Cadernos QRad 92 · Crohn do Delgado na Entero-TC e na Entero-RM
Abdome · intestino delgado

Crohn do Delgado na Entero-TC e na Entero-RM

Fonte: Guglielmo et al: 2020, RadioGraphics

Um vocabulário só para o laudo

A Society of Abdominal Radiology, a Society for Pediatric Radiology e a American Gastroenterological Association publicaram em 2018 um consenso de nomenclatura para a entero-TC e a entero-RM na doença de Crohn do delgado. O artigo de Guglielmo e colegas é o atlas desse consenso: o que cada termo quer dizer, como medir e qual frase usar na impressão.

O laudo respondeCom os termos
Há inflamação ativa?Espessamento, realce, edema, restrição, úlcera
Há estenose?Estreitamento com dilatação a montante
Há doença penetrante?Trajeto sinusal, fístula, massa inflamatória, abscesso, perfuração
Há outra coisa?Mesentério, perianal, complicações fora do intestino
sinais de inflamação do delgado (1) Espessamento da parede a partir de 3 mm; (2) edema da parede e da gordura vizinha; (3) realce mural segmentar aumentado; (4) restrição à difusão, desde que a inflamação também apareça no T1 com contraste ou no T2; (5) úlceras.

Técnica

TécnicaO que o artigo diz
Fase do contrasteEntérica (45 a 50 s do início da injeção) e/ou portal (60 a 70 s) · a entérica pode mostrar mais realce, sem diferença na detecção de lesões
DistensãoMedir a parede num segmento bem distendido por líquido ou contraste oral · alça colabada imita espessamento e dá falso sinal alto na difusão (jejuno e cólon)
RMT1 com supressão de gordura e contraste e T2 com e sem supressão são as principais · difusão como complemento · cine sem antiperistáltico mostra a motilidade
CoberturaTodo exame de Crohn inclui reto, canal anal e períneo
PerianalRM melhor que a TC · protocolo dedicado com campo de 15 a 20 cm, T2 com e sem supressão, T1 com contraste e difusão
alça colabada Segmento mal distendido parece espesso, realça e brilha na difusão. A cine-RM ajuda: motilidade normal tranquiliza e separa a alça colabada da inflamada.

