Mantido o protocolo, ao reduzir a tensão de 120 para 100 kV, o realce arterial pelo iodo:
TC de Dupla Energia e Realce pelo Contraste
Por que o iodo brilha
O iodo (Z = 53) tem a borda K em 33,2 keV: quanto mais perto dela estiver a energia do feixe, mais ele absorve em relação à água. Daí duas ideias que este caderno junta: na TC comum, baixar o kV aumenta o realce; na TC de dupla energia, as imagens de baixo keV fazem o mesmo, e a diferença entre as duas energias permite separar materiais.
| Tensão do tubo | Realce do iodo (120 kV = 1) |
|---|---|
| 80 kV (energia média cerca de 45 keV) | 1,68 |
| 100 kV | 1,27 |
| 120 kV | 1 |
| 140 kV (cerca de 67 keV) | 0,83 |


Dupla energia: plataformas e imagens
| Plataforma | Como adquire | Decompõe |
|---|---|---|
| Fonte dupla | Dois tubos com kV diferentes (filtro de estanho no alto) | 3 materiais, no domínio da imagem |
| Alternância rápida de kV | Um tubo alternando 80 e 140 kV | 2 materiais, na projeção |
| Detector de dupla camada | Um feixe; camadas do detector separam as energias | 2 materiais, na projeção · ruído constante em todos os keV |
| Filtro dividido | Feixe dividido por filtros de ouro e estanho | 3 materiais |
| Imagem | Para quê |
|---|---|
| Monoenergética de baixo keV (40 a 65) | Mais contraste do iodo: lesões hipervasculares, TEP (tromboembolia pulmonar), menos contraste injetado · mais ruído |
| Monoenergética de 65 a 75 keV | Equivale à fase portal de rotina a 120 kV |
| Monoenergética de alto keV (108 a 149) | Reduz o artefato de metal (não a falta de fótons) · apaga o iodo |
| Mapa de iodo | Realça ou não realça, perfusão pulmonar, sangramento |
| Sem contraste virtual | Dispensa a fase sem contraste verdadeira |
| Mapa de urato | Gota e cálculo de ácido úrico |
| Sem cálcio virtual | Edema da medula óssea |
| Mapa de cálcio | Calcificação × hemorragia cerebral |









Quantificação de iodo
| Iodo | Valor |
|---|---|
| Erro do mapa | Cerca de 10% do valor real |
| Limite de detecção | 0,3 a 0,5 mg/mL (qualitativo) · 0,5 a 1,0 mg/mL (quantitativo) |
| Corte de realce em massa renal | 1,5 mg/mL (independente da plataforma) · 0,5 mg/mL na fonte dupla · 1,3 a 2,0 na alternância rápida |
| Normalização | Razão lesão/aorta reduz a variação entre aparelhos |
| Medida | Só no software do fabricante; a imagem colorida no PACS (picture archiving and communication system: o sistema de arquivo e visualização de imagens) é qualitativa |








Armadilhas da dupla energia
| Armadilha | Como aparece | O que fazer |
|---|---|---|
| Pseudorrealce | Lesão renal pequena parece realçar (40 a 70 keV ainda sofrem) | Monoenergética de 80 keV ou mais; mapa de iodo |
| Fora do campo | Corpo além de 50 cm: crescente claro na periferia | Centrar o paciente |
| Gás na alça | Pseudopneumatose e falso hiper-realce no mapa de iodo (até 84%) | Confirmar na monoenergética |
| Falso defeito de perfusão | Endurecimento por contraste na veia cava e subclávia (ápices), movimento do coração (língula) e do diafragma (bases), enfisema, bolha | Ler junto com a janela de pulmão |
| Sem contraste virtual | Iodo concentrado não sai (artérias na fase arterial, pelve renal na excretora, bolo na veia); superestima 10 a 15 UH | Adrenal: perde sensibilidade, não especificidade |
| Cálculos que somem | Menores de 2,8 mm ou de menos de 387 UH no sem contraste virtual | Fase sem contraste verdadeira |
| Urato falso | Leito ungueal, pele, calosidades (queratina) em até 88% | Separação espectral maior, filtros |
| Lipiodol, clipes, stents | Subtraídos de forma irregular | Comparar com a fase verdadeira |
























































