Cadernos QRad 91 · RM do Corpo: Segurança, Sequências e Artefatos
Física · ressonância magnética

RM do Corpo: Segurança, Sequências e Artefatos

Fontes: Tsai et al: 2015, Huang et al: 2015 e Shetty et al: 2024, RadioGraphics

Três sistemas, três tipos de risco e de artefato

A RM usa um campo estático enorme, gradientes que ligam e desligam centenas de amperes e pulsos de radiofrequência de dezenas de quilowatts. Cada um deles traz um risco ao paciente e uma família de artefatos. Este caderno junta a segurança, as sequências de abdome e pelve e os artefatos com as soluções.

SistemaO que éRisco principal
Ímã principal (B0)1,0 a 3,0 T na clínica (até 9,4 T em pesquisa), supercondutor em hélio líquido, sempre ligadoForça de translação e torque, projétil
GradientesCentenas de amperes ligados e desligados depressaRuído, estimulação de nervo periférico
Radiofrequência (B1)Bobina de corpo transmite dezenas de kW em pulsos curtosAquecimento (SAR) e queimadura
A linha de 5 gauss no piso de uma sala de 1,5 T
Com blindagem ativa, a linha de 5 G fica o mais perto possível do túnel.
Com blindagem ativa, a linha de 5 G fica o mais perto possível do túnel.
Fonte: Tsai LL, Grant AK, Mortele KJ, et al. RadioGraphics 2015;35(6):1722–1737, Fig. 1. Ver artigo
a linha de 5 gauss 5 G (0,0005 T) é o limite abaixo do qual o campo não preocupa o público, inclusive quem tem dispositivo eletrônico implantado. A linha não protege contra projétil e não foi definida para isso: com a blindagem ativa, o campo sobe de repente perto do túnel.

Segurança: zonas e pessoas

Zona (ACR)O que é
IÁrea pública
IIInterface: história e triagem, paciente sob supervisão
IIIRisco de lesão grave ou morte · sala de comando e corredores que dão na porta do ímã · porta trancada, acesso livre só do pessoal de RM · o campo é 3D e passa por piso e teto
IVA sala do ímã · luz vermelha e aviso “ímã sempre ligado” · observação direta pelo pessoal de RM
Porta da zona IV (a sinalização em inglês está na foto)
Placas de perigo e, no piso, “pare: o ímã está sempre ligado”.
Placas de perigo e, no piso, “pare: o ímã está sempre ligado”.
Fonte: Tsai LL, Grant AK, Mortele KJ, et al. RadioGraphics 2015;35(6):1722–1737, Fig. 3. Ver artigo
PessoalQuem é
Nível 1Treino mínimo · circula nas zonas III e IV · pode acompanhar quem não é de RM na zona III, mas não levá-lo à zona IV
Nível 2Treino extenso: tecnólogos, físicos, radiologistas e residentes que entram sempre
Não é de RMInclui o paciente · triagem a cada entrada, sob supervisão de nível 2
Gestante da equipeTrabalha em todas as fases (posiciona, injeta, atende emergência), mas não fica na sala durante a aquisição
EmergênciaO que fazer
ParadaParar o exame e tirar o paciente da zona IV antes de reanimar · carrinho RM seguro ou condicional nas zonas II ou III
QuenchDesliga o campo na hora (paciente preso por um projétil) · milhares de litros de hélio fervem · risco de asfixia, névoa, porta presa pela pressão · evacuar a zona IV
Botão erradoO botão de quench não é o de desligar a energia (que não desliga o ímã)