A parede inflamada

Achado na paredeDefinição e como relatar
Realce mural segmentarMais realce que o delgado normal vizinho, num segmento não contraído · três padrões abaixo
AssimétricoEspecífico de Crohn · mais na borda mesentérica
EstratificadoCamada interna (bilaminar) ou interna e externa (trilaminar) · não chamar de “realce mucoso” (a mucosa costuma faltar no segmento inflamado) · trilaminar aparece mais na RM
Homogêneo simétricoParede inteira · muitas causas além de Crohn: fibrose, infiltração, isquemia, choque
EspessamentoNa parte mais espessa do segmento mais distendido · leve 3 a 5 mm, moderado mais de 5 a 9 mm, grave 10 mm ou mais · mais de 15 mm não é típico: pensar em neoplasia, sobretudo se assimétrico ou com aspecto de massa
Edema muralHipersinal no T2 com supressão de gordura ou na difusão de b baixo (0 a 20) · parede clara no T2 sem supressão pode ser gordura intramural (sequela), que apaga com a supressão
ÚlceraQuebra da superfície com conteúdo entrando na parede, restrita à parede · não dizer “úlcera penetrante”
Restrição à difusãoSinal alto em b de 500 ou mais e baixo no ADC (coeficiente de difusão aparente) · inespecífica: só vale com inflamação no T1 com contraste ou no T2
SaculaçõesAbaulamentos de base larga na borda antimesentérica, porque a mesentérica encurta · sequela, não indicam inflamação sozinhas
Motilidade reduzidaNa cine-RM sem antiperistáltico · reforça inflamação ou estenose
Realce assimétrico, mais na borda mesentérica
Entero-RM, T1 com supressão de gordura e contraste: realce e espessamento do íleo do lado mesentérico, borda antimesentérica poupada, com saculações e vasos ret
Entero-RM, T1 com supressão de gordura e contraste: realce e espessamento do íleo do lado mesentérico, borda antimesentérica poupada, com saculações e vasos retos ingurgitados.
Entero-TC: o mesmo padrão; estreitamento em outra alça e colite distal.
Entero-TC: o mesmo padrão; estreitamento em outra alça e colite distal.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 1. Ver artigo
Realce estratificado
Entero-TC: bilaminar (camada interna), com estreitamento.
Entero-TC: bilaminar (camada interna), com estreitamento.
Outro paciente, entero-RM com contraste: trilaminar.
Outro paciente, entero-RM com contraste: trilaminar.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 2. Ver artigo
Realce homogêneo e simétrico
Entero-TC: realce da parede inteira, espessamento moderado e estreitamento.
Entero-TC: realce da parede inteira, espessamento moderado e estreitamento.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 3. Ver artigo
Espessamento leve (3 a 5 mm)
Entero-TC coronal: realce assimétrico do lado mesentérico; segmentos normais para comparar.
Entero-TC coronal: realce assimétrico do lado mesentérico; segmentos normais para comparar.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 4. Ver artigo
Espessamento moderado (mais de 5 a 9 mm)
Entero-TC coronal: realce estratificado, estreitamento e fístula enteroentérica na ponta proximal; saculações em outro ponto.
Entero-TC coronal: realce estratificado, estreitamento e fístula enteroentérica na ponta proximal; saculações em outro ponto.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 5. Ver artigo
Espessamento grave (10 mm ou mais) com edema
Entero-RM, T2 com supressão de gordura axial: parede com hipersinal (edema) comparada ao psoas e à parede normal, com estreitamento.
Entero-RM, T2 com supressão de gordura axial: parede com hipersinal (edema) comparada ao psoas e à parede normal, com estreitamento.
T2 coronal: o mesmo segmento e edema perientérico.
T2 coronal: o mesmo segmento e edema perientérico.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 6. Ver artigo
Edema mural
T2 sem supressão de gordura: parede ileal clara.
T2 sem supressão de gordura: parede ileal clara.
T2 com supressão: continua clara, então é edema, não gordura.
T2 com supressão: continua clara, então é edema, não gordura.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 7. Ver artigo
Úlceras
Entero-TC: contraste entrando na parede (úlceras).
Entero-TC: contraste entrando na parede (úlceras).
Outro paciente, entero-RM com contraste: úlcera intramural.
Outro paciente, entero-RM com contraste: úlcera intramural.
T2: a mesma úlcera.
T2: a mesma úlcera.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 11. Ver artigo
Restrição à difusão no íleo terminal
Difusão (b 900): sinal alto.
Difusão (b 900): sinal alto.
Mapa de ADC: sinal baixo.
Mapa de ADC: sinal baixo.
T1 com contraste: espessamento moderado e realce estratificado, que confirmam a inflamação.
T1 com contraste: espessamento moderado e realce estratificado, que confirmam a inflamação.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 12. Ver artigo
Saculações
Entero-RM com contraste: abaulamentos na borda antimesentérica, com inflamação do lado mesentérico.
Entero-RM com contraste: abaulamentos na borda antimesentérica, com inflamação do lado mesentérico.
Outro paciente, entero-TC: o mesmo achado.
Outro paciente, entero-TC: o mesmo achado.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 13. Ver artigo
Crohn provável mesmo sem diagnóstico Realce e espessamento num paciente com Crohn conhecido apontam inflamação ativa. Sem diagnóstico prévio, Crohn é provável se a inflamação é assimétrica (pior na borda mesentérica) ou vem com complicação penetrante típica, afastadas apendicite, diverticulite, neoplasia e tuberculose.

Estenose

Estenose é estreitamento da luz (pelo menos 50% de redução em relação a uma alça normal vizinha) com dilatação inequívoca a montante, de 3 cm ou mais. Pode ter ou não inflamação ativa.

