (seta) com realce irregular em volta (pontas de seta).Fase hepatobiliar: lesão escura com halo escuro irregular em volta (pontas de seta), sugestivo de invasão microvascular.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 21. Ver artigo
Colangiocarcinoma intra-hepático, dois pacientes
Fase hepatobiliar: colangiocarcinoma grande totalmente escuro.Outro paciente: periferia escura (ponta de seta) e centro em nuvem um pouco mais claro, o alvo.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 22. Ver artigo
Metástases com aspectos diferentes, dois pacientes
Metástase colorretal com camadas claras e escuras e centro necrótico, o alvo (ponta de seta).Metástase de carcinoma renal de células claras: centro escuro e anel claro (seta).
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 23. Ver artigo
lavagem só na fase portal
Com gadoxetato, a lavagem do LI-RADS só vale na fase portal, não na de
transição nem na hepatobiliar (o fígado continua captando e qualquer lesão parece lavar). A
cápsula pode ser vista na portal e na transição, não na hepatobiliar. O agente aumenta a
sensibilidade para CHC à custa de especificidade.
fundo escuro esconde lesão
Com o fígado escuro por esteatose, ferro, cirrose ou num território regional, a lesão escura
perde contraste e passa. E o anel claro ou escuro em volta de uma lesão pode fazer medir a mais
ou a menos: meça nas outras sequências também.
Esteatose escondendo lesões, mulher de 32 anos
Fase arterial: duas lesões que realçam na periferia do fígado (pontas de seta).Fase hepatobiliar: o fígado escuro pela esteatose (fração de gordura de 45%) quase esconde as lesões; só a anterior aparece (pontas de seta).
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 24. Ver artigo
Síndrome de obstrução sinusoidal escondendo metástase, homem de 52 anos
Fase arterial: metástase bem delimitada (seta).Fase hepatobiliar: a metástase perde nitidez entre as faixas escuras reticulares da síndrome de obstrução sinusoidal.
Fonte: Harper KC et al. RadioGraphics 2025;45(2):e240090, Fig. 25. Ver artigo
Pontos de prova: alto rendimento
Gadoxetato
~50% biliar · hepatobiliar aos 20 min
Gadobenato
3–5% biliar · hepatobiliar em 1–2 h
Fase adequada
Fígado mais claro que os vasos · excreção não é exigida
Fase escura técnica
Cedo, ângulo baixo, sem supressão de gordura, extracelular junto
Gordura (fora de fase) · lavagem · o mais escuro na hepatobiliar
β-catenina éxon 3
Cicatriz · capta (> 80%) · maior risco de CHC
Sangramento
Sonic hedgehog e β-catenina 7/8 · álcool · tamanho
Malignização
β-catenina éxon 3, > 5 cm, homem
Ressecar
Homem · β-catenina éxon 3 · mulher > 5 cm ou crescendo
Adenoma roto
Embolização · cirurgia adiada
Gestação
US a cada 6–12 semanas
Semelhante à HNF
Fígado com distúrbio vascular · não maligniza
Fontan
20–50% · pequenas, periféricas · 7–10% lavam
Budd-Chiari
T1 claro, T2 escuro · até 1/3 lava
Sem LI-RADS
Cirrose cardiogênica e vascular
Na cirrose
Lesão semelhante à HNF = LR-3
Oxaliplatina
Nódulo novo que realça e capta: semelhante à HNF
Esteatose grave
Escurece a fase · leve não
Ferro
Escuro mesmo captando · queda de sinal em fase
Bilirrubina
> 3 mg/dL: fase pouco útil
Obstrução sinusoidal
Reticular periférico, veias normais, platina
Ablação
Zona maior que o tumor: não é progressão
CHC
Anel escuro: invasão microvascular
Lavagem
Só na portal com gadoxetato
Armadilhas e erros comuns
Erros na lesão
Diagnosticar HNF só pela captação na hepatobiliar
Chamar de adenoma toda lesão escura e de HNF toda que capta
Ler a cicatriz escura com gadoxetato como atípica
Indicar cirurgia porque a HNF cresceu
Esquecer que todo adenoma em homem vai para ressecção
Ler lavagem na fase de transição ou hepatobiliar
Chamar de metástase o nódulo hipervascular que capta depois da oxaliplatina
Erros no fígado
Culpar o fígado pela fase escura sem conferir a técnica
Aplicar LI-RADS na cirrose cardiogênica ou vascular
Chamar de LR-1 a lesão semelhante à HNF na cirrose
Chamar de progressão a zona de ablação
Biopsiar lesão na telangiectasia hemorrágica
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1
Mulher de 32 anos, fígado normal. RM com gadoxetato: nódulo de 3 cm com realce arterial homogêneo, sem lavagem, cicatriz central em hipersinal em T2 que continua escura na fase de transição e na hepatobiliar; a lesão é hiperintensa na fase hepatobiliar. A conduta mais adequada é:
Todas as características são de HNF típica. Com gadoxetato, a cicatriz continua escura nas fases de transição e hepatobiliar, porque o contraste já está entrando nos hepatócitos: não é atipia. HNF assintomática sem câncer nem hepatopatia não pede tratamento nem controle.