Riscos: projétil, implante e queimadura

Rótulo (ASTM F2503, norma da American Society for Testing and Materials)Significa
RM seguroSem risco em qualquer ambiente de RM
RM inseguroContraindicado em qualquer ambiente de RM
RM condicionalSeguro só nas condições dadas: campo, gradiente espacial máximo, SAR máxima
Sem rótulo ou não verificadoConsiderar inseguro
Queimadura por contato direto
Bobina de arranjo de fase igual à do incidente: a perna do paciente ficou apertada contra o cabo (seta).
Bobina de arranjo de fase igual à do incidente: a perna do paciente ficou apertada contra o cabo (seta).
Fonte: Tsai LL, Grant AK, Mortele KJ, et al. RadioGraphics 2015;35(6):1722–1737, Fig. 2. Ver artigo
RiscoO que saber
Força e torqueMaior onde o gradiente espacial é maior: perto da entrada do túnel, não no isocentro · clipe de aneurisma mal identificado já matou por rotação · stents se fixam em 6 semanas
ProjétilEm geral objeto de fora: cilindro de oxigênio (houve morte), maca, cadeira, suporte de soro · detector ferromagnético só serve para objeto externo
SARCalor da RF (radiofrequência), em W/kg · de 1,5 para 3,0 T a SAR fica cerca de 4 vezes maior · o aparelho bloqueia o exame que passaria do limite
Queimadura419 casos nos EUA de 2000 a 2010, a maioria em sequência de rotina · contato direto com o cabo da bobina · alça de cabo de ECG, joia, pele com pele (coxa encostada na panturrilha) · adesivo transdérmico com alumínio · roupa com fio de prata · tatuagem raramente · efeito antena (fio do oxímetro)
Estimulação de nervoPela variação rápida dos gradientes (dB/dt), mais nos membros · maior no EPI (echo planar imaging: aquisição ecoplanar)
RuídoAté 140 dB do sistema e 99 dB com protetor · EPI é o mais alto · protetor reduz 10 a 30 dB
Marca-passoHá modelos RM condicionais · no serviço do artigo, cardiologista monitora e checa o aparelho depois
evitar a queimadura Nada de alça: cabos retos, longe da pele, com almofada isolante; braços e pernas sem tocar o corpo nem um ao outro; bobinas de superfície todas conectadas (o circuito que as protege só funciona ligado); avental do hospital no lugar da roupa do paciente.

Gadolínio, rim, gestação e amamentação

O gadolínio é mais seguro que o contraste iodado. Quem já reagiu recebe outro agente e, se de risco, pré-medicação com corticoide e anti-histamínico.

Fibrose sistêmica nefrogênicaO que saber
QuemQuase sempre DRC (doença renal crônica) 4 (TFG (taxa de filtração glomerular) 15 a 29), DRC 5 (menos de 15) ou lesão renal aguda · latência em geral menor que 3 meses
MecanismoGd³⁺ livre se liga ao fosfato e se deposita no tecido
Risco (ACR (American College of Radiology), 2015)Diálise, TFG menor que 30 sem diálise, TFG 30 a 40, lesão renal aguda
No serviço do artigoTFG menor que 45: exame no mesmo dia · menor que 15 ou em diálise: discutir alternativa (TC com contraste)
Intervalo entre doses10 h ou mais com TFG de 60 ou mais · 48 h com 30 a 59 · 96 h com 15 a 29
SituaçãoO que o artigo diz
Gestação, RM sem contrasteSem prova de dano (751 fetos a 1,5 T sem efeito na audição ou no peso) · ACR: “relativamente sem risco”, sem cuidado especial no primeiro trimestre · pesar risco e benefício
Gestação, gadolínioAtravessa a placenta e permanece no líquido amniótico · evitar se não for essencial
AmamentaçãoMenos de 0,04% da dose chega ao leite · ACR: pode amamentar; suspender 12 a 24 h é opção da mãe, informada
Paciente inconscienteFormulário por responsável e conferência por profissional · radiografias de triagem ou exames anteriores · procurar cicatrizes
+ complemento · artigo de 2015 A classificação dos agentes em grupos, o limiar de TFG 30 a 40 e as categorias de risco na gestação são de 2015. Confira o manual de contraste vigente do ACR antes de aplicar no serviço.

As famílias de sequências

Quase todo protocolo de abdome parte do mesmo núcleo: T2 em disparo único coronal e axial, T2 com supressão de gordura, difusão com ADC (coeficiente de difusão aparente), T1 em fase e fora de fase e T1 dinâmico com contraste.