SituaçãoComo relatar
Dilatação leve (3 a 4 cm)A mais comum · pode haver fezes no delgado (sinal das fezes no delgado)
Dilatação moderada a grave (mais de 4 cm)Pode caber “com obstrução do delgado” na impressão
Estenose provável sem dilatação (menos de 3 cm)(1) Uma fístula descomprime a alça de cima · (2) duas estenoses próximas, e a de baixo recebe pouco · (3) estreitamento fixo em várias sequências ou exames
Na anastomoseDizer se é anastomótica: causa e resposta ao tratamento endoscópico mudam
O que relatarLocal, extensão, inflamação ativa ou não, dilatação a montante
Estenose provável sem dilatação a montante
Entero-TC com contraste oral positivo: espessamento e estreitamento (seta) sem dilatação acima (ponta de seta).
Entero-TC com contraste oral positivo: espessamento e estreitamento (seta) sem dilatação acima (ponta de seta).
Fístulas enteroentéricas e enterocólicas (setas tracejadas) em estrela, que descomprimem a alça de cima.
Fístulas enteroentéricas e enterocólicas (setas tracejadas) em estrela, que descomprimem a alça de cima.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 8. Ver artigo
Estenose curta com dilatação leve
Entero-TC axial: estenose ileal com alça de cima dilatada e sinal das fezes no delgado.
Entero-TC axial: estenose ileal com alça de cima dilatada e sinal das fezes no delgado.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 9. Ver artigo
Estenose com dilatação moderada a grave (mais de 4 cm)
Entero-TC coronal: dilatação acentuada e mais duas estenoses no jejuno.
Entero-TC coronal: dilatação acentuada e mais duas estenoses no jejuno.
Outro paciente, entero-RM T2: dilatação e líquido livre na pelve.
Outro paciente, entero-RM T2: dilatação e líquido livre na pelve.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 10. Ver artigo
Inflamação na estenoseO que saber
Com inflamação ativaA maioria · fibrose e inflamação andam juntas na histologia · inflamação sugere papel para tratamento clínico
Sem inflamação ativaParede com sinal mais baixo no T2 e conteúdo fecalizado a montante (estase antiga) · não chamar de “fibroestenótica”
Estenose com inflamação ativa, dois pacientes
Entero-RM com contraste: segmento inflamado e alça de cima com 5 cm.
Entero-RM com contraste: segmento inflamado e alça de cima com 5 cm.
Entero-TC: dilatação leve e colite do descendente.
Entero-TC: dilatação leve e colite do descendente.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 27. Ver artigo
Estenose sem inflamação ativa no jejuno médio
Entero-TC coronal: estenose sem realce aumentado, com conteúdo fecalizado acima.
Entero-TC coronal: estenose sem realce aumentado, com conteúdo fecalizado acima.
Sagital: o mesmo segmento.
Sagital: o mesmo segmento.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 28. Ver artigo
estenose e fístula andam juntas Achou doença penetrante: procure a estenose vizinha, em geral ativa. Achou estenose ativa: procure a fístula, que costuma sair da sua parte média ou proximal.

Doença penetrante

Achado penetranteDefinição
Trajeto sinusalTrajeto que passa da serosa e termina em fundo cego, sem chegar a outro órgão nem à pele
Fístula simplesUm trajeto ligando a luz a outra superfície epitelizada · nomeada pelo que liga (enteroentérica, enterocólica, enterovesical, enterocutânea, retovaginal)
Fístula complexaMais de um trajeto · alças anguladas e presas em estrela ou trevo · pode vir com massa inflamatória ou abscesso entre alças
Massa inflamatóriaInflamação densa do mesentério sem líquido bem definido nem parede · não dizer “fleimão”
AbscessoColeção com realce periférico (parede formada), com ou sem gás · costuma restringir · a difusão ajuda quando não se pode dar contraste
Perfuração livreRara · ar livre · avaliação cirúrgica
Fístula enterocólica e trajeto sinusal
Entero-RM T2: fístula do íleo para o retossigmoide e um trajeto que termina em fundo cego.
Entero-RM T2: fístula do íleo para o retossigmoide e um trajeto que termina em fundo cego.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 14. Ver artigo
Fístula complexa
Entero-TC coronal: várias fístulas enteroentéricas (*) e uma enterocólica para o transverso.
Entero-TC coronal: várias fístulas enteroentéricas (*) e uma enterocólica para o transverso.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 15. Ver artigo
Massa inflamatória
Entero-TC axial: inflamação densa no mesentério com trajetos do íleo terminal e do ascendente.
Entero-TC axial: inflamação densa no mesentério com trajetos do íleo terminal e do ascendente.
Coronal: a mesma massa.
Coronal: a mesma massa.
Outro paciente, entero-RM T2: grande massa inflamatória com hipossinal no mesentério.
Outro paciente, entero-RM T2: grande massa inflamatória com hipossinal no mesentério.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 16. Ver artigo
Abscesso
Entero-TC: coleção com realce periférico.
Entero-TC: coleção com realce periférico.
Outro paciente, entero-RM com contraste: abscesso com debris claros no T1.
Outro paciente, entero-RM com contraste: abscesso com debris claros no T1.
Difusão (b 800): restrição.
Difusão (b 800): restrição.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 17. Ver artigo
PerianalO que saber
OrigemFístula perianal nasce do reto ou do canal anal (úlcera profunda com inflamação), não de estenose
ClassificaçãoParks ou St James quando possível · simples ou complexa · com ou sem abscesso
Por que importaAbscesso pode exigir antibiótico e drenagem antes de imunossupressor ou biológico
Fístula perianal transesfincteriana
RM, T2 com supressão de gordura: trajeto que sai às 6 horas e cruza o esfíncter externo à direita.
RM, T2 com supressão de gordura: trajeto que sai às 6 horas e cruza o esfíncter externo à direita.
T1 com contraste: extensão para a fossa isquiorretal e a prega glútea.
T1 com contraste: extensão para a fossa isquiorretal e a prega glútea.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 29. Ver artigo