Nódulo hepático numa mulher de 28 anos que usa anticoncepcional há anos: queda de sinal homogênea na fase fora de fase, realce arterial com lavagem na portal e hipossinal acentuado na fase hepatobiliar. O subtipo mais provável é:
Gordura intracelular (queda de sinal fora de fase; sensibilidade de 95%), lavagem e o hipossinal mais acentuado na hepatobiliar (menos OATP) são do adenoma HNF1A inativado. O inflamatório tem T2 claro, sinal do atol e realce que persiste; o β-catenina éxon 3 costuma captar na hepatobiliar.
Homem de 30 anos, usuário de anabolizante, com adenoma hepatocelular de 3 cm. A conduta recomendada é:
No homem, o risco de malignização é cerca de 10 vezes maior, e a ressecção é recomendada em qualquer tamanho. O corte de 5 cm e o teste de suspender o hormônio valem para a mulher. O β-catenina éxon 3 também vai para ressecção em qualquer tamanho.
Paciente de 26 anos operado de Fontan na infância, com fígado de aspecto cirrótico e vários nódulos de 1 cm, periféricos, com realce arterial; um deles tem lavagem na fase portal. Sobre a aplicação do LI-RADS:
O LI-RADS não se aplica à cirrose cardiogênica (inclui o Fontan) nem à cirrose por distúrbio vascular. Nesses pacientes, lesões semelhantes à HNF são muito comuns (20 a 50% no Fontan) e 7 a 10% lavam. O gadoxetato ajuda: captar na hepatobiliar favorece lesão semelhante à HNF.
Siglas: LR-4 e LR-5: categorias do LI-RADS, provavelmente e definitivamente CHC.
Homem de 56 anos em quimioterapia com oxaliplatina para câncer de cólon. A fase hepatobiliar mostra hipossinal reticular na periferia do fígado, com veias hepáticas e cava inferior normais e baço discretamente aumentado. O diagnóstico mais provável é:
Hipossinal reticular e periférico na hepatobiliar, com veias hepáticas e cava normais, depois de platina, é muito específico da síndrome de obstrução sinusoidal, às vezes o único achado. Na congestão as veias hepáticas e a cava estão dilatadas; no Budd-Chiari, as veias estão ocluídas.
Num exame com gadoxetato para avaliar nódulo na cirrose, em qual fase se deve procurar a lavagem como característica maior do LI-RADS?
Com gadoxetato, a lavagem só vale na fase portal. Na transição e na hepatobiliar o fígado está captando o contraste e quase toda lesão parece escura, o que superestimaria a lavagem. A cápsula pode ser vista na portal e na transição.
Fontes. [A] LeGout JD, Bolan CW, Bowman AW, et al. Focal Nodular Hyperplasia and Focal Nodular
Hyperplasia–like Lesions. RadioGraphics 2022;42(4):1043–1061. doi:10.1148/rg.210156 [B] Tse JR, Felker ER, Naini BV, et al. Hepatocellular Adenomas: Molecular Basis and
Multimodality Imaging Update. RadioGraphics 2023;43(3):e220134. doi:10.1148/rg.220134 [C] Harper KC, Ronot M, Wells ML, et al. Hypointense Findings on Hepatobiliary Phase MR
Images. RadioGraphics 2025;45(2):e240090. doi:10.1148/rg.240090
A HNF e as lesões semelhantes à HNF vêm de [A]; os subtipos de adenoma, as complicações e a
conduta, de [B]; os agentes, a fase hepatobiliar adequada e as causas de hipossinal, de [C].
Conferido em 06/10/2026.
Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das
mesmas fontes.