SequênciaPara que serveLimite
T2 em disparo único (HASTE, SS-FSE)Cerca de 1 s por imagem · planejamento, T2 axial, edema de alça · pouco movimento e pouca suscetibilidadeSNR (razão sinal-ruído) baixa, borramento T2
T2 FSE/TSE (fast spin echo/turbo spin echo: spin eco rápido)Mais resolução e SNR · pelve em campo pequeno e fino (estadiamento T de reto, colo, próstata)Sensível a movimento
T2 radial (BLADE, PROPELLER)Espalha o movimento em raios · peristalse sem glucagonBordas menos nítidas
T2 3D (SPACE, CUBE)Isotrópico, reformata em qualquer plano (septo uterino, próstata)Lento, sensível a movimento no abdome alto
Colangio-RMPlaca grossa 2D em segundos · 3D com navegador (ou sensoriamento compressivo, em apneia)3D degrada com respiração irregular
SSFP (steady-state free precession: precessão livre em estado estacionário) balanceado (TrueFISP, FIESTA)Sinal T2/T1, rápido, pouca SAR · sangue claro (trombo em veia renal e cava), apendicite na gestante, cine (defecografia)Bandas escuras fora de ressonância
T1 GRE (gradiente eco) 3D com supressão (VIBE, LAVA, THRIVE)Fases dinâmicas: arterial tardia, portal, equilíbrio, 5 min · subtraçãoApneia
T1 em fase e fora de faseGordura microscópica (cai fora de fase) · ferro e ar (caem na fase, eco mais longo)
T1 radial e GRASP (golden-angle radial sparse parallel)Respiração livre para quem não segura o ar · GRASP tira as fases depois, sem bolus-teste
Angio-RM resolvida no tempo (TWIST, TRICKS)Centro do espaço k repetido: vários tempos arteriais numa apneia
Colangio-RM 3D, colangiopatia por IgG4 (imunoglobulina G4)
Uma imagem coronal 3D.
Uma imagem coronal 3D.
MIP (projeção de intensidade máxima) coronal: vias intra-hepáticas dilatadas.
MIP (projeção de intensidade máxima) coronal: vias intra-hepáticas dilatadas.
MIP em rotação.
MIP em rotação.
Fonte: Shetty AS, Nigogosyan Z, Stephen V, et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230085, apresentação, slide 21. Ver artigo
Angio-RM resolvida no tempo (TWIST) num CHC (carcinoma hepatocelular)
Pré-contraste.
Pré-contraste.
3 s.
3 s.
5,9 s.
5,9 s.
8,5 s.
8,5 s.
11,2 s.
11,2 s.
13,9 s, fase arterial tardia: realce não periférico do CHC no segmento 6/7 (seta).
13,9 s, fase arterial tardia: realce não periférico do CHC no segmento 6/7 (seta).
Fonte: Shetty AS, Nigogosyan Z, Stephen V, et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230085, apresentação, slide 37. Ver artigo
a ordem do protocolo T2 coronal em disparo único primeiro; T1 em fase e fora de fase antes do contraste; difusão pode vir antes do contraste; com gadoxetato, aproveitar os 20 minutos de espera da fase hepatobiliar para o T2 e a difusão; nada de STIR (short tau inversion recovery: supressão de gordura por inversão) depois do contraste; sequências sensíveis a movimento logo depois do glucagon.