Mesentério e fora do intestino

No mesentérioDefinição
Edema e inflamação perientéricaGordura vizinha mais densa na TC ou com hipersinal em T2
Sinal do penteVasos retos ingurgitados · inflamação atual ou passada
Proliferação fibrogordurosaGordura mesentérica hipertrofiada que afasta as alças · um pouco mais densa na TC · em geral na borda mesentérica
Veias mesentéricasAgudo: trombo distende a veia · crônico: veias centrais estreitadas ou interrompidas, colaterais, varizes · sem trombo agudo, dizer oclusão venosa mesentérica crônica
LinfonodosMedir o menor eixo · até 1 a 1,5 cm são comuns e reativos
Edema perientérico
Entero-TC coronal: gordura densa e pouco líquido junto à alça com realce estratificado e dilatação acima.
Entero-TC coronal: gordura densa e pouco líquido junto à alça com realce estratificado e dilatação acima.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 18. Ver artigo
Sinal do pente
Entero-RM com contraste: vasos retos ingurgitados junto a uma estenose com dilatação leve.
Entero-RM com contraste: vasos retos ingurgitados junto a uma estenose com dilatação leve.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 19. Ver artigo
Proliferação fibrogordurosa, dois pacientes
Entero-RM com contraste: gordura em volta de toda a alça, com realce trilaminar.
Entero-RM com contraste: gordura em volta de toda a alça, com realce trilaminar.
Entero-RM T2: gordura de um lado só, junto a uma estenose.
Entero-RM T2: gordura de um lado só, junto a uma estenose.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 20. Ver artigo
Oclusão venosa mesentérica crônica
Entero-TC coronal: veia mesentérica superior ocluída (seta) com colaterais (pontas de seta).
Entero-TC coronal: veia mesentérica superior ocluída (seta) com colaterais (pontas de seta).
Outro corte: colaterais e o íleo vizinho espessado com realce estratificado (seta).
Outro corte: colaterais e o íleo vizinho espessado com realce estratificado (seta).
Outro paciente, reconstrução em MIP (projeção de intensidade máxima): veia ileocólica direita interrompida com colaterais.
Outro paciente, reconstrução em MIP (projeção de intensidade máxima): veia ileocólica direita interrompida com colaterais.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 21. Ver artigo
Fora do intestinoProcurar
Osso e articulaçãoNecrose avascular da cabeça femoral, sacroiliíte
Fígado e vias biliaresColangite esclerosante primária, colelitíase
OutrosPancreatite, nefrolitíase, trombose ou oclusão venosa mesentérica, neoplasia
Complicações ósseas, dois pacientes
TC em janela óssea: necrose avascular das duas cabeças femorais, com esclerose subcondral em crescente.
TC em janela óssea: necrose avascular das duas cabeças femorais, com esclerose subcondral em crescente.
Outro paciente, RM T2 com supressão de gordura: sacroiliíte bilateral.
Outro paciente, RM T2 com supressão de gordura: sacroiliíte bilateral.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 30. Ver artigo
Colangite esclerosante primária com estenose ileal
Entero-TC coronal: parede do ducto hepático comum espessa (seta) e estenose ileal ativa na pelve (seta tracejada) com dilatação acima.
Entero-TC coronal: parede do ducto hepático comum espessa (seta) e estenose ileal ativa na pelve (seta tracejada) com dilatação acima.
Outro corte: dilatação irregular das vias intra-hepáticas (pontas de seta).
Outro corte: dilatação irregular das vias intra-hepáticas (pontas de seta).
Colangio-RM (MIP): estenoses intra e extra-hepáticas (pontas de seta), que confirmam a colangite esclerosante.
Colangio-RM (MIP): estenoses intra e extra-hepáticas (pontas de seta), que confirmam a colangite esclerosante.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 31. Ver artigo