O que muda o realce
Os fatores agem de três jeitos sobre a curva tempo × realce: escalares multiplicam a curva inteira (kV, tamanho do paciente, volume sanguíneo, concentração); temporais mudam forma e hora do pico (débito cardíaco, taxa, volume, soro); de amostragem só mudam o momento em que o aparelho adquire (atraso, duração da aquisição).
| Fator | Efeito |
|---|---|
| Tamanho do paciente | O feixe endurece: a 120 kV o realce cai cerca de 4,5 UH por centímetro de diâmetro · mesma angio-TC: 810 UH (62 kg) a 388 UH (114 kg) |
| Volume sanguíneo | Dilui o bolo · em obeso o volume por kg é menor: 70 mL/kg superestima · gestação: plasma quase +50% |
| Débito cardíaco baixo | Pico maior, mais tardio e mais longo: daí o disparo automático pelo bolo (bolus tracking) ou o bolo-teste |
| Taxa de injeção (taxa de iodo, g I/s) | Realce arterial proporcional à taxa de iodo · pesa cerca de 2,5 vezes mais na artéria que no parênquima |
| Volume de contraste | Pesa mais no parênquima que na artéria |
| Concentração | Proporcional: 100 UH com 300 mg I/mL viram cerca de 123 com 370 |
| Soro depois | +5 a 10% no pico arterial; troca até 30 mL de contraste; menos artefato na veia cava |
| Duração da aquisição | Aquisição longa precisa de injeção longa, senão o realce cai do início ao fim |











| Chegada do contraste (veia do braço) | Tempo |
|---|---|
| Artéria pulmonar | 7 a 10 s |
| Aorta ascendente | 12 a 15 s |
| Aorta abdominal | 15 a 18 s |
| Parênquima hepático | 30 a 40 s |
Pontos de prova: alto rendimento
| Borda K do iodo | 33,2 keV |
| 80 kV | 1,68 × o realce de 120 kV |
| 100 kV | 1,27 |
| Baixo keV | Mais iodo, mais ruído |
| 65 a 75 keV | Como 120 kVp portal |
| Alto keV | Metal (não falta de fótons) |
| Massa renal | Iodo ≥ 1,5 mg/mL |
| Sem contraste virtual | Superestima 10 a 15 UH |
| Regra binária | Terceiro material engana |
| Pseudorrealce | ≥ 80 keV ajuda |
| Paciente maior | −4,5 UH por cm |
| Débito baixo | Pico maior e tardio |
| Taxa | Manda na artéria |
| Volume | Manda no parênquima |
| Soro | +5 a 10% no pico |
Armadilhas e erros comuns
Erros
- Comparar UH de keV diferentes
- Medir iodo na imagem colorida do PACS
- Ler cálcio no mapa de iodo como realce
- Confiar no sem contraste virtual para cálculo pequeno
- Chamar de TEP o defeito por endurecimento no ápice
- Usar 70 mL/kg no obeso
- Subdosar contraste em paciente grande
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6Na dupla energia, a imagem monoenergética usada para reduzir o artefato de prótese metálica é a de:
No mapa de iodo, uma calcificação aórtica aparece clara. A explicação:
Sobre o sem contraste virtual na avaliação de nódulo adrenal:
Paciente com débito cardíaco baixo. Na angio-TC, o pico de realce aórtico tende a ser:
Fator da injeção que mais pesa no realce arterial (mais que no parenquimatoso):
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1. Parakh A, Lennartz S, An C, et al. Dual-Energy CT Images: Pearls and Pitfalls. RadioGraphics 2021;41(1):98-119. doi:10.1148/rg.2021200102
2. Alyani Nezhad Z, Toia GV, Rose SD, et al. Factors Affecting Contrast Enhancement on CT Images. RadioGraphics 2026;46(7):e250192. doi:10.1148/rg.250192
A fonte 1 mostra um cisto renal hemorrágico benigno com 1,9 mg/mL de iodo, acima do próprio corte de 1,5 mg/mL: o corte não é infalível. A fonte 2 não dá os tempos das fases portal e nefrográfica, nem doses em g de iodo por kg. Os gráficos e esquemas com texto em inglês ficaram de fora; algumas imagens trazem medidas em inglês (CT#, Mean). Conferido em 07/10/2026.