Supressão de gordura

MétodoComo funcionaPrós e contras
Espectral (FatSat, SPIR)Pulso na frequência da gordura e destruição do sinalSNR alta, rápido, serve para tudo · falha longe do isocentro e perto de metal ou ar
STIRInversão com TI (tempo de inversão) de 160 a 180 ms a 1,5 T (o T1 da gordura é cerca de 250 ms)Homogêneo em área grande, perto de metal e em campo baixo · SNR menor, mais SAR · apaga tudo que tem T1 curto: não usar depois do gadolínio; apaga endometrioma
SPAIRInversão adiabática só da gorduraUniforme, SNR maior que o STIR, serve depois do contraste
DixonEcos em fase e fora de fase geram imagens só de água e só de gorduraInsensível a B0 e B1, bom em campo baixo · TR (tempo de repetição) maior · troca água-gordura (áreas geográficas de borda nítida)
Metástases: T2 em disparo único, T2 com supressão espectral e STIR
T2 em disparo único: lesões quase invisíveis (seta).
T2 em disparo único: lesões quase invisíveis (seta).
T2 TSE com supressão espectral: lesões claras (setas amarelas) e supressão incompleta nas bordas (setas azuis).
T2 TSE com supressão espectral: lesões claras (setas amarelas) e supressão incompleta nas bordas (setas azuis).
STIR: lesões claras, supressão homogênea e SNR menor.
STIR: lesões claras, supressão homogênea e SNR menor.
Fonte: Shetty AS, Nigogosyan Z, Stephen V, et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230085, apresentação, slide 13. Ver artigo
Endometrioma: STIR contra supressão espectral
T2 STIR coronal: o endometrioma perde o sinal (seta), porque o T1 dele é parecido com o da gordura.
T2 STIR coronal: o endometrioma perde o sinal (seta), porque o T1 dele é parecido com o da gordura.
T1 com supressão espectral (SPIR) coronal: o endometrioma continua claro (seta).
T1 com supressão espectral (SPIR) coronal: o endometrioma continua claro (seta).
Fonte: Shetty AS, Nigogosyan Z, Stephen V, et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230085, apresentação, slide 14. Ver artigo
Dixon
Só gordura: gordura na submucosa do íleo terminal (Crohn).
Só gordura: gordura na submucosa do íleo terminal (Crohn).
Só água: edema da mucosa em destaque.
Só água: edema da mucosa em destaque.
Troca água-gordura, só gordura: áreas geográficas de borda nítida (círculos).
Troca água-gordura, só gordura: áreas geográficas de borda nítida (círculos).
A mesma troca, só água.
A mesma troca, só água.
Fonte: Shetty AS, Nigogosyan Z, Stephen V, et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230085, apresentação, slide 15. Ver artigo
o STIR que apaga a lesão O STIR suprime pelo T1, não pela frequência. O que tem T1 parecido com o da gordura também some: o endometrioma (sangue) e o tecido que realçou com gadolínio. Para confirmar gordura use espectral ou Dixon.

Difusão, fase hepatobiliar e quantitativos

DifusãoO que saber
TécnicaEPI em disparo único com gradientes dos dois lados do pulso de 180° · supressão de gordura obrigatória · sensível a suscetibilidade
Valores de bb50 é praticamente T2 com supressão (apaga o fluxo venoso lento) · b800 a b1000 no abdome · até b1400 (adquirido ou calculado) em tumor pélvico
Restrição verdadeiraSinal alto na difusão e baixo no ADC (CHC infiltrativo, abscesso)
Efeito T2 (shine-through)Alto na difusão e alto no ADC (hemangioma) · não é restrição
VariantesEPI de campo reduzido (próstata, reto, pâncreas) · EPI segmentado na leitura (menos distorção, perto de prótese)
Restrição verdadeira e efeito T2
CHC infiltrativo, T2 HASTE (seta).
CHC infiltrativo, T2 HASTE (seta).
Difusão b 800: sinal alto.
Difusão b 800: sinal alto.
ADC: sinal baixo, restrição verdadeira.
ADC: sinal baixo, restrição verdadeira.
Hemangiomas, T2: muito claros (seta).
Hemangiomas, T2: muito claros (seta).
Difusão: sinal alto.
Difusão: sinal alto.
ADC: também alto, efeito T2 (shine-through).
ADC: também alto, efeito T2 (shine-through).
Fonte: Shetty AS, Nigogosyan Z, Stephen V, et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230085, apresentação, slide 41. Ver artigo
GadoxetatoO que saber
CaptaçãoHepatócito pelo OATP1 (transportador de membrana que leva o gadoxetato para dentro do hepatócito), excreção biliar pelo cMOAT (transportador canalicular que o elimina na bile)
Fase hepatobiliarEm 20 min (gadobenato: 1 h) · HNF (hiperplasia nodular focal) retém · metástase e lesão sem hepatócito ficam escuras · vazamento biliar
LimitesTaquipneia transitória na fase arterial · bilirrubina alta reduz a captação · difícil avaliar realce tardio (hemangioma)
Ângulo de inclinação35 a 40° na hepatobiliar (contra 9 a 12°) melhora o contraste da lesão escura, com mais SAR
HNF com gadoterato e depois gadoxetato, mulher de 35 anos
Fase tardia com gadoterato: lesão um pouco mais clara que o fígado esteatótico (seta).
Fase tardia com gadoterato: lesão um pouco mais clara que o fígado esteatótico (seta).
Fase hepatobiliar com gadoxetato (20 min): lesão hiperintensa, o que confirma a HNF (seta).
Fase hepatobiliar com gadoxetato (20 min): lesão hiperintensa, o que confirma a HNF (seta).
Fase arterial com gadoterato: realce homogêneo (seta).
Fase arterial com gadoterato: realce homogêneo (seta).
Fase portal com gadoterato.
Fase portal com gadoterato.
Fonte: Shetty AS, Nigogosyan Z, Stephen V, et al. RadioGraphics 2024;44(1):e230085, apresentação, slide 18. Ver artigo
QuantitativoO que mede
R2*GRE com vários ecos (2,38 a 14,3 ms) · o ferro faz o sinal cair mais nos ecos longos · hemocromatose, transfusões, anemia hemolítica
Fração de gordura (PDFF)Seis ecos, corrige T1 e T2* · boa correlação com biópsia (exemplo do artigo: 31%)
Elastografia por RMDriver acústico sobre o fígado, mapa de rigidez · exemplos: normal 2,3 kPa, fibrose avançada 4,8 kPa, cirrose 13,0 kPa