O laudo: impressões e termos

ImpressãoQuando usar
Sem sinais de inflamação ativaSuspeita de Crohn sem achados, ou resolução completa no controle
Inflamação inespecífica do delgadoRealce ou espessamento simétrico sem diagnóstico de Crohn: só local e extensão
Crohn ativo sem estreitamento da luzLuz normal · serve também para inflamação assimétrica sem diagnóstico confirmado
Crohn ativo com estreitamento da luzEstreitamento sem dilatação a montante de 3 cm
Crohn sem sinais de inflamação ativaSó sequelas: gordura intramural, saculação, espessamento leve sem estreitamento
Estenose com ou sem inflamação ativaCom dilatação a montante de 3 cm ou mais
Doença penetranteSomada à frase de inflamação ou estenose (“estenose com inflamação ativa associada a fístula enteroentérica”)
Sem sinais de inflamação ativa
Entero-TC coronal: delgado e íleo terminal normais.
Entero-TC coronal: delgado e íleo terminal normais.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 22. Ver artigo
Inflamação inespecífica do delgado
Entero-TC coronal: espessamento longo e simétrico do íleo distal com realce estratificado, sem diagnóstico de Crohn.
Entero-TC coronal: espessamento longo e simétrico do íleo distal com realce estratificado, sem diagnóstico de Crohn.
Controle em 2 semanas: resolvido (enterite infecciosa).
Controle em 2 semanas: resolvido (enterite infecciosa).
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 23. Ver artigo
Crohn ativo sem estreitamento da luz
Entero-RM com contraste: vários segmentos curtos, piores do lado mesentérico.
Entero-RM com contraste: vários segmentos curtos, piores do lado mesentérico.
T2 com supressão de gordura: edema nos mesmos segmentos.
T2 com supressão de gordura: edema nos mesmos segmentos.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 24. Ver artigo
Crohn ativo com estreitamento da luz
Entero-RM T2: íleo terminal estreitado, alça de cima com menos de 3 cm.
Entero-RM T2: íleo terminal estreitado, alça de cima com menos de 3 cm.
T1 com contraste: realce do segmento.
T1 com contraste: realce do segmento.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 25. Ver artigo
Crohn sem sinais de inflamação ativa após tratamento
Antes, T1 com contraste: íleo terminal ativo.
Antes, T1 com contraste: íleo terminal ativo.
Antes, T2 com supressão de gordura: edema.
Antes, T2 com supressão de gordura: edema.
Depois, T1 com contraste: espessamento residual mínimo.
Depois, T1 com contraste: espessamento residual mínimo.
Depois, T2 com supressão: sem edema.
Depois, T2 com supressão: sem edema.
Fonte: Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. RadioGraphics 2020;40(2):354–375, Fig. 26. Ver artigo
Não usarUsar
Inflamação agudaInflamação ativa
FibroestenóticaEstenose sem inflamação ativa
Úlcera penetranteÚlcera
FleimãoMassa inflamatória
QuiescenteCrohn sem sinais de inflamação ativa
Crônico, ativo sobre crônicoSem substituto: não usar
+ complemento · o modelo de laudo O consenso tem modelo estruturado no RadReport (radreport.org, modelo 50799). O artigo não traz os índices de atividade (MaRIA: Magnetic Resonance Index of Activity; Clermont) nem o ultrassom intestinal.