Espaço k e aceleração

ConceitoO que é
Centro do espaço kContraste da imagem · a periferia dá o detalhe
Leitura × faseA leitura (kx) é rápida; a codificação de fase (ky) dura o exame todo: por isso o fantasma de movimento sai na direção de fase
Campo de visãoPasso menor em ky dá campo maior · pular linhas encolhe o campo e dobra a imagem (aliasing)
Meio FourierAdquire pouco mais da metade e completa pela simetria
Imagem paralelaVárias bobinas subamostram o espaço k · SENSE (sensitivity encoding) desdobra na imagem, GRAPPA (generalized autocalibrating partially parallel acquisitions) no espaço k · acelera 2 a 3 vezes · SNR cai com o fator de geometria e a aceleração
CAIPIRINHA (controlled aliasing in parallel imaging results in higher acceleration)Acelera o 3D nas duas direções de fase, com menos dobra
Sensoriamento compressivoAmostragem semialeatória, transformada esparsa e reconstrução iterativa · colangio-RM 3D 2 a 5 vezes mais rápida, T1 dinâmico em respiração livre
Multicorte simultâneoVários cortes por pulso (fator 2 no corpo): menos tempo ou mais médias

Artefatos e soluções

ArtefatoMecanismo e aspectoSolução
SuscetibilidadeAr, osso, metal mudam o campo local: distorção e perda de sinal · pior em GRE, EPI, campo altoSpin eco, TE (tempo de eco) curto, voxel menor, banda maior, campo menor · metal: SEMAC (slice encoding for metal artifact correction), MAVRIC (multi-acquisition variable-resonance image combination)
Bandas do SSFPFaixas escuras fora de ressonância (borda do campo, perto de alça e pulmão)TR mínimo, shimming, trocar por T2 em disparo único
Distorção do EPINa direção de fase (banda baixa nessa direção) · base pulmonarImagem paralela, EPI segmentado, shimming
Onda estacionária (B1)A 3 T o comprimento de onda no tecido (cerca de 26 cm) tem o tamanho do paciente: vazio central · pior com ascite, gestação, obesidadeAlmofada dielétrica, 1,5 T, transmissão multicanal
Desvio químico tipo IGordura e água a 3,5 ppm (220 Hz a 1,5 T, 440 Hz a 3 T): banda clara e escura na interface, na direção de frequênciaBanda maior, trocar fase e frequência, suprimir gordura
Desvio químico tipo IIGordura e água no mesmo voxel fora de fase: contorno preto (tinta nanquim) · só em GRE · 2,2 e 4,4 ms a 1,5 TÉ diagnóstico: confirma gordura
Supressão de gordura falhaB0 heterogêneo na borda do campo, prótese de mamaShimming, STIR, Dixon
Zíper (interferência de RF)Linha na direção de frequência: porta aberta, monitorFechar a porta, tirar a fonte
MovimentoFantasmas periódicos na direção de fase (respiração), borramento · ascite em movimento imita debrisApneia, navegador, radial, disparo único, banda de saturação
FluxoPerda de sinal e fantasmas do vasoAnulação de momento de gradiente, saturação
Imagem paralelaFaixa central de ruído · perda de sinal por elemento de bobina desligado · dobra se mexer depois da calibraçãoMenos aceleração, consertar a bobina, recalibrar
AliasingCampo menor que o corpo: braços dobram sobre o flanco · no 3D, o períneo sobre a pelveCampo maior, sobreamostragem (de graça na frequência), trocar direções
Truncamento (Gibbs)Ondulações em bordas nítidas, pior com matriz baixa e na faseMais resolução
Suscetibilidade da endoprótese de aorta, homem de 65 anos
SSFP balanceado coronal: perda de sinal em volta da prótese.
SSFP balanceado coronal: perda de sinal em volta da prótese.
Radiografia: a endoprótese.
Radiografia: a endoprótese.
GRE axial: perda de sinal acentuada (seta).
GRE axial: perda de sinal acentuada (seta).
T2 FSE axial: o spin eco sofre muito menos.
T2 FSE axial: o spin eco sofre muito menos.
Fonte: Huang SY, Seethamraju RT, Patel P, et al. RadioGraphics 2015;35(5):1439–1460, Fig. 2. Ver artigo
Bandas do SSFP balanceado
SSFP axial depois de endoprótese: banda escura no abdome alto (seta).
SSFP axial depois de endoprótese: banda escura no abdome alto (seta).
Outro paciente, SSFP coronal: bandas na borda do campo (seta).
Outro paciente, SSFP coronal: bandas na borda do campo (seta).
Mesmo paciente, T2 em disparo único (RARE): sem bandas.
Mesmo paciente, T2 em disparo único (RARE): sem bandas.
Fonte: Huang SY, Seethamraju RT, Patel P, et al. RadioGraphics 2015;35(5):1439–1460, Fig. 4. Ver artigo
Distorção do EPI na difusão
Coronal: a caixa do shimming (verde) e a placa excitada (vermelho).
Coronal: a caixa do shimming (verde) e a placa excitada (vermelho).
Difusão axial: distorção sobre a base pulmonar, com supressão de gordura ruim.
Difusão axial: distorção sobre a base pulmonar, com supressão de gordura ruim.
Com shimming melhor e supressão de gordura: menos distorção.
Com shimming melhor e supressão de gordura: menos distorção.
Fonte: Huang SY, Seethamraju RT, Patel P, et al. RadioGraphics 2015;35(5):1439–1460, Fig. 6. Ver artigo
Onda estacionária a 3 T, cirrose com ascite
T2 coronal: vazio no centro da imagem.
T2 coronal: vazio no centro da imagem.
T1 fora de fase axial: o mesmo vazio.
T1 fora de fase axial: o mesmo vazio.
Fonte: Huang SY, Seethamraju RT, Patel P, et al. RadioGraphics 2015;35(5):1439–1460, Fig. 7. Ver artigo
Desvio químico tipo I a 3 T
Coronal do retroperitônio: banda na interface do psoas com a gordura, na direção de leitura (craniocaudal) (setas).
Coronal do retroperitônio: banda na interface do psoas com a gordura, na direção de leitura (craniocaudal) (setas).
Fonte: Huang SY, Seethamraju RT, Patel P, et al. RadioGraphics 2015;35(5):1439–1460, Fig. 9. Ver artigo
Desvio químico tipo II a 1,5 T
GRE fora de fase (TE 2,2 ms): contorno preto nas interfaces de gordura e água.
GRE fora de fase (TE 2,2 ms): contorno preto nas interfaces de gordura e água.
Em fase (TE 4,4 ms): sem o contorno.
Em fase (TE 4,4 ms): sem o contorno.
Fonte: Huang SY, Seethamraju RT, Patel P, et al. RadioGraphics 2015;35(5):1439–1460, Fig. 10. Ver artigo
Supressão de gordura falha na mama
Sagital: supressão ruim na borda do campo.
Sagital: supressão ruim na borda do campo.
Axial: o mesmo.
Axial: o mesmo.
STIR axial: supressão melhor.
STIR axial: supressão melhor.
Fonte: Huang SY, Seethamraju RT, Patel P, et al. RadioGraphics 2015;35(5):1439–1460, Fig. 11. Ver artigo
Interferência de radiofrequência (zíper)
Sem interferência.
Sem interferência.
Com interferência: linha em zíper.
Com interferência: linha em zíper.
Fonte: Huang SY, Seethamraju RT, Patel P, et al. RadioGraphics 2015;35(5):1439–1460, Fig. 12. Ver artigo
Movimento da ascite e da respiração, homem de 65 anos
T2 coronal: perda de sinal pelo fluxo da ascite, que imita debris.
T2 coronal: perda de sinal pelo fluxo da ascite, que imita debris.
T2 axial: fantasmas respiratórios paralelos à parede abdominal anterior.
T2 axial: fantasmas respiratórios paralelos à parede abdominal anterior.
Fonte: Huang SY, Seethamraju RT, Patel P, et al. RadioGraphics 2015;35(5):1439–1460, Fig. 13. Ver artigo
Navegador respiratório
GRE coronal sem sincronização: borrado.
GRE coronal sem sincronização: borrado.
Com navegador: nítido.
Com navegador: nítido.
Posição do navegador sobre o diafragma (verde) e o traçado da respiração.
Posição do navegador sobre o diafragma (verde) e o traçado da respiração.
Fonte: Huang SY, Seethamraju RT, Patel P, et al. RadioGraphics 2015;35(5):1439–1460, Fig. 14. Ver artigo
Imagem paralela com aceleração alta
Axial: faixa central de ruído.
Axial: faixa central de ruído.
Fonte: Huang SY, Seethamraju RT, Patel P, et al. RadioGraphics 2015;35(5):1439–1460, Fig. 17. Ver artigo
Elemento de bobina desligado, mulher de 47 anos com miomas
Esquema sobre a imagem coronal: um dos elementos de baixo está desligado (círculo preto).
Esquema sobre a imagem coronal: um dos elementos de baixo está desligado (círculo preto).
T2 axial: perda de sinal na pelve anterior esquerda (seta).
T2 axial: perda de sinal na pelve anterior esquerda (seta).
Fonte: Huang SY, Seethamraju RT, Patel P, et al. RadioGraphics 2015;35(5):1439–1460, Fig. 18. Ver artigo
Aliasing
T2 axial: braços dobrados sobre os flancos (seta).
T2 axial: braços dobrados sobre os flancos (seta).
T1 coronal: o campo adquirido (vermelho) e a sobreamostragem na direção de fase que resolveria (verde).
T1 coronal: o campo adquirido (vermelho) e a sobreamostragem na direção de fase que resolveria (verde).
Fonte: Huang SY, Seethamraju RT, Patel P, et al. RadioGraphics 2015;35(5):1439–1460, Fig. 20. Ver artigo
Aliasing na direção do corte no 3D
T2 3D axial: o períneo aparece sobre a pelve (setas).
T2 3D axial: o períneo aparece sobre a pelve (setas).
Repetida com sobreamostragem na direção do corte: melhor, com mais tempo.
Repetida com sobreamostragem na direção do corte: melhor, com mais tempo.
Coronal: o campo (vermelho) e a sobreamostragem (verde).
Coronal: o campo (vermelho) e a sobreamostragem (verde).
Fonte: Huang SY, Seethamraju RT, Patel P, et al. RadioGraphics 2015;35(5):1439–1460, Fig. 21. Ver artigo
fase ou frequência Movimento e dobra saem na direção de fase; desvio químico tipo I e zíper, na de frequência. No EPI, a distorção também é na fase. Trocar as duas direções é a primeira manobra para tirar o artefato de cima do órgão.