Pontos de prova: alto rendimento

EspessamentoA partir de 3 mm
Leve, moderado, grave3–5, >5–9, ≥10 mm
Mais de 15 mmPensar em neoplasia
Realce assimétricoBorda mesentérica, específico de Crohn
EstratificadoNão é “realce mucoso”
EdemaT2 com supressão de gordura
T2 claro que apagaGordura intramural
RestriçãoSó vale com outro sinal
SaculaçãoAntimesentérica, não indica atividade
EstenoseLuz ≥50% menor + montante ≥3 cm
Fezes no delgadoEstenose
FístulaSai da parte média ou proximal da estenose
Fístula complexaSinal da estrela
Massa inflamatóriaNo lugar de fleimão
AbscessoRealce periférico
Sinal do penteInflamação atual ou passada
LinfonodoAté 1–1,5 cm é reativo
Simétrico sem diagnósticoInflamação inespecífica
Fase do contrasteEntérica 45–50 s ou portal 60–70 s
CoberturaAté o períneo

Armadilhas e erros comuns

Erros

  • Medir a parede em alça colabada
  • Chamar de edema o T2 claro que é gordura
  • Dar atividade só pela difusão
  • Chamar saculação de inflamação ativa
  • Chamar de estenose o estreitamento sem dilatação, sem qualificar
  • Esquecer de procurar fístula na estenose ativa
  • Usar fleimão, fibroestenótica, quiescente
  • Dizer trombose sem trombo agudo
  • Não incluir o períneo

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Segmento ileal bem distendido com parede de 7 mm. Pela graduação do consenso, o espessamento é:

Leve 3 a 5 mm, moderado mais de 5 a 9 mm, grave 10 mm ou mais. Mais de 15 mm não é típico de Crohn e deve levantar suspeita de neoplasia, sobretudo se assimétrico. Medir sempre no segmento distendido.
↑revisar esta parte do caderno · A parede inflamada
Questão 2

Parede ileal com hipersinal no T2 sem supressão de gordura que some no T2 com supressão. O achado corresponde a:

Sinal que apaga com a supressão de gordura é gordura intramural, sequela de inflamação antiga. O edema continua claro no T2 com supressão (ou na difusão de b baixo).
↑revisar esta parte do caderno · A parede inflamada
Questão 3

Para chamar de estenose um estreitamento do íleo, o consenso exige dilatação inequívoca a montante de pelo menos:

Estenose é estreitamento (luz pelo menos 50% menor que a de uma alça normal) com dilatação a montante de 3 cm ou mais. Sem isso, cabe “estenose provável sem dilatação” nos cenários do artigo (fístula descomprimindo, estenoses em série, estreitamento fixo).
↑revisar esta parte do caderno · Estenose
Questão 4

Inflamação densa no mesentério junto a uma alça doente, sem coleção bem definida nem parede. O termo recomendado é:

O consenso troca “fleimão”, ambíguo, por massa inflamatória. Abscesso exige coleção com realce periférico; trajeto sinusal termina em fundo cego no mesentério.
↑revisar esta parte do caderno · Doença penetrante
Questão 5

Abaulamentos de base larga na borda antimesentérica de uma alça ileal. O que eles indicam?

São saculações: a borda mesentérica encurta pela inflamação ou fibrose e a antimesentérica abaula. São sequela e não indicam atividade sozinhas; a atividade se procura no realce, no edema e na espessura.
↑revisar esta parte do caderno · A parede inflamada
Questão 6

Espessamento simétrico do íleo distal com realce estratificado, em paciente sem diagnóstico de Crohn. A impressão recomendada é:

Inflamação simétrica sem diagnóstico de Crohn é “inflamação inespecífica do delgado”, com local e extensão (no artigo, era enterite infecciosa que sumiu em 2 semanas). Inflamação assimétrica pode receber “Crohn ativo” mesmo sem diagnóstico. “Quiescente” e “agudo sobre crônico” não devem ser usados.
↑revisar esta parte do caderno · O laudo: impressões e termos
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Fonte.
Guglielmo FF, Anupindi SA, Fletcher JG, et al. Small Bowel Crohn Disease at CT and MR Enterography: Imaging Atlas and Glossary of Terms. RadioGraphics 2020;40(2):354–375. doi:10.1148/rg.2020190091

O artigo ilustra o consenso da SAR, SPR e AGA (Bruining et al., Radiology 2018 e Gastroenterology 2018). Não traz o contraste oral, o antiperistáltico nem a lista completa de sequências. Conferido em 07/10/2026.

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