Pontos de prova: alto rendimento

ÍmãSempre ligado
Linha de 5 GNão protege de projétil
Força máximaNa entrada do túnel, não no isocentro
SAR 1,5 → 3 TCerca de 4 vezes
QueimaduraAlças de cabo e de pele
Sem rótuloConsiderar inseguro
Zona IVSala do ímã
Parada na RMTirar da zona IV antes de reanimar
QuenchHélio, asfixia, evacuar
GestaçãoRM sem contraste sem dano provado
AmamentaçãoPode continuar
STIRNão depois do gadolínio
Endometrioma no STIRPode sumir
DixonInsensível a B0/B1, troca água-gordura
Restrição verdadeiraDifusão alta, ADC baixo
Shine-throughDifusão e ADC altos
Fase hepatobiliar20 min com gadoxetato
MovimentoFantasmas na direção de fase
Desvio químico tipo IDireção de frequência
Tinta nanquimFora de fase, GRE
Onda estacionária3 T com ascite
SuscetibilidadeSpin eco resolve melhor

Armadilhas e erros comuns

Erros

  • Achar que a linha de 5 G marca a área segura para objetos
  • Deixar cabo em alça ou membro encostado no corpo
  • Usar STIR para confirmar gordura ou depois do contraste
  • Chamar de restrição o efeito T2 do hemangioma
  • Ler a perda de sinal da ascite em movimento como debris
  • Chamar de lesão a faixa escura do SSFP ou o vazio da onda estacionária
  • Esquecer de conectar as bobinas de superfície

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Onde a força de translação sobre um objeto ferromagnético é maior?

A força cresce com o gradiente espacial do campo, que é máximo perto da entrada do túnel, não no isocentro, onde o campo é forte mas uniforme. A linha de 5 G não protege de projétil.
↑revisar esta parte do caderno · Riscos: projétil, implante e queimadura
Questão 2

Qual medida mais reduz o risco de queimadura por indução durante a RM?

A queimadura por indução vem de alças condutoras: cabo de ECG enrolado, joia, braço ou perna encostados formando circuito. As bobinas precisam ficar conectadas (o circuito de proteção só funciona assim) e o avental evita roupa com fio metálico.
↑revisar esta parte do caderno · Riscos: projétil, implante e queimadura
Questão 3

Endometrioma com hipersinal em T1 perde o sinal no T2 STIR. A explicação é:

O STIR anula pelo T1: o que tem T1 parecido com o da gordura também some, como o sangue do endometrioma e o tecido realçado pelo gadolínio. Por isso o STIR não serve depois do contraste nem para confirmar gordura.
↑revisar esta parte do caderno · Supressão de gordura
Questão 4

Lesão hepática com sinal alto na difusão (b 800) e também alto no mapa de ADC. Isso indica:

Sinal alto na difusão com ADC alto é efeito T2, como no hemangioma. Restrição verdadeira (abscesso, tumor hipercelular, CHC infiltrativo) tem ADC baixo. Por isso a difusão se lê sempre com o ADC.
↑revisar esta parte do caderno · Difusão, fase hepatobiliar e quantitativos
Questão 5

Os fantasmas periódicos da parede abdominal causados pela respiração aparecem em qual direção?

A codificação de fase dura o exame inteiro, enquanto a leitura leva milissegundos: o movimento entre as linhas gera fantasmas na direção de fase. Trocar fase e frequência tira o fantasma de cima do órgão.
↑revisar esta parte do caderno · Artefatos e soluções
Questão 6

RM a 3 T de paciente com cirrose e ascite mostra área central escura sem lesão. O artefato e uma solução são:

A 3 T o comprimento de onda da RF no tecido (cerca de 26 cm) tem o tamanho do paciente, e a ascite piora: vazio central por heterogeneidade de B1. Almofada dielétrica, exame a 1,5 T ou transmissão multicanal ajudam.
↑revisar esta parte do caderno · Artefatos e soluções
0/6acertos
Responda as questões acima para ver o desempenho.
Praticar no QRad →
Teclas 1–5 respondem a questão visível · → ou Enter avança · ← volta · Shift+número ou botão direito risca uma alternativa.

Cadernos relacionados

Fontes.
Tsai LL, Grant AK, Mortele KJ, et al. A Practical Guide to MR Imaging Safety: What Radiologists Need to Know. RadioGraphics 2015;35(6):1722–1737. doi:10.1148/rg.2015150108
Huang SY, Seethamraju RT, Patel P, et al. Body MR Imaging: Artifacts, k-Space, and Solutions. RadioGraphics 2015;35(5):1439–1460. doi:10.1148/rg.2015140289
Shetty AS, Nigogosyan Z, Stephen V, et al. Body MRI Pulse Sequences: Atlas and User Guide. RadioGraphics 2024;44(1):e230085 (com a apresentação em slides). doi:10.1148/rg.230085

O artigo de segurança é de 2015: os limites de SAR que ele imprime parecem trocados e não foram reproduzidos, e grupos de gadolínio e categorias na gestação mudaram depois. A apresentação de sequências diz “T1 curto de 160 a 180 ms” para o STIR; o certo é o tempo de inversão (TI). A foto da queimadura do paciente e os esquemas com texto em inglês foram tirados. Conferido em 07/10/2026.

Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das mesmas fontes.